Questões de Concurso Sobre morfologia - pronomes em português

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Q3655221 Português
O cientista também referencia "a falta de políticas preventivas", como a poda de árvores e o aterramento de fios elétricos.
Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4g944q07vlo. adaptado

De acordo com as regras de colocação pronominal, a forma correta do pronome oblíquo para substituir o termo destacado é:
Alternativas
Q3654728 Português
Quanto ao emprego de classes de palavras, assinale a alternativa incorreta.
Alternativas
Q3654646 Português
Imagem associada para resolução da questão https://br.pinterest.com/pin/26036504085844127/

De acordo com a tirinha, no primeiro quadrinho, (essa); no segundo, (da); no terceiro, (é), no quarto (não), são respectivamente: 
Alternativas
Q3654084 Português
Quanto às palavras destacadas nas sentenças

I. Meus livros preferidos são os de suspense.
II. Ele desperdiçou o seu tempo com bobagens.
III. Este segredo deve ficar apenas entre nós.

pode-se afirmar que: 
Alternativas
Q3654082 Português
A ênclise é vetada apenas em: 
Alternativas
Q3654079 Português

Leia o texto a seguir para responder a questão.



Um coelho


        Todo mundo sabe: uma agência de publicidade comemorou a Páscoa oferecendo um coelho vivo a 20 personalidades do Rio de Janeiro. Mas o que ninguém sabe é que só depois da Páscoa o meu coelho conseguiu me encontrar.


         Dentro de uma gaiola, o coelho era pesado e assustadiço. Chamava-se Osvaldo — Osvaldo Coelho. No primeiro dia fiquei algumas horas com aquele bicho orelhudo à minha mercê, num restaurante. Providenciei cenouras para Osvaldo e pensei que não havia novidade alguma em tudo aquilo, pois até Hollywood já havia feito um filme mostrando um coelho num bar. O filme era Meu amigo Harvey e James Stewart, o protagonista.


         Quando chegou a madrugada conduzi Osvaldo para o meu lar. Apresentei-lhe o meu melhor amigo, Nelsinho Mota, que é um passarinho inteligente e terno, mas Osvaldo teve medo de Nelsinho e vice-versa. Decidi, então, que a cada um caberia um aposento especial. Nelsinho ficaria na sala e Osvaldo no escritório. [...]


         Minha cozinheira foi a primeira pessoa a perceber o absurdo da situação. Não se pode viver com um coelho dentro de um apartamento — disse ela. “Azar, azia, azeite”, respondi. “Não se pode viver de maneira alguma. O coelho é apenas uma demonstração particularmente cruel dessa evidência”.


          Passaram-se dois dias: simplesmente fiquei dois dias sem voltar para casa, na esperança de que o coelho e a cozinheira entrassem em algum acordo. Mas o lar é uma coisa a que estamos tão habituados que sempre acabamos voltando a ele. Voltei fatigado, deitei me, e na manhã seguinte me pus a assoviar enquanto aparava a barba. Ao café, a cozinheira disse:


         — E o coelho?


     — Não sei. Não tenho jogado no bicho


       — Estou falando é no nosso coelho. (Ela disse “nosso” coelho! O malandro já pertencia à minha família).


       — Ah... O Osvaldo? — disse eu. — Façamos o seguinte: passemos a navalha no pescoço dele e jantemos civet de lapin! Coelho esquartejado!


     — É pecado comer bicho que tem nome cristão — sentenciou ela. E estava certíssima: a minha saudosa galinha, Amélia, morreu de velha; ninguém ousou prepará-la ao molho pardo.


     Eis senão quando o próprio Osvaldo tomou uma atitude singular. Depois de roer a gaiola e de devorar o Canto número dois, de Lautreamont — deixando intacto o Canto número um, que está impresso nas páginas anteriores — ele se esgueirou pelo corredor e, na sala, ficou ouvindo a nossa conversa. Aliás, o nosso silêncio: quando o vimos, a cozinheira e eu nos calamos. Eu, principalmente, estava encabuladíssimo, pois acabava de sugerir uma navalhada no pescoço dele.


        A intuição feminina prevaleceria. A cozinheira mais que depressa abriu a porta da rua e sorriu maliciosamente na minha direção. O coelho, com as orelhas eretas, contemplou longamente a liberdade. Depois, por sua vez, se precipitou para fora.


