Questões de Concurso Sobre morfologia em português

Foram encontradas 29.163 questões

Q2576152 Português
Julgue o item subsequente. 

A palavra "moto", uma abreviação de "motocicleta", exemplifica como a abreviação vocabular pode ser utilizada para simplificar a comunicação, criando termos mais curtos e práticos a partir de palavras mais longas.
Alternativas
Q2576139 Português
Julgue o item subsequente. 

Empregar a letra "h" no final de interjeições, como em "Ah!", é ortograficamente opcional e não altera o significado ou a intensidade da expressão utilizada. Por exemplo, usar "Ah!" em "Ah! Finalmente chegou!" ou "A!" em "A! Finalmente chegou!" seria igualmente correto. 
Alternativas
Q2576052 Português
Texto 1 para responder à questão.

    Há 115 anos, no dia 02 de maio de 1909, nascia Ataulfo Alves de Sousa, um dos maiores compositores do samba brasileiro, no município de Miraí, Minas Gerais. O mineiro era filho de Severino de Sousa e de Matilde de Jesus, e cresceu em uma família relativamente grande, com sete irmãos. A paixão do sambista pela música foi uma herança de seu pai, que trabalhava na lavoura e era também violeiro, sanfoneiro e repentista, conhecido em toda a região. Quando Ataulfo tinha dez anos, seu pai veio a óbito, sendo sua família obrigada a sair às pressas das terras em que moravam. Ataulfo criou o grupo “Academia do Samba”, para acompanhá-lo na gravação. Logo depois, com a inclusão de vozes femininas, foi transformado em “Ataulfo Alves e suas Pastoras”. Na década de 1950, Ataulfo participou do show “O Samba Nasce do Coração”, na boate Casablanca, na praia Vermelha. Em 1955, quando lançou mais um dos seus sucessos: Pois é.

(Disponível em: https://www.gov.br/palmares/pt-br/assuntos/noticias/ha-115-anos-nascia-ataulfo-alves-grande-nome-do-sambabrasileiro. Acesso em: 09 ago. 2024. Com adaptações)
As palavras em destaque nos últimos períodos do Texto 1, classificam-se, respectivamente, como
Alternativas
Q2575823 Português
Instrução: Leia o texto e responda à questão.

Amores virtuais e sentimentos byteanos conjugados

    Chegou à conclusão de que a única forma de encontrar o seu príncipe encantado era por meio de sites de relacionamentos, especializados em unir pessoas com características semelhantes. Moça tímida, recatada, criada sob o rigor de um pai severo, nunca fora de sair, fazer amigos, paquerar. Encontrar um namorado, dentro de casa, assistindo novela das 6, das 7 e das 8 seria humanamente impossível. Mas, chegando perto dos 40 anos, chegou à conclusão de que precisava mudar. E a solução seria acreditar em amores virtuais.
    Acessou o site. O primeiro campo a ser preenchido era Apelido. Um apelido, meu Deus! Mas que apelido? O apelido de criança? Nem pensar. “Miss Pança” estava fora de cogitação. Assustaria qualquer pretendente. Ela precisava de algo mais quente, mais sugestivo, mas sem ser extravagante demais. Que tal “Donzela em Erupção”!? Não era o exemplo perfeito de criatividade, mas não deixava de ser sincero. Se não fosse sincera agora, o que dizer depois de iniciar um relacionamento?
     Mas, na hora de preencher campos como Idade, Altura e Peso, hesitou. Sinceridade demais desgasta a relação, pensou, como uma especialista em relações amorosas. Por isso, diminuiu idade e peso, e aumentou a altura. No campo Cantor (a) Preferido (a), achou que Xuxa passaria uma imagem ruim. Melhor Elis Regina. Homens gostam de mulheres cultas. Livros? Na vida, ela só tinha lido Dale Carnegie. Por isso, arriscou um Patrick Sufind – embora ela tentasse se referir a Patrick Süskind – que fora citado em alguma nota da Cláudia, mês passado. No campo Sonho, chegou à conclusão de que se colocasse a verdade (aquela verdade que cultivava ternamente desde seus 12 anos) de que queria casar e ter uma ninhada de 3 ou 4 filhos, ah, aí sim ninguém se interessaria por ela.
    No final das contas, havia mudado tantas características, tantas referências, tantas especialidades que a “Donzela em Erupção” poderia ser qualquer pessoa do mundo, menos ela.   
    Ficou deprimida ao perceber que, se ela agia dessa maneira, ocultando suas características e inventando outras qualidades, outros fariam o mesmo. Em outras palavras: se recebesse o e-mail dum jovem de vinte e poucos anos, atlético, olhos claros, nominado Poeta Coruscante, deveria entender: coroa desorientado, barrigudo, consumidor assíduo de espetinho e ovo cozido no Bar do Joca, e torcedor fanático do Grêmio Maringá.
   Pensou melhor. Bem melhor, por sinal. Fechou o navegador sem salvar seu cadastro e foi assistir, emocionada, a mais uma eliminatória de A Fazenda.

(MARTINS, J. Disponível em: https:// corrosiva.com.br. Acesso em: 10/07/2024.)
Sobre conjunções empregadas no texto, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q2575817 Português
Instrução: Leia o texto a seguir e responda à questão.

        Sempre me angustiou a situação das pessoas que são objeto das diferentes formas de tráfico. Quem dera que se ouvisse o grito de Deus, perguntando a todos nós: “Onde está o teu irmão?” (Gn 4, 9). Onde está o teu irmão escravo? Onde está o irmão que estás matando cada dia na pequena fábrica clandestina, na rede de prostituição, nas crianças usadas para a mendicidade? Naquele que tem de trabalhar às escondidas porque não foi regularizado? Não nos façamos de distraídos! Há muita cumplicidade... A pergunta é para todos! Nas nossas cidades, está instalado este crime mafioso e aberrante, e muitos têm as mãos cheias de sangue devido a uma cômoda e muda cumplicidade.

