Questões de Concurso
Sobre interpretação de textos em português
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I. Pode-se afirmar que o texto de Graciliano Ramos migra do campo da literatura para o campo da política, numa mescla de gêneros literários.
II. Pode-se afirmar que o texto apresenta a interfuncionalidade e intergenericidade de dois gêneros textuais se fundindo.
III. Pode-se afirmar que predomina no relatório do Autor o domínio discursivo do texto narrativo.
Marque a alternativa que contém o(s) ítem(ens) correto(s):
Marque a alternativa que apresenta a figura presente nos versos:
R: Olá, como vai? C: Vou bem, e você? R: O secretário costuma chegar mais tarde, você quer esperar? C: Claro, sem problemas R: Você pode esperar lá fora, quando ele chegar te chamo. C: Ok. R: Pode usar o bebedouro no corredor.
Marque a alternativa que substitui de forma correta as falas da recepcionista.


I – Quantos bebês participaram da pesquisa realizada pela Universidade Colúmbia?
II – Qual o cargo de Liubiana Arantes na Sociedade Brasileira de Pediatria?
III – Quem faz parte da Geração Covid?
Das perguntas acima, qual(is) é(são) respondida(s) pelo texto?

I - O texto ratifica que a pandemia trouxe malefícios para as crianças.
II - Maria Beatriz Linhares não concorda com os resultados obtidos pela pesquisa da Universidade Colúmbia.
III - Somente a Universidade Colúmbia realizou estudos sobre o assunto abordado no texto.
Das afirmativas acima, qual(is) está(ão) correta(s)?


( ) Quando abriu o WhatsApp, Drauzio verificou que havia apenas cinco mensagens a serem respondidas.
( ) O autor corrobora que, com a chegada do WhatsApp, a vida dos médicos ficou mais serena.
( ) Varella passou o dia inteiro respondendo e-mails e mensagem de WhatsApp.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:


