Questões de Concurso
Sobre interpretação de textos em português
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Nossa vida é uma coleção de "ontens"
Tem gente que coleciona carrinhos de brinquedo, outros discos de vinil, tem a galera das figurinhas da Copa agora. Mas tem algo que todos nós colecionamos, querendo ou não: os "ontens".
Tenho um certo receio de pensar este tema, na verdade, porque a gente, às vezes, fica falando "Olha, o fulano morre... Tão novo" ou "Nossa, nunca imaginei que ela fosse tão cedo...", e a gente esquece que nossa vez também pode chegar tão rápido quanto se pisca o olho. Socorro...
Mas é aí, justamente, que podemos lançar uma boa reflexão: se a nossa única certeza é a morte, o que estamos fazendo para honrar cada segundo por aqui?".
É claro que é pergunta velha, mas as respostas ou os insights sempre são novos.
Um deles, por exemplo, dá título à crônica. Eu comprei uma camiseta com a frase "O ontem já passou. O amanhã ainda não chegou!", em uma mensagem clara de que devemos realmente cultivar o "hoje" em toda sua extensão, suas delícias e suas dores. (...)
Mas olhar nosso passado não precisa ser uma experiência ruim ou algo que deva deixar de ser feito. Afinal, a nossa vida é uma coleção de "ontens".
(...)
Seja como for, bons ou ruins, são eles que te ajudam a viver o presente de forma mais lúcida e coerente e ainda assim olhar para o futuro de maneira mais planejada.
Cuide de sua coleção de "ontens". E se depois de eu tê-los provocado, a sensação é de que sua coleção tá bem "ruinzinha", nada mais oportuno do que renovar tudo. Afinal, o dia de hoje, já já estará em sua estante de "ontens". E você fez o quê?
Roberto Mancuzo
https://www.imparcial.com.br/noticias/nossa-vida-e-uma-colecao-de-ont ens,54861
Considere as afirmativas relacionadas ao texto apresentadas a seguir. Registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:
(__) O autor conclui incentivando o leitor a cuidar de sua própria "coleção de ontens", sugerindo que, caso ela não esteja satisfatória, é possível renová-la, assumindo o controle sobre as experiências que compõem sua história pessoal.
(__) Em suma, o texto oferece uma reflexão profunda sobre a natureza da vida e a importância de viver de forma consciente e plena, reconhecendo a influência dos "ontens" em nossa jornada pessoal.
(__) O texto reconhece que tanto os momentos positivos quanto os negativos moldam nossa visão de mundo e influenciam nossas escolhas futuras. Para isso, autor incentiva o leitor a abandonar a sua própria "coleção de ontens" e renová-la para uma vida mais satisfatória.
Assinale a alternativa com a sequência CORRETA:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Nossa vida é uma coleção de "ontens"
Tem gente que coleciona carrinhos de brinquedo, outros discos de vinil, tem a galera das figurinhas da Copa agora. Mas tem algo que todos nós colecionamos, querendo ou não: os "ontens".
Tenho um certo receio de pensar este tema, na verdade, porque a gente, às vezes, fica falando "Olha, o fulano morre... Tão novo" ou "Nossa, nunca imaginei que ela fosse tão cedo...", e a gente esquece que nossa vez também pode chegar tão rápido quanto se pisca o olho. Socorro...
Mas é aí, justamente, que podemos lançar uma boa reflexão: se a nossa única certeza é a morte, o que estamos fazendo para honrar cada segundo por aqui?".
É claro que é pergunta velha, mas as respostas ou os insights sempre são novos.
Um deles, por exemplo, dá título à crônica. Eu comprei uma camiseta com a frase "O ontem já passou. O amanhã ainda não chegou!", em uma mensagem clara de que devemos realmente cultivar o "hoje" em toda sua extensão, suas delícias e suas dores. (...)
Mas olhar nosso passado não precisa ser uma experiência ruim ou algo que deva deixar de ser feito. Afinal, a nossa vida é uma coleção de "ontens".
(...)
Seja como for, bons ou ruins, são eles que te ajudam a viver o presente de forma mais lúcida e coerente e ainda assim olhar para o futuro de maneira mais planejada.
Cuide de sua coleção de "ontens". E se depois de eu tê-los provocado, a sensação é de que sua coleção tá bem "ruinzinha", nada mais oportuno do que renovar tudo. Afinal, o dia de hoje, já já estará em sua estante de "ontens". E você fez o quê?
Roberto Mancuzo
https://www.imparcial.com.br/noticias/nossa-vida-e-uma-colecao-de-ont ens,54861
O texto reconhece que tanto os momentos bons quanto os ruins contribuem para moldar nossa visão de mundo e influenciar nossas escolhas futuras. Essa aceitação dos eventos passados como parte integrante da vida é fundamental para uma abordagem mais madura e equilibrada em relação ao presente e ao futuro.
