Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q2523118 Português
Texto

Estoicismo

Imagine o seguinte: você tem uma vida ótima, a família vai bem, seu trabalho é promissor. Mas por um erro, azar ou circunstância, tudo muda. Você perde alguém, sofre um acidente, é diagnosticado com uma doença grave, ou qualquer outra coisa ruim. Bem ruim. Seu futuro, que parecia claro e tranquilo, desaparece; resta apenas a sensação de que, daqui em diante, tudo será incerto e angustiante. Parece plausível, não? Reviravoltas assim podem acontecer qualquer dia, com qualquer pessoa.

Há cerca de 2.400 anos, um comerciante também ficou confuso e sem ação. Seu navio afundou, ele perdeu uma carga extremamente valiosa juntamente com o rumo de sua vida. Começou a procurar saídas na filosofia de Atenas. E então se tornou, ele próprio, um dos maiores pensadores de seu tempo: estamos falando de Zenão de Cítio ( 333 – 263 a. C. ), o fundador do estoicismo.

Os problemas de hoje parecem, e são, diferentes daqueles de quem vivia na Grécia Antiga. Mas sua essência é a mesma: coisas imprevisíveis, sobre as quais não temos nenhum poder, acontecem. Para os estóicos, o segredo para viver bem era não se preocupar com elas. E, ao mesmo tempo, tentar controlar outra coisa: as próprias reações diante do inesperado. O estoicismo voltou à moda pois preza pelo autocontrole e pela autossuficiência diante de uma realidade caótica e aleatória.

De 2019 para cá, as buscas por estoicismo no Google cresceram 330%, tornando-o um conceito muito popular. Mas por quê? E por que agora? O estoicismo tem uma marca muito forte de dar caminhos para as intempéries da vida, de ajudar a lidar com o desastre e a possibilidade de que problemas vão acontecer.

Os últimos anos estiveram cheios de desastres e ameaças: pandemia, eventos climáticos extremos, guerras, o rápido avanço da IA ( Inteligência Artificial ), enfim, incertezas de todo tipo. São coisas que a sociedade pode e precisa enfrentar – mas que cada indivíduo sozinho, não consegue controlar. E um dos pilares do estoicismo é justamente abdicar da ideia de controle sobre os acontecimentos. É essencial agir sobre o que você pode controlar, e não ficar remoendo o que não pode. Esse conjunto de ideias é o grande diferencial filosófico do estoicismo – e sua principal arma para a vida cotidiana.

SUPER interessante, Editora Abril, S.P., edição no 461, ano 38. Adaptado
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ) de acordo com o texto.
1. O estoicismo surgiu na Grécia antiga, antes de Cristo.
2. Uma das máximas do estoicismo é a ideia de que podemos controlar os acontecimentos.
3. O estoicismo, filosofia que está muito popular atualmente, propaga a ideia de que devemos agir sobre o que podemos controlar, evitando refletir sobre o que não podemos.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q2523056 Português
Assinale a alternativa que indica a correta reescrita do trecho a seguir, retirado do texto, no imperativo, mas com a alteração da pessoa do discurso a quem é dirigida a ordem para “tu”.
Revise seus dados pessoais com cuidado.
Alternativas
Q2523054 Português
Analise a charge e as asserções a seguir, a respeito de sua relação com o texto.
Imagem associada para resolução da questão


I. Tanto o texto quanto a charge abordam a questão do prazo para entrega da declaração do Imposto de Renda,
MAS
II. a charge faz uma crítica ao prazo de entrega da declaração para os contribuintes do estado do Rio Grande do Sul.

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.  
Alternativas
Q2523053 Português
Assinale a alternativa que apresenta um sinônimo do vocábulo “respaldar” (l. 28).
Alternativas
Q2523049 Português
Considerando o exposto pelo texto, analise as assertivas a seguir:

I. Os contribuintes de um estado do Brasil serão isentos do pagamento do Imposto de Renda no ano de 2024 por conta de uma calamidade.
II. Incorreções nos dados pessoais dos contribuintes podem protelar o recebimento das restituições.
III. O texto convida a todos a ajudarem o estado gaúcho a lidar com a burocracia da declaração do Imposto de Renda em tempos de calamidade.

