Questões de Concurso
Sobre interpretação de textos em português
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A leitura do Texto III é necessária para a resolução da questão:
TEXTO III
Bola-de-gude-azul
Clarissa Moura
Rita me fitava com aqueles olhos azuis estrábicos e esbugalhados. Assim que entrou aqui em casa, foi a primeira coisa que vi, olhos-bola-de-gude, criança feia, careca. Todos os bebês são feios, acho que eu nasci feia também. Essa menina vem atrapalhando minha vida, desde que ainda estava dentro da minha mãe.
Na verdade, tudo muda quando uma criatura vai pra dentro de uma fêmea. Percebi isso quando Nina, nossa cadela, pegou um bucho do cachorro vira-lata que minha mãe odeia. Ela achou ruim, reclamou. Brigava dia e noite com Nina, a cachorra fujona que saiu e voltou prenha de cinco cachorrinhos. Morreram todos. Coitada de Nina, ela ficou cansada, lenta, dorminhoca. Não fazia mais nada, só dormia. Minha mãe reclamou tanto, tanto, mais tanto, que pegou um bucho também.
Mamãe colocou o nome da minha irmã de Rita de Cássia, a santa dela. Acho engraçado isso de dizer que a santa é sua. Pra mim, as coisas só são nossas quando a gente compra ou ganha. Do nada, a santa vira boneca que protege gente. Enquanto a barriga crescia, ela todo dia acendia uma vela, se alisava e rezava. Amenina, lá dentro, não sentia nada, não sabia de nada. Ganhou o nome da santinha que fica no quartinho ao lado da sala.
Depois que minha mãe disse que eu ia ter uma irmãzinha, que ela ia ser minha melhor amiga e companheira, tudo mudou. Mamãe só vivia vomitando, com sono, não queria brincar comigo, triste e deitada. O médico disse que ela tinha que passar a gravidez toda acamada pra menina vingar. Toda noite que minha mãe rezava, eu rezava junto, pedindo pra aquela menina não nascer. Queria minha mãe só pra mim. Mas não adiantou.
Meu pai, que quase não tinha tempo pra brincar comigo, passou a trabalhar mais. Eu só via ele nos fins de semana, e sempre cansado porque tinha mais uma boca pra alimentar. Minha filha, papai tem que trabalhar pra dar o melhor pra você e sua irmãzinha. Mas o melhor pra mim era ter meu pai e minha mãe somente pra mim. E, mesmo antes de nascer, a bola-de-gude-azul roubou meus pais.
Eu queria ser filha única, como meu pai e minha mãe. Não tenho tios, e nem sinto falta. Família boa é família que tem tempo pra ficar junto e brincar feliz. Agora eu fico sozinha o tempo todo. Desde que Nina teve os cachorrinhos mortos, também não quer brincar comigo. Os bichinhos pareciam uns ratinhos, pretinhos, tamanhico de nada. Mamãe falou que eles não tinham como ficar vivos e que quase matou nossa cadela. Que ela teve sorte. Sorte mesmo seria se ela nunca tivesse pegado um bucho.
Faz cinco dias que eu não consigo dormir, Rita está dormindo no quarto da minha mãe. Só vive pendurada nos peitos dela, mamando, mamando. Minha mãe chama ela de minha bezerrinha. Vai ser a bezerrinha mais forte de todas. Será que ela me acha fraca só porque eu não tô pendurada sugando o leite dela? Eu prefiro comer bolacha desmanchada no leite. Era tão bom quando minha mãe colocava minha comidinha, e a gente ficava vendo televisão e conversando. Ela sempre sentava em uma cadeira e ficava me vendo comer. É tão lindo te ver comendo Maria, você é a gulosa de mamãe. Eu ria, e ela alisava meus cachinhos.
