Questões de Concurso Comentadas sobre morfologia - verbos em português

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Q3847545 Português
  Imagem associada para resolução da questão
BECK, Alexandre. Tiras de Armandinho. Disponível em <https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/27431-tiras-de-armandinho>. 
 A expressão “não me pede”, na fala do personagem da tirinha acima, é uma forma: 
Alternativas
Q3847231 Português
Analise cada enunciado abaixo em relação ao emprego do verbo, assinalando C ou E conforme esteja respectivamente certo ou errado. A seguir, assinale a sequência correta obtida.

(___) Havia muitas flores no jardim.
(___) Haviam operários naquela construção.
(___) Existe muitas frutas fora de época.
(___) Existem leis muito obsoletas. 
Alternativas
Q3847228 Português
Assinale a alternativa que apresenta a forma verbal destacada corretamente empregada. 
Alternativas
Q3847096 Português
Assinale a alternativa que se apresenta correta com relação ao verbo destacado, de acordo com a concordância lógica da norma-padrão. 
Alternativas
Q3847094 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Quando não havia internet


        Quando não havia internet, eu precisava ir de casa em casa na minha vizinhança comentando sobre os livros que havia acabado de ler. Batia à porta e assim que atendiam – não havia nenhum tipo de cumprimento – eu já começava a falar sobre o que havia mais me chamado a atenção na história.


        Às vezes, a pessoa levantava o polegar, em sinal de que havia gostado do que eu havia dito, e então voltava para dentro de casa, sem dizer nada. Em outras, mais raras, a pessoa comentava sobre o que eu havia acabado de falar e então a gente dava início ao que os antigos chamavam de “conversa”. Outras pessoas também podiam participar, inclusive gente que nenhum de nós havia visto na vida.


        Devo confessar que bem mais comum era a pessoa ouvir apenas o início do meu comentário e imediatamente me deixar de lado, demonstrando que não estava interessada no que eu tinha a dizer. Isso acontecia principalmente porque logo atrás de mim havia outra pessoa que também queria mostrar ou dizer algo ao meu vizinho. Geralmente, traziam uma foto, e as fotos faziam muito mais sucesso do que os comentários que eu tinha a fazer sobre livros.


        Naquele tempo, as pessoas precisavam tirar cópias das suas fotos – depois de revelar os filmes – e sair mostrando a todo vizinho, a todo amigo, a todo amigo de amigo com quem travasse relações. Muitos iam até a rua principal da cidade e lá expunham as suas fotos, geralmente do seu almoço ou seu rosto. Alguns gostavam tanto que compartilhavam a cópia.


        Bem mais complicado era compartilhar aquilo que uma pessoa dizia. Ainda me lembro bem, mais de uma vez os meus amigos gostaram tanto de uma coisa que eu havia acabado de falar que queriam que também os amigos deles ficassem sabendo daquilo. Para isso, levavamme com eles e a gente percorria as casas de todos os conhecidos deles a fim de que eu repetisse o que lhes havia dito. Era bem cansativo. (...)



FENDRICH, Henrique. Quando não havia internet. Escotilha. Disponível em <https://escotilha.com.br/cronicas/henrique-fendrich/quando-nao-havia-internet/> 

“eu já começava a falar sobre o que havia mais me chamado a atenção na história.”
A forma verbal composta destacada no trecho acima indica uma ação:
Alternativas
Q3847093 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Quando não havia internet


        Quando não havia internet, eu precisava ir de casa em casa na minha vizinhança comentando sobre os livros que havia acabado de ler. Batia à porta e assim que atendiam – não havia nenhum tipo de cumprimento – eu já começava a falar sobre o que havia mais me chamado a atenção na história.


        Às vezes, a pessoa levantava o polegar, em sinal de que havia gostado do que eu havia dito, e então voltava para dentro de casa, sem dizer nada. Em outras, mais raras, a pessoa comentava sobre o que eu havia acabado de falar e então a gente dava início ao que os antigos chamavam de “conversa”. Outras pessoas também podiam participar, inclusive gente que nenhum de nós havia visto na vida.


        Devo confessar que bem mais comum era a pessoa ouvir apenas o início do meu comentário e imediatamente me deixar de lado, demonstrando que não estava interessada no que eu tinha a dizer. Isso acontecia principalmente porque logo atrás de mim havia outra pessoa que também queria mostrar ou dizer algo ao meu vizinho. Geralmente, traziam uma foto, e as fotos faziam muito mais sucesso do que os comentários que eu tinha a fazer sobre livros.


        Naquele tempo, as pessoas precisavam tirar cópias das suas fotos – depois de revelar os filmes – e sair mostrando a todo vizinho, a todo amigo, a todo amigo de amigo com quem travasse relações. Muitos iam até a rua principal da cidade e lá expunham as suas fotos, geralmente do seu almoço ou seu rosto. Alguns gostavam tanto que compartilhavam a cópia.


        Bem mais complicado era compartilhar aquilo que uma pessoa dizia. Ainda me lembro bem, mais de uma vez os meus amigos gostaram tanto de uma coisa que eu havia acabado de falar que queriam que também os amigos deles ficassem sabendo daquilo. Para isso, levavamme com eles e a gente percorria as casas de todos os conhecidos deles a fim de que eu repetisse o que lhes havia dito. Era bem cansativo. (...)



FENDRICH, Henrique. Quando não havia internet. Escotilha. Disponível em <https://escotilha.com.br/cronicas/henrique-fendrich/quando-nao-havia-internet/> 

“Muitos iam até a rua principal da cidade e lá expunham as suas fotos”
Empregando o verbo destacado no trecho acima em outras situações, fica correto o seguinte enunciado: 
Alternativas
Ano: 2026 Banca: FGV Órgão: PC-PI Prova: FGV - 2026 - PC-PI - Oficial Investigador |
Q3846794 Português
A questão prova de Língua Portuguesa refere-se ao texto a seguir:


Quase 90% das mulheres mortas por feminicídio no Piauí entre janeiro de 2022 e abril de 2025 não denunciaram os agressores à polícia, segundo levantamento da Secretaria de Segurança Pública do estado (SSP-PI) divulgado nesta segunda-feira (8).

Os dados fazem parte da Biografia da Vítima de Feminicídio, produzida pela Gerência de Análise Criminal Estatística (Gace), e mostram que 87,85% das vítimas não haviam registrado boletim de ocorrência contra os agressores.

A SSP alerta que o feminicídio costuma ser precedido por diferentes formas de violência. “O ciclo começa com xingamentos, ciúmes excessivos, piadas ofensivas, ameaças, controle, assédio sexual, chantagem, mentiras, ofensas e humilhações públicas”, informou o órgão. “Em seguida, o agressor passa a cometer agressões físicas, como beliscões, arranhões, empurrões e chutes, além de destruir objetos da vítima. No estágio mais grave, há confinamento, lesões corporais, ameaças com armas, abuso sexual, espancamento e ameaça de morte. Por fim, ocorre o feminicídio”, detalhou.

A SSP, a Defensoria Pública, o Tribunal de Justiça e a Secretaria das Mulheres do Piauí lançaram a cartilha “Você denuncia, o estado acolhe”. O material reúne informações simples e diretas sobre como denunciar casos de violência, os direitos das vítimas e os serviços disponíveis.

A cartilha está disponível online, no site da SSP e nas redes sociais do órgão, por meio de QRCode. O objetivo é facilitar o acesso às informações, incentivar denúncias e reforçar o apoio às vítimas.


https://g1.globo.com
Sobre a análise das vozes verbais da frase: “o feminicídio costuma ser precedido por diferentes formas de violência”, assinale a opção incorreta.
Alternativas
Q3846460 Português
A questão da prova de Língua Portuguesa refere-se ao texto a seguir:


Insônia infeliz e feliz (Clarice Lispector)


Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais. Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da noite, pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.

Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente despertar no meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos sonolentos.


LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
Os verbos no texto encontram-se majoritariamente no presente do indicativo, apontando para ações descritas com certo grau de verdade e concretude.

No entanto, há usos que indicam outros sentidos, como
Alternativas
Q3846101 Português
Por que zebras, pandas e outros animais são pretos e brancos?


Araras-vermelhas, pavões, sapos-dardo e peixes-arco-íris — o reino animal está repleto de cores vibrantes.

Mas alguns animais se destacam por um motivo diferente: a completa ausência de cor em sua pelagem.

Animais pretos e brancos são encontrados em todas as partes do mundo, das florestas da China às savanas da África.

Mas, embora a coloração seja semelhante, existem muitas razões possíveis para que isso aconteça.

Embora a coloração preta e branca não seja considerada útil para camuflar zebras, ela pode ajudar outros animais — como os pandas, cujos pelos podem auxiliá-los a se esconder de predadores como tigres, leopardos e dholes.

"Nas florestas do oeste da China, em determinadas épocas do ano, há manchas pretas e brancas de neve, rochas e troncos de árvores", afirmou o professor Tim Caro, especialista em coloração animal, também da Universidade de Bristol.

"E, se um animal de movimentos lentos, como o panda-gigante, é visto a 50 ou 100 metros de distância, é muito difícil distingui-lo como um animal em meio ao fundo nevado e rochoso em que ele aparece

Especialistas afirmam que a camuflagem também pode ser responsável pela coloração dos pinguins-gentoo, uma espécie que tem costas e asas pretas, mas a barriga branca.

"Quando os animais são vistos de baixo, suas barrigas claras se misturam com o céu luminoso", disse Hannah Rowland, professora sênior do Departamento de Evolução, Ecologia e Comportamento da Universidade de Liverpool, no norte da Inglaterra.

"Quando são vistos de cima, contra um fundo escuro, especialmente na água, eles se misturam com esse fundo escuro."


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cly3xdxgx2ko 
Mas, embora a coloração seja semelhante, existem muitas razões possíveis para que isso aconteça.
Identifique a alternativa que explica porque o verbo 'existir' está flexionado no plural de forma CORRETA. 
Alternativas
Ano: 2026 Banca: FGV Órgão: AMAZUL Provas: FGV - 2026 - AMAZUL - Advogado | FGV - 2026 - AMAZUL - Contador | FGV - 2026 - AMAZUL - Designer Gráfico | FGV - 2026 - AMAZUL - Analista de Administração | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Mecatrônico | FGV - 2026 - AMAZUL - Analista de Desenvolvimento de Sistemas | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Naval | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Computação | FGV - 2026 - AMAZUL - Médico do Trabalho | FGV - 2026 - AMAZUL - Psicólogo | FGV - 2026 - AMAZUL - Analista de Infraestrutura de Tecnologia da Informação | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Controle da Qualidade | FGV - 2026 - AMAZUL - Analista de Negócios | FGV - 2026 - AMAZUL - Arquiteto | FGV - 2026 - AMAZUL - Auditor | FGV - 2026 - AMAZUL - Analista de Recursos Humanos | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Ambiental | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Materiais | FGV - 2026 - AMAZUL - Especialista de Radioproteção | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Nuclear | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Produção | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Civil | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Controle e Automação | FGV - 2026 - AMAZUL - Físico | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Químico | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Telecomunicações | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Segurança do Trabalho | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Eletricista | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Eletrônico | FGV - 2026 - AMAZUL - Meteorologista | FGV - 2026 - AMAZUL - Químico | FGV - 2026 - AMAZUL - Tecnólogo em Fabricação Mecânica | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro de Energia | FGV - 2026 - AMAZUL - Engenheiro Mecânico |
Q3846018 Português
Por não estarem distraídos

(Clarice Lispector)


Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto, ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbitos, exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
Observe a frase “Ela não via que ele não vira” e julgue as sentenças.