Quais estão corretas?
Alternativas
Q2523048 Português
Considerando o gênero textual e a intenção comunicativa, assinale a alternativa correta a respeito do texto.
Alternativas
Q2522943 Português
O escritor Érico Veríssimo falou sobre o consumidor:
O objetivo do consumidor não é o de possuir coisas, mas de consumir cada vez mais e mais, a fim de com isso compensar seu vácuo interior, sua passividade, sua solidão, seu tédio e sua ansiedade.
Seguindo a opinião do autor, o consumidor inveterado 
Alternativas
Q2522885 Português
Analise as frases abaixo em relação ou uso do sentido próprio (denotativo) e sentido figurado (conotativo).
1. O gato da professora foi encontrado ontem.
2. A gentileza é a chave para um mundo melhor!
3. Minha vida é um mar de rosas!
4. As folhas caem no outono.
Foi empregado o sentido: 
Alternativas
Q2522884 Português
Texto

Quando surgiu a consciência?

Não dá para precisar quando surgiu a consciência. A evolução de novas redes de neurônios não deixa fósseis, e todo traço que surge por seleção natural aparece gradualmente, sem saltos bruscos. Sabemos que golfinhos, chimpanzés e certas aves exibem vários aspectos do que chamamos de consciência: eles se reconhecem no espelho, imaginam..........intenções de outros animais (.......... pássaros que mudam o lugar em que guardam alimento quando notam que foram vistos ) e fazem planos para o futuro. Por outro lado,.......... primeiras expressões artísticas do ser humano foram registradas.......... 70 mil anos, e é possível que a linguagem tenha evoluído mais ou menos na mesma época. Essas capacidades não têm paralelo em outras espécies, o que significa que o nosso grau particular de consciência é algo único e recente.

Um aspecto central da consciência, é claro, é a sensação de que existe um “eu“. .......... casos, por exemplo, de pessoas com lesões cerebrais que se diziam cegas, mas conseguiam se desviar de obstáculos sem saber como. Elas haviam perdido o acesso consciente à visão, mas o cérebro ainda agia com base nos dados visuais sem consultar o dono. É impossível saber em que grau outros animais têm essa experiência subjetiva de “ter um dono “ na cabeça – ou se eles agem como os cegos do exemplo, respondendo automaticamente aos estímulos do ambiente. Esse problema filosófico antigo permanece fora do alcance da pesquisa empírica, experimental. À medida em que a ciência avança, teremos no futuro, novos avanços quanto ao tema.

SUPER interessante, Editora Abril, SP, edição no 461, ano 38.
Adaptado.
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ) de acordo com o texto.
( ) Nenhuma espécie animal exibe qualquer aspecto do que chamamos de consciência.
( ) Não há atualmente uma maneira de estabelecermos quando surgiu a consciência.
( ) A linguagem e as expressões artísticas são capacidades que não têm correspondente em outras espécies. São somente encontradas nos seres humanos.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q2522800 Português

Quem foi Ziraldo? 


   Ziraldo, cartunista, desenhista, escritor e jornalista criador dos clássicos personagens infantis “O Menino Maluquinho” e “Turma do Pererê”, morreu dia 6 de abril de 2024, aos 91 anos. Ele foi responsável por marcar gerações com suas histórias infantis. Ziraldo nasceu no dia 24 de outubro de 1932, em Caratinga, Minas Gerais. Seu nome vem da combinação da mãe, Zizinha, e do pai, Geraldo.     

  Quando tinha apenas seis anos de idade, publicou seu primeiro desenho, por meio do jornal Folha de Minas. Seu primeiro trabalho foi no jornal Folha da Manhã (atual Folha de S. Paulo), em 1954, onde publicava uma coluna de humor. Ele também passou pela revista O Cruzeiro em 1957 e pelo Jornal do Brasil, em 1963.

  Nos anos 1960, Ziraldo lançou a primeira revista em quadrinhos brasileira colorida de um só autor, intitulada como “Pererê”. A obra foi banida em 1964, quando o regime militar baniu todas as revistas das bancas. Também nessa época, o jornalista foi um dos responsáveis por fundar o jornal O Pasquim, que ia duramente contra o governo da época. 

    No início de 1970, o autor publicou sua primeira obra infantil, a “Flicts”, que, posteriormente, deu espaço à história “O Menino Maluquinho”, em 1980. A obra fez tanto sucesso que é lembrada até hoje como um marco na literatura brasileira, chegando a ganhar adaptações para a televisão e o cinema. Para televisão, a obra foi adaptada em 2006 pela TV Brasil como uma série chamada “Um Menino muito Maluquinho”. Os livros do Ziraldo foram publicados em mais de 10 países e venderam mais de 4 milhões de cópias.


São Bento em foco. Adaptado

Em outros contextos, a palavra sublinhada no 1º parágrafo também pode significar: 
Alternativas
Q2522798 Português

Quem foi Ziraldo? 


   Ziraldo, cartunista, desenhista, escritor e jornalista criador dos clássicos personagens infantis “O Menino Maluquinho” e “Turma do Pererê”, morreu dia 6 de abril de 2024, aos 91 anos. Ele foi responsável por marcar gerações com suas histórias infantis. Ziraldo nasceu no dia 24 de outubro de 1932, em Caratinga, Minas Gerais. Seu nome vem da combinação da mãe, Zizinha, e do pai, Geraldo.     

  Quando tinha apenas seis anos de idade, publicou seu primeiro desenho, por meio do jornal Folha de Minas. Seu primeiro trabalho foi no jornal Folha da Manhã (atual Folha de S. Paulo), em 1954, onde publicava uma coluna de humor. Ele também passou pela revista O Cruzeiro em 1957 e pelo Jornal do Brasil, em 1963.

  Nos anos 1960, Ziraldo lançou a primeira revista em quadrinhos brasileira colorida de um só autor, intitulada como “Pererê”. A obra foi banida em 1964, quando o regime militar baniu todas as revistas das bancas. Também nessa época, o jornalista foi um dos responsáveis por fundar o jornal O Pasquim, que ia duramente contra o governo da época. 

    No início de 1970, o autor publicou sua primeira obra infantil, a “Flicts”, que, posteriormente, deu espaço à história “O Menino Maluquinho”, em 1980. A obra fez tanto sucesso que é lembrada até hoje como um marco na literatura brasileira, chegando a ganhar adaptações para a televisão e o cinema. Para televisão, a obra foi adaptada em 2006 pela TV Brasil como uma série chamada “Um Menino muito Maluquinho”. Os livros do Ziraldo foram publicados em mais de 10 países e venderam mais de 4 milhões de cópias.


São Bento em foco. Adaptado

Em relação às informações contidas no texto, assinalar a alternativa INCORRETA. 
Alternativas
Q2522742 Português
Assinale a alternativa em que é possível substituir o vocábulo lhe por o, sem prejuízo da norma-padrão.
Alternativas
Q2522739 Português
        Sou inimigo de fraudes e falsificações, mesmo pensando como as fraudes e falsificações podem ser mais encantadoras e melhores do que as ditas coisas autênticas. Quer dizer que sou inimigo, em parte. Mas sou. E para ilustrar esta aversão, ainda que de um certo modo prosaico e sem arte, poderia invocar os meus não muito velhos tempos de Farmácia Rosário, quando uma de minhas inveteradas manias era andar investigando a pureza e a qualidade dos produtos químicos e dos medicamentos, perturbando consequentemente os bons negócios de pobres-diabos que com eles traficavam. Era enorme essa minha trabalheira de detetive de laboratório, policiando, farejando com testes e reações, às vezes durante dias a fio, o que estava errado com uma ou outra droga. “O que é que você ganha com isso?” – me perguntavam. Pois as despesas também não eram poucas. E logo se seguia um argumento, com ares de campeão do bom senso, aposentado: “Nenhuma farmácia faz assim”. Eu sabia. Nenhuma farmácia fazia assim. E acredito que ainda não faça. Pouco me importa, entretanto, que não fizesse. Era o meu hábito de não concordar com descuidos e velhacarias; o meu gosto de pôr em prática as teorias aprendidas nos livros, de não esquecer sobre os meus balcões a dignidade intelectual; era a responsabilidade de quem cuida de medicamentos, prepara medicamentos e os entrega depois a seres confiantes, inteiramente impossibilitados de aí discernir entre o bom e o mau, o nocivo e o benéfico. 