      Fechamos a porta e suspiramos. O mais e o menos outra vez se equilibravam em nossas vidas: menos um problema, mais um remorso.


OLIVEIRA, J. C. Domingo. In: Caderno B, Jornal do Brasil. Rio de

Janeiro, 1969. Disponível em

<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/16674/um-coelho>. 

Em “Apresentei-lhe o meu melhor amigo”, o pronome oblíquo átono atua como: 
Alternativas
Q3653912 Português
Assinale a alternativa que se encontra totalmente correta em relação ao emprego do pronome de tratamento.
Alternativas
Q3653875 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


"O relevo do Cerrado permite à sua rede de rios e lençóis freáticos ________________ bacias em todas as regiões do país, inclusive gigantes da Amazônia, como os rios Tapajós e Xingu. Mais de 90% das águas que correm pelo São Francisco _______ do Cerrado, assim como praticamente toda a água do Pantanal. O bioma abastece quase 50% da bacia do Paraná, estratégica para a geração de energia elétrica", diz o texto.

A perda de vegetação nativa é um dos motivos por _______ dos impactos no Cerrado, [...] o que está diretamente vinculada ______ expansão da soja no bioma. Dados do MapBiomas mostram que a região perdeu 22% de sua vegetação nativa entre 1985 e 2022, passando de 107 milhões para 83 milhões de hectares. No mesmo período, a área destinada _______ produção de soja cresceu quase 20 vezes, passando de 620 mil para mais de 12 milhões de hectares.

"É comum encontrar pessoas indignadas com a falta de água nas torneiras ou preocupadas com a queda de safra devido à irregularidade climática, sem perceberem que esses problemas estão diretamente ligados ao desmatamento do Cerrado", [...]. "Quando o Cerrado é devastado, estamos colocando em risco os recursos hídricos do Brasil, afetando ________ todos nós".

"A irrigação intensiva e o desmatamento ____________ o ciclo hidrológico, reduzindo a capacidade do solo de armazenar e liberar água nos períodos secos. Esse fenômeno retroalimenta a crise climática, encurtando os períodos de chuva, aumentando a temperatura e intensificando a instabilidade climática", destaca o documento.


(Diego Junqueira, Com menos chuva e avanço da soja, rios do Cerrado perdem 20% das águas. Disponível em: < https://reporterbrasil.org.br/2025/06/menos-chuva-avanco-soja-rios-cerr ado-perdem-aguas/ >. Acesso em 26 jun. 2025. Adaptado.)
Leia o excerto a seguir e analise as assertivas tendo em consideração o texto na íntegra:

"[...] Esse fenômeno retroalimenta a crise climática, encurtando os períodos de chuva, aumentando a temperatura e intensificando a instabilidade climática", [...].

I.O pronome esse está usado equivocamente e gera ambiguidade, uma vez que se refere a períodos secos. O adequado seria "este".
II.Ao dizer que o fenômeno "retroalimenta" a crise climática, reforça-se a ideia cíclica que envolve o manejo da água no Brasil, em um efeito ininterrupto e cada vez mais intenso de causa e consequência.
III.Em relação a "sem perceberem que esses problemas estão diretamente ligados ao desmatamento do Cerrado", no parágrafo anterior, temos o uso adequado do pronome demonstrativo esse , pois tem como referente os problemas destacados anteriormente (falta de água nas torneiras e queda na safra, ambos devido à irregularidade climática). O mesmo uso do pronome acontece no excerto em análise, posto que "esse fenômeno" refere-se a todo o período que o antecede.
IV.Em "encurtando os períodos de chuva, aumentando a temperatura e intensificando a instabilidade climática", temos uma enumeração de ideias em movimento, em continuidade, ou seja, não encerradas. Esse valor semântico de progressão é dado pelo uso dos verbos no particípio.

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3653640 Português
Texto para a questão.


Hipopótamos à solta


    De fato, parece que algumas pessoas são dotadas do dom da premonição. No século XVIII o brilhante Chesterton já filosofava sobre a onda de estupidez que ele antevia, assustadora, no horizonte da humanidade. “Chegará o dia em que teremos de provar ao mundo que a grama é verde” – disse. Giorgia Meloni, a primeira-ministra italiana, também citou a obviedade galopante num de seus discursos com a frase “ainda teremos batalhas com fogo e espadas para provar que dois mais dois são quatro”.

    Aqui no Brasil o implacável Nelson Rodrigues já havia denunciado essa coisa ululante e a ela até dedicou um livro. Parece que, por umas décadas, o óbvio permaneceu adormecido em companhia da burrice. Mas eis que, na virada do século, ganhou novas forças e faz grande reestreia. 

    Enquanto degusto meu café com pão, criei o hábito de deixar a TV ligada como fundo sonoro do amanhecer, inteirando-me dos fatos recentes através dos repórteres e apresentadores. Alertado, apuro os ouvidos. Pelo visto, tudo indica que o discurso do óbvio acompanhado de sua fiel amiga platitude arrumou emprego fixo nas emissoras.

    Parece que os repórteres da TV são entusiastas dessa nova modalidade e ando colecionando suas pérolas. Outro dia, no jornal da noite, falando de assaltos, dispararam uma informação excepcional: “por causa de seu valor, o ouro é muito visado pelos ladrões”. E outro, comentando a irresponsabilidade de certos motoristas, não deixou por menos e fez um alerta aos distraídos pedestres: “...um atropelamento pode causar muitos danos à vítima.”

     Enfim, o óbvio se insinua sorrateiro nas falas dos incautos e, como um tiro de canhão, alcança nossas orelhas. Informando aos telespectadores sobre a circulação nos logradouros públicos – como dizem os burocratas - disse a repórter: “o trânsito está bastante pesado agora na avenida por causa dos automóveis e caminhões”. Suspirei aliviado. Ainda bem: já pensou se fosse por conta de elefantes, hipopótamos e rinocerontes caminhando calmamente no asfalto pelos quatro cantos da cidade?


Fernando Fabbrini – Texto Adaptado https://www.otempo.com.br/opiniao/fernando-fabbrini/2025/4/3/hipopotamos-a-solta 
Na frase “Aqui no Brasil o implacável Nelson Rodrigues já havia denunciado essa coisa ululante e a ela até dedicou um livro”, o autor opta pelo uso do pronome demonstrativo “essa” em vez de “esta”. Considerando a norma-padrão e os critérios de coesão referencial, assinale a análise correta desse uso.
Alternativas
Q3652146 Português
AÇÕES COLETIVAS QUE AJUDAM A COMBATER AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS


Para muitos, a expressão "ponto de inflexão" é quase sinônimo de colapso climático, mas para cientistas que pesquisam o modo como as sociedades podem alcançar uma mudança sustentável com o conhecimento e a tecnologia já disponíveis, ela carrega também uma conotação positiva.

Cientistas como Ilona M. Otto, do Centro Wegener para Mudança Climática e Global, em Graz, na Áustria, acreditam que sociedades podem introduzir mudanças sociais que ajudariam a promover uma rápida transição para uma economia verde.

"Estamos falando de partes da sociedade nas quais uma mudança rápida é possível", diz Otto. "Sobre as quais temos algum grau de efeito, onde podemos intervir no sistema e empurrá-lo na direção desejada."

Ela diz que, quando pequenos grupos comprometidos fazem opções cotidianas em relação a comer carne, usar energia limpa e dirigir veículos elétricos, eles podem estabelecer novas normas e padrões de comportamento que podem se espalhar por toda a sociedade.

Num artigo de 2020, Otto e seus colegas se concentraram em seis áreas principais que poderiam ser visadas, incluindo produção de energia, mercados financeiros, cidades e educação.

Mas esse tipo de mudança no sistema geralmente necessita de intervenções, como políticas governamentais específicas ou incentivos de mercado, para ser implementada, acrescenta Otto. Outro elemento importante "para a ação coletiva, para unir as pessoas", é o entusiasmo.

As cidades, onde vive mais da metade da população mundial, geram cerca de 70% das emissões globais de gases do efeito estufa, segundo uma estimativa de 2022 do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU.

Mas esse grupo de especialistas também afirma que as áreas urbanas podem liderar o caminho para a redução das emissões ao diminuírem o uso de energia e eletrificarem o transporte. Adrian Hiel, que trabalha em campanhas de mídia para a Energy Cities, uma rede de cidades europeias para a transição energética, menciona como exemplo as recentes tendências positivas no transporte urbano na Europa.

