Questões de Concurso Comentadas sobre morfologia - pronomes em português

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Q3962121 Português
No que se diz respeito à colocação pronominal, sinalize a alternativa incorreta. 
Alternativas
Q3962005 Português
Assinale a alternativa cuja palavra destacada se refere a algo mencionado posteriormente no mesmo enunciado: 
Alternativas
Q3961789 Português

Texto 1A1

 

Nestes 500 anos de história, quais são as figuras que personificam o nosso país, que sintetizam, por suas qualidades e seus defeitos, suas grandezas e suas misérias, a trajetória do Brasil? Nomes não nos faltam: Tiradentes, o Aleijadinho, Pelé, Chiquinha Gonzaga, Lampião, Antônio Conselheiro, Oswaldo Cruz, Villa Lobos, Gilberto Freyre, Monteiro Lobato, Getúlio Vargas, Henfil… A vida de cada um deles contém, em miniatura, aqueles traços que, no dizer do antropólogo Roberto da Matta, fazem do Brasil o Brasil: o talento, a astúcia, a violência, a ternura, o humor, a imaginação, a vocação trágica. Mas eu, particularmente, quando penso em Brasil, penso numa outra pessoa. Uma mulher de quem nem sei o nome e que vi uma única vez.

Eu era responsável pelo posto de saúde da prefeitura na Lomba do Pinheiro numa época em que aquela era uma região isolada da cidade, de difícil acesso. Uma tarde, eu já estava saindo, quando de repente me surge essa mulher, moça ainda, mas de face devastada pela miséria, pelo sofrimento. Trazia nos braços o filho, para consultar. E, para trazer este filho, ela tinha caminhado doze quilômetros. Doze quilômetros com uma criança nos braços.

O que faz do Brasil o Brasil? Pernas como as daquela mulher, pernas que caminham incansáveis. Braços como os daquela mulher, que seguram, sem se fatigar, um filho, dois filhos, muitos filhos. O que faz do Brasil o Brasil é a coragem, a determinação, a resignação. Cada vez que alguém (em geral uma pessoa de classe média, a quem nada falta) me diz que o Brasil não tem jeito, que o Brasil é uma esculhambação, eu penso naquela mulher. E penso nela com profundo respeito. O que ela carrega nos braços é, ao fim e ao cabo, o Brasil. E vem fazendo isso há 500 anos.

 

Moacyr Scliar. A imagem viva do Brasil. In: Zero Hora, 16 de abril de 2000. Internet: <www.moacyrscliar.com> (com adaptações).

Julgue os seguintes itens, a respeito de aspectos linguísticos do texto 1A1.
I No trecho “Eu era responsável pelo posto de saúde” (primeiro período do segundo parágrafo), o termo “de saúde” exerce a função sintática de complemento nominal do termo “posto”.
II Na oração “a quem nada falta” (quinto período do terceiro parágrafo), o segmento “a quem” exerce a função sintática de complemento verbal indireto e retoma, por coesão, “uma pessoa de classe média”.
III No trecho “quando de repente me surge essa mulher” (segundo período do segundo parágrafo), a forma pronominal “me” exerce a função sintática de complemento verbal direto.
Assinale a opção correta. 
Alternativas
Q3961766 Português
Analise a frase abaixo:
Jordana foi à festa. Em seguida, ela ligou para mim, pois tinha esquecido o seu casaco em casa.
Assinale a alternativa que indica corretamente os pronomes pessoais utilizados na frase.
Alternativas
Q3961694 Português
Já viu robô que dá chilique? E robô que joga xadrez? Pois bem-vindo ao futuro

Máquinas inteligentes já fazem parte do nosso cotidiano, mas às vezes as coisas dão muito errado

A essa altura, você já percebeu que os robôs já vivem entre nós há bastante tempo. Talvez não da forma como imaginaríamos ou como acontece nos filmes de ficção científica, mas é fato que basta olhar para os lados que notaremos alguma atividade cotidiana desempenhada por uma máquina.

Indústrias, como a dos automóveis, usam gigantescos braços mecânicos para montar peças de carros e caminhões. Na agricultura já existem robôs que percorrem plantações à caça de ervas daninhas e insetos que podem acabar com as colheitas: são treinados a detectar a presença desses visitantes indesejados e a eliminá-los com laser, jatos d’água ou descargas elétricas.

Mas isso não significa que eles operem sem a supervisão de seres humanos. Ou, pelo menos, não o tempo todo. É necessário que haja uma pessoa de verdade a comandar as ações dessas máquinas. Muitas vezes, porém, elas dão “tilt”. Veja a seguir algumas situações curiosas envolvendo robôs e iniciativas, digamos, bastante criativas em que eles já foram usados.

Desinteligência artificial

Esta aqui é para quem tem medo de ser substituído pela inteligência artificial: ao longo de anos, pesquisadores japoneses treinaram um robô para que ele passasse em exames para entrar em universidades: deram ele pilhas e pilhas de informações. Só que com um tal de Tadai Robot, a coisa não deu muito certo. Por quatro anos seguidos ele tentou fazer o exame para ser aceito na Universidade de Tóquio, mas fez tão poucos pontos que o projeto foi abandonado.

[…]

Imagina na São Silvestre

Em abril deste ano, chineses resolveram organizar a primeira maratona mista entre corredores humanos e corredores robóticos. A ideia era ver se as máquinas superavam as pessoas. Pois bem, dos 21 androides que correram na prova em Pequim, só seis cruzaram a linha de chegada — os demais tropeçaram, superaqueceram ou simplesmente pararam; um deles até precisou de fita adesiva para continuar. Ponto para nós humanos.
 […]

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folhinha/2025/08/ja-viu-robo-que-da-chilique-e-robo-que-joga-xadrez-pois-bem-vindo-ao-futuro.shtml
Observe o trecho:
Na agricultura já existem robôs que percorrem plantações à caça de ervas daninhas e insetos que podem acabar com as colheitas:_______ são treinados a detectar a presença desses visitantes indesejados e a eliminá-los com laser, jatos d’água ou descargas elétricas.”
Qual pronome poderia ser utilizado na lacuna do trecho, antes de “são”, retomando o termo ao qual se refere corretamente?
Alternativas
Q3961692 Português
Já viu robô que dá chilique? E robô que joga xadrez? Pois bem-vindo ao futuro

Máquinas inteligentes já fazem parte do nosso cotidiano, mas às vezes as coisas dão muito errado

A essa altura, você já percebeu que os robôs já vivem entre nós há bastante tempo. Talvez não da forma como imaginaríamos ou como acontece nos filmes de ficção científica, mas é fato que basta olhar para os lados que notaremos alguma atividade cotidiana desempenhada por uma máquina.

Indústrias, como a dos automóveis, usam gigantescos braços mecânicos para montar peças de carros e caminhões. Na agricultura já existem robôs que percorrem plantações à caça de ervas daninhas e insetos que podem acabar com as colheitas: são treinados a detectar a presença desses visitantes indesejados e a eliminá-los com laser, jatos d’água ou descargas elétricas.

Mas isso não significa que eles operem sem a supervisão de seres humanos. Ou, pelo menos, não o tempo todo. É necessário que haja uma pessoa de verdade a comandar as ações dessas máquinas. Muitas vezes, porém, elas dão “tilt”. Veja a seguir algumas situações curiosas envolvendo robôs e iniciativas, digamos, bastante criativas em que eles já foram usados.

Desinteligência artificial

Esta aqui é para quem tem medo de ser substituído pela inteligência artificial: ao longo de anos, pesquisadores japoneses treinaram um robô para que ele passasse em exames para entrar em universidades: deram ele pilhas e pilhas de informações. Só que com um tal de Tadai Robot, a coisa não deu muito certo. Por quatro anos seguidos ele tentou fazer o exame para ser aceito na Universidade de Tóquio, mas fez tão poucos pontos que o projeto foi abandonado.

[…]

Imagina na São Silvestre

Em abril deste ano, chineses resolveram organizar a primeira maratona mista entre corredores humanos e corredores robóticos. A ideia era ver se as máquinas superavam as pessoas. Pois bem, dos 21 androides que correram na prova em Pequim, só seis cruzaram a linha de chegada — os demais tropeçaram, superaqueceram ou simplesmente pararam; um deles até precisou de fita adesiva para continuar. Ponto para nós humanos.
 […]

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folhinha/2025/08/ja-viu-robo-que-da-chilique-e-robo-que-joga-xadrez-pois-bem-vindo-ao-futuro.shtml
No trecho: “A essa altura, você já percebeu que os robôs já vivem entre nós…”, o pronome “você” é classificado como:
Alternativas
Q3961614 Português

Texto 1



Leia com atenção o texto abaixo:



Brasil registrou 44 mortes por câncer de próstata por dia em 2021



Durante o Novembro Azul, Sociedade Brasileira de Urologia alerta sobre a importância do cuidado global com a saúde masculina



Medo de descobrir alguma doença e achar que nunca vai adoecer estão entre as principais razões para o homem se esquivar de ir ao médico. E isso se reflete nas estatísticas: em média, eles vivem 7,5 anos a menos que as mulheres. Para mudar esse cenário e incentivar o cuidado com a saúde de uma forma global, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) realiza mais uma edição da campanha Novembro Azul, que este ano traz a mensagem: “Saúde também é papo de homem”.


Ao longo do mês, o conteúdo das redes sociais do Portal da Urologia será voltado para a saúde masculina e haverá lives com médicos de diversas especialidades.


“Nosso objetivo é conscientizar os homens sobre a necessidade dos cuidados com a própria saúde de forma rotineira, e não somente quando aparece algum problema. Além da divulgação dos hábitos para se ter uma vida saudável, também informamos que muitas doenças, em sua fase inicial, são totalmente assintomáticas, mas que podem ser diagnosticadas e tratadas mais facilmente com exames periódicos de check-up. O câncer da próstata é o melhor exemplo disso”, alerta o presidente da SBU, Dr. Alfredo Félix Canalini.


Dados do Sistema de Informação Ambulatorial do Ministério da Saúde mostram que, somente este ano, foram registrados mais de 1,2 milhão de atendimentos femininos por ginecologistas, contra 200 mil atendimentos de homens pelo urologista.


[…]



Fonte: https://portaldaurologia.org.br/novidades/noticias/ brasil-registrou-44-mortes-por-cancer-de-prostata-por-dia-em-2021

Assinale a alternativa que classifica corretamente o termo “nosso” na frase “Nosso objetivo é conscientizar os homens sobre a necessidade dos cuidados com a própria saúde.” do ponto de vista morfológico.
Alternativas
Q3961477 Português
Leia com atenção o texto abaixo:


Por que cortar cebola faz chorar? A física por trás das lágrimas da cozinha


Você já viu alguém chorar enquanto cortava uma cebola? Pois saiba que a culpa não é dela, e sim da física e da química que vivem dentro desse vegetal. Quando cortamos uma cebola, ela libera uma verdadeira chuva de minúsculas gotinhas cheias de substâncias que irritam os olhos.

Dentro de cada camada da cebola existem células cheias de líquido, como se fossem pequenos balões de água. Essas células guardam um composto que, quando entra em contato com o ar, se transforma em uma substância chamada propanetial S-óxido, que é o vilão responsável pelas lágrimas.

Ele sobe no ar e alcança nossos olhos, ativando nervos sensíveis que fazem os olhos arderem e lacrimejarem para se proteger.

Mas o que a física tem a ver com isso? Tudo. Pesquisadores descobriram que o jeito e a ferramenta usados para cortar a cebola fazem muita diferença. Quando usamos uma faca cega e cortamos rápido, precisamos aplicar mais força.

Essa força extra esmaga mais células da cebola, fazendo com que o líquido saia com muito mais pressão, como se fosse um jato de água escapando de um balão estourado. O resultado é uma nuvem de gotículas voando longe, direto para os nossos olhos.

Agora, se usamos uma faca bem afiada e cortamos devagar, a força necessária é menor. Menos força significa menos células rompidas de uma vez e, portanto, menos gotinhas irritantes voando pelo ar. Assim, a concentração do gás que causa lágrimas diminui e o cozinheiro pode continuar sorrindo.