Hoje tive que apresentar um trabalho na escola. Segurei a cartolina e não consegui lembrar de nada. Comecei a gaguejar e a chorar. Todo mundo riu de mim. Burra, burra, chorona, chorona. Aprofessora mandou todo mundo se calar. Eu empurrei o Carlinhos, o imbecil que puxou o coro, e chorei mais ainda. Fui levada pra diretoria, fizeram um bilhete pra meus pais, e amanhã eu só posso assistir aula se eles vierem me deixar. Me ferrei.
Sinto medo da pisa que vou levar, do castigo que não vai acabar nunca. Eu não vou poder sair pra brincar com as meninas na rua, vou ter que ficar trancada dentro de casa fazendo o dever que não tem fim. A pirralha começa a berrar de novo, muito alto. Essa menina só chora. Se não fosse por ela, eu teria dormido bem e lembraria do nome de todos os répteis da cartolina. Ódio.
Vou pro quarto, minha mãe tá dormindo pesado, roncando. Parece a Bela Adormecida que não vai acordar nunca mais. Rita chora, chora, chora, eu choro. Corro na cozinha, pego a faca de cortar pão, volto pro quarto, seguro a fralda na boca dela até abafar o choro, enfio a faca nos olhos-azuis-bola-de-gude dela e arranco. Pego as bolinhas agora vermelhas, se desmanchando na minha mão, e coloco na minha sacola de bolas-de-gude.
Será que amanhã eu ainda vou estar de castigo?
Clarissa Moura (1987, João Pessoa/Paraíba) é advogada, escritora, membro do Clube do Conto da Paraíba. Publica seus textos – crônicas e contos – no Medium https://clarissagmoura.medium.com/ e outras redes sociais. É coorganizadora do ebook Antologia Poética – Poemas dos Dez Melhores Poetas do Extremo Oriental das Américas, publicada pela Rubaiyat Edições em 2022. É uma das autoras da Antologia Prosas de Oficina vol. II, publicação da Editora Escaleras em 2022.
Fonte: https://revistaacrobata.com.br/

Julgue o item que se segue.
A elipse é uma figura de linguagem que consiste em
omitir intencionalmente uma parte da frase que pode ser
facilmente compreendida pelo contexto.
O Texto serve de base para responder a questão.
Brasileiros têm deficiência ou insuficiência de vitamina D, até no verão
Uma pesquisa brasileira que acaba de ser publicada pelo jornal cientifico inglês Journal of the Endocrine Society comprovou que, mesmo em pleno verdo, uma parcela significativa dos brasileiros apresenta insuficiência ou deficiência de vitamina D. Os indices foram de 50,7% e 15,3%, respectivamente, no grupo de 1.029 participantes.
O estudo, chamado Epidemiology of Vitamin D (EpiVida) - A Study of Vitamin D Status Among Healthy Adults in Brazil, foi produzido por pesquisadores das Universidades Federais do Parana e de S&o Paulo, Fundagdo Oswaldo Cruz e Obras Sociais Irma Dulce. A amostra foi composta por adultos saudaveis, entre 18 e 45 anos, de São Paulo (SP), Curitiba (PR) e Salvador (BA).
O objetivo foi estimar a prevalência da vitamina D em associação a estilo de vida, demografia socioeconômica e habitos culturais nestas três regiões metropolitanas. Para isso, foram avaliadas amostras de sangue e considerados dados de um questionario respondido pelos participantes.
A constatação de deficiéncia ou insuficiéncia de vitamina D em pleno verdo — periodo de maior exposição solar e que favoreceria a sintese deste micronutriente pelo organismo — é explicada por diversos fatores.
“Variáveis como genética, demografia e estilo de vida influenciam a produção de vitamina D. Os habitos recém-adquiridos durante a pandemia da COVID-19, que levou maioria da rotina da populagdo para dentro de casa, por exemplo, também podem contribuir para este quadro”, esclarece Marise Lazaretti Castro, endocrinologista, livre-docente, professora-adjunta de endocrinologia e chefe do setor de osteometabolismo da Escola Paulista de Medicina (Unifesp).
