Questões de Concurso Sobre morfologia - pronomes em português

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Q3441395 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


 Como é por dentro outra pessoa?

-

Como é por dentro outra pessoa?

Quem é que o saberá sonhar?

A alma de outrem é outro universo Com que não há comunicação possível,

Com que não há verdadeiro entendimento.


-

Nada sabemos da alma

Senão da nossa;

As dos outros são olhares,

São gestos, são palavras,

Com a suposição

De qualquer semelhança no fundo.

No verso "Quem é que o saberá sonhar?", do poema de Fernando Pessoa, o pronome "Quem" está classificado como:
Alternativas
Q3440755 Português
“Me corrige”, pede o pronome


   Me parece cada vez mais claro que o pronome átono em início de frase, como o que acabo de cometer, será o último dos últimos tabus normativos a ser quebrado pelo inexorável abrasileiramento da língua que se entende e se pratica como nossa norma culta.

   É claro que me refiro à língua escrita. Sabe-se que, falando, a maior parte dos brasileiros iniciaria assim esta frase: “Se sabe que...”. Isso inclui pessoas de alta escolaridade e não exclui situações em que a comunicação prevê certa cerimônia.

   Já nos anos 1920, no poema “Pronominais”, Oswald de Andrade brincava com esse descompasso: “Dê-me um cigarro/ Diz a gramática/ Do professor e do aluno/ E do mulato sabido./ Mas o bom negro e o bom branco/ Da Nação Brasileira/ Dizem todos os dias/ Deixa disso camarada/ Me dá um cigarro”.

   O poeminha de Oswald é a mais famosa defesa literária do pronome átono como abre-alas, mas não a única. Desde o modernismo, que tinha entre suas bandeiras aproximar a língua dos livros da que se falava nas ruas, muitos escritores fazem questão de contrariar os sábios nesse quesito.

   Ao incorrer em suposto crime de lesa-gramática, têm como móvel a busca da coloquialidade e como defesa a liberdade autoral. No entanto, o que passa como natural em romances, crônicas leves e depoimentos desencanados na internet não é admitido de modo algum em textos mais formais. Cem anos depois, o tal crime insiste em não prescrever.

   (Saiba, caro leitor, que a abertura desta coluna – um pronome átono inaugurando não apenas a frase, mas o texto inteiro! – só pôde chegar até você porque o colunista brigou por ela, jogando na mesa a grave carta da metalinguagem. A regra de qualquer jornal digno desse nome é tratar o pronome átono em início de período como erro clamoroso, e ponto final.)

   No livro “Oficina de Texto”, um guia de redação sensatamente equilibrado entre tradição e modernidade, o linguista Carlos Alberto Faraco e o romancista Cristovão Tezza escrevem o seguinte: “Resta praticamente uma única regra universal na colocação de pronomes da língua-padrão escrita: jamais comece uma sentença com pronome átono”.

   Logo em seguida reconhecem que talvez esse não seja bem o único mandamento restante. Para poupar dor de cabeça com revisores e corretores de provas, dizem, vale a pena seguir também a regra “bastante duvidosa” das tais palavras atrativas, como “que”, “quando” e “não”, que sempre puxariam o pronome átono para junto de si: “Não se sabe”, “Quando me dei conta...” etc.

   No mais, Faraco e Tezza dão ao leitor a bússola de colocação pronominal que julgo definitiva: “Prefira a forma que soar melhor”. Se você é brasileiro e não se chama Michel Temer, isso exclui quase certamente a mesóclise (insiste e corrigir-te-ei), além de limitar a lusitana ênclise, isto é, o pronome átono que vem depois do verbo: “Dê-me isso”. Nossa inclinação é naturalmente proclítica.

   O gramático Manuel Said Ali (1861-1953) foi um pioneiro defensor da colocação de pronomes à moda da casa, contra o lusocentrismo dominante em sua época e ainda hoje presente na gramática normativa.

   Argumentava que “a pronúncia brasileira diversifica da lusitana; daí resulta que a colocação pronominal em nosso falar espontâneo não coincide perfeitamente com a do falar dos portugueses”.

   Tudo isso é lindo, mas convém ter sempre em mente o último tabu. Me faça o favor de contrariar sua fala e escrever “Faça-me o favor”, a menos que queira marcar uma posição. Se prepare, nesse caso, para as consequências.


(RODRIGUES, Sérgio. “Me corrige”, pede o pronome. Folha de S. Paulo, 2025. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues. Acesso em: maio de 2025. Adaptado.)
Releia esta passagem do 7º§: “Resta praticamente uma única regra universal na colocação de pronomes da língua-padrão escrita: jamais comece uma sentença com pronome átono.” Assinale o único enunciado que NÃO começou com pronome oblíquo átono.
Alternativas
Q3440750 Português
“Me corrige”, pede o pronome


   Me parece cada vez mais claro que o pronome átono em início de frase, como o que acabo de cometer, será o último dos últimos tabus normativos a ser quebrado pelo inexorável abrasileiramento da língua que se entende e se pratica como nossa norma culta.

   É claro que me refiro à língua escrita. Sabe-se que, falando, a maior parte dos brasileiros iniciaria assim esta frase: “Se sabe que...”. Isso inclui pessoas de alta escolaridade e não exclui situações em que a comunicação prevê certa cerimônia.

   Já nos anos 1920, no poema “Pronominais”, Oswald de Andrade brincava com esse descompasso: “Dê-me um cigarro/ Diz a gramática/ Do professor e do aluno/ E do mulato sabido./ Mas o bom negro e o bom branco/ Da Nação Brasileira/ Dizem todos os dias/ Deixa disso camarada/ Me dá um cigarro”.

