Questões de Concurso Sobre morfologia - pronomes em português

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Q3483529 Português
Carnaval


          Incipiente alegria na tarde carnavalesca. Os sambas passam nos automóveis abertos. Um vento beija a avenida larga, trêmula nas serpentinas, rodopia nos confetes, caminha na voz das cantigas. As moças lindas, em fantasias de cores vivas e leves, vão com os cabelos alvoroçados pelo vento. Meu amigo comprou 200 gramas metálicas. Andou pelas ruas que se animavam. Encheu os bolsos de confetes. Foi andando...

        E na boca da noite vieram cordões, ranchos, blocos, bandos. A multidão encheu as ruas que a noite engoliu. Mas as luzes rebentaram de todos os lados e a garganta da massa se abriu em delírio. Meu amigo foi andando. Apertou-se entre homens excitados e mulheres que cantavam e riam. Entrou na confusão das raças irmanadas pelo prazer comum da carne. Alguém lhe jogou confetes na boca, lança-perfume nos olhos. Uma serpentina bateu em seu nariz. Um reco-reco gritou em seu ouvido. Foi andando. Um automóvel do corso quase o esmagou. Um bloco o arrastou pelo meio da massa, com força inelutável de uma corrente marinha. Uma mulher qualquer cantou à toa, para ele, uma frase de samba. Jogou um pouco de confetes no cabelo da mulher. Jogou-lhe éter no corpo. Ela defendeu-se e riu. Depois desapareceu, arrastada. Meu amigo foi andando. Tinha um cravo na lapela, um cravo que tirara da mesa do restaurante. Uma moça pediu a flor. Ele a encharcou de éter e fez presente. Foi andando. Automaticamente cantou sambas e marchas. Teve mil pequenas aventuras inconsequentes e rápidas. Um homem bêbado quis arrebatar o lança-perfume de sua mão. Foi andando. No meio de uma confusão, recebeu e distribuiu socos e empurrões sem saber de quem, para quem, por que, nem para quê. Meu amigo entrou no baile. Agarrou-se ao ombro de uma mulher e foi no cordão, dançando, cantando, suando. Repetiu três vezes com o mesmo par a marchinha do momento. Apaixonou-se de repente por uma fantasia, por um corpo, por uma risada. Bebeu.

        Meu amigo foi a outro baile. De madrugada, meu amigo saiu pela rua vazia, sem programa. Passavam os foliões cansados, as mulheres mais belas pela fadiga e pelo suor. Um homem grisalho carregava pelo braço uma adolescente que se queixava de dor nos pés.

          Meu amigo arranjou uma mulher: a mulher que sempre aparece. A mulher que não vimos na rua nem no baile e que aparece na mesa do bar ou do restaurante, no último instante. Esguichou seu último lança-perfume nos braços e nos seios da mulher. Jogou os últimos confetes em seu cabelo. Ela repetiu um samba mil vezes repetido. Foram.

        No caminho, meu amigo parou. No canto da calçada, um menino sujo e esfarrapado dormia. Dormia sobre um saco de estopa cheio de serpentinas que juntara para vender. Pararam. A mulher disse: coitadinho... Meu amigo olhou em silêncio o menino que dormia. Sentiu pena. Olhou a mulher. Balançou a bisnaga. Ainda havia um resto de éter. Jogou na perna da criança, que acordou assustada. A mulher disse: você é ruim! coitadinho... A criança ficou olhando estremunhada, resmungou um xingamento e tornou a dormir. Meu amigo jogou a bisnaga no asfalto. Sentia-se bêbado. Apertou a mulher contra seu corpo e mandou parar um automóvel que passava. No apartamento, antes de deitar-se, olhou-se no espelho do guarda-roupa. Fantasiado. Exausto. Beijou a mulher na boca como se beija uma noiva. E pensou desanimado: eu sou um folião. Evoé!


BRAGA, R. O Conde e o passarinho e Morro do Isolamento. 5ª Ed. Rio de Janeiro: Record, 1982.
Considere o excerto: “Apertou-se entre homens excitados e mulheres que cantavam e riam.” Nesse contexto, as palavras “se”, “entre”, “mulheres” e “que” classificam-se gramaticalmente e respectivamente como:
Alternativas
Q3482988 Português
Analise as afirmativas sobre pronomes de tratamento e assinale a alternativa correspondente.

I- Vossa Alteza (V. A.) é o pronome destinado a oficiais até coronel graduados e pessoas de cerimônia.
II- Vossa Eminência (V. Em.ª) é o pronome destinado a cardeais. 
III- Vossa Excelência (V. Ex.ª) é o pronome destinado a altas patentes militares, Presidente da República, pessoas de alta categoria, bispos e arcebispos.
IV- Vossa Reverendíssima (V. Rev.ma) é o pronome destinado aos sacerdotes.
V- Vossa Onipotência (não se usa abreviadamente) é o pronome destinado para reis e imperadores. 
Alternativas
Q3482987 Português
Considerando as normas de colocação pronominal, assinale a alternativa que contém a frase gramaticalmente correta. 
Alternativas
Q3480527 Português
Tijolos da Mesopotâmia revelam anomalia antiga no campo magnético da Terra

Cruzando dados do campo magnético do planeta com inscrições em blocos de argila, cientistas confirmaram a existência de um fenômeno ocorrido há 3 mil anos. O campo magnético da Terra não foi sempre o mesmo. O polo Norte e o polo Sul já trocaram de lugar algumas vezes ao longo das eras geológica. Além disso, sua intensidade aumenta e diminui com o tempo, à vezes de maneira desigual. Essas mudanças deixam cicatrizes químicas em certos minerais, que se tornam boas pistas para investigar o passado da magnetosfera. Átomos de ferro presentes, por exemplo, podem ter se alinhado ao campo em um certo ponto do passado, e então permanecido travados nessa posição – o que os torna uma janela para um instante exato da história do planeta. Uma pesquisa publicada recentemente no periódico especializado Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) investigou essas cicatrizes em minerais um tanto especiais: grãos de Óxido de ferro presentes em 32 tijolos fabricados na Mesopotâmia há mais de 3 mil anos. Como esses blocos de argila têm inscrições indicando o nome do déspota que governava o território na época de sua fabricação, torna-se possível cruzar o dado histórico com o químico, o que torna a datação extremamente precisa.