(Exortação apostólica do Sumo Pontífice Francisco. Evangelii Gaudium. São Paulo: Edições Loyola Jesuítas, 2013.)
Há, na língua portuguesa, sufixos que formam substantivos de adjetivos, como altivez e beleza. Geralmente são nomes abstratos e indicam qualidade, estado, propriedade e modo de ser. Qual palavra do texto é exemplo dessa formação?
Alternativas
Ano: 2024 Banca: FUNDEP (Gestão de Concursos) Órgão: Prefeitura de Montes Claros - MG Provas: FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - Administrador | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - PEB II - Ciências | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - Arquiteto | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - Assistente Social | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - PEB II - Educação Física | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - PEB II - Artes | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - Contador | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - Engenheiro Civil | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - Engenheiro Eletricista | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - Analista de Sistemas | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - Fonoaudiólogo | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - Instrutor de Libras | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - PEB I | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - Intérprete de Libras | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - Nutricionista | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - Supervisor Pedagógico da Educação | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - Psicopedagogo | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - Psicólogo | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - PEB II - Língua Inglesa | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - PEB II - Matemática | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - PEB II - Educação Religiosa | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - PEB II - Geografia | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - PEB II - História | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - PEB II - Português e sua Literaturas |
Q2575744 Português
INSTRUÇÃO: Leia o fragmento de uma crônica para responder à questão.

Aconteceu na Suécia

O sorriso é, geralmente, muito bem aceito em sociedade. A menos quando não há razão para estar alegre, e a pessoa abre um meio sorriso, sardônico, voltairiano. Esse sorriso da inteligência, marca dos espíritos privilegiados, às vezes ofende; quase sempre inquieta.

Já o riso é a explosão do sorriso. O sistema nervoso central se descontrola, e o corpo inteiro se sacode, os pulmões expelem todo o ar de que dispõem, as lágrimas se aproximam das pálpebras. Certas situações, ou às vezes uma simples frase, ou então uma lembrança antiga que aflora de repente à consciência, são capazes de provocar um riso de tal forma [...] que sua manifestação é a gargalhada.

Aqui, entramos no terreno da repressão. Não se pode rir às gargalhadas em todas as ocasiões. Num velório, por exemplo [...]. Na igreja também é melhor não rir; idem diante do juiz ou do delegado de polícia; no ônibus, se você lembra um episódio hilariante de algum filme ou livro, cuidado com a gargalhada solitária, vão pensar que há um passageiro lunático.

OLIVEIRA, José Carlos. Disponível em: https://contobrasileiro.com. br/aconteceu-na-suecia-cronica-de-jose-carlos-oliveira/. Acesso em: 10 maio 2024. [Fragmento]
Quanto à palavra “voltairiano”, no primeiro parágrafo, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Ano: 2024 Banca: FUNDEP (Gestão de Concursos) Órgão: Prefeitura de Montes Claros - MG Provas: FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - Administrador | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - PEB II - Ciências | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - Arquiteto | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - Assistente Social | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - PEB II - Educação Física | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - PEB II - Artes | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - Contador | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - Engenheiro Civil | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - Engenheiro Eletricista | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - Analista de Sistemas | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - Fonoaudiólogo | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - Instrutor de Libras | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - PEB I | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - Intérprete de Libras | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - Nutricionista | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - Supervisor Pedagógico da Educação | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - Psicopedagogo | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - Psicólogo | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - PEB II - Língua Inglesa | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - PEB II - Matemática | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - PEB II - Educação Religiosa | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - PEB II - Geografia | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - PEB II - História | FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2024 - Prefeitura de Montes Claros - MG - PEB II - Português e sua Literaturas |
Q2575739 Português
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.

Quais são os problemas que o perfeccionismo causa?

No mundo complexo e exigente em que vivemos, é fácil se deparar com um padrão implacável de perfeição. Quantas vezes você se encontra nesse ciclo interminável de autocrítica e de reavaliação constante? Quantas vezes se pega refletindo sobre cada detalhe, cada mínimo deslize, cada imperfeição?

Você se identifica com essas características? Se sim, saiba que não está sozinho. Muitos compartilham desse traço de personalidade, às vezes moldado desde a infância por expectativas irreais ou padrões inatingíveis impostos por pais, professores ou mesmo pela sociedade.

O Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube) fez uma pesquisa e perguntou: “Você é perfeccionista?”. Como resposta, 43,95% dos quase 50 mil entrevistados apontaram que fazem de tudo para concluir tarefas sem nenhum erro. Um levantamento semelhante foi feito pela Fundação Getúlio Vargas, e 73% dos profissionais brasileiros relataram ter traços perfeccionistas.

No entanto, o perfeccionismo, apesar de muitas vezes ser visto como uma qualidade, pode ser um poderoso sabotador, tanto na vida pessoal quanto na profissional. Estudos alertam para os perigos do perfeccionismo, associando-o a um maior risco de desenvolver depressão e ansiedade, especialmente entre aqueles que são autocríticos. Quando uma pessoa se torna refém desse padrão elevado e irrealista, acaba se distanciando dela mesma e de seus objetivos. Deixa de agir, de arriscar, de se permitir falhar e aprender com os próprios erros.

MORAES, Thereza Cristina. Quais são os problemas que o perfeccionismo causa? Hoje em Dia. Opinião. Disponível em: https://www.hojeemdia.com.br/opiniao/opiniao/quais-s-o-osproblemas-que-o-perfeccionismo-causa-1.1011271. Acesso em: 10 maio 2024. [Fragmento adaptado] 
Releia o trecho a seguir:

“Quantas vezes você se encontra nesse ciclo interminável de autocrítica e de reavaliação constante?”

Assinale a alternativa em que a palavra destacada tenha a mesma classificação morfológica do termo destacado no trecho apresentado.
Alternativas
Q2575683 Português

Texto: O relógio


Eu tinha medo de dormir na casa do meu avô. Era um sobradão colonial enorme, longos corredores, escadarias, portas grossas e pesadas que rangiam, vidros coloridos nos caixilhos das janelas, pátios calçados com pedras antigas… De dia, tudo era luminoso. Mas quando vinha a noite e as luzes se apagavam, tudo mergulhava no sono: pessoas, paredes, espaços. Menos o relógio… De dia, ele estava lá também. Só que era diferente. Manso, tocando o carrilhão a cada quarto de hora, ignorado pelas pessoas, absorvidas por suas rotinas. Acho que era porque durante o dia ele dormia. Seu pêndulo regular era seu coração que batia, seu ressonar, e suas músicas eram seus sonhos, iguais aos de todos os outros relógios. De noite, ao contrário, quando todos dormiam, ele acordava, e começava a contar estórias. Só muito mais tarde vim a entender o que ele dizia: “Tempus fugit“. E eu ficava na cama, incapaz de dormir, ouvindo sua marcação sem pressa, esperando a música do próximo quarto de hora. Eu tinha medo. Hoje, acho que sei por quê: ele batia a Morte. Seu ritmo sem pressa não era coisa daquele tempo da minha insônia de menino. Vinha de muito longe. Tempo de musgos crescidos em paredes húmidas, de tábuas largas de assoalho que envelheciam, de ferrugem que aparecia nas chaves enormes e negras, da senzala abandonada, dos escravos que ensinaram para as crianças estórias de além-mar “dinguele-dingue que eu vou para Angola, dingueledingue que eu vou para Angola“ de grandes festas e grandes tristezas, nascimentos, casamentos, sepultamentos, de riqueza e decadência… O relógio batera aquelas horas – e se sofrera, não se podia dizer, porque ninguém jamais notara mudança alguma em sua indiferença pendular. Exceto quando a corda chegava ao fim e o seu carrilhão excessivamente lento se tomava num pedido de socorro: “Não quero morrer…“ Aí, aquele que tinha a missão de lhe dar corda – (pois este não era privilégio de qualquer um. Só podia tocar no coração do relógio aquele que já, por muito tempo, conhecesse os seus segredos) – subia numa cadeira e, de forma segura e contada, dava voltas na chave mágica. O tempo continuaria a fugir… Todas aquelas horas vividas e morridas estavam guardadas. De noite, quando todos dormiam, elas saíam. O passado só sai quando o silêncio é grande, memória do sobrado. E o meu medo era por isto: por sentir que o relógio, com seu pêndulo e carrilhão, me chamava para si e me incorporava naquela estória que eu não conhecia, mas só imaginava. Já havia visto alguns dos seus sinais imobilizados, fosse na própria magia do espaço da casa, fosse nos velhos álbuns de fotografia, homens solenes de colarinho engomado e bigode, famílias paradigmáticas, maridos assentados de pernas cruzadas, e fiéis esposas de pé, ao seu lado, mão docemente pousada no ombro do companheiro. Mas nada mais eram que fantasmas, desaparecidos no passado, deles, não se sabendo nem mesmo o nome. “Tempus fugit“. O relógio toca de novo. Mais um quarto de hora. Mais uma hora no quarto, sem dormir… Sentia que o relógio me chamava para o seu tempo, que era o tempo de todos aqueles fantasmas, o tempo da vida que passou. Depois o sobradão pegou fogo. Ficaram os gigantescos barrotes de pau-bálsamo fumegando por mais de uma semana, enchendo o ar com seu perfume de tristeza. Salvaram-se algumas coisas. Entre elas, o relógio. Dali saiu para uma casa pequena. Pelas noites adentro ele continuou a fazer a mesma coisa. E uma vizinha que não suportou a melodia do “Tempus fugit“ pediu que ele fosse reduzido ao silêncio. E a alma do relógio teve de ser desligada.


Tenho saudades dele. Por sua tranquila honestidade, repetindo sempre, incansável, “Tempus fugit“. Ainda comprarei um outro que diga a mesma coisa. Relógio que não se pareça com este meu, no meu pulso, que marca a hora sem dizer nada, que não tem estórias para contar. Meu relógio só me diz uma coisa: o quanto eu devo correr, para não me atrasar. Com ele, sinto-me tolo como o Coelho da estória da Alice, que olhava para seu relógio, corria esbaforido, e dizia: “Estou atrasado, estou atrasado…“


Não é curioso que o grande evento que marca a passagem do ano seja uma corrida, corrida de São Silvestre?


Correr para chegar, aonde?


Passagem de ano é o velho relógio que toca o seu carrilhão.


O sol e as estrelas entoam a melodia eterna: “Tempus fugit“.


E porque temos medo da verdade que só aparece no silêncio solitário da noite, reunimo-nos para espantar o tenor, e abafamos o ruído tranquilo do pêndulo com enormes gritarias. Contra a música suave da nossa verdade, o barulho dos rojões…


Pela manhã, seremos, de novo, o tolo Coelho da Alice: “Estou atrasado, estou atrasado…“ 


Mas o relógio não desiste. Continuará a nos chamar à sabedoria:


Quem sabe que o tempo está fugindo descobre, subitamente, a beleza única do momento que nunca mais será…


Rubem Alves

Leia o fragmento extraído do texto para responder a questão que se refere a compreensão de Morfologia (Classe de Palavras): 
“ Eu tinha medo de dormir na casa do meu avô. Era um sobradão colonial enorme, longos corredores, escadarias, portas grossas e pesadas que rangiam, vidros coloridos nos caixilhos das janelas, pátios calçados com pedras antigas…”.
O vocábulo em destaque, com, sublinhado no fragmento está CORRETAMENTE classificado na alternativa:
Alternativas
Q2575682 Português

Texto: O relógio


Eu tinha medo de dormir na casa do meu avô. Era um sobradão colonial enorme, longos corredores, escadarias, portas grossas e pesadas que rangiam, vidros coloridos nos caixilhos das janelas, pátios calçados com pedras antigas… De dia, tudo era luminoso. Mas quando vinha a noite e as luzes se apagavam, tudo mergulhava no sono: pessoas, paredes, espaços. Menos o relógio… De dia, ele estava lá também. Só que era diferente. Manso, tocando o carrilhão a cada quarto de hora, ignorado pelas pessoas, absorvidas por suas rotinas. Acho que era porque durante o dia ele dormia. Seu pêndulo regular era seu coração que batia, seu ressonar, e suas músicas eram seus sonhos, iguais aos de todos os outros relógios. De noite, ao contrário, quando todos dormiam, ele acordava, e começava a contar estórias. Só muito mais tarde vim a entender o que ele dizia: “Tempus fugit“. E eu ficava na cama, incapaz de dormir, ouvindo sua marcação sem pressa, esperando a música do próximo quarto de hora. Eu tinha medo. Hoje, acho que sei por quê: ele batia a Morte. Seu ritmo sem pressa não era coisa daquele tempo da minha insônia de menino. Vinha de muito longe. Tempo de musgos crescidos em paredes húmidas, de tábuas largas de assoalho que envelheciam, de ferrugem que aparecia nas chaves enormes e negras, da senzala abandonada, dos escravos que ensinaram para as crianças estórias de além-mar “dinguele-dingue que eu vou para Angola, dingueledingue que eu vou para Angola“ de grandes festas e grandes tristezas, nascimentos, casamentos, sepultamentos, de riqueza e decadência… O relógio batera aquelas horas – e se sofrera, não se podia dizer, porque ninguém jamais notara mudança alguma em sua indiferença pendular. Exceto quando a corda chegava ao fim e o seu carrilhão excessivamente lento se tomava num pedido de socorro: “Não quero morrer…“ Aí, aquele que tinha a missão de lhe dar corda – (pois este não era privilégio de qualquer um. Só podia tocar no coração do relógio aquele que já, por muito tempo, conhecesse os seus segredos) – subia numa cadeira e, de forma segura e contada, dava voltas na chave mágica. O tempo continuaria a fugir… Todas aquelas horas vividas e morridas estavam guardadas. De noite, quando todos dormiam, elas saíam. O passado só sai quando o silêncio é grande, memória do sobrado. E o meu medo era por isto: por sentir que o relógio, com seu pêndulo e carrilhão, me chamava para si e me incorporava naquela estória que eu não conhecia, mas só imaginava. Já havia visto alguns dos seus sinais imobilizados, fosse na própria magia do espaço da casa, fosse nos velhos álbuns de fotografia, homens solenes de colarinho engomado e bigode, famílias paradigmáticas, maridos assentados de pernas cruzadas, e fiéis esposas de pé, ao seu lado, mão docemente pousada no ombro do companheiro. Mas nada mais eram que fantasmas, desaparecidos no passado, deles, não se sabendo nem mesmo o nome. “Tempus fugit“. O relógio toca de novo. Mais um quarto de hora. Mais uma hora no quarto, sem dormir… Sentia que o relógio me chamava para o seu tempo, que era o tempo de todos aqueles fantasmas, o tempo da vida que passou. Depois o sobradão pegou fogo. Ficaram os gigantescos barrotes de pau-bálsamo fumegando por mais de uma semana, enchendo o ar com seu perfume de tristeza. Salvaram-se algumas coisas. Entre elas, o relógio. Dali saiu para uma casa pequena. Pelas noites adentro ele continuou a fazer a mesma coisa. E uma vizinha que não suportou a melodia do “Tempus fugit“ pediu que ele fosse reduzido ao silêncio. E a alma do relógio teve de ser desligada.


Tenho saudades dele. Por sua tranquila honestidade, repetindo sempre, incansável, “Tempus fugit“. Ainda comprarei um outro que diga a mesma coisa. Relógio que não se pareça com este meu, no meu pulso, que marca a hora sem dizer nada, que não tem estórias para contar. Meu relógio só me diz uma coisa: o quanto eu devo correr, para não me atrasar. Com ele, sinto-me tolo como o Coelho da estória da Alice, que olhava para seu relógio, corria esbaforido, e dizia: “Estou atrasado, estou atrasado…“


Não é curioso que o grande evento que marca a passagem do ano seja uma corrida, corrida de São Silvestre?


Correr para chegar, aonde?


Passagem de ano é o velho relógio que toca o seu carrilhão.


O sol e as estrelas entoam a melodia eterna: “Tempus fugit“.


E porque temos medo da verdade que só aparece no silêncio solitário da noite, reunimo-nos para espantar o tenor, e abafamos o ruído tranquilo do pêndulo com enormes gritarias. Contra a música suave da nossa verdade, o barulho dos rojões…


Pela manhã, seremos, de novo, o tolo Coelho da Alice: “Estou atrasado, estou atrasado…“ 


Mas o relógio não desiste. Continuará a nos chamar à sabedoria:


Quem sabe que o tempo está fugindo descobre, subitamente, a beleza única do momento que nunca mais será…


Rubem Alves

Leia o fragmento extraído do texto para responder a questão que se refere a compreensão de Morfologia (Classe de Palavras):
“ Eu tinha medo de dormir na casa do meu avô. Era um sobradão colonial enorme, longos corredores, escadarias, portas grossas e pesadas que rangiam, vidros coloridos nos caixilhos das janelas, pátios calçados com pedras antigas…”.
O termo caixilhos, destacado no fragmento tem a CORRETA classificação em classes de palavras como:
Alternativas
Q2575546 Português
INSTRUÇÃO: Leia o fragmento de uma canção de Zeca Baleiro para responder à questão.

