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Questões de Concurso Comentadas sobre morfologia - pronomes em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 10.466 questões

Q4160100 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Tombamentos ajudam a proteger comunidades quilombolas

A festa de São Benedito, a igreja local, as reminiscências deixadas pela matriarca estão entre os bens materiais e imateriais que passaram a ser reconhecidos, na última semana, quando a comunidade quilombola Tia Eva, em Campo Grande (MS), se tornou o primeiro quilombo do país tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). No local, vivem mais de 400 pessoas, que têm o território urbano reconhecido e esperam pela titulação.

Para uma das diretoras da associação dos moradores, Vânia Lúcia Duarte, de 50 anos, o reconhecimento ajuda na preservação de uma comunidade já espremida pela especulação imobiliária.

"O tombamento é muito importante para a visibilidade e afirmação de nossa luta", diz Vânia, que sempre viveu na comunidade.

A Constituição de 1988, no artigo 216, diz que devem ser "tombados todos os documentos e sítios detentores de reminiscências históricas de antigos quilombos". Uma portaria do governo regulamenta os procedimentos.

A novidade sobre o avanço dos tombamentos de comunidades quilombolas foi um dos temas tratados durante das atividades dos últimos três anos feito pelo Iphan. O atual presidente do instituto, Leandro Grass, explicou, nessa terça-feira (17), que os quilombos que podem solicitar o tombamento constitucional são aqueles que a Fundação Palmares já certificou.

"O tombamento traz um aspecto muito importante porque a política do patrimônio cria uma camada a mais de proteção para essas comunidades", argumentou.

Além do tombamento da comunidade em Campo Grande, há outros 23 quilombos na fase de documentação em que os moradores participam apontando o que deveria ser tombado. Mais 15 casos estão em análise pelos especialistas do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Além das comunidades tradicionais, Leandro Grass defendeu que a participação da população é fundamental para a defesa do patrimônio. Nesse processo de conscientização, ele citou que, entre os desafios brasileiros (e também internacionais) está o contexto das mudanças climáticas como ameaça aos bens materiais e imateriais.

O presidente do instituto citou que um programa, denominado Conviver, apoia moradores de cidades históricas em que o patrimônio cultural está por todos os lados. "O Iphan capacita para a conservação de casas, espaços públicos, práticas e saberes", Até o momento, o projeto está implantado em 28 cidades e tem investimentos de R$ 33,4 milhões.

"A própria comunidade, que é capacitada com formação de mão de obra, passa a ser protagonista da preservação de seus lugares".


https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-03/tombamentos-ajudam-proteger-comunidades-quilombolas
"O tombamento traz um aspecto muito importante porque a política do patrimônio cria uma camada a mais de proteção para essas comunidades, argumentou. "

Com base nas regras de colocação pronominal, marque com V as afirmativas verdadeiras ou com F as falsas.

(__) A substituição do complemento do verbo 'trazer' por pronome oblíquo átono admite, nesse contexto, tanto a próclise quanto a ênclise, visto que não há fator de atração que imponha determinada colocação pronominal.
(__) Mesmo que se acrescentasse uma palavra atrativa, como em 'O tombamento não traz...', a ênclise permaneceria permitida, pois quando o verbo está no infinitivo, a ênclise é permitida mesmo na presença de elementos atrativos, embora a próclise seja a colocação preferencial.
(__) A substituição do complemento por pronome oblíquo enclítico constrói-se na forma 'O tombamento trá-lo', estrutura gramaticalmente correta decorrente da supressão da consoante final do verbo e da adaptação morfológica exigida pela colocação pronominal.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência que preenche corretamente os itens acima, de cima para baixo.

(__) A reescrita 'porque a política do patrimônio lhes cria uma camada a mais de proteção' está de acordo com a norma-padrão, uma vez que o pronome pode ser colocado antes do verbo sem violação das regras de colocação pronominal.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência que preenche corretamente os itens acima, de cima para baixo.
Alternativas
Q4160016 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Tombamentos ajudam a proteger comunidades quilombolas



A festa de São Benedito, a igreja local, as reminiscências deixadas pela matriarca estão entre os bens materiais e imateriais que passaram a ser reconhecidos, na última semana, quando a comunidade quilombola Tia Eva, em Campo Grande (MS), se tornou o primeiro quilombo do país tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). No local, vivem mais de 400 pessoas, que têm o território urbano reconhecido e esperam pela titulação.


Para uma das diretoras da associação dos moradores, Vânia Lúcia Duarte, de 50 anos, o reconhecimento ajuda na preservação de uma comunidade já espremida pela especulação imobiliária.


"O tombamento é muito importante para a visibilidade e afirmação de nossa luta", diz Vânia, que sempre viveu na comunidade.


A Constituição de 1988, no artigo 216, diz que devem ser "tombados todos os documentos e sítios detentores de reminiscências históricas de antigos quilombos". Uma portaria do governo regulamenta os procedimentos.


A novidade sobre o avanço dos tombamentos de comunidades quilombolas foi um dos temas tratados durante das atividades dos últimos três anos feito pelo Iphan. O atual presidente do instituto, Leandro Grass, explicou, nessa terça-feira (17), que os quilombos que podem solicitar o tombamento constitucional são aqueles que a Fundação Palmares já certificou.


"O tombamento traz um aspecto muito importante porque a política do patrimônio cria uma camada a mais de proteção para essas comunidades", argumentou.


Além do tombamento da comunidade em Campo Grande, há outros 23 quilombos na fase de documentação em que os moradores participam apontando o que deveria ser tombado. Mais 15 casos estão em análise pelos especialistas do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).


Além das comunidades tradicionais, Leandro Grass defendeu que a participação da população é fundamental para a defesa do patrimônio. Nesse processo de conscientização, ele citou que, entre os desafios brasileiros (e também internacionais) está o contexto das mudanças climáticas como ameaça aos bens materiais e imateriais.


O presidente do instituto citou que um programa, denominado Conviver, apoia moradores de cidades históricas em que o patrimônio cultural está por todos os lados. "O Iphan capacita para a conservação de casas, espaços públicos, práticas e saberes", Até o momento, o projeto está implantado em 28 cidades e tem investimentos de R$ 33,4 milhões.


"A própria comunidade, que é capacitada com formação de mão de obra, passa a ser protagonista da preservação de seus lugares".



https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-03/tomb amentos-ajudam-proteger-comunidades-quilombolas

Com base nos elementos linguísticos utilizados no texto e nos mecanismos de coesão e coerência textual, analise as afirmativas a seguir:



I. A construção 'Além das comunidades tradicionais' estabelece uma relação de oposição entre o conjunto de quilombos tombados e a participação da população na defesa do patrimônio, para introduzir uma perspectiva argumentativa divergente, centrada na conscientização ambiental.


II. No trecho 'O tombamento é muito importante para a visibilidade e afirmação de nossa luta', o pronome possessivo 'nossa' estabelece coesão referencial por retomada anafórica, recuperando o referente 'comunidade quilombola Tia Eva', apresentado nos parágrafos anteriores.


III. No trecho 'os quilombos que podem solicitar o tombamento constitucional são aqueles que a Fundação Palmares já certificou', o pronome 'aqueles' exerce função de coesão referencial por substituição pronominal, enquanto a oração 'que a Fundação Palmares já certificou' atua como elemento de restrição semântica ao delimitar, dentro do conjunto mais amplo de quilombos existentes no país, apenas os habilitados a solicitar o tombamento constitucional.


IV. No trecho 'Até o momento, o projeto está implantado em 28 cidades e tem investimentos de R$ 33,4 milhões', observa-se elipse de termo nominal, caracterizando um mecanismo de coesão que garante a fluidez e a economia linguística do enunciado.



Assinale a alternativa que apresenta as proposições corretas.