O estudo confirma a existência de um fenômeno chamado “anomalia geomagnética da Idade do Ferro no Levante”. Entre 1050 e 550 a.C., o campo magnético da Terra era estranhamente forte na região do Levante (os arredores de Iraque, Jordânia, Síria e Israel), por razıes ainda misteriosas. Evidências dessa anomalia já haviam sido detectadas em lugares distantes, mas dados vindos do próprio Oriente Médio eram escassos.

Arqueomagnetismo

Um mapeamento cada vez mais detalhado das mudanças no campo magnético da Terra com o passar das eras dá aos arqueólogos uma ferramenta cada vez melhor para datar artefatos antigos. “Muitas vezes dependemos de métodos de datação, como radiocarbono, para ter uma noção da cronologia na antiga Mesopotâmia. No entanto, alguns dos vestígios culturais mais comuns, como tijolos e cerâmicas, não podem ser facilmente datados porque não contêm material orgânico [ou seja, material com átomos de carbono]”, diz Mark Altaweel, coautor do artigo, em declaração â imprensa. “Este trabalho agora ajuda a criar uma importante base que permite que outros se beneficiem da datação absoluta usando o arqueomagnetismo.” Em sua fala, Altaweel se refere ao método de datação mais comum da arqueologia, em que os pesquisadores descobrem quando um objeto foi fabricado (ou, no caso de um ser vivo, quando ele viveu) pela taxa a que átomos de carbono radioativos presentes nessa coisa se desmancham em outros átomos, mais estáveis. Grosso modo, quanto mais antigo o item, menos carbono radioativo haverá nele. A equipe espera que a área de pesquisa incipiente do arqueomagnetismo – a busca por assinaturas do campo magnético da Terra em artefatos arqueológicos –, aumente a precisão com que conhecemos história desse escudo invisível que circunda o planeta (e, de quebra, que melhore nossa capacidade de datar o passado da nossa própria espécie).

Revista Superinteressante. Adaptado. (Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/tijolos-damesopotamia-revelam-anomalia-antiga-no-campomagnetico-da-terra) 
Considere o excerto: “Em sua fala, Altaweel se refere ao método de datação mais comum da arqueologia, em que os pesquisadores descobrem quando um objeto foi fabricado (ou, no caso de um ser vivo, quando ele viveu) pela taxa a que átomos de carbono radioativos presentes nessa coisa se desmancham em outros átomos, mais estáveis.” São pronomes pessoais as seguintes palavras que ocorrem no contexto dado: 
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Q3480381 Português
Paratethys, o maior lago que já existiu na Terra, ia da Suíça até o Irã

O avô dos atuais mares Negro e Cáspio foi lar de baleias com apenas 3 metros, e continha dez vezes mais água que todos os lagos da Terra atual somados.

Há 11,6 milhões de anos, no final de uma época chamada Mioceno, a Terra já era, em linhas gerais, um planeta muito parecido com o atual. Não existiam elefantes ou rinocerontes como você os conhece, mas já havia mamíferos claramente reconhecíveis como antepassados deles. Os continentes tampouco tinham os exatos contornos atuais. O Himalaia, os Alpes e os Andes estavam todos se formando. A Espanha estava conectada a Marrocos por um arquipélago. A Índia ainda estava se encaixando na Ásia. Mas você já encontraria o Brasil no mapa sem dificuldades.

Uma das diferenças fundamentais é que boa parte do Leste Europeu e da Ásia Central não existiam: uma região 10% maior que o atual Mar Mediterrâneo, compreendida entre atuais territórios da Suíça e do Irã, estava submersa no maior lago já encontrado no registro geológico, chamado Paratethys. Paratethys passou aproximadamente 5 milhões de anos – entre 11,6 milhões e 7 milhões de anos atrás – isolado dos outros corpos d’água da Terra. Isso permitiu a evolução de uma fauna aquática ˙nica e adequada às dimensões locais, que incluía algumas das menores baleias já encontradas por paleontólogos (como a Cetotherium riabinini, que tinha “só” 3 m de comprimento).

Quando Paratethys desapareceu, deixou dois descendentes famosos. O Mar Negro não chega a ser um lago: ele se conecta ao Mediterrâneo por uma finíssima faixa de água na Turquia, o Estreito de Bósforo. Já o Mar Cáspio não tem qualquer contato com outras massas de água salgada – e por isso, é considerado o maior lago do mundo atual.

A existência de Paratethys foi um tanto instável. Em períodos de seca exacerbada, o lago era tão raso que perdia cerca de um terço de seu volume em água e 70% de sua superfície. Os mares Negro e Cáspio atuais correspondem mais ou menos aos trechos mais fundos de Paratethys, que não desapareciam completamente em ocasiões como essa.

Paratethys começou a se formar há 34 milhões de anos, como um rabicho de uma massa de água maior chamada Tethys, que depois daria origem ao Oceano Índico. Daí o nome. O prefixo grego para- significa algo como “ao lado de” ou “próximo a”. Ou seja: o mar de Paratethys é, ao pé da letra, o mar próximo a Tethys.

Com as idas e vindas da deriva continental, montanhas recém-formadas no centro da Europa isolaram Paratethys dos demais mares e oceanos e formaram essa massa isolada, cuja salinidade era extrema em alguns trechos: algo entre 12% e 14%. Para fins de comparação, a salinidade média da água marinha é algo entre 3,5% e 5%. O Mar Morto alcança 35%.

No auge de sua extensão, um momento que durou de sua formação até 9,7 milhões de anos atrás, Paratethys conteve mais de dez vezes a quantidade de água de todos os lagos da Terra atual somados. Eram, ao todo, 1,77 milhão de quilômetros cúbicos de líquido. Em capítulos mais sofridos da existência do lago, porém, sua profundidade chegou a diminuir 250 metros. Esse grande mar interior cessou de existir quando se conectou ao mar Egeu, nos arredores da Grécia.