   O poeminha de Oswald é a mais famosa defesa literária do pronome átono como abre-alas, mas não a única. Desde o modernismo, que tinha entre suas bandeiras aproximar a língua dos livros da que se falava nas ruas, muitos escritores fazem questão de contrariar os sábios nesse quesito.

   Ao incorrer em suposto crime de lesa-gramática, têm como móvel a busca da coloquialidade e como defesa a liberdade autoral. No entanto, o que passa como natural em romances, crônicas leves e depoimentos desencanados na internet não é admitido de modo algum em textos mais formais. Cem anos depois, o tal crime insiste em não prescrever.

   (Saiba, caro leitor, que a abertura desta coluna – um pronome átono inaugurando não apenas a frase, mas o texto inteiro! – só pôde chegar até você porque o colunista brigou por ela, jogando na mesa a grave carta da metalinguagem. A regra de qualquer jornal digno desse nome é tratar o pronome átono em início de período como erro clamoroso, e ponto final.)

   No livro “Oficina de Texto”, um guia de redação sensatamente equilibrado entre tradição e modernidade, o linguista Carlos Alberto Faraco e o romancista Cristovão Tezza escrevem o seguinte: “Resta praticamente uma única regra universal na colocação de pronomes da língua-padrão escrita: jamais comece uma sentença com pronome átono”.

   Logo em seguida reconhecem que talvez esse não seja bem o único mandamento restante. Para poupar dor de cabeça com revisores e corretores de provas, dizem, vale a pena seguir também a regra “bastante duvidosa” das tais palavras atrativas, como “que”, “quando” e “não”, que sempre puxariam o pronome átono para junto de si: “Não se sabe”, “Quando me dei conta...” etc.

   No mais, Faraco e Tezza dão ao leitor a bússola de colocação pronominal que julgo definitiva: “Prefira a forma que soar melhor”. Se você é brasileiro e não se chama Michel Temer, isso exclui quase certamente a mesóclise (insiste e corrigir-te-ei), além de limitar a lusitana ênclise, isto é, o pronome átono que vem depois do verbo: “Dê-me isso”. Nossa inclinação é naturalmente proclítica.

   O gramático Manuel Said Ali (1861-1953) foi um pioneiro defensor da colocação de pronomes à moda da casa, contra o lusocentrismo dominante em sua época e ainda hoje presente na gramática normativa.

   Argumentava que “a pronúncia brasileira diversifica da lusitana; daí resulta que a colocação pronominal em nosso falar espontâneo não coincide perfeitamente com a do falar dos portugueses”.

   Tudo isso é lindo, mas convém ter sempre em mente o último tabu. Me faça o favor de contrariar sua fala e escrever “Faça-me o favor”, a menos que queira marcar uma posição. Se prepare, nesse caso, para as consequências.


(RODRIGUES, Sérgio. “Me corrige”, pede o pronome. Folha de S. Paulo, 2025. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues. Acesso em: maio de 2025. Adaptado.)
Acerca das ideias veiculadas no texto, é INCORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3440637 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

O som que faz curva e chega só ao seu ouvido no meio da multidão

E se você ouvisse música ou um podcast sem fones de ouvido e sem incomodar ninguém ao seu redor? Ou ter uma conversa particular em público sem que outras pessoas o ouçam?

Uma pesquisa recém-publicada pelos pesquisadores Jiaxin Zhong e Yun Jing da Universidade Estadual da Pensilvânia apresenta uma maneira de criar enclaves de áudio — bolsões localizados de som isolados do resto do ambiente. Em outras palavras, eles desenvolveram uma tecnologia que cria som exatamente onde ele precisa estar.

A capacidade de enviar um som que se torna audível apenas em um local específico pode transformar o entretenimento, a comunicação e as experiências de áudio espacial.

Segundo os pesquisadores, eles descobriram uma nova maneira de enviar o som para um ouvinte específico por meio de feixes de ultrassom autoflexionados e um conceito chamado acústica não linear.

"Em nosso trabalho, usamos o ultrassom como um transportador de som audível. Ele transporta o som pelo espaço silenciosamente, tornando-se audível somente quando desejado", explica Jiaxin Zhong.

Normalmente, as ondas sonoras se combinam linearmente, o que significa que elas se somam proporcionalmente em uma onda maior. Entretanto, quando as ondas sonoras são suficientemente intensas, elas interagem de forma não linear, gerando novas frequências que não estavam presentes antes. 

Os enclaves de áudio permitem áudio personalizado em espaços públicos. Por exemplo, os museus forneceriam diferentes guias de áudio aos visitantes sem fones de ouvido, e as bibliotecas permitiriam que os alunos estudassem com aulas em áudio sem incomodar os outros.

Em um carro, os passageiros ouvirão música sem distrair o motorista de prestar atenção nas instruções de navegação. Escritórios e ambientes militares também podem se beneficiar de zonas de fala localizadas para conversas confidenciais.

Os enclaves de áudio também se adaptam para cancelar o ruído em áreas designadas, criando zonas de silêncio para melhoria de concentração em locais de trabalho ou reduzir a poluição sonora nas cidades.

Isso não é algo que estará nas prateleiras das lojas em um futuro imediato, pois ainda há desafios para essa tecnologia. A distorção não linear afeta a qualidade do som e a eficiência energética é outro problema, haja visto que a conversão de ultrassom em som audível requer campos de alta intensidade que consomem muita energia para serem gerados.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cly851exe5yo.adaptado.
E se você ouvisse "música ou um podcast" sem fones de ouvido e sem incomodar "pessoas ao seu redor"?

De acordo com as regras de colocação pronominal, as formas corretas dos pronomes oblíquos para substituir os termos destacados são:
Alternativas
Q3440393 Português
Festa Junina: a origem da celebração pagã que virou religiosa e 'caipira' no Brasil
(Edison Veiga)


Para um brasileiro, pode ser difícil entender como as estações do ano são capazes de influenciar o imaginário e a própria organização da sociedade. Mas em países de clima temperado ou frio, onde primavera, verão, outono e inverno são mais demarcados, é contagiante a alegria com que o verão é celebrado, depois de meses de dias curtos, temperaturas frequentemente negativas e poucas possibilidades de interação social.

1

É por isso que, desde os tempos mais antigos, as primeiras civilizações europeias já tinham festas específicas para celebrar tanto a chegada da primavera — a volta da vida desabrochando — quanto o solstício de verão — o ápice do sol, o dia mais longo do ano. E, segundo pesquisadores, são esses dois tipos de celebração, depois abraçados pelo catolicismo, que explicam a origem das festas juninas, que no Brasil acabariam sendo reinventadas com um sotaque próprio.           2


"As origens são mesmo as antigas festas pagãs das antigas civilizações, ligadas aos ciclos da natureza, às estações do ano. Sociedades antigas faziam grandes festividades, com durações longas, até de um mês, sobretudo nos períodos de plantio e de colheita", contextualiza o pesquisador de culturas populares Alberto Tsuyoshi Ikeda.

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Se nessa época do ano o que se via era a explosão da natureza, a vida social espelhava isso. "Os grupos humanos realizavam grandes comemorações dedicadas à própria natureza, muitas vezes rendendo homenagens aos antigos deuses relacionados à natureza, à vida animal, à vida vegetal de um modo geral. Eram festas comunitárias com muita alegria, muita alimentação e reunião de pessoas em grande número: foi o que deu origem às festas juninas que a gente conhece no Brasil e em outras partes do mundo."

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Ikeda lembra que as festas populares têm uma importância antropológica por serem "práticas gregárias que ciclicamente comemoram a própria constituição, a própria existência das comunidades enquanto coletividade, a reunião de grupos humanos que preservam uma história comum". (in: https://www.terra.com.br/, com adaptações)

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Analise as informações a seguir:

I- Em “Festa Junina: a origem da celebração pagã que virou religiosa e 'caipira' no Brasil” (título), o pronome “que” tem como referência “origem”.

II- Em “Mas em países de clima temperado ou frio, onde primavera, verão, outono e inverno são mais demarcados” (1º parágrafo), o pronome “onde” retoma “clima”.

III- Em “foi o que deu origem às festas juninas que a gente conhece no Brasil e em outras partes do mundo” (1º parágrafo), o pronome em destaque tem como referência “origem”.

Assinale a alternativa com o item ou com os itens com informação correta. 
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Q3440365 Português
Uma vida ao lado


       Fina, a parede. 
       E, além dela, a vida do vizinho. Irritante a princípio. Ruídos, pancadas, tosse, tudo interferindo, infiltrando-se. Depois, aos poucos, familiar.
      Sabia-lhe o banho, as refeições, as horas de repouso. A cada gesto, um som. E no som, recriado, o via mover-se em geometrias idênticas às suas. A sala, o quarto, o corredor.
      Cada vez mais ligava-se ao vizinho, absorvendo seus hábitos. Ouvia bater de louças e se apressava à cozinha, vinham vozes moduladas e ligava a televisão. À noite só conseguia dormir depois do baque dos sapatos do outro, o ranger da cama assinalando que se metera entre lençóis.
     Perdia-o, porém, quando saía porta afora. Passos, tinir de chaves, lá se ia o vizinho. Sem ele, vazios a sala e o quarto, a parede emudecia, separando silêncios.
      Voltava ao fim do dia, pontual. Passos, tinir de chaves. Ele então acendia a luz ao estalar do interruptor do outro, e juntos punham a casa em andamento.
    Tentava, às vezes, seguir-lhe as andanças. Espiava pelo olho mágico estudando a paciência com que esperava o elevador, postava-se à janela para ver que direção tomava, em que ônibus subia.
      E, justamente numa tarde em que espreitava, viu o outro atravessar em má hora a rua movimentada, hesitar, correr e ser atropelado por um furgão.
       Percebeu que precisava trabalhar rápido. Sem hesitar, arrancou as portas dos armários, as cortinas, pegou a caixa de ferramentas, e começou a serrar, lixar, bater, colar.
     Tudo estava pronto quando ouviu o caixão do outro chegar para o velório. Sobre a mesa da sala, na exata posição em que o do vizinho deveria estar, colocou seu próprio caixão. Depois abriu a porta de par em par e, vestido no terno azul-marinho, deitou-se cruzando as mãos sobre o peito.
      Ainda teve tempo de pensar que tinha esquecido de engraxar os sapatos. E já os primeiros visitantes começavam a chegar, entrando com a mesma tristeza nos dois apartamentos, para prantear defuntos tão iguais.



(COLASANTI, Marina. Contos de amor rasgado. Rio de Janeiro: Rocco. 1986.)
São considerados elementos de retomada textual, que contribuem para a coesão textual, os destacados a seguir, EXCETO: 
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Q3439720 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Pando, a árvore considerada um dos seres vivos mais antigos e pesados do mundo

Para o visitante desavisado, Pando nada mais é do que um belo bosque de uma espécie de álamo chamada álamo-trêmulo.

Mas há milhares de anos suas raízes guardam um segredo genético que o torna ainda mais interessante.

Localizado em uma área de quarenta e três hectares perto de Fish Lake, em Utah, nos Estados Unidos, Pando é considerado por cientistas como o maior e mais pesado organismo vivo do mundo.

O motivo? As quarenta e sete mil árvores que fazem parte dele estão conectadas por um sistema de raízes e são geneticamente idênticas.

"Todas estas árvores são, na verdade, uma só árvore", explicou o geógrafo Paul Rogers à BBC News Mundo, em 2018.

Para estudar a história evolutiva de Pando, a bióloga Rozenn Pineau e seus colegas, do Instituto de Tecnologia da Geórgia, em Atlanta, coletaram e sequenciaram mais de quinhentas amostras da árvore, assim como vários tipos de tecido, incluindo folhas, raízes e cascas.

O objetivo era extrair dados genéticos, procurando mutações somáticas, que são alterações no DNA que ocorrem nas células de um organismo após a concepção.

"No início, quando Pando germinou de uma semente, todas as suas células continham DNA essencialmente idêntico", explicou Pineau à revista científica New Scientist.

De acordo com o estudo, ao observar o marcador genético dessas mutações presentes em diferentes partes da árvore, os pesquisadores conseguiram reconstruir a história evolutiva de Pando e estimar sua idade.

Vale lembrar que os bosques de álamo se reproduzem de duas maneiras: uma delas é quando as árvores maduras deixam cair sementes que depois germinam; e a outra é quando elas liberam brotos de suas raízes, dos quais nascem novas árvores, chamadas de clones.

Pando não é o único bosque de clones, mas é o mais extenso. Como os especialistas o consideram um único organismo, ele tem o peso somado de todas as suas árvores, resultando em um ser vivo com peso estimado em treze milhões de toneladas.

Os pesquisadores fizeram três estimativas diferentes da idade da árvore, pois não tinham certeza se haviam deixado passar algumas mutações ou se algumas das mutações identificadas eram falsos positivos.

Supondo que os cientistas tenham identificado corretamente cada mutação na parte do genoma que sequenciaram, a primeira estimativa é que Pando tenha cerca de trinta e quatro mil anos.

Se os especialistas incluírem possíveis mutações somáticas não detectadas, a segunda estimativa — e a menos conservadora — sugere que a árvore tenha, aproximadamente, oitenta e um mil anos.

E se considerarmos que apenas seis por cento das mutações observadas pelos biólogos são de fato positivas, então Pando teria dezesseis mil anos.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/c33e6m7ygnjo.adaptado.
Como os especialistas "o consideram" um único organismo, ele tem o peso somado de todas as suas árvores.

A colocação pronominal destacada na frase denomina-se:
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Q3439358 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

Com a intenção de trabalhar alguns tópicos do conteúdo de Língua Portuguesa com seus estudantes do 5º Ano do Ensino Fundamental, a professora Electra selecionou o seguinte material:



De posse do material selecionado pela professora Electra, o professor Sófocles cogitou utilizá-lo para trabalhar com seus estudantes da 1ª Série do Ensino Médio a coesão anafórica por meio de pronome demonstrativo. Considerando a intenção de Sófocles, o material selecionado
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Q3439033 Português
Por uma revolução na saúde sem prescindir de nossos princípios



           A quarta revolução industrial inicia-se impulsionada pela inteligência artificial (IA), pela análise de dados em larga escala e pela automação avançada. Essa nova era vem redesenhando a forma como produzimos, nos comunicamos e, cada vez mais, como cuidamos da saúde. Diagnósticos mais rápidos e precisos, terapias personalizadas, otimização de processos hospitalares, e a previsão de surtos com antecedência. Uma promessa tentadora de eficiência, precisão e vidas salvas.
        Entretanto, diante das sempre deslumbrantes promessas tecnológicas, surge uma pergunta urgente e necessária: como garantir que essas ferramentas, tão poderosas quanto pouco transparentes, realmente apresentam a eficácia prometida? E mais: que funcionam com segurança, ética e equidade?
       Se em muitas áreas o objetivo das decisões é maximizar o lucro, na saúde, cada decisão carrega o peso da vida de um ser humano, com laços afetivos e papéis sociais. Por isso, a incorporação de tecnologias de IA precisa ser pautada, antes de qualquer entusiasmo, por princípios éticos e científicos.
         Apesar dos inúmeros lançamentos de soluções baseadas em IA na saúde, a imensa maioria entra no mercado com evidências frágeis: sem estudos comprovando sua eficácia ou segurança, ausência de revisões independentes, sem demonstrar cumprir critérios mínimos para determinarem decisões clínicas. Não é raro encontrar algoritmos treinados em bases de dados limitadas, que funcionam bem em ambientes controlados, mas falham quando expostos à complexidade do mundo real – especialmente quando lidam com diferentes populações e dimensões de valor.
       Se, em todo o mundo, agências reguladoras estabelecem que nenhum novo teste diagnóstico ou tratamento é aprovado sem estudos bem estruturados e revisados por pares, por que aceitaríamos menos de uma ferramenta de IA que influencia diagnósticos e decisões terapêuticas?
        É preciso exigir que a IA na saúde siga, ao menos, os mesmos princípios da medicina baseada em evidências: estudos metodologicamente robustos, amostras representativas, reprodutibilidade dos resultados e avaliações independentes. O fascínio pela inovação e rapidez de resultados não pode obscurecer nossa responsabilidade com bem-estar social.
        Essa exigência é ainda mais crucial, porque a IA generativa, ao contrário de uma tecnologia passiva, aprende, se atualiza, se transforma. Um algoritmo aprovado hoje pode apresentar comportamentos diferentes amanhã. Isso impõe a necessidade de evidências e monitoramento contínuo, avaliando não apenas a performance técnica, mas também garantindo a ética e a equidade na assistência aos pacientes ao longo do tempo.
        A promessa da IA na saúde não está completa sem um compromisso com a inclusão e acessibilidade. É crucial que seus avanços beneficiem a todos, independentemente da localização geográfica ou condição socioeconômica.
      A inteligência artificial tem potencial para revolucionar a saúde. Mas toda revolução que ignora a ética e a ciência, cedo ou tarde, cobra um preço alto. Se quisermos que essa revolução realmente floresça em benefício das pessoas e da sociedade, precisamos agir agora, com responsabilidade. É urgente prevenir para que a IA, tão cheia de promessas, não repita a velha tragédia das revoluções que, cegas pela pressa, acabam prescindindo de seus princípios.


(Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br. Acesso em: junho de 2025. Fragmento.)
“É crucial que seus avanços beneficiem a todos, independentemente da localização geográfica ou condição socioeconômica.” (8º§). Morfologicamente, as palavras destacadas são classificadas como:
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Q3437701 Português
Contador é achado morto pela família, com ferimentos no rosto e peito,
em casa de alto padrão em SP; Polícia investiga homicídio

        Um contador foi encontrado morto pela família, na manhã de quinta‑feira (16), na casa de alto padrão onde ele morava, na Zona Norte de São Paulo. Leandro Trusko Machado foi achado no corredor da residência, com ferimentos no rosto e no peito. A suspeita é de que ele tenha sido baleado. Aparentemente nenhum pertence da vítima foi levado.

        A Polícia Civil investiga o caso, que foi registrado como homicídio no 13º Distrito Policial (DP), Casa Verde. A investigação será feita pelo Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Até a última atualização desta reportagem nenhum suspeito pelo crime havia sido identificado ou preso. A arma do crime não foi encontrada, mas havia marca de disparo numa parede.

        Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), como os parentes de Leandro contaram à polícia, resolveram ir até o imóvel depois que o contador parou de responder as mensagens. Ele foi encontrado pela mãe e pelo irmão. Ambos tentaram fazer manobras de socorro para reanimá‑lo, mas quando o Corpo de Bombeiros chegou ao local constatou o óbito dele.

        A investigação irá buscar câmeras do imóvel e da vizinhança, que possam ter gravado a entrada e saída de algum suspeito do assassinato de Leandro. A residência dele fica na Rua Locarno, no bairro Jardim Leonor Mendes de Barro. Em princípio, o sistema de segurança da casa estaria desligado no momento do crime em razão da falta de energia na região.

       “Foi solicitada perícia ao local, bem como exames necroscópico, toxicológico, sexológico e de material genético. As investigações prosseguem para esclarecer os fatos”, informa trecho da nota divulgada pela pasta da Segurança, por meio de sua assessoria de imprensa.

        O celular da vítima foi apreendido para análise. O DHPP também ouvirá os depoimentos dos parentes e eventuais testemunhas.

        Vizinhos contaram aos policiais que viram ao menos dois homens suspeitos passando pelo local num carro Hyundai HB20. De acordo com eles, a dupla havia entrado num terreno vizinho à casa de Leandro e o veículo tinha se envolvido num acidente numa rua próxima.

        A reportagem não conseguiu localizar parentes de Leandro para comentar o assunto.

Internet:<www.g1.globo.com>  (com adaptações).

Com base no texto, julgue o item a seguir. 


Em “Ambos tentaram fazer manobras de socorro para reanimá‑lo, mas quando o Corpo de Bombeiros chegou ao local constatou o óbito dele.”, na forma “dele”, o pronome refere‑se ao corpo de bombeiros do qual se fala logo antes.

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Q3437663 Português
Chico Buarque de Holanda


        Entrei num restaurante com uma amiga e logo deparei com Carlinhos Oliveira, o que me deu alegria. Olhei depois entorno. E quem é que eu vejo? Chico Buarque de Holanda. Eu disse para Carlinhos: quando meus filhos souberem que eu o vi, vão me respeitar mais. Então Carlinhos, que se sentara na nossa mesa, gritou:
       Chico! Ele veio, fui apresentada. Para a minha surpresa, ele disse: e eu que estive lendo você ontem! Chico é lindo e é tímido, e é triste. Ah, como eu gostaria de dizer-lhe alguma coisa – o quê? – que diminuísse a sua tristeza.
      Contei a meus dois filhos com quem eu estivera. E eles, se não me respeitam mais, ficaram boquiabertos. Então eu tive uma ideia e não sei se ela irá adiante; se for, contarei a vocês. Era chamar Chico e Carlinhos para me visitar em casa. Eu os verei de novo, e sobretudo meus filhos os verão. Falei dessa ideia e um de meus filhos disse que não queria. Perguntei por quê. Respondeu: porque ele é uma personalidade. Eu lhe disse: mas você também é, aos sete anos de idade ouvia tudo de Beethoven que tínhamos e pedia mais, tanto gostava e sentia e entendia.
      Mas quero respeitar meu filho. Disse-lhe: se eu convidar Chico, se ele vier, você só aperta a mão dele e, se quiser, sai da sala.
   Também achei Carlinhos triste. Perguntei: porque estamos tão tristes? Respondeu: é assim mesmo.
      É assim mesmo.


(LISPECTOR, Clarice. Chico Buarque de Holanda. Publicada, originalmente, no Jornal do Brasil, de 04/02/1968. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/. Acesso em: maio de 2025. Adaptado.)


As classes de palavras, também chamadas de classes gramaticais, são categorias que agrupam as palavras da língua portuguesa de acordo com a função e o significado dentro de uma frase. Essas classes ajudam a organizar e entender a estrutura da linguagem, facilitando a compreensão e a comunicação. Diante do exposto, relacione adequadamente as palavras extraídas do texto às suas respectivas classes gramaticais. 

1. Verbo. 2. Adjetivo. 3. Pronome. 4. Preposição. 5. Interjeição. 6. Substantivo próprio. 7. Substantivo comum. 8. Substantivo abstrato.

( ) “Beethoven.” (4º§) ( ) “Restaurante.” (1º§) ( ) “Alegria.” (1º§) ( ) “Ah”. (2º§) ( ) “Tímido.” (2º§) ( ) “Ele.” (1º§) ( ) “Para.” (1º§) ( ) “Aperta.” (5º§)

A sequência está correta em
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Q3437655 Português
A borboleta amarela


        Era uma borboleta. Passou roçando em meus cabelos, e no primeiro instante pensei que fosse uma bruxa ou qualquer outro desses insetos que fazem vida urbana; mas, como olhasse, vi que era uma borboleta amarela.

        Era na esquina de Graça Aranha com Araújo Porto Alegre; ela borboleteava junto ao mármore negro do Grande Ponto; depois desceu, passando em face das vitrinas de conservas e uísques; eu vinha na mesma direção; logo estávamos defronte da A.B.I.. Entrou um instante no hall, entre duas colunas; seria uma jornalista? – pensei com certo tédio.

      Mas logo saiu. E subiu mais alto, acima das colunas, até o travertino encardido. Na rua México eu tive de esperar que o sinal abrisse: ela tocou, fagueira, para o outro lado, indiferente aos carros que passavam roncando sob suas leves asas. Fiquei a olhá-la. Tão amarela e tão contente da vida, de onde vinha, aonde iria? Fora trazida pelo vento das ilhas – ou descera no seu voo sassaricante e leve da floresta da Tijuca ou de algum morro – talvez o de São Bento. Onde estaria uma hora antes, qual sua idade? Nada sei de borboletas. Nascera, acaso, no jardim do Ministério da Educação? Não; o Burle Marx faz bons jardins, mas creio que ainda não os fez com borboletas – o que, aliás, é uma boa ideia. Quando eu o mandar fazer os jardins de meu palácio, direi: Burle, aqui sobre esses manacás, quero uma borboleta amare... Mas o sinal abriu e atravessei a rua correndo, pois já ia perdendo de vista a minha borboleta.

        A minha borboleta! Isso, que agora eu disse sem querer, era o que eu sentia naquele instante: a borboleta era minha – como se fosse meu cão ou minha amada de vestido amarelo que tivesse atravessado a rua na minha frente, e eu devesse segui- -la. Reparei que nenhum transeunte olhava a borboleta; eles passavam, devagar ou depressa, vendo vagamente outras coisas – as casas, os veículos ou se vendo –, só eu vira a borboleta, e a seguia, com meu passo fiel. Naquele ângulo há um jardinzinho, atrás da Biblioteca Nacional. Ela passou entre os ramos de uma acácia e de uma árvore sem folhas, talvez um “flamboyant”; havia, naquela hora, um casal de namorados pobres em um banco, e dois ou três sujeitos espalhados pelos outros bancos, dos quais uns são de pedra, outros de madeira, sendo que estes são pintados de azul e branco. Notei isso pela primeira vez, aliás, naquele instante, eu que sempre passo por ali; é que a minha borboleta amarela se tornava sensível às cores.

      Ela borboleteou um instante sobre o casal de namorados; depois passou quase junto da cabeça de um mulato magro, sem gravata, que descansava num banco; e seguiu em direção à Avenida. Amanhã eu conto mais.




(BRAGA, Rubem. A Borboleta Amarela. Rio de Janeiro: Editora Sabiá, 1963. p. 170-176. Adaptado.)
Nos trechos “Na rua México eu tive de esperar que o sinal abrisse: ela tocou, fagueira, para o outro lado, indiferente aos carros que passavam roncando sob suas leves asas. Fiquei a olhá-la.” (3º§) e “[…] a borboleta era minha – como se fosse meu cão ou minha amada de vestido amarelo que tivesse atravessado a rua na minha frente, e eu devesse segui-la.” (4º§), os termos em destaque se referem, respectivamente, a: 
Alternativas
Q3437489 Português
O preconceito linguístico disfarçado de elegância nas redes sociais


   É comum que figuras carismáticas e articuladas ganhem destaque ao abordar temas relacionados à língua portuguesa, conquistando milhões de seguidores nas redes sociais. Muitas vezes, essas personalidades são mencionadas em conversas com amigos e familiares, o que me coloca em uma posição desconfortável.

   Afinal, suas abordagens não me representam, e explicar, em poucas palavras, os motivos dessa incompatibilidade pode ser um desafio. Enxergo aqui, portanto, a oportunidade de detalhar as razões pelas quais esse tipo de discurso me causa certa inquietação.

   Sob o manto de uma oratória sofisticada, promovida como um “jeito chique de viver e se comunicar, aliado a um humor ácido e inteligente”, muitas vezes se esconde um discurso impregnado de preconceito linguístico.

   A elegância, quando usada para desqualificar o outro, não é uma virtude; ao contrário, torna-se um instrumento de exclusão. Utilizar o domínio da norma-padrão para menosprezar dialetos marginalizados reforça uma postura segregacionista e violenta.

   Há quem defenda que certos discursos sejam apenas personagens criados para entreter. Mesmo que fosse o caso, o problema permanece.

   Esse tipo de abordagem é abertamente antidemocrático e carrega uma série de preconceitos, refletindo uma caricatura do que há de mais nocivo na educação: arrogância e descompromisso acadêmico, que reforçam estereótipos excludentes.