I – Drauzio é paulistano.
II – Naquela manhã, antes de olhar para a tela do celular, Varella realizou trabalhos domésticos.
III – Drauzio compara o e-mail e o WhatsApp ao trabalho de Sísifo.
Das afirmativas acima, qual(is) está(ão) correta(s)?
A letra da canção “Domingo no parque” (GIL, 1982, p. 26, 27), um frevo, fala de um triângulo amoroso envolvendo dois amigos e uma moça chamada Juliana. Leia-a atentamente para, depois, escolher apenas uma opção correta que se refira a ela.
O rei da brincadeira – ê, José
O rei da confusão – ê, João
Um trabalhava na feira – ê, José
Outro na construção – ê, João
A semana passada, no fim da semana,
João resolveu não brigar.
No domingo de tarde saiu apressado
E não foi pra Ribeira jogar
Capoeira.
Não foi pra lá, pra Ribeira,
Foi namorar.
O José, como sempre, no fim da semana
Guardou a barraca e sumiu.
Foi fazer, no domingo, um passeio no parque,
Lá perto da Boca do Rio.
Foi no parque que ele avistou Juliana,
Foi que ele viu Foi que ele viu Juliana na roda com João,
Uma rosa e um sorvete na mão.
Juliana, seu sonho, uma ilusão,
Juliana e o amigo João.
O espinho da rosa feriu Zé
E o sorvete gelou seu coração.
O sorvete e a rosa – ê José
A rosa e o sorvete – ê José
Oi dançando no peito – ê José
Do José brincalhão – ê, José
O sorvete e a rosa – ê José
A rosa e o sorvete – ê José
Oi girando na mente – ê José
Do José brincalhão – ê José
Juliana girando – oi girando
Oi na roda gigante – oi girando
Oi na roda gigante – oi girando
O amigo João – oi João
O sorvete é morango – é vermelho
Oi girando e a rosa – é vermelha
Oi girando, girando – é vermelha
Oi girando, girando – olha a faca
Olha o sangue na mão – ê José
Juliana no chão – ê José
Outro corpo caído – ê José
Seu amigo João – ê José
Amanhã não tem feira – ê José
Não tem mais construção – ê, João
Não tem mais brincadeira – ê José
Não tem mais confusão – ê, João
(Fragmento)
Plantador de cana verde
das terras de Abaetetuba,
por que só tu quem trabalha,
por que teu filho não estuda?
Plantador de cana verde
das terras de Abaetetuba?
Teus braços plantam doçuras
colhem braçadas de dor.
O sol que te cresta a pele
doura a praia do Senhor.
Teus braços plantam doçuras
colhem braçadas de dor.
Tuas mãos acendem esperanças
de um certo verde esplendor.
E um verde mar que propagas,
um doce mar, Plantador.
Tuas mãos acendem doçuras
de um certo verde esplendor.
Não vês, porém que esta cana
é cano cruel que aponta
o lucro de teu patrão
para teu lar que não janta?
Não vês, porém que esta cana
é cano cruel que aponta?
(...)
Leia o poema “Pai João”, de Bruno de Menezes (1993, p. 223, 224), para fazer a questão que se segue.
Pai João sonolento e bambo na pachorra da idade
cisma no tempo de ontem.
De olhos vendo o passado recorda o veterano
a vida brasileira que êle viu e gosou e viveu!
Mãe Maria contou que o pai dele era escravo...
Moleque sagica e teso, destro e afoito num rôlo,
Pai João teve fama da capoeira e navalhista.
Êita!... Era o pé comendo,
quando a banda marcial saía à rua,
com tanto soldado de calça encarnada.
E rabo-de-arraia, cabeçada na polícia,
xadrez, desordens, furdunço no cortiço
e o ronco e o retumbo do zonzo som molengo do carimbó:
“Juvená
Juvená!
Arrebate
esta faca
Juvená!
Arrebate
esta faca
Juvená!”
De amores... uma anagua de renda engomada,
um cabeção pulando nos bicos duns peitos,
umas sandalias brancas bem na pontinha dum pé.
E o rebolo bolinante dos quartos roliços da Chica Cheirosa...
E a guerra do Paraguai! Recrutamento!
Gurjão! Osório! Duque de Caxias!
Itororó! Tuiutí! Laguna!
E não sabia nem o que era monarquia!
... Agora, sonolento e bambo,
tendo em capuchos a trunfa,
Pai João ao recordar a vida brasileira,
que êle viu e gosou e viveu,
diz do Brasil de ontem:
Ah! Meu tempo!...
O texto de Bruno de Menezes faz alguns recortes da vida de Pai João, que também é título do poema pertencente à obra Batuque, publicada a primeira vez em 1931 e cuja grafia está de acordo com a edição de 1993, conforme o original. Observe o verso 21: “E não sabia nem o que era monarquia!”, o qual marca uma mudança no tom ameno do poema. Levandose em conta a importância desse verso, o que se pode afirmar acerca do poema como um todo é que:
O professor Paulo Maués Corrêa (2011, p. 1, 2) fez um estudo do conto “Cachorro Doido” (junto a outro), destacando que esses contos constituem histórias que retratam “a iniciação sexual (...). Porém ‘Cachorro Doido’ é o único texto em que há a deflagração de um relacionamento entre personagens do mesmo sexo, vivenciado por Carlão e Luizinho. Este, novo no colégio, é questionado por aquele, que, alegando a suspeita que recairia sobre o nome do outro – Luizinho –, afirma-lhe que é melhor arranjar-lhe um apelido que afaste qualquer dúvida quanto à sua ‘personalidade’, pois mesmo o seu nome sem o diminutivo não é adequado, muito menos o aumentativo: ‘Não. Luizão não combina com o teu corpo, que é magro pra caralho’ (...). A primeira possibilidade que surge é Acapu, opção logo abandonada em favor de Cachorro Doido (1986, p. 17)”.
O trecho seguinte apresenta a parte inicial da narrativa, em que Luizinho – personagem que se mostra efeminado –, após conhecer Carlão, fica perturbado e, ao mesmo tempo, atraído pela personalidade forte e decidida do novo amigo:
“(...) A campainha interrompeu aquele encontro de reconhecimento, mas Luizinho não se concentrava na aula, estava ali mas não estava, ficou o tempo todo espiando o Carlão sentado mais à frente, o cabelo arrepiado, parece que não usava pente, a camisa desmazelada por fora da calça, o sapato sujo de lama e a cara de homem acostumado, no corpo de menino. Quando se despediram, convidou: – Carlão, tu vai lá em casa, a gente estuda junto. A casa é grande, não tem barulho, ninguém incomoda. O endereço está aqui. Tu vai? Hoje? A que horas? Se tu puder tu vai logo depois do almoço. (MARANHÃO, 1986, p. 17)”.
Se formos fazer uma leitura atenta do fragmento do conto de Haroldo Maranhão acima, juntamente com as informações de Paulo Maués Corrêa (2011, p. 1, 2), poderemos considerar como correta a afirmativa:
Leia o poema “Igreja”, de Carlos Drummond de Andrade, para responder à questão.
Tijolo
areia
andaime
água
tijolo.
O canto dos homens trabalhando trabalhando
mais perto do céu
cada vez mais perto
mais
— a torre.
E nos domingos a litania dos perdões, o murmúrio das invocações.
O padre que fala do inferno
sem nunca ter ido lá.
Pernas de seda ajoelham mostrando geolhos.
Um sino canta a saudade de qualquer coisa sabida e já esquecida.
A manhã pintou-se de azul.
No adro ficou o ateu,
no alto fica Deus.
Domingo...
Bem bão! Bem bão!
Os serafins, no meio, entoam quii ieleisão.
Após ler o poema modernista de Carlos Drummond de Andrade, observe que o poeta empregou um arcaísmo – “geolhos” – no quarto verso da segunda estrofe, o qual resultaria hoje na palavra joelhos. Identifique o processo de mudança ocorrida nesse vocábulo, marcando a opção que considera correta: