Questões de Concurso
Sobre morfologia - verbos em português
Foram encontradas 15.596 questões
Leia o texto a seguir:
Brasil chega a 214,2 milhões de habitantes, diz IBGE
Estimativa mostra crescimento mais lento e revela onde a população está mais concentrada no país
A população estimada do Brasil atingiu 214,2 milhões de pessoas em 1º de julho deste ano, segundo o estudo Estimativas da População, divulgado pelo IBGE. O levantamento mostra que o crescimento populacional continua em ritmo mais lento, com expansão de 0,37% em relação ao ano anterior.
Na comparação com o período 2024/2025, quando a alta havia sido de 0,39%, houve nova desaceleração. O dado reforça a tendência de avanço mais moderado da população brasileira, observada pelo instituto nos últimos anos.
O Sudeste concentra a maior parcela da população, com 89 milhões de pessoas, o equivalente a 41,6% do total. Em seguida aparecem o Nordeste, com 57,4 milhões, o Sul, com 31,5 milhões, o Norte, com 18,9 milhões, e o Centro-Oeste, com 17,4 milhões de habitantes.
Entre os estados, São Paulo lidera com 46,1 milhões de moradores, seguido por Minas Gerais, com 21,5 milhões, e Rio de Janeiro, com 17,2 milhões. No outro extremo, Acre, Amapá e Roraima seguem como as menores unidades da federação em população, todas com menos de 1 milhão de habitantes.
As capitais brasileiras somam 49,4 milhões de habitantes, o que representa 23,1% da população do país. As mais populosas são São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Fortaleza e Salvador, que juntas reúnem 26,8 milhões de pessoas.
Na lista dos municípios com mais de 1 milhão de habitantes, apenas Guarulhos e Campinas, ambos em São Paulo, não são capitais. Já entre as cidades menores, Serra da Saudade, em Minas Gerais, aparece na última posição, com 857 moradores.
Boa Vista, em Roraima, registrou a maior taxa de crescimento entre as capitais no período 2025-2026, com alta de 3,2%. Entre os estados, Roraima, Santa Catarina e Mato Grosso foram os únicos com crescimento acima de 1%.
Por outro lado, Salvador, Natal, Belém e Belo Horizonte apresentaram recuo nas estimativas, ainda que em percentuais pequenos. O IBGE também apontou que 44,3% dos municípios brasileiros têm até 10 mil habitantes, mas essas cidades concentram apenas 6% da população total do país. (com informações da Agência Brasil)
Fonte: https://www.jb.com.br/brasil/2026/08/1060732-populacao-do-brasil-chega-a2142-milhoes-aponta-ibge.html. Acesso em 29/08/2026. Texto adaptado
Leia o período:
"É necessário que os setores responsáveis mantenham atualizados os registros e que permaneçam disponíveis as informações solicitadas pela auditoria."
Considerando a estrutura sintática do período e as regras de concordância da norma-padrão, assinale a alternativa CORRETA.
Considerando os vícios de linguagem tradicionalmente classificados pela norma de uso formal da língua portuguesa, analise a oração acima e identifique o vício de linguagem presente na construção.
Leia o texto a seguir.
Energia solar: cobrança de ICMS na conta de luz pode ser contestada?
"Instalei painéis solares em minha residência e percebi que a conta de luz continua cobrando ICMS sobre parte da energia que eu mesmo produzo, envio para a rede elétrica e depois utilizo como crédito. Essa cobrança é permitida? Posso pedir que ela seja suspensa e recuperar os valores já pagos?"
Segundo o advogado Rodrigo Martins, a cobrança deve ser analisada com cuidado. “A energia excedente produzida pelo consumidor e injetada na rede para posterior compensação não é vendida à distribuidora: a lei trata a operação como uma espécie de empréstimo gratuito”, explica.
Por isso, Rodrigo destaca que há decisões judiciais, em especial do Tribunal de Justiça do Rio, reconhecendo que não incide ICMS sobre a Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição vinculada à energia gerada para consumo próprio e compensada, pois não existe venda nem transferência de propriedade. A situação é diferente do ICMS sobre a energia efetivamente fornecida pela concessionária, hipótese em que a tarifa de uso integra a base de cálculo da cobrança.
