Questões de Concurso
Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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"Durante o verão, uma formiga, andando pelo campo, apanhava trigo e cevada e os reservava para alimentar-se no inverno. Um escaravelho admirou-se de vê-la trabalhando tanto e repreendeu-a por não divertir-se como os outros animais. Quando veio o inverno, porém, o escaravelho aproximou-se dela para pedir-lhe comida e foi então o momento de a formiga repreendê-lo por não ter sido previdente".
A moral dessa fábula poderia ser expressa do seguinte modo:
Leia com atenção a pequena fábula a seguir:
"Um pastor que conduzia seu rebanho pela beira do mar notou a calmaria das águas e resolveu navegar para fazer comércio. Após vender parte dos seus cordeiros, comprou tâmaras e partiu de volta para casa. Uma forte tempestade o apanhou no caminho de volta e, temeroso de que o barco afundasse, jogou fora a carga no mar e conseguiu salvar-se".
Assinale a alternativa em que a parte da estrutura narrativa está, em relação ao texto lido, identificada de forma equivocada.
Muitas descrições contêm substantivos adjetivados de forma objetiva, indicando, por exemplo, a forma dos objetos descritos.
As alternativas a seguir apresentam adjetivos adequados à descrição formal do objeto, à exceção de uma. Assinale-a.
Todos os segmentos abaixo são do tipo descritivo e abordam personagens das histórias em quadrinhos.
Assinale o segmento em que a caracterização do personagem é físico-psíquica.
Analise o exemplo de texto descritivo a seguir.
“Todas as formas estão confusas. Quatro horas da manhã.
A carroça do leiteiro passa fazendo barulho, fazendo tremer a quietude da rua, mas um instante depois o seu vulto e o seu ruído se dissolvem de novo na cerração.
O silêncio torna a cair".
Com relação aos constituintes do texto, assinale a afirmativa incorreta.
Analise a tira a seguir.

Com relação aos constituintes linguísticos e gráficos da tira acima,
assinale a afirmativa correta.
Algumas vezes a expressão escrita carece de lógica, gerando incoerência.
As frases a seguir apresentam incoerência, à exceção de uma. Assinale-a.
Todos, escritores ou não, já apontaram as dificuldades na tarefa de escrever.
As alternativas a seguir apresentam pensamentos em que essa dificuldade está presente, à exceção de uma. Assinale-a.
Analise a charge a seguir.

Com relação aos componentes gráficos e linguísticos da charge
acima, assinale a afirmativa correta.
"Os agricultores brasileiros ignoram tudo de economia. Colhem muito tomate quando o tomate cai de preço e colhem pouco tomate quando o preço está lá em cima". (Millôr Fernandes)
Na frase há uma estrutura em que ocorre
"Uma tese normal de doutorado não passa de uma transferência de ossos, de um cemitério para outro". (Frank Dobie)
A expressão sublinhada pode ser substituída por uma série de outras estruturas.
Assinale a alternativa que altera o significado original da frase.
Fofoca: uma obra sem autor
O próprio som da palavra fofoca dá a ela um certo ar de frivolidade. Fofoca, mexerico, coisa sem importância. Difamação é crime, mas fofoca é só uma brincadeira. O que seria da vida sem um bom diz-que-me-diz-que, não?
Não. Dispenso fofocas e fofoqueiros. Quando alguém se aproxima de mim, segura no meu braço e olha para o lado antes de começar a falar, já sei que vem aí uma lama que não me diz respeito. [...]
.............................................................................................................................................................................
A fofoca nasce da boca de quem? Ninguém
sabe. Ouviu-se falar. É uma afirmação sem fonte,
uma suspeita sem indício, uma leviandade órfã de pai
e mãe. Quem fabrica uma fofoca quer ter a sensação
de poder. Poder o quê? Poder divulgar algo seu, ver
seu "trabalho" passado adiante, provocando reações,
mobilizando pessoas. Quem dera o criador da fofoca
pudesse contribuir para a sociedade com um quadro,
um projeto de arquitetura, um plano educacional, mas
sem talento para tanto, ele gera boatos.
Quem faz intrigas sobre a vida alheia quer ter algo de sua autoria, uma obra que se alastre e cresça, que se torne pública e que seja muito comentada. Algo que lhe dê continuidade. É por isso que fofocar é uma tentação. Porque nos dá, por poucos minutos, a sensação de ser portador de uma informação valiosa que está sendo gentilmente dividida com os outros. Na verdade, está-se exercitando uma pequena maldade, não prevista no Código Penal. Fofocas podem provocar lesões emocionais. Por mais inocente ou absurda, sempre deixa um rastro de desconfiança. Onde há fumaça há fogo, acreditam todos, o que transforma toda fofoca numa verdade em potencial. Não há fofoca que compense. Se for mesmo verdade, é uma bala perdida. Se for mentira, é um tiro pelas costas.
(MEDEIROS, Martha. Almas gêmeas. L&PM Editores: Porto
Alegre, 1999, p.127.)
Fofoca: uma obra sem autor
O próprio som da palavra fofoca dá a ela um certo ar de frivolidade. Fofoca, mexerico, coisa sem importância. Difamação é crime, mas fofoca é só uma brincadeira. O que seria da vida sem um bom diz-que-me-diz-que, não?
Não. Dispenso fofocas e fofoqueiros. Quando alguém se aproxima de mim, segura no meu braço e olha para o lado antes de começar a falar, já sei que vem aí uma lama que não me diz respeito. [...]
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A fofoca nasce da boca de quem? Ninguém
sabe. Ouviu-se falar. É uma afirmação sem fonte,
uma suspeita sem indício, uma leviandade órfã de pai
e mãe. Quem fabrica uma fofoca quer ter a sensação
de poder. Poder o quê? Poder divulgar algo seu, ver
seu "trabalho" passado adiante, provocando reações,
mobilizando pessoas. Quem dera o criador da fofoca
pudesse contribuir para a sociedade com um quadro,
um projeto de arquitetura, um plano educacional, mas
sem talento para tanto, ele gera boatos.
Quem faz intrigas sobre a vida alheia quer ter algo de sua autoria, uma obra que se alastre e cresça, que se torne pública e que seja muito comentada. Algo que lhe dê continuidade. É por isso que fofocar é uma tentação. Porque nos dá, por poucos minutos, a sensação de ser portador de uma informação valiosa que está sendo gentilmente dividida com os outros. Na verdade, está-se exercitando uma pequena maldade, não prevista no Código Penal. Fofocas podem provocar lesões emocionais. Por mais inocente ou absurda, sempre deixa um rastro de desconfiança. Onde há fumaça há fogo, acreditam todos, o que transforma toda fofoca numa verdade em potencial. Não há fofoca que compense. Se for mesmo verdade, é uma bala perdida. Se for mentira, é um tiro pelas costas.
(MEDEIROS, Martha. Almas gêmeas. L&PM Editores: Porto
Alegre, 1999, p.127.)
O homem cuja orelha cresceu
Estava escrevendo, sentiu a orelha pesada. Pensou que fosse cansaço, eram 11 da noite, estava fazendo hora extra. Escriturário de uma firma de tecidos, solteiro, 35 anos, ganhava pouco, reforçava com extras. Mas o peso foi aumentando e ele percebeu que as orelhas cresciam. Apavorado, passou a mão. Deviam ter uns dez centímetros. Eram moles, como de cachorro. Correu ao banheiro. As orelhas estavam na altura do ombro e continuavam crescendo. Ficou só olhando. Elas cresciam, chegavam à cintura. Finas, compridas, como fitas de came, enrugadas. Procurou uma tesoura, ia cortar a orelha, não importava que doesse. Mas não encontrou, as gavetas das moças estavam fechadas. O armário de material também. O melhor era correr para a pensão, se fechar, antes que não pudesse mais andar na rua. Se tivesse um amigo, ou namorada, iria mostrar o que estava acontecendo. Mas o escriturário não conhecia ninguém a não ser os colegas de escritório. Colegas, não amigos. Ele abriu a camisa, enfiou as orelhas para dentro. Enrolou uma toalha na cabeça, como se estivesse machucado.
Quando chegou na pensão, a orelha saía pela perna da calça. O escriturário tirou a roupa. Deitou-se, louco para dormir e esquecer. E se fosse ao médico? Um otorrinolaringologista. A esta hora da noite? Olhava o forro branco, incapaz de pensar, dormiu de desespero.
Ao acordar, viu aos pés da cama o monte de uns trinta centímetros de altura. A orelha crescera e se enrolara como cobra. Tentou se levantar. Difícil. Precisava segurar as orelhas enroladas. Pesavam. Ficou na cama. E sentia a orelha crescendo, com uma cosquinha. O sangue correndo para iá, os nervos, músculos, a pele se formando, rápido. Às quatro da tarde, toda a cama tinha sido tomada pela orelha. O escriturário sentia fome, sede. Às dez da noite, sua barriga roncava. A orelha tinha caído para fóra da cama. Dormiu.
Acordou no meio da noite com o barulhinho da orelha crescendo. Dormiu de novo e quando acordou na manhã seguinte, o quarto se enchera com a orelha. Ela estava em cima do guarda-roupa, embaixo da cama, na pia. E forçava a porta. Ao meio-dia, a orelha derrubou a porta, saiu pelo corredor. Duas horas mais tarde, encheu o corredor. Inundou a casa. Os hóspedes fugiram para a rua. Chamaram a polícia, o corpo de bombeiros. A orelha saiu para o quintal. Para a rua.
Vieram os açougueiros com facas, machados, serrotes. Os açougueiros trabalharam o dia inteiro cortando e amontoando. O prefeito mandou dar a carne aos pobres. Vieram os favelados, as organizações de assistência social, irmandades religiosas, donos de restaurantes, vendedores de churrasquinho na porta do estádio, donas de casa. Vinham com cestas, carrinhos, carroças, camionetas. Toda a população apanhou carne de orelha. Apareceu um administrador, trouxe sacos de plástico, higiênicos, organizou filas, fez uma distribuição racional.
E quando todos tinham levado carne para aquele dia e para os outros, começaram a estocar. Encheram silos, frigoríficos, geladeiras. Quando não havia mais onde estocar a carne de orelha, cham aram outras cidades. Vieram novos açougueiros. E a orelha crescia, era cortada e crescia, e os açougueiros trabalhavam. E vinham outros açougueiros. E os outros se cansavam. E a cidade não suportava mais carne de orelha. O povo pediu uma providência ao prefeito. E o prefeito ao governador. E o governador ao presidente.
E quando não havia solução, um menino, diante da rua cheia de carne de orelha, disse a um policial: “Por que ó senhor não mata o dono da orelha?”
(Ignácio de Loyoia Brandão, Os melhores contos de Ignácio de
Loyola Brandão. Seleção de Deonísio da Silva. São Paulo:
Global, 1993. p.135.)