Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q2204793 Português
Criar seu filho

    Alguém me escreve pedindo qualquer coisa sobre a arte de criar um filho. Neste mundo confuso de hoje, uma pobre mãe se vê tonta; dantes era só ensinar o ABC e o temor a Deus e aos pais e dormir de coração descansado, porque a batalha estava ganha. Mas hoje, o menino não aceita temor nenhum, do céu nem da terra.
    E há tantas teorias, tantas receitas de vencer na vida... Eu é que não lhe posso indicar nada. Não tenho filhos. Mas, se tivesse um filho, suponho que o haveria de amar com uma cegueira de amor tão grande que provavelmente esse amor tão excessivo me incapacitaria para qualquer esforço educativo.
    Contudo, caso eu conseguisse vencer essa fraqueza, nem assim acredito que meu sistema de educação fosse lhe parecer desejável, porque não ensinaria a meu filho nenhuma das artes de vencer na vida, não incutiria nele nenhum desejo de triunfo e grandeza. Pelo contrário, a primeira coisa que eu haveria de ensinar seria a humildade, a consciência profunda da nossa pequenez, da nossa transitoriedade.
    Depois, ensinaria o amor aos seus semelhantes e encaminharia esse amor de preferência aos pequenos, aos sem nome e sem história. Jamais lhe contaria os feitos de Alexandre1 ou de César2 – tremo só de pensar no perigo de ver meu filho contaminado pelo abjeto culto ao herói. Basta um homem acreditar em si, imaginar-se diferente ou único para representar uma ameaça, e eu lhe ensinaria a temer essa autoridade que não representa a força coletiva da defesa comum.
    Nos estudos, deixaria que sua curiosidade o guiasse. Se ele tivesse sede da verdade e da ciência, procuraria satisfazer o seu desejo: o amor ao estudo, como qualquer outro amor, tem de ser espontâneo.
    E, acima de tudo, não lhe incutiria noções de bem e de mal, porque todo o meu esforço seria no sentido de tornar para meu filho o bem uma necessidade em si, indiscutível, algo obrigatório e sem alternativa.
    Vê, minha senhora, que o meu programa não serve, porque a senhora não deseja para o seu rapaz destino tão humilde, quer fazer dele um cidadão-modelo e uma glória para o seu país. É o que em geral desejam todas as mães, eu é que sou uma miserável e solitária unidade.

(https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/8556/criar-seu-filho IMS – Portal da Crônica Brasileira. Texto publicado na revista
O Cruzeiro em 16.07.1949. Adaptado)


1. Alexandre, o Grande
2. Júlio César, importante governante do Império Romano
De acordo com o conteúdo do texto, é correto afirmar que a autora
Alternativas
Q2204622 Português
Texto para o item.



Jaime Pinsky e Carla Bassanezi Pinsky. “Fanatismo, fanatismos”.
In: Jaime Pinsky e Carla Bassanezi Pinsky (orgs.). Faces do fanatismo.
São Paulo: Editora Contexto, 2004, p. 9‑10 (com adaptações).
Considerando os sentidos e os aspectos gramaticais do texto, julgue o item.

A palavra “que” (linha 10) atua como um elemento que opera tanto a coesão sequencial como a coesão referencial.
Alternativas
Q2204621 Português
Texto para o item.



Jaime Pinsky e Carla Bassanezi Pinsky. “Fanatismo, fanatismos”.
In: Jaime Pinsky e Carla Bassanezi Pinsky (orgs.). Faces do fanatismo.
São Paulo: Editora Contexto, 2004, p. 9‑10 (com adaptações).
Considerando os sentidos e os aspectos gramaticais do texto, julgue o item.

No termo “um ‘nazista fanático’” (linha 8), a classificação das palavras e de suas funções sintáticas seriam mantidas se ele fosse reescrito da seguinte forma: um fanático nazista.
Alternativas
Q2204618 Português
Texto para o item.



Jaime Pinsky e Carla Bassanezi Pinsky. “Fanatismo, fanatismos”.
In: Jaime Pinsky e Carla Bassanezi Pinsky (orgs.). Faces do fanatismo.
São Paulo: Editora Contexto, 2004, p. 9‑10 (com adaptações).
Considerando os sentidos e os aspectos gramaticais do texto, julgue o item.

É correto inferir que um fanático se caracteriza pela ausência de dúvidas quanto ao seu conhecimento e, por isso, é indiferente aos questionamentos feitos por outras pessoas quanto a esse conhecimento. 
Alternativas
Q2204617 Português
Texto para o item.



Jaime Pinsky e Carla Bassanezi Pinsky. “Fanatismo, fanatismos”.
In: Jaime Pinsky e Carla Bassanezi Pinsky (orgs.). Faces do fanatismo.
São Paulo: Editora Contexto, 2004, p. 9‑10 (com adaptações).
Considerando os sentidos e os aspectos gramaticais do texto, julgue o item.

