Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q3772666 Português
Texto I

LER O BRASIL PARA AS CRIANÇAS

   O mercado editorial está cheio de títulos infantis disputando prateleiras e olhares de crianças curiosas e pais preocupados em estimular o hábito da leitura nos pequenos. Vale tudo na luta desleal entre as imagens e sons fáceis que saltam das telas e o delicado exercício de imaginar o que a literatura conta e, por vezes, apenas sugere.
    Entre os livros que recebo, um me chamou especial atenção: A onça esfomeada e os bichos espertos (2025), de Ugise Kalapalo, com ilustrações de Babette Costa e Greta Comolatti. É a adaptação de uma narrativa tradicional do povo kalapalo que habita o Alto Xingu, às margens do rio Kuluene, uma das mais de 305 etnias presentes no território nacional. A edição caprichada da editora Escuta Aqui Bem-Te-Vi é um exemplo a ser seguido no trato com a cultura indígena. O texto é bilíngue, em português-karib, língua falada pelos kalapalos (há em torno de 270 línguas indígenas faladas no Brasil).
    A informação da multiplicidade cultural presente em nosso país dá um bom começo de conversa com a criançada que tiver acesso ao livro, seja nas escolas, seja nas livrarias que ainda prezam o contato direto com seus leitores mirins, por meio de contação de histórias e da presença dos autores. Não é de menos importância o fato de que um indígena kalapalo possa ver sua língua estampada em espaços culturais que costumam ignorar sua existência. Parabenizo os envolvidos pela escolha político-editorial.  
    A segunda quebra de paradigma está na ideia de que entre animais e pessoas não há a hierarquia que o povo ocidental insiste em defender e que faz de nós os maiores predadores do ambiente do qual fazemos parte. É essa empáfia supostamente evolutiva que nos mantém na enrascada que deixará as próximas gerações sem água potável, temperaturas suportáveis e alimentos saudáveis. Como disse Nêgo Bispo, o que chamamos de des-envolvimento é falta de envolvimento. Para culturas em paz com o planeta onde habitam, animais são “pessoas não humanas”.
    Não se trata do antropomorfismo das fábulas de Esopo, com suas mensagens carregadas de moral a ser incutida nas crianças que, como nós, aprenderam horrorizadas que a Cigarra artista merecia ser deixada à míngua pela Formiga trabalhadeira. Entre os kalapalos, cada pessoa tem seu valor, seu truque e ensinamento, fazendo da onça – a maior caçadora da floresta – um animal a ser respeitado, mas não onipotente.
    A escolha por retratar o cotidiano das aldeias nas ilustrações ao longo do livro é de extremo bom gosto e atiçará a curiosidade da criançada branca atenta à jornada da dona Onça em busca de comida. O detalhe final fica para a introdução dos antropólogos Veronica Monachini (que assina a adaptação) e Antonio Guerreiro, que nos explicam que não se trata de um mito ou de um conto, mas daquilo que para os kalapalos é a própria história com h.
    É nesse ponto que se tem a oportunidade de avaliar o que entendemos por ficção em nossa cultura e aprender algo. As versões que fazemos do mundo não só explicam quem somos como nos orientam em como lidar com nossa existência coletivamente. Faz 500 anos que esses povos nos alertam para o perigo de nosso discurso desenvolvimentista, cujos efeitos nefastos nossas crianças já testemunham.

VERA IACONELLI
Adaptado de folha.uol.com.br, 25/08/2025.
Por suas características de tema, forma e estilo, o texto da psicanalista Vera Iaconelli aproxima-se do gênero de discurso denominado: 
Alternativas
Q3772601 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Como oito segundos em fita de VHS devolveram voz à mulher com doença degenerativa após vinte e cinco anos


"Depois de tanto tempo, eu não conseguia mais me lembrar da minha voz. Quando ouvi novamente, senti vontade de chorar. É uma espécie de milagre", afirma Sarah Ezekiel.

Aos trinta e quatro anos, pouco depois do nascimento do segundo filho, ela recebeu o diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença degenerativa que compromete os neurônios motores. Em poucos meses, ela perdeu o uso das mãos e deixou de falar de maneira inteligível, passando a depender de cuidadores e de tecnologia para se comunicar. Durante mais de vinte anos, a única voz que os filhos conheceram foi a de uma máquina metálica e sem emoção.

A mudança veio quando a família encontrou uma fita VHS dos anos 1990, gravada em ambiente doméstico, na qual havia apenas oito segundos de fala de Sarah. Embora o som estivesse distorcido e abafado, ferramentas de inteligência artificial conseguiram isolar e reconstruir sua voz original, devolvendo-lhe entonação, identidade e emoção.

O impacto foi imediato. Sarah se emocionou ao ouvir a própria voz recriada, e os filhos relataram sentir-se mais próximos da mãe, que agora conseguia expressar estados de espírito e transmitir nuances de sua personalidade. A família descreve essa transformação como um ganho profundo, que reaproximou todos após anos de comunicação limitada.

Antes disso, Sarah viveu longos períodos de isolamento e depressão, até que, com o surgimento da tecnologia de rastreamento ocular, voltou a se expressar, a atuar em projetos de apoio a pessoas com deficiência e até a retomar a pintura. Com esforço, passou a transformar movimentos dos olhos em palavras, frases e obras de arte.

Especialistas observam que as vozes recriadas por inteligência artificial representam um avanço significativo em relação às antigas vozes padronizadas, porque preservam sotaques, ritmos e características individuais. Isso contribui para que cada paciente se reconheça em sua própria fala, reforçando a identidade e a ligação afetiva com familiares e amigos.

No Brasil, o Ministério da Saúde calcula que cerca de doze mil pessoas convivem com a ELA. Embora não exista cura, o Sistema Único de Saúde oferece medicamentos que retardam a progressão, além de fisioterapia, acompanhamento nutricional e cuidados paliativos. Entre os sintomas estão perda gradual da força, dificuldade para respirar e engolir, alterações na fala, engasgos frequentes, cãibras e perda de peso.

O caso de Sarah ilustra como a tecnologia ultrapassa barreiras impostas por doenças graves, devolvendo não apenas a capacidade de se comunicar, mas também a sensação de dignidade, identidade e pertencimento.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cx29gz8pg8qo.ADAPTADO.
Avanços tecnológicos têm transformado a forma como pessoas com limitações físicas e doenças degenerativas interagem com o mundo, ampliando as possibilidades de comunicação e fortalecendo vínculos sociais e afetivos.

De acordo com o texto base, analise as afirmações a seguir e assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3772600 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Como oito segundos em fita de VHS devolveram voz à mulher com doença degenerativa após vinte e cinco anos


"Depois de tanto tempo, eu não conseguia mais me lembrar da minha voz. Quando ouvi novamente, senti vontade de chorar. É uma espécie de milagre", afirma Sarah Ezekiel.