O autor faz essa reflexão destacando:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Nossa vida é uma coleção de "ontens"
Tem gente que coleciona carrinhos de brinquedo, outros discos de vinil, tem a galera das figurinhas da Copa agora. Mas tem algo que todos nós colecionamos, querendo ou não: os "ontens".
Tenho um certo receio de pensar este tema, na verdade, porque a gente, às vezes, fica falando "Olha, o fulano morre... Tão novo" ou "Nossa, nunca imaginei que ela fosse tão cedo...", e a gente esquece que nossa vez também pode chegar tão rápido quanto se pisca o olho. Socorro...
Mas é aí, justamente, que podemos lançar uma boa reflexão: se a nossa única certeza é a morte, o que estamos fazendo para honrar cada segundo por aqui?".
É claro que é pergunta velha, mas as respostas ou os insights sempre são novos.
Um deles, por exemplo, dá título à crônica. Eu comprei uma camiseta com a frase "O ontem já passou. O amanhã ainda não chegou!", em uma mensagem clara de que devemos realmente cultivar o "hoje" em toda sua extensão, suas delícias e suas dores. (...)
Mas olhar nosso passado não precisa ser uma experiência ruim ou algo que deva deixar de ser feito. Afinal, a nossa vida é uma coleção de "ontens".
(...)
Seja como for, bons ou ruins, são eles que te ajudam a viver o presente de forma mais lúcida e coerente e ainda assim olhar para o futuro de maneira mais planejada.
Cuide de sua coleção de "ontens". E se depois de eu tê-los provocado, a sensação é de que sua coleção tá bem "ruinzinha", nada mais oportuno do que renovar tudo. Afinal, o dia de hoje, já já estará em sua estante de "ontens". E você fez o quê?
Roberto Mancuzo
https://www.imparcial.com.br/noticias/nossa-vida-e-uma-colecao-de-ont ens,54861
Este texto, escrito por Roberto Mancuzo, aborda uma reflexão profunda sobre a natureza efêmera da vida e a importância de viver plenamente o momento presente.
Nesse contexto, analise as afirmações que seguem:
I. O autor utiliza a metáfora da "coleção de ontens" para transmitir a ideia de que cada momento vivido se torna parte de nossa história pessoal, seja ele bom ou ruim.
II. A introdução destaca a diversidade de coleções que as pessoas podem ter, desde objetos físicos até experiências passadas.
III. O autor expressa sua inquietação ao abordar o tema da morte e a rapidez com que a vida pode mudar.
Está CORRETO o que se afirma em:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Nossa vida é uma coleção de "ontens"
Tem gente que coleciona carrinhos de brinquedo, outros discos de vinil, tem a galera das figurinhas da Copa agora. Mas tem algo que todos nós colecionamos, querendo ou não: os "ontens".
Tenho um certo receio de pensar este tema, na verdade, porque a gente, às vezes, fica falando "Olha, o fulano morre... Tão novo" ou "Nossa, nunca imaginei que ela fosse tão cedo...", e a gente esquece que nossa vez também pode chegar tão rápido quanto se pisca o olho. Socorro...
Mas é aí, justamente, que podemos lançar uma boa reflexão: se a nossa única certeza é a morte, o que estamos fazendo para honrar cada segundo por aqui?".
É claro que é pergunta velha, mas as respostas ou os insights sempre são novos.
Um deles, por exemplo, dá título à crônica. Eu comprei uma camiseta com a frase "O ontem já passou. O amanhã ainda não chegou!", em uma mensagem clara de que devemos realmente cultivar o "hoje" em toda sua extensão, suas delícias e suas dores. (...)
Mas olhar nosso passado não precisa ser uma experiência ruim ou algo que deva deixar de ser feito. Afinal, a nossa vida é uma coleção de "ontens".
(...)
Seja como for, bons ou ruins, são eles que te ajudam a viver o presente de forma mais lúcida e coerente e ainda assim olhar para o futuro de maneira mais planejada.
Cuide de sua coleção de "ontens". E se depois de eu tê-los provocado, a sensação é de que sua coleção tá bem "ruinzinha", nada mais oportuno do que renovar tudo. Afinal, o dia de hoje, já já estará em sua estante de "ontens". E você fez o quê?