A palavra “fanático” mudou de sentido devido a sua banalização nos usos da linguagem do dia a dia.
Alternativas
Q2204616 Português
Texto para o item.



Internet: <www.exame.com> (com adaptações).
Acerca das ideias e dos aspectos gramaticais do texto, julgue o item.

Caso a palavra “percentual” (linha 22) fosse substituída por porcentual, a correção gramatical e a coerência do texto seriam preservadas.
Alternativas
Q2204610 Português
Texto para o item.



Internet: <www.exame.com> (com adaptações).
Acerca das ideias e dos aspectos gramaticais do texto, julgue o item.

A perda de força das grandes marcas junto aos consumidores brasileiros está associada somente à competição com uma grande quantidade de novas marcas que surgem no mercado brasileiro.  
Alternativas
Q2204609 Português
Texto para o item.



Internet: <www.exame.com> (com adaptações).
Acerca das ideias e dos aspectos gramaticais do texto, julgue o item.

O número de brasileiros que não têm “love brands” no levantamento do Google é análogo ao número de pessoas da geração Z que não têm “love brands” no levantamento da Offerwise.
Alternativas
Q2204608 Português
Texto para o item.



Internet: <www.exame.com> (com adaptações).
Acerca das ideias e dos aspectos gramaticais do texto, julgue o item.

É correto inferir que há mais de um motivo por trás do fato de os consumidores brasileiros não serem apegados às marcas. 
Alternativas
Q2204470 Português
TEXTO II

“A CAROLINA
Querida, ao pé do leito derradeiro
Em que descansas dessa longa vida,
Aqui venho e virei, pobre querida,
Trazer-te o coração do companheiro.

Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro
Que, a despeito de toda a humana lida,
Fez a nossa existência apetecida
E num recanto pôs um mundo inteiro.

Trago-te flores, - restos arrancados
Da terra que nos viu passar unidos
E ora mortos nos deixa e separados.

Que eu, se tenho nos olhos malferidos
Pensamentos de vida formulados,
São pensamentos idos e vividos.”
Machado de Assis

Assinale a alternativa em que o trecho do poema se justifica por meio da cobiça ou inveja alheia em torno do relacionamento do autor com Carolina.
Alternativas
Q2204469 Português
TEXTO II

“A CAROLINA
Querida, ao pé do leito derradeiro
Em que descansas dessa longa vida,
Aqui venho e virei, pobre querida,
Trazer-te o coração do companheiro.

Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro
Que, a despeito de toda a humana lida,
Fez a nossa existência apetecida
E num recanto pôs um mundo inteiro.

Trago-te flores, - restos arrancados
Da terra que nos viu passar unidos
E ora mortos nos deixa e separados.

Que eu, se tenho nos olhos malferidos
Pensamentos de vida formulados,
São pensamentos idos e vividos.”
Machado de Assis

No poema de Machado de Assim, o sentimento mais vivaz é o de:
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Q2204467 Português
TEXTO I


       A noite está gostosa para passear e dar uns sorrisos por aí com quem a gente gosta. Falar muitas bobagens e compartilhar sorrisos, olhares, toques sutis que traz aquela vontade de experimentar todo o universo inexplorado do corpo; falar e falar sobre os problemas e as alegrias dos dias; e, faz parte, reclamar do chefe que pede mil coisas para serem entregues em tempo recorde; mas, agradecer o trabalho que, em meio a uma crise que assola o país, ainda temos. A noite está gostosa para amar e ser amado.
        Sair por aí para tomar uma cerveja gelada em um bar não muito agitado, ou comer pipoca amanteigada vendo aquele filme recém lançado no cinema do shopping, para a gente discutir, refletir, ou só sorrir juntinhos nossas próprias teorias. Aproveitar, juntos, para bater pernas nas lojas de móveis planejados para dar uma conferida naqueles possíveis que ornarão nossa futura casa (intimidade assim é só com quem desejamos criar história). Caminhar em um parque e contemplar a luz das estrelas; brilho que na verdade são as estrelas dos olhos de quem a gente ama, óbvio. De repente, até ficar em casa é uma excelente opção para fidelizar o sentimento companheiro de todas as horas. Sentimento necessário para a felicidade a dois.
           Eu e você. Você e eu. São duas frases pequenas – apenas gramaticalmente, grande sentido! – que eu mais amo dizer e, também, escutar. A gente pede atenção, a pessoa dá. A gente pede beijo mansinho, a pessoa dá. A gente pede carinho, a pessoa dá. A gente pede ombro para chorar, a pessoa dá. A gente reclama sem necessidade, a gente fica mal sem motivo aparente, a gente fica ciumento sem motivo [...] porque relacionamento é assim mesmo. E isso é tão bom.
       Cansado de envolvimentos rasos, quero amar profundamente alguém que me ame de volta. Sem mais sentimento. Sem menos sentimento. Na mesma proporção; alguém que queira construir um futuro a partir do nada ao meu lado e, às vezes, me puxar para ter forças quando eu achar que não tenho mais. Que queira meu suporte sentimental para dividir a sobrecarga diária, também.
       Não quero beijo e ponto final. Quero sobrenome; o meu no seu e, o seu, no meu. Quero abraços memoráveis no café da manhã, quero clichês de comerciais de margarina, antes de sairmos para o trabalho. Quero a profundeza do meu corpo no seu [...] e, ter a liberdade de ligar para seus pais para programarmos o almoço de domingo. E levar os meus. Quero família com você; preliminares gostosas de uma velhice que chegará para a gente. Chegará em êxtase.
         ‘E não adianta procurar mais, das coisas mais bonitas da vida, desenhar um sonho ao lado de alguém será sempre a mais encantadora das artes; será o sonho de mais belas cores; será o sonho com aroma capaz de nos despertar os mais profundos prazeres. No final, não importa o quanto acumulamos de riqueza, só aqueles que estarão do nosso lado como o bem mais preciso da gente; quero alguém para sorrir e dizer “valeu a pena”.
Luverlândio Silva. Literatura Independente.
Sair por aí para tomar uma cerveja gelada em um bar não muito agitado, ou comer pipoca amanteigada vendo aquele filme recém lançado no cinema do shopping.
A conjunção em destaque no trecho possui o sentido de:
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Q2204463 Português
TEXTO I


       A noite está gostosa para passear e dar uns sorrisos por aí com quem a gente gosta. Falar muitas bobagens e compartilhar sorrisos, olhares, toques sutis que traz aquela vontade de experimentar todo o universo inexplorado do corpo; falar e falar sobre os problemas e as alegrias dos dias; e, faz parte, reclamar do chefe que pede mil coisas para serem entregues em tempo recorde; mas, agradecer o trabalho que, em meio a uma crise que assola o país, ainda temos. A noite está gostosa para amar e ser amado.
        Sair por aí para tomar uma cerveja gelada em um bar não muito agitado, ou comer pipoca amanteigada vendo aquele filme recém lançado no cinema do shopping, para a gente discutir, refletir, ou só sorrir juntinhos nossas próprias teorias. Aproveitar, juntos, para bater pernas nas lojas de móveis planejados para dar uma conferida naqueles possíveis que ornarão nossa futura casa (intimidade assim é só com quem desejamos criar história). Caminhar em um parque e contemplar a luz das estrelas; brilho que na verdade são as estrelas dos olhos de quem a gente ama, óbvio. De repente, até ficar em casa é uma excelente opção para fidelizar o sentimento companheiro de todas as horas. Sentimento necessário para a felicidade a dois.
           Eu e você. Você e eu. São duas frases pequenas – apenas gramaticalmente, grande sentido! – que eu mais amo dizer e, também, escutar. A gente pede atenção, a pessoa dá. A gente pede beijo mansinho, a pessoa dá. A gente pede carinho, a pessoa dá. A gente pede ombro para chorar, a pessoa dá. A gente reclama sem necessidade, a gente fica mal sem motivo aparente, a gente fica ciumento sem motivo [...] porque relacionamento é assim mesmo. E isso é tão bom.
       Cansado de envolvimentos rasos, quero amar profundamente alguém que me ame de volta. Sem mais sentimento. Sem menos sentimento. Na mesma proporção; alguém que queira construir um futuro a partir do nada ao meu lado e, às vezes, me puxar para ter forças quando eu achar que não tenho mais. Que queira meu suporte sentimental para dividir a sobrecarga diária, também.
       Não quero beijo e ponto final. Quero sobrenome; o meu no seu e, o seu, no meu. Quero abraços memoráveis no café da manhã, quero clichês de comerciais de margarina, antes de sairmos para o trabalho. Quero a profundeza do meu corpo no seu [...] e, ter a liberdade de ligar para seus pais para programarmos o almoço de domingo. E levar os meus. Quero família com você; preliminares gostosas de uma velhice que chegará para a gente. Chegará em êxtase.
         ‘E não adianta procurar mais, das coisas mais bonitas da vida, desenhar um sonho ao lado de alguém será sempre a mais encantadora das artes; será o sonho de mais belas cores; será o sonho com aroma capaz de nos despertar os mais profundos prazeres. No final, não importa o quanto acumulamos de riqueza, só aqueles que estarão do nosso lado como o bem mais preciso da gente; quero alguém para sorrir e dizer “valeu a pena”.
Luverlândio Silva. Literatura Independente.
No texto, o autor afirmar querer amar profundamente alguém que o ame de volta porque:
Alternativas
Q2204462 Português
TEXTO I