Revista Superinteressante. Adaptado. (Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/paratethyso-maior-lago-que-ja-existiu-na-terra-ia-da-suicaate-o-ira)
Considere o excerto: “Paratethys passou aproximadamente 5 milhões de anos – entre 11,6 milhões e 7 milhões de anos atrás – isolado dos outros corpos d’água da Terra. Isso permitiu a evolução de uma fauna aquática única e adequada às dimensões locais, que incluía algumas das menores baleias já encontradas por paleontólogos (como a Cetotherium riabinini, que tinha “só” 3m de comprimento).” No contexto apresentado, o pronome demonstrativo “isso” é empregado como um recurso de:
Alternativas
Q3480304 Português
Tijolos da Mesopotâmia revelam anomalia antiga no campo magnético da Terra

Cruzando dados do campo magnético do planeta com inscrições em blocos de argila, cientistas confirmaram a existência de um fenômeno ocorrido h· 3 mil anos.

O campo magnético da Terra não foi sempre o mesmo. O polo Norte e o polo Sul já trocaram de lugar algumas vezes ao longo das eras geológicas. Além disso, sua intensidade aumenta e diminui com o tempo, às vezes de maneira desigual. Essas mudanças deixam cicatrizes químicas em certos minerais, que se tornam boas pistas para investigar o passado da magnetosfera. Átomos de ferro presentes, por exemplo, podem ter se alinhado ao campo em um certo ponto do passado, e então permanecido travados nessa posição – o que os torna uma janela para um instante exato da história do planeta. Uma pesquisa publicada recentemente no periódico especializado Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) investigou essas cicatrizes em minerais um tanto especiais: grãos de Óxido de ferro presentes em 32 tijolos fabricados na Mesopotâmia há mais de 3 mil anos. Como esses blocos de argila têm inscrições indicando o nome do déspota que governava o território na época de sua fabricação, torna-se possível cruzar o dado histórico com o químico, o que torna a datação extremamente precisa.

O estudo confirma a existência de um fenômeno chamado “anomalia geomagnética da Idade do Ferro no Levante”. Entre 1050 e 550 a.C., o campo magnético da Terra era estranhamente forte na região do Levante (os arredores de Iraque, Jordânia, Síria e Israel), por razıes ainda misteriosas. Evidências dessa anomalia já haviam sido detectadas em lugares distantes, mas dados vindos do próprio Oriente Médio eram escassos.

Arqueomagnetismo

Um mapeamento cada vez mais detalhado das mudanças no campo magnético da Terra com o passar das eras dá aos arqueólogos uma ferramenta cada vez melhor para datar artefatos antigos. “Muitas vezes dependemos de métodos de datação, como radiocarbono, para ter uma noção da cronologia na antiga Mesopotâmia. No entanto, alguns dos vestígios culturais mais comuns, como tijolos e cerâmicas, não podem ser facilmente datados porque não contém material orgânico [ou seja, material com ·tomos de carbono]”, diz Mark Altaweel, coautor do artigo, em declaração â imprensa. “Este trabalho agora ajuda a criar uma importante base que permite que outros se beneficiem da datação absoluta usando o arqueomagnetismo.” Em sua fala, Altaweel se refere ao método de datação mais comum da arqueologia, em que os pesquisadores descobrem quando um objeto foi fabricado (ou, no caso de um ser vivo, quando ele viveu) pela taxa a que ·tomos de carbono radioativos presentes nessa coisa se desmancham em outros átomos, mais estáveis. Grosso modo, quanto mais antigo o item, menos carbono radioativo haverá nele. A equipe espera que a área de pesquisa incipiente do arqueomagnetismo – a busca por assinaturas do campo magnético da Terra em artefatos arqueológicos –, aumente a precisão com que conhecemos história desse escudo invisível que circunda o planeta (e, de quebra, que melhore nossa capacidade de datar o passado da nossa própria espécie).

Revista Superinteressante. Adaptado. (Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/tijolos-damesopotamia-revelam-anomalia-antiga-no-campomagnetico-da-terra)
Considere o excerto: “Este trabalho agora ajuda a criar uma importante base que permite que outros se beneficiem da datação absoluta usando o arqueomagnetismo.” Em relação â classe gramatical, no contexto em que ocorrem, as palavras “este”, “agora”, “outros” e “arqueomagnetismo” são, respectivamente: 
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Q3480302 Português
Tijolos da Mesopotâmia revelam anomalia antiga no campo magnético da Terra

Cruzando dados do campo magnético do planeta com inscrições em blocos de argila, cientistas confirmaram a existência de um fenômeno ocorrido h· 3 mil anos.

O campo magnético da Terra não foi sempre o mesmo. O polo Norte e o polo Sul já trocaram de lugar algumas vezes ao longo das eras geológicas. Além disso, sua intensidade aumenta e diminui com o tempo, às vezes de maneira desigual. Essas mudanças deixam cicatrizes químicas em certos minerais, que se tornam boas pistas para investigar o passado da magnetosfera. Átomos de ferro presentes, por exemplo, podem ter se alinhado ao campo em um certo ponto do passado, e então permanecido travados nessa posição – o que os torna uma janela para um instante exato da história do planeta. Uma pesquisa publicada recentemente no periódico especializado Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) investigou essas cicatrizes em minerais um tanto especiais: grãos de Óxido de ferro presentes em 32 tijolos fabricados na Mesopotâmia há mais de 3 mil anos. Como esses blocos de argila têm inscrições indicando o nome do déspota que governava o território na época de sua fabricação, torna-se possível cruzar o dado histórico com o químico, o que torna a datação extremamente precisa.

O estudo confirma a existência de um fenômeno chamado “anomalia geomagnética da Idade do Ferro no Levante”. Entre 1050 e 550 a.C., o campo magnético da Terra era estranhamente forte na região do Levante (os arredores de Iraque, Jordânia, Síria e Israel), por razıes ainda misteriosas. Evidências dessa anomalia já haviam sido detectadas em lugares distantes, mas dados vindos do próprio Oriente Médio eram escassos.