Na esfera administrativa, o Estado mantém entendimento favorável à cobrança sobre o uso da rede, razão pela qual pode ser necessário recorrer à Justiça. Antes, é indispensável conferir a fatura e separar a energia compensada do custo de disponibilidade, energia reativa, demanda e encargos de conexão. Confirmada a tributação sobre energia própria compensada, o consumidor pode pedir a interrupção das cobranças e a devolução do que pagou indevidamente nos últimos cinco anos, apresentando as contas e os comprovantes.
Fonte: https://odia.ig.com.br/colunas/reclamar-adianta/2026/09/7297040-energia-solarcobranca-de-icms-na-conta-de-luz-pode-ser-contestada.html. Acesso em 01/09/2026. Excerto. Adaptado.
Leia o texto a seguir:
Cidade de SC conclui maior alargamento de praias do Brasil
Foi concluída a obra de expansão da orla de Itapoá, no litoral norte de Santa Catarina, o maior alargamento de praias feito no Brasil até o momento.
A faixa de areia foi ampliada entre 50 e 200 metros ao longo de 8,8 km da orla. Segundo a Administração do Porto de São Francisco do Sul, um dos financiadores da obra, foram utilizados cerca de 6 milhões de m³ de areia retirada da dragagem na baía da Babitonga.
A dragagem é parte de um investimento amplo dos portos para poder receber navios de até 366 metros de comprimento.
O empreendimento custou R$ 333 milhões, com aportes de R$ 300 milhões do Porto de Itapoá e de R$ 33 milhões do Porto de São Francisco do Sul.
O alargamento supera em 2,5 km o maior já realizado no país até então, feito no litoral de Matinhos (PR), onde 3,2 milhões de metros cúbicos de areia foram usados para ampliar um trecho de 6,3 km.
A conclusão da expansão encerra uma etapa antes da entrega total da nova orla, que ainda precisa atender a critérios estabelecidos pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
"Durante 36 meses, continuará ainda o monitoramento do perfil da praia para acompanhamento da linha de costa, e o plantio de restinga nas dunas que foram implantadas para fixá-las", disse em comunicado o secretário municipal de Meio Ambiente de Itapoá, Rafael Brito Silveira.
Está prevista a edificação de um sistema de dunas de 1 a 1,5 metro de altura e 26 metros de largura ao longo do trecho expandido. Segundo informações da prefeitura, mais de 180 mil mudas de seis espécies foram plantadas em 31 áreas diferentes até esta semana.
Outra etapa futura é o acompanhamento da pesca artesanal no município para verificar possíveis impactos do alargamento na subsistência.
Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/cidade-de-santa-catarinaamplia-88-km-de-praias-e-conclui-maior-obra-de-alargamento-de-orla-no-brasil. shtml. Acesso em 01/09/2026. Excerto.
Leia o texto a seguir:
A chave do sótão
Naquela manhã de sábado, Miguel acordou antes do amanhecer e percebeu um ruído estranho vindo do sótão. A casa ainda estava silenciosa, e até o velho relógio da sala parecia marcar as horas mais devagar. Curioso, ele calçou os chinelos e subiu a escada com uma lanterna na mão.
Ao chegar lá em cima, encontrou sua irmã Helena ajoelhada diante de um baú antigo. Ela segurava uma pequena chave enferrujada e tentava, sem sucesso, abrir a fechadura. Miguel aproximou-se em silêncio, enquanto a chuva começava a bater nas telhas. Depois de alguns instantes, perguntou-lhe o que fazia ali tão cedo.
Helena explicou que, na noite anterior, havia encontrado a chave escondida entre as páginas de um livro pertencente ao avô. Os dois imaginaram que ela pudesse abrir o baú, guardado no sótão desde que se mudaram para aquela casa. Quando finalmente conseguiram girar a chave, ouviram um estalo seco e trocaram um olhar de surpresa.
Dentro do baú, porém, não havia joias nem objetos valiosos. Havia apenas fotografias antigas, cartas amareladas e um pequeno caderno. Miguel abriu o caderno e reconheceu a letra do avô, que havia morrido muitos anos antes. Na primeira página, encontrou uma frase curta: “Para que vocês nunca esqueçam de onde vieram”.
Fonte: Texto criado para fins didáticos, em 30/08/2026.
Esclerose múltipla deixa pistas no sangue muito antes dos sintomas
A esclerose múltipla costuma ser diagnosticada apenas quando os sintomas já se tornaram evidentes. No entanto, a ciência está se aproximando de um cenário diferente: identificar sinais da doença anos antes da primeira crise clínica.
A condição neurológica, que afeta principalmente mulheres entre 20 e 40 anos, provoca um ataque do próprio sistema imunológico contra a bainha de mielina —estrutura que reveste os neurônios e garante a rápida transmissão dos impulsos nervosos. Quando esse processo começa, o cérebro pode acumular danos por muito tempo antes que surjam sintomas perceptíveis.
É justamente essa fase inicial que pesquisadores tentam desvendar. Um estudo publicado na revista Nature Medicine identificou biomarcadores sanguíneos capazes de sinalizar a presença da esclerose múltipla até sete anos antes dos primeiros sintomas.
A descoberta foi feita após a análise de mais de 5.000 proteínas em amostras de sangue de 134 militares norte americanos acompanhados durante mais de uma década. Todos desenvolveram esclerose A descoberta foi feita após a análise de mais de 5.000 proteínas em amostras de sangue de 134 militares norte-americanos acompanhados durante mais de uma década.
Os pesquisadores identificaram um conjunto de 21 biomarcadores que, avaliados em conjunto, podem ajudar a antecipar o reconhecimento da doença e monitorar sua evolução. Entre eles, a glicoproteína oligodendrócita da mielina (MOG) chamou atenção por surgir até sete anos antes dos sintomas. Sua presença indica os primeiros sinais de dano à mielina, alvo principal da doença.
Pouco depois, ocorre um aumento da proteína IL-3, associada ao recrutamento de células de defesa que passam a atacar estruturas do sistema nervoso central. Em seguida, surge a elevação da cadeia leve de neurofilamento (NfL), marcador que indica lesão direta dos neurônios.
Os achados reforçam uma ideia que os neurologistas observam há anos: a esclerose múltipla começa muito antes do primeiro surto. Enquanto o paciente ainda não apresenta alterações neurológicas evidentes, processos inflamatórios já podem estar em andamento.
Isso ajuda a explicar por que algumas pessoas convivem durante anos com sintomas aparentemente inespecíficos, como fadiga persistente, dificuldade de concentração, alterações de humor, ansiedade ou irritabilidade, sem imaginar que essas manifestações possam estar relacionadas à doença.
O avanço também pode preencher uma lacuna importante da prática clínica. Hoje, a progressão da esclerose múltipla é monitorada principalmente por sintomas e exames de imagem. O problema é que a ressonância magnética nem sempre consegue mostrar toda a atividade inflamatória que ocorre dentro das lesões cerebrais.
Nesse contexto, biomarcadores sanguíneos poderiam funcionar como uma espécie de termômetro biológico, permitindo identificar inflamações em atividade, avaliar o risco de progressão e verificar se os tratamentos estão controlando adequadamente a doença.
Os especialistas ressaltam, porém, que esses marcadores não devem ser interpretados isoladamente. Algumas dessas proteínas também se alteram em outras doenças neurológicas, o que torna indispensável a associação com avaliação clínica, exames de imagem e outros testes laboratoriais.
A expectativa é que, no futuro, a combinação desses biomarcadores com ferramentas de inteligência artificial permita um acompanhamento mais personalizado. O objetivo seria identificar precocemente pacientes com maior risco de sequelas e iniciar intervenções antes que danos irreversíveis ocorram.
Extraído de: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2026/06/16/esclerose-multipla-pode-ser-detectada-anos-antes-dos-sintomas.ghtm
Esclerose múltipla deixa pistas no sangue muito antes dos sintomas
A esclerose múltipla costuma ser diagnosticada apenas quando os sintomas já se tornaram evidentes. No entanto, a ciência está se aproximando de um cenário diferente: identificar sinais da doença anos antes da primeira crise clínica.
A condição neurológica, que afeta principalmente mulheres entre 20 e 40 anos, provoca um ataque do próprio sistema imunológico contra a bainha de mielina —estrutura que reveste os neurônios e garante a rápida transmissão dos impulsos nervosos. Quando esse processo começa, o cérebro pode acumular danos por muito tempo antes que surjam sintomas perceptíveis.
É justamente essa fase inicial que pesquisadores tentam desvendar. Um estudo publicado na revista Nature Medicine identificou biomarcadores sanguíneos capazes de sinalizar a presença da esclerose múltipla até sete anos antes dos primeiros sintomas.
A descoberta foi feita após a análise de mais de 5.000 proteínas em amostras de sangue de 134 militares norte americanos acompanhados durante mais de uma década. Todos desenvolveram esclerose A descoberta foi feita após a análise de mais de 5.000 proteínas em amostras de sangue de 134 militares norte-americanos acompanhados durante mais de uma década.
Os pesquisadores identificaram um conjunto de 21 biomarcadores que, avaliados em conjunto, podem ajudar a antecipar o reconhecimento da doença e monitorar sua evolução. Entre eles, a glicoproteína oligodendrócita da mielina (MOG) chamou atenção por surgir até sete anos antes dos sintomas. Sua presença indica os primeiros sinais de dano à mielina, alvo principal da doença.
Pouco depois, ocorre um aumento da proteína IL-3, associada ao recrutamento de células de defesa que passam a atacar estruturas do sistema nervoso central. Em seguida, surge a elevação da cadeia leve de neurofilamento (NfL), marcador que indica lesão direta dos neurônios.
Os achados reforçam uma ideia que os neurologistas observam há anos: a esclerose múltipla começa muito antes do primeiro surto. Enquanto o paciente ainda não apresenta alterações neurológicas evidentes, processos inflamatórios já podem estar em andamento.
Isso ajuda a explicar por que algumas pessoas convivem durante anos com sintomas aparentemente inespecíficos, como fadiga persistente, dificuldade de concentração, alterações de humor, ansiedade ou irritabilidade, sem imaginar que essas manifestações possam estar relacionadas à doença.
O avanço também pode preencher uma lacuna importante da prática clínica. Hoje, a progressão da esclerose múltipla é monitorada principalmente por sintomas e exames de imagem. O problema é que a ressonância magnética nem sempre consegue mostrar toda a atividade inflamatória que ocorre dentro das lesões cerebrais.
Nesse contexto, biomarcadores sanguíneos poderiam funcionar como uma espécie de termômetro biológico, permitindo identificar inflamações em atividade, avaliar o risco de progressão e verificar se os tratamentos estão controlando adequadamente a doença.
Os especialistas ressaltam, porém, que esses marcadores não devem ser interpretados isoladamente. Algumas dessas proteínas também se alteram em outras doenças neurológicas, o que torna indispensável a associação com avaliação clínica, exames de imagem e outros testes laboratoriais.
A expectativa é que, no futuro, a combinação desses biomarcadores com ferramentas de inteligência artificial permita um acompanhamento mais personalizado. O objetivo seria identificar precocemente pacientes com maior risco de sequelas e iniciar intervenções antes que danos irreversíveis ocorram.
Extraído de: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2026/06/16/esclerose-multipla-pode-ser-detectada-anos-antes-dos-sintomas.ghtm
Acerca das ideias e de aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o item seguinte.
A prevalência do uso de formas verbais no futuro ao longo do texto sugere que as mudanças relativas à vida na província de Alagoas ainda não haviam acontecido.
Caso esse segmento seja transposto para a voz ativa, mantendose a estrita correlação com os tempos do indicativo presentes na moldura desse período e preservando a correção gramatical, a redação adequada para o trecho sublinhado será:
“Se antes os motoristas podiam consumir uma quantidade limitada de bebida alcoólica sem serem punidos e, quando flagrados embriagados, não respondiam criminalmente por isso, desde junho de 2008, não há mais benevolência legal para tais condutas.”
O uso do pretérito imperfeito do indicativo em “podiam” e “respondiam”, em correlação com o presente do indicativo em “há”, cumpre o papel gramatical de:
Leia atentamente o texto a seguir para responder à questão
As bibliotecas devem recusar obras produzidas por inteligência artificial?
Por Leonardo Assis, pesquisador do Laboratório de Cultura, Informação e Sociedade da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP
Nos últimos anos, a inteligência artificial generativa deixou de ser apenas uma curiosidade tecnológica para ocupar um papel crescente na produção da informação. O primeiro impacto desse fenômeno foi percebido no campo da comunicação científica. A partir de 2022, artigos, resumos, revisões de literatura e diferentes tipos de textos passaram a ser produzidos com auxílio desses sistemas, inaugurando um novo momento na história da produção do conhecimento.
Agora, essa mesma discussão chega a outro espaço. Ela sai do ambiente predominantemente digital da produção informacional e alcança uma dimensão concreta e pública: os acervos das bibliotecas.
Recentemente, um estudo realizado nos Estados Unidos com cerca de 700 bibliotecas públicas procurou compreender como essas instituições estão lidando com materiais produzidos por inteligência artificial. Os resultados revelaram um cenário de incertezas. Algumas bibliotecas declararam não aceitar esse tipo de material em seus acervos. Outras ainda tentam entender como identificar, avaliar e organizar essas produções.
A questão parece simples: obras produzidas por inteligência artificial devem ou não fazer parte dos acervos das bibliotecas? Mas talvez essa não seja a pergunta mais interessante.
A simples exclusão pouco acrescenta ao debate. É compreensível que bibliotecas estejam preocupadas com a qualidade da informação, a confiabilidade dos conteúdos e os critérios utilizados para selecionar aquilo que será preservado e disponibilizado ao público. No entanto, a recusa não responde a uma questão mais profunda: o que torna uma obra digna de ser preservada?
Se olharmos para a história das bibliotecas, perceberemos que a autoria nunca foi o único critério utilizado para legitimar uma obra. Diversos textos filosóficos chegaram até nós com autoria incerta ou contestada. O mesmo pode ser dito de obras religiosas que atravessaram séculos sendo traduzidas, reinterpretadas e transmitidas por diferentes grupos sociais. Ainda assim, continuam presentes em bibliotecas do mundo inteiro.
O que garantiu a permanência desses documentos não foi apenas a certeza sobre quem os escreveu. Foi o significado que adquiriram ao longo do tempo. Talvez a pergunta não seja “quem escreveu esta obra?”, mas “por que esta obra é significativa para uma comunidade?”. Essa mudança de perspectiva desloca o debate da tecnologia para a cultura.
Ao longo da história, inúmeras obras foram preservadas porque determinados grupos sociais lhes atribuíram relevância intelectual, religiosa, política, científica ou simbólica. Bibliotecas não preservam apenas autores. Bibliotecas preservam significados.
Também é importante reconhecer que a produção intelectual contemporânea já ocorre em ambientes profundamente mediados por tecnologias. Editores de texto corrigem frases automaticamente.
Softwares sugerem estruturas narrativas. Programas editam imagens. Algoritmos organizam conteúdos e influenciam processos criativos. A inteligência artificial não inaugura essa mediação tecnológica da cultura. Ela amplia sua escala e sua capacidade de intervenção.
Isso não significa ignorar os riscos. Obras produzidas por inteligência artificial exigem mecanismos de avaliação, transparência e contextualização. Bibliotecas precisam desenvolver formas de identificar esses materiais, compreender seus processos de produção e estabelecer critérios adequados para sua seleção e organização. Trata-se de uma preocupação legítima e necessária. Mas a simples recusa talvez seja insuficiente.
Se determinadas produções passarem a influenciar comunidades, formar opiniões, registrar experiências, expressar identidades ou representar momentos históricos específicos, elas inevitavelmente se tornarão objetos de interesse para bibliotecas, pesquisadores e instituições de memória. Nesse ponto, a discussão deixa de ser apenas tecnológica. O que está em jogo é a própria construção do valor cultural.
Uma obra não se torna relevante apenas porque foi produzida por um ser humano. Ela se torna relevante quando uma sociedade passa a reconhecê-la como importante para compreender o mundo, transmitir conhecimentos, construir identidades ou preservar memórias. Por essa razão, a questão central não parece repousar na aceitação ou rejeição desses materiais. A questão central está em compreender quais deles serão capazes de adquirir significado social ao longo do tempo.
Bibliotecas sempre preservaram aquilo que diferentes sociedades consideraram relevante para sua memória e para sua produção simbólica. O desafio colocado pela inteligência artificial é decidir se algumas dessas novas produções também serão reconhecidas dessa forma.
No fundo, essa não é apenas uma discussão do campo dos Estudos da Informação. É uma discussão da própria sociedade sobre confiança, legitimidade, memória e cultura. O que estamos debatendo não é apenas a presença da inteligência artificial nas bibliotecas, mas quais produções serão consideradas significativas para nossa experiência coletiva e, consequentemente, dignas de serem preservadas para as próximas gerações.
Talvez o verdadeiro desafio não seja descobrir se uma inteligência artificial pode produzir uma obra. O desafio talvez seja compreender quais produções geradas por inteligência artificial a sociedade decidirá transformar em patrimônio cultural.
Fonte: https://jornal.usp.br/artigos/as-bibliotecas-devem-recusar-obras-produzidas-por-inteligencia-artificial/ Acesso em 15 ago. 2026. (Adaptado)
“Isso não significa ignorar os riscos. Obras produzidas por inteligência artificial exigem mecanismos de avaliação, transparência e contextualização. Bibliotecas precisam desenvolver formas de identificar esses materiais, compreender seus processos de produção e estabelecer critérios adequados para sua seleção e organização. Trata-se de uma preocupação legítima e necessária. Mas a simples recusa talvez seja insuficiente.”
Assinale a alternativa que indica corretamente as classes de palavras destacadas no texto, tendo em vista o contexto frasal.
Receita de refogado de feijão com legumes feita por merendeira de Caxias do Sul vence concurso nacional
Merenda feita por Eva Dagmar da Rosa recebeu mais de mil votos populares. Rio Grande do Sul teve outra receita premiada: um sagu tropical feito em Piratini, na Região Sul.
A merendeira Eva Dagmar da Rosa, de Caxias do Sul (RS), é uma das vencedoras do Concurso Melhores Receitas da Alimentação Escolar. A cozinheira, que trabalha na Escola Municipal Érico Veríssimo, no distrito de Vila Seca, garantiu o prêmio com um refogado de feijão com legumes.
Como premiação, ela recebe R$ 5 mil, e a escola também vai ser contemplada com R$ 8 mil. O valor deve ser investido em melhorias na infraestrutura da cozinha do refeitório.
A receita vencedora foi inspirada em memórias afetivas da merendeira. "É um prato de infância. Ele já é praticamente da família. Não teve mistério nenhum, porque ele é um prato fácil de fazer", relata.
O concurso busca valorizar pratos que combinam nutrição, criatividade e incentivo a hábitos alimentares saudáveis. Os vencedores foram definidos por votação popular.
O refogado de feijão da Eva recebeu 1.026 votos e superou parte das 136 receitas finalistas de todo o país. O Rio Grande do Sul teve cinco pratos na etapa decisiva, que representaram as cidades de Canoas, Caxias do Sul, Piratini, Santana do Livramento e Santiago.
Além da receita da Serra Gaúcha, o estado garantiu outra vaga entre as premiadas. O prato escolhido foi o sagu tropical, das merendeiras Manuela de Ávila e Rita Farias, de Piratini, na Região Sul.
https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/06/04/receita-de-refogado-de-feijao-comlegumes-feita-por-merendeira-de-caxias-do-sul-vence-concurso-nacional.ghtml
