Questões de Concurso Sobre morfologia em português

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Q3382709 Português
Assinale a alternativa em que se verifica o grau superlativo relativo na construção adjetiva.
Alternativas
Q3382215 Português

Leia com atenção as afirmativas abaixo:


I.O cachorro correu pelo parque atrás da bola.


II.O livro "Dom Quixote" foi escrito por Miguel de Cervantes.


III.A árvore estava carregada de frutas maduras.


IV.A Torre Eiffel é um dos monumentos mais famosos do mundo.


V.O sol brilhava intensamente no céu azul.


Em quais das afirmativas lidas há a presença de um substantivo próprio?

Alternativas
Q3382211 Português
Assinale a alternativa que não possui o emprego de um adjetivo composto:
Alternativas
Q3382081 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Insônia infeliz e feliz


   De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da noite e que não me maldiga. Quem? Quem sofre de insônia?

   E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar, porque Dr. José Carlos Cabral de Almeida, dietista, acha que preciso perder os quatro quilos que aumentei com a superalimentação depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da sala? Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se. Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais.

   Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da noite pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.

   Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente acordar no meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de fogo puro.

   Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos sonolentos.


LISPECTOR, C. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. 
Considere o excerto a seguir para responder à questão:

E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar, porque Dr. José Carlos Cabral de Almeida, dietista, acha que preciso perder os quatro quilos que aumentei com a superalimentação depois do incêndio. 

O prefixo apresentado em ‘superalimentação’, palavra que ocorre no excerto dado, imprime à sua palavra primitiva um sentido de: 
Alternativas
Q3382079 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Insônia infeliz e feliz


   De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da noite e que não me maldiga. Quem? Quem sofre de insônia?

   E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar, porque Dr. José Carlos Cabral de Almeida, dietista, acha que preciso perder os quatro quilos que aumentei com a superalimentação depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da sala? Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se. Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais.

   Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da noite pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.

   Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente acordar no meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de fogo puro.

   Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos sonolentos.


LISPECTOR, C. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. 
Considere o excerto a seguir para responder à questão:

E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar, porque Dr. José Carlos Cabral de Almeida, dietista, acha que preciso perder os quatro quilos que aumentei com a superalimentação depois do incêndio. 

A locução “ainda por cima”, que ocorre no excerto dado, classifica-se, do ponto de vista gramatical, como: 
Alternativas
Q3382004 Português
Nas sentenças a seguir, verifica-se locução adverbial apenas em:
Alternativas
Q3382000 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Um pé de milho


    Os americanos, através do radar, entraram em contato com a Lua, o que não deixa de ser emocionante. Mas o fato mais importante da semana aconteceu com o meu pé de milho.


    Aconteceu que no meu quintal, em um monte de terra trazido pelo jardineiro, nasceu alguma coisa que podia ser um pé de capim — mas descobri que era um pé de milho. Transplantei-o para o exíguo canteiro na frente da casa. Secaram as pequenas folhas, pensei que fosse morrer. Mas ele reagiu. Quando estava do tamanho de um palmo, veio um amigo e declarou desdenhosamente que na verdade aquilo era capim. Quando estava com dois palmos veio outro amigo e afirmou que era cana.


    Sou um ignorante, um pobre homem de cidade. Mas eu tinha razão. Ele cresceu, está com dois metros, lança as suas folhas além do muro — e é um esplêndido pé de milho. Já viu o leitor um pé de milho? Eu nunca tinha visto. Tinha visto centenas de milharais — mas é diferente. Um pé de milho sozinho, em um canteiro, espremido, junto do portão, numa esquina de rua — não é um número numa lavoura, é um ser vivo e independente. Suas raízes roxas se agarram no chão e suas folhas longas e verdes nunca estão imóveis.


    Detesto comparações surrealistas — mas na glória de seu crescimento, tal como o vi em uma noite de luar, o pé de milho parecia um cavalo empinado, as crinas ao vento — e em outra madrugada parecia um galo cantando. 


    Anteontem aconteceu o que era inevitável, mas que nos encantou como se fosse inesperado: meu pé de milho pendoou. Há muitas flores belas no mundo, e a flor de milho não será a mais linda. Mas aquele pendão firme, vertical, beijado pelo vento do mar, veio enriquecer nosso canteirinho vulgar com uma força e uma alegria que fazem bem. É alguma coisa de vivo que se afirma com ímpeto e certeza. Meu pé de milho é um belo gesto da terra. E eu não sou mais um medíocre homem que vive atrás de uma chata máquina de escrever: sou um rico lavrador da rua Júlio de Castilhos.


Braga, R. Um pé de milho. Rio de Janeiro: Record, 2004.
Analise o excerto a seguir quanto aos adjetivos que nele ocorrem: “Suas raízes roxas se agarram no chão e suas folhas longas e verdes nunca estão imóveis.” São comuns de dois gêneros apenas:
Alternativas
Q3381935 Português
Leia com atenção as seguintes afirmativas:
I.Eu vi um carro vermelho estacionado em frente à casa.
II.Um pássaro pousou no galho da árvore e começou a cantar.
III.O cachorro correu até o portão para cumprimentar o dono.
IV.A lua brilhava intensamente no céu noturno.
V.As flores do jardim desabrocharam com a chegada da primavera.
Em quais das afirmativas lidas há o emprego de um artigo indefinido?
Alternativas
Q3381901 Português
Identifique em qual das sentenças a seguir ocorre verbo irregular.
Alternativas
Q3381899 Português
A sentença cuja palavra em destaque é um substantivo composto é: 
Alternativas
Q3381898 Português
Analise as sentenças a seguir quanto aos numerais que apresentam, em destaque:

I. Li cinco revistas.
II. Separei um terço das minhas roupas para doação.
III. Mudei-me para o segundo andar.

Ocorre numeral fracionário apenas em:
Alternativas
Q3381896 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Bom mesmo

   O homem passa por várias fases na sua breve estada neste palco que é o mundo, segundo Shakespeare. Muitas coisas distinguem uma fase da outra, mas o que realmente diferencia os estágios da experiência humana sobre a Terra é o que o homem, a cada idade, considera bom mesmo. Não o que ele acha bom — o que ele acha melhor. Melhor do que tudo. Bom MESMO.

    Um recém-nascido, se pudesse participar articuladamente de uma conversa com homens de outras idades, ouviria pacientemente a opinião de cada um sobre as melhores coisas do mundo e no fim decretaria: — Conversa. Bom mesmo é mãe. Já um bebê de mais idade discordaria. — Bom mesmo é papinha.

   Depois de uma certa idade, a escolha do melhor de tudo passa a ser mais difícil. A infância é um viveiro de prazeres. Como comparar, por exemplo, o orgulho com um pião bem lançado, ou o volume voluptuoso de uma bola de gude daquelas boas entre os dedos, com o cheiro de terra úmida ou de caderno novo? Existem gostos exóticos: — Bom mesmo é cheiro de Vick Vaporub.

   Existe ainda uma fase, no começo da puberdade, em que a indecisão é de outra natureza. O cara se acha na obrigação de pensar que bom mesmo é mulher, mas no fundo ainda tem a secreta convicção de que bom mesmo é acordar com febre na segunda-feira e não precisar ir à aula. Depois, sim, vem a fase em que não tem conversa.    — Bom mesmo é sexo!

   Essa fase dura, para muita gente, até o fim da vida. Mesmo quando sexo não está em primeiro lugar numa escala de preferências serve como referência. Daí para diante, quando alguém disser que “bom mesmo” é outra coisa que não o sexo estará sendo exemplarmente honesto ou desconcertantemente original.

  Com a chamada idade madura, as necessidades do conforto e os pequenos prazeres das coisas práticas vão se impondo.

   — Meu filho, eu sei que você, aí tão cheio de vida e de entusiasmo, não pode compreender isso. Mas tome nota do que eu vou dizer porque um dia você concordará comigo: bom mesmo é escada rolante.

   E assim é a trajetória do homem e seu gosto inconstante sobre a Terra, do colo da mãe, que parece que nada, jamais, substituirá, à descoberta final de que uma boa poltrona reclinável, se não é igual, é parecida. E que bom, mas bom MESMO, é não precisar ir a lugar nenhum, mesmo sem febre.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Considere o excerto a seguir, retirado do texto, para responder à questão:

“Um recém-nascido, se pudesse participar articuladamente de uma conversa com homens de outras idades, ouviria pacientemente a opinião de cada um [...]”.