[…]


Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/bibi-bailas/2025/11/ por-que-cortar-cebola-faz-chorar-a-fisica-por-tras-das-lagrimas-dacozinha.shtml 
No trecho “Agora, se usamos uma faca bem afiada e cortamos devagar, a força necessária é menor”, há um pronome pessoal que não aparece explicitamente, mas pode ser identificado pela flexão dos verbos.

Esse pronome é:
Alternativas
Q3961206 Português

Texto CG1A2-I

 

Ainda há muito o que estudar sobre a árvore genealógica das línguas de todo o continente americano. Como na África, a linguística moderna chegou tarde a essa região e encontrou um cenário marcado pela destruição, pelo desaparecimento não documentado de uma quantidade de idiomas que mal conseguimos avaliar. Os idiomas que se viram mais diretamente envolvidos no processo de formação do português que viríamos a falar no Brasil são os do grupo tupi, falados por nações como os caetés, potiguara, tamoio, tupinambá, tupiniquim... Esses povos parecem ter iniciado uma imigração a partir da Amazônia, no início da Era Comum, ou seja, há mais de 2.000 anos. Por um lado, eles se expandiram para o litoral norte, depois rumo ao nordeste e ao sudeste do Brasil; por outro, desceram a região central rumo ao sul do país.

A presença mais ou menos uniforme de grupos tupis nas costas do Brasil teria um papel fundamental na história linguística do que um dia viria a ser essa imensa nação lusófona na América do Sul. Numa região de vegetação fechada e rala densidade populacional, o litoral era o fio condutor mais vigoroso de contatos e aproximações. E como os povos que habitavam um trecho gigantesco do litoral brasileiro eram relacionados, isso gerava um tipo de uniformidade de hábitos, tradições e idioma, que possibilitou que os portugueses os considerassem como “um povo”, falante de uma mesma língua, uma forma do tupi, que, ao que parece, variava pouco entre um grupo e outro. Essa foi a língua cuja gramática, afinal, seria descrita pelos jesuítas europeus — a língua que estaria na base de uma das legítimas “línguas brasileiras” que foram desenvolvidas aqui e que, séculos depois da chegada dos portugueses, ainda representariam uma direta concorrência para o sucesso do idioma de Portugal nessas plagas.

 

Caetano W Galindo. Latim em pó. Um passeio pela formação do nosso português.

São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 142-144 (com adaptações).

Julgue os itens a seguir, em relação ao vocábulo “cuja”, empregado em “Essa foi a língua cuja gramática, afinal, seria descrita pelos jesuítas europeus”, no último período do texto CG1A2-I.



I O referente do vocábulo em questão é “a língua”.


II O referido vocábulo concorda em pessoa e número com o termo “gramática”.


III O vocábulo em questão poderia ser substituído corretamente, sem prejuízo do sentido original do texto, por em que a.



Assinale a opção correta.

Alternativas
Q3961077 Português

    Aristóteles afirmava que o coração era o órgão responsável pela consciência, pela sensação e pelo movimento, e que o cérebro era uma espécie de “radiador” que servia apenas para resfriar o coração.
    Passados 2.500 anos, essa hipótese pode ser refutada imediatamente por estudos na área das neurociências: é o cérebro que, por meio da complexidade de suas rugas, dobras e tipos celulares, coordena as funções cognitivas e as “automáticas”, como os batimentos do coração e a respiração. Uma reviravolta sem tamanho em relação ao que postulava o filósofo grego. Como disse Karl Popper, um dos maiores filósofos da ciência, “a ciência produz teorias falseáveis, que serão válidas enquanto não refutadas”.
    Hoje, se você perguntar a qualquer pessoa (incluindo neurocientistas) qual é o “chefe” do nosso corpo, a resposta muito provavelmente vai ser: o cérebro. Porém, novos estudos têm posto em dúvida sua hegemonia como órgão de controle, e quem vem ganhando força é uma região quase tão misteriosa quanto o cérebro: o intestino.
    O intestino tem sido chamado de “o nosso segundo cérebro”, e de fato existe uma abundância de células nervosas vivendo em nossas entranhas. Os neurônios intestinais mantêm um contato direto com o cérebro, podendo ter impacto em nosso comportamento.
    O cérebro e o intestino podem trabalhar juntos ditando nossos pensamentos e ações. Então é possível dizer que o intestino interfere no funcionamento do cérebro e vice-versa, e atualmente até existe uma área de pesquisa voltada somente para o tão falado eixo intestino-cérebro.
    Mas essa história de eixo cérebro-intestino tem potencial de ficar ainda mais interessante: existem evidências científicas de que as bactérias intestinais comandariam o sistema nervoso intestinal e o central. O que parece ser mais extravagante do que a ideia inicial de Aristóteles vem se confirmando, pois estudos demonstram que a microbiota intestinal é capaz de modular nosso comportamento. O intestino humano é colonizado por nada mais nada menos do que surpreendentes 100 trilhões de microrganismos vivos, em sua grande maioria bactérias.
    Estudos recentes reforçam a ideia de que a microbiota intestinal influencia o cérebro e podem provocar uma revolução no tratamento de distúrbios mentais, especialmente diante das dificuldades da neurofarmacologia em fazer medicamentos atravessarem as barreiras cerebrais. A possibilidade de atuar indiretamente no cérebro por meio do intestino, utilizando bactérias e seus metabólitos como mediadores, abre novos caminhos para o desenvolvimento de fármacos. Esse cenário leva até a questionar o conceito de livre-arbítrio, já que organismos microscópicos podem exercer um controle silencioso sobre nossos pensamentos e comportamentos.

Fonte: Folha de São Paulo. Adaptado.
Assinalar a alternativa em que o pronome oblíquo entre parênteses deve ficar em posição proclítica ao verbo. 
Alternativas
Q3960259 Português

O desenvolvimento da oralidade nos anos iniciais é um eixo fundamental da Língua Portuguesa. Observando as habilidades do eixo Oralidade, de acordo com a BNCC, avaliar se as afirmativas são certas (C) ou erradas (E) e assinalar a sequência correspondente.


( ) Recontar oralmente, com e sem apoio de imagem, textos literários lidos pelo professor.

( ) Distinguir fatos de opiniões/sugestões em textos escritos (informativos, jornalísticos, publicitários etc.).

( ) Identificar em textos e usar na produção textual pronomes pessoais, possessivos e demonstrativos como recurso coesivo anafórico.

( ) Cantar cantigas e canções, obedecendo ao ritmo e à melodia.

Alternativas
Q3957947 Português
    (Mas e eu? E eu que estou contando esta história que nunca me aconteceu e nem a ninguém que eu conheça? Fico abismado por saber tanto a verdade. Será que o meu ofício doloroso é o de adivinhar na carne a verdade que ninguém quer enxergar? Se sei quase tudo de Macabéa é que já peguei uma vez de relance o olhar de uma nordestina amarelada. Esse relance me deu ela de corpo inteiro. Quanto ao paraibano, na certa devo ter-lhe fotografado mentalmente a cara – e quando se presta atenção espontânea e virgem de imposições, quando se presta atenção a cara diz quase tudo).
    E agora apago-me de novo e volto para essas duas pessoas que por força das circunstâncias eram seres meio abstratos.

LISPECTOR, Clarice. A Hora da Estrela. Romance. São Paulo: 1977, p. 23.

No fragmento dessa narrativa, nota-se uma peculiaridade a respeito da morfossintaxe dos pronomes pessoais, comumente empregada até mesmo em textos literários ou por falantes cultos brasileiros.

Assinale a alternativa que apresenta esse traço semântico.
Alternativas
Q3957367 Português
A última crônica

    A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria o meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.

    Ao fundo do botequim um casal acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma criancinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.

    Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando- -se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.

    A criancinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.

    São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca- -Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “Parabéns pra você, parabéns pra você…”. Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A criancinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso. Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.

(SABINO, Fernando. A última crônica. In: Para gostar de ler – Crônicas. Vol. 5. São Paulo: Ática, 2003. Adaptado.) 
Considerando os trechos “Passo a observá-los.” (3º§); “[…] larga-o no pratinho – […]” (3º§); e “[…] torna a guardá-las na bolsa.” (5º§), analise as afirmativas a seguir.
I. Em “observá-los”, o pronome “-los” classifica-se como pessoal oblíquo átono, que retoma os frequentadores observados pelo narrador, exercendo a função de objeto direto do verbo.
II. O acento gráfico em “observá-los” justifica-se porque, com a ênclise, o verbo passa a ser uma oxítona terminada em “a”, exigindo acento agudo segundo as normas ortográficas do português.
III. Em “larga-o no pratinho” e “guardá-las na bolsa”, os pronomes destacados retomam, respectivamente, “o bolo” e “as velas”, sendo ambos classificados como pronomes pessoais oblíquos átonos.
Está correto o que se afirma em 
Alternativas
Q3955776 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Não sou igual a você


Topar de cara com realidades e ideologias diferentes da sua é algo estranho para qualquer pessoa. Nem sempre pode ser bom, mas sempre trará algum benefício. Crescer com as divergências, poder conhecer e aceitar diferentes formas de pensamento, ideologias e costumes é um grande desafio para o ser humano.

Saber que ao seu lado tem uma pessoa que pensa diferente de você e faz coisas que você não faz e vive outras realidades que nada tem a ver com a sua desperta emoções inesperadas em qualquer pessoa. Pode ser alegria, raiva, tristeza, amor etc. Não é possível prever como receberemos uma diferente forma de viver.

O que vale a pena quando o seu grupo entra em choque com outro grupo? Brigar, discutir, partir para a agressão − isso é fácil. Difícil mesmo é aceitar a ideia do outro e saber que, assim como você, o outro tem seus costumes, suas crenças e comportamentos e que ele vai defendê-los, assim como você defende os seus. Difícil é viver em paz com o vizinho totalmente diferente de você.

Se todos fossem iguais, a vida seria muito sem graça. Olhar para o lado e não ver nada diferente seria muito ruim. É um desafio para o ser humano conviver pacificamente com as diferentes formas de viver. Será que você consegue?


CASTRO, Kika. Manifesto a favor do direito de divergir. 6 abr. 2013. Disponível em: https://kikacastro.com.br/2013/04/06/manifesto-a-favor-do-direito-de-div ergir/ . Acesso em: 18 fev. 2026.
Considerando a colocação pronominal que ocorre na forma "defendê-los" em "[...] e que ele vai defendê-los, assim como você defende os seus", observe o valor morfológico do pronome oblíquo, os fatores que condicionam sua posição em relação ao verbo e a justificação normativa para o emprego da ênclise após verbo no infinitivo, e assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3955461 Português

“Estas são todas as coisas que precisava guardar.”


O pronome destacado no período acima pode ser substituído corretamente por: 

Alternativas
Q3955456 Português
Considere a seguinte frase empregada no dialeto popular da Língua Portuguesa: “Ei, você! Me dá uma ajuda!”. Mantendo a mesma pessoa, qual é a forma correta da expressão destacada, de acordo com a norma-padrão?
Alternativas
Q3955452 Português
Assinale a alternativa que se apresenta correta em relação ao emprego da palavra destacada:
Alternativas
Q3955020 Português
Assinale a alternativa que apresenta um enunciado correto, de acordo com o emprego de pronomes e verbos na redação técnica oficial.
Alternativas
Q3954944 Português
Levo grupos para treinar no parque. Às vezes, começamos "com uma caminhada" e depois acrescentamos "agachamentos e flexões", usando um banco.
(Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/ cyv51d604djo.adaptado.)

De acordo com as regras de colocação pronominal, as formas CORRETAS dos pronomes oblíquos para substituir os termos destacados são: 
Alternativas
Q3954425 Português
Levo grupos para treinar no parque. Às vezes, começamos "com uma caminhada" e depois acrescentamos "agachamentos e flexões", usando um banco.
(Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/ cyv51d604djo.adaptado.)

De acordo com as regras de colocação pronominal, as formas CORRETAS dos pronomes oblíquos para substituir os termos destacados são: 
Alternativas
Respostas
121: D
122: C
123: B
124: B
125: A
126: B
127: C
128: D
129: C
130: C
131: D
132: E
133: A
134: B
135: C
136: B
137: E
138: C
139: A
140: B