Nessa carta aberta, Einstein demonstra acreditar que a ONU

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Q24295 Português
Carta aberta à assembléia geral das Nações Unidas*

Os representantes de 55 governos, reunidos na segunda
Assembléia Geral das Nações Unidas, terão sem dúvida
consciência do fato de que, durante os dois últimos anos -
desde a vitória sobre as potências do Eixo - não se fez nenhum
progresso sensível rumo à prevenção da guerra, nem rumo ao
entendimento em campos específicos, como o controle da
energia atômica e a cooperação econômica na reconstrução de
áreas devastadas pela guerra.

A ONU não pode ser responsabilizada por esses
malogros. Nenhuma organização internacional pode ser mais
forte do que os poderes constitucionais que lhe são conferidos,
ou do que os membros que a compõem desejam que seja. Na
verdade, as Nações Unidas são uma instituição extremamente
importante e útil, contanto que os povos e governos do mundo
se dêem conta de que a ONU nada mais é que um sistema de
transição para a meta final, que é o estabelecimento de um
poder supranacional, investido de poderes legislativos e
executivos suficientes para manter a paz. O impasse atual
reside na inexistência de uma autoridade supranacional
suficiente e confiável. Assim, os líderes responsáveis de todos
os governos são obrigados a agir na presunção de uma guerra
eventual. Cada passo motivado por essa presunção contribui
para aumentar o medo e a desconfiança gerais, apressando a
catástrofe final. Por maiores que sejam os armamentos
nacionais, eles não geram a segurança militar para nenhum
país, nem garantem a manutenção da paz.

* Trecho de carta escrita em 1947

(Albert Einstein, Escritos da maturidade.)
Nessa carta aberta, Einstein demonstra acreditar que a ONU
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: A decisão se apoia na tese explícita do 2º parágrafo: "a ONU nada mais é que um sistema de transição para a meta final, que é o estabelecimento de um poder supranacional, investido de poderes legislativos e executivos suficientes para manter a paz. O impasse atual reside na inexistência de uma autoridade supranacional suficiente e confiável." Como o texto vincula a efetivação dos objetivos da ONU à superação dessa ausência, a alternativa B é a que reproduz essa ideia central.

Tema central: ONU e poder supranacional
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque atribui à ONU relutância em agir mesmo já possuindo meios e legitimidade, mas o texto afirma o contrário: "A ONU não pode ser responsabilizada por esses malogros" e explica que nenhuma organização internacional pode ser mais forte do que os poderes que lhe são conferidos. O problema indicado não é omissão voluntária, mas limitação estrutural.
B
Certa
A alternativa B está correta porque reproduz com fidelidade a ideia central do texto: Einstein considera a ONU importante, mas insuficiente para garantir plenamente a paz, já que ela é apresentada como instância transitória. O texto liga o alcance efetivo dessa finalidade à superação do impasse causado pela falta de uma autoridade supranacional "suficiente e confiável". É exatamente essa relação que a alternativa B reescreve sem distorção.
C
Errada
Está errada por erro de referente e por acréscimo indevido de sentido. O texto diz: "os líderes responsáveis de todos os governos são obrigados a agir na presunção de uma guerra eventual". Portanto, essa presunção recai sobre os governos, não sobre a ONU. Além disso, a alternativa troca "guerra eventual" por "nova guerra mundial" iminente, intensificação que não aparece no texto.
D
Errada
Está errada por extrapolação temática. A carta não define a ONU como organização permanentemente voltada a disciplinar corrida armamentista, nem menciona orientar potências emergentes. A menção a armamentos aparece apenas para sustentar que eles não garantem paz nem segurança, e não para fixar essa função específica e permanente da ONU.
E
Errada
Está errada porque deturpa a relação entre a ONU atual e a instância futura mencionada no texto. Einstein afirma que a ONU é "um sistema de transição" e que a meta final é o estabelecimento de um poder supranacional "investido de poderes legislativos e executivos suficientes para manter a paz". Esses poderes pertencem a essa autoridade futura, não à ONU tal como existe.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre a ONU existente e o poder supranacional apresentado como meta final, além de induzir o leitor a trocar limitação estrutural por culpa, omissão ou relutância da própria ONU.
Dica para questões semelhantes
  • Localize a tese explícita do autor antes de comparar as alternativas; a correta costuma ser a paráfrase mais fiel dessa tese.
  • Verifique quem é o referente de cada ação no texto; aqui, a presunção de guerra é atribuída aos governos, não à ONU.
  • Elimine alternativas que transformam limitação estrutural em vontade, culpa ou omissão quando o texto não autoriza essa mudança.
  • Desconfie de opções que acrescentam funções específicas ou permanentes não formuladas no texto.

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