(Jurandir Ferreira. Da quieta substância dos dias.
Instituto Moreira Sales, 1991. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a circunstância estabelecida pela expressão destacada está corretamente indicada entre colchetes.
Alternativas
Q2522738 Português
        Sou inimigo de fraudes e falsificações, mesmo pensando como as fraudes e falsificações podem ser mais encantadoras e melhores do que as ditas coisas autênticas. Quer dizer que sou inimigo, em parte. Mas sou. E para ilustrar esta aversão, ainda que de um certo modo prosaico e sem arte, poderia invocar os meus não muito velhos tempos de Farmácia Rosário, quando uma de minhas inveteradas manias era andar investigando a pureza e a qualidade dos produtos químicos e dos medicamentos, perturbando consequentemente os bons negócios de pobres-diabos que com eles traficavam. Era enorme essa minha trabalheira de detetive de laboratório, policiando, farejando com testes e reações, às vezes durante dias a fio, o que estava errado com uma ou outra droga. “O que é que você ganha com isso?” – me perguntavam. Pois as despesas também não eram poucas. E logo se seguia um argumento, com ares de campeão do bom senso, aposentado: “Nenhuma farmácia faz assim”. Eu sabia. Nenhuma farmácia fazia assim. E acredito que ainda não faça. Pouco me importa, entretanto, que não fizesse. Era o meu hábito de não concordar com descuidos e velhacarias; o meu gosto de pôr em prática as teorias aprendidas nos livros, de não esquecer sobre os meus balcões a dignidade intelectual; era a responsabilidade de quem cuida de medicamentos, prepara medicamentos e os entrega depois a seres confiantes, inteiramente impossibilitados de aí discernir entre o bom e o mau, o nocivo e o benéfico. 




(Jurandir Ferreira. Da quieta substância dos dias.
Instituto Moreira Sales, 1991. Adaptado)
A partir da leitura do texto, é correto afirmar que o narrador
Alternativas
Q2522737 Português
          No começo de novembro de 1985, um estudante brasileiro de pós-graduação na prestigiosa Universidade de Yale e um escritor português de fama crescente, mas ainda muito longe do ícone literário que acabaria por se tornar, passaram algumas horas agradáveis em uma conversa-entrevista na ilha de Manhattan. Havia apenas nove anos que o escritor lusitano tinha começado sua carreira temporã e, naquele dia frio do outono nova-iorquino, já com 63 anos, ele começava a enveredar por um caminho de reconhecimento internacional e ficou encantado com o interesse do jovem pesquisador brasileiro, de apenas 30 anos, em sua obra emergente. Trinta e sete anos depois, aquele encontro entre José Saramago, que 13 anos mais tarde ganharia o Nobel de Literatura, e o poeta, tradutor e professor da Universidade de São Paulo (USP) Horácio Costa finalmente virou livro.


          Mas por que a entrevista demorou tanto a ser publicada? A explicação é do próprio Costa, em sua apresentação: “Porque esteve perdida entre muitas caixas de papéis e livros que vieram do México, quando regressei ao Brasil em 1997 e 2001, nas duas mudanças que trouxe de lá por via marítima”, explica ele, que viveu cerca de duas décadas no México. E havia mais duas explicações adicionais. A primeira: Horácio Costa não queria publicar a entrevista antes de finalizar sua tese. A outra, mais prosaica: ele acreditava piamente que as duas fitas cassetes com a entrevista saramaguiana tinham se perdido para sempre em meio a tantas mudanças. Até que em 2020, durante a pandemia, numa velha caixa preta de sapatos, encontrou as tais fitas.


       “Esse diálogo assimétrico entre um pós-graduando, obviamente feliz com a perspectiva de estudo que descortinava, e um escritor tardio que se confessava surpreso com a sua recente ascensão ao teatro internacional da literatura é possivelmente, e para lá dos conteúdos nele desenvolvidos, o que de mais característico têm essas páginas”, afirma Costa em sua apresentação.


        Ao longo de toda a conversa, José Saramago vai revelando suas influências, a composição de seu estilo, a forma de elaborar seus livros – uma ourivesaria que só se faria sofisticar pelos anos seguintes.