Bienal

Desmaterializando a obra de arte do fim do milênio
Faço um quadro com moléculas de hidrogênio
Fios de pentelho de um velho armênio
Cuspe de mosca, pão dormido, asa de barata torta

Meu conceito parece, à primeira vista,
Um barrococó figurativo neoexpressionista
Com pitadas de arte nouveau pós‑surrealista
Calcado da revalorização da natureza morta

BALEIRO, Zeca. Bienal. Disponível em: https://www.letras.mus.br/ zeca‑baleiro/73692/. Acesso em: 8 maio 2024. [Fragmento]
Quanto à formação da palavra “barrococó”, no segundo verso da segunda estrofe, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q2575353 Português
INSTRUÇÃO: Leia o fragmento de um conto a seguir para responder à questão.

Itaoca é uma grande família com presunção de cidade, espremida entre montanhas, lá nos confins do Judas [...]. Tão isolada vive do resto do mundo que escapam à compreensão dos forasteiros muitas palavras e locuções de uso local, puros itaoquismos. Entre eles este, que seriamente impressionou um gramático em trânsito por ali: Maria, dá cá o pito!

LOBATO, Monteiro. O Pito do Reverendo. Disponível em: https:// contobrasileiro.com.br/o-pito-do-reverendo-conto-de-monteirolobato/. Acesso em: 8 maio 2024. [Fragmento]
Releia este trecho:

“[...] escapam à compreensão dos forasteiros muitas palavras e locuções de uso local, puros itaoquismos.”

Assinale a alternativa cujo termo destacado tenha a mesma classificação morfológica da palavra destacada no trecho apresentado, tendo em vista o contexto de uso em ambos os casos. 
Alternativas
Q2575202 Português
Atenção: Leia o texto abaixo para responder à questão.


       A idolatria do PIB. - O PIB é invenção recente. A ideia de medir a variação do valor monetário dos bens e serviços produzidos a cada ano surgiu no período entreguerras, mas foi só em meados do século passado que os órgãos oficiais passaram a calcular e publicar dados de PIB para os diferentes países. Nenhum dos grandes economistas clássicos - Smith, Ricardo, Malthus, Marx ou Mill - jamais foi instado a prever o PIB do ano ou trimestre seguintes. O culto do PIB como métrica de sucesso das nações tomou-se uma espécie de religião do nosso tempo. O crescimento é a meta suprema em nome da qual governos são eleitos ou rejeitados nas urnas, e um antropólogo marciano poderia supor que o acrônimo PIB nomeia a nossa divindade-mor na vida pública enquanto o afã de consumo preenche o vazio da existência na esfera privada. - Mas o que exatamente está sendo medido? Imagine uma comunidade na qual a água potável é um bem livre e desfrutado por todos com a mesma facilidade com que obtemos o ar que respiramos, suponha, no entanto, que as fontes de água foram poluídas e agora se tornou necessário purificá-la, engarrafá-la e distribuí-la, de modo que todos precisam trabalhar um pouco mais a fim de comprá-la no mercado - o que acontece com o PIB dessa comunidade? O erro não é de magnitude, mas de sinal: as pessoas empobreceram, ao passo que o PIB total e o PIB per capita subiram. Daí que: se eu moro perto do meu local de trabalho e posso caminhar até ele, o PIB nada registra; mas, se preciso tomar uma condução e pagar o bilhete (sem falar no tempo encalacrado no trânsito), ele sobe. Se eu gosto do que faço, embora ganhando menos do que poderia, e passo a trabalhar sem a menor alegria para um mundo caduco, mas recebendo um aumento por isso, o PIB sobe. O PIB, em suma, mede o valor monetário dos bens e serviços que transitam pelo sistema de preços - e nada mais. E, quando se tomar inevitável portar garrafinhas de oxigênio na cintura a fim de seguir respirando, o PIB subirá de novo.


(GIANNETTI, Eduardo. Trópicos utópicos: uma perspectiva brasileira da crise civilizatória. São Paulo: Companhia das Letras, 2016. pp. 51-52)
É possível perceber uma relação de causa e consequência entre os seguintes segmentos do texto:
Alternativas
Q2575191 Português
Ninguém come dinheiro


    Quando falo de humanidade não estou falando só do Homo sapiens, me refiro a uma imensidão de seres que nós excluímos desde sempre: caçamos balela, tiramos barbatana de tubarão, matamos leão e o penduramos na parede para mostrar que somos mais bravos que ele. Além da matança de todos os outros humanos que a gente achou que não tinham nada, que estavam aí só para nos suprir com roupa, comida, abrigo. Somos a praga do planeta, uma espécie de ameba gigante. Ao longo da história, os humanos, aliás, esse clube exclusivo da humanidade que está na declaração universal dos direitos humanos e nos protocolos das instituições, foram devastando tudo ao seu redor. É como se tivessem elegido uma casta, a humanidade, e todos que estão fora dela são a sub-humanidade. Não são só os caiçaras, quilombolas e povos indígenas, mas toda vida que deliberadamente largamos à margem do caminho. E o caminho é o progresso: essa ideia prospectiva de que estamos indo para algum lugar. Há um horizonte, estamos indo para lá, e vamos largando no percurso tudo que não interessa, o que sobra, a sub-humanidade — alguns de nós fazemos parte dela.