Roberto Mancuzo
https://www.imparcial.com.br/noticias/nossa-vida-e-uma-colecao-de-ont ens,54861
"... a gente às vezes fica falando "Olha, o fulano morre... Tão novo" ou "Nossa, nunca imaginei que ela fosse tão cedo...", e a gente esquece que nossa vez também pode chegar tão rápido quanto se pisca o olho.. "
Esse trecho do texto estabelece uma relação específica com todas as informações precedentes. Essa relação é de:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Nossa vida é uma coleção de "ontens"
Tem gente que coleciona carrinhos de brinquedo, outros discos de vinil, tem a galera das figurinhas da Copa agora. Mas tem algo que todos nós colecionamos, querendo ou não: os "ontens".
Tenho um certo receio de pensar este tema, na verdade, porque a gente, às vezes, fica falando "Olha, o fulano morre... Tão novo" ou "Nossa, nunca imaginei que ela fosse tão cedo...", e a gente esquece que nossa vez também pode chegar tão rápido quanto se pisca o olho. Socorro...
Mas é aí, justamente, que podemos lançar uma boa reflexão: se a nossa única certeza é a morte, o que estamos fazendo para honrar cada segundo por aqui?".
É claro que é pergunta velha, mas as respostas ou os insights sempre são novos.
Um deles, por exemplo, dá título à crônica. Eu comprei uma camiseta com a frase "O ontem já passou. O amanhã ainda não chegou!", em uma mensagem clara de que devemos realmente cultivar o "hoje" em toda sua extensão, suas delícias e suas dores. (...)
Mas olhar nosso passado não precisa ser uma experiência ruim ou algo que deva deixar de ser feito. Afinal, a nossa vida é uma coleção de "ontens".
(...)
Seja como for, bons ou ruins, são eles que te ajudam a viver o presente de forma mais lúcida e coerente e ainda assim olhar para o futuro de maneira mais planejada.
Cuide de sua coleção de "ontens". E se depois de eu tê-los provocado, a sensação é de que sua coleção tá bem "ruinzinha", nada mais oportuno do que renovar tudo. Afinal, o dia de hoje, já já estará em sua estante de "ontens". E você fez o quê?
Roberto Mancuzo
https://www.imparcial.com.br/noticias/nossa-vida-e-uma-colecao-de-ont ens,54861
O texto é uma reflexão que serve como um convite à consciência do tempo e à valorização de cada momento vivido.
Ao mencionar a camiseta com a frase "O ontem já passou. O amanhã ainda não chegou!", o autor ressalta que é:
"A ciência é uma maneira de pensar, uma maneira de ver o mundo. É uma forma de questionar, de investigar, de buscar evidências. É uma forma de aprender e de crescer. A ciência é um processo de descoberta, não de dogma. Ela é baseada na observação, na experimentação e na revisão. A ciência está sempre mudando, à medida que novas evidências surgem. A ciência é uma ferramenta poderosa. Ela pode nos ajudar a entender o mundo ao nosso redor, a resolver problemas e a melhorar nossas vidas."
De acordo com a passagem, a ciência é:
Texto para responder à questão.
Carnaval
Incipiente alegria na tarde carnavalesca. Os sambas passam nos automóveis abertos. Um vento beija a avenida larga, trêmula nas serpentinas, rodopia nos confetes, caminha na voz das cantigas. As moças lindas, em fantasias de cores vivas e leves, vão com os cabelos alvoroçados pelo vento. Meu amigo comprou 200 gramas metálicas. Andou pelas ruas que se animavam. Encheu os bolsos de confetes. Foi andando...
Incipiente alegria na tarde carnavalesca. Os sambas passam nos automóveis abertos. Um vento beija a avenida larga, trêmula nas serpentinas, rodopia nos confetes, caminha na voz das cantigas. As moças lindas, em fantasias de cores vivas e leves, vão com os cabelos alvoroçados pelo vento. Meu amigo comprou 200 gramas metálicas. Andou pelas ruas que se animavam. Encheu os bolsos de confetes. Foi andando...
Meu amigo entrou no baile. Agarrou-se ao ombro de uma mulher e foi no cordão, dançando, cantando, suando. Repetiu três vezes com o mesmo par a marchinha do momento. Apaixonou-se de repente por uma fantasia, por um corpo, por uma risada. Bebeu. Meu amigo foi a outro baile. De madrugada, meu amigo saiu pela rua vazia, sem programa. Passavam os foliões cansados, as mulheres mais belas pela fadiga e pelo suor. Um homem grisalho carregava pelo braço uma adolescente que se queixava de dor nos pés.
Meu amigo arranjou uma mulher: a mulher que sempre aparece. A mulher que não vimos na rua nem no baile e que aparece na mesa do bar ou do restaurante, no último instante. Esguichou seu último lança-perfume nos braços e nos seios da mulher. Jogou os últimos confetes em seu cabelo. Ela repetiu um samba mil vezes repetido. Foram.