(Marcello Rollemberg. Quando Saramago se preparava para ser Saramago.
https://jornal.usp.br, 18.11.2022. Adaptado)
Considere os trechos:


•  Havia apenas nove anos que o escritor lusitano tinha começado sua carreira temporã e, naquele dia frio do outono nova-iorquino… (1º parágrafo)


•  E havia mais duas explicações adicionais: a primeira, Horácio Costa não queria publicar a entrevista antes de finalizar sua tese. (2º parágrafo)


•  … é possivelmente, e para lá dos conteúdos nele desenvolvidos, o que de mais característico têm essas páginas”… (3º parágrafo)


Os vocábulos destacados podem ser substituídos, respectivamente, preservando a norma-padrão de concordância e de correspondência de tempos e modos verbais, por:
Alternativas
Q2522735 Português
          No começo de novembro de 1985, um estudante brasileiro de pós-graduação na prestigiosa Universidade de Yale e um escritor português de fama crescente, mas ainda muito longe do ícone literário que acabaria por se tornar, passaram algumas horas agradáveis em uma conversa-entrevista na ilha de Manhattan. Havia apenas nove anos que o escritor lusitano tinha começado sua carreira temporã e, naquele dia frio do outono nova-iorquino, já com 63 anos, ele começava a enveredar por um caminho de reconhecimento internacional e ficou encantado com o interesse do jovem pesquisador brasileiro, de apenas 30 anos, em sua obra emergente. Trinta e sete anos depois, aquele encontro entre José Saramago, que 13 anos mais tarde ganharia o Nobel de Literatura, e o poeta, tradutor e professor da Universidade de São Paulo (USP) Horácio Costa finalmente virou livro.


          Mas por que a entrevista demorou tanto a ser publicada? A explicação é do próprio Costa, em sua apresentação: “Porque esteve perdida entre muitas caixas de papéis e livros que vieram do México, quando regressei ao Brasil em 1997 e 2001, nas duas mudanças que trouxe de lá por via marítima”, explica ele, que viveu cerca de duas décadas no México. E havia mais duas explicações adicionais. A primeira: Horácio Costa não queria publicar a entrevista antes de finalizar sua tese. A outra, mais prosaica: ele acreditava piamente que as duas fitas cassetes com a entrevista saramaguiana tinham se perdido para sempre em meio a tantas mudanças. Até que em 2020, durante a pandemia, numa velha caixa preta de sapatos, encontrou as tais fitas.


       “Esse diálogo assimétrico entre um pós-graduando, obviamente feliz com a perspectiva de estudo que descortinava, e um escritor tardio que se confessava surpreso com a sua recente ascensão ao teatro internacional da literatura é possivelmente, e para lá dos conteúdos nele desenvolvidos, o que de mais característico têm essas páginas”, afirma Costa em sua apresentação.


        Ao longo de toda a conversa, José Saramago vai revelando suas influências, a composição de seu estilo, a forma de elaborar seus livros – uma ourivesaria que só se faria sofisticar pelos anos seguintes.



(Marcello Rollemberg. Quando Saramago se preparava para ser Saramago.
https://jornal.usp.br, 18.11.2022. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o vocábulo destacado está empregado em sentido figurado no contexto em que se encontra.
Alternativas
Q2522734 Português
          No começo de novembro de 1985, um estudante brasileiro de pós-graduação na prestigiosa Universidade de Yale e um escritor português de fama crescente, mas ainda muito longe do ícone literário que acabaria por se tornar, passaram algumas horas agradáveis em uma conversa-entrevista na ilha de Manhattan. Havia apenas nove anos que o escritor lusitano tinha começado sua carreira temporã e, naquele dia frio do outono nova-iorquino, já com 63 anos, ele começava a enveredar por um caminho de reconhecimento internacional e ficou encantado com o interesse do jovem pesquisador brasileiro, de apenas 30 anos, em sua obra emergente. Trinta e sete anos depois, aquele encontro entre José Saramago, que 13 anos mais tarde ganharia o Nobel de Literatura, e o poeta, tradutor e professor da Universidade de São Paulo (USP) Horácio Costa finalmente virou livro.