       A noite está gostosa para passear e dar uns sorrisos por aí com quem a gente gosta. Falar muitas bobagens e compartilhar sorrisos, olhares, toques sutis que traz aquela vontade de experimentar todo o universo inexplorado do corpo; falar e falar sobre os problemas e as alegrias dos dias; e, faz parte, reclamar do chefe que pede mil coisas para serem entregues em tempo recorde; mas, agradecer o trabalho que, em meio a uma crise que assola o país, ainda temos. A noite está gostosa para amar e ser amado.
        Sair por aí para tomar uma cerveja gelada em um bar não muito agitado, ou comer pipoca amanteigada vendo aquele filme recém lançado no cinema do shopping, para a gente discutir, refletir, ou só sorrir juntinhos nossas próprias teorias. Aproveitar, juntos, para bater pernas nas lojas de móveis planejados para dar uma conferida naqueles possíveis que ornarão nossa futura casa (intimidade assim é só com quem desejamos criar história). Caminhar em um parque e contemplar a luz das estrelas; brilho que na verdade são as estrelas dos olhos de quem a gente ama, óbvio. De repente, até ficar em casa é uma excelente opção para fidelizar o sentimento companheiro de todas as horas. Sentimento necessário para a felicidade a dois.
           Eu e você. Você e eu. São duas frases pequenas – apenas gramaticalmente, grande sentido! – que eu mais amo dizer e, também, escutar. A gente pede atenção, a pessoa dá. A gente pede beijo mansinho, a pessoa dá. A gente pede carinho, a pessoa dá. A gente pede ombro para chorar, a pessoa dá. A gente reclama sem necessidade, a gente fica mal sem motivo aparente, a gente fica ciumento sem motivo [...] porque relacionamento é assim mesmo. E isso é tão bom.
       Cansado de envolvimentos rasos, quero amar profundamente alguém que me ame de volta. Sem mais sentimento. Sem menos sentimento. Na mesma proporção; alguém que queira construir um futuro a partir do nada ao meu lado e, às vezes, me puxar para ter forças quando eu achar que não tenho mais. Que queira meu suporte sentimental para dividir a sobrecarga diária, também.
       Não quero beijo e ponto final. Quero sobrenome; o meu no seu e, o seu, no meu. Quero abraços memoráveis no café da manhã, quero clichês de comerciais de margarina, antes de sairmos para o trabalho. Quero a profundeza do meu corpo no seu [...] e, ter a liberdade de ligar para seus pais para programarmos o almoço de domingo. E levar os meus. Quero família com você; preliminares gostosas de uma velhice que chegará para a gente. Chegará em êxtase.
         ‘E não adianta procurar mais, das coisas mais bonitas da vida, desenhar um sonho ao lado de alguém será sempre a mais encantadora das artes; será o sonho de mais belas cores; será o sonho com aroma capaz de nos despertar os mais profundos prazeres. No final, não importa o quanto acumulamos de riqueza, só aqueles que estarão do nosso lado como o bem mais preciso da gente; quero alguém para sorrir e dizer “valeu a pena”.
Luverlândio Silva. Literatura Independente.
‘‘Eu e você. Você e eu. São duas frases pequenas – apenas gramaticalmente, grande sentido! – que eu mais amo dizer e, também, escutar’’.
Assinale a alternativa que apresenta uma exemplificação da ideia transmitida pelo autor no trecho acima. 
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Q2204415 Português

                                             

A fala de Calvin, no segundo quadrinho, evidencia que
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Q2204414 Português
O menino que escrevia versos