Aos trinta e quatro anos, pouco depois do nascimento do segundo filho, ela recebeu o diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença degenerativa que compromete os neurônios motores. Em poucos meses, ela perdeu o uso das mãos e deixou de falar de maneira inteligível, passando a depender de cuidadores e de tecnologia para se comunicar. Durante mais de vinte anos, a única voz que os filhos conheceram foi a de uma máquina metálica e sem emoção.

A mudança veio quando a família encontrou uma fita VHS dos anos 1990, gravada em ambiente doméstico, na qual havia apenas oito segundos de fala de Sarah. Embora o som estivesse distorcido e abafado, ferramentas de inteligência artificial conseguiram isolar e reconstruir sua voz original, devolvendo-lhe entonação, identidade e emoção.

O impacto foi imediato. Sarah se emocionou ao ouvir a própria voz recriada, e os filhos relataram sentir-se mais próximos da mãe, que agora conseguia expressar estados de espírito e transmitir nuances de sua personalidade. A família descreve essa transformação como um ganho profundo, que reaproximou todos após anos de comunicação limitada.

Antes disso, Sarah viveu longos períodos de isolamento e depressão, até que, com o surgimento da tecnologia de rastreamento ocular, voltou a se expressar, a atuar em projetos de apoio a pessoas com deficiência e até a retomar a pintura. Com esforço, passou a transformar movimentos dos olhos em palavras, frases e obras de arte.

Especialistas observam que as vozes recriadas por inteligência artificial representam um avanço significativo em relação às antigas vozes padronizadas, porque preservam sotaques, ritmos e características individuais. Isso contribui para que cada paciente se reconheça em sua própria fala, reforçando a identidade e a ligação afetiva com familiares e amigos.

No Brasil, o Ministério da Saúde calcula que cerca de doze mil pessoas convivem com a ELA. Embora não exista cura, o Sistema Único de Saúde oferece medicamentos que retardam a progressão, além de fisioterapia, acompanhamento nutricional e cuidados paliativos. Entre os sintomas estão perda gradual da força, dificuldade para respirar e engolir, alterações na fala, engasgos frequentes, cãibras e perda de peso.

O caso de Sarah ilustra como a tecnologia ultrapassa barreiras impostas por doenças graves, devolvendo não apenas a capacidade de se comunicar, mas também a sensação de dignidade, identidade e pertencimento.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cx29gz8pg8qo.ADAPTADO.
Antes disso, Sarah viveu longos períodos de "isolamento" e depressão.

O sinônimo que melhor representa o termo destacado é:
Alternativas
Q3772596 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Como oito segundos em fita de VHS devolveram voz à mulher com doença degenerativa após vinte e cinco anos


"Depois de tanto tempo, eu não conseguia mais me lembrar da minha voz. Quando ouvi novamente, senti vontade de chorar. É uma espécie de milagre", afirma Sarah Ezekiel.

Aos trinta e quatro anos, pouco depois do nascimento do segundo filho, ela recebeu o diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença degenerativa que compromete os neurônios motores. Em poucos meses, ela perdeu o uso das mãos e deixou de falar de maneira inteligível, passando a depender de cuidadores e de tecnologia para se comunicar. Durante mais de vinte anos, a única voz que os filhos conheceram foi a de uma máquina metálica e sem emoção.

A mudança veio quando a família encontrou uma fita VHS dos anos 1990, gravada em ambiente doméstico, na qual havia apenas oito segundos de fala de Sarah. Embora o som estivesse distorcido e abafado, ferramentas de inteligência artificial conseguiram isolar e reconstruir sua voz original, devolvendo-lhe entonação, identidade e emoção.

O impacto foi imediato. Sarah se emocionou ao ouvir a própria voz recriada, e os filhos relataram sentir-se mais próximos da mãe, que agora conseguia expressar estados de espírito e transmitir nuances de sua personalidade. A família descreve essa transformação como um ganho profundo, que reaproximou todos após anos de comunicação limitada.

Antes disso, Sarah viveu longos períodos de isolamento e depressão, até que, com o surgimento da tecnologia de rastreamento ocular, voltou a se expressar, a atuar em projetos de apoio a pessoas com deficiência e até a retomar a pintura. Com esforço, passou a transformar movimentos dos olhos em palavras, frases e obras de arte.

Especialistas observam que as vozes recriadas por inteligência artificial representam um avanço significativo em relação às antigas vozes padronizadas, porque preservam sotaques, ritmos e características individuais. Isso contribui para que cada paciente se reconheça em sua própria fala, reforçando a identidade e a ligação afetiva com familiares e amigos.

No Brasil, o Ministério da Saúde calcula que cerca de doze mil pessoas convivem com a ELA. Embora não exista cura, o Sistema Único de Saúde oferece medicamentos que retardam a progressão, além de fisioterapia, acompanhamento nutricional e cuidados paliativos. Entre os sintomas estão perda gradual da força, dificuldade para respirar e engolir, alterações na fala, engasgos frequentes, cãibras e perda de peso.

O caso de Sarah ilustra como a tecnologia ultrapassa barreiras impostas por doenças graves, devolvendo não apenas a capacidade de se comunicar, mas também a sensação de dignidade, identidade e pertencimento.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cx29gz8pg8qo.ADAPTADO.
A única voz que os filhos conheceram foi a de uma máquina metálica e sem emoção.
Em relação aos recursos expressivos da linguagem, o trecho acima exemplifica o uso de:
Alternativas
Q3772572 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Medo de mudar de opinião


Tem pessoas que sofrem por não terem coragem de mudar. Como em algum momento do passado elas defenderam uma causa em que acreditavam com muita força e convicção, agora se sentem interiormente impedidas de mudar, de reconhecer que as coisas e o tempo evoluem, e a mudança de ideias e opiniões acompanham. Com isso, sofrem muito. E o que é pior. Mesmo sabendo estarem erradas, continuam defendendo causas nas quais não acreditam mais, só por se sentirem incapazes de mudar de opinião e dizer que pensaram melhor, estudaram novos argumentos e mudaram de ideia. Para algumas pessoas isso é impensável! Isso acontece a respeito de qualquer tema: política, costumes, saúde, religião, meio-ambiente etc. Se o caro leitor é um desses, lembre-se que você tem o direito de mudar de ideia e de opinião sem ter medo nem vergonha, sem ter que dar satisfação a ninguém. Pense nisso. 



SANTOS, Alaides Garcia dos. Medo de mudar de opinião. Blog do Alaides, [s.d.]. Disponível em: https://www.blogdoalaides.com.br/cronicas-curtas-6/ . Acesso em: 2 dez. 2025.


Com base na leitura atenta do texto, julgue as proposições a seguir.

I.A ideia central do texto consiste em argumentar que mudar de opinião é um direito legítimo e não deve ser motivo de constrangimento.

II.O texto assume um tom acusatório ao descrever pessoas que mudam de opinião com frequência, considerando-as incoerentes e inconstantes.

III.É possível inferir do texto que a permanência em ideias ultrapassadas pode gerar sofrimento, mesmo quando o sujeito já não acredita nelas.

IV.A menção a temas como política, saúde e religião serve como exemplo da diversidade de áreas em que o fenômeno abordado ocorre. 

Está correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3772513 Português

Texto I


I.A., uma inteligência que não pensa. Já pensou nisso?


Por Raphael Conceição


    O assombroso avanço tecnológico dos diversos modelos de linguagem existentes no mundo de hoje deixa à margem um debate importante acerca do que se convencionou denominar “Inteligência Artificial”.

    A discussão que tenho proposto em inúmeras palestras, oficinas e workshops sobre o tema trata de uma região que figura entre a imprecisão e o engano do uso do termo “inteligência” para um tipo de tecnologia que não pensa, não intui, não dispõe de consciência e, se tanto, simula a atividade cerebral humana.

    É indubitável que os bots que conversam de maneira tão natural com as pessoas transmitem uma sensação de proximidade.

    Meu ponto, porém, é que essa “pessoalidade”, por assim dizer, é tão legítima quanto a “mágica” de um ilusionista que prende nossa atenção em uma de suas mãos enquanto, com a outra, realiza processos cujo resultado nos encantará com lenços que lhe saem da boca ou uma carta de baralho rasgada que volta a aparecer em um dos bolsos de seu fraque.

    É divertido ver, admito. Mas não é mágica. Assim como conversar com um sistema também me entretém. Mas não é conversa. Sob essa ótica, desmistificamos questões que inclusive atrapalham as pessoas a usufruírem mais e melhor da tecnologia de que hoje dispomos.

    Quando nos damos conta de que tudo aquilo que perguntamos, demandamos ou pesquisamos, cujas respostas nos chegam em segundos de maneira impressionante, decorre de uma precisão estatística, matemática e padronizada, compreendemos melhor que o caminho a trilhar não é um embate IA x Humano, e sim um viés em que a dita Inteligência Artificial potencializa o que nós, pessoas, somos.

    Se de melhor ou pior, bom, o critério e a decisão ficam à nossa conta.

    De todo modo, medos de que as máquinas algum dia se revoltem contra nós como nas telas de cinema – ou no streaming que parece adivinhar a melhor série que combina com o meu perfil – podem ser minimizados quando aceitamos a IA tal qual ela é: poderosa em cálculo e correlação, mas desprovida de consciência ou compreensão semântica.

    A máquina avança pela nossa real inteligência e nos ajuda a automatizar tarefas repetitivas, calcular cenários em dimensões e magnitudes que há pouco pareciam impossíveis e até mesmo predizer possibilidades com alta taxa de acertos. Tudo isso sem tirar nem ameaçar o papel que nos cumpre: decisores sobre qual impacto queremos que a IA tenha em nossas vidas.

    A TV interferiu no rádio. O digital no impresso. O CD no vinil. A IA, claro, vai transformar muitos aspectos da nossa vida, e nossa relação com ela moldará nosso futuro.

    A pergunta que não quer calar (Como?), porém, não deve ser direcionada ao ChatGPT ou correlatos. Quem vai respondê-la seremos nós, enquanto sociedade, dentro das classes, castas e divisões a que nos submetemos (ou impomos).

    Quem sabe a gente não escolhe usar a tecnologia para um futuro mais inclusivo e menos desigual. Se é possível sonhar? Eu creio que sim.

    Mas esse papo é para um próximo texto.

    Um abraço, enter, e até lá.



Fonte:

https://www.jb.com.br/brasil/opiniao/artigos/2025/10/10 57224-i-a-uma-inteligencia-que-nao-pensa-ja-pensounisso.html. Acesso em 31/10/2025. Excerto

No encerramento do texto, ao afirmar “Quem sabe a gente não escolhe usar a tecnologia para um futuro mais inclusivo e menos desigual” (12º parágrafo), a função da linguagem que se destaca é a:  
Alternativas
Q3772512 Português

Texto I


I.A., uma inteligência que não pensa. Já pensou nisso?


Por Raphael Conceição


    O assombroso avanço tecnológico dos diversos modelos de linguagem existentes no mundo de hoje deixa à margem um debate importante acerca do que se convencionou denominar “Inteligência Artificial”.

    A discussão que tenho proposto em inúmeras palestras, oficinas e workshops sobre o tema trata de uma região que figura entre a imprecisão e o engano do uso do termo “inteligência” para um tipo de tecnologia que não pensa, não intui, não dispõe de consciência e, se tanto, simula a atividade cerebral humana.

    É indubitável que os bots que conversam de maneira tão natural com as pessoas transmitem uma sensação de proximidade.

    Meu ponto, porém, é que essa “pessoalidade”, por assim dizer, é tão legítima quanto a “mágica” de um ilusionista que prende nossa atenção em uma de suas mãos enquanto, com a outra, realiza processos cujo resultado nos encantará com lenços que lhe saem da boca ou uma carta de baralho rasgada que volta a aparecer em um dos bolsos de seu fraque.

    É divertido ver, admito. Mas não é mágica. Assim como conversar com um sistema também me entretém. Mas não é conversa. Sob essa ótica, desmistificamos questões que inclusive atrapalham as pessoas a usufruírem mais e melhor da tecnologia de que hoje dispomos.

    Quando nos damos conta de que tudo aquilo que perguntamos, demandamos ou pesquisamos, cujas respostas nos chegam em segundos de maneira impressionante, decorre de uma precisão estatística, matemática e padronizada, compreendemos melhor que o caminho a trilhar não é um embate IA x Humano, e sim um viés em que a dita Inteligência Artificial potencializa o que nós, pessoas, somos.

    Se de melhor ou pior, bom, o critério e a decisão ficam à nossa conta.

    De todo modo, medos de que as máquinas algum dia se revoltem contra nós como nas telas de cinema – ou no streaming que parece adivinhar a melhor série que combina com o meu perfil – podem ser minimizados quando aceitamos a IA tal qual ela é: poderosa em cálculo e correlação, mas desprovida de consciência ou compreensão semântica.

    A máquina avança pela nossa real inteligência e nos ajuda a automatizar tarefas repetitivas, calcular cenários em dimensões e magnitudes que há pouco pareciam impossíveis e até mesmo predizer possibilidades com alta taxa de acertos. Tudo isso sem tirar nem ameaçar o papel que nos cumpre: decisores sobre qual impacto queremos que a IA tenha em nossas vidas.