Alternativas
Q4160011 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Tombamentos ajudam a proteger comunidades quilombolas



A festa de São Benedito, a igreja local, as reminiscências deixadas pela matriarca estão entre os bens materiais e imateriais que passaram a ser reconhecidos, na última semana, quando a comunidade quilombola Tia Eva, em Campo Grande (MS), se tornou o primeiro quilombo do país tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). No local, vivem mais de 400 pessoas, que têm o território urbano reconhecido e esperam pela titulação.


Para uma das diretoras da associação dos moradores, Vânia Lúcia Duarte, de 50 anos, o reconhecimento ajuda na preservação de uma comunidade já espremida pela especulação imobiliária.


"O tombamento é muito importante para a visibilidade e afirmação de nossa luta", diz Vânia, que sempre viveu na comunidade.


A Constituição de 1988, no artigo 216, diz que devem ser "tombados todos os documentos e sítios detentores de reminiscências históricas de antigos quilombos". Uma portaria do governo regulamenta os procedimentos.


A novidade sobre o avanço dos tombamentos de comunidades quilombolas foi um dos temas tratados durante das atividades dos últimos três anos feito pelo Iphan. O atual presidente do instituto, Leandro Grass, explicou, nessa terça-feira (17), que os quilombos que podem solicitar o tombamento constitucional são aqueles que a Fundação Palmares já certificou.


"O tombamento traz um aspecto muito importante porque a política do patrimônio cria uma camada a mais de proteção para essas comunidades", argumentou.


Além do tombamento da comunidade em Campo Grande, há outros 23 quilombos na fase de documentação em que os moradores participam apontando o que deveria ser tombado. Mais 15 casos estão em análise pelos especialistas do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).


Além das comunidades tradicionais, Leandro Grass defendeu que a participação da população é fundamental para a defesa do patrimônio. Nesse processo de conscientização, ele citou que, entre os desafios brasileiros (e também internacionais) está o contexto das mudanças climáticas como ameaça aos bens materiais e imateriais.


O presidente do instituto citou que um programa, denominado Conviver, apoia moradores de cidades históricas em que o patrimônio cultural está por todos os lados. "O Iphan capacita para a conservação de casas, espaços públicos, práticas e saberes", Até o momento, o projeto está implantado em 28 cidades e tem investimentos de R$ 33,4 milhões.


"A própria comunidade, que é capacitada com formação de mão de obra, passa a ser protagonista da preservação de seus lugares".



https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-03/tomb amentos-ajudam-proteger-comunidades-quilombolas

"O tombamento traz um aspecto muito importante porque a política do patrimônio cria uma camada a mais de proteção para essas comunidades, argumentou. "


Com base nas regras de colocação pronominal, marque com V as afirmativas verdadeiras ou com F as falsas.



(__) A substituição do complemento do verbo 'trazer' por pronome oblíquo átono admite, nesse contexto, tanto a próclise quanto a ênclise, visto que não há fator de atração que imponha determinada colocação pronominal.


(__) Mesmo que se acrescentasse uma palavra atrativa, como em 'O tombamento não traz...', a ênclise permaneceria permitida, pois quando o verbo está no infinitivo, a ênclise é permitida mesmo na presença de elementos atrativos, embora a próclise seja a colocação preferencial.


(__) A substituição do complemento por pronome oblíquo enclítico constrói-se na forma 'O tombamento trá-lo', estrutura gramaticalmente correta decorrente da supressão da consoante final do verbo e da adaptação morfológica exigida pela colocação pronominal. Assinale a alternativa que apresenta a sequência que preenche corretamente os itens acima, de cima para baixo.


(__) A reescrita 'porque a política do patrimônio lhes cria uma camada a mais de proteção' está de acordo com a norma-padrão, uma vez que o pronome pode ser colocado antes do verbo sem violação das regras de colocação pronominal.



Assinale a alternativa que apresenta a sequência que preenche corretamente os itens acima, de cima para baixo.

Alternativas
Q4159891 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão

Em novembro, Iphan fez quase 50 eventos e lançou Protocolo de Igualdade Racial

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) realizou, em novembro de 2025, a segunda edição do ciclo de eventos "Mês da Consciência Negra", coordenado pelo Comitê Permanente para a Preservação do Patrimônio Cultural de Matriz Africana (Copmaf). A programação reuniu diversas atividades com o tema central "Patrimônio e Reparação", convidando funcionários do Instituto e a sociedade a se engajarem em ações que destacassem o papel das políticas de Patrimônio Cultural na promoção da Igualdade Racial e na afirmação da centralidade da herança e do legado afro-brasileiro.

De acordo com o diretor do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP), Rafael Barros, as ações do Mês da Consciência Negra marcaram a força e a luta do povo negro. "O enfrentamento ao racismo estrutural e religioso e as lutas por reparação do povo negro, que são a base da nossa sociedade, ocorrem no dia a dia. A gente realizou diversas atividades que promoveram o encontro de diferentes expressões culturais do Brasil, em contato e diálogo com grupos e manifestações da África e de outros territórios, em uma grande festa de celebração da existência desse povo e da sua importância fundamental para construção da nossa sociedade", disse Rafael.

Já a coordenadora técnica Marina Russell, da Superintendência do Iphan em Pernambuco, reconheceu que a autarquia trabalhou, ao longo do mês de novembro, para promover a diversidade e representatividade nas ações de proteção e salvaguarda de espaços e celebrações ligados ao patrimônio afro-brasileiro. "A superintendência do Iphan no Estado promoveu o Seminário 'Heranças Vivas: Patrimônio Afro-Brasileiro e Políticas de Reparação', onde pesquisadores, professores e representantes de saberes tradicionais debateram com servidores e com o público em geral sobre memória, reparação e valorização da cultura afro-brasileira, nos levando a refletir sobre práticas racistas ainda hoje perpetuadas em nossa sociedade", destacou Marina.

"O Iphan colaborou ativamente na celebração de um dos primeiros terreiros de candomblé em Pernambuco e um dos mais antigos do Brasil, tombado pelo Iphan em 2018, destinando um Plano de Ação no valor de R$ 100 mil para realização dos eventos ligados às festividades. Ao longo de uma semana, foram realizados seminários, apresentações musicais de expressões afro-brasileiras, mesas temáticas, descerramento de placa simbólica e a Cerimônia de Toque para Iemanjá, abrindo os toques no Estado, uma vez que o primeiro presente a Iemanjá sai do Sítio de Pai Adão, reforçando a importância cultural e histórica do terreiro para a compreensão das religiões de matrizes africanas no Brasil", concluiu.

Um marco na história do Iphan, o lançamento do Protocolo de Igualdade Racial encerrou as atividades do Mês da Consciência Negra, no dia 28 de novembro. O documento reúne informações e orientações para que lideranças e equipes do Iphan identifiquem, previnam e enfrentem estereótipos étnico-raciais e preconceitos relacionados à etnia, à raça ou à cor das pessoas no ambiente de trabalho.

O evento também representou a etapa final de um processo institucional conduzido pela Comissão Técnica instituída pela Portaria nº 241/2025, responsável pela elaboração do documento.

O Copmaf nasceu a partir da mobilização do Coletivo de Servidores Negros do Iphan em 2023. O comitê existe como instância de consulta para fortalecer a atuação institucional da autarquia na preservação, promoção e difusão, fomento e capacitação sobre o Patrimônio de Matriz Africana. Além disso, busca consolidar diretrizes e práticas institucionais qualificadas e permanentes relacionadas ao patrimônio.

Disponível em: https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202512/em-novembro-iphan-fez-quase-50-eventos-e-lancou-protocolo-de-igualdade-racial?utm_adaptado

O comitê existe como instância de consulta para fortalecer a atuação institucional da autarquia na preservação, promoção e difusão, fomento e capacitação sobre o Patrimônio de Matriz Africana."