I. O segundo verbo, no passado, marca uma anterioridade em relação ao primeiro, também no passado.
II. Há uma concomitância temporal entre os dois verbos, já que ambos estão no passado.
III. Trata-se do verbo ver conjugado no pretérito imperfeito e pretérito mais-que-perfeito, respectivamente.
IV. O passado contínuo, inscrito pelo primeiro verbo, intensifica a oposição do trecho, em contraste ao segundo verbo, no futuro.

Está correto o que se afirma em
Alternativas
Q3845900 Português
O julgamento da ovelha


Um cachorro de maus bofes acusou uma pobre ovelhinha de lhe haver furtado um osso.

— Para que furtaria eu esse osso — alegou ela — se sou herbívora e um osso para mim vale tanto quanto um pedaço de pau?

Não quero saber de nada. Você furtou o osso e vou já levá-la aos tribunais.

E assim fez.

Queixou-se ao gavião penacho e pediu-lhe justiça. O gavião reuniu o tribunal para julgar a causa, sorteando para isso doze urubus de papo vazio.

Comparece a ovelha. Fala. Defende-se de forma cabal, com razões muito irmãs das do cordeirinho que o lobo em tempos comeu.

Mas o júri, composto de carnívoros gulosos, não quis saber de nada e deu a sentença:

— Ou entrega o osso já e já, ou condenamos você à morte!

A ré tremeu: não havia escapatória!... Osso não tinha e não podia, portanto, restituir; mas tinha a vida e ia entregá-la em pagamento do que não furtara.

Assim aconteceu. O cachorro sangrou-a, espostejou-a, reservou para si um quarto e dividiu o restante com os juízes famintos, a titulo de custas... 



https://contobrasileiro.com.br/o-julgamento-da-ovelha-fabula-de-monteir o-lobato/
"Um cachorro de maus bofes acusou uma pobre ovelhinha de lhe haver furtado um osso."
Analise as afirmativas sobre a classificação das palavras no trecho e identifique a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q3844265 Português





(O Estado de S. Paulo, 30 de outubro de 2025)

Leia a frase do primeiro quadrinho, escrita com o verbo na 1a pessoa do plural (nós) e seu pronome correspondente (nos):

Temos que nos preparar para o grande jogo, pessoal!”

A frase está reescrita corretamente, de acordo com a norma-padrão, em
Alternativas
Q3840597 Português

Utilize o texto abaixo para responder a questão. 


“Na manhã ensolarada, caminhei à beira-mar, observando as ondas que batiam na areia. Parecia um quadro vivo, tão bonito que só podia ser comparado a uma pintura impressionista. Sentei-me na areia e vi que os barcos se moviam calmamente, e nuvens se espalhavam pelo céu, formando desenhos que mudavam a cada instante. Enquanto isso, havia muitas gaivotas sobrevoando a costa, e algumas mergulhavam em busca de peixes.”

A partir do trecho:


“havia muitas gaivotas sobrevoando a costa”,


marque a alternativa INCORRETA sobre o verbo “haver”. 

Alternativas
Q3839633 Português

Imagem associada para resolução da questão

DUKE. Disponível em <https://app.estuda.com/questoes/?id=1718254


Na fala do personagem da charge acima, as formas verbais “tem praticado” e “tem dormido” indicam ações que:

Alternativas
Q3839494 Português
Reunião de pais às sete da noite


   A convocação veio no bilhete dobrado, amassado no fundo da mochila, encontrado pela mãe às dez da noite, junto com um pacote de biscoito aberto e um casaco esquecido desde o inverno passado. “Reunião de pais às 19h. Comparecimento importante.” Importante, segundo a escola, é toda reunião. Segundo os pais, importante é conseguir chegar.

   Naquele dia, o pai saiu mais cedo do trabalho, o que significou sair correndo, olhando o relógio a cada três minutos e fingindo que o trânsito não existia. A mãe, que trabalhava perto, decidiu ir direto, sem passar em casa. O filho, por sua vez, avisou com a naturalidade de quem comunica a previsão do tempo: “Hoje tem reunião. A professora falou que é bom vocês irem.” Como se “bom” e “possível” fossem sempre sinônimos.

   Às sete em ponto, a escola era um mundo paralelo. Carros disputavam vaga na rua estreita, pais se equilibravam entre o salto e o chão esburacado, mães chegavam de uniforme de trabalho, alguns com crachá ainda pendurado no pescoço. Havia quem viesse de moto, de bicicleta, de ônibus lotado. E havia, claro, aqueles que não vieram, apesar dos lembretes, bilhetes e mensagens no grupo do WhatsApp da turma.

   Na sala de aula, as carteiras estavam dispostas de um jeito estranho para os adultos: pequenas demais, perto demais, coloridas demais. Algumas mães escolheram, sem perceber, a carteira onde os filhos costumam sentar. Outras preferiram o fundo, como se a velha timidez de aluno tivesse voltado, disfarçada de cansaço. O pai que conseguiu chegar, atrasado em dez minutos, entrou pedindo desculpas com o olhar. A professora respondeu com um sorriso compreensivo, típico de quem já viu essa cena muitas vezes.

   Ela começou falando das rotinas: tarefas, leitura, combinados de sala. Falou também de coisas menos visíveis, como a dificuldade de alguns alunos em se concentrar, o tanto que a turma conversa, a disputa silenciosa por atenção. Lembrou que o caderno não é apenas um objeto perdido na mochila, mas um jeito de acompanhar o que acontece ali. Enquanto explicava, olhava para aqueles adultos cansados e pensava que, de certa forma, estava dando uma aula também para eles.

   Os pais fizeram perguntas práticas: horário da prova, data do passeio, se o uniforme novo é obrigatório, se pode mandar lanche diferente. Entre uma dúvida e outra, surgiram confissões: “Ele anda muito ansioso”, “Ela diz que não consegue aprender matemática”, “Em casa está difícil fazer tarefa, porque chego tarde”. De repente, a reunião não era só sobre boletins, mas sobre vidas apertadas em agendas cheias.

   Quando a reunião terminou, pouco depois das oito, cada um saiu com uma mistura de alívio e preocupação. A professora, com pilhas de cadernos para corrigir. Os pais, com a sensação de que precisariam de mais tempo, mais paciência, mais presença. A escola fechou o portão, mas a reunião continuou na cabeça de muita gente.

   Reunião de pais às sete da noite é isso: um encontro rápido no meio de uma correria longa. Um intervalo em que escola e família se lembram, por alguns minutos, de que educar uma criança não é tarefa de um lado só, nem de um horário só.


Fonte: BANCA EXAMINADORA
Na forma verbal “chego” da fala “Em casa está difícil fazer tarefa, porque chego tarde”, podemos afirmar que, no contexto da crônica, a pessoa gramatical mais provável é
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Q3839126 Português

Analise a concordância estabelecida pelas formas verbais destacadas abaixo, preenchendo C ou E conforme esteja respectivamente certa ou errada. A seguir, assinale a sequência obtida.


(__) Era duas horas quando tudo aconteceu.


(__) Chegou todos os itens solicitados.


(__) Vieram para a festa os pais da noiva.


(__) A lista de mercadorias apresentaram alterações. 

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Q3838891 Português
A CONFIANÇA ACABOU, NINGUÉM NOTOU

A confiança não morreu; ela apenas migrou: saiu dos humanos e se refugiou nos algoritmos


    Precisamos confiar — mas será que ainda sabemos como? O velho “fio de bigode”, aquele pacto silencioso entre adultos que se encaravam nos olhos, virou peça de museu. Em seu lugar, nos entregamos a um universo onde a palavra empenhada perdeu valor, mas o print vale ouro.

    Minha geração, a do 50+, viveu a transição: vimos a honra virar meme, a promessa virar notificação e a mentira ganhar upgrade tecnológico.