"O ciclismo é a maior delas", afirma. Ele lembra como a pandemia de covid-19, em particular, acelerou a transição para o uso de bicicletas em lugares como Bruxelas, Barcelona e especialmente Paris. "Esse é um grande ponto de inflexão", exemplifica, argumentando que isso facilitou a mesma transição em outras cidades.

"Quanto mais exemplos você tiver ao seu redor, mais fácil se torna superar a barreira", explica, acrescentando que a disseminação de veículos elétricos e painéis solares nas cidades europeias na última década provavelmente também se beneficiou de indivíduos perceberem em exemplos alheios como era fácil fazer a mudança.

"É totalmente diferente quando são seus vizinhos que falam sobre uma paixão ou quando é uma empresa tentando lhe vender algo", diz. As emissões relacionadas a edifícios poderiam se beneficiar dessa mesma abordagem, acrescenta.

Manter edifícios aquecidos e confortáveis consome cerca de metade da energia usada na União Europeia (UE) todos os anos, de acordo com a Agência Europeia do Ambiente, resultando em emissões significativas de carbono. Bombas de calor e redes de aquecimento distrital são tecnologias que comprovadamente funcionam, mas o custo delas muitas vezes é desanimador.

"É, acima de tudo, um desafio social", diz Hiel. "E isso exige trabalho: fazer pesquisas online, ir de porta em porta. É preciso dedicar tempo e energia para ouvir essas pessoas, ou você não conseguirá a transformação social desejada, que levará à transformação física desejada."

Cerca de 12% das emissões globais de gases do efeito estufa são geradas pela agricultura, e o agronegócio e o setor de carnes também estão entre os principais causadores da degradação ambiental e da perda de biodiversidade. E se forem considerados aspectos como o desmatamento, a perda de pântanos e a produção de fertilizantes, esse número sobe para cerca de 30%.

Mas, em algumas partes do mundo – principalmente na Europa – as pessoas estão comendo menos carne, seja por motivos de saúde, seja por preocupações ambientais, ou por ambos. Na Alemanha, por exemplo, um país conhecido por suas salsichas e schnitzels, o consumo de carne caiu constantemente na última década, enquanto as alternativas à base de vegetais continuam a ganhar popularidade.

Otto lembra que tendências recentes, como andar de bicicleta nas cidades e comer menos carne, têm uma influência positiva sobre a saúde e o bemestar, o que ajuda a criar um ponto de inflexão.

Mas substituir a carne, cujas produção consome muita energia, por proteínas alternativas à base de insetos, plantas ou células cultivadas em laboratório ainda é um passo difícil para muitos.

Além disso, vários estudos já demonstraram os possíveis riscos à saúde de algumas alternativas à carne ultraprocessada. E o preço elevado ainda impede muitos de optarem por alimentos orgânicos, que são melhores para o meio ambiente.

Para Luigi Tozzi, vice-diretor da Safe, uma ONG europeia que luta para garantir padrões alimentares mais seguros para os consumidores, os altos preços dos alimentos de um modo geral, em parte devido à guerra na Ucrânia, estão forçando o consumidor a escolher entre a opção ambiental ou apenas o suficiente para comer.

"Especialmente agora, quando há muitas famílias necessitadas, as pessoas não estão pensando em sustentabilidade, mas apenas em como podem comprar comida", diz Tozzi.

Para ele, as recentes eleições europeias, nas quais os legisladores verdes perderam cerca de duas dúzias de assentos, foram um sinal de que muitos eleitores têm outras preocupações em mente.

Para Otto, um foco maior na mudança climática nas escolas também tem potencial para gerar mudanças sociais rápidas. Em seu relatório de 2020, ela destacou a mudança de normas e valores provocada pelas greves climáticas do movimento Fridays for Future, liderado por estudantes, que passaram a influenciar políticas em todo o mundo.

A especialista em educação climática Lennart Kuntze, da ONG Teach For All, defende que a mudança climática faça parte do currículo escolar em todos os níveis. "Precisamos realmente desenvolver a ação coletiva em vez de nos concentrarmos em ações individuais", diz Kuntze, acrescentando que o que começa na sala de aula tem o potencial de influenciar toda a comunidade.

Kuntze afirma que a sociedade está começando a perceber o valor da educação climática. No entanto, para que ela se torne popular, é necessário desenvolver "uma visão inclusiva do futuro", que priorize os valores compartilhados e as mudanças positivas, em vez de uma narrativa baseada no medo do colapso climático.

"Qual é o tipo de mundo que queremos em 2050? Ou em 2070? No que estamos trabalhando, e não contra o que estamos trabalhando", diz ela. "A educação é uma parte realmente fundamental disso, pois podemos construir isso junto com os alunos e começar a imaginar com eles o que é possível."


Disponível em: https://www.dw.com/pt-br/ações-coletivas-queajudam-a-combater-as-mudanças-climáticas/a-71022546>. Adaptado. Acesso em: 15 de setembro de 2025.
Assinale a alternativa que classifica, respectivamente, os termos destacados em: “vários estudos demonstraram os possíveis riscos à saúde de algumas alternativas à carne ultraprocessada”.
Alternativas
Q3649793 Português
Assinale a alternativa em que o emprego da palavra destacada está de acordo com a normapadrão da Língua Portuguesa.
Alternativas
Q3649160 Português
Assinale a opção que apresenta a forma que completa a frase corretamente: “_____ fazer a tarefa, preciso de silêncio.”
Alternativas
Q3649068 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


A visita da borboleta


Discorram meus colegas sobre assuntos graúdos, nacionais e internacionais, que hoje eu fico com as borboletas. Pela manhã, uma delas, de espécie comum, branca e pequena, entrou pela janela e veio tomar café comigo. Mais propriamente, visitar-me na hora do café. Não pousou na xícara nem nos biscoitos nem na margarina. Limitou-se a dar uns voleios em torno da mesa, e retirou-se, deixando a lembrança agradável de sua visita. Embora cordial, estava apressada. Todas as borboletas são apressadas por natureza. Vivem um momento breve e não podem perder tempo com um cronista fútil, se bem que parecesse dizer, com seus volteios: “Adoro a futilidade”.


Naturalmente, fiquei todo concho com a visita: não é qualquer cronista que recebe agrados dessa ordem. Satisfeito com a minha importância, pois até as borboletas me consideram, retomei o mau hábito de ler jornal tomando café. Então deparei com a notícia de que ia realizar-se no bairro do Grajaú uma vigília ecológica em defesa das borboletas ameaçadas de extinção. Compreendi: a visita não fora gratuita, vinha chamar-me atenção para o fato. Mesmo assim, continuei apreciando a delicadeza. O lepidóptero (permitam-me chamálo pelo seu nome livresco) era meu leitor, imaginem. [...]



O pessoal do Grajaú está certo. Vejo representado nas borboletas um interesse global da vida, que se tece de infindáveis articulações entre elementos da natureza, ligando a existência do homem a um quadro onde tudo tem sua função e, portanto, sua explicação. O fato de a borboleta encerrar beleza já seria bastante para justificá-la a nossos olhos. [...]


Como toda beleza, esta é contingente, e não adianta querer perenizá-la em forma estática, nos cruéis arranjos decorativos imaginados pelo homem visando a fins de lucro. Os objetos que  utilizam asas de borboleta são horrendos, por mais que se pretenda convencer aos turistas do contrário. Já a atividade prefixada da borboleta em proveito do equilíbrio ecológico, esta é uma noção fácil de transmitir aos meninos, na escola de primeiro grau, em vez de tolerar que eles se transformem em pequenos e, amanhã, grandes caçadores, por prazer ou negócio.


A vigília do Grajaú não tinha intenção de somente defender borboletas. Pensou também nas aves e vegetais de toda sorte, que, mesmo localizados no Parque Nacional da Tijuca, sofrem a ameaça geral contra a natureza, que é uma das características da vida de hoje. Mas a particularização em benefício das borboletas dá à gente a segurança de que a consciência ecológica vai-se acentuando e distribuindo entre nós de maneira confortadora. O tema pequeno alia-se ao grande. Por outra, não há temas pequenos, em se tratando do meio natural. Uma folha de erva rasteira resume o universo.