No caminho, meu amigo parou. No canto da calçada, um menino sujo e esfarrapado dormia. Dormia sobre um saco de estopa cheio de serpentinas que juntara para vender. Pararam. A mulher disse: coitadinho... Meu amigo olhou em silêncio o menino que dormia. Sentiu pena. Olhou a mulher. Balançou a bisnaga. Ainda havia um resto de éter. Jogou na perna da criança, que acordou assustada. A mulher disse: você é ruim! coitadinho... A criança ficou olhando estremunhada, resmungou um xingamento e tornou a dormir. Meu amigo jogou a bisnaga no asfalto. Sentia-se bêbado. Apertou a mulher contra seu corpo e mandou parar um automóvel que passava. No apartamento, antes de deitar-se, olhou-se no espelho do guardaroupa. Fantasiado. Exausto. Beijou a mulher na boca como se beija uma noiva. E pensou desanimado: eu sou um folião. Evoé!
BRAGA, R. O Conde e o passarinho e Morro do Isolamento. 5ª Ed. Rio de Janeiro: Record, 1982.
Texto para responder à questão.
Caso de divórcio (III)
Ele é um ex-seminarista. Sério, metódico e higiênico. Do tipo que dorme sem amassar o pijama. Dela, todos dizem: é uma santa. Nunca tiveram filhos, e explicam que é por um problema de bacia estreita. Dele, não dela, mas ninguém jamais pediu maiores explicações. Ele é técnico contábil, está muito bem de vida. Ela se dedica a obras benemerentes e a atividades paroquiais. Os dois fizeram cursilho. Certa vez, ele escreveu uma carta ao jornal sobre uma vaga questão de dogma da Igreja e assinou Leigo Alerta. Ela usa o cabelo puxado para trás e amarrado num coque que é uma declaração de princípios. Até que um dia...
Um dia, por acaso, ligam o rádio no meio de uma transmissão de futebol. E ela ouve um nome: Dulcídio Wanderley Boschilia. Não ouve o resto da frase, não sabe quem é, mas fixa-se no nome como se o agarrasse com os dentes. Dulcídio Wanderley Boschilia. Estremece. Sente uma estranha sensação no peito, uma aflição. Como um sumidouro. Dulcídio Wanderley Boschilia. O que é que está me acontecendo, Deus? Levanta e vai na cozinha tomar água. Quando volta, o marido acabou de desligar o rádio e está tirando a gravata, sinal certo de que se prepara para dormir. Será que ele notou alguma coisa? Dulcídio Wanderley Boschilia. Não consegue dormir. Nunca mais será a mesma. Que fascínio tem aquele nome para mudar uma vida? E o mais estranho é que só de madrugada, o marido roncando como um urso, ela se dá conta que existe um homem que corresponde ao nome. Até então o nome fora uma assombração sem corpo na sua vigília, uma coisa etérea, uma abstração sonora.
Poucas horas antes da missa das seis, a aflição ganha um corpo. Mas que corpo terá Dulcídio Wanderley Boschilia? De volta da missa ela pega o jornal e vira para a página de esportes. Procura uma fotografia. Será este aqui? Deixa ver. Zezinho. Não é este. Tadeu. Cacau. Sente-se ridícula. O massagista Banha.
Preciso me controlar. E súbito, num canto da página, a notícia: o árbitro Dulcídio Wanderley Boschilia, que apitou o jogo de ontem, ficará na cidade até amanhã pela manhã, quando embarcará para São Paulo.
A empregada aparece na sala para pedir instruções para o almoço e descobre a patroa, com o jornal amassado contra o peito, o olhar perdido, e uma expressão na boca que a empregada — se soubesse soletrar a palavra — chamaria de pura lascívia. No mesmo dia, temendo nem ela sabe bem o quê, a empregada pede dispensa, depois de 17 anos com a família.
Na manhã do dia seguinte, em vez da missa, a mulher vai para o aeroporto. De cabelo solto. O marido fica dormindo. Atenta a todas as chamadas para embarque, a mulher procura em vão por alguém com cara de Dulcídio Wanderley Boschilia. Almoça um bauru com guaraná no balcão do aeroporto e fica até à noite. Só quando descobre que não há mais voos para São Paulo naquele dia é que vai para casa.
— Onde é que você esteve? quis saber o marido, preocupado.
— Não interessa.
Ela tranca-se no quarto, e nos quatro dias seguintes só sai uma vez, para telefonar a um jornal. Pede o endereço de Dulcídio Wanderley Boschilia em São Paulo. Ninguém sabe. Ela deve escrever para a Federação Paulista de Futebol, o Departamento de Árbitros, por aí. Na noite do quarto dia ela declara para o marido:
— Quero ir para São Paulo.