Arqueomagnetismo

Um mapeamento cada vez mais detalhado das mudanças no campo magnético da Terra com o passar das eras dá aos arqueólogos uma ferramenta cada vez melhor para datar artefatos antigos. “Muitas vezes dependemos de métodos de datação, como radiocarbono, para ter uma noção da cronologia na antiga Mesopotâmia. No entanto, alguns dos vestígios culturais mais comuns, como tijolos e cerâmicas, não podem ser facilmente datados porque não contém material orgânico [ou seja, material com ·tomos de carbono]”, diz Mark Altaweel, coautor do artigo, em declaração â imprensa. “Este trabalho agora ajuda a criar uma importante base que permite que outros se beneficiem da datação absoluta usando o arqueomagnetismo.” Em sua fala, Altaweel se refere ao método de datação mais comum da arqueologia, em que os pesquisadores descobrem quando um objeto foi fabricado (ou, no caso de um ser vivo, quando ele viveu) pela taxa a que ·tomos de carbono radioativos presentes nessa coisa se desmancham em outros átomos, mais estáveis. Grosso modo, quanto mais antigo o item, menos carbono radioativo haverá nele. A equipe espera que a área de pesquisa incipiente do arqueomagnetismo – a busca por assinaturas do campo magnético da Terra em artefatos arqueológicos –, aumente a precisão com que conhecemos história desse escudo invisível que circunda o planeta (e, de quebra, que melhore nossa capacidade de datar o passado da nossa própria espécie).

Revista Superinteressante. Adaptado. (Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/tijolos-damesopotamia-revelam-anomalia-antiga-no-campomagnetico-da-terra)
Considere o excerto: “Átomos de ferro presentes, por exemplo, podem ter se alinhado ao campo em um certo ponto do passado, e então permanecido travados nessa posição – o que os torna uma janela para um instante exato da história do planeta.” No contexto apresentado, o elemento que substitui e retoma a expressão “átomos de ferro presentes” é:
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Q3479968 Português
Leia o texto para responder a questão.

        Entre outros inocentes prazeres ocasionais, tenho o de disputar objetos arcaicos em leilões. Minha última aquisição, no Leilão de Colecionismo de Alberto Youle, foi um apito inglês, de bronze, com bolinha de cortiça, marca Acme Thunderer, do tipo usado no passado pelos juízes de futebol – com argola para a cordinha com que o penduravam ao pescoço. Suas Senhorias hoje usam vulgares apitos de plástico acoplados a uma espécie de dedal, talvez mais fácil de levar à boca, mas sem o mesmo charme.

        O Acme, inventado em 1870 pelo inglês Joseph Hudson, foi o pai de todos os apitos. Seu primeiro comprador foi a polícia de Londres, o que bastou para que ele ganhasse o mundo. Outros fabricantes entraram no mercado com apitos de material menos nobre e, talvez por isso, o Acme nunca tenha sido superado. O modelo Thunderer, criado em 1927, logo se tornou o favorito dos árbitros dos vários esportes.

        O Thunderer foi também uma arma dos Aliados na 2a Guerra, tanto que sua fábrica em Birmingham foi alvo de pesados bombardeios alemães – os nazistas precisavam destruí-la, para evitar que ele continuasse apitando o início das grandes invasões. É claro que não conseguiram, vide o papel do Thunderer no desembarque na Normandia. O Thunderer seguiu invicto no pós-Guerra, agora em sua maioria no pescoço dos juízes.

        Pelo estado, meu exemplar parece dos anos 50. Aposto que veio do futebol inglês porque, ao levá-lo à orelha, posso ouvir os ecos de seus trilos em gramados britânicos. Deve ter feito rolar a bola em incontáveis Arsenal x Manchester United, apitado faltas sobre o meia Billy Wright e anulado gols do craque Tommy Charlton. Se foi isso, que carreira!

        Meu apito já parece há muito aposentado. Mas vou ficar atento neste Carnaval. Um de seus netos pode estar na boca do mestre de bateria de uma escola de samba.

(Ruy Castro. https://www1.folha.uol.com.br/ colunas/ruycastro/2024/02/apito-de-bronze.shtml. 08.02.2024. Adaptado)
No trecho do 4º parágrafo – “Aposto que veio do futebol inglês porque, ao levá-lo à orelha, posso ouvir os ecos de seus trilos em gramados britânicos” –, a expressão destacada pode ser corretamente substituída por: 
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Q3479929 Português
Leia o texto para responder a questão.

Histórias de médico em formação

        Os plantonistas conhecem esta situação. No meio da noite, alguém bate insistentemente à porta: depressa, doutor, é um caso urgente. E aí é preciso saltar da cama e vestir-se precipitadamente e lavar o rosto com a esperança de que a água fria restaure a capacidade de raciocínio embotada pelo sono, e então sair e encontrar na maca um baleado, um esfaqueado, uma mulher que se retorce em dores, uma criança que mal respira. A urgência é mais que uma forma de atendimento, é um modo de viver estressante, frenético, onde a rotina mencionada nos livros jamais existe.

        É raro o médico que não tenha passado por um serviço de urgência. Quando eu era estudante de medicina, fazia-se, por meio de um concurso público, um estágio de dois anos. Fui designado para um posto na Grande Porto Alegre. Antes mesmo de entrar na escala de plantões, resolvi ir até lá para conhecer o lugar. Era uma casinha velha e acanhada, cheia de gente, que estava esperando desde a madrugada. Procurei o médico-chefe e perguntei quem estava de plantão. Tu, foi a pronta resposta, e este foi o meu batismo de fogo no serviço de urgência.

         Além dos pacientes que vinham ao local, era preciso responder a dezenas de chamados em domicílio. A ambulância era velha e quebrada, de modo que estávamos sempre atrasados, para grande angústia e irritação das pessoas que chamavam. Uma tarde, depois de atender a numerosos desses chamados, regressei ao posto, exausto. O funcionário me esperava na porta, alarmado: alguém tinha se afogado no rio, deveríamos ir lá imediatamente. Voltei para a ambulância e nos dirigimos para o local.