Meu Deus, fiz uma frase de efeito, e não sou sequer vereador com direito de fazê-las. A borboleta que me visitou não gostaria disso. Caso falasse nossa linguagem, diria coisas simples, graciosas, sem afetação. E aquela era tão simples, tão sem azuis, vermelhos e verdes para exibir. Certamente não lerá estas linhas e mais certamente ainda não existirá mais, à hora em que o jornal estiver circulando. Faz mal não. Ela deu o seu recado, eu dei o meu. Borboleta, rosa e jornal vivem horas curtas, mas renascem e documentam a permanência da vida. Outra frase? Bem, desculpem, e já vou eu, na próxima, borboleteando entre assuntos vários, neste ofício de juntar sílabas sobre o cotidiano, que é meu velho ofício. Amiga borboleta, obrigado pela visita. Volte, sem compromisso.


ANDRADE, C. D. A visita da borboleta. In: ANDRADE, C. D. O gato solteiro e outros bichos. Record, 2022, p. 189-192. Disponível em

Em “Ela deu o seu recado, eu dei o meu.”, os pronomes em destaque são: 
Alternativas
Q3649067 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


A visita da borboleta


Discorram meus colegas sobre assuntos graúdos, nacionais e internacionais, que hoje eu fico com as borboletas. Pela manhã, uma delas, de espécie comum, branca e pequena, entrou pela janela e veio tomar café comigo. Mais propriamente, visitar-me na hora do café. Não pousou na xícara nem nos biscoitos nem na margarina. Limitou-se a dar uns voleios em torno da mesa, e retirou-se, deixando a lembrança agradável de sua visita. Embora cordial, estava apressada. Todas as borboletas são apressadas por natureza. Vivem um momento breve e não podem perder tempo com um cronista fútil, se bem que parecesse dizer, com seus volteios: “Adoro a futilidade”.


Naturalmente, fiquei todo concho com a visita: não é qualquer cronista que recebe agrados dessa ordem. Satisfeito com a minha importância, pois até as borboletas me consideram, retomei o mau hábito de ler jornal tomando café. Então deparei com a notícia de que ia realizar-se no bairro do Grajaú uma vigília ecológica em defesa das borboletas ameaçadas de extinção. Compreendi: a visita não fora gratuita, vinha chamar-me atenção para o fato. Mesmo assim, continuei apreciando a delicadeza. O lepidóptero (permitam-me chamálo pelo seu nome livresco) era meu leitor, imaginem. [...]



O pessoal do Grajaú está certo. Vejo representado nas borboletas um interesse global da vida, que se tece de infindáveis articulações entre elementos da natureza, ligando a existência do homem a um quadro onde tudo tem sua função e, portanto, sua explicação. O fato de a borboleta encerrar beleza já seria bastante para justificá-la a nossos olhos. [...]


Como toda beleza, esta é contingente, e não adianta querer perenizá-la em forma estática, nos cruéis arranjos decorativos imaginados pelo homem visando a fins de lucro. Os objetos que  utilizam asas de borboleta são horrendos, por mais que se pretenda convencer aos turistas do contrário. Já a atividade prefixada da borboleta em proveito do equilíbrio ecológico, esta é uma noção fácil de transmitir aos meninos, na escola de primeiro grau, em vez de tolerar que eles se transformem em pequenos e, amanhã, grandes caçadores, por prazer ou negócio.


A vigília do Grajaú não tinha intenção de somente defender borboletas. Pensou também nas aves e vegetais de toda sorte, que, mesmo localizados no Parque Nacional da Tijuca, sofrem a ameaça geral contra a natureza, que é uma das características da vida de hoje. Mas a particularização em benefício das borboletas dá à gente a segurança de que a consciência ecológica vai-se acentuando e distribuindo entre nós de maneira confortadora. O tema pequeno alia-se ao grande. Por outra, não há temas pequenos, em se tratando do meio natural. Uma folha de erva rasteira resume o universo.


Meu Deus, fiz uma frase de efeito, e não sou sequer vereador com direito de fazê-las. A borboleta que me visitou não gostaria disso. Caso falasse nossa linguagem, diria coisas simples, graciosas, sem afetação. E aquela era tão simples, tão sem azuis, vermelhos e verdes para exibir. Certamente não lerá estas linhas e mais certamente ainda não existirá mais, à hora em que o jornal estiver circulando. Faz mal não. Ela deu o seu recado, eu dei o meu. Borboleta, rosa e jornal vivem horas curtas, mas renascem e documentam a permanência da vida. Outra frase? Bem, desculpem, e já vou eu, na próxima, borboleteando entre assuntos vários, neste ofício de juntar sílabas sobre o cotidiano, que é meu velho ofício. Amiga borboleta, obrigado pela visita. Volte, sem compromisso.


ANDRADE, C. D. A visita da borboleta. In: ANDRADE, C. D. O gato solteiro e outros bichos. Record, 2022, p. 189-192. Disponível em

Quanto à colocação pronominal nos trechos

I. “Mais propriamente, visitar-me na hora do café.”

II. “O tema pequeno alia-se ao grande.”

III. “A borboleta que me visitou não gostaria disso.”

IV. “O fato de a borboleta encerrar beleza já seria bastante para justificá-la a nossos olhos.”


é correto afirmar que:

Alternativas
Q3648770 Português
Texto para a questão.


Notas


    Soluços, lágrimas, casa armada, veludo preto nos portais, um homem que veio vestir o cadáver, outro que tomou a medida do caixão, caixão, essa1, tocheiros, convites, convidados que entravam, lentamente, a passo surdo, e apertavam a mão à família, alguns tristes, todos sérios e calados, padre e sacristão, rezas, aspersões d’água benta, o fechar do caixão a prego e martelo, seis pessoas que o tomam da essa2, e o levantam, e o descem a custo pela escada, não obstante os gritos, soluços e novas lágrimas da família, e vão até o coche fúnebre, e o colocam em cima e traspassam e apertam as corrêas, o rodar do coche, o rodar dos carros, um a um… Isto que parece um simples inventário, eram notas que eu havia tomado para um capítulo triste e vulgar que não escrevo.


ASSIS, M. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Disponível em: www.domíniopúblico.gov.br. Acesso em: 15.jul.2025. 
O texto literário requer do leitor procedimentos de leitura específicos para ser compreendido e interpretado. Assim sendo, a palavra “essa”, destacada no texto, indica
Alternativas
Q3648328 Português
Os sonhos brasileiros


          Quando eu era menina, as famílias ricas costumavam escolher um ano de maior prosperidade e programavam a sua viagem à Europa. Iam marido, mulher, filharada, amaseca, e avô em exercício, às vezes um tio mais jovem. Os invejosos — todo mundo — zombavam: será que tinham fretado o navio? Navio aliás invisível, pois que tomado no Rio (talvez também no Recife) onde havia porto para grandes transatlânticos. O período dedicado ao banho de civilização era em geral de seis meses. E o país de destino era, quase invariavelmente, Paris ou Portugal. Falo Paris como país, porque ninguém dizia que ia para a França. Mas somente a Cidade Luz. Portugal era escolhido pelos lusitanos bem-sucedidos. [...]

       Em Paris, os provisórios nômades se instalavam quase invariavelmente no Grand Hotel Du Louvre. (Ou diziam os língua-ruim, se instalavam mesmo era numa pensão barata na Banlieuse, onde nem tinha metrô). Para nós, brasileiros daquele tempo, metrô era o requinte, o selo da mais extrema civilização.

     Passados os seis meses de ricos, a família regressava, unida como saíra, e portando em profusão malas de porão e camarote novíssimas. Invariavelmente traziam um serviço de jantar em porcelana e até um serviço de cristal Baccarat, comprado na rue du Paradis. [...] E, depois daquela viagem oficial, a família passava o resto da vida curtindo as glórias da temporada. As moçoilas que já tinham aprendido o ABC do francês cá na terra, no colégio de freiras, voltavam cochichando segredinhos no idioma dos eleitos. Às vezes nascia por lá uma criança que, em memória do evento, fora registrada no Consulado Brasileiro, mas com nome francês. [...]