— Está bem. Iremos.
— Você, não. Eu. Quero viver. Quero viver!
O marido salta com os dois pés no seu peito, como um Watusi, e a manda cambaleando para dentro do quarto. Fecha a porta. Até hoje, só a deixa sair para ir ao banheiro. Ela tem assustado várias pessoas da vizinhança com chamados furtivos, da janela, no meio da noite, e misteriosos bilhetes “para o Dulcídio, em São Paulo. Rápido, rápido!”
VERISSIMO, L. F. Ed Mort e outras histórias. Porto Alegre: L&PM Editores, 1985.
Texto para responder à questão.
Caso de divórcio (III)
Ele é um ex-seminarista. Sério, metódico e higiênico. Do tipo que dorme sem amassar o pijama. Dela, todos dizem: é uma santa. Nunca tiveram filhos, e explicam que é por um problema de bacia estreita. Dele, não dela, mas ninguém jamais pediu maiores explicações. Ele é técnico contábil, está muito bem de vida. Ela se dedica a obras benemerentes e a atividades paroquiais. Os dois fizeram cursilho. Certa vez, ele escreveu uma carta ao jornal sobre uma vaga questão de dogma da Igreja e assinou Leigo Alerta. Ela usa o cabelo puxado para trás e amarrado num coque que é uma declaração de princípios. Até que um dia...
Um dia, por acaso, ligam o rádio no meio de uma transmissão de futebol. E ela ouve um nome: Dulcídio Wanderley Boschilia. Não ouve o resto da frase, não sabe quem é, mas fixa-se no nome como se o agarrasse com os dentes. Dulcídio Wanderley Boschilia. Estremece. Sente uma estranha sensação no peito, uma aflição. Como um sumidouro. Dulcídio Wanderley Boschilia. O que é que está me acontecendo, Deus? Levanta e vai na cozinha tomar água. Quando volta, o marido acabou de desligar o rádio e está tirando a gravata, sinal certo de que se prepara para dormir. Será que ele notou alguma coisa? Dulcídio Wanderley Boschilia. Não consegue dormir. Nunca mais será a mesma. Que fascínio tem aquele nome para mudar uma vida? E o mais estranho é que só de madrugada, o marido roncando como um urso, ela se dá conta que existe um homem que corresponde ao nome. Até então o nome fora uma assombração sem corpo na sua vigília, uma coisa etérea, uma abstração sonora.
Poucas horas antes da missa das seis, a aflição ganha um corpo. Mas que corpo terá Dulcídio Wanderley Boschilia? De volta da missa ela pega o jornal e vira para a página de esportes. Procura uma fotografia. Será este aqui? Deixa ver. Zezinho. Não é este. Tadeu. Cacau. Sente-se ridícula. O massagista Banha.
Preciso me controlar. E súbito, num canto da página, a notícia: o árbitro Dulcídio Wanderley Boschilia, que apitou o jogo de ontem, ficará na cidade até amanhã pela manhã, quando embarcará para São Paulo.
A empregada aparece na sala para pedir instruções para o almoço e descobre a patroa, com o jornal amassado contra o peito, o olhar perdido, e uma expressão na boca que a empregada — se soubesse soletrar a palavra — chamaria de pura lascívia. No mesmo dia, temendo nem ela sabe bem o quê, a empregada pede dispensa, depois de 17 anos com a família.
Na manhã do dia seguinte, em vez da missa, a mulher vai para o aeroporto. De cabelo solto. O marido fica dormindo. Atenta a todas as chamadas para embarque, a mulher procura em vão por alguém com cara de Dulcídio Wanderley Boschilia. Almoça um bauru com guaraná no balcão do aeroporto e fica até à noite. Só quando descobre que não há mais voos para São Paulo naquele dia é que vai para casa.
— Onde é que você esteve? quis saber o marido, preocupado.
— Não interessa.
Ela tranca-se no quarto, e nos quatro dias seguintes só sai uma vez, para telefonar a um jornal. Pede o endereço de Dulcídio Wanderley Boschilia em São Paulo. Ninguém sabe. Ela deve escrever para a Federação Paulista de Futebol, o Departamento de Árbitros, por aí. Na noite do quarto dia ela declara para o marido:
— Quero ir para São Paulo.
— Está bem. Iremos.
— Você, não. Eu. Quero viver. Quero viver!
O marido salta com os dois pés no seu peito, como um Watusi, e a manda cambaleando para dentro do quarto. Fecha a porta. Até hoje, só a deixa sair para ir ao banheiro. Ela tem assustado várias pessoas da vizinhança com chamados furtivos, da janela, no meio da noite, e misteriosos bilhetes “para o Dulcídio, em São Paulo. Rápido, rápido!”