Em São Paulo, 20% dos participantes apresentaram deficiéncia de vitamina D e em mais da metade (52%) foi constatada insuficiéncia desta vitamina. Em Curitiba, os indices sdo parecidos: 12% e 52% respectivamente. Já em Salvador, os indices de deficiéncia e insuficiéncia de vitamina D foram, respectivamente, de 12% e 47% do total de participantes locais do estudo. Já no inverno, a situagdo pode agravar em mais 10%, apontam os pesquisadores.
O estudo considerou como deficiéncia de vitamina D os niveis abaixo de 20ng/ml. Já a insuficiéncia do micronutriente foi considerada para niveis abaixo 30ng/ml.
Além da falta de atividades ao ar livre, a pesquisa constatou que a deficiéncia de vitamina D teve grandes correlagdes com a obesidade e o sobrepeso da população brasileira.
Por outro lado, os pesquisadores afirmam que a exposição solar, atividades fisicas e o uso de suplementos podem ajudar significativamente na reposição do hormônio. “A suplementação orientada por um profissional, por exemplo, diminui 60% de chances de os pacientes terem deficiência de vitamina D, de acordo com o estudo”, ressalta o especialista.
Outro resultado da pesquisa se refere a questão étnico-racial. Embora Salvador tenha maior percentual de negros que Curitiba, a média dos niveis de vitamina D dos participantes não foram diferentes entre si, segundo o estudo.
“Esses achados sugerem que a maior abundéncia de radiação solar existente em Salvador, devido a sua maior proximidade com o Equador, pode ultrapassar a barreira da melanina na pele para produzir vitamina D. Então, a pele negra seria um fator de risco para deficiência de vitamina D apenas em regiões com radiação solar limitada”, afirmam os pesquisadores.
Disponivel em: https://www.correiobraziliense.com br/ciencia-e-saude/2023/03/5079602- brasileiros-tem-deficiencia-ou-insuficienciade-vitamina-d-ate-no-verao.html. Acesso em: 14 mar. 2023.
I. Os participantes com maior deficiéncia de vitamina D são os de São Paulo.
II. A deficiência de vitamina D é a mesma nas três regiões metropolitanas estudadas.
III. A pesquisa demonstrou que os percentuais de deficiéncia de vitamina D são 52, 52 e 47, respectivamente, nas regides metropolitanas de São Paulo, Curitiba e Salvador.
IV. Os participantes de Salvador são os que apresentaram menor insuficiência de vitamina D.
V. Apele negra pode ser um fator de risco de deficiência de vitamina D em regiões próximas ao Equador.
Está correto o que se afirma em:
O Texto serve de base para responder a questão.
Brasileiros têm deficiência ou insuficiência de vitamina D, até no verão
Uma pesquisa brasileira que acaba de ser publicada pelo jornal cientifico inglês Journal of the Endocrine Society comprovou que, mesmo em pleno verdo, uma parcela significativa dos brasileiros apresenta insuficiência ou deficiência de vitamina D. Os indices foram de 50,7% e 15,3%, respectivamente, no grupo de 1.029 participantes.
O estudo, chamado Epidemiology of Vitamin D (EpiVida) - A Study of Vitamin D Status Among Healthy Adults in Brazil, foi produzido por pesquisadores das Universidades Federais do Parana e de S&o Paulo, Fundagdo Oswaldo Cruz e Obras Sociais Irma Dulce. A amostra foi composta por adultos saudaveis, entre 18 e 45 anos, de São Paulo (SP), Curitiba (PR) e Salvador (BA).
O objetivo foi estimar a prevalência da vitamina D em associação a estilo de vida, demografia socioeconômica e habitos culturais nestas três regiões metropolitanas. Para isso, foram avaliadas amostras de sangue e considerados dados de um questionario respondido pelos participantes.
A constatação de deficiéncia ou insuficiéncia de vitamina D em pleno verdo — periodo de maior exposição solar e que favoreceria a sintese deste micronutriente pelo organismo — é explicada por diversos fatores.