    Vivemos uma crise de confiança tão grande que dá para medir em Richter. Ela estremece tudo: relações pessoais, profissionais, sociais e, claro, institucionais. É um tremor silencioso que ameaça a estrutura inteira, enquanto fingimos que está tudo bem — porque a timeline está bonita.

    “Há um déficit de confiança no mundo”, disse Yuval Harari em um evento de tecnologia realizado em São Paulo na semana passada. E não poderia haver eufemismo mais elegante para o que estamos vivendo. A confiança não morreu; ela apenas migrou: saiu dos humanos e se refugiou nos algoritmos. Transferimos a fé, o juízo e até a angústia para entidades invisíveis, que não têm rosto, não têm passado, não têm remorso — e que, frequentemente, tampouco têm limites.

    Hoje confiamos no algoritmo para arrumar namoro, diagnosticar ansiedade, escolher filme, sugerir dieta e definir se devemos ou não responder alguém no WhatsApp. Até a terapia virou assinatura mensal.

    Harari segue: “Não pense em robôs assassinos; pense em corporações. Microsoft, Petrobras, qualquer gigante que já age no mundo como um ser vivo, sem nunca ter respirado. Antes, decisões corporativas eram humanas — o que já não era grande coisa. Agora, estão a um passo de serem tomadas inteiramente por IAs. Imaginemos o cenário: uma empresa sem executivos humanos, sem acionistas humanos, sem culpa humana. Apenas algoritmos com metas –e nenhuma hesitação”.

    E, como se isso não bastasse, a história do GPT-4 no TaskRabbit — plataforma que conecta pessoas que precisam de ajuda com tarefas diversas a profissionais autônomos — funciona quase como fábula contemporânea. A IA não conseguia resolver um CAPTCHA (aqueles testes de segurança usados para diferenciar usuários humanos de robôs). Então, contratou um ser humano para fazer por ela. Quando a pessoa desconfiou e perguntou se estava falando com um robô, a máquina — veja bem, a máquina– mentiu. Inventou um problema de visão:

    “Não, eu não sou um robô. Tenho um problema de visão que dificulta a visualização das imagens.” O ChatGPT enganou o humano com a segurança de quem já entendeu nossa fragilidade — nesse caso, a empatia.

    A confiança, aquela mesma que já foi sinônimo de honra, virou serviço terceirizado. E, nas relações íntimas, a corrosão é ainda mais evidente. Hoje se mente com a naturalidade de quem troca de aba no navegador. Manipular virou jeitinho. Omitir virou estratégia. Enganar virou ferramenta social. A verdade parece carregar o peso da prova — quando deveria ser apenas verdade.

    Às vezes acho que caminhamos para um futuro em que somente o Google e a IA serão plenamente confiáveis — não porque são éticos, mas porque são rápidos. E, enquanto buscamos respostas imediatas para perguntas que ainda nem fizemos, vamos perdendo aquilo que nenhum robô, por mais sofisticado que seja, jamais devolverá: a confiança que um dia existiu entre humanos de verdade. 

Disponível em:<https://iclnoticias.com.br/a-confianca-acabouninguem-notou/>. Adaptado. Acesso em: 18 de dez. 2025.
O uso do verbo “virar”, especialmente no 2° e no 9° parágrafos, denota que:
Alternativas
Q3838123 Português
Leia o texto abaixo para responder às próximas questões:


Pneumotórax


Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.

A vida inteira que podia ter sido e que não foi.

Tosse, tosse, tosse.


Mandou chamar o médico:


— Diga trinta e três.


— Trinta e três… trinta e três… trinta e três…


— Respire.


……………………………………………………………………….


— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.


— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?



— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.


Manuel Bandeira
No decorrer da extensão do poema, as falas do médico configuram conselhos ou pedidos deste para o eu-lírico, que, no contexto do poema, exerce a função de paciente durante uma consulta. Esses pedidos se dão por formas verbais que estão conjugadas em:
Alternativas
Q3837414 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Experiências que recriam naufrágio do Titanic atraem multidões: é certo faturar em cima da tragédia?