VERISSIMO, L. F. Ed Mort e outras histórias. Porto Alegre: L&PM Editores, 1985.
Texto para responder às questões.
Caso de divórcio (III)
Ele é um ex-seminarista. Sério, metódico e higiênico. Do tipo que dorme sem amassar o pijama. Dela, todos dizem: é uma santa. Nunca tiveram filhos, e explicam que é por um problema de bacia estreita. Dele, não dela, mas ninguém jamais pediu maiores explicações. Ele é técnico contábil, está muito bem de vida. Ela se dedica a obras benemerentes e a atividades paroquiais. Os dois fizeram cursilho. Certa vez, ele escreveu uma carta ao jornal sobre uma vaga questão de dogma da Igreja e assinou Leigo Alerta. Ela usa o cabelo puxado para trás e amarrado num coque que é uma declaração de princípios. Até que um dia...
Um dia, por acaso, ligam o rádio no meio de uma transmissão de futebol. E ela ouve um nome: Dulcídio Wanderley Boschilia. Não ouve o resto da frase, não sabe quem é, mas fixa-se no nome como se o agarrasse com os dentes. Dulcídio Wanderley Boschilia. Estremece. Sente uma estranha sensação no peito, uma aflição. Como um sumidouro. Dulcídio Wanderley Boschilia. O que é que está me acontecendo, Deus? Levanta e vai na cozinha tomar água. Quando volta, o marido acabou de desligar o rádio e está tirando a gravata, sinal certo de que se prepara para dormir. Será que ele notou alguma coisa? Dulcídio Wanderley Boschilia. Não consegue dormir. Nunca mais será a mesma. Que fascínio tem aquele nome para mudar uma vida? E o mais estranho é que só de madrugada, o marido roncando como um urso, ela se dá conta que existe um homem que corresponde ao nome. Até então o nome fora uma assombração sem corpo na sua vigília, uma coisa etérea, uma abstração sonora.
Poucas horas antes da missa das seis, a aflição ganha um corpo. Mas que corpo terá Dulcídio Wanderley Boschilia? De volta da missa ela pega o jornal e vira para a página de esportes. Procura uma fotografia. Será este aqui? Deixa ver. Zezinho. Não é este. Tadeu. Cacau. Sente-se ridícula. O massagista Banha.
Preciso me controlar. E súbito, num canto da página, a notícia: o árbitro Dulcídio Wanderley Boschilia, que apitou o jogo de ontem, ficará na cidade até amanhã pela manhã, quando embarcará para São Paulo.
A empregada aparece na sala para pedir instruções para o almoço e descobre a patroa, com o jornal amassado contra o peito, o olhar perdido, e uma expressão na boca que a empregada — se soubesse soletrar a palavra — chamaria de pura lascívia. No mesmo dia, temendo nem ela sabe bem o quê, a empregada pede dispensa, depois de 17 anos com a família.
Na manhã do dia seguinte, em vez da missa, a mulher vai para o aeroporto. De cabelo solto. O marido fica dormindo. Atenta a todas as chamadas para embarque, a mulher procura em vão por alguém com cara de Dulcídio Wanderley Boschilia. Almoça um bauru com guaraná no balcão do aeroporto e fica até à noite. Só quando descobre que não há mais voos para São Paulo naquele dia é que vai para casa.
— Onde é que você esteve? quis saber o marido, preocupado.
— Não interessa.
Ela tranca-se no quarto, e nos quatro dias seguintes só sai uma vez, para telefonar a um jornal. Pede o endereço de Dulcídio Wanderley Boschilia em São Paulo. Ninguém sabe. Ela deve escrever para a Federação Paulista de Futebol, o Departamento de Árbitros, por aí. Na noite do quarto dia ela declara para o marido:
— Quero ir para São Paulo.
— Está bem. Iremos.
— Você, não. Eu. Quero viver. Quero viver!
O marido salta com os dois pés no seu peito, como um Watusi, e a manda cambaleando para dentro do quarto. Fecha a porta. Até hoje, só a deixa sair para ir ao banheiro. Ela tem assustado várias pessoas da vizinhança com chamados furtivos, da janela, no meio da noite, e misteriosos bilhetes “para o Dulcídio, em São Paulo. Rápido, rápido!”
VERISSIMO, L. F. Ed Mort e outras histórias. Porto Alegre: L&PM Editores, 1985.
Texto para responder às questões.
