Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

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Q3575806 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão. 


[...] seu impactante romance Torto arado (2018) conquistou em Portugal o prestigioso Prêmio LeYa, concedido por unanimidade pelo modo como representa de forma sólida e realista o universo rural brasileiro. O enredo enfatiza trabalhadores sem-terra remanescentes do regime escravista, em especial as personagens femininas duplamente vítimas da violência que impera nos grotões mais afastados, realidade representada por meio de uma sensível e sofisticada escrita, como bem notaram os jurados do concurso em sua nota de justificativa:


"O Prémio LeYa 2018 é atribuído ao romance 'Torto Arado', de Itamar Vieira Junior, pela solidez da construção, o equilíbrio da narrativa e a forma como aborda o universo rural do Brasil, colocando ênfase nas figuras femininas, na sua liberdade e na violência exercida sobre o corpo num contexto dominado pela sociedade patriarcal. Sendo um romance que parte de uma realidade concreta, em que situações de opressão quer social quer do homem em relação à mulher, a narrativa encontra um plano alegórico, sem entrar num estilo barroco, que ganha contornos universais. Destaca-se a qualidade literária de uma escrita em que se reconhece plenamente o escritor. Todos estes motivos justificam a atribuição por unanimidade deste prémio."


Situando a história em uma região remota e imaginária do nordeste brasileiro, Itamar Vieira Junior abrange problemáticas que envolvem proporções maiores ligadas tanto ao modo de funcionamento histórico e social do país quanto à complexa e intrincada rede de sentimentos e emoções intrínsecas ao ser humano. Em concomitância, temos um romance que fornece elementos para debate sobre as desigualdades e violências entre cidade e campo, as desigualdades de gênero, as formas de resistência das religiões de matriz africana e indígena, as permanências e continuidades da escravidão simbolizadas na relação de mando inviolável entre patrão/dono e trabalhador/agregado, assim como do tríplice espólio sobre o trabalhador: sua mão de obra, seu produto final e seu tempo. Somada a esses fatores há também na narrativa uma implícita, mas potente reflexão sobre os sentidos da posse de terra e de uma necessária reforma agrária no território nacional. Ao mesmo tempo, portanto, em que há um "Brasil profundo" sendo problematizado, somos convidados a sentir de maneira pungente o caótico estado emocional de personagens que, mesmo vivendo sobre constante tensão, manifestam complexos e contraditórios estados emocionais.


 (Disponível em: http://www.letras.ufmg.br/literafro/autores/1270-itamar-vieira-junior. Acesso em 23 jul. 2025. Adaptado.)

Leia o texto e analise as assertivas que seguem:


I.É uma breve resenha do romance Torto Arado, de Itamar Vieira Jr., e tem como objetivo principal descrever os principais aspectos do livro e emitir uma opinião.


II.O segundo parágrafo está entre aspas por se tratar de um citação direta da nota emitida pelos jurados do Prêmio Leya, de Portugal.


III.Entre os motivos que justificam o prêmio estão a construção sólida e equilibrada da narrativa e o fato de ser possível reconhecer Itamar Vieira Jr. em sua própria escrita, resultado da qualidade literária dele.


É correto o que se afirma

Alternativas
Q3575070 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


"Você acorda com coriza, a garganta arranhando e aquela dor no corpo que incomoda: é gripe ou resfriado na certa. Com o tempo frio característico do outono e do inverno, o corpo fica mais vulnerável para algumas doenças respiratórias e, uma hora ou outra, elas podem te atingir. Por isso, é comum as pessoas tomarem chás contra gripe, que ajudam a aquecer e também a recuperar a disposição. Apesar de parecer um gesto simples, essa tradição carrega saberes antigos que hoje têm respaldo científico . Muitos dos compostos presentes nas ervas utilizadas para chás contra gripe e resfriado têm ação comprovada sobre o sistema imunológico, inflamações e sintomas respiratórios".


(Disponível em: https://vidasimples.co/saude-do-corpo/seis-receitas-de-chas-contra-grip e-e-resfriado/. Acesso em 17 jul. 2025. Adaptado.)

A partir da leitura do texto é possível afirmar que:


I.Coriza, garganta arranhando e dor no corpo são sintomas de gripe e de resfriado.

II.Tomar chá é uma tradição marcada por saberes antigos.

III.A Ciência tem comprovado a ação dos compostos das ervas na saúde do corpo.


É correto o que se afirma em:

Alternativas
Ano: 2025 Banca: IF-MG Órgão: IF-MG Prova: IF-MG - 2025 - IF-MG - Assistente de Aluno |
Q3574493 Português
TEXTO I
Q16.png (309×268)
Disponível em: http://www.fnac.pt/Marcelo-Camelo-SouCD-Album/a245750. Acesso em: 03 jul. 2025

TEXTO II
Rotação
Cassiano Ricardo
a esfera
em torno de si mesma
me ensina a espera
a espera me ensina
a esperança a esperança me ensina
uma nova espera a nova
espera me ensina
de novo a esperança
na esfera
a esfera
em torno de si mesma
me ensina a espera
a espera me ensina
a esperança
a esperança me ensina
uma nova espera a nova
espera me ensina
uma nova esperança
na esfera a esfera
em torno de si mesma
me ensina a espera
a espera me ensina
a esperança
a esperança me ensina
uma nova espera a nova
espera me ensina
uma nova esperança
na esfera

Disponível em: http://www.jornaldepoesia.jor.br/cricardo.html. Acesso em: 03 jul. 2025.

Os dois textos, embora distantes no tempo, utilizam-se dos mesmos recursos para a construção de sentidos que consistem em
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IF-MG Órgão: IF-MG Prova: IF-MG - 2025 - IF-MG - Assistente de Aluno |
Q3574492 Português
O texto diz mais do que aquilo que está enunciado: ele apresenta pressuposições, subetendimentos, consequências não ditas, etc. No processo argumentativo, usam-se inferências. São elas que fazem progredir o discurso.
FIORIN, José Luiz. Argumentação. São Paulo: Contexto, 2018.

Conforme Fiorin, inferência é
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IF-MG Órgão: IF-MG Prova: IF-MG - 2025 - IF-MG - Assistente de Aluno |
Q3574491 Português
A figura do herói em muito contribui para a sustentação de um regime político. Em alguns casos, como aponta José Murilo de Carvalho, a escolha desse herói se dá de forma bastante natural, ao se elegerem os verdadeiros participantes – preferencialmente advindos de camadas populares – do movimento que culminaria no regime vencedor. Entretanto, há casos como o brasileiro em que as mudanças acontecem sem grande participação da população, de forma que um herói não aparece de forma tão natural, sendo necessário um “maior esforço na escolha e na promoção da figura do herói”, já que, ainda de acordo com Carvalho, “herói que se preze tem que ter, de algum modo, a cara da nação. Tem que responder a alguma necessidade ou aspiração coletiva, refletir algum tipo de personalidade ou de comportamento que corresponda a um modelo coletivamente valorizado” (Carvalho, 2008, p. 55). Se não atender a essas exigências, é muito provável que a figura escolhida fracasse como herói nacional. 
Disponível em: https://periodicos.uff.br/querubim/issue/view/2351/473. Acesso em: 03 jul. 2025.

De acordo com a construção linguística apresentada, nota-se que o trecho dado faz parte de um texto do tipo
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IF-MG Órgão: IF-MG Prova: IF-MG - 2025 - IF-MG - Assistente de Aluno |
Q3574490 Português
As hipóteses do leitor fazem com que certos aspectos do processamento, essenciais à compreensão, se tornem possíveis, tais como o reconhecimento global e instantâneo de palavras e frases relacionadas ao tópico, bem como inferências sobre palavras não percebidas durante o movimento do olho durante a leitura que não é linear, o que permitiria ler tudo, letra por letra e palavra por palavra, mas é sacádico, o que significa que o olho dá pulos para depois se fixar numa palavra e daí pular novamente uma série de palavras até fazer nova fixação.
KLEIMAN, Ângela. Texto e leitor: aspectos cognitivos da leitura. São Paulo: Pontes Editores, 2013.