   Oferecer dicas sobre o português padrão pode ser útil e contribuir para a disseminação do conhecimento da língua monitorada. O problema está na forma como esse conteúdo é apresentado.

   Muitas pessoas desconhecem a sociolinguística e, por isso, acreditam que sua forma de falar seja um “português ruim”. Não percebem as diferenças entre oralidade e escrita, entre formalidade e informalidade ou entre fala espontânea e língua monitorada.

   Para a maioria dos brasileiros, as noções de dialeto ou de variedade linguística não são percebidas como algo concreto. O que existe, como valor cultural profundamente arraigado, é a noção de “erro gramatical” e o estigma de algumas pronúncias regionais.

   A sociolinguística, campo que se consolidou nos anos 1960, estuda a língua em seu contexto social, considerando aspectos funcionais e interacionais.

   A variabilidade linguística é um fenômeno inerente a qualquer língua natural, em qualquer comunidade linguística. A sociolinguística vê essa variabilidade como evidência sincrônica de mudanças linguísticas em andamento ou como reflexo de fatores socioeconômicos que afetam a língua.

   Para o senso comum, no entanto, qualquer variedade que se afaste da morfossintaxe ou do léxico do português padrão é considerada “ruim” e “indesejável”, independentemente do contexto. Muitos veem a língua como um conjunto rígido de “regrinhas de português” e nada mais.

   No entanto, a língua é, antes de tudo, uma instituição social. Falamos português porque fomos colonizados por Portugal. Nos dois primeiros séculos, conviviam a língua tupinambá e o português das elites administrativas e do clero, num bilinguismo instável.

   Dando um salto histórico, foi apenas no final do século XX, em 1996, com a publicação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que a escola se universalizou e o perfil da população estudantil se diversificou.

   Como explica Stella Maris, PhD em Linguística, na obra “Nós cheguemu na escola, e agora?”, recomenda-se que a norma culta seja ensinada nas escolas, mas que, ao mesmo tempo, sejam preservados os conhecimentos sociolinguísticos e os valores culturais que os alunos trazem de seu ambiente social.

   Aprender a norma culta deve significar uma ampliação da competência linguística e comunicativa do aluno, capacitando-o a usar uma variedade ou outra, conforme a situação discursiva.

   Cada enunciado é um ato de identidade, que marca diversas dimensões sociais, como gênero, faixa etária, grupo religioso ou étnico. Considerar alguém inferior pela forma como fala tem nome: preconceito linguístico.

   Mas o mais curioso é: por que tanta gente se interessa por conteúdos que reforçam o preconceito linguístico?

   Paradoxalmente, grande parte do público que consome esse tipo de discurso pertence justamente às camadas sociais cujas formas de falar são mais criticadas. Parece haver um desejo de pertencimento, uma busca por validação através da adesão a padrões ditos “superiores”.

   A questão é que essa postura pedante simplesmente não serve para nós, professores. Como poderíamos ensinar menosprezando, desautorizando e humilhando nossos próprios alunos? Não somos contrários às regras, nem defensores de um “vale- -tudo” linguístico.

   Na verdade, apreciamos ensinar as normas do português padrão e promover uma boa escrita. No entanto, isso é muito diferente de diminuir alguém por sua forma de se expressar. 

   Quando se mistura vaidade com ensino, o resultado é sempre desastroso. Infelizmente, há quem ensine português desconsiderando décadas de estudos acadêmicos, ignorando a história e as desigualdades brasileiras.

   Entendo o fascínio que muitos sentem por quem domina as regras da norma culta. Mas usar esse conhecimento para segregar e reforçar diferenças de classe é, sem dúvida, um dos usos mais nocivos da língua. Humilhar outra pessoa por sua forma de falar, não apenas silencia uma voz, mas também perpetua um ciclo de opressão.


(O’HARA, Larissa. O preconceito linguístico disfarçado de elegância nas redes sociais. Folha Vitória, 2025. Disponível em: https://www.folhavitoria.com.br/educacao/. Acesso em: abril de 2025. Adaptado.)
Acerca das relações coesivas do texto, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3435845 Português
Indique a classificação do pronome destacado na oração: “Evita ser grosseiro em tuas palavras”:
Alternativas
Q3433388 Português

Texto CB1A1 


        Podemos atribuir a origem do dinheiro às transações que eram feitas há milhares de anos com cereais, gramas de prata, objetos de argila, conchas do mar ou grãos de cacau, até serem criadas as moedas metálicas cunhadas oficialmente pelos reis do antigo Iraque. Mas quando as cédulas de papel apareceram oficialmente?


        Durante muito tempo, a unidade monetária básica na China foram as moedas de cobre ou bronze com um orifício quadrado no centro, que permitia pendurá-las em um fio para formar uma corrente.


        No entanto, à medida que as viagens e o comércio se expandiam, também aumentava a demanda por moedas para realizar transações. Houve uma época em que o cobre se tornou escasso, e os governantes perceberam que era essencial manter o controle das divisas.


        Como não queriam que suas valiosas moedas escapassem para terras estrangeiras, eles estabeleceram uma regra: apenas moedas feitas de ferro poderiam ser usadas, só que as moedas de ferro eram tão pesadas que nem as mulas nem as carroças com bois resistiam a tanta carga quando era preciso fazer grandes transações. Imagine que, por um punhado de prata, dessem a você um saco gigante de moedas de ferro, do tamanho do corpo de uma pessoa.


        Teriam sido os comerciantes as pessoas que começaram a experimentar instrumentos financeiros de papel para evitar o transporte de grandes quantidades de moedas. Foi durante a dinastia Song, por volta do ano 1.000 da nossa era, na província chinesa de Sichuan, que o império emitiu oficialmente o primeiro papel-moeda do mundo, o jiaozi, feito a partir da casca da amoreira.


        Desde então, os comerciantes deixaram de usar suas próprias notas promissórias, e os governantes assumiram o controle do sistema, tornando o jiaozi uma nota oficial.


Internet: <www.bbc.com> (com adaptações).

No texto CB1A1, a forma pronominal “las” em “pendurá-las” (segundo parágrafo) retoma a expressão 
Alternativas
Q3429600 Português
O uso correto dos pronomes de tratamento exige atenção à concordância verbal e pronominal. Assinale a alternativa em que a concordância está adequada:
Alternativas
Q3429506 Português

Leia o Texto 4 para responder à questão.


Texto 4



Disponível em: <https://shre.ink/nfvn>. Acesso em: 06 jan. 2024.

No trecho “Como é bom receber um sorriso sincero, ou quando alguém desperta o seu riso”, o pronome “seu” tem como referente o
Alternativas
Q3428415 Português
Leia o Texto I e responda à questão.


Texto I


Dezembro Vermelho: entenda a origem da campanha

Ações de prevenção e alerta são realizadas durante todo o mês


Por Pedro Cardoso

Atualizado em 2 dez 2024, 20h16 - Publicado em 2 dez 2024, 16h53


    Você conhece o Dezembro Vermelho? Instituída na lei nº 13.504, em 2017, a campanha existe para alertar sobre a prevenção ao HIV/AIDS e outras infecções sexualmente transmissíveis. Algumas ações da campanha são: iluminação de prédios públicos com luzes de cor vermelha; promoção de palestras e atividades educativas; veiculação de campanhas de mídia e realização de eventos.


    Apesar do Dezembro Vermelho ter sido criado somente em 2017, ele deriva do Dia Mundial de Luta Contra a AIDS, que foi criado pelo Ministério da Saúde em 1988, seguindo orientação da Organização das Nações Unidas (ONU). O dia escolhido para a celebração anual foi o dia 1º de dezembro.

Fonte: CARDOSO, P. Dezembro vermelho: entenda a origem. Revista Veja, 2 dez. 2024. Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/dezembro-vermelho-entendaa-origem-da-campanha/. Acesso em: 10 dez 2024. Adaptado.
No fragmento: “Apesar do Dezembro Vermelho ter sido criado somente em 2017, ele deriva do Dia Mundial de Luta Contra a AIDS” (2º§), o termo “ele”:
Alternativas
Q3426847 Português

Leia o trecho a seguir do conto “Missa do Galo” para responder às questões.


Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos, contava eu dezessete, ela trinta. Era noite de Natal. Havendo ajustado com um vizinho irmos à missa do galo, preferi não dormir; combinei que eu iria acordá-lo à meia-noite.


A casa em que eu estava hospedado era a do escrivão Menezes, que fora casado, em primeiras núpcias, com uma de minhas primas. A segunda mulher, Conceição, e a mãe desta acolheram-me bem, quando vim de Mangaratiba para o Rio de Janeiro, meses antes, a estudar preparatórios. Vivia tranquilo, naquela casa assobradada da Rua do Senado, com os meus livros, poucas relações, alguns passeios. A família era pequena, o escrivão, a mulher, a sogra e duas escravas. Costumes velhos. Às dez da noite toda a gente estava nos quartos; às dez e meia a casa dormia. Nunca tinha ido ao teatro, e mais de uma vez, ouvindo dizer ao Menezes que ia ao teatro, pedi-lhe que me levasse consigo. Nessas ocasiões, a sogra fazia uma careta, e as escravas riam à socapa*; ele não respondia, vestia-se, saía e só tornava na manhã seguinte. Mais tarde é que eu soube que o teatro era um eufemismo em ação. Menezes trazia amores com uma senhora, separada do marido, e dormia fora de casa uma vez por semana. Conceição padecera, a princípio, com a existência da comborça*; mas, afinal, resignara-se, acostumara-se, e acabou achando que era muito direito.


Boa Conceição! Chamavam-lhe “a santa”, e fazia jus ao título, tão facilmente suportava os esquecimentos do marido. Em verdade, era um temperamento moderado, sem extremos, nem grandes lágrimas, nem grandes risos.


(Machado de Assis. Contos)


*À socapa: disfarçadamente

*Comborça: amante

As ideias contidas na passagem do 2o parágrafo “Nunca tinha ido ao teatro, e mais de uma vez, ouvindo dizer ao Menezes que ia ao teatro, pedi-lhe que me levasse consigo.”, se fossem enunciadas pelo escrivão Menezes, assumiriam a seguinte forma:
Alternativas
Q3426748 Português

Leia o Texto II e responda à questão.



Texto II



Disponível em: <https://www.instagram.com>. Acesso em: 27 out. 2024.

Considere o fragmento do segundo quadrinho: “E o que nós somos?” e analise as assertivas que seguem.

I- A forma “nós” corresponde à primeira pessoa do singular.
II- A forma “nós” corresponde à primeira pessoa do plural.
III- No contexto apresentado, a forma “nós” pode ser substituída pelo pronome de segunda pessoa, sem prejuízo gramatical.
IV- No contexto apresentado, a forma “nós” não pode ser substituída pelo pronome de segunda pessoa, mas pode ser substituída por um pronome de terceira pessoa sem prejuízo gramatical.

É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Respostas
1521: E
1522: D
1523: B
1524: D
1525: E
1526: B
1527: C
1528: D
1529: C
1530: E
1531: C
1532: D
1533: B
1534: C
1535: A
1536: A
1537: B
1538: D
1539: D
1540: B