    A TV interferiu no rádio. O digital no impresso. O CD no vinil. A IA, claro, vai transformar muitos aspectos da nossa vida, e nossa relação com ela moldará nosso futuro.

    A pergunta que não quer calar (Como?), porém, não deve ser direcionada ao ChatGPT ou correlatos. Quem vai respondê-la seremos nós, enquanto sociedade, dentro das classes, castas e divisões a que nos submetemos (ou impomos).

    Quem sabe a gente não escolhe usar a tecnologia para um futuro mais inclusivo e menos desigual. Se é possível sonhar? Eu creio que sim.

    Mas esse papo é para um próximo texto.

    Um abraço, enter, e até lá.



Fonte:

https://www.jb.com.br/brasil/opiniao/artigos/2025/10/10 57224-i-a-uma-inteligencia-que-nao-pensa-ja-pensounisso.html. Acesso em 31/10/2025. Excerto

Em “[...] a dita Inteligência Artificial potencializa o que nós, pessoas, somos” (6º parágrafo), ocorre figura de linguagem denominada:  
Alternativas
Q3772508 Português

Texto I


I.A., uma inteligência que não pensa. Já pensou nisso?


Por Raphael Conceição


    O assombroso avanço tecnológico dos diversos modelos de linguagem existentes no mundo de hoje deixa à margem um debate importante acerca do que se convencionou denominar “Inteligência Artificial”.

    A discussão que tenho proposto em inúmeras palestras, oficinas e workshops sobre o tema trata de uma região que figura entre a imprecisão e o engano do uso do termo “inteligência” para um tipo de tecnologia que não pensa, não intui, não dispõe de consciência e, se tanto, simula a atividade cerebral humana.

    É indubitável que os bots que conversam de maneira tão natural com as pessoas transmitem uma sensação de proximidade.

    Meu ponto, porém, é que essa “pessoalidade”, por assim dizer, é tão legítima quanto a “mágica” de um ilusionista que prende nossa atenção em uma de suas mãos enquanto, com a outra, realiza processos cujo resultado nos encantará com lenços que lhe saem da boca ou uma carta de baralho rasgada que volta a aparecer em um dos bolsos de seu fraque.

    É divertido ver, admito. Mas não é mágica. Assim como conversar com um sistema também me entretém. Mas não é conversa. Sob essa ótica, desmistificamos questões que inclusive atrapalham as pessoas a usufruírem mais e melhor da tecnologia de que hoje dispomos.

    Quando nos damos conta de que tudo aquilo que perguntamos, demandamos ou pesquisamos, cujas respostas nos chegam em segundos de maneira impressionante, decorre de uma precisão estatística, matemática e padronizada, compreendemos melhor que o caminho a trilhar não é um embate IA x Humano, e sim um viés em que a dita Inteligência Artificial potencializa o que nós, pessoas, somos.

    Se de melhor ou pior, bom, o critério e a decisão ficam à nossa conta.

    De todo modo, medos de que as máquinas algum dia se revoltem contra nós como nas telas de cinema – ou no streaming que parece adivinhar a melhor série que combina com o meu perfil – podem ser minimizados quando aceitamos a IA tal qual ela é: poderosa em cálculo e correlação, mas desprovida de consciência ou compreensão semântica.

    A máquina avança pela nossa real inteligência e nos ajuda a automatizar tarefas repetitivas, calcular cenários em dimensões e magnitudes que há pouco pareciam impossíveis e até mesmo predizer possibilidades com alta taxa de acertos. Tudo isso sem tirar nem ameaçar o papel que nos cumpre: decisores sobre qual impacto queremos que a IA tenha em nossas vidas.

    A TV interferiu no rádio. O digital no impresso. O CD no vinil. A IA, claro, vai transformar muitos aspectos da nossa vida, e nossa relação com ela moldará nosso futuro.

    A pergunta que não quer calar (Como?), porém, não deve ser direcionada ao ChatGPT ou correlatos. Quem vai respondê-la seremos nós, enquanto sociedade, dentro das classes, castas e divisões a que nos submetemos (ou impomos).

    Quem sabe a gente não escolhe usar a tecnologia para um futuro mais inclusivo e menos desigual. Se é possível sonhar? Eu creio que sim.

    Mas esse papo é para um próximo texto.

    Um abraço, enter, e até lá.



Fonte:

https://www.jb.com.br/brasil/opiniao/artigos/2025/10/10 57224-i-a-uma-inteligencia-que-nao-pensa-ja-pensounisso.html. Acesso em 31/10/2025. Excerto

No trecho “um tipo de tecnologia que não pensa, não intui, não dispõe de consciência e, se tanto, simula a atividade cerebral humana” (2º parágrafo), o termo em destaque cumpre a função de:  
Alternativas
Q3772506 Português

Texto I


I.A., uma inteligência que não pensa. Já pensou nisso?


Por Raphael Conceição


    O assombroso avanço tecnológico dos diversos modelos de linguagem existentes no mundo de hoje deixa à margem um debate importante acerca do que se convencionou denominar “Inteligência Artificial”.

    A discussão que tenho proposto em inúmeras palestras, oficinas e workshops sobre o tema trata de uma região que figura entre a imprecisão e o engano do uso do termo “inteligência” para um tipo de tecnologia que não pensa, não intui, não dispõe de consciência e, se tanto, simula a atividade cerebral humana.

    É indubitável que os bots que conversam de maneira tão natural com as pessoas transmitem uma sensação de proximidade.

    Meu ponto, porém, é que essa “pessoalidade”, por assim dizer, é tão legítima quanto a “mágica” de um ilusionista que prende nossa atenção em uma de suas mãos enquanto, com a outra, realiza processos cujo resultado nos encantará com lenços que lhe saem da boca ou uma carta de baralho rasgada que volta a aparecer em um dos bolsos de seu fraque.

    É divertido ver, admito. Mas não é mágica. Assim como conversar com um sistema também me entretém. Mas não é conversa. Sob essa ótica, desmistificamos questões que inclusive atrapalham as pessoas a usufruírem mais e melhor da tecnologia de que hoje dispomos.

    Quando nos damos conta de que tudo aquilo que perguntamos, demandamos ou pesquisamos, cujas respostas nos chegam em segundos de maneira impressionante, decorre de uma precisão estatística, matemática e padronizada, compreendemos melhor que o caminho a trilhar não é um embate IA x Humano, e sim um viés em que a dita Inteligência Artificial potencializa o que nós, pessoas, somos.

    Se de melhor ou pior, bom, o critério e a decisão ficam à nossa conta.

    De todo modo, medos de que as máquinas algum dia se revoltem contra nós como nas telas de cinema – ou no streaming que parece adivinhar a melhor série que combina com o meu perfil – podem ser minimizados quando aceitamos a IA tal qual ela é: poderosa em cálculo e correlação, mas desprovida de consciência ou compreensão semântica.

    A máquina avança pela nossa real inteligência e nos ajuda a automatizar tarefas repetitivas, calcular cenários em dimensões e magnitudes que há pouco pareciam impossíveis e até mesmo predizer possibilidades com alta taxa de acertos. Tudo isso sem tirar nem ameaçar o papel que nos cumpre: decisores sobre qual impacto queremos que a IA tenha em nossas vidas.

    A TV interferiu no rádio. O digital no impresso. O CD no vinil. A IA, claro, vai transformar muitos aspectos da nossa vida, e nossa relação com ela moldará nosso futuro.

    A pergunta que não quer calar (Como?), porém, não deve ser direcionada ao ChatGPT ou correlatos. Quem vai respondê-la seremos nós, enquanto sociedade, dentro das classes, castas e divisões a que nos submetemos (ou impomos).

    Quem sabe a gente não escolhe usar a tecnologia para um futuro mais inclusivo e menos desigual. Se é possível sonhar? Eu creio que sim.

    Mas esse papo é para um próximo texto.

    Um abraço, enter, e até lá.



Fonte:

https://www.jb.com.br/brasil/opiniao/artigos/2025/10/10 57224-i-a-uma-inteligencia-que-nao-pensa-ja-pensounisso.html. Acesso em 31/10/2025. Excerto

O autor critica o termo "inteligência artificial" principalmente por considerar que: 
Alternativas
Q3772303 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Rei Charles será primeiro monarca britânico a rezar ao lado de um papa em 500 anos


O rei Charles III e o papa Leão XIV se tornarão o primeiro monarca britânico e o primeiro pontífice a rezarem juntos em uma celebração religiosa desde a Reforma do século XVI. O encontro histórico ocorrerá na Capela Sistina, no Vaticano, durante a visita de Estado que o rei Charles e a rainha Camila realizarão na próxima semana.


Sob o famoso teto pintado por Michelangelo, a cerimônia reunirá clérigos e corais tanto da Igreja Católica Romana quanto da Igreja da Inglaterra, da qual o rei é o governador supremo. A visita representa um importante gesto de reconciliação e marcará também o primeiro encontro entre o rei e o novo papa, nascido nos Estados Unidos.


Charles e Camila se reunirão com o papa e altos representantes do Vaticano em uma celebração ecumênica especial, na qual o rei e o pontífice rezarão juntos. A cerimônia na Capela Sistina terá como foco a preservação da natureza, tema que reflete o engajamento do rei em causas ambientais. O coral da Capela Sistina cantará ao lado dos corais da Capela de São Jorge e da Capela Real de Sua Majestade, simbolizando harmonia entre as tradições católica e anglicana.


O local, do século XV, é conhecido por abrigar o conclave de cardeais que elege o papa. Embora monarcas britânicos tenham se encontrado com pontífices anteriormente — incluindo a falecida rainha Elizabeth II —, esta será a primeira vez, desde a separação de Henrique VIII de Roma, que um monarca britânico e um papa rezarão juntos em uma celebração religiosa.


Fontes do Palácio de Buckingham e da Igreja da Inglaterra destacam a relevância histórica do ato, ressaltando o compromisso do rei com o diálogo inter-religioso e a promoção da paz espiritual entre diferentes crenças.


Outro momento de valor simbólico está previsto na Basílica de São Paulo Extramuros, onde o rei participará de uma cerimônia na abadia que abriga o túmulo do apóstolo Paulo. A igreja, ligada historicamente à monarquia inglesa desde os tempos medievais, exibe há séculos a insígnia da Ordem da Jarreteira, símbolo de união entre Roma e o Reino Unido.


Durante a visita, Charles III será nomeado irmão real da abadia, título honorífico e espiritual concedido em reconhecimento ao seu trabalho pela aproximação entre religiões.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c20pdvzxxr5o.adaptado.   

O texto aborda um evento histórico que simboliza aproximação entre duas importantes tradições religiosas.


De acordo com as informações apresentadas, é CORRETO afirmar que:

Alternativas
Q3772302 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Rei Charles será primeiro monarca britânico a rezar ao lado de um papa em 500 anos


O rei Charles III e o papa Leão XIV se tornarão o primeiro monarca britânico e o primeiro pontífice a rezarem juntos em uma celebração religiosa desde a Reforma do século XVI. O encontro histórico ocorrerá na Capela Sistina, no Vaticano, durante a visita de Estado que o rei Charles e a rainha Camila realizarão na próxima semana.


Sob o famoso teto pintado por Michelangelo, a cerimônia reunirá clérigos e corais tanto da Igreja Católica Romana quanto da Igreja da Inglaterra, da qual o rei é o governador supremo. A visita representa um importante gesto de reconciliação e marcará também o primeiro encontro entre o rei e o novo papa, nascido nos Estados Unidos.


Charles e Camila se reunirão com o papa e altos representantes do Vaticano em uma celebração ecumênica especial, na qual o rei e o pontífice rezarão juntos. A cerimônia na Capela Sistina terá como foco a preservação da natureza, tema que reflete o engajamento do rei em causas ambientais. O coral da Capela Sistina cantará ao lado dos corais da Capela de São Jorge e da Capela Real de Sua Majestade, simbolizando harmonia entre as tradições católica e anglicana.


O local, do século XV, é conhecido por abrigar o conclave de cardeais que elege o papa. Embora monarcas britânicos tenham se encontrado com pontífices anteriormente — incluindo a falecida rainha Elizabeth II —, esta será a primeira vez, desde a separação de Henrique VIII de Roma, que um monarca britânico e um papa rezarão juntos em uma celebração religiosa.


Fontes do Palácio de Buckingham e da Igreja da Inglaterra destacam a relevância histórica do ato, ressaltando o compromisso do rei com o diálogo inter-religioso e a promoção da paz espiritual entre diferentes crenças.


Outro momento de valor simbólico está previsto na Basílica de São Paulo Extramuros, onde o rei participará de uma cerimônia na abadia que abriga o túmulo do apóstolo Paulo. A igreja, ligada historicamente à monarquia inglesa desde os tempos medievais, exibe há séculos a insígnia da Ordem da Jarreteira, símbolo de união entre Roma e o Reino Unido.


Durante a visita, Charles III será nomeado irmão real da abadia, título honorífico e espiritual concedido em reconhecimento ao seu trabalho pela aproximação entre religiões.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c20pdvzxxr5o.adaptado.   

O texto narra um acontecimento de grande relevância histórica e simbólica envolvendo o rei Charles III e o papa Leão XIV.