Caso de divórcio (III)
Ele é um ex-seminarista. Sério, metódico e higiênico. Do tipo que dorme sem amassar o pijama. Dela, todos dizem: é uma santa. Nunca tiveram filhos, e explicam que é por um problema de bacia estreita. Dele, não dela, mas ninguém jamais pediu maiores explicações. Ele é técnico contábil, está muito bem de vida. Ela se dedica a obras benemerentes e a atividades paroquiais. Os dois fizeram cursilho. Certa vez, ele escreveu uma carta ao jornal sobre uma vaga questão de dogma da Igreja e assinou Leigo Alerta. Ela usa o cabelo puxado para trás e amarrado num coque que é uma declaração de princípios. Até que um dia...
Um dia, por acaso, ligam o rádio no meio de uma transmissão de futebol. E ela ouve um nome: Dulcídio Wanderley Boschilia. Não ouve o resto da frase, não sabe quem é, mas fixa-se no nome como se o agarrasse com os dentes. Dulcídio Wanderley Boschilia. Estremece. Sente uma estranha sensação no peito, uma aflição. Como um sumidouro. Dulcídio Wanderley Boschilia. O que é que está me acontecendo, Deus? Levanta e vai na cozinha tomar água. Quando volta, o marido acabou de desligar o rádio e está tirando a gravata, sinal certo de que se prepara para dormir. Será que ele notou alguma coisa? Dulcídio Wanderley Boschilia. Não consegue dormir. Nunca mais será a mesma. Que fascínio tem aquele nome para mudar uma vida? E o mais estranho é que só de madrugada, o marido roncando como um urso, ela se dá conta que existe um homem que corresponde ao nome. Até então o nome fora uma assombração sem corpo na sua vigília, uma coisa etérea, uma abstração sonora.
Poucas horas antes da missa das seis, a aflição ganha um corpo. Mas que corpo terá Dulcídio Wanderley Boschilia? De volta da missa ela pega o jornal e vira para a página de esportes. Procura uma fotografia. Será este aqui? Deixa ver. Zezinho. Não é este. Tadeu. Cacau. Sente-se ridícula. O massagista Banha.
Preciso me controlar. E súbito, num canto da página, a notícia: o árbitro Dulcídio Wanderley Boschilia, que apitou o jogo de ontem, ficará na cidade até amanhã pela manhã, quando embarcará para São Paulo.
A empregada aparece na sala para pedir instruções para o almoço e descobre a patroa, com o jornal amassado contra o peito, o olhar perdido, e uma expressão na boca que a empregada — se soubesse soletrar a palavra — chamaria de pura lascívia. No mesmo dia, temendo nem ela sabe bem o quê, a empregada pede dispensa, depois de 17 anos com a família.
Na manhã do dia seguinte, em vez da missa, a mulher vai para o aeroporto. De cabelo solto. O marido fica dormindo. Atenta a todas as chamadas para embarque, a mulher procura em vão por alguém com cara de Dulcídio Wanderley Boschilia. Almoça um bauru com guaraná no balcão do aeroporto e fica até à noite. Só quando descobre que não há mais voos para São Paulo naquele dia é que vai para casa.
— Onde é que você esteve? quis saber o marido, preocupado.
— Não interessa.
Ela tranca-se no quarto, e nos quatro dias seguintes só sai uma vez, para telefonar a um jornal. Pede o endereço de Dulcídio Wanderley Boschilia em São Paulo. Ninguém sabe. Ela deve escrever para a Federação Paulista de Futebol, o Departamento de Árbitros, por aí. Na noite do quarto dia ela declara para o marido:
— Quero ir para São Paulo.
— Está bem. Iremos.
— Você, não. Eu. Quero viver. Quero viver!
O marido salta com os dois pés no seu peito, como um Watusi, e a manda cambaleando para dentro do quarto. Fecha a porta. Até hoje, só a deixa sair para ir ao banheiro. Ela tem assustado várias pessoas da vizinhança com chamados furtivos, da janela, no meio da noite, e misteriosos bilhetes “para o Dulcídio, em São Paulo. Rápido, rápido!”
VERISSIMO, L. F. Ed Mort e outras histórias. Porto Alegre: L&PM Editores, 1985.
Texto para responder às questões.
Caso de divórcio (III)
Ele é um ex-seminarista. Sério, metódico e higiênico. Do tipo que dorme sem amassar o pijama. Dela, todos dizem: é uma santa. Nunca tiveram filhos, e explicam que é por um problema de bacia estreita. Dele, não dela, mas ninguém jamais pediu maiores explicações. Ele é técnico contábil, está muito bem de vida. Ela se dedica a obras benemerentes e a atividades paroquiais. Os dois fizeram cursilho. Certa vez, ele escreveu uma carta ao jornal sobre uma vaga questão de dogma da Igreja e assinou Leigo Alerta. Ela usa o cabelo puxado para trás e amarrado num coque que é uma declaração de princípios. Até que um dia...
Um dia, por acaso, ligam o rádio no meio de uma transmissão de futebol. E ela ouve um nome: Dulcídio Wanderley Boschilia. Não ouve o resto da frase, não sabe quem é, mas fixa-se no nome como se o agarrasse com os dentes. Dulcídio Wanderley Boschilia. Estremece. Sente uma estranha sensação no peito, uma aflição. Como um sumidouro. Dulcídio Wanderley Boschilia. O que é que está me acontecendo, Deus? Levanta e vai na cozinha tomar água. Quando volta, o marido acabou de desligar o rádio e está tirando a gravata, sinal certo de que se prepara para dormir. Será que ele notou alguma coisa? Dulcídio Wanderley Boschilia. Não consegue dormir. Nunca mais será a mesma. Que fascínio tem aquele nome para mudar uma vida? E o mais estranho é que só de madrugada, o marido roncando como um urso, ela se dá conta que existe um homem que corresponde ao nome. Até então o nome fora uma assombração sem corpo na sua vigília, uma coisa etérea, uma abstração sonora.
Poucas horas antes da missa das seis, a aflição ganha um corpo. Mas que corpo terá Dulcídio Wanderley Boschilia? De volta da missa ela pega o jornal e vira para a página de esportes. Procura uma fotografia. Será este aqui? Deixa ver. Zezinho. Não é este. Tadeu. Cacau. Sente-se ridícula. O massagista Banha.
Preciso me controlar. E súbito, num canto da página, a notícia: o árbitro Dulcídio Wanderley Boschilia, que apitou o jogo de ontem, ficará na cidade até amanhã pela manhã, quando embarcará para São Paulo.
A empregada aparece na sala para pedir instruções para o almoço e descobre a patroa, com o jornal amassado contra o peito, o olhar perdido, e uma expressão na boca que a empregada — se soubesse soletrar a palavra — chamaria de pura lascívia. No mesmo dia, temendo nem ela sabe bem o quê, a empregada pede dispensa, depois de 17 anos com a família.
Na manhã do dia seguinte, em vez da missa, a mulher vai para o aeroporto. De cabelo solto. O marido fica dormindo. Atenta a todas as chamadas para embarque, a mulher procura em vão por alguém com cara de Dulcídio Wanderley Boschilia. Almoça um bauru com guaraná no balcão do aeroporto e fica até à noite. Só quando descobre que não há mais voos para São Paulo naquele dia é que vai para casa.
— Onde é que você esteve? quis saber o marido, preocupado.
— Não interessa.
Ela tranca-se no quarto, e nos quatro dias seguintes só sai uma vez, para telefonar a um jornal. Pede o endereço de Dulcídio Wanderley Boschilia em São Paulo. Ninguém sabe. Ela deve escrever para a Federação Paulista de Futebol, o Departamento de Árbitros, por aí. Na noite do quarto dia ela declara para o marido:
— Quero ir para São Paulo.
— Está bem. Iremos.
— Você, não. Eu. Quero viver. Quero viver!
O marido salta com os dois pés no seu peito, como um Watusi, e a manda cambaleando para dentro do quarto. Fecha a porta. Até hoje, só a deixa sair para ir ao banheiro. Ela tem assustado várias pessoas da vizinhança com chamados furtivos, da janela, no meio da noite, e misteriosos bilhetes “para o Dulcídio, em São Paulo. Rápido, rápido!”
VERISSIMO, L. F. Ed Mort e outras histórias. Porto Alegre: L&PM Editores, 1985.
I. ““sistema de contratos semânticos” responsável por uma espècie de “filtragem” que opera os conteúdos em dois domínios interligados que caracterizam o dizível: o universo intertextual e os dispositivos estilísticos acessíveis à enunciação dos diversos discursos.”
II. “os saberes que o falante/intèrprete possui sobre a língua de sua comunidade e utiliza para construção das expressões que compõem os seus textos, orais e escritos, formais ou informais, independentemente de norma padrão, escolar ou culta.”
III. “a capacidade de o sujeito escolher, dentre os recursos expressivos da língua, os que mais convêm às condições de produção, à destinação, finalidades e objetivos do texto e ao gênero e suporte.”
As descrições apresentadas correspondem, respectivamente, às competências:
I. não se restringe à área de Língua Portuguesa, já que a língua está em todas as áreas do conhecimento.
II. se restringe à área de Língua Portuguesa, já que constitui seu principal objeto de estudo a leitura, a escrita e a compreensão de textos.
III. é tarefa de todo professor, independentemente da área, uma vez que, para os alunos acessarem os conteúdos da disciplina que estudam, precisam aprender diferentes procedimentos que orientem a compreensão dos textos.
São verdadeiras apenas: