Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q3363469 Português

Leia o Texto I e responda à questão.


Texto I



Esponja de ossos de lula pode ajudar a remover microplásticos da água



Segundo o estudo publicado na Science Advances, o produto absorveu 99% dos microplásticos em quatro amostras diferentes


Lex Harvey, da CNN

19/02/2025 às 16:08, atualizado em 24/02/2025 às 10:32



    Microplásticos estão por toda parte. Eles foram encontrados no pico do Monte Everest e em criaturas que habitam as trincheiras mais profundas do mar. Eles estão na água engarrafada, placentas humanas e leite materno. Essas pequenas partículas de plástico sufocam a vida selvagem, perturbam os ecossistemas e ameaçam a saúde humana – e são notoriamente difíceis de remover.

    Mas cientistas na China descobriram uma possível solução: uma esponja biodegradável feita de ossos de lula e algodão. Uma equipe de pesquisa da Universidade de Wuhan usou quitina de ossos de lula e celulose de algodão – dois compostos orgânicos conhecidos por eliminar a poluição de águas residuais – para criar uma esponja biodegradável.

    Eles então testaram a esponja em quatro amostras de água diferentes, retiradas de água de irrigação, água de lagoa, água de lago e água do mar, e descobriram que ela removeu até 99,9% dos microplásticos, de acordo com um estudo publicado em dezembro de 2024 na Science Advances. “O planeta está sob grande ameaça dos microplásticos, e os ecossistemas aquáticos são os primeiros a sofrer”, escreveram os autores.

    Microplásticos são pequenos fragmentos de plástico menores que 5 milímetros. Eles vêm de tudo, desde pneus, que são então quebrados em pedaços menores, até microesferas, um plástico encontrado em produtos de beleza, como esfoliantes.

    Um estudo de 2020 estimou que há 14 milhões de toneladas métricas de microplásticos no fundo do oceano. Cientistas chamaram os microplásticos de “um dos principais desafios ambientais desta geração” e o problema é uma questão ambiental reconhecida internacionalmente.

    O plástico é uma poluição persistente que prejudica a vida selvagem e o próprio oceano, e há uma preocupação crescente sobre os potenciais riscos à saúde humana. O problema só tende a piorar com a produção de plástico e a poluição prevista para aumentar nos próximos anos.

    A esponja criada pelos pesquisadores de Wuhan foi capaz de absorver microplásticos tanto interceptando-os fisicamente quanto por atração eletromagnética, disse o estudo. Métodos estudados anteriormente para absorção de plásticos tendem a ser caros e difíceis de fazer, limitando sua escalabilidade.

    O baixo custo e a ampla disponibilidade de algodão e ossos de lula significam que a esponja criada em Wuhan “tem grande potencial para ser usada na extração de microplásticos de corpos d'água complexos”, de acordo com o estudo.

    No entanto, os autores do estudo não abordaram se a esponja pode remover microplásticos que afundam no sedimento, que é a maioria dos microplásticos em nossas águas, disse Ziajahromi, que não estava envolvido no estudo. Outra “questão crítica” é o descarte adequado das esponjas, disse Ziajahromi.

    “Embora o material seja biodegradável, os microplásticos que ele absorve precisam ser descartados adequadamente”, ela disse. “Sem um gerenciamento cuidadoso, esse processo corre o risco de transferir microplásticos de um ecossistema para outro.” Em última análise, acrescentou Ziajahromi, minimizar a poluição plástica deve permanecer, em primeiro lugar, uma “prioridade máxima”.



Fonte: HARVEY, Lex. Esponja de ossos de lula pode ajudar a remover microplásticos da água. CNN Brasil, 19 fev. 2025. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/esponja-de-ossos-de-lula-podem-ajudar-a-remover-microplasticos-da-agua/. Acesso em: 07 mar. 2025. (Texto adaptado).

Assinale a alternativa CORRETA em relação aos mecanismos de coesão textual observados no primeiro parágrafo do Texto I. 

Alternativas
Q3363468 Português

Leia o Texto I e responda à questão.


Texto I



Esponja de ossos de lula pode ajudar a remover microplásticos da água



Segundo o estudo publicado na Science Advances, o produto absorveu 99% dos microplásticos em quatro amostras diferentes


Lex Harvey, da CNN

19/02/2025 às 16:08, atualizado em 24/02/2025 às 10:32



    Microplásticos estão por toda parte. Eles foram encontrados no pico do Monte Everest e em criaturas que habitam as trincheiras mais profundas do mar. Eles estão na água engarrafada, placentas humanas e leite materno. Essas pequenas partículas de plástico sufocam a vida selvagem, perturbam os ecossistemas e ameaçam a saúde humana – e são notoriamente difíceis de remover.

    Mas cientistas na China descobriram uma possível solução: uma esponja biodegradável feita de ossos de lula e algodão. Uma equipe de pesquisa da Universidade de Wuhan usou quitina de ossos de lula e celulose de algodão – dois compostos orgânicos conhecidos por eliminar a poluição de águas residuais – para criar uma esponja biodegradável.

    Eles então testaram a esponja em quatro amostras de água diferentes, retiradas de água de irrigação, água de lagoa, água de lago e água do mar, e descobriram que ela removeu até 99,9% dos microplásticos, de acordo com um estudo publicado em dezembro de 2024 na Science Advances. “O planeta está sob grande ameaça dos microplásticos, e os ecossistemas aquáticos são os primeiros a sofrer”, escreveram os autores.

    Microplásticos são pequenos fragmentos de plástico menores que 5 milímetros. Eles vêm de tudo, desde pneus, que são então quebrados em pedaços menores, até microesferas, um plástico encontrado em produtos de beleza, como esfoliantes.

    Um estudo de 2020 estimou que há 14 milhões de toneladas métricas de microplásticos no fundo do oceano. Cientistas chamaram os microplásticos de “um dos principais desafios ambientais desta geração” e o problema é uma questão ambiental reconhecida internacionalmente.

    O plástico é uma poluição persistente que prejudica a vida selvagem e o próprio oceano, e há uma preocupação crescente sobre os potenciais riscos à saúde humana. O problema só tende a piorar com a produção de plástico e a poluição prevista para aumentar nos próximos anos.

    A esponja criada pelos pesquisadores de Wuhan foi capaz de absorver microplásticos tanto interceptando-os fisicamente quanto por atração eletromagnética, disse o estudo. Métodos estudados anteriormente para absorção de plásticos tendem a ser caros e difíceis de fazer, limitando sua escalabilidade.

    O baixo custo e a ampla disponibilidade de algodão e ossos de lula significam que a esponja criada em Wuhan “tem grande potencial para ser usada na extração de microplásticos de corpos d'água complexos”, de acordo com o estudo.

    No entanto, os autores do estudo não abordaram se a esponja pode remover microplásticos que afundam no sedimento, que é a maioria dos microplásticos em nossas águas, disse Ziajahromi, que não estava envolvido no estudo. Outra “questão crítica” é o descarte adequado das esponjas, disse Ziajahromi.

    “Embora o material seja biodegradável, os microplásticos que ele absorve precisam ser descartados adequadamente”, ela disse. “Sem um gerenciamento cuidadoso, esse processo corre o risco de transferir microplásticos de um ecossistema para outro.” Em última análise, acrescentou Ziajahromi, minimizar a poluição plástica deve permanecer, em primeiro lugar, uma “prioridade máxima”.



Fonte: HARVEY, Lex. Esponja de ossos de lula pode ajudar a remover microplásticos da água. CNN Brasil, 19 fev. 2025. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/esponja-de-ossos-de-lula-podem-ajudar-a-remover-microplasticos-da-agua/. Acesso em: 07 mar. 2025. (Texto adaptado).

Avalie as assertivas que seguem com base na leitura do Texto I.



I- Aesponja ainda não foi testada e sua eficácia ainda não foi comprovada.


II- Aprodução da esponja requer materiais caros e de difícil obtenção, o que limita sua aplicação em larga escala.


III- Aesponja pode transferir microplásticos de um ecossistema para outro caso o descarte não seja feito corretamente.


IV- O estudo concluiu que a esponja não é eficaz para remover microplásticos.


V- Aesponja elimina os microplásticos da água, mas libera resíduos químicos que podem ser prejudiciais.



É CORRETO o que se afirma apenas em:

Alternativas
Q3363467 Português

Leia o Texto I e responda à questão.


Texto I



Esponja de ossos de lula pode ajudar a remover microplásticos da água



Segundo o estudo publicado na Science Advances, o produto absorveu 99% dos microplásticos em quatro amostras diferentes


Lex Harvey, da CNN

19/02/2025 às 16:08, atualizado em 24/02/2025 às 10:32



    Microplásticos estão por toda parte. Eles foram encontrados no pico do Monte Everest e em criaturas que habitam as trincheiras mais profundas do mar. Eles estão na água engarrafada, placentas humanas e leite materno. Essas pequenas partículas de plástico sufocam a vida selvagem, perturbam os ecossistemas e ameaçam a saúde humana – e são notoriamente difíceis de remover.

    Mas cientistas na China descobriram uma possível solução: uma esponja biodegradável feita de ossos de lula e algodão. Uma equipe de pesquisa da Universidade de Wuhan usou quitina de ossos de lula e celulose de algodão – dois compostos orgânicos conhecidos por eliminar a poluição de águas residuais – para criar uma esponja biodegradável.

    Eles então testaram a esponja em quatro amostras de água diferentes, retiradas de água de irrigação, água de lagoa, água de lago e água do mar, e descobriram que ela removeu até 99,9% dos microplásticos, de acordo com um estudo publicado em dezembro de 2024 na Science Advances. “O planeta está sob grande ameaça dos microplásticos, e os ecossistemas aquáticos são os primeiros a sofrer”, escreveram os autores.

    Microplásticos são pequenos fragmentos de plástico menores que 5 milímetros. Eles vêm de tudo, desde pneus, que são então quebrados em pedaços menores, até microesferas, um plástico encontrado em produtos de beleza, como esfoliantes.

    Um estudo de 2020 estimou que há 14 milhões de toneladas métricas de microplásticos no fundo do oceano. Cientistas chamaram os microplásticos de “um dos principais desafios ambientais desta geração” e o problema é uma questão ambiental reconhecida internacionalmente.

    O plástico é uma poluição persistente que prejudica a vida selvagem e o próprio oceano, e há uma preocupação crescente sobre os potenciais riscos à saúde humana. O problema só tende a piorar com a produção de plástico e a poluição prevista para aumentar nos próximos anos.

    A esponja criada pelos pesquisadores de Wuhan foi capaz de absorver microplásticos tanto interceptando-os fisicamente quanto por atração eletromagnética, disse o estudo. Métodos estudados anteriormente para absorção de plásticos tendem a ser caros e difíceis de fazer, limitando sua escalabilidade.

    O baixo custo e a ampla disponibilidade de algodão e ossos de lula significam que a esponja criada em Wuhan “tem grande potencial para ser usada na extração de microplásticos de corpos d'água complexos”, de acordo com o estudo.

    No entanto, os autores do estudo não abordaram se a esponja pode remover microplásticos que afundam no sedimento, que é a maioria dos microplásticos em nossas águas, disse Ziajahromi, que não estava envolvido no estudo. Outra “questão crítica” é o descarte adequado das esponjas, disse Ziajahromi.

    “Embora o material seja biodegradável, os microplásticos que ele absorve precisam ser descartados adequadamente”, ela disse. “Sem um gerenciamento cuidadoso, esse processo corre o risco de transferir microplásticos de um ecossistema para outro.” Em última análise, acrescentou Ziajahromi, minimizar a poluição plástica deve permanecer, em primeiro lugar, uma “prioridade máxima”.



Fonte: HARVEY, Lex. Esponja de ossos de lula pode ajudar a remover microplásticos da água. CNN Brasil, 19 fev. 2025. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/esponja-de-ossos-de-lula-podem-ajudar-a-remover-microplasticos-da-agua/. Acesso em: 07 mar. 2025. (Texto adaptado).

Assinale a alternativa CORRETA de acordo com as ideias apresentadas no Texto I.

Alternativas
Ano: 2025 Banca: FGV Órgão: SEFAZ-PR Prova: FGV - 2025 - SEFAZ-PR - Auditor Fiscal (Manhã) |
Q3363336 Português
Leia o fragmento de texto a seguir.

Se desejei alguma coisa neste mundo foi ser escritor. Ser escritor como uma forma superior de vida, assim como o monaquismo e o sacerdócio. Ser escritor será, talvez, mais uma posição diante da vida que uma realização exterior, extrínseca ao homem. [....] Literatura é uma forma de conhecimento e uma forma de comunicação. Um testemunho, para que a vida e a morte não sejam em vão. Encaro a literatura como uma vitória sobre o tempo e a morte.
(VILLAÇA, Antônio Carlos. In Quando eu chegar ao céu. )

A partir do fragmento, assinale a opção que indica, corretamente, a função da Literatura.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: FGV Órgão: SEFAZ-PR Prova: FGV - 2025 - SEFAZ-PR - Auditor Fiscal (Manhã) |
Q3363335 Português
Leia o fragmento textual a seguir.

Se escrevo é primeiro porque amo os homens. Tudo vem disso pra mim. Amo e por isso é que sinto essa vontade de escrever, me importo com os casos dos homens, me importo com os problemas deles e necessidades. Depois escrevo por necessidade pessoal. Tenho vontade de escrever e escrevo. (Isto é pro caso dos versos). Mas mesmo isto psicologicamente pode ser reduzido a um fenômeno de amor, porque ninguém escreve para si mesmo a não ser um monstro de orgulho. A gente escreve para ser amado, pra atrair, encantar etc.
(Mário de Andrade em carta a Manuel Bandeira).

Sobre a significação ou estruturação do fragmento textual acima, assinale a afirmativa correta. 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: FGV Órgão: SEFAZ-PR Prova: FGV - 2025 - SEFAZ-PR - Auditor Fiscal (Manhã) |
Q3363334 Português
Leia a frase a seguir.

Ele comprou aquele carro velho, mas é porque cismou com o calhambeque.

Sobre a significação ou a estruturação dessa frase, assinale a afirmativa incorreta.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: FGV Órgão: SEFAZ-PR Prova: FGV - 2025 - SEFAZ-PR - Auditor Fiscal (Manhã) |
Q3363333 Português
Leia com atenção o seguinte fragmento textual.

Ninguém ousa dizer adeus aos próprios hábitos. Muitos suicidas se detiveram no limiar da morte ao pensarem no café aonde vão jogar todas as noites sua partida de dominó. (Balzac)

Acerca da significação ou estruturação desse texto, avalie as afirmativas e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa.

( ) o primeiro período do texto mostra uma afirmação de caráter universal, fruto da opinião do enunciador.
( ) o segundo período do texto desempenha a função de demonstração do que foi afirmado antes.
( ) o pronome possessivo “sua” mostra a ideia de posse em relação ao jogo de dominó.

As afirmativas são, respectivamente,
Alternativas
Ano: 2025 Banca: FGV Órgão: SEFAZ-PR Prova: FGV - 2025 - SEFAZ-PR - Auditor Fiscal (Manhã) |
Q3363332 Português
Leia o fragmento de texto a seguir.

Aprendamos do céu o estilo da disposição, e também o das palavras. Como hão de ser as palavras? Como as estrelas. As estrelas são muito distintas e muito claras... O estilo pode ser muito claro e muito alto: tão claro que o entendam os que não sabem, e tão alto que tenham muito que entender nele os que sabem. (Padre Antônio Vieira)

Sobre a estruturação ou significação desse fragmento, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: FGV Órgão: SEFAZ-PR Prova: FGV - 2025 - SEFAZ-PR - Auditor Fiscal (Manhã) |
Q3363331 Português
Um crítico escreveu o fragmento de texto a seguir.

Hoje em dia a literatura universal em toda a sua infinita variedade está cada vez mais suplantada pelos estereótipos relativamente pouco numerosos e grossos de Hollywood, do rádio e da televisão; e milhões de jovens recebem suas noções de amor e valor, de medo e de ira, de proezas indiscriminadas e indiferentes de ídolos efêmeros, cujas medidas de corpo são amplamente consideradas mais importantes do que sua evidente falta de qualquer talento para descrever emoções.

Sobre a estruturação e a significação desse fragmento textual, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: FGV Órgão: SEFAZ-PR Prova: FGV - 2025 - SEFAZ-PR - Auditor Fiscal (Manhã) |
Q3363330 Português
Leia o fragmento de texto a seguir.

É esse o maior perigo que hoje ameaça a civilização: a estatização da vida, o intervencionismo do Estado, a absorção de toda espontaneidade social pelo Estado; quer dizer, a anulação da espontaneidade histórica, que afinal de contas sustenta, alimenta e impulsiona os destinos humanos. (Ortega y Gasset)

Sobre a estruturação ou significação desse fragmento, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: FGV Órgão: SEFAZ-PR Prova: FGV - 2025 - SEFAZ-PR - Auditor Fiscal (Manhã) |
Q3363329 Português
Leia com atenção o fragmento de texto a seguir.

Tenho-me impressionado sempre de ver quão pouco os adultos compreendem as crianças e de como os próprios pais não compreendem os seus filhos. Nada deve ser escondido das crianças com o pretexto de que são pequenas e de que ainda é cedo demais para compreenderem. (Dostoievski)

Sobre esse fragmento, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: FGV Órgão: SEFAZ-PR Prova: FGV - 2025 - SEFAZ-PR - Auditor Fiscal (Manhã) |
Q3363327 Português
Leia com atenção o fragmento de texto a seguir.

Era uma vez um poderoso rei chamado Marcus, que vivia em um majestoso castelo ao norte de Berlim. O rei tinha uma corte de valorosos cavaleiros que se reuniam numa sala de espelhos cada vez que tinham que deliberar sobre os assuntos mais importantes do reino.

Sobre a significação ou estruturação desse texto, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q3363222 Português

Uma refeição saudável contém uma ______ de texturas, cores e formas, evitando a monotonia alimentar.


Marque a alternativa que completa corretamente a lacuna:

Alternativas
Q3362821 Português
A alternativa ao açaí que pode ajudar a preservar a Mata Atlântica

Muitos caiçaras — povo tradicional de áreas litorâneas de partes das regiões Sul e Sudeste do Brasil — se tornaram palmiteiros, aqueles que viviam da extração do palmito.

Com a ameaça de extinção da palmeira e a evolução da legislação ambiental, a partir dos anos 1980, os palmiteiros deixaram de ser incentivados, pois extração do palmito significa a morte da planta.

Como a juçara é uma importante fonte de alimento para os animais que vivem na floresta, áreas sem a árvore perdem também a diversidade de sua fauna. Por isso, a sua preservação se tornou uma prioridade entre os defensores da Mata Atlântica.

Morador do Vale do Ribeira, Gilberto Ota é um dos ativistas em defesa da juçara. Gilberto conta que seu pai era caiçara da foz do Rio Ribeira de Iguape. A decisão de se considerar palmiteiro é mais política.

"Ao reivindicar a profissão de palmiteiro, dizemos que as gerações anteriores às famílias que hoje vivem da juçara não eram criminosos", diz ele. "Eram pessoas que trabalhavam com o cultivo da palmeira de uma forma diferente da que fazemos hoje."

A conversa vai de temas de agroecologia, vida comunitária em torno da associação que dirige e as possibilidades econômicas da juçara — mais especificamente, de seu fruto. 

O anfitrião só mostra alguma irritação quando é citado o "açaí de juçara". "Plantamos aqui a juçara, açaí é outra palmeira, lá da Amazônia", explica.

A confusão tem sua razão de ser. No Sul e Sudeste do Brasil, o açaí é consumido na forma de um creme doce e gelado, muito diferente da forma tradicional de consumo na Amazônia, em que ele faz parte de pratos salgados.

O creme se tornou tão popular no eixo Rio-São Paulo que açaí se tornou sinônimo da maneira como ele é preparado.

A juçara pode substituir o açaí nesta forma de alimento com a vantagem de ser colhido mais perto do mercado consumidor. São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Espírito Santo e Minas Gerais são os maiores produtores do fruto da Mata Atlântica.

Ao entrar neste mercado, a juçara não compete com o açaí, segundo a pesquisadora Virgínia da Matta, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). "Os dois se apoiam porque há mercado para a expansão da produção de ambos", afirma.

Para ela, além do crescimento do mercado nacional, existe uma crescente procura no exterior, onde há um conhecimento cada vez maior do fruto e de seus benefícios.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cw4ekplyd9ro.adaptado.
O texto aborda transformações socioculturais e econômicas relacionadas ao uso da palmeira juçara, destacando aspectos históricos, ambientais e de mercado ligados às populações tradicionais.
Com base no texto, analise as afirmativas a seguir e assinale a correta.
Alternativas
Q3362650 Português
Por que Portugal está soltando bovinos e cavalos na natureza

Há milhares de anos, os ancestrais selvagens do gado bovino e do cavalo vagavam livremente pela região do Côa, migrando em grandes rebanhos e desempenhando um papel fundamental na manutenção dos ecossistemas de pastagens.

Os animais eram tão importantes que nossos ancestrais decidiram pintar e gravar suas imagens em cavernas e pedras.

Ao longo do Vale do Côa, representações de auroques, cavalos selvagens e outras criaturas que datam de vinte e quatro mil anos foram esculpidas nos afloramentos de xisto.

A área abriga uma das maiores concentrações de arte rupestre paleolítica a céu aberto e é reconhecida como Patrimônio Mundial da Unesco.

Com seus chifres longos e corpo maciço, o auroque aparece com destaque nas gravuras. Outrora o maior mamífero terrestre da Europa, o auroque foi extinto no século XVII devido à caça excessiva e à perda de habitat.

O último exemplar da espécie morreu na Polônia em 1627; um dos primeiros casos de extinção registrados.

Mas esforços recentes tentam trazer de volta esses poderosos herbívoros. A Rewilding Portugal firmou uma parceria com a Fundação Taurus, uma organização holandesa dedicada à criação de bovinos que possam prosperar nas paisagens selvagens da Europa. "Queríamos desenvolver um substituto para o que os auroques costumavam ser", diz o ecologista Ronald Goderie, diretor da Fundação Taurus, que iniciou um programa de reprodução em 2008. Embora os auroques estejam extintos, seus genes sobrevivem no gado doméstico.

A fundação tem usado um método conhecido como retrocruzamento para combinar raças de gado no sul da Europa que ainda mantêm algumas das características de seus ancestrais auroques: grande estatura, pernas longas, constituição esbelta e grandes chifres curvados para a frente. "Combinamos raças primitivas para chegar o mais próximo possível geneticamente do que o auroque já foi", diz Goderie. O objetivo é criar um bovino selvagem que possa novamente vagar livremente e que esteja preparado para lidar com predadores.

Por milênios, o pastoreio de auroques criou espaços abertos para outras espécies prosperarem. Como o mais próximo do auroque extinto retratado nas gravuras pré-históricas, Goderie afirma que os tauros desempenham uma função ecológica semelhante, vital para a biodiversidade. "O pastoreio natural levará a mais processos apropriados que estão ausentes nos ecossistemas locais, mais habitats e mais biodiversidade", diz ele.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c78jn2wd2gxo.adaptado.

Mais ao sul, uma manada de grandes bovinos pretos e castanhos, com chifres longos, corre com agilidade. Conhecidos como tauros, esses bovinos são uma versão criada do extinto auroque, o ancestral selvagem da vaca moderna.
Com base na leitura do texto, assinale a alternativa que interpreta corretamente as informações e os propósitos nele contidos.
Alternativas
Q3362548 Português
As caridades odiosas


       Foi uma tarde de sensibilidade ou de suscetibilidade? Eu passava pela rua depressa, emaranhada nos meus pensamentos, como às vezes acontece. Foi quando meu vestido me reteve: alguma coisa se enganchava na minha saia. Voltei-me e vi que se tratava de uma mão pequena e escura. Pertencia a um menino a que a sujeira e o sangue interno davam um tom quente de pele. O menino estava de pé no degrau da grande confeitaria. Seus olhos, mais do que suas palavras meio engolidas, informavam-me de sua paciente aflição. Paciente demais. Percebi vagamente um pedido, antes de compreender o seu sentido concreto. Um pouco aturdida eu o olhava, ainda em dúvida se fora a mão da criança o que me ceifara os pensamentos.

        − Um doce, moça, compre um doce para mim.

        Acordei finalmente. O que estivera eu pensando antes de encontrar o menino? O fato é que o pedido pareceu cumular uma lacuna, dar uma resposta que podia servir para qualquer pergunta, assim como uma grande chuva pode matar a sede de quem queria uns goles de água.

      Sem olhar para os lados, por pudor talvez, sem querer espiar as mesas da confeitaria onde possivelmente algum conhecido tomava sorvete, entrei, fui ao balcão e disse com uma dureza que só Deus sabe explicar: um doce para o menino.

        De que tinha eu medo? Eu não olhava a criança, queria que a cena, humilhante para mim, terminasse logo. Perguntei-lhe: que doce você...

        Antes de terminar, o menino disse apontando depressa com o dedo: aquelinho ali, com chocolate por cima. Por um instante perplexa, eu me recompus logo e ordenei, com aspereza, à caixeira que o servisse.

        − Que outro doce você quer? Perguntei ao menino.

       Este, que mexendo as mãos e a boca ainda espera com ansiedade pelo primeiro, interrompeu-se, olhou-me um instante e disse com uma delicadeza insuportável, mostrando os dentes: não precisa de outro não. Ele poupava a minha bondade.

     − Precisa sim, cortei eu ofegante, empurrando-o para a frente. O menino hesitou e disse: aquele amarelo de ovo. Recebeu um doce em cada mão, levando as duas acima da cabeça, com medo talvez de apertá-los... Mesmo os doces estavam tão acima do menino. E foi sem olhar para mim que ele, mais do que foi embora, fugiu. A caixeirinha olhava tudo:

      − Afinal uma alma caridosa apareceu. Esse menino estava nesta porta há mais de uma hora, puxando todas as pessoas, mas ninguém quis dar.

     Fui embora, com o rosto corado de vergonha. De vergonha mesmo? Era inútil querer voltar aos pensamentos anteriores. Eu estava cheia de um sentimento de amor, gratidão, revolta e vergonha. Mas, como se costuma dizer, o sol parecia brilhar com mais força. Eu tivera a oportunidade de... E para isso foi necessário que outros não lhe tivessem dado doce.

      E as pessoas que tomavam sorvete? Agora, o que eu queria saber com autocrueldade era o seguinte: temera que os outros me vissem ou que os outros não me vissem? O fato é que, quando atravessei a rua, o que teria sido piedade já se estrangulara sob outros sentimentos. E, agora, sozinha, meus pensamentos voltavam lentamente a ser os anteriores, só que inúteis.


(LISPECTOR, Clarice. As caridades odiosas. In: A descoberta do mundo. Rio de Janeiro. Nova Fronteira, 1984. Adaptado.)
O sentido da expressão sublinhada está INDEVIDAMENTE retratado em: 
Alternativas
Q3362547 Português
As caridades odiosas


       Foi uma tarde de sensibilidade ou de suscetibilidade? Eu passava pela rua depressa, emaranhada nos meus pensamentos, como às vezes acontece. Foi quando meu vestido me reteve: alguma coisa se enganchava na minha saia. Voltei-me e vi que se tratava de uma mão pequena e escura. Pertencia a um menino a que a sujeira e o sangue interno davam um tom quente de pele. O menino estava de pé no degrau da grande confeitaria. Seus olhos, mais do que suas palavras meio engolidas, informavam-me de sua paciente aflição. Paciente demais. Percebi vagamente um pedido, antes de compreender o seu sentido concreto. Um pouco aturdida eu o olhava, ainda em dúvida se fora a mão da criança o que me ceifara os pensamentos.

        − Um doce, moça, compre um doce para mim.

        Acordei finalmente. O que estivera eu pensando antes de encontrar o menino? O fato é que o pedido pareceu cumular uma lacuna, dar uma resposta que podia servir para qualquer pergunta, assim como uma grande chuva pode matar a sede de quem queria uns goles de água.

      Sem olhar para os lados, por pudor talvez, sem querer espiar as mesas da confeitaria onde possivelmente algum conhecido tomava sorvete, entrei, fui ao balcão e disse com uma dureza que só Deus sabe explicar: um doce para o menino.

        De que tinha eu medo? Eu não olhava a criança, queria que a cena, humilhante para mim, terminasse logo. Perguntei-lhe: que doce você...

        Antes de terminar, o menino disse apontando depressa com o dedo: aquelinho ali, com chocolate por cima. Por um instante perplexa, eu me recompus logo e ordenei, com aspereza, à caixeira que o servisse.

        − Que outro doce você quer? Perguntei ao menino.

       Este, que mexendo as mãos e a boca ainda espera com ansiedade pelo primeiro, interrompeu-se, olhou-me um instante e disse com uma delicadeza insuportável, mostrando os dentes: não precisa de outro não. Ele poupava a minha bondade.

     − Precisa sim, cortei eu ofegante, empurrando-o para a frente. O menino hesitou e disse: aquele amarelo de ovo. Recebeu um doce em cada mão, levando as duas acima da cabeça, com medo talvez de apertá-los... Mesmo os doces estavam tão acima do menino. E foi sem olhar para mim que ele, mais do que foi embora, fugiu. A caixeirinha olhava tudo:

      − Afinal uma alma caridosa apareceu. Esse menino estava nesta porta há mais de uma hora, puxando todas as pessoas, mas ninguém quis dar.

     Fui embora, com o rosto corado de vergonha. De vergonha mesmo? Era inútil querer voltar aos pensamentos anteriores. Eu estava cheia de um sentimento de amor, gratidão, revolta e vergonha. Mas, como se costuma dizer, o sol parecia brilhar com mais força. Eu tivera a oportunidade de... E para isso foi necessário que outros não lhe tivessem dado doce.

      E as pessoas que tomavam sorvete? Agora, o que eu queria saber com autocrueldade era o seguinte: temera que os outros me vissem ou que os outros não me vissem? O fato é que, quando atravessei a rua, o que teria sido piedade já se estrangulara sob outros sentimentos. E, agora, sozinha, meus pensamentos voltavam lentamente a ser os anteriores, só que inúteis.


(LISPECTOR, Clarice. As caridades odiosas. In: A descoberta do mundo. Rio de Janeiro. Nova Fronteira, 1984. Adaptado.)
Clarice Lispector concede ao título do texto – “As caridades odiosas”, um caráter metafórico que expõe a temática a ser tratada no texto. Esse sentido figurado da mensagem enfatiza: 
Alternativas
Q3362544 Português
As caridades odiosas


       Foi uma tarde de sensibilidade ou de suscetibilidade? Eu passava pela rua depressa, emaranhada nos meus pensamentos, como às vezes acontece. Foi quando meu vestido me reteve: alguma coisa se enganchava na minha saia. Voltei-me e vi que se tratava de uma mão pequena e escura. Pertencia a um menino a que a sujeira e o sangue interno davam um tom quente de pele. O menino estava de pé no degrau da grande confeitaria. Seus olhos, mais do que suas palavras meio engolidas, informavam-me de sua paciente aflição. Paciente demais. Percebi vagamente um pedido, antes de compreender o seu sentido concreto. Um pouco aturdida eu o olhava, ainda em dúvida se fora a mão da criança o que me ceifara os pensamentos.

        − Um doce, moça, compre um doce para mim.

        Acordei finalmente. O que estivera eu pensando antes de encontrar o menino? O fato é que o pedido pareceu cumular uma lacuna, dar uma resposta que podia servir para qualquer pergunta, assim como uma grande chuva pode matar a sede de quem queria uns goles de água.

      Sem olhar para os lados, por pudor talvez, sem querer espiar as mesas da confeitaria onde possivelmente algum conhecido tomava sorvete, entrei, fui ao balcão e disse com uma dureza que só Deus sabe explicar: um doce para o menino.

        De que tinha eu medo? Eu não olhava a criança, queria que a cena, humilhante para mim, terminasse logo. Perguntei-lhe: que doce você...

        Antes de terminar, o menino disse apontando depressa com o dedo: aquelinho ali, com chocolate por cima. Por um instante perplexa, eu me recompus logo e ordenei, com aspereza, à caixeira que o servisse.

        − Que outro doce você quer? Perguntei ao menino.

       Este, que mexendo as mãos e a boca ainda espera com ansiedade pelo primeiro, interrompeu-se, olhou-me um instante e disse com uma delicadeza insuportável, mostrando os dentes: não precisa de outro não. Ele poupava a minha bondade.

     − Precisa sim, cortei eu ofegante, empurrando-o para a frente. O menino hesitou e disse: aquele amarelo de ovo. Recebeu um doce em cada mão, levando as duas acima da cabeça, com medo talvez de apertá-los... Mesmo os doces estavam tão acima do menino. E foi sem olhar para mim que ele, mais do que foi embora, fugiu. A caixeirinha olhava tudo:

      − Afinal uma alma caridosa apareceu. Esse menino estava nesta porta há mais de uma hora, puxando todas as pessoas, mas ninguém quis dar.

     Fui embora, com o rosto corado de vergonha. De vergonha mesmo? Era inútil querer voltar aos pensamentos anteriores. Eu estava cheia de um sentimento de amor, gratidão, revolta e vergonha. Mas, como se costuma dizer, o sol parecia brilhar com mais força. Eu tivera a oportunidade de... E para isso foi necessário que outros não lhe tivessem dado doce.

      E as pessoas que tomavam sorvete? Agora, o que eu queria saber com autocrueldade era o seguinte: temera que os outros me vissem ou que os outros não me vissem? O fato é que, quando atravessei a rua, o que teria sido piedade já se estrangulara sob outros sentimentos. E, agora, sozinha, meus pensamentos voltavam lentamente a ser os anteriores, só que inúteis.


(LISPECTOR, Clarice. As caridades odiosas. In: A descoberta do mundo. Rio de Janeiro. Nova Fronteira, 1984. Adaptado.)
Assinale a alternativa cuja expressão sublinhada NÃO se refere à informação associada logo a seguir.
Alternativas
Q3362543 Português
As caridades odiosas


       Foi uma tarde de sensibilidade ou de suscetibilidade? Eu passava pela rua depressa, emaranhada nos meus pensamentos, como às vezes acontece. Foi quando meu vestido me reteve: alguma coisa se enganchava na minha saia. Voltei-me e vi que se tratava de uma mão pequena e escura. Pertencia a um menino a que a sujeira e o sangue interno davam um tom quente de pele. O menino estava de pé no degrau da grande confeitaria. Seus olhos, mais do que suas palavras meio engolidas, informavam-me de sua paciente aflição. Paciente demais. Percebi vagamente um pedido, antes de compreender o seu sentido concreto. Um pouco aturdida eu o olhava, ainda em dúvida se fora a mão da criança o que me ceifara os pensamentos.

        − Um doce, moça, compre um doce para mim.

        Acordei finalmente. O que estivera eu pensando antes de encontrar o menino? O fato é que o pedido pareceu cumular uma lacuna, dar uma resposta que podia servir para qualquer pergunta, assim como uma grande chuva pode matar a sede de quem queria uns goles de água.

      Sem olhar para os lados, por pudor talvez, sem querer espiar as mesas da confeitaria onde possivelmente algum conhecido tomava sorvete, entrei, fui ao balcão e disse com uma dureza que só Deus sabe explicar: um doce para o menino.

        De que tinha eu medo? Eu não olhava a criança, queria que a cena, humilhante para mim, terminasse logo. Perguntei-lhe: que doce você...

        Antes de terminar, o menino disse apontando depressa com o dedo: aquelinho ali, com chocolate por cima. Por um instante perplexa, eu me recompus logo e ordenei, com aspereza, à caixeira que o servisse.

        − Que outro doce você quer? Perguntei ao menino.

       Este, que mexendo as mãos e a boca ainda espera com ansiedade pelo primeiro, interrompeu-se, olhou-me um instante e disse com uma delicadeza insuportável, mostrando os dentes: não precisa de outro não. Ele poupava a minha bondade.

     − Precisa sim, cortei eu ofegante, empurrando-o para a frente. O menino hesitou e disse: aquele amarelo de ovo. Recebeu um doce em cada mão, levando as duas acima da cabeça, com medo talvez de apertá-los... Mesmo os doces estavam tão acima do menino. E foi sem olhar para mim que ele, mais do que foi embora, fugiu. A caixeirinha olhava tudo:

      − Afinal uma alma caridosa apareceu. Esse menino estava nesta porta há mais de uma hora, puxando todas as pessoas, mas ninguém quis dar.

     Fui embora, com o rosto corado de vergonha. De vergonha mesmo? Era inútil querer voltar aos pensamentos anteriores. Eu estava cheia de um sentimento de amor, gratidão, revolta e vergonha. Mas, como se costuma dizer, o sol parecia brilhar com mais força. Eu tivera a oportunidade de... E para isso foi necessário que outros não lhe tivessem dado doce.

      E as pessoas que tomavam sorvete? Agora, o que eu queria saber com autocrueldade era o seguinte: temera que os outros me vissem ou que os outros não me vissem? O fato é que, quando atravessei a rua, o que teria sido piedade já se estrangulara sob outros sentimentos. E, agora, sozinha, meus pensamentos voltavam lentamente a ser os anteriores, só que inúteis.


(LISPECTOR, Clarice. As caridades odiosas. In: A descoberta do mundo. Rio de Janeiro. Nova Fronteira, 1984. Adaptado.)
“E as pessoas que tomavam sorvete? Agora, o que eu queria saber com autocrueldade era o seguinte: temera que os outros me vissem ou que os outros não me vissem?” (12º§) Os questionamentos realizados no final da crônica retratam: 
Alternativas
Q3362542 Português
As caridades odiosas


       Foi uma tarde de sensibilidade ou de suscetibilidade? Eu passava pela rua depressa, emaranhada nos meus pensamentos, como às vezes acontece. Foi quando meu vestido me reteve: alguma coisa se enganchava na minha saia. Voltei-me e vi que se tratava de uma mão pequena e escura. Pertencia a um menino a que a sujeira e o sangue interno davam um tom quente de pele. O menino estava de pé no degrau da grande confeitaria. Seus olhos, mais do que suas palavras meio engolidas, informavam-me de sua paciente aflição. Paciente demais. Percebi vagamente um pedido, antes de compreender o seu sentido concreto. Um pouco aturdida eu o olhava, ainda em dúvida se fora a mão da criança o que me ceifara os pensamentos.

        − Um doce, moça, compre um doce para mim.

        Acordei finalmente. O que estivera eu pensando antes de encontrar o menino? O fato é que o pedido pareceu cumular uma lacuna, dar uma resposta que podia servir para qualquer pergunta, assim como uma grande chuva pode matar a sede de quem queria uns goles de água.

      Sem olhar para os lados, por pudor talvez, sem querer espiar as mesas da confeitaria onde possivelmente algum conhecido tomava sorvete, entrei, fui ao balcão e disse com uma dureza que só Deus sabe explicar: um doce para o menino.

        De que tinha eu medo? Eu não olhava a criança, queria que a cena, humilhante para mim, terminasse logo. Perguntei-lhe: que doce você...

        Antes de terminar, o menino disse apontando depressa com o dedo: aquelinho ali, com chocolate por cima. Por um instante perplexa, eu me recompus logo e ordenei, com aspereza, à caixeira que o servisse.

        − Que outro doce você quer? Perguntei ao menino.

       Este, que mexendo as mãos e a boca ainda espera com ansiedade pelo primeiro, interrompeu-se, olhou-me um instante e disse com uma delicadeza insuportável, mostrando os dentes: não precisa de outro não. Ele poupava a minha bondade.

     − Precisa sim, cortei eu ofegante, empurrando-o para a frente. O menino hesitou e disse: aquele amarelo de ovo. Recebeu um doce em cada mão, levando as duas acima da cabeça, com medo talvez de apertá-los... Mesmo os doces estavam tão acima do menino. E foi sem olhar para mim que ele, mais do que foi embora, fugiu. A caixeirinha olhava tudo:

      − Afinal uma alma caridosa apareceu. Esse menino estava nesta porta há mais de uma hora, puxando todas as pessoas, mas ninguém quis dar.

     Fui embora, com o rosto corado de vergonha. De vergonha mesmo? Era inútil querer voltar aos pensamentos anteriores. Eu estava cheia de um sentimento de amor, gratidão, revolta e vergonha. Mas, como se costuma dizer, o sol parecia brilhar com mais força. Eu tivera a oportunidade de... E para isso foi necessário que outros não lhe tivessem dado doce.

      E as pessoas que tomavam sorvete? Agora, o que eu queria saber com autocrueldade era o seguinte: temera que os outros me vissem ou que os outros não me vissem? O fato é que, quando atravessei a rua, o que teria sido piedade já se estrangulara sob outros sentimentos. E, agora, sozinha, meus pensamentos voltavam lentamente a ser os anteriores, só que inúteis.


(LISPECTOR, Clarice. As caridades odiosas. In: A descoberta do mundo. Rio de Janeiro. Nova Fronteira, 1984. Adaptado.)
No texto, algumas ideias são reveladas através de uma linguagem conotativa. Dentre os trechos a seguir relacionados, apenas um NÃO certifica o uso do recurso metafórico; assinale-o. 
Alternativas
Respostas
20661: A
20662: E
20663: D
20664: B
20665: B
20666: C
20667: A
20668: C
20669: B
20670: A
20671: E
20672: C
20673: B
20674: A
20675: D
20676: D
20677: A
20678: C
20679: A
20680: B