          Mas por que a entrevista demorou tanto a ser publicada? A explicação é do próprio Costa, em sua apresentação: “Porque esteve perdida entre muitas caixas de papéis e livros que vieram do México, quando regressei ao Brasil em 1997 e 2001, nas duas mudanças que trouxe de lá por via marítima”, explica ele, que viveu cerca de duas décadas no México. E havia mais duas explicações adicionais. A primeira: Horácio Costa não queria publicar a entrevista antes de finalizar sua tese. A outra, mais prosaica: ele acreditava piamente que as duas fitas cassetes com a entrevista saramaguiana tinham se perdido para sempre em meio a tantas mudanças. Até que em 2020, durante a pandemia, numa velha caixa preta de sapatos, encontrou as tais fitas.


       “Esse diálogo assimétrico entre um pós-graduando, obviamente feliz com a perspectiva de estudo que descortinava, e um escritor tardio que se confessava surpreso com a sua recente ascensão ao teatro internacional da literatura é possivelmente, e para lá dos conteúdos nele desenvolvidos, o que de mais característico têm essas páginas”, afirma Costa em sua apresentação.


        Ao longo de toda a conversa, José Saramago vai revelando suas influências, a composição de seu estilo, a forma de elaborar seus livros – uma ourivesaria que só se faria sofisticar pelos anos seguintes.



(Marcello Rollemberg. Quando Saramago se preparava para ser Saramago.
https://jornal.usp.br, 18.11.2022. Adaptado)
Considere os trechos:


•  … o interesse do jovem pesquisador brasileiro, de apenas 30 anos, em sua obra emergente. (1º parágrafo)


•  … é possivelmente, e para lá dos conteúdos nele desenvolvidos, o que de mais característico têm essas páginas”… (3º parágrafo)


•  … a forma de elaborar seus livros – uma ourivesaria que só se faria sofisticar pelos anos seguintes. (4º parágrafo)


Os vocábulos destacados apresentam como antônimos, no contexto em que foram empregados:
Alternativas
Q2522733 Português
          No começo de novembro de 1985, um estudante brasileiro de pós-graduação na prestigiosa Universidade de Yale e um escritor português de fama crescente, mas ainda muito longe do ícone literário que acabaria por se tornar, passaram algumas horas agradáveis em uma conversa-entrevista na ilha de Manhattan. Havia apenas nove anos que o escritor lusitano tinha começado sua carreira temporã e, naquele dia frio do outono nova-iorquino, já com 63 anos, ele começava a enveredar por um caminho de reconhecimento internacional e ficou encantado com o interesse do jovem pesquisador brasileiro, de apenas 30 anos, em sua obra emergente. Trinta e sete anos depois, aquele encontro entre José Saramago, que 13 anos mais tarde ganharia o Nobel de Literatura, e o poeta, tradutor e professor da Universidade de São Paulo (USP) Horácio Costa finalmente virou livro.


          Mas por que a entrevista demorou tanto a ser publicada? A explicação é do próprio Costa, em sua apresentação: “Porque esteve perdida entre muitas caixas de papéis e livros que vieram do México, quando regressei ao Brasil em 1997 e 2001, nas duas mudanças que trouxe de lá por via marítima”, explica ele, que viveu cerca de duas décadas no México. E havia mais duas explicações adicionais. A primeira: Horácio Costa não queria publicar a entrevista antes de finalizar sua tese. A outra, mais prosaica: ele acreditava piamente que as duas fitas cassetes com a entrevista saramaguiana tinham se perdido para sempre em meio a tantas mudanças. Até que em 2020, durante a pandemia, numa velha caixa preta de sapatos, encontrou as tais fitas.


       “Esse diálogo assimétrico entre um pós-graduando, obviamente feliz com a perspectiva de estudo que descortinava, e um escritor tardio que se confessava surpreso com a sua recente ascensão ao teatro internacional da literatura é possivelmente, e para lá dos conteúdos nele desenvolvidos, o que de mais característico têm essas páginas”, afirma Costa em sua apresentação.


        Ao longo de toda a conversa, José Saramago vai revelando suas influências, a composição de seu estilo, a forma de elaborar seus livros – uma ourivesaria que só se faria sofisticar pelos anos seguintes.



(Marcello Rollemberg. Quando Saramago se preparava para ser Saramago.
https://jornal.usp.br, 18.11.2022. Adaptado)
A partir da leitura do texto, é correto afirmar que
Alternativas
Q2522684 Português

Texto para a questão.


Veterinária responsável por “virada esotérica” de Milei diz que tem dom de conversar com animais mortos




Internet: <www.g1.globo.com> (com adaptações).

No primeiro parágrafo, o uso que se faz da palavra “país” em “acabou virando figura central no país” demonstra um recurso que
Alternativas
Ano: 2024 Banca: FUNCERN Órgão: AMCEVALE - RN Provas: FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Procurador | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Advogado | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Agente de Contratação | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Agente de Fiscalização Sanitária | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Engenheiro Agrônomo | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Farmacêutico | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Fiscal de Postura | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Arquiteto | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Arquivista | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Terapeuta Ocupacional | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Agente de Fiscalização Tributária | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Controlador | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Engenheiro de Computação | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Farmacêutico Bioquímico | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Jornalista | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Médico do Trabalho | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Médico Plantonista | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Neuropsicopedagogo | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Agente Fiscal | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Contador | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Agente Fiscal de Tributo | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Analista de Controle Interno | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Analista de Orçamento | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Auditor Fiscal | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Bibliotecário | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Biomédico | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Psicopedagogo Clínico | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Psicopedagogo Institucional | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Dentista / Odontólogo | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Educador Físico | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Engenheiro Ambiental | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Fisioterapeuta | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Médico Clínico Geral / Médico | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Médico Veterinário | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Ouvidor | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Zootecnista | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Engenheiro Civil | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Enfermeiro | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Fonoaudiólogo | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Nutricionista | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Assistente Social | FUNCERN - 2024 - AMCEVALE - RN - Psicólogo |
Q2522662 Português
A questão refere-se ao texto a seguir.

Literatura na escola: menos homens brancos, mais mulheres pretas

José Ruy Lozano

        Como tudo que é resultado da percepção humana ao longo do tempo, o cânone literário – conjunto de livros considerados referências de uma época ou cultura – tem mudanças e permanências. Mas não há dúvida quanto ao papel fundamental que o ensino de literatura nas universidades e escolas desempenha em sua constituição. Afinal, à chancela acadêmica dos estudiosos une-se a difusão da leitura de obras consideradas clássicas realizada na educação básica. Notoriedade e prestígio juntam-se ao conhecimento mais amplo do público leitor por meio das instituições de ensino. 
        Tais instituições não são refratárias ao momento político e social em que estão inseridas. Em tempos de Black Lives Matter, identitarismo e questionamentos mais frequentes e profundos a respeito do racismo estrutural no Brasil e no mundo, percebe-se um movimento de deslocamento do cânone literário rumo a vozes até aqui marginalizadas em nossa literatura. Para muitos surpreendente, a inclusão das letras de sobrevivendo no inferno, disco do grupo de rap paulista Racionais Mc’s, como leitura obrigatória no vestibular da Unicamp demonstra que os tempos estão mudando. 
        Ainda não cancelaram José de Alencar – escritor que defendeu publicamente a escravidão e organizou um retrato idílico das populações indígenas conveniente ao Estado imperial de sua época –, mas os homens brancos do passado já têm de abrir espaço não só a outros homens, mas também a mulheres pretas, do passado e do presente. A indicação de obras com essa marca de autoria por exames vestibulares de universidades públicas e particulares está obrigando as escolas a se abrir a vozes distintas, e os alunos passam a ler narrativas que se aproximam de seu mundo, marcado pela desigualdade, pobreza e discriminação.
        Passo determinante nessa trajetória é o resgate de Carolina Maria de Jesus. Seus diários, que retratam o cotidiano de mulher negra e favelada, apresenta aos estudantes um universo literário bem distinto dos clássicos de costume. Quarto de despejo passou a ser indicação obrigatória de leitura em vestibulares a partir de 2016, e muitos professores de literatura de Ensino Médio tiveram de “descobrir” uma escritora brasileira cuja obra já foi traduzida para catorze idiomas desde os anos 1960. Em 2020, Carolina consta na lista de leituras dos exames das universidades estaduais de Maringá, Londrina, Ponta Grossa e da universidade federal do Tocantins.
        Conceição Evaristo, premiada romancista, poeta e contista mineira, nasceu em uma comunidade pobre de Belo Horizonte, trabalhou como empregada doméstica, até concluir sua formação como professora. A discriminação racial e de gênero são temas recorrentes de sua ficção. Militante do movimento negro, apresentou em 2018 uma simbólica candidatura à vaga número 7 da Academia Brasileira de Letras, cujo patrono é o poeta abolicionista Castro Alves. Se essa tentativa de diálogo com a instituição canônica por excelência da literatura brasileira não teve êxito, sua presença nos estudos literários veio para ficar: a universidade de Passo Fundo indica a seus candidatos a leitura dos contos de Olhos d’água, e a universidade federal do Rio Grande do Sul incluiu em sua lista de leituras obrigatórias o romance Ponciá Vicêncio.
        Ainda no vestibular da federal gaúcha, consta o romance Úrsula, de Maria Firmina dos Reis. A maranhense Firmina foi precursora na vida e na obra. Mulher negra, prestou concurso público para professora e sustentava-se sozinha. É dela o primeiro romance de autoria feminina do Brasil, justamente Úrsula, publicado em 1859, que também é considerado a primeira narrativa abolicionista da literatura brasileira, humanizando e dando voz aos escravizados. Embora tenha tido destaque na sociedade maranhense em sua época, foi silenciada e esquecida, mas hoje recebe merecido destaque, tendo sua obra principal reeditada pela PUC de Minas Gerais e ganhado atenção de pesquisadores que constroem sua fortuna crítica.
        A Universidade Estadual do Rio de Janeiro selecionou, para seu exame de acesso, a obra de uma mulher negra, nascida em 1977, na periferia de Nova Iguaçu, conhecedora do cenário de pobreza e violência de onde provêm boa parte de seus estudantes. Na UERJ, 50% das vagas são reservadas para alunos de escolas públicas do estado, tendo sido essa universidade a pioneira do regime de cotas raciais e sociais no Brasil. Assim na terra como embaixo da terra, de Ana Paula Maia, elabora um cenário distópico em que um presídio de segurança máxima, construído sobre terreno que outrora abrigara local de tortura e morte de escravos, torna-se um campo de extermínio. Ali se entrevê uma alegoria das mazelas da atuação policial e do sistema prisional brasileiros, vinculados a um passado histórico de opressão.
        Não só gênero e raça se mostram mais diversos, mas também a nacionalidade. A Universidade Federal de Uberlândia fará questões em seu vestibular sobre o romance A cor púrpura, da norte-americana Alice Walker. Militante feminista e do movimento negro, Walker retrata no livro as agruras de uma menina negra, no sul agrário e racista dos Estados Unidos, abusada sexualmente pelo pai – de quem engravida e dá à luz dois filhos – e, posteriormente, obrigada a se casar com um senhor branco que a trata como empregada. A narrativa de estupro em família, num contexto de preconceito e pobreza, guarda estreita relação com situações semelhantes infelizmente frequentes no Brasil.
        A universidade de Taubaté, interior de São Paulo, inseriu em sua lista obrigatória de leituras o livro Hibisco roxo, primeiro romance da feminista nigeriana Chimamanda Nzozie Adichie, que narra conflitos familiares na Nigéria pós-colonial, tematizando a misoginia associada ao fanatismo religioso. Escritora premiada, ensaísta e palestrante de sucesso, Adichie já teve trechos de suas falas inseridos na letra da música Flawless, da popstar Beyoncé.
        A vida das periferias, pobreza, racismo, violência urbana, machismo... A entrada de vozes femininas e negras no ensino de literatura amplia as temáticas abordadas em sala de aula e aproxima as leituras escolares da realidade vivida por milhões de estudantes no Brasil. Diversidade fundamental por si só, esse fenômeno representa uma oportunidade valiosa para os educadores: despertar nos estudantes o sentido e o propósito do fazer literário, ressaltando a importância das narrativas como construção da memória coletiva.

Disponível em: < https://diplomatique.org.br/>. Acesso em: 08 dez. 2023. [Texto adaptado]

Considere o período a seguir.


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 Sobre a organização desse período, é correto afirmar:

Alternativas
Respostas
36541: B
36542: E
36543: C
36544: B
36545: B
36546: D
36547: B
36548: E
36549: A
36550: A
36551: C
36552: C
36553: B
36554: B
36555: A
36556: B
36557: C
36558: C
36559: C
36560: A