Com base nas informações apresentadas, é CORRETO afirmar que:

Alternativas
Q3772299 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Como roubo de Mona Lisa no Louvre fez dela a pintura mais famosa do mundo


O Museu do Louvre, em Paris, foi novamente palco de um roubo audacioso que chamou atenção mundial: joias da coroa francesa, de valor inestimável, foram levadas em uma ação que durou cerca de sete minutos.


O caso remete a outro furto célebre ocorrido no mesmo museu: o roubo da Mona Lisa, em 1911, um crime que acabou transformando a pintura de Leonardo da Vinci na mais famosa do mundo.


O roubo aconteceu em vinte e um de agosto de 1911, uma segunda-feira em que o Louvre estava fechado. O autor, Vincenzo Peruggia, entrou e saiu do museu com o quadro sem grande planejamento. A ausência da obra só foi percebida no dia seguinte, e o escândalo levou ao fechamento do museu por uma semana. A polícia investigou vários suspeitos, entre eles o poeta Guillaume Apollinaire e o pintor Pablo Picasso, ambos inocentes.


A Mona Lisa ficou desaparecida por mais de dois anos e foi recuperada em dez de dezembro de 1913, quando Peruggia foi preso ao tentar entregá-la a um comerciante de antiguidades em Florença. Segundo o historiador de arte Noah Charney, esse foi o primeiro crime artístico a ganhar repercussão internacional.


Na época, a pintura não era a mais famosa do mundo. Foi o roubo que a tornou célebre. A ampla cobertura da imprensa fez da obra um ícone cultural. Sua imagem passou a circular em jornais, postais e anúncios, e multidões visitavam o Louvre apenas para ver o espaço vazio onde o quadro costumava estar.


Antes do roubo, o museu já possuía obras consagradas, como Vênus de Milo e A Liberdade Guiando o Povo, mas nenhuma alcançou tamanha popularidade. Quando as notícias sobre o caso se esgotaram, jornais passaram a inventar histórias sobre o retrato, como a de que Da Vinci teria se apaixonado pela modelo.


O furto, porém, não exigiu um plano elaborado. O museu tinha pouca segurança, e Peruggia, que havia trabalhado lá, conhecia bem o local. Ele usou seu antigo uniforme e sabia como o quadro estava fixado. Após sua prisão, alegou agir por patriotismo, acreditando que a obra fora roubada da Itália. Na verdade, ela havia sido adquirida pelo rei francês Francisco I no século XVI.


As verdadeiras motivações do roubo permanecem incertas. Peruggia não era um especialista em arte e escolheu a Mona Lisa, ao que tudo indica, por seu pequeno tamanho, de fácil transporte. Desde sua recuperação, em 1913, o quadro se tornou um dos maiores símbolos da arte mundial. Milhões de pessoas visitam o Louvre para vê-lo, embora poucos o apreciem de fato.


O ladrão foi rapidamente esquecido, especialmente após  início da Primeira Guerra Mundial, em 1914. Hoje, é lembrado como uma figura curiosa — um homem que se encantou por uma obra de arte e, apesar do crime, não a danificou.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/ced6lny4z3xo.adaptado.

O texto apresenta um relato histórico que associa dois episódios ocorridos no Museu do Louvre: o roubo recente das joias da coroa francesa e o célebre furto da Mona Lisa, em 1911, que transformou a pintura de Leonardo da Vinci em um símbolo mundial.

De acordo com o texto, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3772296 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Como roubo de Mona Lisa no Louvre fez dela a pintura mais famosa do mundo


O Museu do Louvre, em Paris, foi novamente palco de um roubo audacioso que chamou atenção mundial: joias da coroa francesa, de valor inestimável, foram levadas em uma ação que durou cerca de sete minutos.


O caso remete a outro furto célebre ocorrido no mesmo museu: o roubo da Mona Lisa, em 1911, um crime que acabou transformando a pintura de Leonardo da Vinci na mais famosa do mundo.


O roubo aconteceu em vinte e um de agosto de 1911, uma segunda-feira em que o Louvre estava fechado. O autor, Vincenzo Peruggia, entrou e saiu do museu com o quadro sem grande planejamento. A ausência da obra só foi percebida no dia seguinte, e o escândalo levou ao fechamento do museu por uma semana. A polícia investigou vários suspeitos, entre eles o poeta Guillaume Apollinaire e o pintor Pablo Picasso, ambos inocentes.


A Mona Lisa ficou desaparecida por mais de dois anos e foi recuperada em dez de dezembro de 1913, quando Peruggia foi preso ao tentar entregá-la a um comerciante de antiguidades em Florença. Segundo o historiador de arte Noah Charney, esse foi o primeiro crime artístico a ganhar repercussão internacional.


Na época, a pintura não era a mais famosa do mundo. Foi o roubo que a tornou célebre. A ampla cobertura da imprensa fez da obra um ícone cultural. Sua imagem passou a circular em jornais, postais e anúncios, e multidões visitavam o Louvre apenas para ver o espaço vazio onde o quadro costumava estar.


Antes do roubo, o museu já possuía obras consagradas, como Vênus de Milo e A Liberdade Guiando o Povo, mas nenhuma alcançou tamanha popularidade. Quando as notícias sobre o caso se esgotaram, jornais passaram a inventar histórias sobre o retrato, como a de que Da Vinci teria se apaixonado pela modelo.


O furto, porém, não exigiu um plano elaborado. O museu tinha pouca segurança, e Peruggia, que havia trabalhado lá, conhecia bem o local. Ele usou seu antigo uniforme e sabia como o quadro estava fixado. Após sua prisão, alegou agir por patriotismo, acreditando que a obra fora roubada da Itália. Na verdade, ela havia sido adquirida pelo rei francês Francisco I no século XVI.


As verdadeiras motivações do roubo permanecem incertas. Peruggia não era um especialista em arte e escolheu a Mona Lisa, ao que tudo indica, por seu pequeno tamanho, de fácil transporte. Desde sua recuperação, em 1913, o quadro se tornou um dos maiores símbolos da arte mundial. Milhões de pessoas visitam o Louvre para vê-lo, embora poucos o apreciem de fato.


O ladrão foi rapidamente esquecido, especialmente após  início da Primeira Guerra Mundial, em 1914. Hoje, é lembrado como uma figura curiosa — um homem que se encantou por uma obra de arte e, apesar do crime, não a danificou.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/ced6lny4z3xo.adaptado.

O texto apresenta informações sobre as consequências do roubo da Mona Lisa, as circunstâncias que permitiram o crime e a maneira como o ladrão foi lembrado.

De acordo com o texto, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3772289 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Vou te contar


Era uma manhã comum quando o professor de matemática parou a aula para perguntar se alguém tocava algum instrumento. Eu, que tinha começado aulas de piano há pouco tempo, falei com orgulho: "Eu toco piano!". Comentei que estudava MPB, o coleguinha disse que aprendia Wave no violão, e o professor perguntou se poderíamos tocar juntos no aniversário do colégio. Eu disse que sim, que conhecia a música e que era minha favorita — embora eu não conhecesse nem tocasse Wave .