Considerando as regras de colocação pronominal da norma culta, caso o complemento verbal do verbo 'fortalecer', seja substituído pelo pronome oblíquo átono correspondente, assinale a alternativa que apresenta a justificativa adequada.

Alternativas
Q4159112 Português
Assinale a alternativa que apresenta um exemplo de colocação pronominal em mesóclise.
Alternativas
Q4156293 Português
Uma vela para Dario


   Dario vem apressado, guarda-chuva no braço esquerdo. Assim que dobra a esquina, diminui o passo até parar, encosta-se a uma parede. Por ela escorrega, senta-se na calçada, ainda úmida de chuva. Descansa na pedra o cachimbo.

   Dois ou trés passantes à sua volta indagam se não está bem. Dario abre a boca, move os lábios, não se ouve resposta. O senhor gordo, de branco, diz que deve sofrer de ataque.

   Ele reclina-se mais um pouco, estendido na calçada, e o cachimbo apagou. O rapaz de bigode pede aos outros se afastem e o deixem respirar. Abre-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta. Quando lhe tiram os sapatos, Dario rouqueja feio, bolhas de espumа surgem no canto da boca.

   Cada pessoa que chega ergue-se na ponta dos pés, não o pode ver. Os moradores da rua conversam de uma porta a outra, as crianças de pijama acodem à janela. O senhor gordo repete que Dario sentou-se na calçada, soprando a fumaça do cachimbo, encostava o guarda-chuva na parede. Mas não se vê guarda-chuva ou cachimbo ao seu lado.

   A velhinha de cabeça grisalha grita que ele está morrendo. Um grupo o arrasta para o táxi da esquina. Já no carro a metade do corpo, protesta o motorista: quem pagará a corrida? Concordam chamar a ambulância. Dario conduzido de volta e recostado à parede - não tem os sapatos nem o alfinete de pérola na gravata.

    Alguém informa da farmácia na outra rua. Não carregam Dario além da esquina; a farmácia no fim do quarteirão e, além do mais, muito peso. É largado na porta de uma peixaria. Enxame de moscas lhe cobrem o rosto, sem que faça um gesto para espantá-las.

    Ocupado o café próximo pelas pessoas que apreciam o incidente e, agora, comendo e bebendo, gozam as delícias da noite. Dario em sossego e torto no degrau da peixaria, sem o relógio de pulso.

   Um terceiro sugere lhe examinem os papéis, retirados - com vários objetos - de seus bolsos e alinhados sobre a camisa branca. Ficam sabendo do nome, idade, sinal de nascença. O endereço na carteira é de outra cidade.

     Registra-se correria de uns duzentos curiosos que, a essa hora, ocupam toda a rua e as calçadas: é a polícia. O carro negro investe a multidão. Várias pessoas tropeçam no corpo de Dario, pisoteado dezessete vezes.

     O guarda aproxima-se do cadáver, não pode identificá-lo - os bolsos vazios. Resta na mão esquerda a aliança de ouro, que ele próprio - quando vivo - só destacava molhando no sabonete A polícia decide chamar o rabecão.

     A última boca repete - Ele morreu, ele morreu. E a gente começa a se dispersar. Dario levou duas horas para morrer, ninguém acreditava estivesse no fim. Agora, aos que alcançam vé-lo, todo o ar de um defunto.

     Um senhor piedoso dobra o paletó de Dario para lhe apoiar a cabeça. Cruza as mãos no peito. Não consegue fechar olho nem boca, onde a espuma sumiu. Apenas um homem morto e a multidão se espalha, as mesas do café ficam vazias. Na janela alguns moradores com almofadas para descansar os cotovelos.

     Um menino de cor e descalço vem com uma vela, que acende ao lado do cadáver. Parece morto há muitos anos, quase o retrato de um morto desbotado pela chuva.

     Fecham-se uma a uma as janelas. Três horas depois, lá está Dario à espera do rabecão. A cabeça agora na pedra, sem o paletó. E o dedo sem a aliança. O toco de vela apaga-se às primeiras gotas da chuva, que volta a cair.


(Adaptado de: TREVISAN, Dalton. 33 contos escolhidos. Rio de Janeiro: Record, 2005)
No trecho Assim que dobra a esquina, diminui o passo até parar, encosta-se a uma parede. Por ela escorrega, senta-se na calçada, ainda úmida de chuva. Descansa na pedra o cachimbo, o pronome sublinhado refere-se a
Alternativas
Q4156089 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



O amor é uma rocha sedimentar



Sobre as camadas invisíveis do coração


-



Outro dia, peguei uma pedra nas mãos. Era uma dessas comuns. Bem ordinária, para falar a verdade. Passei o dedo pelas faixas de cores, notei espessuras variadas. As listrinhas imediatamente lembraram à pequena Cíntia que amava Ciências na quinta série que aquela devia ser uma rocha sedimentar.


Desde cedo, amei descobrir que as rochas sedimentares são como grandes livros de histórias. Por serem feitas de deposições lentas de poeira, areia, matéria orgânica e restos de outras rochas, armazenam e preservam vestígios de vidas que passaram por ali. É como se o tempo tivesse decidido botar nelas sua própria caligrafia.


Já reparou que algumas emoções pedem da gente esse tempo rabiscado com intenção? Um tipo de assentamento, uma acomodação lenta e gradativa, sabe? O amor, por exemplo. Fiquei pensando no amor como uma rocha sedimentar.


Não falo apenas do amor romântico das propagandas de margarina que cristalizaram padrões inatingíveis e limitados do que aprendemos sobre o amor. Também não me refiro àquele sentimento inflamado de urgências que confundimos com amor e mais parece fogo de palha. Falo menos ainda daquele conformismo morno batizado de amor, mas que tem como sobrenome a desesperança de encontrar algo melhor a esta altura da vida... (Que vida?)


Penso no amor como algo que se forma devagar, pela acumulação de pequenos gestos intencionais, atravessando o tempo e as intempéries. Aquela emoção que às vezes leva eras para se transformar em algo sólido. Que _______ de camadas e mais camadas de escolhas que _______ sua singularidade.


Não amei meus filhos a primeira vez que os vi. Aqueles bebês com cheirinho inesquecível me _______ um misto de medo e ternura. Impotência e encantamento. Desespero e coragem em estado bruto. Mas o amor... ah, o amor foi se desenhando nas madrugadas.


Nos pequenos sorrisos que já não eram mais reflexos inatos, e sim manifestações de excitação pela descoberta do mundo. Nos choros – os deles e principalmente os meus. No acelerar do coração ao vê-los se lambuzar com uma manga docinha pela primeira vez, como fazia meu pai, até as últimas vezes... No alívio daquele cocô que chega como um prêmio depois de uma semana de constipação. O amor é movimento e participar dele ativamente é um pré-requisito.


A escritora Bell Hooks ensina que o amor não é apenas um sentimento, mas uma ação, escolha e compromisso de nutrir o crescimento espiritual próprio e do outro. Isso cabe no amor entre mãe e filhos, cabe na paternidade, no amor romântico, no amor entre irmãos, entre amigos, entre quaisquer pessoas... Amar alguém é integrar um processo de formação. Lembrando que os vestígios de todos os envolvidos estarão presentes. 

No trecho "É como se o tempo tivesse decidido botar nelas sua própria caligrafia." (2º parágrafo), o termo destacado mantém relação coesiva anafórica com a expressão: 
Alternativas
Q4156087 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



O amor é uma rocha sedimentar



Sobre as camadas invisíveis do coração


-



Outro dia, peguei uma pedra nas mãos. Era uma dessas comuns. Bem ordinária, para falar a verdade. Passei o dedo pelas faixas de cores, notei espessuras variadas. As listrinhas imediatamente lembraram à pequena Cíntia que amava Ciências na quinta série que aquela devia ser uma rocha sedimentar.


Desde cedo, amei descobrir que as rochas sedimentares são como grandes livros de histórias. Por serem feitas de deposições lentas de poeira, areia, matéria orgânica e restos de outras rochas, armazenam e preservam vestígios de vidas que passaram por ali. É como se o tempo tivesse decidido botar nelas sua própria caligrafia.


Já reparou que algumas emoções pedem da gente esse tempo rabiscado com intenção? Um tipo de assentamento, uma acomodação lenta e gradativa, sabe? O amor, por exemplo. Fiquei pensando no amor como uma rocha sedimentar.


Não falo apenas do amor romântico das propagandas de margarina que cristalizaram padrões inatingíveis e limitados do que aprendemos sobre o amor. Também não me refiro àquele sentimento inflamado de urgências que confundimos com amor e mais parece fogo de palha. Falo menos ainda daquele conformismo morno batizado de amor, mas que tem como sobrenome a desesperança de encontrar algo melhor a esta altura da vida... (Que vida?)


Penso no amor como algo que se forma devagar, pela acumulação de pequenos gestos intencionais, atravessando o tempo e as intempéries. Aquela emoção que às vezes leva eras para se transformar em algo sólido. Que _______ de camadas e mais camadas de escolhas que _______ sua singularidade.


Não amei meus filhos a primeira vez que os vi. Aqueles bebês com cheirinho inesquecível me _______ um misto de medo e ternura. Impotência e encantamento. Desespero e coragem em estado bruto. Mas o amor... ah, o amor foi se desenhando nas madrugadas.


Nos pequenos sorrisos que já não eram mais reflexos inatos, e sim manifestações de excitação pela descoberta do mundo. Nos choros – os deles e principalmente os meus. No acelerar do coração ao vê-los se lambuzar com uma manga docinha pela primeira vez, como fazia meu pai, até as últimas vezes... No alívio daquele cocô que chega como um prêmio depois de uma semana de constipação. O amor é movimento e participar dele ativamente é um pré-requisito.


A escritora Bell Hooks ensina que o amor não é apenas um sentimento, mas uma ação, escolha e compromisso de nutrir o crescimento espiritual próprio e do outro. Isso cabe no amor entre mãe e filhos, cabe na paternidade, no amor romântico, no amor entre irmãos, entre amigos, entre quaisquer pessoas... Amar alguém é integrar um processo de formação. Lembrando que os vestígios de todos os envolvidos estarão presentes. 

Analise o fragmento do texto: "Não amei meus filhos a primeira vez que os vi". No contexto de uso, os termos "meus", "vez" e "os" são classificados, CORRETA e respectivamente, como: 
Alternativas
Q4156046 Português

PRODUTORES DO MERCOSUL CRITICAM FALTA DE DIÁLOGO COM UE


    Para mais de trinta entidades que formam o Grupo de Países Produtores do Sul (GPS), a União Europeia (UE) corre o risco de se isolar do continente americano. A rede, que agrega associações e empresários do setor na Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, afirma que o bloco quer impor políticas discriminatórias e que geram novas barreiras.


    "Historicamente, temos tido um problema de diálogo com a União Europeia. Eles decidem regras importantes do jogo não em negociação, mas por conta própria", critica Marcelo Regúnaga, coordenador-geral GPS e ex-secretário da Agricultura da Argentina.


    As críticas mais recentes se baseiam nas exigências do Pacto Ecológico Europeu, o Green Deal. A estratégia para guiar o velho continente rumo a uma economia neutra em carbono, na prática, também determina o que é ou não sustentável – e isso se aplica aos parceiros que vendem produtos para o bloco.


    "Fizeram um decreto de como deve ser a exportação para a Europa e de como se deve demonstrar determinados parâmetros. Mas não houve nenhuma oportunidade de diálogo de demonstrar o que é viável, o que é racional e o que não é", justifica Francisco Lezama, coordenador do GPS no Uruguai.


    Por conta disso, o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia corre o risco de não ser ratificado, caso a Europa permaneça inflexível, avalia Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag). "O Green Deal tem falhas, e não somos só nós que dizemos. Uma das maiores é que eles não consideram a realidade nossa de produção, que é de clima tropical", exemplifica.


    Ingo Plöger, empresário que acompanha há décadas a negociação do acordo e atualmente está na vice-presidência da Abag, ressalta que a UE é um importante provedor de conceitos mundiais, de regulamentações, mas que sua atual estratégia pode provocar um isolamento. "É um bloco, um continente estratégico, não podemos reduzir sua importância. Mas esta inflexibilidade pode levar a um afastamento efetivo da Europa do continente americano", opina.


    Representantes europeus no Brasil alertam para o risco de a UE perder a janela de oportunidade. "Entendemos que o acordo entre a União Europeia e o Mercosul trará benefícios para ambos os lados e significará, principalmente para a Europa, uma diversificação de sua cadeira de fornecedores", pontua Barbara Konner, vice-presidente da Câmara Brasil-Alemanha em São Paulo (AHK São Paulo), mencionando as mudanças no cenário geopolítico agravado pelo ataque russo à Ucrânia.


    Negociado ao longo de vinte anos, o acordo entre Mercosul, formado por Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela – atualmente suspensa – e os 27 países da União Europeia foi assinado em 2019. A partir daquele ano, o Brasil do então presidente Jair Bolsonaro ganharia fama internacional pelas elevadas taxas de desmatamento na Amazônia e no Cerrado, o que criou um impasse para a ratificação do acordo com os europeus.


    Em março, já sob administração de Luiz Inácio Lula da Silva, que assumiu a presidência do Mercosul, o bloco recebeu uma carta da UE pedindo novas garantias de que os sul-americanos não destruiriam o meio ambiente para turbinar as trocas comerciais.


    Analistas apontam que o agronegócio é o setor que mais deve se beneficiar com o acordo. Em 2022, o Brasil foi o principal vendedor de produtos do setor para UE – soja, café e carne foram os mais comercializados. Para o Mercosul, por outro lado, a Europa ficou menos interessante nas últimas décadas. A China se transformou no principal destino das exportações do bloco, com 29% de participação.


    Para Lezama, a potência asiática oferece algo a mais que os europeus: escuta. "Nós conseguimos discutir o estabelecimento de padrões com chineses. Um exemplo foi o padrão para contaminação de sorgo-de-alepo na soja. Foi uma discussão difícil, mas conversamos e chegamos a um ‘final feliz'", pontua Lezama.


    O sorgo-de-alepo, ou capim-massambará, é uma planta invasora que afeta cultivos como o de soja e milho. No Brasil, um novo protocolo fitossanitário foi implantado em 2022 para atender as demandas de exportação de milho para o mercado chinês.


    A preocupação ambiental e facilidade para fechar, ou não, alguns negócios marcam diferenças importantes entre europeus e chineses, pontua Leandro Consentino, professor de Ciência Política e Relações Internacionais no Insper. "Na China, há uma predisposição maior de se fazer negócio por vários motivos. Não só porque há uma necessidade maior das nossas commodities. Há uma institucionalidade mais baixa de proteção ao meio ambiente também", comenta.


     Na análise do especialista, a falta de uma sociedade civil organizada no país governado por uma ditadura precisa ser considerada. "Na Europa, até por conta da pressão da sociedade civil, é mais difícil que o bloco tenha quaisquer parceiros que não atendam essas características mais duras de proteção ambiental", pondera Cosentino.


     Alguns interesses, por outro lado, podem se camuflar neste cenário, pondera o pesquisador. "Vale mencionar que há uma boa dose de protecionismo por parte do agronegócio europeu que também influencia a negociação com o Mercosul", adiciona.


    Para Charles Pennaforte, coordenador do Laboratório de Geopolítica, Relações Internacionais e Movimentos Antissistêmicos da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), é preciso ter cautela com as assimetrias do acordo e algumas previsões muito otimistas. "Não é possível que o impacto seja mensurado desta maneira, não dá pra prever todas as variáveis porque não se trata de um processo linear. No cômputo geral, a UE vai ser a maior beneficiada", analisa.


     Depois dos anos de "afluxo do antiambientalismo" do governo Bolsonaro, como define Pennaforte, o atual presidente brasileiro parece empenhado em reverter a situação, diz o pesquisador. A queda na taxa de desmatamento da Amazônia e o retorno de compromissos na área enviam sinais positivos ao mundo.


    Entre os produtores rurais, a esperança de que Lula resolvesse o impasse provocado pelas políticas da UE com rapidez está se enfraquecendo, opina Plöger. "Isso pode estar sendo provocado em parte às posições ambíguas de Lula frente ao confronto entre Rússia e Ucrânia, que é uma questão importante para os europeus", analisa.


    Segundo Plöger, os produtores reunidos na Abag estariam dispostos a contribuir com a meta de acabar com o desmatamento ilegal e adotar medidas conjugadas que visem a redução das mudanças climáticas. Para convencer as partes envolvidas nas negociações do acordo comercial, o GPS tem trabalhado com representantes do Mercosul na finalização de um documento mais detalhado que será entregue à União Europeia.


    Carlos Rittl, diretor de políticas públicas para florestas e mudanças climáticas da Wildlife Conservation Society que acompanhou de perto as negociações, avalia que as críticas feitas pelo agronegócio brasileiro vêm também do incômodo do setor em relação às adequações ambientais necessárias. 


    "É um acordo de longo prazo. Por mais que haja compromisso muito forte, e o presidente atual sempre fala do compromisso ambiental nos fóruns internacionais e o trabalho da Marina Silva já está entregando resultado, o acordo tem efeito no longo prazo. Se houver mudança do governo, o acordo tem que assegurar que ele mesmo não sirva de incentivo para quem está desmatando", argumenta Rittl. 


Disponível em: https://www.dw.com/pt-br/produtores-do-mercosul-criticam-falta-de-diálogo-com-ue/a-66914687/ . Adaptado. Acesso em: 10 de junho de 2026.

No trecho “os produtores reunidos na Abag estariam dispostos a contribuir com a meta de acabar com o desmatamento ilegal”, as palavras em destaque são classificadas, CORRETA e respectivamente, como: 
Alternativas
Q4156033 Português

Leia o texto IV e responda à questão.

Texto IV

Espelho do tempo: envelhecemos microscopicamente e nos perguntamos se perdemos o frescor

Assista a um telejornal, distraída, quando apareceu na tela o depoimento de um coroa que eu não conhecia, mas, por algum motivo, a imagem me atraiu. Ao ler o nome dele nos créditos, pensei: já conheci um cara com este nome... Peral... Não pode ser. Caramba, é ele. Um amigo que sumiu de vez do meu radar. Pertencemos à mesma turma de praia quando tínhamos 20 anos. Lembro que ele surfava, tinha um jipe e era um gozador nato. E agora estava ali, sisudo na tela da tevê, de terno e gravata, com a pele acinzentada, um fiapo de cabelo, um senhor - da minha idade.

No espelho do banheiro, nosso rosto é o mesmo todo dia. Envelhecemos microscopicamente. De terça para quarta, nenhuma diferença. Até que você encontra na rua uma ex-colega de faculdade ou se depara na tevê com alguém que já fez parte da sua juventude e se pergunta: será que eu também perdi o frescor? Eles se perguntam a mesma coisa quando te veem.

O espelho do banheiro não conta a verdade pelo simples fato de que ignoramos o que é visto toda hora. Já fotografias antigas são espelhos retroversos, demarcam com precisão as diferenças entre o antes e o agora. Outro dia, mostrei para minha filha uma foto de nós duas em 1992; eu a segurava em meu colo. Ela ficou impactada: “Era uma criança.” “Claro, você tinha um aninho.” “Estou falando de ti, mãe”.

É uma questão de perspectiva. Para os bebês, os pais são Matusaléns. No entanto, naquela foto, eu tinha menos idade do que ela tem hoje - éramos não uma, mas duas crianças. Um dia, ela me verá com o rosto completamente craquelado, miúda, corcunda pelo peso dos anos transcorridos, e o susto será outro: serei um espelho do seu futuro. Será obrigada a encarar a velhice que, gostemos ou não, está sempre em nossos calcanhares.

O tempo tem rosto, o tempo tem mãos, o tempo tem voz - e nada disso permanece o mesmo. As superfícies espelhadas reproduzem uma imagem de aparente, visto que, de hoje para amanhã, não se nota alteração. Mas quando encontro minhas amigas a intervalos de tempo, sou atravessada pela verdade óbvia de que não somos mais as meninas do pátio do colégio.

O que me consola é que estes espelhos vivos (a feição atual de nossos velhos afetos) trazem tanto, mas como boas notícias. Em vez de sofrer pelo que está arruinado, busco em cada rosto o sorriso moleque de antigamente, o olhar ainda curioso, a eternidade que mora nos detalhes. Aquele amigo que apareceu na tevê, tão concentrado em sua declaração em frente às câmeras, talvez tenha deixado escapar um filete de irreverência em meio aos verbos empolados que usava, e foi isso que me fez reconhecê-lo. Mesmo o mais implacável dos espelhos reflete algo em nós que não muda.

(MEDEIROS, Martha. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/elaimartha-medeiros/coluna/2025/11/espelhodo-tempo-envelhecemos-miscroscopicamente-e-nos-perguntamos-seperdemos-o-frescor.ghtml> - Texto adaptado.)

Em que opção o comentário acerca das análises sintáticas dos termos destacados estão corretos, sob o ponto de vista dos gramáticos Celso Cunha e Lindley Cintra?  
Alternativas
Q4156022 Português

Leia o texto IV e responda à questão.

Texto IV

Espelho do tempo: envelhecemos microscopicamente e nos perguntamos se perdemos o frescor

Assista a um telejornal, distraída, quando apareceu na tela o depoimento de um coroa que eu não conhecia, mas, por algum motivo, a imagem me atraiu. Ao ler o nome dele nos créditos, pensei: já conheci um cara com este nome... Peral... Não pode ser. Caramba, é ele. Um amigo que sumiu de vez do meu radar. Pertencemos à mesma turma de praia quando tínhamos 20 anos. Lembro que ele surfava, tinha um jipe e era um gozador nato. E agora estava ali, sisudo na tela da tevê, de terno e gravata, com a pele acinzentada, um fiapo de cabelo, um senhor - da minha idade.

No espelho do banheiro, nosso rosto é o mesmo todo dia. Envelhecemos microscopicamente. De terça para quarta, nenhuma diferença. Até que você encontra na rua uma ex-colega de faculdade ou se depara na tevê com alguém que já fez parte da sua juventude e se pergunta: será que eu também perdi o frescor? Eles se perguntam a mesma coisa quando te veem.

O espelho do banheiro não conta a verdade pelo simples fato de que ignoramos o que é visto toda hora. Já fotografias antigas são espelhos retroversos, demarcam com precisão as diferenças entre o antes e o agora. Outro dia, mostrei para minha filha uma foto de nós duas em 1992; eu a segurava em meu colo. Ela ficou impactada: “Era uma criança.” “Claro, você tinha um aninho.” “Estou falando de ti, mãe”.

É uma questão de perspectiva. Para os bebês, os pais são Matusaléns. No entanto, naquela foto, eu tinha menos idade do que ela tem hoje - éramos não uma, mas duas crianças. Um dia, ela me verá com o rosto completamente craquelado, miúda, corcunda pelo peso dos anos transcorridos, e o susto será outro: serei um espelho do seu futuro. Será obrigada a encarar a velhice que, gostemos ou não, está sempre em nossos calcanhares.

O tempo tem rosto, o tempo tem mãos, o tempo tem voz - e nada disso permanece o mesmo. As superfícies espelhadas reproduzem uma imagem de aparente, visto que, de hoje para amanhã, não se nota alteração. Mas quando encontro minhas amigas a intervalos de tempo, sou atravessada pela verdade óbvia de que não somos mais as meninas do pátio do colégio.

O que me consola é que estes espelhos vivos (a feição atual de nossos velhos afetos) trazem tanto, mas como boas notícias. Em vez de sofrer pelo que está arruinado, busco em cada rosto o sorriso moleque de antigamente, o olhar ainda curioso, a eternidade que mora nos detalhes. Aquele amigo que apareceu na tevê, tão concentrado em sua declaração em frente às câmeras, talvez tenha deixado escapar um filete de irreverência em meio aos verbos empolados que usava, e foi isso que me fez reconhecê-lo. Mesmo o mais implacável dos espelhos reflete algo em nós que não muda.

(MEDEIROS, Martha. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/elaimartha-medeiros/coluna/2025/11/espelhodo-tempo-envelhecemos-miscroscopicamente-e-nos-perguntamos-seperdemos-o-frescor.ghtml> - Texto adaptado.)

Considere o período:
Assistia a um telejornal, distraída, quando apareceu na tela o depoimento de um coroa que eu não conhecia, mas, por algum motivo, a imagem me atraiu.” (§1°)
Segundo Cunha e Cintra, a forma verbal destacada apresenta um objeto indireto que, “se for expresso por pronome de 3ª pessoa, exigirá a forma a ele(s) ou a ela(s), e não lhe(s)”. Em que opção isso também ocorre? 
Alternativas
Q4155809 Português

UM APÓLOGO


Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:

— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?

— Deixe-me, senhora.

— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.

— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.

— Mas você é orgulhosa.

— Decerto que sou.

— Mas por quê?

— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?

— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu, e muito eu?

— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...

— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás, obedecendo ao que eu faço e mando...

— Também os batedores vão adiante do imperador.

— Você é imperador?

— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...

Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:

— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...

A linha não respondia nada; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte; continuou ainda nesse e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.

Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava a um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha, para mofar da agulha, perguntou-lhe:

— Ora, agora, diga-me quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.

Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:

— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.

Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:

— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!

Disponível em: https://machadodeassis.net/texto/um-apologo/31424. Acesso em: 10 de junho de 2026.

Em “A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho”, os vocábulos destacados devem ser classificados, respectivamente, como: 
Alternativas
Q4151436 Português
Texto para a questão.


Texto II


JUSTIÇA CEARENSE APRESENTA PRIMEIRAS SENTENÇAS UTILIZANDO LINGUAGEM SIMPLES 


    Com o objetivo de facilitar a compreensão e aproximar a Justiça da população, o Judiciário cearense proferiu as primeiras sentenças utilizando linguagem simples, evitando assim a utilização de termos jurídicos rebuscados. As primeiras decisões, com a nova linguagem, foram proferidas pelo Juizado Especial Cível e Criminal da Comarca de Tauá, e envolvem Direito do Consumidor.

    Uma delas é de uma mulher que comprou três desodorantes pela internet por R$ 169,10 e, insatisfeita, decidiu devolver os produtos e pedir que a loja a ressarcisse. No entanto, a empresa só retornou a quantia de R$ 55,10, o que levou a cliente a procurar o Judiciário.

    Na última sexta-feira (26), a empresa foi condenada a devolver integralmente o valor gasto nos desodorantes, explicando de maneira clara todas as razões que levaram à procedência parcial dos pedidos.

    “Ao comunicar de forma clara e transparente, o Poder Público empodera os cidadãos, permitindo que tomem decisões informadas sobre suas vidas e comunidades, contribuindo para o desenvolvimento de sociedades mais justas, igualitárias e sustentáveis”, defende o juiz Sérgio Augusto Furtado Neto Viana, que é titular do Juizado Especial Cível e Criminal da Comarca de Tauá.

    A outra sentença do Juizado Especial de Tauá trata de um processo envolvendo uma cliente e uma ótica. A mulher adquiriu seus óculos no estabelecimento e, no mesmo dia, reparou que o produto estava com defeito. Ela procurou a loja para devolver os óculos, mas não obteve ajuda e, por isso, buscou a Justiça. O Juizado concedeu, nesta segunda-feira (29), o ressarcimento do valor pago pelo produto à cliente, bem como uma indenização por danos morais, visando compensar o sofrimento vivenciado pela consumidora.


Disponível em: https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/ceara/justica-cearense-apresenta-primeiras-sentencas-utilizando-linguagem-simples-1.3540345. Acesso em: 17 fev. 2026. Adaptado.
Os vocábulos enumerados a seguir desempenham função respectivamente de:

“Uma delas é de uma mulher que¹ comprou três desodorantes pela internet por R$ 169,10 e, insatisfeita, decidiu devolver os produtos e pedir que a loja a ressarcisse. No entanto, a empresa só retornou a quantia de R$ 55,10, o que² levou a cliente a procurar o Judiciário.”
Alternativas
Q4148499 Português
Para responder esta questão, leia o texto abaixo.

Plataformas passam a exigir autorização para remunerar menores

    Crianças e adolescentes agora precisam de autorização judicial em casos de exposição comercial nas redes sociais, tanto em rede própria quanto em canais de adultos. A determinação já está prevista no Estatuto Digital da Criança e do Adolescente.

    A norma determina que, caso os chamados influenciadores mirins não tenham o alvará, os conteúdos devem ser suspensos imediatamente pelas plataformas digitais, enquanto a situação não for regularizada. Além disso, as redes digitais, como YouTube, Instagram, Facebook, TikTok e Kwai, não podem monetizar (pagar por visualizações/anúncios) ou impulsionar conteúdos que explorem, de forma habitual, a imagem ou a rotina de crianças e adolescentes sem autorização judicial.


    Apesar de o ECA Digital estar em vigor desde março, a legislação deu três meses para estas normas relacionadas às plataformas digitais começarem a valer.


    O ECA digital também proíbe que os serviços de tecnologia da informação veiculem, monetizem ou impulsionem conteúdos que exponham crianças ou adolescentes a situações violadoras, erotizadas, vexatórias, degradantes ou publiquem dados que permitam sua identificação.


    O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) já tinha encaminhado um ofício às principais plataformas digitais com recomendações para adequação à nova legislação, na parte que trata das atividades artísticas online de crianças e adolescentes. Entre as recomendações, está a de que as plataformas notifiquem todos os perfis sobre a obrigatoriedade de autorização judicial para conteúdos remunerados e adotem meios de verificação dos que já possuem alvará para atividade artística de crianças e adolescentes.


    Porém, nos primeiros meses de vigência da norma, admite-se, temporariamente, o comprovante de protocolo do requerimento para justificar a regularização em curso.


Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2026-

06/plataformas-passam-exigir-autorizacao-para-remunerar-menores

(adaptado)

No fragmento do terceiro parágrafo, a legislação deu três meses para estas normas relacionadas às plataformas digitais começarem a valer, o termo sublinhado cumpre um papel de coesão referencial para retomar:
Alternativas
Ano: 2026 Banca: FGV Órgão: TJ-SC Prova: FGV - 2026 - TJ-SC - Técnico Judiciário Auxiliar |
Q4148278 Português
Leia o texto a seguir, observando as palavras em destaque.

Lançamento do Livro “A Nossa Oktoberfest Blumenau” celebra 40 anos da maior festa alemã das Américas

2 de fevereiro, 2026

A Oktoberfest Blumenau nasceu de histórias, pessoas e encontros que, ao longo de quatro décadas, transformaram a festa em um dos maiores símbolos culturais do Brasil. Preservar essa trajetória e, ao mesmo tempo, olhar para o futuro, foi a proposta do lançamento do livro “A Nossa Oktoberfest Blumenau”, que teve como produtor, o publicitário José Geraldo Reis Pfau e que ocorreu nesta segunda-feira, dia 2, no Frohsinn.
A obra reúne entrevistas com personagens que fizeram parte da construção da festa ao longo dos anos, registrando diferentes olhares, desafios e conquistas que ajudaram a consolidar a Oktoberfest como a festa mais alemã das Américas. As histórias apresentadas no livro dão voz a quem viveu e ajudou a escrever cada capítulo dessa trajetória.
https://oktoberfestblumenau.com.br/2026/02/02/lancamento-do-livro-a-nossaoktoberfest-blumenaucelebra-40-anos-da-maior-festa-alema-das-americas/

Em um texto, pronomes podem funcionar como importantes mecanismos de coesão, ao retomarem termos anteriores e evitarem repetições desnecessárias.

Considerando o uso dos pronomes relativos marcados no texto, assinale a opção em que se identifica corretamente o elemento retomado pelo pronome destacado.
Alternativas
Q4147977 Português
Assinale a alternativa em que o emprego do pronome pessoal está de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa: 
Alternativas
Q4147937 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Por que roupas estão tão caras na Argentina

 

Em lojas nos Estados Unidos e no Chile, muitos argentinos aproveitam viagens para comprar roupas mais baratas do que as vendidas na Argentina. Antes de viajar, muitos já se organizam financeiramente para trazer peças do exterior. Enquanto isso, quem permanece no país prolonga o uso das roupas, recorre a brechós ou parcela compras com juros elevados.

Segundo dados oficiais, a Argentina possui as roupas mais caras da região. Uma camiseta de marca internacional chegou a custar quase o dobro do preço praticado no Brasil antes da redução das tarifas de importação adotada pelo governo.

Embora haja consenso de que os preços estão elevados, não existe acordo sobre a solução. O setor têxtil defende redução de impostos e proteção à produção nacional, enquanto o governo aposta na abertura econômica e no aumento das importações.

Empresários afirmam que mais da metade do preço final corresponde a impostos. Entre eles estão tributos sobre consumo, movimentações bancárias, pagamentos com cartão e custos financeiros do parcelamento, muito utilizado no país.

Segundo representantes do setor, roupas produzidas na Argentina poderiam custar até trinta por cento menos se fossem vendidas em países vizinhos. Nos últimos meses, houve queda nas vendas, fechamento de mais de mil lojas e perda de milhares de empregos formais na indústria têxtil.

O governo rejeita a ideia de destruição de empregos e afirma que ocorre apenas uma migração da força de trabalho para setores mais competitivos.

Especialistas também atribuem os altos preços às antigas barreiras às importações. Antes das mudanças recentes, roupas estrangeiras enfrentavam tarifas elevadas para entrar no país, protegendo a indústria local da concorrência externa.

O governo atual afirma que esse modelo favorecia empresários sem estimular competição real. Por isso, reduziu tarifas de importação, facilitou compras internacionais pela internet e eliminou exigências burocráticas para entrada de produtos estrangeiros.

As mudanças afetaram diretamente a indústria local. Embora os preços das roupas tenham subido menos do que a inflação geral, a produção nacional caiu de forma significativa. Empresários afirmam que a abertura econômica, combinada aos altos impostos e à queda do consumo, reduziu a competitividade da indústria argentina diante de produtos importados, principalmente os chineses.

O presidente argentino defende que o país deve concentrar esforços nos setores em que possui maior capacidade competitiva e afirma que a indústria têxtil precisa investir mais em inovação e design.

Representantes do setor criticam essa visão e consideram injusta a comparação direta com a indústria chinesa, devido às diferenças de custos.

Economistas reconhecem que a abertura econômica traz benefícios no longo prazo, mas alertam que a velocidade das mudanças prejudica empresas que precisariam de mais tempo para adaptação.

 

https://www.bbc.com/portuguese/articles/clyp1e0nl5lo.adaptado.

A construção argumentativa do texto articula diferentes posições sobre os pregos das roupas na Argentina por meio de retomadas referenciais, conectivos e encadeamentos lógicos que contribuem para a progressao tematica.
De acordo com o texto apresentado sobre o mercado têxtil argentino, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4147066 Português
Mais ricos vacinam menos os filhos no Brasil

Quanto mais alta a classe social, maior a hesitação vacinal, apontam estudos.

Por Bruno Garattoni 2 mar 2026


    A hesitação vacinal, em que a pessoa reluta em vacinar a si própria e/ou a seus filhos, é mais frequente entre as classes sociais mais altas no Brasil. É o que revelam vários estudos (1) realizados sobre o tema. Conversamos com a socióloga Marcia Couto, professora da Faculdade de Medicina da USP e autora de alguns desses trabalhos, para entender.


    As classes mais altas têm mais acesso a educação e informação. Apesar disso, hesitam mais em se vacinar. Por quê?


    Nossos trabalhos apontaram algumas características específicas das famílias de alta renda e escolaridade. A primeira é o controle, elas acreditam que podem ter um controle individual dos riscos à saúde.


    A segunda é uma ideia de que, ao personalizar os cuidados de saúde dos seus filhos, elas podem prescindir de medidas sanitárias públicas. E a terceira é uma ideia de que a adoção de estilos de vida mais naturais levaria as crianças a não necessitar de vacinas.


(1) “‘Eu vivo num mundo muito burguês, não moro na periferia’: não vacinação infantil e a intersecção entre raça, classe e gênero”; “Desigualdades sociais da cobertura vacinal aos 24 meses – coorte de nascidos vivos em 2017 2018: Inquérito Nacional de Cobertura Vacinal, 2020”.


Leia mais em: https://super.abril.com.br/sociedade/mais-ricos-vacinam-menos-os-filhos-no-brasil/, acessado em 20 de março de 2026 (com adaptações) 
O termo “elas”, retoma:
Alternativas
Q4147033 Português

Macacos de Gibraltar encontram maneira de "evitar dores de barriga"


No Rochedo de Gibraltar, um local repleto de turistas, uma das cenas mais comuns são macacos pedindo comida - e às vezes roubando guloseimas doces e salgadas de visitantes desavisados. Cientistas agora documentaram um comportamento incomum entre esses macacos que pode ajudá-los a evitar dores de barriga causadas por toda essa comida não saudável.


Os pesquisadores afirmaram que observaram os macacos comendo terra com mais frequência, um comportamento que, segundo eles, pode ajudar os animais a evitar problemas estomacais causados pelo consumo de lanches humanos. Eles descobriram que o consumo de terra era mais comum em grupos de macacos que consumiam mais alimentos oferecidos por turistas, incluindo chocolate, batatas fritas e sorvete, itens ricos em açúcar, gordura e laticínios, e pobres em fibras.


"Propomos a ideia de que a comida humana, por não ser adaptada à sua dieta natural, desencadeia problemas estomacais e, potencialmente, perturbações no microbioma, cujos efeitos negativos são atenuados pelos componentes do solo", disse Sylvain Lemoine, antropólogo biológico da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e principal autor do estudo publicado na quarta-feira na revista Scientific Reports.


Se comparado a algo presente nos seres humanos, o ato de comer solo "provavelmente age como um antiácido", disse Lemoine, acrescentando que mais pesquisas são necessárias para entender seus efeitos sobre as bactérias intestinais.


Os pesquisadores monitoraram macacos-de-gibraltar que vivem em Gibraltar, um território britânico no extremo sul da Espanha, entre agosto de 2022 e abril de 2024. Os macacos − cerca de 230 animais distribuídos em oito grupos − constituem a única população de macacos em vida livre na Europa.


Os macacos vivem em contato próximo com as hordas de turistas que visitam o local. Os turistas frequentemente alimentam os macacos — ou têm seus lanches roubados — apesar de os animais também receberem frutas, verduras e sementes em plataformas de alimentação designadas e administradas pelas autoridades locais.


Acredita-se que os macacos-de-gibraltar, originários do Norte da África, chegaram a Gibraltar durante o domínio mouro medieval. Mais tarde, tornaram-se um símbolo do controle britânico, após a lenda contar que ajudaram a alertar as tropas sobre um ataque surpresa no século XVIII.


Sua população diminuiu durante a Segunda Guerra Mundial, o que levou o líder britânico Winston Churchill a ordenar o envio de reforços símios do Marrocos e da Argélia − animais dos quais se acredita que a maioria dos macacos atuais descendem.


O consumo deliberado de solo, giz ou argila é chamado de geofagia. É observado em muitas espécies animais, incluindo primatas como chimpanzés, lêmures e outros macacos.


https://www.cnnbrasil.com.br/ciencia/macacos-de-gibraltar-encontrammaneira-de-evitar-dores-de-barriga/-adaptado


"Uma ferramenta que alguns animais usam para descobrir se vale a pena correr o risco é a aprendizagem social, que eles realizam observando ou interagindo com outros animais ou com seus pertences." 

Com base nas classes de palavras dos vocábulos utilizados no trecho, marque com V as afirmativas verdadeiras ou com F as falsas.


(__)O vocábulo 'alguns' é pronome indefinido que exerce função de adjunto adnominal, determinando o substantivo 'animais' de forma imprecisa, ao indicar quantidade não especificada dentro de um conjunto maior.

(__)O vocábulo 'risco' funciona como substantivo, empregado em seu sentido denotativo e mais usual. Trata-se de uma palavra polissêmica, que pode assumir diferentes valores conforme o contexto, como indicar 'corte sem profundidade'.

(__)O vocábulo 'ou' atua como conjunção coordenativa alternativa em ambas as ocorrências, indicando em cada caso exclusão entre as opções apresentadas, de modo que apenas uma delas pode ocorrer simultaneamente.

(__)Os vocábulos 'observando' e "interagindo" são formas nominais do verbo no gerúndio, indicando o modo pelo qual os animais realizam a aprendizagem social. 


Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo. 

Alternativas
Q4146641 Português
Para responder à questão, utilizar o texto a seguir:


Miséria


“Esse quarto já sentiu a energia de muita alma jovem com muita vontade de viver e pouco espaço. O sangue e as lágrimas mancharam as paredes, os gritos e risadas ecoaram pelos vértices e as paixões consumiram tudo o que viram pela frente.”


    Esse é um trecho do texto que eu escrevi quando me mudei da minha primeira casa em São Paulo. Era uma kitnet na Corifeu, com uma janela pequena lá no alto. Não ventilava, não dava pra ver a rua. Era tudo branco, novo, nunca tinha sido usado. Era oco e não tinha história. De certa forma, a única história daquela casa era a minha, eu fui mudando junto com aquele espaço.

    Vendo aquela casa vazia na mudança, um filme passou pela minha cabeça, cheio de sentimentos agridoces. Ali eu ficava sozinha com os meus pensamentos, lidando com o mundo novo que era São Paulo. O meu sonho de estudar jornalismo na USP, os treinos da atlética, as aulas de línguas, a agenda cheia, tudo isso era parte da minha rotina. Assim como a solidão, a exclusão, a ansiedade, a dependência emocional, o medo de não fazer amigos e todas as outras dores de crescer e tentar descobrir quem eu era. É, não existe amor em SP.

    Essa música aparece logo no trailer do filme “A Voz do Silêncio”, um drama de 2018 dirigido por André Ristum. O longa gira em torno da vida de sete pessoas que moram em São Paulo, convivendo com as angústias e a solidão diária de morar em uma das maiores cidades do mundo, onde todo mundo está sempre com pressa e a empatia está sempre em falta.

     Uma das histórias que mais me tocou no filme foi a da personagem Maria Cláudia, interpretada por Marieta Severo. O único orgulho que ela tinha era o filho, interpretado pelo ator Arlindo Lopes, que sempre mandava cartões postais dizendo que estava em um lugar diferente do mundo. Na verdade, o filho morava em São Paulo mesmo, e trabalhava como atendente de telemarketing para sobreviver. Morava em um canto qualquer, e nunca nem saía para se divertir. Todo dia era sempre igual. E assim era para os outros personagens: o trabalho doído, com quase nenhuma folga e absolutamente nenhum descanso da dor das próprias angústias, de não fazer nada que dê prazer, de fazer tudo no automático.

    Depois de ver esse filme e sentir todos aqueles sentimentos tão reais junto com os personagens, fiquei pensando que a miséria sobre a qual Victor Hugo escreveu não tinha nada a ver com dinheiro. Miserável. Em português, e até mesmo em francês, língua original da obra “Les Misérables”, essa palavra pode nos fazer lembrar muito mais da miséria física, falta de dinheiro, falta de comida. Mas em inglês, “miserable” se refere muito mais a um estado emocional, quando você se sente péssimo, um lixo. Gosto mais desse sentido.

    O Jean Valjean, personagem dessa célebre obra francesa, foi preso por roubar um pão, e mesmo depois de ganhar dinheiro e tentar fazer o bem, o guarda Javert só pensava em condená-lo por seu passado. Tanta foi a culpa, que Javert cometeu suicídio. Éponine morreu pelo homem que amava e que a via apenas como uma amiga e Gavroche, com apenas 12 anos, morreu lutando uma luta que não devia ser sua. A miséria deles era de dignidade, de liberdade, assim como a miséria da Maria Cláudia e do seu filho, assim como a nossa miséria diária.

     Da minha posição de previlégio, nem imagino como devem ser as misérias de tantas outras pessoas durante a pandemia. Mas eu sinto a minha miséria, quando vejo as mortes na TV, o mau caratismo dos políticos e a dor das pessoas, pensando que não posso fazer nada, ou quase nada. Penso nos dias de quarentena que passei trancada em casa, lidando com a depressão, tentando achar uma saída e um sentido nisso tudo. Sinto que estou perto, apesar de não ter ideia de quando vou chegar lá. 

    Mas de uma coisa eu sei, e peço desculpas se fui muito dura lá no início, porque existe sim amor em SP. Eu descobri isso com os amigos da minha república, fazendo fogueira na garagem de casa no meio do Butantã, tomando banho de chuva ao som de Vanessa da Mata e fazendo cinema no quintal, tudo isso em plena pandemia. Existe amor em SP, mas é uma coisa que nós precisamos buscar e construir, dia após dia. A cidade é só uma cidade. Assim como a minha kitnet era só um lugar qualquer, pintado de branco, e que eu colori com a minha história, que era ruim, mas também era boa.

    Existe poesia nessas esquinas duras, como cantou Caetano, mas é preciso procurá-la ativamente, antes que a mesmice, a rotina e a indiferença nos consumam. Se as paredes da cidade podem pintar nossa cabeça de cinza e fazer um baita estrago, talvez nós também possamos colorir as paredes, de alguma forma.


CAIADO, Marina Faleiro. Miséria. In: MALULY, Luciano Victor Barros et al. (Org.). Crônicas para ler e ouvir: volume 1. São Paulo: ECA-USP, 2021. p. 13-15. (Série Crônicas para ler e ouvir). DOI: 10.11606/9786588640579. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/730. Acesso em: 5 maio 2026. Adaptado.
No trecho “O único orgulho que ela tinha era o filho, interpretado pelo ator Arlindo Lopes, que sempre mandava cartões postais dizendo que estava em um lugar diferente do mundo”, o pronome relativo “que” (em “que sempre mandava cartões postais”):
Alternativas
Respostas
121: D
122: B
123: A
124: C
125: B
126: C
127: B
128: E
129: D
130: E
131: E
132: A
133: A
134: B
135: A
136: B
137: E
138: B
139: C
140: B