       Passaram-se os anos, o mundo mudou. Os Estados Unidos assumiram a liderança da moderna civilização. Acabaram-se, depois da Segunda Grande Guerra, os navios que faziam a linha Rio-Havre. Entramos na era dos jatos. E hoje também mudou o eixo turístico: de repente brasileiro descobria Miami ou Miami descobriu os brasileiros. Será o conforto da língua? Os iniciantes, pelo menos, acreditam que lá só se fala espanhol. E depois tem o Walt Disney e seus palácios feéricos. E principalmente tem as excursões — dizem os entendidos que é mais barato passar 15 dias em Miami do que em Maceió. É possível, nós ainda não organizamos o nosso turismo. Sinal de jovem pai com sucesso na profissão é levar os filhos pequenos para o Disneyworld. As mulheres fazem compras com frenesi. Os homens também se enchem de maquininhas — fax, telefone celular, micros!

      E ficamos nós, os invejosos, com o olho comprido em Miami, como outrora em Paris. Se não fosse o preço escandaloso do dólar! Mas é verdade que os pacotes turísticos são bem em conta. E tem até quem faça a módicas prestações! Ai (suspiro), a esperança é a última que morre…


QUEIROZ, R. Os sonhos brasileiros. Jornal O Dia,
Rio de Janeiro, 1992. Disponível em
<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/17950/ossonhos-brasileiros>.

Dentre as sentenças a seguir, aquela cujo elemento em destaque provoca a referenciação anafórica no texto é:
Alternativas
Q3648002 Português

Analise o quadro de pronomes pessoais abaixo.


q_13 rec.png (451×291)


Assinale a alternativa que contém a pessoa do discurso e o pronome correspondente que estão faltando no quadro acima.

Alternativas
Q3647665 Português
Analise as sentenças a seguir, considerando os pronomes oblíquos átonos entre parênteses, ao final de cada uma:

I. Não parece uma boa ideia? (lhe)
II. O aluno pediu ajuda para finalizar a tarefa. (me)
III. Ela contaria o que está passando se estivesse segura. (te)
IV. Inclinou na beira da janela. (se)
V. Ainda queria bem. (a)

Em conformidade com a norma-padrão da língua portuguesa, a sentença em que o pronome oblíquo átono deve ocorrer obrigatoriamente em ênclise é:
Alternativas
Q3647465 Português
Texto para a questão.


BIÓLOGO CRIA SACOLA QUE SE TRANSFORMA EM COMIDA PARA PEIXES

Kevin Kumala criou o produto após observar a imensa quantidade de acúmulo de lixo nos mares


    Um dos produtos que mais poluem os oceanos e os rios é o plástico, que se tornou uma grande dor de cabeça para os ambientalistas. Para diminuir o impacto negativo desse material no ecossistema, um biólogo da Indonésia desenvolveu uma sacola feita de mandioca, que, ao ser jogada no mar e nos rios, pode servir de alimento para os peixes.

    Kevin Kumala conta que criou o produto em viagem a Bali, ilha em que nasceu, após retornar dos Estados Unidos, e observar a imensa quantidade de acúmulo de lixo na região. Kumala possui uma empresa de canudos, sacolas e talheres, todos feitos com materiais biodegradáveis, que se desfazem em até 100 dias.

    A sacola foi um dos seus últimos produtos criados. O site da empresa Avani ressalta que, desde 2016, quando foi criada, evitou-se a fabricação de três toneladas de produtos não sustentáveis. “Nós buscamos continuamente nos tornar uma ponte para ajudar e para encorajar comunidades e negócios a produzirem iniciativas que gerem um impacto sustentável para o meio ambiente. Encorajando o uso do termo ‘responsável’ como um valor central dos três fatores-chave: reduzir, reutilizar, reciclar”, destaca a página da Avani na internet.

    Kumala assinala que suas sacolas são fortes, resistentes e têm a mesma elasticidade comparada às que são feitas de plástico. “Nossos sacos de mandioca de tamanho médio podem transportar até 8 libras (3,5 kg) de produtos secos”, explica, em uma postagem do Instagram da empresa.


Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2020/02/10/interna_ciencia_saude,827050/biologo-cria-sacola-que-setransforma-em-comida-para-peixes.shtml. Acesso em: 1º mar.2025.
“Kumala assinala que suas sacolas são fortes, resistentes e têm a mesma elasticidade comparada às que são feitas de plástico.”

O termo em destaque assume, no contexto discursivo em que se insere, função de
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