Naquela semana, cheguei na aula de piano decidida: "Quero aprender a tocar Wave". Minha professora apenas pegou a partitura e disse: "Ok, então vamos tocar Wave". Eu me esforcei muito para aprender, querendo manter a imagem de aluna que toca MPB e impressionar a turma. E, apesar da dificuldade, consegui.

Quando finalmente toquei Wave, descobri o poder da música. Era a primeira canção que fazia minha família se juntar e cantar junto. Também foi a música que me aproximou de pessoas — inclusive do coleguinha do lado, que é meu amigo até hoje.

Com o tempo, Wave de fato se tornou minha música favorita. Depois da apresentação, até mudei minha biografia do Facebook para: "A música aproxima as pessoas como nenhuma outra forma de arte".

Texto Adaptado


KASSAB, Sofia. Vou te contar. In: UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Portal de Livros Abertos da USP. São Paulo: USP, [20--]. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/7 30/648/2404 . Acesso em: 13 nov. 2025.
Com base no texto e nos princípios da leitura inferencial e da análise discursiva, assinale a alternativa que revela uma inferência legitimamente sustentada por elementos textuais e por estratégias de leitura que extrapolam o nível denotativo da linguagem.
Alternativas
Q3772282 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Vou te contar


Era uma manhã comum quando o professor de matemática parou a aula para perguntar se alguém tocava algum instrumento. Eu, que tinha começado aulas de piano há pouco tempo, falei com orgulho: "Eu toco piano!". Comentei que estudava MPB, o coleguinha disse que aprendia Wave no violão, e o professor perguntou se poderíamos tocar juntos no aniversário do colégio. Eu disse que sim, que conhecia a música e que era minha favorita — embora eu não conhecesse nem tocasse Wave .

Naquela semana, cheguei na aula de piano decidida: "Quero aprender a tocar Wave". Minha professora apenas pegou a partitura e disse: "Ok, então vamos tocar Wave". Eu me esforcei muito para aprender, querendo manter a imagem de aluna que toca MPB e impressionar a turma. E, apesar da dificuldade, consegui.

Quando finalmente toquei Wave, descobri o poder da música. Era a primeira canção que fazia minha família se juntar e cantar junto. Também foi a música que me aproximou de pessoas — inclusive do coleguinha do lado, que é meu amigo até hoje.

Com o tempo, Wave de fato se tornou minha música favorita. Depois da apresentação, até mudei minha biografia do Facebook para: "A música aproxima as pessoas como nenhuma outra forma de arte".

Texto Adaptado


KASSAB, Sofia. Vou te contar. In: UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Portal de Livros Abertos da USP. São Paulo: USP, [20--]. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/7 30/648/2404 . Acesso em: 13 nov. 2025.
Com base nos estudos sobre os tipos textuais, avalie o excerto:

"Era uma manhã comum quando o professor de matemática parou a aula para perguntar se alguém tocava algum instrumento. Eu, que tinha começado aulas de piano há pouco tempo, falei com orgulho: 'Eu toco piano!'."

Assinale a alternativa que apresenta a classificação correta do tipo textual predominante e a justificativa adequada.
Alternativas
Q3772254 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


A guardiã da rua


Era sábado de manhã quando cinco amigos procuravam um lugar para estacionar o carro. A viagem para o Guarujá tinha sido longa, e todos estavam animados para pisar na areia e cair no mar.

Depois de muito procurar, encontraram uma vaga perfeita na sombra de uma árvore e bem próxima da praia. Comemoraram: seria menos um gasto na viagem.

Enquanto pegavam todas as coisas no porta-malas do Honda Fit, uma senhora se aproximou. De estatura baixa, com um sorriso no rosto, um boné e roupas típicas de quem quer se proteger do sol, Dona Bel se apresentou e disse: "Cuido da rua por 20 reais".

Confusos, todos se entreolharam, assimilando a informação. Um dos amigos já avisou: "Não temos dinheiro". Contrariada, Dona Bel argumenta: "Tudo bem, pode ser 20 reais no pix mesmo. Sabem como é, né? A gente fica de olho nos carros aqui da rua para não acontecer nada de ruim".

Dali em diante, o tom da conversa já não era o mais simpático. O grupo pegou suas coisas e andou em direção à praia, desconversando a proposta da senhora até perdê-la de vista.

O dia estava maravilhoso, mas os gastos, nem tanto. Cem reais pelo guarda-sol e cadeiras, 50 na prancha de bodyboard, 20 para usar o banheiro e por aí vai. Mas o que vale é estar na praia com os amigos, certo? Entre uma conversa e outra, algumas piadas sobre a situação surgiam: "Será que a dona da rua ainda está lá?", "Se não pagarmos, ela vai bater na gente?", "Por 20 reais ela tem que saber lutar com bandidos".

Voltando para o carro, usaram garrafas de água para tirar o sal do corpo e trocaram de roupa dentro do veículo, tudo para não gastar mais 20 reais na ducha do quiosque ao lado.

Dona Bel observava de longe, pronta para cobrar o preço pelo seu serviço. Enquanto se secavam, o grupo de amigos combinava entre sussurros qual seria o plano para pular no carro e ir embora sem pagar nada.

Devagar, Dona Bel levantou e caminhou em direção ao grupo. Imediatamente, todos entraram no carro e saíram dali. No banco de trás, os meninos gritavam: "Corre que a Bel tá vindo! Ela vai bater na gente!", e todos riam sem fôlego, sentindo a adrenalina que a fuga da senhorinha mal-humorada causou.


LEANDRO, Beatriz Garcia. A guardiã da rua. In: Portal de Livros Abertos da USP. São Paulo: Universidade de São Paulo. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 691/1544/6178 . Acesso em: 14 nov. 2025. 
No texto "A guardiã da rua", diferentes camadas de sentido organizam a narrativa: a situação superficial (busca por uma vaga), os conflitos explícitos (negociação com Dona Bel) e as tensões implícitas (relações sociais, desigualdade, poder). Com base na identificação dessas camadas e na distinção entre ideias centrais, secundárias e subentendidas, assinale a alternativa que apresenta a leitura mais coerente com os sentidos estruturantes do texto.
Alternativas
Q3772249 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


A guardiã da rua


Era sábado de manhã quando cinco amigos procuravam um lugar para estacionar o carro. A viagem para o Guarujá tinha sido longa, e todos estavam animados para pisar na areia e cair no mar.

Depois de muito procurar, encontraram uma vaga perfeita na sombra de uma árvore e bem próxima da praia. Comemoraram: seria menos um gasto na viagem.

Enquanto pegavam todas as coisas no porta-malas do Honda Fit, uma senhora se aproximou. De estatura baixa, com um sorriso no rosto, um boné e roupas típicas de quem quer se proteger do sol, Dona Bel se apresentou e disse: "Cuido da rua por 20 reais".

Confusos, todos se entreolharam, assimilando a informação. Um dos amigos já avisou: "Não temos dinheiro". Contrariada, Dona Bel argumenta: "Tudo bem, pode ser 20 reais no pix mesmo. Sabem como é, né? A gente fica de olho nos carros aqui da rua para não acontecer nada de ruim".

Dali em diante, o tom da conversa já não era o mais simpático. O grupo pegou suas coisas e andou em direção à praia, desconversando a proposta da senhora até perdê-la de vista.

O dia estava maravilhoso, mas os gastos, nem tanto. Cem reais pelo guarda-sol e cadeiras, 50 na prancha de bodyboard, 20 para usar o banheiro e por aí vai. Mas o que vale é estar na praia com os amigos, certo? Entre uma conversa e outra, algumas piadas sobre a situação surgiam: "Será que a dona da rua ainda está lá?", "Se não pagarmos, ela vai bater na gente?", "Por 20 reais ela tem que saber lutar com bandidos".

Voltando para o carro, usaram garrafas de água para tirar o sal do corpo e trocaram de roupa dentro do veículo, tudo para não gastar mais 20 reais na ducha do quiosque ao lado.

Dona Bel observava de longe, pronta para cobrar o preço pelo seu serviço. Enquanto se secavam, o grupo de amigos combinava entre sussurros qual seria o plano para pular no carro e ir embora sem pagar nada.

Devagar, Dona Bel levantou e caminhou em direção ao grupo. Imediatamente, todos entraram no carro e saíram dali. No banco de trás, os meninos gritavam: "Corre que a Bel tá vindo! Ela vai bater na gente!", e todos riam sem fôlego, sentindo a adrenalina que a fuga da senhorinha mal-humorada causou.


LEANDRO, Beatriz Garcia. A guardiã da rua. In: Portal de Livros Abertos da USP. São Paulo: Universidade de São Paulo. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 691/1544/6178 . Acesso em: 14 nov. 2025. 
Analise as afirmativas a seguir relativas aos mecanismos de coerência e coesão textual no fragmento extraído do texto "A guardiã da rua" e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:

"Enquanto pegavam todas as coisas no porta-malas do Honda Fit, uma senhora se aproximou. De estatura baixa, com um sorriso no rosto, um boné e roupas típicas de quem quer se proteger do sol, Dona Bel se apresentou e disse: 'Cuido da rua por 20 reais'."

(__)O uso de "uma senhora" e, em seguida, de "Dona Bel" configura uma estratégia coesiva de progressão referencial por substituição, na qual há continuidade semântica entre dois referentes distintos, mas semanticamente correlatos.
(__)A expressão "enquanto pegavam..." atua como conector temporal, porém seu uso compromete a coerência lógica, pois impõe simultaneidade a ações que, na realidade do texto, ocorrem de forma sucessiva e não paralela.
(__)A omissão do sujeito na construção "De estatura baixa, com um sorriso no rosto..." é exemplo de elipse referencial, estratégia coesiva que depende da ativação inferencial do leitor para manter a continuidade temática.

Assinale a alternativa com a sequência correta de cima para baixo:
Alternativas
Q3772003 Português

Texto para a questão.



Instruções para chorar



    Deixando de lado os motivos, atenhamo‑nos à maneira correta de chorar, entendendo por isto um choro que não penetre no escândalo, que não insulte o sorriso com sua semelhança desajeitada e paralela. O choro médio ou comum consiste numa contração geral do rosto e um som espasmódico acompanhado de lágrimas e muco, este no fim, pois o choro acaba no momento em que a gente se assoa energicamente.

    Para chorar, dirija a imaginação a você mesmo, e se isto lhe for impossível por ter adquirido o hábito de acreditar no mundo exterior, pense num pato coberto de formigas ou nesses golfos do estreito de Magalhães nos quais não entra ninguém, nunca.

    Quando o choro chegar, você cobrirá o rosto com delicadeza, usando ambas as mãos com a palma para dentro. As crianças chorarão esfregando a manga do casaco na cara, e de preferência num canto do quarto. Duração média do choro, três minutos.



CORTÁZAR, Júlio. Instruções para chorar. In: Histórias de cronópios

e de famas. São Paulo: Editora Best Seller, 2013.

Assinale a opção em que o trecho do texto apresenta uma linguagem claramente próxima ao registro coloquial, do dia a dia.

Alternativas
Q3772002 Português

Texto para a questão.



Instruções para chorar



    Deixando de lado os motivos, atenhamo‑nos à maneira correta de chorar, entendendo por isto um choro que não penetre no escândalo, que não insulte o sorriso com sua semelhança desajeitada e paralela. O choro médio ou comum consiste numa contração geral do rosto e um som espasmódico acompanhado de lágrimas e muco, este no fim, pois o choro acaba no momento em que a gente se assoa energicamente.

    Para chorar, dirija a imaginação a você mesmo, e se isto lhe for impossível por ter adquirido o hábito de acreditar no mundo exterior, pense num pato coberto de formigas ou nesses golfos do estreito de Magalhães nos quais não entra ninguém, nunca.

    Quando o choro chegar, você cobrirá o rosto com delicadeza, usando ambas as mãos com a palma para dentro. As crianças chorarão esfregando a manga do casaco na cara, e de preferência num canto do quarto. Duração média do choro, três minutos.



CORTÁZAR, Júlio. Instruções para chorar. In: Histórias de cronópios

e de famas. São Paulo: Editora Best Seller, 2013.

Do segundo parágrafo em diante, predomina no texto um traço que foge às características de um texto narrativo comum. Assinale a opção que apresenta essa característica.

Alternativas
Q3771936 Português

Observe o trecho a seguir, extraído de uma bula de medicamento:



Modo de usar:



Tome um comprimido pela manhã, preferencialmente em jejum.


Evite consumir bebidas alcoólicas durante o tratamento.


Não interrompa o uso do medicamento sem orientação médica.


Em caso de esquecimento, retome o uso normalmente no horário habitual, sem dobrar a dose.


Considerando as características linguísticas do texto acima, assinale a alternativa que apresenta uma interpretação correta e completa sobre a linguagem empregada no trecho. 

Alternativas
Respostas
14421: A
14422: D
14423: A
14424: C
14425: A
14426: A
14427: A
14428: D
14429: C
14430: D
14431: D
14432: D
14433: D
14434: B
14435: A
14436: C
14437: D
14438: B
14439: E
14440: B