O verbo “pudesse”, que ocorre no excerto dado, está conjugados no:
Alternativas
Q3381894 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Bom mesmo

   O homem passa por várias fases na sua breve estada neste palco que é o mundo, segundo Shakespeare. Muitas coisas distinguem uma fase da outra, mas o que realmente diferencia os estágios da experiência humana sobre a Terra é o que o homem, a cada idade, considera bom mesmo. Não o que ele acha bom — o que ele acha melhor. Melhor do que tudo. Bom MESMO.

    Um recém-nascido, se pudesse participar articuladamente de uma conversa com homens de outras idades, ouviria pacientemente a opinião de cada um sobre as melhores coisas do mundo e no fim decretaria: — Conversa. Bom mesmo é mãe. Já um bebê de mais idade discordaria. — Bom mesmo é papinha.

   Depois de uma certa idade, a escolha do melhor de tudo passa a ser mais difícil. A infância é um viveiro de prazeres. Como comparar, por exemplo, o orgulho com um pião bem lançado, ou o volume voluptuoso de uma bola de gude daquelas boas entre os dedos, com o cheiro de terra úmida ou de caderno novo? Existem gostos exóticos: — Bom mesmo é cheiro de Vick Vaporub.

   Existe ainda uma fase, no começo da puberdade, em que a indecisão é de outra natureza. O cara se acha na obrigação de pensar que bom mesmo é mulher, mas no fundo ainda tem a secreta convicção de que bom mesmo é acordar com febre na segunda-feira e não precisar ir à aula. Depois, sim, vem a fase em que não tem conversa.    — Bom mesmo é sexo!

   Essa fase dura, para muita gente, até o fim da vida. Mesmo quando sexo não está em primeiro lugar numa escala de preferências serve como referência. Daí para diante, quando alguém disser que “bom mesmo” é outra coisa que não o sexo estará sendo exemplarmente honesto ou desconcertantemente original.

  Com a chamada idade madura, as necessidades do conforto e os pequenos prazeres das coisas práticas vão se impondo.

   — Meu filho, eu sei que você, aí tão cheio de vida e de entusiasmo, não pode compreender isso. Mas tome nota do que eu vou dizer porque um dia você concordará comigo: bom mesmo é escada rolante.

   E assim é a trajetória do homem e seu gosto inconstante sobre a Terra, do colo da mãe, que parece que nada, jamais, substituirá, à descoberta final de que uma boa poltrona reclinável, se não é igual, é parecida. E que bom, mas bom MESMO, é não precisar ir a lugar nenhum, mesmo sem febre.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Dentre as palavras que ocorrem no excerto “[...] à descoberta final de que uma boa poltrona reclinável, se não é igual, é parecida.”, são adjetivos comuns de dois gêneros apenas:
Alternativas
Q3381890 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Bom mesmo

   O homem passa por várias fases na sua breve estada neste palco que é o mundo, segundo Shakespeare. Muitas coisas distinguem uma fase da outra, mas o que realmente diferencia os estágios da experiência humana sobre a Terra é o que o homem, a cada idade, considera bom mesmo. Não o que ele acha bom — o que ele acha melhor. Melhor do que tudo. Bom MESMO.

    Um recém-nascido, se pudesse participar articuladamente de uma conversa com homens de outras idades, ouviria pacientemente a opinião de cada um sobre as melhores coisas do mundo e no fim decretaria: — Conversa. Bom mesmo é mãe. Já um bebê de mais idade discordaria. — Bom mesmo é papinha.

   Depois de uma certa idade, a escolha do melhor de tudo passa a ser mais difícil. A infância é um viveiro de prazeres. Como comparar, por exemplo, o orgulho com um pião bem lançado, ou o volume voluptuoso de uma bola de gude daquelas boas entre os dedos, com o cheiro de terra úmida ou de caderno novo? Existem gostos exóticos: — Bom mesmo é cheiro de Vick Vaporub.

   Existe ainda uma fase, no começo da puberdade, em que a indecisão é de outra natureza. O cara se acha na obrigação de pensar que bom mesmo é mulher, mas no fundo ainda tem a secreta convicção de que bom mesmo é acordar com febre na segunda-feira e não precisar ir à aula. Depois, sim, vem a fase em que não tem conversa.    — Bom mesmo é sexo!

   Essa fase dura, para muita gente, até o fim da vida. Mesmo quando sexo não está em primeiro lugar numa escala de preferências serve como referência. Daí para diante, quando alguém disser que “bom mesmo” é outra coisa que não o sexo estará sendo exemplarmente honesto ou desconcertantemente original.

  Com a chamada idade madura, as necessidades do conforto e os pequenos prazeres das coisas práticas vão se impondo.

   — Meu filho, eu sei que você, aí tão cheio de vida e de entusiasmo, não pode compreender isso. Mas tome nota do que eu vou dizer porque um dia você concordará comigo: bom mesmo é escada rolante.

   E assim é a trajetória do homem e seu gosto inconstante sobre a Terra, do colo da mãe, que parece que nada, jamais, substituirá, à descoberta final de que uma boa poltrona reclinável, se não é igual, é parecida. E que bom, mas bom MESMO, é não precisar ir a lugar nenhum, mesmo sem febre.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Os advérbios em “[...] exemplarmente honesto ou desconcertantemente original.” exprimem noções relacionadas a:
Alternativas
Q3381683 Português
Dentre as palavras a seguir, aquela que é classificada como substantivo é:
Alternativas
Q3381681 Português
Analise as sentenças a seguir e assinale a alternativa em que o verbo empregado é coerente com o contexto de uso.
Alternativas
Q3381676 Português
Nas sentenças a seguir, a palavra em destaque é um adjetivo apenas em: 
Alternativas
Q3381630 Português
As sentenças a seguir apresentam elementos em destaque e suas respectivas classificações entre parênteses, ao final de cada sentença. Assinale a alternativa em que a classificação proposta do elemento destacado está incorreta.
Alternativas
Q3381628 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Beleza

Acorda esse homem inesperada e injustificavelmente cedo, sem saber direito onde está, mas inteiramente certo de que aquela cama não é a sua. O despertar de quem dorme fora é sempre assim e a primeira sensação é uma desconfiança: terei sido raptado?

Aos poucos, as ideias se arrumam, a inconsciência do sono vai cedendo lugar à lucidez das coisas exatas e a realidade se comprova na cor da parede, no desenho dos móveis, no cheiro da fronha e dos lençóis, que é uma agradável novidade olfativa. Esse homem chega à simples conclusão de que é um hóspede. Tem um dia grande e vadio pela frente. Poderá, se quiser, continuar na cama, lendo, tramando, cochilando e, mais que tudo, gozando a perspectiva do tempo sem horários e sem tarefas. Mas decide levantar. Antes, faz sua reza íntima de todas as manhãs, a que diz: “Não te deixes tomar pelo pequeno êxito e não te eleves acima do conhecimento que tens da tua frequente fragilidade” etc.

Abre a janela. A bruma baixa desfigurou a silhueta dos montes. Vai chover e o dia terá um céu triste. Mas o vento frio da serra e as flores, que são tantas — amarelas, vermelhas, azuis — trazem uma alegria completa, uma impressão de salvamento, em que os cansaços e desgostos aparecem como penas já cumpridas.

Dali por diante, esse homem está quite com os castigos e lhe chegam — como nos domingos da meninice — as esperanças, o ânimo, a ideia tranquila de existência. Esse homem não sabe se está apaixonado por uma mulher ou simplesmente pela vida. Mas, em seu coração, há um amor indefinido, que por si, pelo bem que faz, poderá ficar sem alvo certo, sem reciprocidade. Basta-lhe a manhã de vento frio, o perfume das flores e o verde do capim viçoso.

Deve ser este um grande momento de sua vida, porque a sensação constante de saudade não está, pela primeira vez, entre os seus sentimentos.


Maria, A. Vento vadio: as crônicas de Antônio Maria. São Paulo: Todavia, 2021.
Analise os excertos a seguir, retirados do texto, e assinale a alternativa em que ocorre(m) apenas adjetivo(s) cujo gênero é feminino.
Alternativas
Respostas
6401: C
6402: D
6403: E
6404: C
6405: B
6406: A
6407: C
6408: B
6409: C
6410: E
6411: B
6412: B
6413: B
6414: C
6415: E
6416: C
6417: E
6418: C
6419: B
6420: C