        Uma multidão se concentrava ali, em torno a um corpo na margem. Bastou-me um olhar para verificar que o homem estava morto há horas, quem sabe há dias. A ressuscitação ali era apenas pró-forma, mas eu procederia como tinham me ensinado: massagem cardíaca e respiração boca a boca. Junto ao grupo estava um cabo, acompanhado de um soldado. Eu disse ao militar que faria a massagem e pedi o seu auxílio para a respiração boca a boca. O homem olhou-me, horrorizado, mas teve presença de espírito: mandou o soldado fazer o que eu havia lhe pedido. O soldado não tinha em quem mandar, de modo que não lhe restava outro remédio senão obedecer. Perguntou somente se podia usar o lenço para evitar um contato direto. Eu disse que sim. Quem se oporia, além do morto?

        Fizemos a rápida encenação, depois partimos.

(Moacyr Scliar. Território da emoção. Companhia das Letras, 2013. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a expressão destacada pode ser substituída pelo que está entre colchetes, mantendo-se a norma-padrão de colocação pronominal.
Alternativas
Q3473777 Português
O texto seguinte servirá de base para responder a questão.


Corais danificados pelo aquecimento global são recuperados 


"Esta parte do mundo é muito especial", afirma a bióloga marinha Taryn Foster sobre o arquipélago dos Abrolhos no Oceano Índico, a 64 km a oeste do litoral da Austrália. 


"Não há palmeiras, nem vegetação exuberante", prossegue ela. "Mas, quando você entra na água, vê todas essas espécies de corais e peixes tropicais.


Os corais são animais conhecidos como pólipos, encontrados principalmente nas águas tropicais. Os pólipos têm corpos moles e formam uma casca externa dura, extraindo carbonato de cálcio do mar. Com o passar do tempo, essas cascas se acumulam, formando as bases dos recifes que observamos hoje em dia.


Os recifes de coral cobrem apenas 0,2% do leito do oceano, mas fornecem habitat para mais de um quarto das espécies marinhas do planeta. Essas criaturas são sensíveis ao calor e à acidificação. Por isso, nos últimos anos, com os oceanos ficando mais quentes e mais ácidos, os corais ficaram sujeitos a doenças mortais.


Os corais doentes ficam brancos. E Foster testemunhou em primeira mão o processo de branqueamento. Segundo a Rede Global de Monitoramento dos Recifes de Coral, um aumento de 1,5°C da temperatura da água causa perdas de 70% a 90% dos recifes do planeta. E alguns cientistas afirmam que, até 2070, todos os recifes terão desaparecido.


"As mudanças climáticas são a ameaça mais significativa para os recifes de coral em todo o mundo", alerta Cathie Page, do Instituto Australiano de Ciências Marinhas. "Graves eventos de branqueamento causados pelas mudanças climáticas têm efeitos muito negativos", prossegue ela, "e ainda não temos boas soluções." 


Os esforços de restauração dos corais costumam envolver o transplante de corais minúsculos, cultivados em viveiros, sobre os recifes danificados. Este trabalho é lento, de alto custo e apenas uma fração dos recifes ameaçados recebe ajuda. Mas é nas águas rasas do arquipélago dos Abrolhos no litoral da Austrália que Foster testa um sistema que, segundo ela, reviverá os recifes com mais rapidez.


O processo envolve o enxerto de fragmentos de coral em pequenos suportes, que são inseridos em uma base moldada maior. Estas bases são agrupadas em lotes e colocadas sobre o leito do oceano. Foster foi quem projetou a base, em forma de disco plano com ranhuras e uma alça, feita de concreto de rocha calcária.


"Queríamos que fosse algo que pudéssemos produzir em massa, a preço razoável", explica a bióloga. "E que fosse facilmente lançado por um mergulhador ou por um veículo de operação remota." Até o momento, os resultados foram animadores.


"Nós desenvolvemos diversos protótipos diferentes dos nossos esqueletos de coral", explica Foster. "E também testamos com quatro espécies diferentes. Todas elas crescem maravilhosamente." 

Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/ articles/c72j3n9x88zo.adaptado.


Nós desenvolvemos 'diversos' protótipos diferentes dos 'nossos' esqueletos de coral.

Os vocábulos destacados são classificados, respectivamente, como:
Alternativas
Q3471532 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Esquecer é uma função normal da memória



Esquecer-se de coisas no dia a dia pode ser um pouco irritante ou, à medida que envelhecemos, um pouco assustador. Mas é parte da função normal da memória, permitindo-nos seguir em frente ou abrir espaço para novas informações.

As nossas memórias não são, na verdade, tão confiáveis quanto pensamos. Mas que nível de esquecimento é normal? Analisemos as evidências.

Quando nos lembramos de algo, nossos cérebros precisam aprender a memória, mantê-la segura e recuperá-la quando necessário. E o esquecimento ocorre em qualquer parte desse processo.

Ao receber informação sensorial pela primeira vez, o cérebro não processa tudo. Assim, usamos nossa atenção para filtrar as informações importantes.

Isso significa que, quando codificamos nossas experiências, codificamos principalmente aquilo em que prestamos atenção.

Quando alguém se apresenta em um jantar enquanto prestamos atenção em outra coisa, não codificamos o nome. É uma falha de memória, mas é totalmente normal e bastante comum.

Hábitos e estrutura, como sempre colocar as chaves no mesmo lugar para que não tenhamos que codificar sua localização, ajudam-nos a contornar o problema.

Ensaiar também é importante para a memória. As memórias que mais duram são aquelas que ensaiamos e recontamos, embora, muitas vezes, adaptamo-las a cada releitura e, provavelmente, nos lembremos do último ensaio em vez do evento real em si.

Na década de 1880, o psicólogo alemão Hermann Ebbinghaus ensinou a um grupo de pessoas sílabas sem sentido, que elas nunca tinham ouvido antes, e analisou o quanto lembraram delas ao longo do tempo. Ele mostrou que, sem ensaio, a maior parte da nossa memória desaparece dentro de um ou dois dias.

No entanto, as pessoas que ensaiaram as sílabas, repetindo-as em intervalos regulares, puderam lembrar por mais de um dia o número de sílabas.

Mas essa necessidade de ensaio pode ser outra causa do esquecimento diário. Quando vamos ao supermercado, codificamos onde estacionamos o carro, mas quando entramos na loja, ocupamo-nos de outras coisas que precisamos lembrar, como nossa lista de compras. Como resultado, esquecemos a localização do carro.

Outra coisa que nos revela característica do esquecimento: podemos esquecer informações específicas, mas lembrar da essência. Quando saímos da loja e percebemos que não lembramos onde estacionamos o carro, provavelmente lembramos se era à esquerda ou à direita da porta da loja, no limite do estacionamento ou mais para o centro.

E, assim, em vez de ter que percorrer todo o estacionamento até encontrá-lo, fazemos a busca em uma área relativamente definida.

À medida que as pessoas envelhecem, elas se preocupam mais com a memória. É verdade que nosso esquecimento se torna mais pronunciado.

Quanto mais tempo vivemos, temos mais experiências e lembranças. Mas as experiências têm muito em comum, o que significa que pode se tornar complicado separar esses eventos em nossa memória.

Se você só passou férias na praia na Espanha uma vez, você se lembrará com grande clareza. Agora, se você já foi de férias para a Espanha muitas vezes, visitou diversas cidades em momentos diferentes, lembrar se algo aconteceu na primeira vez em Barcelona ou na segunda, ou se seu irmão estava nas férias em Maiorca ou Ibiza, torna-se mais desafiador.

A sobreposição de memórias, ou interferência, atrapalha a recuperação de informação. Imagine arquivar documentos no seu computador. Ao iniciar o processo, você tem um sistema claro, em que saberá onde encontrar cada documento que guardar.

Mas à medida que mais e mais documentos entram, fica difícil decidir a qual das pastas ele pertence. Você também começa a colocar muitos documentos em uma pasta porque todos eles estão relacionados a um mesmo item.

Isso significa que, com o tempo, torna-se difícil recuperar o documento certo quando precisar dele, seja porque você não consegue saber onde o colocou, ou porque sabe onde ele deve estar, mas há muitas outras coisas para pesquisar.

Mas não esquecer também pode ser perturbador. O transtorno de estresse pós-traumático é um exemplo de uma situação em que as pessoas não conseguem esquecer. A memória é persistente, não desaparece e, muitas vezes, interrompe a vida diária.

Há experiências semelhantes com memórias persistentes no luto ou em casos de depressão, condições que dificultam o esquecimento de informações negativas, quando esquecer seria extremamente útil.

Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/ articles/c72gx0x7zl1o.adaptado.
Isso significa que, quando codificamos nossas experiências, codificamos principalmente aquilo em que prestamos atenção.
Assinale a opção que contenha um pronome com função de sujeito:
Alternativas
Q3471444 Português
Conforme a NORMA CULTA da Língua Portuguesa, assinale a alternativa em que a colocação pronominal está correta. 
Alternativas
Q3468414 Português
De acordo com as formas de tratamento, qual das seguintes afirmativas é verdadeira sobre o pronome de tratamento "senhor" na comunicação com agentes públicos federais?
Alternativas
Q3468377 Português
Jogos Olímpicos e o respeito à natureza

        A primeira edição dos Jogos Olímpicos aconteceu há cerca de 2.800 anos. De acordo com historiadores e arqueólogos, ela ocorreu na cidade de Olímpia, na Grécia, de onde tem origem o nome Olimpíadas. os Jogos Olímpicos da Antiguidade se tornaram símbolo da paz e da união entre os povos porque, no período em que aconteciam as competições, todas as guerras e rivalidades entre nações eram suspensas de comum acordo. O francês Pierre de Coubertin, que sempre foi apaixonado por esportes, foi quem criou os Jogos Olímpicos da era moderna. Ele teve a ideia depois de saber das escavações arqueológicas que revelaram informações sobre os Jogos Olímpicos da Antiguidade. Então, criou o Comitê Olímpico Internacional e fez a primeira competição acontecer também em Olímpia, no ano de 1896.


        Em 2024, os Jogos Olímpicos e Paralímpicos aconteceram em Paris, a capital da França! Chamaram a atenção desde a escolha das mascotes. Em vez de um animal, como geralmente acontece, nesta edição, as mascotes tiveram a forma de um chapéu ou gorro, que tem o nome de barrete frígio e um significado forte na França. Sua história é antiga.
Na Roma Antiga, quando um gladiador escravizado ganhava uma luta, ele recebia um barrete frígio, que era o símbolo de sua libertação. Tempos depois, o gorro foi usado por manifestantes, durante a Revolução Francesa, que aconteceu no final do século 18. Seus participantes queriam o fim da monarquia e dos privilégios da nobreza, e tinham como lema “liberdade, igualdade e fraternidade”. Com essa escolha, a organização dos Jogos quis dar um recado ao mundo. Mas que recado é esse? Ele tem a ver com a tradição de paz que esse evento promove e traz um alerta sobre um futuro de proteção do nosso planeta.


        Os Jogos chamaram a atenção para a emergência climática que a Terra vive. Se nós, humanos, não conseguirmos reduzir as emissões de gases poluentes na atmosfera e frear outras ações que prejudicam a natureza e o meio ambiente, viveremos situações cada vez mais difíceis. Além disso, mostraram como é possível que grandes eventos aconteçam com menor impacto para a natureza. Por isso, planejaram ser a edição mais sustentável de todos os tempos, investindo na instalação de painéis de energia solar e na criação de mais espaços para bicicletas. Até o cardápio incluiu menos carne e mais opções de comidas vegetarianas. E muitas das instalações que abrigaram os atletas já existiam e foram readaptadas para esse fim. Outras foram construídas como temporárias ou com uso reduzido de cimento e madeira, e alimentadas com energia solar e têm espaços verdes.

(Texto adaptado especialmente para essa prova. Revista CHC - Julho 2024 - edição 356 – acesso em 31 de julho de 2024.)
O termo sublinhado é um pronome na frase: 
Alternativas
Q3467019 Português

Leia o texto para responder a questão.



O bacana



        A rua ainda era a mesma. As mesmas casas. As mesmas árvores, só mais troncudas. Até o armazém do Espanhol (assim chamado por razões misteriosas, pois o dono sempre fora português) continuava lá. Ele desceu do carro e começou a caminhar pela calçada esburacada. Parou em frente à casa que tinha sido a dele. Era a maior da rua. Puxa. Sentiu um aperto na garganta. Quanta lembrança! O muro com as marcas da bola.



        Lembrou-se, então, com uma intensidade que quase o sufocou, do time. O Valores da Zona. Que tempo bom. Nunca mais fora tão feliz. A ideia do time tinha sido dele. Ele é que tinha bola. Ele é que contribuíra com a maior parcela, tirada de sua mesada, para a compra das camisetas. Lembrava ainda a formação do ataque: Venancinho, Alemão, ele, Mangola e Tobias da dona Ester, para diferenciar do Tobias da dona Inácia, que era beque.



        O Venancinho morava numa casa de madeira em frente à dele. Será que... Atravessou a rua e bateu na porta. Apareceu uma menina dos seus oito anos.



        — Quié.



        — O Venancinho ainda mora aqui?



        — Quem? — Venâncio. Venâncio, ahn...



        Tentou se lembrar do sobrenome. Inútil. Só se lembrava de Venancinho. Vulgo Bicudo.



        — Peraí — disse a menina, e fechou a porta.



        Nunca mais, desde aquele tempo, tivera tantos amigos. O grito de guerra do time era “Valores da Zona — Unidos! Unidos! Unidos!”. E eram unidos. Com eles provara o primeiro cigarro. Comprara as primeiras revistas de sacanagem. Lembrava das reuniões no galpão atrás da casa do Chico Babão. Os concursos de... Apareceu uma senhora.



        — Quer falar com quem?



        — O Venâncio ainda mora aqui?



        — Mora.



        — Ele está?



        — Está aposentado — disse a mulher, como se dissesse “só pode estar em casa”. E apontou para o próprio peito — Pulmão.



        — Será que eu posso falar com ele?



        — Qual é sua graça?



        Ele disse. Explicou quem era. A mulher tornou a fechar a porta. Ele ouviu a mulher gritando para alguém. Seu nome e sua descrição. E ouviu a voz de um homem exclamando:



        — Ih. É o Bacana...



        Não sabia que aquele era o seu apelido. Compreendeu tudo. Era como o chamavam pelas costas. Só porque sua casa era maior e ele tinha mesada. Segundos antes de se virar e voltar para o carro, teve um pensamento definitivo.



        — Só me deixavam jogar de centroavante porque a bola era minha…



VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

A palavra “aquele”, que ocorre no excerto apresentado, é classificada gramaticalmente como:
Alternativas
Q3467018 Português

Leia o texto para responder a questão.



O bacana



        A rua ainda era a mesma. As mesmas casas. As mesmas árvores, só mais troncudas. Até o armazém do Espanhol (assim chamado por razões misteriosas, pois o dono sempre fora português) continuava lá. Ele desceu do carro e começou a caminhar pela calçada esburacada. Parou em frente à casa que tinha sido a dele. Era a maior da rua. Puxa. Sentiu um aperto na garganta. Quanta lembrança! O muro com as marcas da bola.



        Lembrou-se, então, com uma intensidade que quase o sufocou, do time. O Valores da Zona. Que tempo bom. Nunca mais fora tão feliz. A ideia do time tinha sido dele. Ele é que tinha bola. Ele é que contribuíra com a maior parcela, tirada de sua mesada, para a compra das camisetas. Lembrava ainda a formação do ataque: Venancinho, Alemão, ele, Mangola e Tobias da dona Ester, para diferenciar do Tobias da dona Inácia, que era beque.



        O Venancinho morava numa casa de madeira em frente à dele. Será que... Atravessou a rua e bateu na porta. Apareceu uma menina dos seus oito anos.



        — Quié.



        — O Venancinho ainda mora aqui?



        — Quem? — Venâncio. Venâncio, ahn...



        Tentou se lembrar do sobrenome. Inútil. Só se lembrava de Venancinho. Vulgo Bicudo.



        — Peraí — disse a menina, e fechou a porta.



        Nunca mais, desde aquele tempo, tivera tantos amigos. O grito de guerra do time era “Valores da Zona — Unidos! Unidos! Unidos!”. E eram unidos. Com eles provara o primeiro cigarro. Comprara as primeiras revistas de sacanagem. Lembrava das reuniões no galpão atrás da casa do Chico Babão. Os concursos de... Apareceu uma senhora.



        — Quer falar com quem?



        — O Venâncio ainda mora aqui?



        — Mora.



        — Ele está?



        — Está aposentado — disse a mulher, como se dissesse “só pode estar em casa”. E apontou para o próprio peito — Pulmão.



        — Será que eu posso falar com ele?



        — Qual é sua graça?



        Ele disse. Explicou quem era. A mulher tornou a fechar a porta. Ele ouviu a mulher gritando para alguém. Seu nome e sua descrição. E ouviu a voz de um homem exclamando:



        — Ih. É o Bacana...



        Não sabia que aquele era o seu apelido. Compreendeu tudo. Era como o chamavam pelas costas. Só porque sua casa era maior e ele tinha mesada. Segundos antes de se virar e voltar para o carro, teve um pensamento definitivo.



        — Só me deixavam jogar de centroavante porque a bola era minha…



VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

Considere o excerto a seguir para responder a questão:

Não sabia que aquele era o seu apelido.

O pronome “seu”, empregado no excerto apresentado, remete:
Alternativas
Q3466884 Português

Leia o texto para responder a questão.



O bacana



        A rua ainda era a mesma. As mesmas casas. As mesmas árvores, só mais troncudas. Até o armazém do Espanhol (assim chamado por razões misteriosas, pois o dono sempre fora português) continuava lá. Ele desceu do carro e começou a caminhar pela calçada esburacada. Parou em frente à casa que tinha sido a dele. Era a maior da rua. Puxa. Sentiu um aperto na garganta. Quanta lembrança! O muro com as marcas da bola.



