Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

Foram encontradas 140.341 questões

Q3772838 Português
Texto I

I.A., uma inteligência que não pensa. Já pensou nisso?

Por Raphael Conceição

    O assombroso avanço tecnológico dos diversos modelos de linguagem existentes no mundo de hoje deixa à margem um debate importante acerca do que se convencionou denominar “Inteligência Artificial”.
    A discussão que tenho proposto em inúmeras palestras, oficinas e workshops sobre o tema trata de uma região que figura entre a imprecisão e o engano do uso do termo “inteligência” para um tipo de tecnologia que não pensa, não intui, não dispõe de consciência e, se tanto, simula a atividade cerebral humana.
    É indubitável que os bots que conversam de maneira tão natural com as pessoas transmitem uma sensação de proximidade.
    Meu ponto, porém, é que essa “pessoalidade”, por assim dizer, é tão legítima quanto a “mágica” de um ilusionista que prende nossa atenção em uma de suas mãos enquanto, com a outra, realiza processos cujo resultado nos encantará com lenços que lhe saem da boca ou uma carta de baralho rasgada que volta a aparecer em um dos bolsos de seu fraque.
    É divertido ver, admito. Mas não é mágica. Assim como conversar com um sistema também me entretém. Mas não é conversa. Sob essa ótica, desmistificamos questões que inclusive atrapalham as pessoas a usufruírem mais e melhor da tecnologia de que hoje dispomos.
    Quando nos damos conta de que tudo aquilo que perguntamos, demandamos ou pesquisamos, cujas respostas nos chegam em segundos de maneira impressionante, decorre de uma precisão estatística, matemática e padronizada, compreendemos melhor que o caminho a trilhar não é um embate IA x Humano, e sim um viés em que a dita Inteligência Artificial potencializa o que nós, pessoas, somos.
    Se de melhor ou pior, bom, o critério e a decisão ficam à nossa conta. 
    De todo modo, medos de que as máquinas algum dia se revoltem contra nós como nas telas de cinema – ou no streaming que parece adivinhar a melhor série que combina com o meu perfil – podem ser minimizados quando aceitamos a IA tal qual ela é: poderosa em cálculo e correlação, mas desprovida de consciência ou compreensão semântica.
    A máquina avança pela nossa real inteligência e nos ajuda a automatizar tarefas repetitivas, calcular cenários em dimensões e magnitudes que há pouco pareciam impossíveis e até mesmo predizer possibilidades com alta taxa de acertos. Tudo isso sem tirar nem ameaçar o papel que nos cumpre: decisores sobre qual impacto queremos que a IA tenha em nossas vidas.
    A TV interferiu no rádio. O digital no impresso. O CD no vinil. A IA, claro, vai transformar muitos aspectos da nossa vida, e nossa relação com ela moldará nosso futuro.
    A pergunta que não quer calar (Como?), porém, não deve ser direcionada ao ChatGPT ou correlatos. Quem vai respondê-la seremos nós, enquanto sociedade, dentro das classes, castas e divisões a que nos submetemos (ou impomos).
    Quem sabe a gente não escolhe usar a tecnologia para um futuro mais inclusivo e menos desigual. Se é possível sonhar? Eu creio que sim.
    Mas esse papo é para um próximo texto.
    Um abraço, enter, e até lá.

Fonte: https://www.jb.com.br/brasil/opiniao/artigos/2025/10/10 57224-i-a-uma-inteligencia-que-nao-pensa-ja-pensounisso.html. Acesso em 31/10/2025. Excerto
No trecho “um tipo de tecnologia que não pensa, não intui, não dispõe de consciência e, se tanto, simula a atividade cerebral humana” (2º parágrafo), o termo em destaque cumpre a função de:  
Alternativas
Q3772836 Português
Texto I

I.A., uma inteligência que não pensa. Já pensou nisso?

Por Raphael Conceição

    O assombroso avanço tecnológico dos diversos modelos de linguagem existentes no mundo de hoje deixa à margem um debate importante acerca do que se convencionou denominar “Inteligência Artificial”.
    A discussão que tenho proposto em inúmeras palestras, oficinas e workshops sobre o tema trata de uma região que figura entre a imprecisão e o engano do uso do termo “inteligência” para um tipo de tecnologia que não pensa, não intui, não dispõe de consciência e, se tanto, simula a atividade cerebral humana.
    É indubitável que os bots que conversam de maneira tão natural com as pessoas transmitem uma sensação de proximidade.
    Meu ponto, porém, é que essa “pessoalidade”, por assim dizer, é tão legítima quanto a “mágica” de um ilusionista que prende nossa atenção em uma de suas mãos enquanto, com a outra, realiza processos cujo resultado nos encantará com lenços que lhe saem da boca ou uma carta de baralho rasgada que volta a aparecer em um dos bolsos de seu fraque.
    É divertido ver, admito. Mas não é mágica. Assim como conversar com um sistema também me entretém. Mas não é conversa. Sob essa ótica, desmistificamos questões que inclusive atrapalham as pessoas a usufruírem mais e melhor da tecnologia de que hoje dispomos.
    Quando nos damos conta de que tudo aquilo que perguntamos, demandamos ou pesquisamos, cujas respostas nos chegam em segundos de maneira impressionante, decorre de uma precisão estatística, matemática e padronizada, compreendemos melhor que o caminho a trilhar não é um embate IA x Humano, e sim um viés em que a dita Inteligência Artificial potencializa o que nós, pessoas, somos.
    Se de melhor ou pior, bom, o critério e a decisão ficam à nossa conta. 
    De todo modo, medos de que as máquinas algum dia se revoltem contra nós como nas telas de cinema – ou no streaming que parece adivinhar a melhor série que combina com o meu perfil – podem ser minimizados quando aceitamos a IA tal qual ela é: poderosa em cálculo e correlação, mas desprovida de consciência ou compreensão semântica.
    A máquina avança pela nossa real inteligência e nos ajuda a automatizar tarefas repetitivas, calcular cenários em dimensões e magnitudes que há pouco pareciam impossíveis e até mesmo predizer possibilidades com alta taxa de acertos. Tudo isso sem tirar nem ameaçar o papel que nos cumpre: decisores sobre qual impacto queremos que a IA tenha em nossas vidas.
    A TV interferiu no rádio. O digital no impresso. O CD no vinil. A IA, claro, vai transformar muitos aspectos da nossa vida, e nossa relação com ela moldará nosso futuro.
    A pergunta que não quer calar (Como?), porém, não deve ser direcionada ao ChatGPT ou correlatos. Quem vai respondê-la seremos nós, enquanto sociedade, dentro das classes, castas e divisões a que nos submetemos (ou impomos).
    Quem sabe a gente não escolhe usar a tecnologia para um futuro mais inclusivo e menos desigual. Se é possível sonhar? Eu creio que sim.
    Mas esse papo é para um próximo texto.
    Um abraço, enter, e até lá.

Fonte: https://www.jb.com.br/brasil/opiniao/artigos/2025/10/10 57224-i-a-uma-inteligencia-que-nao-pensa-ja-pensounisso.html. Acesso em 31/10/2025. Excerto
O autor critica o termo "inteligência artificial" principalmente por considerar que:  
Alternativas
Q3772789 Português
Texto I

Tempos modernos – uma crítica à sociedade industrial

Por Arlindenor Pedro

    Quando o filme "Tempos Modernos" chegou às telas, em 1936, o mundo já convivia com o cinema sonoro há quase 10 anos. Durante todo esse tempo, o “vagabundo”, personagem que conhecemos como Carlitos, criado por Charlie Chaplin — que compartilhou nas primeiras décadas do século XX o infortúnio dos desvalidos, que viam nele uma identificação com seus geniais desempenhos — ficou sem aparecer nos cinemas.
    No intervalo entre o seu último filme, "Luzes da Cidade", e o lançamento de "Tempos Modernos", Chaplin amadureceu a ideia de que o “vagabundo” não iria transitar no mundo do cinema sonoro. Decidiu, então, que "Tempos Modernos" seria o último filme do personagem. O que aconteceu de fato!
    O mundo mudara muito nessa época, já se vivia a tensão de uma nova guerra que estava por vir!  
    Em 1931, Chaplin fez uma turnê pela Europa e viu que os males que afligiam a economia americana — a recessão e o desemprego — estavam presentes em todo lugar. Viu, também, que os capitalistas europeus, a exemplo dos americanos, buscavam superar a crise por alterações no processo produtivo, adaptando-se aos novos tempos, racionalizando cada vez mais a produção. Os conceitos de Henri Fayol e Frederick Taylor, de racionalizar as operações de trabalho, levariam a um considerável ganho de produtividade, reduzindo o custo unitário dos produtos e ampliando a margem de lucro por implementos, que tiveram seu ápice com a linha de montagem fordista. Isso encantava os empresários. A aplicação dessas ideias resultou no desemprego de milhões de pessoas, contribuindo para acelerar o confronto dos países capitalistas através da guerra. O conflito aliviaria as tensões sociais internas e abriria as portas para novos mercados.
    Retornando aos Estados Unidos, vivamente sensibilizado com essas questões, Charlie Chaplin tomou a decisão de fazer um novo filme, onde retrataria esse novo mundo. O cineasta sempre teve uma visão diferente daquela que estava sendo construída pelas elites econômicas da burguesia liberal. Sua Utopia era uma sociedade mais justa, com pleno emprego, sem a violência do Estado, com a felicidade ao alcance de todos, sem o racionalismo científico que tirava do ser humano a sua essência humanista, procurando transformá-lo em máquina. Eram ideias que ele procuraria sintetizar mais tarde, na cena final de seu próximo filme, lançado já em plena guerra: "O Grande Ditador".
    Em "Tempos Modernos", Chaplin nos mostra o “vagabundo” — antípoda da sociedade moderna racionalizada — às voltas com a linha de montagem fordista, em um ambiente asséptico, científico, controlado e não menos cruel. Numa cena clássica, vemos o nosso herói ser sugado, literalmente, pelas engrenagens das máquinas industriais, sem condições, portanto, de se adaptar à linha de produção e, por isso mesmo, levado à loucura.
    Nesses novos tempos, mais do que nunca, a competição econômica forçaria as empresas a buscarem a eficácia, revolucionando o trabalho, a técnica e os produtos, que adiante voltam a competir e a ser revolucionados, em um processo contínuo e infindável. Noutras palavras: estaria na lógica da produção de mercadorias a obrigatoriedade das empresas a racionalizarem o desenvolvimento das suas forças produtivas.

Fonte: https://www.jb.com.br/cadernob/2025/10/1057433-tempos-modernos-uma-critica-asociedade-industrial.html. Acesso em 31/10/2025. Excerto
O texto de Arlindenor Pedro organiza-se predominantemente segundo um modo de organização discursiva: 
Alternativas
Q3772788 Português
Texto I

Tempos modernos – uma crítica à sociedade industrial

Por Arlindenor Pedro

    Quando o filme "Tempos Modernos" chegou às telas, em 1936, o mundo já convivia com o cinema sonoro há quase 10 anos. Durante todo esse tempo, o “vagabundo”, personagem que conhecemos como Carlitos, criado por Charlie Chaplin — que compartilhou nas primeiras décadas do século XX o infortúnio dos desvalidos, que viam nele uma identificação com seus geniais desempenhos — ficou sem aparecer nos cinemas.
    No intervalo entre o seu último filme, "Luzes da Cidade", e o lançamento de "Tempos Modernos", Chaplin amadureceu a ideia de que o “vagabundo” não iria transitar no mundo do cinema sonoro. Decidiu, então, que "Tempos Modernos" seria o último filme do personagem. O que aconteceu de fato!
    O mundo mudara muito nessa época, já se vivia a tensão de uma nova guerra que estava por vir!  
    Em 1931, Chaplin fez uma turnê pela Europa e viu que os males que afligiam a economia americana — a recessão e o desemprego — estavam presentes em todo lugar. Viu, também, que os capitalistas europeus, a exemplo dos americanos, buscavam superar a crise por alterações no processo produtivo, adaptando-se aos novos tempos, racionalizando cada vez mais a produção. Os conceitos de Henri Fayol e Frederick Taylor, de racionalizar as operações de trabalho, levariam a um considerável ganho de produtividade, reduzindo o custo unitário dos produtos e ampliando a margem de lucro por implementos, que tiveram seu ápice com a linha de montagem fordista. Isso encantava os empresários. A aplicação dessas ideias resultou no desemprego de milhões de pessoas, contribuindo para acelerar o confronto dos países capitalistas através da guerra. O conflito aliviaria as tensões sociais internas e abriria as portas para novos mercados.
    Retornando aos Estados Unidos, vivamente sensibilizado com essas questões, Charlie Chaplin tomou a decisão de fazer um novo filme, onde retrataria esse novo mundo. O cineasta sempre teve uma visão diferente daquela que estava sendo construída pelas elites econômicas da burguesia liberal. Sua Utopia era uma sociedade mais justa, com pleno emprego, sem a violência do Estado, com a felicidade ao alcance de todos, sem o racionalismo científico que tirava do ser humano a sua essência humanista, procurando transformá-lo em máquina. Eram ideias que ele procuraria sintetizar mais tarde, na cena final de seu próximo filme, lançado já em plena guerra: "O Grande Ditador".
    Em "Tempos Modernos", Chaplin nos mostra o “vagabundo” — antípoda da sociedade moderna racionalizada — às voltas com a linha de montagem fordista, em um ambiente asséptico, científico, controlado e não menos cruel. Numa cena clássica, vemos o nosso herói ser sugado, literalmente, pelas engrenagens das máquinas industriais, sem condições, portanto, de se adaptar à linha de produção e, por isso mesmo, levado à loucura.
    Nesses novos tempos, mais do que nunca, a competição econômica forçaria as empresas a buscarem a eficácia, revolucionando o trabalho, a técnica e os produtos, que adiante voltam a competir e a ser revolucionados, em um processo contínuo e infindável. Noutras palavras: estaria na lógica da produção de mercadorias a obrigatoriedade das empresas a racionalizarem o desenvolvimento das suas forças produtivas.

Fonte: https://www.jb.com.br/cadernob/2025/10/1057433-tempos-modernos-uma-critica-asociedade-industrial.html. Acesso em 31/10/2025. Excerto
Segundo o texto, a decisão de Chaplin de não introduzir o “vagabundo” no cinema sonoro motivou-se, essencialmente, pela:
Alternativas
Q3772787 Português
Texto I

Tempos modernos – uma crítica à sociedade industrial

Por Arlindenor Pedro

    Quando o filme "Tempos Modernos" chegou às telas, em 1936, o mundo já convivia com o cinema sonoro há quase 10 anos. Durante todo esse tempo, o “vagabundo”, personagem que conhecemos como Carlitos, criado por Charlie Chaplin — que compartilhou nas primeiras décadas do século XX o infortúnio dos desvalidos, que viam nele uma identificação com seus geniais desempenhos — ficou sem aparecer nos cinemas.
    No intervalo entre o seu último filme, "Luzes da Cidade", e o lançamento de "Tempos Modernos", Chaplin amadureceu a ideia de que o “vagabundo” não iria transitar no mundo do cinema sonoro. Decidiu, então, que "Tempos Modernos" seria o último filme do personagem. O que aconteceu de fato!
    O mundo mudara muito nessa época, já se vivia a tensão de uma nova guerra que estava por vir!  
    Em 1931, Chaplin fez uma turnê pela Europa e viu que os males que afligiam a economia americana — a recessão e o desemprego — estavam presentes em todo lugar. Viu, também, que os capitalistas europeus, a exemplo dos americanos, buscavam superar a crise por alterações no processo produtivo, adaptando-se aos novos tempos, racionalizando cada vez mais a produção. Os conceitos de Henri Fayol e Frederick Taylor, de racionalizar as operações de trabalho, levariam a um considerável ganho de produtividade, reduzindo o custo unitário dos produtos e ampliando a margem de lucro por implementos, que tiveram seu ápice com a linha de montagem fordista. Isso encantava os empresários. A aplicação dessas ideias resultou no desemprego de milhões de pessoas, contribuindo para acelerar o confronto dos países capitalistas através da guerra. O conflito aliviaria as tensões sociais internas e abriria as portas para novos mercados.
    Retornando aos Estados Unidos, vivamente sensibilizado com essas questões, Charlie Chaplin tomou a decisão de fazer um novo filme, onde retrataria esse novo mundo. O cineasta sempre teve uma visão diferente daquela que estava sendo construída pelas elites econômicas da burguesia liberal. Sua Utopia era uma sociedade mais justa, com pleno emprego, sem a violência do Estado, com a felicidade ao alcance de todos, sem o racionalismo científico que tirava do ser humano a sua essência humanista, procurando transformá-lo em máquina. Eram ideias que ele procuraria sintetizar mais tarde, na cena final de seu próximo filme, lançado já em plena guerra: "O Grande Ditador".
    Em "Tempos Modernos", Chaplin nos mostra o “vagabundo” — antípoda da sociedade moderna racionalizada — às voltas com a linha de montagem fordista, em um ambiente asséptico, científico, controlado e não menos cruel. Numa cena clássica, vemos o nosso herói ser sugado, literalmente, pelas engrenagens das máquinas industriais, sem condições, portanto, de se adaptar à linha de produção e, por isso mesmo, levado à loucura.
    Nesses novos tempos, mais do que nunca, a competição econômica forçaria as empresas a buscarem a eficácia, revolucionando o trabalho, a técnica e os produtos, que adiante voltam a competir e a ser revolucionados, em um processo contínuo e infindável. Noutras palavras: estaria na lógica da produção de mercadorias a obrigatoriedade das empresas a racionalizarem o desenvolvimento das suas forças produtivas.

Fonte: https://www.jb.com.br/cadernob/2025/10/1057433-tempos-modernos-uma-critica-asociedade-industrial.html. Acesso em 31/10/2025. Excerto
A expressão “infortúnio dos desvalidos” (1º parágrafo) refere-se:  
Alternativas
Q3772786 Português
Texto I

Tempos modernos – uma crítica à sociedade industrial

Por Arlindenor Pedro

    Quando o filme "Tempos Modernos" chegou às telas, em 1936, o mundo já convivia com o cinema sonoro há quase 10 anos. Durante todo esse tempo, o “vagabundo”, personagem que conhecemos como Carlitos, criado por Charlie Chaplin — que compartilhou nas primeiras décadas do século XX o infortúnio dos desvalidos, que viam nele uma identificação com seus geniais desempenhos — ficou sem aparecer nos cinemas.
    No intervalo entre o seu último filme, "Luzes da Cidade", e o lançamento de "Tempos Modernos", Chaplin amadureceu a ideia de que o “vagabundo” não iria transitar no mundo do cinema sonoro. Decidiu, então, que "Tempos Modernos" seria o último filme do personagem. O que aconteceu de fato!
    O mundo mudara muito nessa época, já se vivia a tensão de uma nova guerra que estava por vir!  
    Em 1931, Chaplin fez uma turnê pela Europa e viu que os males que afligiam a economia americana — a recessão e o desemprego — estavam presentes em todo lugar. Viu, também, que os capitalistas europeus, a exemplo dos americanos, buscavam superar a crise por alterações no processo produtivo, adaptando-se aos novos tempos, racionalizando cada vez mais a produção. Os conceitos de Henri Fayol e Frederick Taylor, de racionalizar as operações de trabalho, levariam a um considerável ganho de produtividade, reduzindo o custo unitário dos produtos e ampliando a margem de lucro por implementos, que tiveram seu ápice com a linha de montagem fordista. Isso encantava os empresários. A aplicação dessas ideias resultou no desemprego de milhões de pessoas, contribuindo para acelerar o confronto dos países capitalistas através da guerra. O conflito aliviaria as tensões sociais internas e abriria as portas para novos mercados.
    Retornando aos Estados Unidos, vivamente sensibilizado com essas questões, Charlie Chaplin tomou a decisão de fazer um novo filme, onde retrataria esse novo mundo. O cineasta sempre teve uma visão diferente daquela que estava sendo construída pelas elites econômicas da burguesia liberal. Sua Utopia era uma sociedade mais justa, com pleno emprego, sem a violência do Estado, com a felicidade ao alcance de todos, sem o racionalismo científico que tirava do ser humano a sua essência humanista, procurando transformá-lo em máquina. Eram ideias que ele procuraria sintetizar mais tarde, na cena final de seu próximo filme, lançado já em plena guerra: "O Grande Ditador".
    Em "Tempos Modernos", Chaplin nos mostra o “vagabundo” — antípoda da sociedade moderna racionalizada — às voltas com a linha de montagem fordista, em um ambiente asséptico, científico, controlado e não menos cruel. Numa cena clássica, vemos o nosso herói ser sugado, literalmente, pelas engrenagens das máquinas industriais, sem condições, portanto, de se adaptar à linha de produção e, por isso mesmo, levado à loucura.
    Nesses novos tempos, mais do que nunca, a competição econômica forçaria as empresas a buscarem a eficácia, revolucionando o trabalho, a técnica e os produtos, que adiante voltam a competir e a ser revolucionados, em um processo contínuo e infindável. Noutras palavras: estaria na lógica da produção de mercadorias a obrigatoriedade das empresas a racionalizarem o desenvolvimento das suas forças produtivas.

Fonte: https://www.jb.com.br/cadernob/2025/10/1057433-tempos-modernos-uma-critica-asociedade-industrial.html. Acesso em 31/10/2025. Excerto
O texto apresenta uma perspectiva críticointerpretativa sobre a obra “Tempos Modernos”. A ideia central do autor está corretamente manifestada:  
Alternativas
Q3772762 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Passarela da Misantropia 


Caminho obedientemente atrás dele. Seus passos me parecem lentos. Como se desfilasse na passarela da misantropia. Como se não soubesse para onde ir. 


Percebo a tristeza no seu tom de voz. Quando ele diz meu nome, ele saliva solidão e angústias mal resolvidas. Não entendo o que ele diz, mas entendo, ao mesmo tempo. Não sei se me faço entender. Mas seu tom de voz diz tudo. E seu tom de voz agora é um manancial de depressão que rasga seu peito, outrora, vivaz.


Uma pena. Prefiro quando ele emana traços de felicidade. Momentos raros, devo destacar. Desde que ela foi embora. Desde que ela saiu pela porta da frente e nunca mais voltou. Lembro-me até hoje. Ela, raivosa. O semblante determinado. Não olhou para mim. Não olhou para trás. Não olhou para o que construíra. Simplesmente, partiu.


Ficamos eu e ele. Desde então, dois solitários. Porque a dor dele é minha também. Eu o amo. E compartilho a sua dor. E, de alguma forma, percebo que ele sabe a verdade sobre mim: eu jamais seguirei os passos dela. Jamais vou abandoná-lo.


Sempre que ele chamar Rex, eu irei até ele, o rabo abanando, tentando lhe conferir traços de afago em um dia repleto de desavenças internas.


MARTINZ, Juliano. Passarela da misantropia. Corrosiva, [s.d.]. Disponível em: https://corrosiva.com.br/cronicas/passarela-da-misantropia/ . Acesso em: 2 dez. 2025. 

Com base na leitura do texto "Passarela da Misantropia", avalie as assertivas a seguir, considerando os recursos linguísticos e os efeitos de sentido produzidos no texto, de acordo com as estratégias de leitura e compreensão textual.


I.A alternância entre as impressões do narrador e a observação de comportamentos do personagem evidencia a construção de uma perspectiva subjetiva que orienta a leitura por inferência implícita, revelando sentimentos não nomeados diretamente.


II.A progressão temática do texto está centrada na perda e na solidão, manifestadas por meio da descrição direta dos fatos e da linearidade narrativa típica de textos objetivos, sem recorrer a elementos figurativos ou ambíguos.


III.O texto propõe um efeito de sentido de surpresa no desfecho, cuja interpretação depende da capacidade do leitor em identificar pistas textuais sutis e em inferir a identidade do narrador, ausente de forma explícita até o último parágrafo.


Está correto o que se afirma em:  
Alternativas
Q3772721 Português
Texto I

Quantas vezes você mudou de opinião sobre o que quer ser quando crescer?

Luana Génot

    Muitas vezes, perguntamos às crianças o que querem ser quando crescer. E, por mais inocente que pareça, essa pergunta carrega muitas nuances: ela faz com que a gente projete o futuro, mas também perceba o quanto os nossos sonhos mudam com o tempo. Quanto mais repertório acumulamos, mais atualizamos nossos desejos. O sonho de ontem pode não fazer mais sentido hoje, e está tudo bem.
    Um executivo, certa vez, me contou algo que jamais esqueci. Ele saiu do interior da Bahia sonhando em ser caminhoneiro, como o pai. Achava que aquele era o topo. Não porque faltasse ambição, mas porque faltavam referências. Ao se mudar para estudar, porém, descobriu outros mundos. Passou a almejar um trabalho como auxiliar, depois, novos postos, e foi galgando degraus até virar diretor. Hoje, mais do que cargos, sonha em ter tempo. Tempo para si, para a família, para ver o sol se pôr.
   Sonhos mudam de roupa conforme a estação da vida. Às vezes, crescem; outras vezes, se simplificam. Já quisemos o palco e, depois, queremos o sossego. Já almejamos o sucesso financeiro a todo custo e, em seguida, queremos a saúde mental acima de tudo. E tudo isso faz parte do mesmo caminho e pode até coexistir em muitas medidas.
    O que me intriga é que também há aqueles que não se permitem sonhar. Gente que aprendeu cedo que isso é luxo, coisa de quem tem tempo ou dinheiro. Sonhar, porém, é ferramenta de sobrevivência, especialmente para quem sempre precisou lutar para existir. É uma forma de hackear o sistema, de furar a bolha do “impossível”, de encontrar brechas nas estruturas que dizem “não”.
    O sonho é ancestral. É herança das nossas avós que sonhavam em liberdade enquanto lavavam roupa no rio. É a centelha que moveu quem veio antes, que acreditou num amanhã que talvez nunca tenha visto, mas plantou para que a gente colhesse. Por isso, deixar o sonho morrer é como cortar o fio que liga o passado ao futuro.
    Manter os desejos em dia é um ato de resistência. É como revisar um documento importante da alma: precisa ser atualizado, revisitado, cuidado. Porque o mundo muda, e a gente muda junto. E, se há dias em que algo almejado parece distante, que isso vire farol, mesmo que fraquinho, para iluminar o caminho.
    Às vezes, o sonho não é mais ser astronauta, é só dormir melhor. Não é mais ser presidente, mas conseguir pagar as contas e sorrir. E está tudo certo. A beleza existe em continuar sonhando, mesmo que isso varie conforme o fôlego do momento.
    O importante é não deixar que o peso do real atropele a leveza do que parece impossível, que nos projeta. Que a pressa não atropele o propósito. Que o medo não atropele a esperança. Então, se hoje você não souber responder “o que quer ser quando crescer”, relaxa. Talvez o que você precise é só se perguntar: o que ainda quero sonhar?

Fonte: https://oglobo.globo.com/ela/luanagenot/coluna/2025/11/quantas-vezes-voce-mudou-deopiniao-sobre-o-que-quer-ser-quando-crescer.ghtml. Acesso em 15/11/2025. Adaptado.
Quanto mais repertório acumulamos, mais atualizamos nossos desejos” (1º parágrafo).

Nesse trecho, os conectivos em destaque indicam valor semântico de: 
Alternativas
Q3772720 Português
Texto I

Quantas vezes você mudou de opinião sobre o que quer ser quando crescer?

Luana Génot

    Muitas vezes, perguntamos às crianças o que querem ser quando crescer. E, por mais inocente que pareça, essa pergunta carrega muitas nuances: ela faz com que a gente projete o futuro, mas também perceba o quanto os nossos sonhos mudam com o tempo. Quanto mais repertório acumulamos, mais atualizamos nossos desejos. O sonho de ontem pode não fazer mais sentido hoje, e está tudo bem.
    Um executivo, certa vez, me contou algo que jamais esqueci. Ele saiu do interior da Bahia sonhando em ser caminhoneiro, como o pai. Achava que aquele era o topo. Não porque faltasse ambição, mas porque faltavam referências. Ao se mudar para estudar, porém, descobriu outros mundos. Passou a almejar um trabalho como auxiliar, depois, novos postos, e foi galgando degraus até virar diretor. Hoje, mais do que cargos, sonha em ter tempo. Tempo para si, para a família, para ver o sol se pôr.
   Sonhos mudam de roupa conforme a estação da vida. Às vezes, crescem; outras vezes, se simplificam. Já quisemos o palco e, depois, queremos o sossego. Já almejamos o sucesso financeiro a todo custo e, em seguida, queremos a saúde mental acima de tudo. E tudo isso faz parte do mesmo caminho e pode até coexistir em muitas medidas.
    O que me intriga é que também há aqueles que não se permitem sonhar. Gente que aprendeu cedo que isso é luxo, coisa de quem tem tempo ou dinheiro. Sonhar, porém, é ferramenta de sobrevivência, especialmente para quem sempre precisou lutar para existir. É uma forma de hackear o sistema, de furar a bolha do “impossível”, de encontrar brechas nas estruturas que dizem “não”.
    O sonho é ancestral. É herança das nossas avós que sonhavam em liberdade enquanto lavavam roupa no rio. É a centelha que moveu quem veio antes, que acreditou num amanhã que talvez nunca tenha visto, mas plantou para que a gente colhesse. Por isso, deixar o sonho morrer é como cortar o fio que liga o passado ao futuro.
    Manter os desejos em dia é um ato de resistência. É como revisar um documento importante da alma: precisa ser atualizado, revisitado, cuidado. Porque o mundo muda, e a gente muda junto. E, se há dias em que algo almejado parece distante, que isso vire farol, mesmo que fraquinho, para iluminar o caminho.
    Às vezes, o sonho não é mais ser astronauta, é só dormir melhor. Não é mais ser presidente, mas conseguir pagar as contas e sorrir. E está tudo certo. A beleza existe em continuar sonhando, mesmo que isso varie conforme o fôlego do momento.
    O importante é não deixar que o peso do real atropele a leveza do que parece impossível, que nos projeta. Que a pressa não atropele o propósito. Que o medo não atropele a esperança. Então, se hoje você não souber responder “o que quer ser quando crescer”, relaxa. Talvez o que você precise é só se perguntar: o que ainda quero sonhar?

Fonte: https://oglobo.globo.com/ela/luanagenot/coluna/2025/11/quantas-vezes-voce-mudou-deopiniao-sobre-o-que-quer-ser-quando-crescer.ghtml. Acesso em 15/11/2025. Adaptado.
Com relação ao gênero do discurso, esse texto caracteriza-se como: 
Alternativas
Q3772719 Português
Texto I

Quantas vezes você mudou de opinião sobre o que quer ser quando crescer?

Luana Génot

    Muitas vezes, perguntamos às crianças o que querem ser quando crescer. E, por mais inocente que pareça, essa pergunta carrega muitas nuances: ela faz com que a gente projete o futuro, mas também perceba o quanto os nossos sonhos mudam com o tempo. Quanto mais repertório acumulamos, mais atualizamos nossos desejos. O sonho de ontem pode não fazer mais sentido hoje, e está tudo bem.
    Um executivo, certa vez, me contou algo que jamais esqueci. Ele saiu do interior da Bahia sonhando em ser caminhoneiro, como o pai. Achava que aquele era o topo. Não porque faltasse ambição, mas porque faltavam referências. Ao se mudar para estudar, porém, descobriu outros mundos. Passou a almejar um trabalho como auxiliar, depois, novos postos, e foi galgando degraus até virar diretor. Hoje, mais do que cargos, sonha em ter tempo. Tempo para si, para a família, para ver o sol se pôr.
   Sonhos mudam de roupa conforme a estação da vida. Às vezes, crescem; outras vezes, se simplificam. Já quisemos o palco e, depois, queremos o sossego. Já almejamos o sucesso financeiro a todo custo e, em seguida, queremos a saúde mental acima de tudo. E tudo isso faz parte do mesmo caminho e pode até coexistir em muitas medidas.
    O que me intriga é que também há aqueles que não se permitem sonhar. Gente que aprendeu cedo que isso é luxo, coisa de quem tem tempo ou dinheiro. Sonhar, porém, é ferramenta de sobrevivência, especialmente para quem sempre precisou lutar para existir. É uma forma de hackear o sistema, de furar a bolha do “impossível”, de encontrar brechas nas estruturas que dizem “não”.
    O sonho é ancestral. É herança das nossas avós que sonhavam em liberdade enquanto lavavam roupa no rio. É a centelha que moveu quem veio antes, que acreditou num amanhã que talvez nunca tenha visto, mas plantou para que a gente colhesse. Por isso, deixar o sonho morrer é como cortar o fio que liga o passado ao futuro.
    Manter os desejos em dia é um ato de resistência. É como revisar um documento importante da alma: precisa ser atualizado, revisitado, cuidado. Porque o mundo muda, e a gente muda junto. E, se há dias em que algo almejado parece distante, que isso vire farol, mesmo que fraquinho, para iluminar o caminho.
    Às vezes, o sonho não é mais ser astronauta, é só dormir melhor. Não é mais ser presidente, mas conseguir pagar as contas e sorrir. E está tudo certo. A beleza existe em continuar sonhando, mesmo que isso varie conforme o fôlego do momento.
    O importante é não deixar que o peso do real atropele a leveza do que parece impossível, que nos projeta. Que a pressa não atropele o propósito. Que o medo não atropele a esperança. Então, se hoje você não souber responder “o que quer ser quando crescer”, relaxa. Talvez o que você precise é só se perguntar: o que ainda quero sonhar?

Fonte: https://oglobo.globo.com/ela/luanagenot/coluna/2025/11/quantas-vezes-voce-mudou-deopiniao-sobre-o-que-quer-ser-quando-crescer.ghtml. Acesso em 15/11/2025. Adaptado.
Considerando o conjunto do texto, pode-se afirmar que o eixo argumentativo central consiste em uma: 
Alternativas
Q3772718 Português
Texto I

Quantas vezes você mudou de opinião sobre o que quer ser quando crescer?