   É incrível que esse vírus que está aí agora esteja atingindo só as pessoas. Foi uma manobra fantástica do organismo da Terra tirar a teta da nossa boca é dizer: “Respirem agora, quero ver”. Isso denuncia o artifício do tipo de vida que nós criamos, porque chega uma hora que você precisa de uma máscara, de um aparelho para respirar, mas, em algum lugar, o aparelho precisa de uma usina hidrelétrica, nuclear ou de um gerador de energia qualquer. E o gerador também pode apagar, independentemente do nosso decreto, da nossa disposição. Estamos sendo lembrados de que somos tão vulneráveis que, se contarem nosso ar por alguns minutos, a gente morre. Não é preciso nenhum sistema bélico complexo para apagar essa tal de humanidade: se extingue com a mesma facilidade que os mosquitos de uma sala depois de aplicado um aerossol. Nós não estamos com nada: essa é a declaração da Terra.

    E, se nós não estamos com nada, deveríamos ter contato com a experiência de estar vivos para além dos aparatos tecnológicos que podemos inventar. A ideia da economia, por exemplo, essa coisa invisível, a não ser por aquele emblema de cifrão. Pode ser uma ficção afirmar que se a economia não estiver funcionando plenamente nós morremos. Nós poderíamos colocar todos os dirigentes do Banco Central em um cofre gigante e deixá-los vivendo lá, com a economia deles. Ninguém come dinheiro. Hoje de manhã eu vi um indígena norte-americano do conselho dos anciões do povo Lakota falar sobre o coronavírus. É um homem de uns setenta e poucos anos, chamado Wakya Un Manee, também conhecido como Vernon Foster. (Vernon, que é um típico nome americano, pois quando os colonos chegaram na América, além de proibirem as línguas nativas, mudavam os nomes das pessoas.) Pois, repetindo as palavras de um ancestral, ele dizia: “Quando o último peixe estiver nas águas e a última árvore for removida da terra, só então o homem perceberá que ele não é capaz de comer seu dinheiro”.

     Quem sabe a própria ideia de humanidade, essa totalidade que nós aprendemos a chamar assim, venha a se dissolver com esses eventos que estamos experimentando. Se isso acontecer, como é que Os caras que concentram a grana do mundo - que são poucos — vão ficar? Quem sabe a gente consiga tirar o chão debaixo dos pés deles. Porque eles precisam de uma humanidade, nem que seja ilusória, para aterrorizarem toda manhã com a ameaça de que a bolsa vai cair, de que o mercado está nervoso, de que o dólar vai subir Quando tudo isso não tiver sentido nenhum — o dólar que se exploda, o mercado que se coma! -, aí não vai ter mais lugar para toda essa concentração de poder. Porque a concentração, de qualquer coisa, só pode existir num determinado ambiente. Até a poluição, se ela se espalhar, sem contenção, o que vai acontecer? O ar vai passar por um processo de limpeza. O ar das cidades não ficou mais limpo quando diminuirmos o ritmo? Acredito que essa ilusão de uma casta de humanoides que detém o segredo do santo graal, que se entope de riqueza enquanto aterroriza o resto do mundo, pode acabar implodindo. Talvez a pista mais recente sobre isso seja aquela história dos bilionários que estão construindo uma plataforma fora da Terra para irem viver, sei lá, em Marte. A gente deveria dizer “Vão logo, esqueçam a gente aqui”. Deveríamos dar um passe livre para eles, para os donos da Tesla, da Amazon. Podem deixar o endereço que depois a gente manda suprimentos. [...]


(Fragmento de: KRENAK, Aliton. A vida não é útil. São Paulo: Companhia das Letras, 2020)
No trecho Não são os caiçaras, quilombolas e povos indígenas, mas toda vida que deliberadamente largamos à margem do caminho (1º parágrafo), a palavra “só” cumpre a função de:
Alternativas
Q2574914 Português
O texto a seguir contextualiza a questão. Leia-o atentamente.

A quem interessa a monetização da misoginia?

E até quando o Congresso irá colaborar com a engrenagem que fere e mata mulheres?

    Nos últimos dias presenciamos a atriz Paolla Oliveira sofrer uma enxurrada de ataques misóginos relativo à sua aparência, e de igual maneira assistimos também a triste notícia de que a jovem Jéssica Vitória perdeu sua vida após não suportar um linchamento virtual misógino oriundo de uma fake news difamatória a seu respeito. Entretanto é preciso dizer que esses dois casos não são isolados. A verdade é que as redes sociais têm se tornado uma máquina de moer, violentar e adoecer mulheres.
    No país que, desde sua colonização, incentiva a opressão e violência contra mulheres, o avanço legislativo que tenta mitigar esse resquício histórico misógino não tem se mostrado suficiente diante da velocidade das ferramentas tecnológicas. Isso porque a Agência Brasil apurou que, entre 2021 e 2022, houve um aumento de mais de 251% nos casos de misoginia e opressão contra mulheres nas redes sociais, e já Safernet deu conta de que mais de 67% das vítimas de discurso de ódio nas redes sociais são mulheres.
    Esses dados acendem um alerta de que não há uma legislação específica de combate à misoginia virtual – tampouco punição efetiva para esses ataques virtuais contra as mulheres – e, por silogismo, escancara a engrenagem de uma rede coordenada de sites e páginas que encontraram em fomento, incentivo e induzimento a misoginia uma forma de auferir lucro, sem que sejam punidas judicialmente e banidas pelas plataformas digitais que hospedam. Ou seja, aproveitam-se da impunidade para auferir lucro com a dor das mulheres e o ódio contra elas.
    Mas, se temos uma legislação ineficiente e uma punição ausente para tais páginas e sites, por outro lado é necessário lembrar que o mesmo ocorre com as plataformas digitais onde essas páginas operam, que, por não serem regulamentadas e responsabilizadas pela omissão ao não punir e banir tais páginas, demonstram de igual forma que tem sido interessante lucrar com todo esse ódio misógino contra as mulheres. E, deste modo, a pergunta que não quer calar é: até quando o Congresso Nacional seguirá se omitindo e, portanto, colaborando para que toda essa engrenagem que tem adoecido e até matado mulheres siga intacta sem qualquer punição ou sem responsabilização?
    As plataformas digitais têm sido o motor para a manutenção desses ataques misóginos, ao se esquivarem de banir perfis que se sustentam da incitação à misoginia. E, por isso, falar em regulamentação das plataformas digitais não é falar de censura e tampouco cerceamento da liberdade de expressão (que se anote não é sinônimo de liberdade para praticar crime), é falar sobre segurança, regras, diretrizes e punições para que o ambiente virtual possa ser sadio, respeitoso e seguro para as mulheres.
    A quem interessa a manutenção da misoginia virtual? Eu mesma respondo: a quem lucra com o ódio contra as mulheres.

(Fayda Belo, Advogada especialista em crimes de gênero. Folha de S. Paulo. Em: 04/01/2024.)
Releia: “Mas, se temos uma legislação ineficiente e uma punição ausente para tais páginas e sites, por outro lado é necessário lembrar que o mesmo ocorre com as plataformas digitais onde essas páginas operam, que, por não serem regulamentadas e responsabilizadas pela omissão ao não punir e banir tais páginas, demonstram de igual forma que tem sido interessante lucrar com todo esse ódio misógino contra as mulheres. E, deste modo, a pergunta que não quer calar é: Até quando o Congresso Nacional seguirá se omitindo e, portanto, colaborando para que toda essa engrenagem que tem adoecido e até matado mulheres siga intacta sem qualquer punição ou sem responsabilização?” (4º§). Considerando o exposto, analise as afirmativas a seguir.

I. O verbo “temos”, no texto, assinala um sujeito oculto.
II. O uso do pronome “onde”, no texto, está equivocado, pois o mesmo deve indicar lugar.
III. A conjunção “mas” estabelece ideia de oposição ao último período do parágrafo anterior.
IV. A palavra “intacta” é um adjetivo que qualifica o termo “essa engrenagem”.
V. Os dois pontos foram colocados antes de um aposto enumerativo.
VI. Em “essa engrenagem”, o pronome “essa” estabelece a relação coesiva de sinonímia.

Está correto o que se afirma em
Alternativas
Q2574700 Português
O texto a seguir contextualiza a questão. Leia-o atentamente.

Paolla Oliveira é chamada de gorda em vídeo da Grande Rio; por que incomoda tanto o corpo de uma mulher livre?

Nas redes sociais, homens destilam comentários gordofóbicos, machistas e etaristas contra a atriz de 41 anos após ensaios gerais da Grande Rio, escola de samba da qual Paolla Oliveira é Rainha da Bateria.

    Na última semana, o corpo de Paolla Oliveira virou notícia. Ou melhor: o peso da atriz. Quando ela apareceu no ensaio geral da escola de samba Grande Rio, da qual ela é Rainha da Bateria, a reação nas redes sociais dividiu entre elogios e comentários que a chamavam de “gorda” e “fora de forma”. Um deles chegou a usar outro termo: “Braço de merendeira”, enquanto outro até mesmo deduziu que o peso de Paolla estaria relacionado ao uso de anticoncepcionais.
    Com 41 anos, sendo 20 de uma carreira consolidada na televisão, Paolla Oliveira também foi alvo de comentários etaristas. As pessoas apontaram que a atriz estava mudada. O motivo: está envelhecendo. Esses comentários foram feitos, majoritariamente, por homens.

(Camila Cetrone e Paola Churchil, Redação Marie Claire. São Paulo. Em: 23/12/2023.)
No trecho “Na última semana, o corpo de Paolla Oliveira virou notícia. Ou melhor: o peso da atriz.” (1º§), os dois pontos são utilizados para introduzir:
Alternativas
Q2571997 Português
Assinale a alternativa em que o “Se” é uma conjunção integrante:
Alternativas
Q2570103 Português
Como o chocolate é produzido?


      O começo de tudo está no cacau — é dele que vem o chocolate. A fruta é quebrada e as sementes são retiradas. Após torradas e trituradas, elas dão origem à manteiga de cacau e a um líquido grosso, marrom e amargo, chamado licor de cacau — os dois produtos são usados na produção, dependendo do tipo de chocolate desejado.

       O chocolate amargo leva licor de cacau e não contém leite. Já o meio amargo tem licor de cacau, manteiga de cacau e açúcar. O chocolate ao leite contém leite, açúcar, manteiga de cacau e menos licor de cacau do que o amargo e o meio amargo. O chocolate branco leva leite, açúcar e manteiga de cacau (não tem licor de cacau).

     Nas indústrias, o primeiro passo é fazer a massa do chocolate que, em geral, leva manteiga de cacau, licor de cacau, leite, além do açúcar, que recebe um tratamento: tem os cristais quebrados até ficarem tão pequenos que nosso paladar não consegue senti-los. Isso deixa o chocolate mais macio.

    Um dos truques para fazer chocolate está no processo de temperagem, em que a temperatura da massa (ainda derretida) é reduzida a 24 graus Celsius, por um sistema de agitação. A técnica evita que o chocolate pronto derreta nas suas mãos.


(Fonte: Recreio — adaptado.)
Em se tratando de substantivos diminutivos, assinalar a alternativa que contenha um: 
Alternativas
Q2570100 Português
Como o chocolate é produzido?


      O começo de tudo está no cacau — é dele que vem o chocolate. A fruta é quebrada e as sementes são retiradas. Após torradas e trituradas, elas dão origem à manteiga de cacau e a um líquido grosso, marrom e amargo, chamado licor de cacau — os dois produtos são usados na produção, dependendo do tipo de chocolate desejado.

       O chocolate amargo leva licor de cacau e não contém leite. Já o meio amargo tem licor de cacau, manteiga de cacau e açúcar. O chocolate ao leite contém leite, açúcar, manteiga de cacau e menos licor de cacau do que o amargo e o meio amargo. O chocolate branco leva leite, açúcar e manteiga de cacau (não tem licor de cacau).