    – Ele escreve versos!
    Apontou o filho, como se entregasse criminoso na esquadra. O médico perguntou:
    – Há antecedentes na família?
    – Desculpe, doutor?
    O médico explicou em pormenores. Dona Serafina respondeu que não. O pai da criança, mecânico de nascença e preguiçoso por destino, nunca espreitara uma página. Lia motores, interpretava chaparias. Tratava-a bem, mas a doçura mais requintada que conseguira tinha sido em noite de núpcias:
    – Serafina, você hoje cheira a óleo Castrol!
    Ela hoje até se comove com a comparação: perfume de igual qualidade qual outra mulher ousa sequer sonhar? Pobres que fossem esses dias, para ela, tinham sido lua-de- -mel. O filho fora confeccionado nesses namoros de unha suja, restos de combustível manchando o lençol.
    A oficina mal dava para o pão e para a escola do miúdo. Mas eis que começaram a aparecer, pelos recantos da casa, papéis rabiscados com versos. O filho confessou, sem pestanejar, a autoria do feito.
     O pai logo sentenciara: havia que tirar o miúdo da escola. Aquilo era coisa de estudos a mais, perigosos contágios, más companhias. Pois o rapaz, em vez de se lançar no esfrega- -refrega com as meninas, se acabrunhava nas penumbras e, pior ainda, escrevia versos. Que se passava: mariquice intelectual? Ou carburador entupido, avarias dessas que a vida do homem fica em ponto morto?
     Dona Serafina defendeu o filho e os estudos. O pai, conformado, exigiu que ele fosse examinado.
    – O médico que faça revisão geral, parte mecânica e elétrica. Que se afinasse o sangue, calibrasse os pulmões, lhe espreitassem o nível do óleo. O que urgia era terminar com aquela vergonha familiar.
     Olhos baixos, o médico escutou tudo e aviava a receita.
Com enfado, dirigiu-se ao menino:
    – Dói-te alguma coisa?
    – Dói-me a vida, doutor.
    A resposta o surpreendeu.
    – E o que fazes quando te assaltam essas dores?
    – O que melhor sei fazer, excelência, sonhar.
   Serafina desferiu um tapa na nuca do filho. Não lembrava o que o pai lhe dissera sobre os sonhos? Que fosse sonhar longe! Mas o filho reagiu: longe, por quê? Perto o sonho aleijaria alguém? O pai teria, sim, receio de sonho. E riu-se, acarinhando o braço da mãe.
   O médico estranhou o miúdo. Custava a crer, visto a idade. O menino exemplificaria os sonhos, mas o doutor interrompeu-o dizendo que não tinha tempo e que ali não era uma clínica psiquiátrica.
    A mãe, desesperada, pediu que o doutor olhasse o caderninho dos versos, a ver se ali catava o motivo de tão grave distúrbio. Contrafeito, o médico aceitou e propôs que voltasse na próxima semana.
    Na semana seguinte, o médico, sisudo, perguntou ao menino se ele havia escrito mais versos.
    – Isto que faço não é escrever, doutor. Estou, sim, a viver. Tenho este pedaço de vida – disse, apontando um novo caderninho.
    O médico chamou a mãe, à parte. Que aquilo era mais grave do que se poderia pensar. O menino carecia de internamento urgente. Ele assumiria as despesas, o menino ficaria em sua clínica para o tratamento.
    Hoje quem visita o consultório raramente encontra o médico. Manhãs e tardes ele se senta num recanto do quarto onde está internado o menino. Quem passa pode escutar a voz do filho do mecânico que vai lendo, verso a verso, o seu próprio coração. E o médico, abreviando silêncios:
    –Não pare, meu filho. Continue lendo...

(Mia Couto, O menino que escrevia versos. Adaptado)
Leia os versos atribuídos ao menino:
    De que vale ter voz     se só quando não falo é que me entendem?     De que vale acordar     se o que vivo é menos do que o que sonhei?
(versos do menino que fazia versos)
Considerando esses versos, é correto afirmar que o eu lírico
Alternativas
Q2204412 Português
O menino que escrevia versos

    – Ele escreve versos!
    Apontou o filho, como se entregasse criminoso na esquadra. O médico perguntou:
    – Há antecedentes na família?
    – Desculpe, doutor?
    O médico explicou em pormenores. Dona Serafina respondeu que não. O pai da criança, mecânico de nascença e preguiçoso por destino, nunca espreitara uma página. Lia motores, interpretava chaparias. Tratava-a bem, mas a doçura mais requintada que conseguira tinha sido em noite de núpcias:
    – Serafina, você hoje cheira a óleo Castrol!
    Ela hoje até se comove com a comparação: perfume de igual qualidade qual outra mulher ousa sequer sonhar? Pobres que fossem esses dias, para ela, tinham sido lua-de- -mel. O filho fora confeccionado nesses namoros de unha suja, restos de combustível manchando o lençol.
    A oficina mal dava para o pão e para a escola do miúdo. Mas eis que começaram a aparecer, pelos recantos da casa, papéis rabiscados com versos. O filho confessou, sem pestanejar, a autoria do feito.
     O pai logo sentenciara: havia que tirar o miúdo da escola. Aquilo era coisa de estudos a mais, perigosos contágios, más companhias. Pois o rapaz, em vez de se lançar no esfrega- -refrega com as meninas, se acabrunhava nas penumbras e, pior ainda, escrevia versos. Que se passava: mariquice intelectual? Ou carburador entupido, avarias dessas que a vida do homem fica em ponto morto?
     Dona Serafina defendeu o filho e os estudos. O pai, conformado, exigiu que ele fosse examinado.
    – O médico que faça revisão geral, parte mecânica e elétrica. Que se afinasse o sangue, calibrasse os pulmões, lhe espreitassem o nível do óleo. O que urgia era terminar com aquela vergonha familiar.
     Olhos baixos, o médico escutou tudo e aviava a receita.
Com enfado, dirigiu-se ao menino:
    – Dói-te alguma coisa?
    – Dói-me a vida, doutor.
    A resposta o surpreendeu.
    – E o que fazes quando te assaltam essas dores?
    – O que melhor sei fazer, excelência, sonhar.
   Serafina desferiu um tapa na nuca do filho. Não lembrava o que o pai lhe dissera sobre os sonhos? Que fosse sonhar longe! Mas o filho reagiu: longe, por quê? Perto o sonho aleijaria alguém? O pai teria, sim, receio de sonho. E riu-se, acarinhando o braço da mãe.
   O médico estranhou o miúdo. Custava a crer, visto a idade. O menino exemplificaria os sonhos, mas o doutor interrompeu-o dizendo que não tinha tempo e que ali não era uma clínica psiquiátrica.
    A mãe, desesperada, pediu que o doutor olhasse o caderninho dos versos, a ver se ali catava o motivo de tão grave distúrbio. Contrafeito, o médico aceitou e propôs que voltasse na próxima semana.
    Na semana seguinte, o médico, sisudo, perguntou ao menino se ele havia escrito mais versos.
    – Isto que faço não é escrever, doutor. Estou, sim, a viver. Tenho este pedaço de vida – disse, apontando um novo caderninho.
    O médico chamou a mãe, à parte. Que aquilo era mais grave do que se poderia pensar. O menino carecia de internamento urgente. Ele assumiria as despesas, o menino ficaria em sua clínica para o tratamento.
    Hoje quem visita o consultório raramente encontra o médico. Manhãs e tardes ele se senta num recanto do quarto onde está internado o menino. Quem passa pode escutar a voz do filho do mecânico que vai lendo, verso a verso, o seu próprio coração. E o médico, abreviando silêncios:
    –Não pare, meu filho. Continue lendo...

(Mia Couto, O menino que escrevia versos. Adaptado)
Observe as passagens do texto:
O que urgia era terminar com aquela vergonha familiar. Com enfado, dirigiu-se ao menino...
No contexto em que se encontram, as palavras em destaque têm como sinônimos, correta e respectivamente:
Alternativas
Q2204410 Português
O menino que escrevia versos

    – Ele escreve versos!
    Apontou o filho, como se entregasse criminoso na esquadra. O médico perguntou:
    – Há antecedentes na família?
    – Desculpe, doutor?
    O médico explicou em pormenores. Dona Serafina respondeu que não. O pai da criança, mecânico de nascença e preguiçoso por destino, nunca espreitara uma página. Lia motores, interpretava chaparias. Tratava-a bem, mas a doçura mais requintada que conseguira tinha sido em noite de núpcias:
    – Serafina, você hoje cheira a óleo Castrol!
    Ela hoje até se comove com a comparação: perfume de igual qualidade qual outra mulher ousa sequer sonhar? Pobres que fossem esses dias, para ela, tinham sido lua-de- -mel. O filho fora confeccionado nesses namoros de unha suja, restos de combustível manchando o lençol.
    A oficina mal dava para o pão e para a escola do miúdo. Mas eis que começaram a aparecer, pelos recantos da casa, papéis rabiscados com versos. O filho confessou, sem pestanejar, a autoria do feito.
     O pai logo sentenciara: havia que tirar o miúdo da escola. Aquilo era coisa de estudos a mais, perigosos contágios, más companhias. Pois o rapaz, em vez de se lançar no esfrega- -refrega com as meninas, se acabrunhava nas penumbras e, pior ainda, escrevia versos. Que se passava: mariquice intelectual? Ou carburador entupido, avarias dessas que a vida do homem fica em ponto morto?
     Dona Serafina defendeu o filho e os estudos. O pai, conformado, exigiu que ele fosse examinado.
    – O médico que faça revisão geral, parte mecânica e elétrica. Que se afinasse o sangue, calibrasse os pulmões, lhe espreitassem o nível do óleo. O que urgia era terminar com aquela vergonha familiar.
     Olhos baixos, o médico escutou tudo e aviava a receita.
Com enfado, dirigiu-se ao menino:
    – Dói-te alguma coisa?
    – Dói-me a vida, doutor.
    A resposta o surpreendeu.
    – E o que fazes quando te assaltam essas dores?
    – O que melhor sei fazer, excelência, sonhar.
   Serafina desferiu um tapa na nuca do filho. Não lembrava o que o pai lhe dissera sobre os sonhos? Que fosse sonhar longe! Mas o filho reagiu: longe, por quê? Perto o sonho aleijaria alguém? O pai teria, sim, receio de sonho. E riu-se, acarinhando o braço da mãe.
   O médico estranhou o miúdo. Custava a crer, visto a idade. O menino exemplificaria os sonhos, mas o doutor interrompeu-o dizendo que não tinha tempo e que ali não era uma clínica psiquiátrica.
    A mãe, desesperada, pediu que o doutor olhasse o caderninho dos versos, a ver se ali catava o motivo de tão grave distúrbio. Contrafeito, o médico aceitou e propôs que voltasse na próxima semana.
    Na semana seguinte, o médico, sisudo, perguntou ao menino se ele havia escrito mais versos.
    – Isto que faço não é escrever, doutor. Estou, sim, a viver. Tenho este pedaço de vida – disse, apontando um novo caderninho.
    O médico chamou a mãe, à parte. Que aquilo era mais grave do que se poderia pensar. O menino carecia de internamento urgente. Ele assumiria as despesas, o menino ficaria em sua clínica para o tratamento.
    Hoje quem visita o consultório raramente encontra o médico. Manhãs e tardes ele se senta num recanto do quarto onde está internado o menino. Quem passa pode escutar a voz do filho do mecânico que vai lendo, verso a verso, o seu próprio coração. E o médico, abreviando silêncios:
    –Não pare, meu filho. Continue lendo...

(Mia Couto, O menino que escrevia versos. Adaptado)
Observe a frase:
– E o que fazes quando te assaltam essas dores?
Alterando-se o tratamento para a terceira pessoa, e colocando-se o verbo no tempo passado, tem-se, corretamente:
Alternativas
Q2204407 Português
O menino que escrevia versos

    – Ele escreve versos!
    Apontou o filho, como se entregasse criminoso na esquadra. O médico perguntou:
    – Há antecedentes na família?
    – Desculpe, doutor?
    O médico explicou em pormenores. Dona Serafina respondeu que não. O pai da criança, mecânico de nascença e preguiçoso por destino, nunca espreitara uma página. Lia motores, interpretava chaparias. Tratava-a bem, mas a doçura mais requintada que conseguira tinha sido em noite de núpcias:
    – Serafina, você hoje cheira a óleo Castrol!
    Ela hoje até se comove com a comparação: perfume de igual qualidade qual outra mulher ousa sequer sonhar? Pobres que fossem esses dias, para ela, tinham sido lua-de- -mel. O filho fora confeccionado nesses namoros de unha suja, restos de combustível manchando o lençol.
    A oficina mal dava para o pão e para a escola do miúdo. Mas eis que começaram a aparecer, pelos recantos da casa, papéis rabiscados com versos. O filho confessou, sem pestanejar, a autoria do feito.
     O pai logo sentenciara: havia que tirar o miúdo da escola. Aquilo era coisa de estudos a mais, perigosos contágios, más companhias. Pois o rapaz, em vez de se lançar no esfrega- -refrega com as meninas, se acabrunhava nas penumbras e, pior ainda, escrevia versos. Que se passava: mariquice intelectual? Ou carburador entupido, avarias dessas que a vida do homem fica em ponto morto?
     Dona Serafina defendeu o filho e os estudos. O pai, conformado, exigiu que ele fosse examinado.
    – O médico que faça revisão geral, parte mecânica e elétrica. Que se afinasse o sangue, calibrasse os pulmões, lhe espreitassem o nível do óleo. O que urgia era terminar com aquela vergonha familiar.
     Olhos baixos, o médico escutou tudo e aviava a receita.
Com enfado, dirigiu-se ao menino:
    – Dói-te alguma coisa?
    – Dói-me a vida, doutor.
    A resposta o surpreendeu.
    – E o que fazes quando te assaltam essas dores?
    – O que melhor sei fazer, excelência, sonhar.
   Serafina desferiu um tapa na nuca do filho. Não lembrava o que o pai lhe dissera sobre os sonhos? Que fosse sonhar longe! Mas o filho reagiu: longe, por quê? Perto o sonho aleijaria alguém? O pai teria, sim, receio de sonho. E riu-se, acarinhando o braço da mãe.
   O médico estranhou o miúdo. Custava a crer, visto a idade. O menino exemplificaria os sonhos, mas o doutor interrompeu-o dizendo que não tinha tempo e que ali não era uma clínica psiquiátrica.
    A mãe, desesperada, pediu que o doutor olhasse o caderninho dos versos, a ver se ali catava o motivo de tão grave distúrbio. Contrafeito, o médico aceitou e propôs que voltasse na próxima semana.
    Na semana seguinte, o médico, sisudo, perguntou ao menino se ele havia escrito mais versos.
    – Isto que faço não é escrever, doutor. Estou, sim, a viver. Tenho este pedaço de vida – disse, apontando um novo caderninho.
    O médico chamou a mãe, à parte. Que aquilo era mais grave do que se poderia pensar. O menino carecia de internamento urgente. Ele assumiria as despesas, o menino ficaria em sua clínica para o tratamento.
    Hoje quem visita o consultório raramente encontra o médico. Manhãs e tardes ele se senta num recanto do quarto onde está internado o menino. Quem passa pode escutar a voz do filho do mecânico que vai lendo, verso a verso, o seu próprio coração. E o médico, abreviando silêncios:
    –Não pare, meu filho. Continue lendo...

(Mia Couto, O menino que escrevia versos. Adaptado)
Para se expressar, o pai do menino usa expressões em sentido figurado, próprias de sua profissão, o que se comprova com o par de expressões em:
Alternativas
Q2204406 Português
O menino que escrevia versos

    – Ele escreve versos!
    Apontou o filho, como se entregasse criminoso na esquadra. O médico perguntou:
    – Há antecedentes na família?
    – Desculpe, doutor?
    O médico explicou em pormenores. Dona Serafina respondeu que não. O pai da criança, mecânico de nascença e preguiçoso por destino, nunca espreitara uma página. Lia motores, interpretava chaparias. Tratava-a bem, mas a doçura mais requintada que conseguira tinha sido em noite de núpcias:
    – Serafina, você hoje cheira a óleo Castrol!
    Ela hoje até se comove com a comparação: perfume de igual qualidade qual outra mulher ousa sequer sonhar? Pobres que fossem esses dias, para ela, tinham sido lua-de- -mel. O filho fora confeccionado nesses namoros de unha suja, restos de combustível manchando o lençol.
    A oficina mal dava para o pão e para a escola do miúdo. Mas eis que começaram a aparecer, pelos recantos da casa, papéis rabiscados com versos. O filho confessou, sem pestanejar, a autoria do feito.
     O pai logo sentenciara: havia que tirar o miúdo da escola. Aquilo era coisa de estudos a mais, perigosos contágios, más companhias. Pois o rapaz, em vez de se lançar no esfrega- -refrega com as meninas, se acabrunhava nas penumbras e, pior ainda, escrevia versos. Que se passava: mariquice intelectual? Ou carburador entupido, avarias dessas que a vida do homem fica em ponto morto?
     Dona Serafina defendeu o filho e os estudos. O pai, conformado, exigiu que ele fosse examinado.
    – O médico que faça revisão geral, parte mecânica e elétrica. Que se afinasse o sangue, calibrasse os pulmões, lhe espreitassem o nível do óleo. O que urgia era terminar com aquela vergonha familiar.
     Olhos baixos, o médico escutou tudo e aviava a receita.
Com enfado, dirigiu-se ao menino:
    – Dói-te alguma coisa?
    – Dói-me a vida, doutor.
    A resposta o surpreendeu.
    – E o que fazes quando te assaltam essas dores?
    – O que melhor sei fazer, excelência, sonhar.
   Serafina desferiu um tapa na nuca do filho. Não lembrava o que o pai lhe dissera sobre os sonhos? Que fosse sonhar longe! Mas o filho reagiu: longe, por quê? Perto o sonho aleijaria alguém? O pai teria, sim, receio de sonho. E riu-se, acarinhando o braço da mãe.
   O médico estranhou o miúdo. Custava a crer, visto a idade. O menino exemplificaria os sonhos, mas o doutor interrompeu-o dizendo que não tinha tempo e que ali não era uma clínica psiquiátrica.
    A mãe, desesperada, pediu que o doutor olhasse o caderninho dos versos, a ver se ali catava o motivo de tão grave distúrbio. Contrafeito, o médico aceitou e propôs que voltasse na próxima semana.
    Na semana seguinte, o médico, sisudo, perguntou ao menino se ele havia escrito mais versos.
    – Isto que faço não é escrever, doutor. Estou, sim, a viver. Tenho este pedaço de vida – disse, apontando um novo caderninho.
    O médico chamou a mãe, à parte. Que aquilo era mais grave do que se poderia pensar. O menino carecia de internamento urgente. Ele assumiria as despesas, o menino ficaria em sua clínica para o tratamento.
    Hoje quem visita o consultório raramente encontra o médico. Manhãs e tardes ele se senta num recanto do quarto onde está internado o menino. Quem passa pode escutar a voz do filho do mecânico que vai lendo, verso a verso, o seu próprio coração. E o médico, abreviando silêncios:
    –Não pare, meu filho. Continue lendo...

(Mia Couto, O menino que escrevia versos. Adaptado)
Com relação à atividade do menino de fazer versos, é correto afirmar que
Alternativas
Respostas
43841: C
43842: C
43843: E
43844: C
43845: E
43846: C
43847: E
43848: C
43849: C
43850: B
43851: A
43852: C
43853: A
43854: D
43855: D
43856: E
43857: C
43858: B
43859: E
43860: D