        Lembrou-se, então, com uma intensidade que quase o sufocou, do time. O Valores da Zona. Que tempo bom. Nunca mais fora tão feliz. A ideia do time tinha sido dele. Ele é que tinha bola. Ele é que contribuíra com a maior parcela, tirada de sua mesada, para a compra das camisetas. Lembrava ainda a formação do ataque: Venancinho, Alemão, ele, Mangola e Tobias da dona Ester, para diferenciar do Tobias da dona Inácia, que era beque.



        O Venancinho morava numa casa de madeira em frente à dele. Será que... Atravessou a rua e bateu na porta. Apareceu uma menina dos seus oito anos.



        — Quié.



        — O Venancinho ainda mora aqui?



        — Quem? — Venâncio. Venâncio, ahn...



        Tentou se lembrar do sobrenome. Inútil. Só se lembrava de Venancinho. Vulgo Bicudo.



        — Peraí — disse a menina, e fechou a porta.



        Nunca mais, desde aquele tempo, tivera tantos amigos. O grito de guerra do time era “Valores da Zona — Unidos! Unidos! Unidos!”. E eram unidos. Com eles provara o primeiro cigarro. Comprara as primeiras revistas de sacanagem. Lembrava das reuniões no galpão atrás da casa do Chico Babão. Os concursos de... Apareceu uma senhora.



        — Quer falar com quem?



        — O Venâncio ainda mora aqui?



        — Mora.



        — Ele está?



        — Está aposentado — disse a mulher, como se dissesse “só pode estar em casa”. E apontou para o próprio peito — Pulmão.



        — Será que eu posso falar com ele?



        — Qual é sua graça?



        Ele disse. Explicou quem era. A mulher tornou a fechar a porta. Ele ouviu a mulher gritando para alguém. Seu nome e sua descrição. E ouviu a voz de um homem exclamando:



        — Ih. É o Bacana...



        Não sabia que aquele era o seu apelido. Compreendeu tudo. Era como o chamavam pelas costas. Só porque sua casa era maior e ele tinha mesada. Segundos antes de se virar e voltar para o carro, teve um pensamento definitivo.



        — Só me deixavam jogar de centroavante porque a bola era minha…



VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

Considere o excerto a seguir para responder a questão:

Não sabia que aquele era o seu apelido.

A palavra “aquele”, que ocorre no excerto apresentado, é classificada gramaticalmente como:
Alternativas
Q3466241 Português

Medo da eternidade 


Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.


Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.


Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:


– Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se acaba. Dura a vida inteira.


– Como não acaba? – Parei um instante na rua, perplexa.


– Não acaba nunca, e pronto.


Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta. Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.


– E agora que é que eu faço? – Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.


– Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.


Perder a eternidade? Nunca.


O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.


– Acabou-se o docinho.E agora?


– Agora mastigue para sempre.


Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito.


Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar.


Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.


– Olha só o que me aconteceu! – Disse eu em fingidos espanto e tristeza. – Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!


– Já lhe disse – repetiu minha irmã – que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.


Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra na boca por acaso.


Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.


(LISPECTOR, Clarice – In: SANTOS, J. F. As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.)

As palavras destacadas referem-se às que estão indicadas. Isso NÃO acontece em:
Alternativas
Q3465588 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Comparando as mutações genéticas dessas populações, os pesquisadores concluíram que a especialização em humanos ocorreu por volta de cinco mil anos atrás. Nessa época, terminava o "período úmido africano": por conta de mudanças cíclicas na órbita da Terra, o norte da África tem períodos alternados de umidade (caracterizado por alguma presença de lagos e florestas) e completamente desérticos. Estamos na fase mais seca, e conhecemos a região hoje como deserto do Saara.

Com a mudança de clima, as populações de mosquitos que viviam ali não encontravam mais animais para se alimentar e água para botar ovos. Daí se aproximaram das civilizações humanas, como as que viviam no rio Nilo. Não à toa, o nome Aedes aegypti faz referência ao Egito.

Por meio de registros históricos, sabemos que o espalhamento do mosquito pelo mundo só ocorreu no século 17 − em especial, com o tráfico de escravizados partindo da África para as Américas. O A. aegypti picava a tripulação e colocava os ovos nos barris de água dos navios.

A América do Sul e a Central proporcionaram o ambiente perfeito para o mosquito. A temperatura ideal para o desenvolvimento do Aedes aegypti é de 22ºC a 32ºC (4). Some isso à abundância de chuvas, e dá para dizer que os bichinhos encontraram um continente para chamar de seu.


(Super Interessante, março 2024)
"O A. aegypti picava a tripulação e colocava os ovos nos barris de água dos navios.". A substituição dos termos "a tripulação" e "os ovos" por pronomes oblíquos está correta em:
Alternativas
Q3458872 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão. 



Vírus é capaz de gerar eletricidade



Micróbio foi desenvolvido em laboratório - e talvez possa servir como bateria biológica um dia. 


Ele se chama M13, foi criado por cientistas da Universidade da Califórnia (Berkeley), e tem uma habilidade inédita (1): se exposto ao calor, começa a produzir uma corrente elétrica.

Esse fenômeno, que se chama piroeletricidade (e só havia sido detectado em minerais), acontece porque a parte externa do vírus foi revestida por uma proteína eletricamente carregada: metade dela tem carga positiva, e a outra metade tem carga negativa.

O calor perturba as moléculas dessa proteína, fazendo com que elas se desmanchem − e esse movimento altera as posições dos polos negativo e positivo, gerando uma "diferença de potencial elétrico", ou seja, voltagem.

Os cientistas acreditam que o M13 poderá ser usado, no futuro, como uma espécie de bateria biológica para alimentar pequenos dispositivos eletrônicos − como o vírus é capaz de se autorreplicar, ele "recarregaria" essa bateria sozinho.


(Bruno Garattoni.12 de dezembro de 2023/https:super.abril.uol.com.br.)

Marque a alternativa em que há pronome demonstrativo:
Alternativas
Respostas
2121: E
2122: C
2123: D
2124: B
2125: C
2126: A
2127: A
2128: A
2129: B
2130: D
2131: E
2132: C
2133: A
2134: A
2135: C
2136: D
2137: C
2138: A
2139: B
2140: C