     Nas indústrias, o primeiro passo é fazer a massa do chocolate que, em geral, leva manteiga de cacau, licor de cacau, leite, além do açúcar, que recebe um tratamento: tem os cristais quebrados até ficarem tão pequenos que nosso paladar não consegue senti-los. Isso deixa o chocolate mais macio.

    Um dos truques para fazer chocolate está no processo de temperagem, em que a temperatura da massa (ainda derretida) é reduzida a 24 graus Celsius, por um sistema de agitação. A técnica evita que o chocolate pronto derreta nas suas mãos.


(Fonte: Recreio — adaptado.)
Assinalar a alternativa que classifica os termos sublinhados na frase abaixo:
O começo de tudo está no cacau — é dele que vem o chocolate.
Alternativas
Q2570017 Português
Quando começa o verão em 2023 no Brasil?



      As temperaturas recordes das últimas semanas podem ter confundido muitos brasileiros. Apesar de a recente onda de calor ter dado uma palinha da próxima estação, é a primavera que permanece ativa no hemisfério sul. Em 2023, o verão começa no fim de dezembro.

      Em termos exatos, o início da estação será no dia 22 de dezembro, à 00h27 (horário de Brasília), e termina em 20 de março de 2024, à 00h06, data de início do outono. A precisão do horário não é um mero detalhe. O marco é resultado de cálculos matemáticos feitos por especialistas do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG/USP).

     A depender da inclinação do eixo de rotação da Terra, uma estação diferente se estabelece em cada hemisfério. Como o cálculo considera o tempo de rotação do planeta ao redor do sol — que dura, em média, 365 dias, 5 horas e 45 minutos —, há pequenas diferenças entre um ano e outro. São elas as responsáveis pelos minutos quebrados.

     Segundo a MetSul Meteorologia, a estação será marcada por altas temperaturas na maior parte do Brasil, principalmente entre janeiro e março de 2024. “Com menos chuva, o centro do país e áreas do Norte e do Nordeste podem notar que o clima estará mais quente do que o habitual”, afirmam.

        Apesar da previsão de calor, os especialistas não esperam que os termômetros atinjam picos similares aos da primavera de 2023 no Centro-Oeste e em São Paulo e Minas Gerais. Por outro lado, há previsão de novas temperaturas recorde no Rio de Janeiro e no sul do país, principalmente no Rio Grande do Sul.

        Sob influência do fenômeno El Niño — que seguirá ativo até abril de 2024 —, nos próximos meses, os dias devem ser abafados e as noites, quentes. Há previsão de chuvas, mas elas podem não ser suficientes para suprir as demandas da safra de verão, alerta Desirée Brandt, meteorologista da Nottus.

        Além disso, novas ondas de calor podem atingir o país até março de 2024. O meteorologista Celso Oliveira esclarece que as águas de todos os oceanos, e não apenas do Pacífico, estão mais quentes. “A tendência é que a frequência e intensidade desses fenômenos aumente”, diz.


(Fonte: Globo Rural — adaptado.)
Em se tratando de substantivos diminutivos, assinalar a alternativa que contenha um:  
Alternativas
Q2570013 Português
Quando começa o verão em 2023 no Brasil?



      As temperaturas recordes das últimas semanas podem ter confundido muitos brasileiros. Apesar de a recente onda de calor ter dado uma palinha da próxima estação, é a primavera que permanece ativa no hemisfério sul. Em 2023, o verão começa no fim de dezembro.

      Em termos exatos, o início da estação será no dia 22 de dezembro, à 00h27 (horário de Brasília), e termina em 20 de março de 2024, à 00h06, data de início do outono. A precisão do horário não é um mero detalhe. O marco é resultado de cálculos matemáticos feitos por especialistas do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG/USP).

     A depender da inclinação do eixo de rotação da Terra, uma estação diferente se estabelece em cada hemisfério. Como o cálculo considera o tempo de rotação do planeta ao redor do sol — que dura, em média, 365 dias, 5 horas e 45 minutos —, há pequenas diferenças entre um ano e outro. São elas as responsáveis pelos minutos quebrados.

     Segundo a MetSul Meteorologia, a estação será marcada por altas temperaturas na maior parte do Brasil, principalmente entre janeiro e março de 2024. “Com menos chuva, o centro do país e áreas do Norte e do Nordeste podem notar que o clima estará mais quente do que o habitual”, afirmam.

        Apesar da previsão de calor, os especialistas não esperam que os termômetros atinjam picos similares aos da primavera de 2023 no Centro-Oeste e em São Paulo e Minas Gerais. Por outro lado, há previsão de novas temperaturas recorde no Rio de Janeiro e no sul do país, principalmente no Rio Grande do Sul.

        Sob influência do fenômeno El Niño — que seguirá ativo até abril de 2024 —, nos próximos meses, os dias devem ser abafados e as noites, quentes. Há previsão de chuvas, mas elas podem não ser suficientes para suprir as demandas da safra de verão, alerta Desirée Brandt, meteorologista da Nottus.

        Além disso, novas ondas de calor podem atingir o país até março de 2024. O meteorologista Celso Oliveira esclarece que as águas de todos os oceanos, e não apenas do Pacífico, estão mais quentes. “A tendência é que a frequência e intensidade desses fenômenos aumente”, diz.


(Fonte: Globo Rural — adaptado.)
Na frase abaixo, retirada do texto, os termos sublinhados podem ser classificados morfologicamente como:

A precisão do horário não é um mero detalhe. 
Alternativas
Respostas
8821: C
8822: E
8823: D
8824: D
8825: A
8826: A
8827: C
8828: B
8829: D
8830: A
8831: C
8832: D
8833: E
8834: D
8835: B
8836: A
8837: A
8838: A
8839: A
8840: A