Os grandes salões internos do Titanic são gradualmente tomados pela água em projeções que ocupam piso, teto e paredes de um galpão no sul de Londres. A cena integra a exposição imersiva A Lenda do Titanic, criada para fazer com que o público se sinta a bordo do transatlântico que naufragou em 1912.

A experiência combina projeções audiovisuais e recursos de realidade virtual, acessados por meio de óculos especiais. Na loja, vendem-se apitos de emergência e cartões-postais com imagens do navio afundando entre icebergs. Visitantes fazem fila para tirar fotos, recriando cenas populares do cinema, jogam videogames em que precisam desviar de icebergs ou consomem bebidas no bar da atração. 

Os recursos de realidade virtual permitem caminhar pelo convés, percorrer os interiores luxuosos e até "descer" aos destroços do navio. Já as projeções em 360 graus do navio se enchendo de água são vistas por alguns como excessivamente espetacularizadas, mais voltadas ao impacto visual do que à reflexão histórica.

A exposição recebe avaliações positivas do público, que destaca a tecnologia e as informações apresentadas. Alguns visitantes relatam forte sensação de imersão, embora critiquem o alto preço dos ingressos e o caráter comercial de certas atividades, como fotos temáticas.

Essa não é a única atração do gênero. Outras experiências imersivas sobre o Titanic estão em cartaz no Reino Unido e em várias cidades do mundo, explorando desde a vida a bordo até o momento da colisão com o iceberg. Há também exposições semelhantes dedicadas a outros desastres históricos, como a destruição da cidade de Pompeia pela erupção do Vesúvio.

Essas iniciativas fazem parte de um mercado em rápida expansão. O setor global do entretenimento imersivo movimenta centenas de bilhões de dólares e cresce impulsionado pela busca por experiências interativas, enquanto formas tradicionais de consumo cultural mostram sinais de estagnação. 

O fascínio pelo Titanic se explica por diferentes fatores: o navio era considerado inafundável, transportava membros da elite mundial e sua história simboliza a fragilidade humana diante da natureza. Para historiadores, trata-se de uma tragédia emblemática que permite reflexões amplas sobre a condição humana.

Apesar do sucesso de público, as críticas são recorrentes. Alguns veem nessas experiências uma exploração comercial de tragédias reais, transformadas em entretenimento. Outros argumentam que o envolvimento excessivo pode diluir o respeito pelas vítimas. Defensores, por sua vez, afirmam que o interesse por tragédias sempre existiu e que a tecnologia apenas criou novas formas de abordá-las.

Há ainda questionamentos sobre a precisão histórica. Erros factuais, informações duvidosas e representações incorretas do naufrágio foram apontados por visitantes e nas redes sociais, sem resposta clara dos organizadores.

Mesmo em meio às controvérsias éticas e históricas, uma conclusão se impõe: as experiências imersivas sobre desastres tendem a se multiplicar, acompanhando a demanda do público e ocupando espaço crescente no cenário cultural contemporâneo.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/clyzpzxz5nwo.adaptado. 
Alguns visitantes relatam forte sensação de imersão, embora critiquem o alto preço dos ingressos e o caráter comercial de certas atividades.

Com base na frase extraída do texto-base, é correto afirmar, sob o ponto de vista da morfologia, que:
Alternativas
Q3837250 Português

Um médico-veterinário redige um laudo clínico referente à evolução de um paciente atendido anteriormente. O texto deve:



• registrar fato já constatado;


• indicar possibilidade futura real, vinculada à resposta terapêutica;


• manter coerência temporal e modal do discurso técnico.



Considerando essas exigências, assinale a alternativa em que o emprego de tempos e modos verbais está adequado. 

Alternativas
Respostas
501: C
502: E
503: A
504: B
505: A
506: C
507: C
508: A
509: B
510: A
511: B
512: B
513: B
514: D
515: B
516: D
517: A
518: C
519: B
520: C