“Variáveis como genética, demografia e estilo de vida influenciam a produção de vitamina D. Os habitos recém-adquiridos durante a pandemia da COVID-19, que levou maioria da rotina da populagdo para dentro de casa, por exemplo, também podem contribuir para este quadro”, esclarece Marise Lazaretti Castro, endocrinologista, livre-docente, professora-adjunta de endocrinologia e chefe do setor de osteometabolismo da Escola Paulista de Medicina (Unifesp).
Em São Paulo, 20% dos participantes apresentaram deficiéncia de vitamina D e em mais da metade (52%) foi constatada insuficiéncia desta vitamina. Em Curitiba, os indices sdo parecidos: 12% e 52% respectivamente. Já em Salvador, os indices de deficiéncia e insuficiéncia de vitamina D foram, respectivamente, de 12% e 47% do total de participantes locais do estudo. Já no inverno, a situagdo pode agravar em mais 10%, apontam os pesquisadores.
O estudo considerou como deficiéncia de vitamina D os niveis abaixo de 20ng/ml. Já a insuficiéncia do micronutriente foi considerada para niveis abaixo 30ng/ml.
Além da falta de atividades ao ar livre, a pesquisa constatou que a deficiéncia de vitamina D teve grandes correlagdes com a obesidade e o sobrepeso da população brasileira.
Por outro lado, os pesquisadores afirmam que a exposição solar, atividades fisicas e o uso de suplementos podem ajudar significativamente na reposição do hormônio. “A suplementação orientada por um profissional, por exemplo, diminui 60% de chances de os pacientes terem deficiência de vitamina D, de acordo com o estudo”, ressalta o especialista.
Outro resultado da pesquisa se refere a questão étnico-racial. Embora Salvador tenha maior percentual de negros que Curitiba, a média dos niveis de vitamina D dos participantes não foram diferentes entre si, segundo o estudo.
“Esses achados sugerem que a maior abundéncia de radiação solar existente em Salvador, devido a sua maior proximidade com o Equador, pode ultrapassar a barreira da melanina na pele para produzir vitamina D. Então, a pele negra seria um fator de risco para deficiência de vitamina D apenas em regiões com radiação solar limitada”, afirmam os pesquisadores.
Disponivel em: https://www.correiobraziliense.com br/ciencia-e-saude/2023/03/5079602- brasileiros-tem-deficiencia-ou-insuficienciade-vitamina-d-ate-no-verao.html. Acesso em: 14 mar. 2023.
(I)
Disponível em: https://escolakids.uol.com.br/portugues. Acesso em: 14 mar. 2023.
(II)
Disponível em: https://mundoeducacaouol.com.br/redacao. Acesso em: 14 mar. 2023.
(III)
Disponível em: https://www.google.com/search?. Acesso em: 14 mar. 2023.
(IV)
Disponivel em: https://www.google.com/search?. Acesso em: 14 mar. 2023.
O Texto serve de base para responder a questão.

Disponivel em: https:/br.pinterest.com/pin/345580971415789711/. Acesso em: 13 mar. 2023.
() Atira propõe uma reflexão acerca de que certas atividades podem ser perigosas para todas as criangas.
() Camilo muda de ideia quanto a corrida, pois tem medo de perder a aposta para Dinho.
() Atira tece uma critica ao tratamento desigual que a policia pode dar as pessoas negras.
() Para Camilo, correr ndo é uma atividade segura para nenhum dos personagens.
() O medo de Camilo é explicado pela imagem contida no terceiro quadro.
Assinale a alternativa com a sequéncia correta:
“Não gosto dos livros desse autor. Ele tem um posicionamento político muito radical.”
Assinale a opção que apresenta o problema desse argumento.
Ainda hoje, o engenheiro Maurício Schulmann, 44 anos, natural de Curitiba, mesmo sorrindo, não consegue dissimular uma certa ansiedade quando se lembra do susto que levou ao ser escolhido, inesperadamente, para a presidência do Banco Nacional de Habitação (BNH).
Sobre esse segmento, assinale a afirmativa correta.