Luana Génot

    Muitas vezes, perguntamos às crianças o que querem ser quando crescer. E, por mais inocente que pareça, essa pergunta carrega muitas nuances: ela faz com que a gente projete o futuro, mas também perceba o quanto os nossos sonhos mudam com o tempo. Quanto mais repertório acumulamos, mais atualizamos nossos desejos. O sonho de ontem pode não fazer mais sentido hoje, e está tudo bem.
    Um executivo, certa vez, me contou algo que jamais esqueci. Ele saiu do interior da Bahia sonhando em ser caminhoneiro, como o pai. Achava que aquele era o topo. Não porque faltasse ambição, mas porque faltavam referências. Ao se mudar para estudar, porém, descobriu outros mundos. Passou a almejar um trabalho como auxiliar, depois, novos postos, e foi galgando degraus até virar diretor. Hoje, mais do que cargos, sonha em ter tempo. Tempo para si, para a família, para ver o sol se pôr.
   Sonhos mudam de roupa conforme a estação da vida. Às vezes, crescem; outras vezes, se simplificam. Já quisemos o palco e, depois, queremos o sossego. Já almejamos o sucesso financeiro a todo custo e, em seguida, queremos a saúde mental acima de tudo. E tudo isso faz parte do mesmo caminho e pode até coexistir em muitas medidas.
    O que me intriga é que também há aqueles que não se permitem sonhar. Gente que aprendeu cedo que isso é luxo, coisa de quem tem tempo ou dinheiro. Sonhar, porém, é ferramenta de sobrevivência, especialmente para quem sempre precisou lutar para existir. É uma forma de hackear o sistema, de furar a bolha do “impossível”, de encontrar brechas nas estruturas que dizem “não”.
    O sonho é ancestral. É herança das nossas avós que sonhavam em liberdade enquanto lavavam roupa no rio. É a centelha que moveu quem veio antes, que acreditou num amanhã que talvez nunca tenha visto, mas plantou para que a gente colhesse. Por isso, deixar o sonho morrer é como cortar o fio que liga o passado ao futuro.
    Manter os desejos em dia é um ato de resistência. É como revisar um documento importante da alma: precisa ser atualizado, revisitado, cuidado. Porque o mundo muda, e a gente muda junto. E, se há dias em que algo almejado parece distante, que isso vire farol, mesmo que fraquinho, para iluminar o caminho.
    Às vezes, o sonho não é mais ser astronauta, é só dormir melhor. Não é mais ser presidente, mas conseguir pagar as contas e sorrir. E está tudo certo. A beleza existe em continuar sonhando, mesmo que isso varie conforme o fôlego do momento.
    O importante é não deixar que o peso do real atropele a leveza do que parece impossível, que nos projeta. Que a pressa não atropele o propósito. Que o medo não atropele a esperança. Então, se hoje você não souber responder “o que quer ser quando crescer”, relaxa. Talvez o que você precise é só se perguntar: o que ainda quero sonhar?

Fonte: https://oglobo.globo.com/ela/luanagenot/coluna/2025/11/quantas-vezes-voce-mudou-deopiniao-sobre-o-que-quer-ser-quando-crescer.ghtml. Acesso em 15/11/2025. Adaptado.
A expressão “uma forma de hackear o sistema” (4º parágrafo) apresenta um tom:  
Alternativas
Q3772717 Português
Texto I

Quantas vezes você mudou de opinião sobre o que quer ser quando crescer?

Luana Génot

    Muitas vezes, perguntamos às crianças o que querem ser quando crescer. E, por mais inocente que pareça, essa pergunta carrega muitas nuances: ela faz com que a gente projete o futuro, mas também perceba o quanto os nossos sonhos mudam com o tempo. Quanto mais repertório acumulamos, mais atualizamos nossos desejos. O sonho de ontem pode não fazer mais sentido hoje, e está tudo bem.
    Um executivo, certa vez, me contou algo que jamais esqueci. Ele saiu do interior da Bahia sonhando em ser caminhoneiro, como o pai. Achava que aquele era o topo. Não porque faltasse ambição, mas porque faltavam referências. Ao se mudar para estudar, porém, descobriu outros mundos. Passou a almejar um trabalho como auxiliar, depois, novos postos, e foi galgando degraus até virar diretor. Hoje, mais do que cargos, sonha em ter tempo. Tempo para si, para a família, para ver o sol se pôr.
   Sonhos mudam de roupa conforme a estação da vida. Às vezes, crescem; outras vezes, se simplificam. Já quisemos o palco e, depois, queremos o sossego. Já almejamos o sucesso financeiro a todo custo e, em seguida, queremos a saúde mental acima de tudo. E tudo isso faz parte do mesmo caminho e pode até coexistir em muitas medidas.
    O que me intriga é que também há aqueles que não se permitem sonhar. Gente que aprendeu cedo que isso é luxo, coisa de quem tem tempo ou dinheiro. Sonhar, porém, é ferramenta de sobrevivência, especialmente para quem sempre precisou lutar para existir. É uma forma de hackear o sistema, de furar a bolha do “impossível”, de encontrar brechas nas estruturas que dizem “não”.
    O sonho é ancestral. É herança das nossas avós que sonhavam em liberdade enquanto lavavam roupa no rio. É a centelha que moveu quem veio antes, que acreditou num amanhã que talvez nunca tenha visto, mas plantou para que a gente colhesse. Por isso, deixar o sonho morrer é como cortar o fio que liga o passado ao futuro.
    Manter os desejos em dia é um ato de resistência. É como revisar um documento importante da alma: precisa ser atualizado, revisitado, cuidado. Porque o mundo muda, e a gente muda junto. E, se há dias em que algo almejado parece distante, que isso vire farol, mesmo que fraquinho, para iluminar o caminho.
    Às vezes, o sonho não é mais ser astronauta, é só dormir melhor. Não é mais ser presidente, mas conseguir pagar as contas e sorrir. E está tudo certo. A beleza existe em continuar sonhando, mesmo que isso varie conforme o fôlego do momento.
    O importante é não deixar que o peso do real atropele a leveza do que parece impossível, que nos projeta. Que a pressa não atropele o propósito. Que o medo não atropele a esperança. Então, se hoje você não souber responder “o que quer ser quando crescer”, relaxa. Talvez o que você precise é só se perguntar: o que ainda quero sonhar?

Fonte: https://oglobo.globo.com/ela/luanagenot/coluna/2025/11/quantas-vezes-voce-mudou-deopiniao-sobre-o-que-quer-ser-quando-crescer.ghtml. Acesso em 15/11/2025. Adaptado.
Na afirmação “Sonhos mudam de roupa conforme a estação da vida” (3º parágrafo), a expressão em destaque indica um recurso de linguagem caracterizado pelo uso de: 
Alternativas
Q3772716 Português
Texto I

Quantas vezes você mudou de opinião sobre o que quer ser quando crescer?

Luana Génot

    Muitas vezes, perguntamos às crianças o que querem ser quando crescer. E, por mais inocente que pareça, essa pergunta carrega muitas nuances: ela faz com que a gente projete o futuro, mas também perceba o quanto os nossos sonhos mudam com o tempo. Quanto mais repertório acumulamos, mais atualizamos nossos desejos. O sonho de ontem pode não fazer mais sentido hoje, e está tudo bem.
    Um executivo, certa vez, me contou algo que jamais esqueci. Ele saiu do interior da Bahia sonhando em ser caminhoneiro, como o pai. Achava que aquele era o topo. Não porque faltasse ambição, mas porque faltavam referências. Ao se mudar para estudar, porém, descobriu outros mundos. Passou a almejar um trabalho como auxiliar, depois, novos postos, e foi galgando degraus até virar diretor. Hoje, mais do que cargos, sonha em ter tempo. Tempo para si, para a família, para ver o sol se pôr.
   Sonhos mudam de roupa conforme a estação da vida. Às vezes, crescem; outras vezes, se simplificam. Já quisemos o palco e, depois, queremos o sossego. Já almejamos o sucesso financeiro a todo custo e, em seguida, queremos a saúde mental acima de tudo. E tudo isso faz parte do mesmo caminho e pode até coexistir em muitas medidas.
    O que me intriga é que também há aqueles que não se permitem sonhar. Gente que aprendeu cedo que isso é luxo, coisa de quem tem tempo ou dinheiro. Sonhar, porém, é ferramenta de sobrevivência, especialmente para quem sempre precisou lutar para existir. É uma forma de hackear o sistema, de furar a bolha do “impossível”, de encontrar brechas nas estruturas que dizem “não”.
    O sonho é ancestral. É herança das nossas avós que sonhavam em liberdade enquanto lavavam roupa no rio. É a centelha que moveu quem veio antes, que acreditou num amanhã que talvez nunca tenha visto, mas plantou para que a gente colhesse. Por isso, deixar o sonho morrer é como cortar o fio que liga o passado ao futuro.
    Manter os desejos em dia é um ato de resistência. É como revisar um documento importante da alma: precisa ser atualizado, revisitado, cuidado. Porque o mundo muda, e a gente muda junto. E, se há dias em que algo almejado parece distante, que isso vire farol, mesmo que fraquinho, para iluminar o caminho.
    Às vezes, o sonho não é mais ser astronauta, é só dormir melhor. Não é mais ser presidente, mas conseguir pagar as contas e sorrir. E está tudo certo. A beleza existe em continuar sonhando, mesmo que isso varie conforme o fôlego do momento.
    O importante é não deixar que o peso do real atropele a leveza do que parece impossível, que nos projeta. Que a pressa não atropele o propósito. Que o medo não atropele a esperança. Então, se hoje você não souber responder “o que quer ser quando crescer”, relaxa. Talvez o que você precise é só se perguntar: o que ainda quero sonhar?

Fonte: https://oglobo.globo.com/ela/luanagenot/coluna/2025/11/quantas-vezes-voce-mudou-deopiniao-sobre-o-que-quer-ser-quando-crescer.ghtml. Acesso em 15/11/2025. Adaptado.
No trecho em que a autora menciona “O sonho de ontem pode não fazer mais sentido hoje, e está tudo bem” (1º parágrafo), o emprego da expressão em destaque cumpre a função de: 
Alternativas
Q3772675 Português
Texto I

LER O BRASIL PARA AS CRIANÇAS

   O mercado editorial está cheio de títulos infantis disputando prateleiras e olhares de crianças curiosas e pais preocupados em estimular o hábito da leitura nos pequenos. Vale tudo na luta desleal entre as imagens e sons fáceis que saltam das telas e o delicado exercício de imaginar o que a literatura conta e, por vezes, apenas sugere.
    Entre os livros que recebo, um me chamou especial atenção: A onça esfomeada e os bichos espertos (2025), de Ugise Kalapalo, com ilustrações de Babette Costa e Greta Comolatti. É a adaptação de uma narrativa tradicional do povo kalapalo que habita o Alto Xingu, às margens do rio Kuluene, uma das mais de 305 etnias presentes no território nacional. A edição caprichada da editora Escuta Aqui Bem-Te-Vi é um exemplo a ser seguido no trato com a cultura indígena. O texto é bilíngue, em português-karib, língua falada pelos kalapalos (há em torno de 270 línguas indígenas faladas no Brasil).
    A informação da multiplicidade cultural presente em nosso país dá um bom começo de conversa com a criançada que tiver acesso ao livro, seja nas escolas, seja nas livrarias que ainda prezam o contato direto com seus leitores mirins, por meio de contação de histórias e da presença dos autores. Não é de menos importância o fato de que um indígena kalapalo possa ver sua língua estampada em espaços culturais que costumam ignorar sua existência. Parabenizo os envolvidos pela escolha político-editorial.  
    A segunda quebra de paradigma está na ideia de que entre animais e pessoas não há a hierarquia que o povo ocidental insiste em defender e que faz de nós os maiores predadores do ambiente do qual fazemos parte. É essa empáfia supostamente evolutiva que nos mantém na enrascada que deixará as próximas gerações sem água potável, temperaturas suportáveis e alimentos saudáveis. Como disse Nêgo Bispo, o que chamamos de des-envolvimento é falta de envolvimento. Para culturas em paz com o planeta onde habitam, animais são “pessoas não humanas”.
    Não se trata do antropomorfismo das fábulas de Esopo, com suas mensagens carregadas de moral a ser incutida nas crianças que, como nós, aprenderam horrorizadas que a Cigarra artista merecia ser deixada à míngua pela Formiga trabalhadeira. Entre os kalapalos, cada pessoa tem seu valor, seu truque e ensinamento, fazendo da onça – a maior caçadora da floresta – um animal a ser respeitado, mas não onipotente.
    A escolha por retratar o cotidiano das aldeias nas ilustrações ao longo do livro é de extremo bom gosto e atiçará a curiosidade da criançada branca atenta à jornada da dona Onça em busca de comida. O detalhe final fica para a introdução dos antropólogos Veronica Monachini (que assina a adaptação) e Antonio Guerreiro, que nos explicam que não se trata de um mito ou de um conto, mas daquilo que para os kalapalos é a própria história com h.
    É nesse ponto que se tem a oportunidade de avaliar o que entendemos por ficção em nossa cultura e aprender algo. As versões que fazemos do mundo não só explicam quem somos como nos orientam em como lidar com nossa existência coletivamente. Faz 500 anos que esses povos nos alertam para o perigo de nosso discurso desenvolvimentista, cujos efeitos nefastos nossas crianças já testemunham.

VERA IACONELLI
Adaptado de folha.uol.com.br, 25/08/2025.
Com base no último parágrafo, pode-se compreender que, para a autora, as criações ficcionais podem ter o papel de: 
Alternativas
Q3772673 Português
Texto I

LER O BRASIL PARA AS CRIANÇAS

   O mercado editorial está cheio de títulos infantis disputando prateleiras e olhares de crianças curiosas e pais preocupados em estimular o hábito da leitura nos pequenos. Vale tudo na luta desleal entre as imagens e sons fáceis que saltam das telas e o delicado exercício de imaginar o que a literatura conta e, por vezes, apenas sugere.
    Entre os livros que recebo, um me chamou especial atenção: A onça esfomeada e os bichos espertos (2025), de Ugise Kalapalo, com ilustrações de Babette Costa e Greta Comolatti. É a adaptação de uma narrativa tradicional do povo kalapalo que habita o Alto Xingu, às margens do rio Kuluene, uma das mais de 305 etnias presentes no território nacional. A edição caprichada da editora Escuta Aqui Bem-Te-Vi é um exemplo a ser seguido no trato com a cultura indígena. O texto é bilíngue, em português-karib, língua falada pelos kalapalos (há em torno de 270 línguas indígenas faladas no Brasil).
    A informação da multiplicidade cultural presente em nosso país dá um bom começo de conversa com a criançada que tiver acesso ao livro, seja nas escolas, seja nas livrarias que ainda prezam o contato direto com seus leitores mirins, por meio de contação de histórias e da presença dos autores. Não é de menos importância o fato de que um indígena kalapalo possa ver sua língua estampada em espaços culturais que costumam ignorar sua existência. Parabenizo os envolvidos pela escolha político-editorial.  
    A segunda quebra de paradigma está na ideia de que entre animais e pessoas não há a hierarquia que o povo ocidental insiste em defender e que faz de nós os maiores predadores do ambiente do qual fazemos parte. É essa empáfia supostamente evolutiva que nos mantém na enrascada que deixará as próximas gerações sem água potável, temperaturas suportáveis e alimentos saudáveis. Como disse Nêgo Bispo, o que chamamos de des-envolvimento é falta de envolvimento. Para culturas em paz com o planeta onde habitam, animais são “pessoas não humanas”.
    Não se trata do antropomorfismo das fábulas de Esopo, com suas mensagens carregadas de moral a ser incutida nas crianças que, como nós, aprenderam horrorizadas que a Cigarra artista merecia ser deixada à míngua pela Formiga trabalhadeira. Entre os kalapalos, cada pessoa tem seu valor, seu truque e ensinamento, fazendo da onça – a maior caçadora da floresta – um animal a ser respeitado, mas não onipotente.
    A escolha por retratar o cotidiano das aldeias nas ilustrações ao longo do livro é de extremo bom gosto e atiçará a curiosidade da criançada branca atenta à jornada da dona Onça em busca de comida. O detalhe final fica para a introdução dos antropólogos Veronica Monachini (que assina a adaptação) e Antonio Guerreiro, que nos explicam que não se trata de um mito ou de um conto, mas daquilo que para os kalapalos é a própria história com h.
    É nesse ponto que se tem a oportunidade de avaliar o que entendemos por ficção em nossa cultura e aprender algo. As versões que fazemos do mundo não só explicam quem somos como nos orientam em como lidar com nossa existência coletivamente. Faz 500 anos que esses povos nos alertam para o perigo de nosso discurso desenvolvimentista, cujos efeitos nefastos nossas crianças já testemunham.

VERA IACONELLI
Adaptado de folha.uol.com.br, 25/08/2025.
A ideia central contida no 5º parágrafo é articulada por meio do procedimento principal chamado de:
Alternativas
Q3772672 Português
Texto I

LER O BRASIL PARA AS CRIANÇAS

   O mercado editorial está cheio de títulos infantis disputando prateleiras e olhares de crianças curiosas e pais preocupados em estimular o hábito da leitura nos pequenos. Vale tudo na luta desleal entre as imagens e sons fáceis que saltam das telas e o delicado exercício de imaginar o que a literatura conta e, por vezes, apenas sugere.
    Entre os livros que recebo, um me chamou especial atenção: A onça esfomeada e os bichos espertos (2025), de Ugise Kalapalo, com ilustrações de Babette Costa e Greta Comolatti. É a adaptação de uma narrativa tradicional do povo kalapalo que habita o Alto Xingu, às margens do rio Kuluene, uma das mais de 305 etnias presentes no território nacional. A edição caprichada da editora Escuta Aqui Bem-Te-Vi é um exemplo a ser seguido no trato com a cultura indígena. O texto é bilíngue, em português-karib, língua falada pelos kalapalos (há em torno de 270 línguas indígenas faladas no Brasil).
    A informação da multiplicidade cultural presente em nosso país dá um bom começo de conversa com a criançada que tiver acesso ao livro, seja nas escolas, seja nas livrarias que ainda prezam o contato direto com seus leitores mirins, por meio de contação de histórias e da presença dos autores. Não é de menos importância o fato de que um indígena kalapalo possa ver sua língua estampada em espaços culturais que costumam ignorar sua existência. Parabenizo os envolvidos pela escolha político-editorial.  
    A segunda quebra de paradigma está na ideia de que entre animais e pessoas não há a hierarquia que o povo ocidental insiste em defender e que faz de nós os maiores predadores do ambiente do qual fazemos parte. É essa empáfia supostamente evolutiva que nos mantém na enrascada que deixará as próximas gerações sem água potável, temperaturas suportáveis e alimentos saudáveis. Como disse Nêgo Bispo, o que chamamos de des-envolvimento é falta de envolvimento. Para culturas em paz com o planeta onde habitam, animais são “pessoas não humanas”.
    Não se trata do antropomorfismo das fábulas de Esopo, com suas mensagens carregadas de moral a ser incutida nas crianças que, como nós, aprenderam horrorizadas que a Cigarra artista merecia ser deixada à míngua pela Formiga trabalhadeira. Entre os kalapalos, cada pessoa tem seu valor, seu truque e ensinamento, fazendo da onça – a maior caçadora da floresta – um animal a ser respeitado, mas não onipotente.
    A escolha por retratar o cotidiano das aldeias nas ilustrações ao longo do livro é de extremo bom gosto e atiçará a curiosidade da criançada branca atenta à jornada da dona Onça em busca de comida. O detalhe final fica para a introdução dos antropólogos Veronica Monachini (que assina a adaptação) e Antonio Guerreiro, que nos explicam que não se trata de um mito ou de um conto, mas daquilo que para os kalapalos é a própria história com h.
    É nesse ponto que se tem a oportunidade de avaliar o que entendemos por ficção em nossa cultura e aprender algo. As versões que fazemos do mundo não só explicam quem somos como nos orientam em como lidar com nossa existência coletivamente. Faz 500 anos que esses povos nos alertam para o perigo de nosso discurso desenvolvimentista, cujos efeitos nefastos nossas crianças já testemunham.

VERA IACONELLI
Adaptado de folha.uol.com.br, 25/08/2025.
“Como disse Nêgo Bispo, o que chamamos de des-envolvimento é falta de envolvimento.” (4º parágrafo)

No relato do líder e intelectual quilombola Antônio Bispo dos Santos, conhecido como Nêgo Bispo, emprega-se um processo linguístico que pode ser denominado: 
Alternativas
Q3772670 Português
Texto I

LER O BRASIL PARA AS CRIANÇAS

   O mercado editorial está cheio de títulos infantis disputando prateleiras e olhares de crianças curiosas e pais preocupados em estimular o hábito da leitura nos pequenos. Vale tudo na luta desleal entre as imagens e sons fáceis que saltam das telas e o delicado exercício de imaginar o que a literatura conta e, por vezes, apenas sugere.
    Entre os livros que recebo, um me chamou especial atenção: A onça esfomeada e os bichos espertos (2025), de Ugise Kalapalo, com ilustrações de Babette Costa e Greta Comolatti. É a adaptação de uma narrativa tradicional do povo kalapalo que habita o Alto Xingu, às margens do rio Kuluene, uma das mais de 305 etnias presentes no território nacional. A edição caprichada da editora Escuta Aqui Bem-Te-Vi é um exemplo a ser seguido no trato com a cultura indígena. O texto é bilíngue, em português-karib, língua falada pelos kalapalos (há em torno de 270 línguas indígenas faladas no Brasil).
    A informação da multiplicidade cultural presente em nosso país dá um bom começo de conversa com a criançada que tiver acesso ao livro, seja nas escolas, seja nas livrarias que ainda prezam o contato direto com seus leitores mirins, por meio de contação de histórias e da presença dos autores. Não é de menos importância o fato de que um indígena kalapalo possa ver sua língua estampada em espaços culturais que costumam ignorar sua existência. Parabenizo os envolvidos pela escolha político-editorial.  
    A segunda quebra de paradigma está na ideia de que entre animais e pessoas não há a hierarquia que o povo ocidental insiste em defender e que faz de nós os maiores predadores do ambiente do qual fazemos parte. É essa empáfia supostamente evolutiva que nos mantém na enrascada que deixará as próximas gerações sem água potável, temperaturas suportáveis e alimentos saudáveis. Como disse Nêgo Bispo, o que chamamos de des-envolvimento é falta de envolvimento. Para culturas em paz com o planeta onde habitam, animais são “pessoas não humanas”.
    Não se trata do antropomorfismo das fábulas de Esopo, com suas mensagens carregadas de moral a ser incutida nas crianças que, como nós, aprenderam horrorizadas que a Cigarra artista merecia ser deixada à míngua pela Formiga trabalhadeira. Entre os kalapalos, cada pessoa tem seu valor, seu truque e ensinamento, fazendo da onça – a maior caçadora da floresta – um animal a ser respeitado, mas não onipotente.
    A escolha por retratar o cotidiano das aldeias nas ilustrações ao longo do livro é de extremo bom gosto e atiçará a curiosidade da criançada branca atenta à jornada da dona Onça em busca de comida. O detalhe final fica para a introdução dos antropólogos Veronica Monachini (que assina a adaptação) e Antonio Guerreiro, que nos explicam que não se trata de um mito ou de um conto, mas daquilo que para os kalapalos é a própria história com h.
    É nesse ponto que se tem a oportunidade de avaliar o que entendemos por ficção em nossa cultura e aprender algo. As versões que fazemos do mundo não só explicam quem somos como nos orientam em como lidar com nossa existência coletivamente. Faz 500 anos que esses povos nos alertam para o perigo de nosso discurso desenvolvimentista, cujos efeitos nefastos nossas crianças já testemunham.

VERA IACONELLI
Adaptado de folha.uol.com.br, 25/08/2025.
Com base na frase abaixo, responda à questão.

A segunda quebra de paradigma está na ideia de que entre animais e pessoas não há a hierarquia [1] que o povo ocidental insiste em defender e [2] que faz de nós os maiores predadores do ambiente [3] do qual fazemos parte. (4º parágrafo) 

A frase permite inferir que já foi mencionada uma primeira quebra de paradigma promovida pelo livro.
Essa primeira quebra de paradigma diz respeito ao seguinte tópico: 
Alternativas
Q3772669 Português
Texto I

LER O BRASIL PARA AS CRIANÇAS

   O mercado editorial está cheio de títulos infantis disputando prateleiras e olhares de crianças curiosas e pais preocupados em estimular o hábito da leitura nos pequenos. Vale tudo na luta desleal entre as imagens e sons fáceis que saltam das telas e o delicado exercício de imaginar o que a literatura conta e, por vezes, apenas sugere.
    Entre os livros que recebo, um me chamou especial atenção: A onça esfomeada e os bichos espertos (2025), de Ugise Kalapalo, com ilustrações de Babette Costa e Greta Comolatti. É a adaptação de uma narrativa tradicional do povo kalapalo que habita o Alto Xingu, às margens do rio Kuluene, uma das mais de 305 etnias presentes no território nacional. A edição caprichada da editora Escuta Aqui Bem-Te-Vi é um exemplo a ser seguido no trato com a cultura indígena. O texto é bilíngue, em português-karib, língua falada pelos kalapalos (há em torno de 270 línguas indígenas faladas no Brasil).
    A informação da multiplicidade cultural presente em nosso país dá um bom começo de conversa com a criançada que tiver acesso ao livro, seja nas escolas, seja nas livrarias que ainda prezam o contato direto com seus leitores mirins, por meio de contação de histórias e da presença dos autores. Não é de menos importância o fato de que um indígena kalapalo possa ver sua língua estampada em espaços culturais que costumam ignorar sua existência. Parabenizo os envolvidos pela escolha político-editorial.  
    A segunda quebra de paradigma está na ideia de que entre animais e pessoas não há a hierarquia que o povo ocidental insiste em defender e que faz de nós os maiores predadores do ambiente do qual fazemos parte. É essa empáfia supostamente evolutiva que nos mantém na enrascada que deixará as próximas gerações sem água potável, temperaturas suportáveis e alimentos saudáveis. Como disse Nêgo Bispo, o que chamamos de des-envolvimento é falta de envolvimento. Para culturas em paz com o planeta onde habitam, animais são “pessoas não humanas”.
    Não se trata do antropomorfismo das fábulas de Esopo, com suas mensagens carregadas de moral a ser incutida nas crianças que, como nós, aprenderam horrorizadas que a Cigarra artista merecia ser deixada à míngua pela Formiga trabalhadeira. Entre os kalapalos, cada pessoa tem seu valor, seu truque e ensinamento, fazendo da onça – a maior caçadora da floresta – um animal a ser respeitado, mas não onipotente.
    A escolha por retratar o cotidiano das aldeias nas ilustrações ao longo do livro é de extremo bom gosto e atiçará a curiosidade da criançada branca atenta à jornada da dona Onça em busca de comida. O detalhe final fica para a introdução dos antropólogos Veronica Monachini (que assina a adaptação) e Antonio Guerreiro, que nos explicam que não se trata de um mito ou de um conto, mas daquilo que para os kalapalos é a própria história com h.
    É nesse ponto que se tem a oportunidade de avaliar o que entendemos por ficção em nossa cultura e aprender algo. As versões que fazemos do mundo não só explicam quem somos como nos orientam em como lidar com nossa existência coletivamente. Faz 500 anos que esses povos nos alertam para o perigo de nosso discurso desenvolvimentista, cujos efeitos nefastos nossas crianças já testemunham.

VERA IACONELLI
Adaptado de folha.uol.com.br, 25/08/2025.
“Parabenizo os envolvidos pela escolha político-editorial.” (3º parágrafo)

A frase final do 3º parágrafo mantém, com aquela que a antecede, a seguinte relação de sentido: 
Alternativas
Q3772668 Português
Texto I

LER O BRASIL PARA AS CRIANÇAS

   O mercado editorial está cheio de títulos infantis disputando prateleiras e olhares de crianças curiosas e pais preocupados em estimular o hábito da leitura nos pequenos. Vale tudo na luta desleal entre as imagens e sons fáceis que saltam das telas e o delicado exercício de imaginar o que a literatura conta e, por vezes, apenas sugere.
    Entre os livros que recebo, um me chamou especial atenção: A onça esfomeada e os bichos espertos (2025), de Ugise Kalapalo, com ilustrações de Babette Costa e Greta Comolatti. É a adaptação de uma narrativa tradicional do povo kalapalo que habita o Alto Xingu, às margens do rio Kuluene, uma das mais de 305 etnias presentes no território nacional. A edição caprichada da editora Escuta Aqui Bem-Te-Vi é um exemplo a ser seguido no trato com a cultura indígena. O texto é bilíngue, em português-karib, língua falada pelos kalapalos (há em torno de 270 línguas indígenas faladas no Brasil).
    A informação da multiplicidade cultural presente em nosso país dá um bom começo de conversa com a criançada que tiver acesso ao livro, seja nas escolas, seja nas livrarias que ainda prezam o contato direto com seus leitores mirins, por meio de contação de histórias e da presença dos autores. Não é de menos importância o fato de que um indígena kalapalo possa ver sua língua estampada em espaços culturais que costumam ignorar sua existência. Parabenizo os envolvidos pela escolha político-editorial.  
    A segunda quebra de paradigma está na ideia de que entre animais e pessoas não há a hierarquia que o povo ocidental insiste em defender e que faz de nós os maiores predadores do ambiente do qual fazemos parte. É essa empáfia supostamente evolutiva que nos mantém na enrascada que deixará as próximas gerações sem água potável, temperaturas suportáveis e alimentos saudáveis. Como disse Nêgo Bispo, o que chamamos de des-envolvimento é falta de envolvimento. Para culturas em paz com o planeta onde habitam, animais são “pessoas não humanas”.
    Não se trata do antropomorfismo das fábulas de Esopo, com suas mensagens carregadas de moral a ser incutida nas crianças que, como nós, aprenderam horrorizadas que a Cigarra artista merecia ser deixada à míngua pela Formiga trabalhadeira. Entre os kalapalos, cada pessoa tem seu valor, seu truque e ensinamento, fazendo da onça – a maior caçadora da floresta – um animal a ser respeitado, mas não onipotente.
    A escolha por retratar o cotidiano das aldeias nas ilustrações ao longo do livro é de extremo bom gosto e atiçará a curiosidade da criançada branca atenta à jornada da dona Onça em busca de comida. O detalhe final fica para a introdução dos antropólogos Veronica Monachini (que assina a adaptação) e Antonio Guerreiro, que nos explicam que não se trata de um mito ou de um conto, mas daquilo que para os kalapalos é a própria história com h.
    É nesse ponto que se tem a oportunidade de avaliar o que entendemos por ficção em nossa cultura e aprender algo. As versões que fazemos do mundo não só explicam quem somos como nos orientam em como lidar com nossa existência coletivamente. Faz 500 anos que esses povos nos alertam para o perigo de nosso discurso desenvolvimentista, cujos efeitos nefastos nossas crianças já testemunham.

VERA IACONELLI
Adaptado de folha.uol.com.br, 25/08/2025.
No 2º parágrafo, uma frase de caráter injuntivo é:
Alternativas
Q3772667 Português
Texto I

LER O BRASIL PARA AS CRIANÇAS

   O mercado editorial está cheio de títulos infantis disputando prateleiras e olhares de crianças curiosas e pais preocupados em estimular o hábito da leitura nos pequenos. Vale tudo na luta desleal entre as imagens e sons fáceis que saltam das telas e o delicado exercício de imaginar o que a literatura conta e, por vezes, apenas sugere.
    Entre os livros que recebo, um me chamou especial atenção: A onça esfomeada e os bichos espertos (2025), de Ugise Kalapalo, com ilustrações de Babette Costa e Greta Comolatti. É a adaptação de uma narrativa tradicional do povo kalapalo que habita o Alto Xingu, às margens do rio Kuluene, uma das mais de 305 etnias presentes no território nacional. A edição caprichada da editora Escuta Aqui Bem-Te-Vi é um exemplo a ser seguido no trato com a cultura indígena. O texto é bilíngue, em português-karib, língua falada pelos kalapalos (há em torno de 270 línguas indígenas faladas no Brasil).
    A informação da multiplicidade cultural presente em nosso país dá um bom começo de conversa com a criançada que tiver acesso ao livro, seja nas escolas, seja nas livrarias que ainda prezam o contato direto com seus leitores mirins, por meio de contação de histórias e da presença dos autores. Não é de menos importância o fato de que um indígena kalapalo possa ver sua língua estampada em espaços culturais que costumam ignorar sua existência. Parabenizo os envolvidos pela escolha político-editorial.  
    A segunda quebra de paradigma está na ideia de que entre animais e pessoas não há a hierarquia que o povo ocidental insiste em defender e que faz de nós os maiores predadores do ambiente do qual fazemos parte. É essa empáfia supostamente evolutiva que nos mantém na enrascada que deixará as próximas gerações sem água potável, temperaturas suportáveis e alimentos saudáveis. Como disse Nêgo Bispo, o que chamamos de des-envolvimento é falta de envolvimento. Para culturas em paz com o planeta onde habitam, animais são “pessoas não humanas”.
    Não se trata do antropomorfismo das fábulas de Esopo, com suas mensagens carregadas de moral a ser incutida nas crianças que, como nós, aprenderam horrorizadas que a Cigarra artista merecia ser deixada à míngua pela Formiga trabalhadeira. Entre os kalapalos, cada pessoa tem seu valor, seu truque e ensinamento, fazendo da onça – a maior caçadora da floresta – um animal a ser respeitado, mas não onipotente.
    A escolha por retratar o cotidiano das aldeias nas ilustrações ao longo do livro é de extremo bom gosto e atiçará a curiosidade da criançada branca atenta à jornada da dona Onça em busca de comida. O detalhe final fica para a introdução dos antropólogos Veronica Monachini (que assina a adaptação) e Antonio Guerreiro, que nos explicam que não se trata de um mito ou de um conto, mas daquilo que para os kalapalos é a própria história com h.
    É nesse ponto que se tem a oportunidade de avaliar o que entendemos por ficção em nossa cultura e aprender algo. As versões que fazemos do mundo não só explicam quem somos como nos orientam em como lidar com nossa existência coletivamente. Faz 500 anos que esses povos nos alertam para o perigo de nosso discurso desenvolvimentista, cujos efeitos nefastos nossas crianças já testemunham.

VERA IACONELLI
Adaptado de folha.uol.com.br, 25/08/2025.
“Vale tudo na luta desleal entre as imagens e sons fáceis que saltam das telas e o delicado exercício de imaginar o que a literatura conta e, por vezes, apenas sugere.” (1º parágrafo)

Considerando o contexto em debate, a escolha dos verbos sublinhados e sua organização caracterizam um recurso de: 
Alternativas
Respostas
14401: D
14402: C
14403: C
14404: A
14405: D
14406: B
14407: C
14408: A
14409: D
14410: C
14411: A
14412: D
14413: D
14414: B
14415: C
14416: D
14417: D
14418: B
14419: C
14420: B