Com base no trecho da obra Texto e leitor, de Angela Kleiman, pode-se inferir que
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IF-MG Órgão: IF-MG Prova: IF-MG - 2025 - IF-MG - Assistente de Aluno |
Q3574487 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


As Sombras da IA Vem Causando frisson o estudo divulgado pelo MIT dando conta de uma "atrofia cognitiva" ligada ao uso da inteligência artificial (IA). O experimento comparou três grupos escrevendo redações. Um dos grupos usava o ChatGPT; outro pesquisava no Google; e o terceiro usava apenas a própria cabeça. Ao final de três rodadas, a turma que usou IA apresentou uma "atividade cerebral significativamente menor de memória, cognição e criatividade", comparada às demais. A IA era conveniente no curto prazo, mas a um alto custo cognitivo. De um observador, li a frase: "O cérebro é como um músculo. Ou você usa, ou você perde". O estudo é preliminar, mas o sinal é claro: abusar da IA quando se deveria estar treinando o cérebro para criar coisas e pensar criticamente pode ser desastroso. Me lembrei de quando peço aos alunos para ler Dostoievski. Ler as 600 páginas de Crime e Castigo pode não ter utilidade. E quando peço um artigo a respeito, ou um retrato psíquico de Raskólnikov, isso pode ser obtido em alguns segundos no ChatGPT. Se alguém fizer isso, terá economizado um bom tempo de leitura. Mas terá perdido um universo de sutilezas e imaginação humana.


O estudo do MIT vai em linha com o declínio recente nos testes de QI. Até o final do século passado funcionava o "efeito Flynn". A cada geração, havia algum avanço cognitivo. Até a reversão, nos anos 1990. Muita gente associa isso ao "efeito Google", ao fato de "terceirizarmos" parte de nossa memória e esforço cognitivo. Parece lógico. Ainda me lembro quando estudava em Barcelona, meados dos 1990, e o professor nos explicava sobre o buscador AltaVista. Não existia Google ainda, mas na hora compreendi que ia ficando para trás o mundo de enciclopédias e bibliotecas no qual havia sido criado. Um mundo lento e trabalhoso, ainda que sedutor, trocado por um universo instantâneo. E incrivelmente mais fácil, ainda que carente de cheiros e mistérios. Trinta anos depois, a IA dobra a aposta. Nos entrega uma carga de facilidade de uma outra ordem: em vez de informação, traz junto a inteligência. Aquilo que até então era nosso traço distintivo, como espécie, e não é mais. [...]


SCHULER, Fernando. As Sombras da IA. Revista Veja. Editora Abril, São Paulo, v. 2950, ano 58, n. 26, p. 34, 27 de junho de 2025 (Adaptado).
Releia o trecho:

“Me lembrei de quando peço aos alunos para ler Dostoievski. Ler as 600 páginas de Crime e Castigo pode não ter utilidade. E quando peço um artigo a respeito, ou um retrato psíquico de Raskólnikov, isso pode ser obtido em alguns segundos no ChatGPT [...]’’

A relação entre esse trecho e a afirmação anterior a ele no texto é de
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IF-MG Órgão: IF-MG Prova: IF-MG - 2025 - IF-MG - Assistente de Aluno |
Q3574486 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


As Sombras da IA Vem Causando frisson o estudo divulgado pelo MIT dando conta de uma "atrofia cognitiva" ligada ao uso da inteligência artificial (IA). O experimento comparou três grupos escrevendo redações. Um dos grupos usava o ChatGPT; outro pesquisava no Google; e o terceiro usava apenas a própria cabeça. Ao final de três rodadas, a turma que usou IA apresentou uma "atividade cerebral significativamente menor de memória, cognição e criatividade", comparada às demais. A IA era conveniente no curto prazo, mas a um alto custo cognitivo. De um observador, li a frase: "O cérebro é como um músculo. Ou você usa, ou você perde". O estudo é preliminar, mas o sinal é claro: abusar da IA quando se deveria estar treinando o cérebro para criar coisas e pensar criticamente pode ser desastroso. Me lembrei de quando peço aos alunos para ler Dostoievski. Ler as 600 páginas de Crime e Castigo pode não ter utilidade. E quando peço um artigo a respeito, ou um retrato psíquico de Raskólnikov, isso pode ser obtido em alguns segundos no ChatGPT. Se alguém fizer isso, terá economizado um bom tempo de leitura. Mas terá perdido um universo de sutilezas e imaginação humana.


O estudo do MIT vai em linha com o declínio recente nos testes de QI. Até o final do século passado funcionava o "efeito Flynn". A cada geração, havia algum avanço cognitivo. Até a reversão, nos anos 1990. Muita gente associa isso ao "efeito Google", ao fato de "terceirizarmos" parte de nossa memória e esforço cognitivo. Parece lógico. Ainda me lembro quando estudava em Barcelona, meados dos 1990, e o professor nos explicava sobre o buscador AltaVista. Não existia Google ainda, mas na hora compreendi que ia ficando para trás o mundo de enciclopédias e bibliotecas no qual havia sido criado. Um mundo lento e trabalhoso, ainda que sedutor, trocado por um universo instantâneo. E incrivelmente mais fácil, ainda que carente de cheiros e mistérios. Trinta anos depois, a IA dobra a aposta. Nos entrega uma carga de facilidade de uma outra ordem: em vez de informação, traz junto a inteligência. Aquilo que até então era nosso traço distintivo, como espécie, e não é mais. [...]


SCHULER, Fernando. As Sombras da IA. Revista Veja. Editora Abril, São Paulo, v. 2950, ano 58, n. 26, p. 34, 27 de junho de 2025 (Adaptado).
Com base na leitura do texto ‘’As sombras da IA’’, pode-se afirmar que sua finalidade é
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Ano: 2025 Banca: IF-MG Órgão: IF-MG Prova: IF-MG - 2025 - IF-MG - Assistente de Aluno |
Q3574481 Português
Considere os seguintes gêneros textuais:

I. conversa espontânea
II. artigo científico
III. notícia de TV
IV. entrevista publicada em revista

Assinale a alternativa incorreta:
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IF-MG Órgão: IF-MG Prova: IF-MG - 2025 - IF-MG - Assistente de Aluno |
Q3574480 Português
I. “A língua portuguesa falada no Brasil apresenta uma unidade surpreendente”.
II.  “Português é muito difícil”.
III.  “As pessoas sem instrução falam tudo errado”.
IV. “O lugar onde melhor se fala português no Brasil é o Maranhão”.
V. “O certo é falar assim porque se escreve assim”
VI. “É preciso saber gramática para falar e escrever bem”.

Em Preconceito Linguístico: o que é e como se faz (BAGNO, 1999), são apontados vários mitos acerca da Língua Portuguesa. Segundo o autor: 
Alternativas
Q3574413 Português
“Esse argumento, em que não se discutem os méritos intrínsecos do ponto de vista ou da dúvida do oponente, mas se desqualifica o adversário como interlocutor sério, apresentando-o com alguém incompetente, não confiável ou inconsequente, recebe o nome latino de _______________________.”
FIORIN, José Luiz. Argumentação. São Paulo: Contexto, 2018.

O termo que completa adequadamente a lacuna sinalizada no texto é
Alternativas
Q3574411 Português
É menina


É menina, que coisa mais fofa, parece com o pai, parece com a mãe, parece um joelho, upa, upa, não chora, isso é choro de fome, isso é choro de sono, isso é choro de chata, choro de menina, igualzinha à mãe, achou, sumiu, achou, não faz pirraça, coitada, tem que deixar chorar, vocês fazem tudo o que ela quer, isso vai crescer mimada, eu queria essa vida pra mim, dormir e mamar, aproveita enquanto ela ainda não engatinha, isso daí quando começa a andar é um inferno, daqui a pouco começa a falar, daí não para mais, ela precisa é de um irmão, foi só falar, olha só quem vai ganhar um irmãozinho, tomara que seja menino pra formar um casal, ela tá até mais quieta depois que ele nasceu, parece que ela cuida dele, esses dois vão ser inseparáveis, ela deve morrer de ciúmes, ele já nasceu falante, menino é outra coisa, desde que ele nasceu parece que ela cresceu, já tá uma menina, quando é que vai pra creche, ela não larga dessa boneca por nada, já podia ser mãe, já sabe escrever o nomezinho, quantos dedos têm aqui, qual é a sua princesa da Disney preferida, quem você prefere, o papai ou a mamãe, quem é o seu namoradinho, quem é o seu príncipe da Disney preferido, já se maquia dessa idade, é apaixonada pelo pai, cadê o Ken, daqui a pouco vira mocinha, eu te peguei no colo, só falta ficar mais alta que eu, finalmente largou a boneca, já tava na hora, agora deve tá pensando besteira, soube que virou mocinha, ganhou corpo, tenho uma dieta boa pra você, a dieta do ovo, a dieta do tipo sanguíneo, a dieta da água gelada, essa barriga só resolve com cinta, que corpão, essa menina é um perigo, vai ter que voltar antes de meia-noite, o seu irmão é diferente, menino é outra coisa, vai pela sombra, não sorri pro porteiro, não sorri pro pedreiro, quem é esse menino, se o seu pai descobrir, ele te mata, esse menino é filho de quem, cuidado que homem não presta, não pode dar confiança, não vai pra casa dele, homem gosta é de mulher difícil, tem que se dar valor, homem é tudo igual, segura esse homem, não fuxica, não mexe nas coisas dele, tem coisa que é melhor a gente não saber, não pergunta demais que ele te abandona, o que os olhos não veem o coração não sente, quando é que vão casar, ele tá te enrolando, morar junto é casar, quando é que vão ter filho, ele tá te enrolando, barriga pontuda deve ser menina, é menina.


Disponível em:< https://m.folha.uol.com.br/colunas/gregorioduvivier/2013/09 /1342502-e-menina.shtml>. Acesso em: 12 jul. 2025. 
Considerando as características do tipo textual narrativo no texto É menina, pode-se perceber que há ocorrência de narração quando a crônica apresenta
Alternativas
Q3574410 Português
É menina


É menina, que coisa mais fofa, parece com o pai, parece com a mãe, parece um joelho, upa, upa, não chora, isso é choro de fome, isso é choro de sono, isso é choro de chata, choro de menina, igualzinha à mãe, achou, sumiu, achou, não faz pirraça, coitada, tem que deixar chorar, vocês fazem tudo o que ela quer, isso vai crescer mimada, eu queria essa vida pra mim, dormir e mamar, aproveita enquanto ela ainda não engatinha, isso daí quando começa a andar é um inferno, daqui a pouco começa a falar, daí não para mais, ela precisa é de um irmão, foi só falar, olha só quem vai ganhar um irmãozinho, tomara que seja menino pra formar um casal, ela tá até mais quieta depois que ele nasceu, parece que ela cuida dele, esses dois vão ser inseparáveis, ela deve morrer de ciúmes, ele já nasceu falante, menino é outra coisa, desde que ele nasceu parece que ela cresceu, já tá uma menina, quando é que vai pra creche, ela não larga dessa boneca por nada, já podia ser mãe, já sabe escrever o nomezinho, quantos dedos têm aqui, qual é a sua princesa da Disney preferida, quem você prefere, o papai ou a mamãe, quem é o seu namoradinho, quem é o seu príncipe da Disney preferido, já se maquia dessa idade, é apaixonada pelo pai, cadê o Ken, daqui a pouco vira mocinha, eu te peguei no colo, só falta ficar mais alta que eu, finalmente largou a boneca, já tava na hora, agora deve tá pensando besteira, soube que virou mocinha, ganhou corpo, tenho uma dieta boa pra você, a dieta do ovo, a dieta do tipo sanguíneo, a dieta da água gelada, essa barriga só resolve com cinta, que corpão, essa menina é um perigo, vai ter que voltar antes de meia-noite, o seu irmão é diferente, menino é outra coisa, vai pela sombra, não sorri pro porteiro, não sorri pro pedreiro, quem é esse menino, se o seu pai descobrir, ele te mata, esse menino é filho de quem, cuidado que homem não presta, não pode dar confiança, não vai pra casa dele, homem gosta é de mulher difícil, tem que se dar valor, homem é tudo igual, segura esse homem, não fuxica, não mexe nas coisas dele, tem coisa que é melhor a gente não saber, não pergunta demais que ele te abandona, o que os olhos não veem o coração não sente, quando é que vão casar, ele tá te enrolando, morar junto é casar, quando é que vão ter filho, ele tá te enrolando, barriga pontuda deve ser menina, é menina.


Disponível em:< https://m.folha.uol.com.br/colunas/gregorioduvivier/2013/09 /1342502-e-menina.shtml>. Acesso em: 12 jul. 2025. 
A crônica de Gregório Duvivier apresenta mecanismos linguísticos que estabelecem uma relação contratual, na qual, para que haja a compreensão do texto, o leitor precisa
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Q3574409 Português
ROMÂNTICOS
Vander Lee

Românticos são poucos
Românticos são loucos desvairados
Que querem ser o outro
Que pensam que o outro é o paraíso
Românticos são lindos
Românticos são limpos e pirados
Que choram com baladas
Que amam sem vergonha e sem juízo
São tipos populares
Que vivem pelos bares
E mesmo certos vão pedir perdão
Que passam a noite em claro
Conhecem o gosto raro
De amar sem medo de outra desilusão
Romântico É uma espécie em extinção
Romântico É uma espécie em extinção [...]

Disponível em:https://www.letras.mus.br/vanderlee/49221/ . Acesso em: 15 jul. 2025.

O tipo textual descritivo marca-se pela apresentação das características de uma pessoa, um objeto ou uma situação, fixos como em uma fotografia. Nesse sentido, o trecho “Românticos são loucos desvairados” da canção de Vander Lee é marcado por
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Q3574408 Português
Eu sei, mas não devia

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. [...]
COLASANTI, Marina. Eu sei, mas não devia. Disponível em: https://www.culturagenial.com/eu-sei-mas-nao-deviamarina-colasanti/. Acesso em: 15 de julho de 2025.

Koch e Elias, em Escrever e Argumentar, dissertam sobre algumas estratégias de progressão textual que auxiliam na construção da argumentação. Sabendo disso, ao ler este trecho do texto de Marina Colasanti, identificamos uma dessas estratégias mencionadas, que é
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Q3574407 Português
Aprender a escrever é, em grande parte, se não principalmente, aprender a pensar, aprender a encontrar ideias e a concatená-las, pois, assim como não é possível dar o que não se tem, não se pode transmitir o que a mente não criou ou não aprovisionou. Quando os professores nos limitamos a dar aos alunos temas para redação sem lhes sugerirmos roteiros ou rumos para fontes de ideias, sem, por assim dizer, lhes “fertilizarmos” a mente, o resultado é quase sempre desanimador: um aglomerado de frases desconexas, malredigidas, malestruturadas, um acúmulo de palavras que se atropelam sem sentido e sem propósito; frases em que procuram fundir ideias que não tinham ou que foram malpensadas ou maldigeridas. Não podiam dar o que não tinham, mesmo que dispusessem de palavras-palavras, quer dizer, palavras de dicionário, e de noções razoáveis sobre a estrutura da frase. É que palavras não criam ideias; estas, se existem, é que, forçosamente, acabam corporificando-se naquelas, desde que se aprenda como associá-las e concatená-las, fundindo-as em moldes frasais adequados. Quando o estudante tem algo a dizer, porque pensou, e pensou com clareza, sua expressão é geralmente satisfatória.

GARCIA, Othon Moacyr. Comunicação em prosa moderna. 27. ed. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2010. p. 301.

Assim como neste trecho, em Comunicação em Prosa Moderna, Garcia defende que a escrita é um processo que envolve:
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Q3574406 Português
A doença da solidão

Da Idade das Pedras à das máquinas inteligentes, a solidão é um sentimento que desafia continuamente o ser humano. Expressa em diferentes culturas e meios artísticos, está no centro da existência da ingênua Amélie Poulain, da rejeitada Macabéa de A Hora da Estrela, do náufrago Chuck Noland, vivido por Tom Hanks, e do bilionário Bruce Wayne, que se transforma em Batman. A sensação de se sentir isolado, mesmo quando rodeado de pessoas, tornou-se, no entanto, um assunto de saúde pública. Como mostram pesquisas recentes, a solidão adoece – literalmente. O alarme acaba de ser soado pela Comissão de Conexão Social da Organização Mundial da Saúde (OMS). 
Em relatório recém-publicado, a entidade revela que quase 20% da população global se considera solitária. Tamanho contingente está mais vulnerável a uma legião de perigos que vão de infarto e derrame a alcoolismo e ideação suicida. Por ano, são mais de 870 000 mortes ligadas ao problema no planeta. Um paradoxo para uma era em que a humanidade nunca esteve tão conectada – ao menos virtualmente.
FELIX, Paula. A doença da solidão. Revista Veja. Editora Abril, São Paulo, v. 2.959, ano 58, n. 28, p. 62, 11 de julho de 2025 (Adaptado).

Com base no texto, o paradoxo mencionado pela autora refere-se
Alternativas
Q3574405 Português
Mutação genética faz pessoas dormirem menos

Passar pouco tempo na cama nem sempre é um problema, aponta estudo. 
Algumas pessoas conseguem se sentir bem, plenamente descansadas, com apenas 4 a 6 horas de sono por noite (bem abaixo das 8 horas necessárias à maioria dos indivíduos). Trata-se de uma condição relativamente rara, que os médicos chamam de "sono naturalmente curto". Ela é real - e, como um novo estudo apontou, tem base genética. Pesquisadores chineses sequenciaram o DNA de pessoas portadoras dessa característica (que costuma ser transmitida dos pais para os filhos), e constataram que elas têm cinco mutações genéticas relacionadas a dormir menos - sendo que uma delas, a N783 Y, parece ser a mais importante. Os cientistas criaram ratos com essa alteração genética, e eles também passaram a precisar de menos sono. Essa mutação altera a capacidade de uma proteína chamada SIK3, que está ligada ao funcionamento do relógio biológico. Estima-se que as mutações estejam presentes em 1% das pessoas - para as demais, dormir pouco continua fazendo mal à saúde.
GARATONNI, Bruno. Mutação genética faz pessoas dormirem menos. Superinteressante. Editora Abril, São Paulo, v. 476, ano 39, n. 6, p. 15, junho de 2025.

Com base no texto, pode-se apontar que
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Q3574404 Português
Gráfico: Representação da oralidade e escrita pelo meio de produção e concepção.

Q7_1.png (274×212)
(MARSCUSCHI, 2010, p.39)

Tabela: Distribuição de quatro gêneros textuais de acordo com o meio de produção e a concepção discursiva.

Q7_2.png (332×105)
(MARSCUSCHI, 2010, p.40)

Assinale a opção que completa adequadamente a coluna domínio da tabela retirada da obra Da fala para a escrita: atividades de textualização. 
Alternativas
Q3574403 Português
Em Preconceito Linguístico: o que é e como se faz, Marcos Bagno afirma que “o preconceito linguístico está ligado, em boa medida, à confusão que foi criada, no curso da história, entre língua e gramática normativa (1999, p.9). Assinale a alternativa que não apresenta um mito sobre a Língua Portuguesa apontado pelo autor.
Alternativas
Respostas
10201: A
10202: D
10203: D
10204: A
10205: C
10206: D
10207: C
10208: D
10209: C
10210: A
10211: E
10212: C
10213: A
10214: C
10215: A
10216: C
10217: E
10218: E
10219: C
10220: C