Questões de Concurso
Comentadas sobre interpretação de textos em português
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“Poderia levá-la imediatamente para mim?”
“Posso”, respondo, batendo recordes de concisão, encorajada pela concisão dele e pela ausência de um “por favor” que a forma interrogativa e o uso do futuro do pretérito não deveriam, a meu ver, desculpar totalmente.
“É muito frágil”, acrescenta, “tome cuidado, por favor”.
A conjugação do imperativo e o “por favor” também não me agradam, tanto mais que ele me acha incapaz de tais sutilezas sintáticas e só as emprega por gosto, sem a cortesia de imaginar que eu poderia me sentir insultada. É tocar o fundo do pântano social ouvir, pelo tom de sua voz, que um rico só se dirige a si mesmo e que, embora as palavras que pronuncia sejam tecnicamente dirigidas a você, ele nem sequer imagina que você seja capaz de compreendê-las.
BARBERY, Muriel. A elegância do ouriço. São Paulo: Companhia das Letras, 2008 (fragmento).
A linguagem utilizada na interpelação à personagem provocou insatisfação por
I.O período: "Se me batessem num lado da face, imediatamente ofereceria outro" - enuncia ideia hipotética através dos tempos verbais: "batessem" (imperfeito do modo subjuntivo) e "ofereceria" (futuro do pretérito do modo indicativo).
II.O (4º§) inicia com um advérbio que faz antônimo com "Não".
III.A palavra destacada na frase: "E, muitas vezes, ficava a sonhar com feitos assim tão extraordinários" - tem o mesmo sentido de "atitudes", "condutas", "práticas", "façanhas".
IV.A oração: "Mas eu disse, às vezes!" - é simples, tem os termos essenciais dispostos na ordem direta, inicia com conjunção coordenativa adversativa, tem pontuação exclamativa e expressão adverbial de tempo.
V.As palavras: "injustiça", "políticas", "serenamente" - se identificam por terem a mesma quantidade de sílabas gramaticais, por todas serem escritas com derivação prefixal e por pertencerem à mesma classe morfológica.
VI.No (6º§), temos frases pontuadas com exclamação e frase pontuada com ideia de questionamento.
Estão CORRETAS, apenas:
Meu tio me instruía a ficar na fila de trás...
Leia o excerto abaixo.
“Perfeccionista, o trabalho de Max, natural de Natal (RN), é irrepreensível. Um CD que ilumina um momento profícuo da música popular brasileira. Do pernambucano Quincas Laranjeiras, MR gravou “Prelúdio em Ré”, “Valsa Para Violão” e “Dores d’Alma”; de João Pernambuco, natural de Jatobá (PE), MR interpretou “Sons de Carrilhões”; e do paraguaio Agustín Barrios, RM gravou “Una limosna Por El Amor de Dios (“El Último Trémulo”) – todos ele belos momentos.”
REIS, Aquiles Rique. O fogo da saudade (bendito motivo). Jornal do Brasil, 19 de fevereiro de 2022. Colunas. Disponível em:
https://www.jb.com.br/colunistas/dicas-do-aquiles/2022/02/1035916-o-fogo-da-saudade.html.
Acesso em: 07 mar. 2022.
A palavra destacada nesse excerto pode ser substituída, sem alteração de sentido ao contexto em que ela foi empregada, por:
Leia o parágrafo a seguir.
“Disputas em torno da autenticidade das histórias, críticas à supressão de trechos e debates sobre como a realidade impacta as narrativas marcam a história do Livro das mil e uma noites, cujos manuscritos remontam ao século IX. Reflexo de estudo iniciado nos anos 1980, obra recém-lançada por Mariza Werneck, professora de antropologia e literatura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), aborda os meandros dessa trajetória, com ênfase nas traduções de autores europeus, a partir do século XVIII. Resultado de outro projeto iniciado há mais de 20 anos, em 2021 Mamede Mustafa Jarouche, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), concluiu o quinto volume da tradução das Noites direto do árabe para o português. O trabalho lança luzes sobre narrativas posteriores, que parecem ter sido escritas para rivalizar com o livro milenar, mas acabaram sendo incorporadas a ele. Em comum, os dois esforços evidenciam como, ao longo dos séculos, a história do livro se confunde com as próprias narrativas que reúne. [...]”
QUEIROZ, Christina. Controvérsias na história do Livro das mil e uma noites. Pesquisa FAPESP, 8 de março de 2022. Literatura. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/controversias-na-historia-do-livro-das-mil-e-uma-noites/. Acesso em: 09 mar. 2022.
A expressão “os dois esforços”, presente no último período desse parágrafo, retoma quais informações citadas no trecho?
Leia atentamente o excerto a seguir.
“Tínhamos o hábito de, ao entrarmos na sala de aula, jogar nossos bonés ao chão para ficarmos com as mãos mais livres. Da soleira da porta nós os atirávamos sobre as carteiras, fazendo-os bater nas paredes para levantar bastante poeira.
Mas, fosse porque não tivesse percebido a manobra ou porque não quisesse praticá-la, o novato mantinha ainda seu boné sobre os joelhos quando acabávamos de rezar. Era uma dessas coisas heterogêneas, onde se encontram os elementos da boina, do “chapska”, do chapéu redondo, do boné de caça e do de algodão, uma dessas pobres coisas cuja muda feiura tem profundezas de expressão como o rosto de um imbecil. Ovoide e armada com barbatanas, começava por três abas circulares; em seguida se alternavam, separadas por uma faixa vermelha, losangos de veludo e de pele de coelho. Logo depois vinha uma espécie de saco que terminava num polígono contornado, trabalhosamente costurado e de onde pendia na ponta de um cordão muito fino, um bordado e fio de ouro. O boné era novo: a pala brilhava.”
FLAUBERT, Gustave. Madame Bovary. Ed. especial (trad. Sérgio Duarte). Rio de Janeiro: Nova Fronteira: 2011.
Com base nos elementos que compõem esse trecho, pode-se afirmar que o tipo textual predominante nele é o:
Leia a tirinha abaixo.

O alívio cômico dessa tirinha reside, principalmente, no
fato de:
Leia o texto a seguir.
Como trabalhar a cultura digital integrada à área de Linguagens no Novo Ensino Médio
Uma das dez competências gerais da BNCC, a cultura digital se refere às mudanças provocadas pela tecnologia na forma como produzimos e consumimos cultura
POR: Camila Cecílio 08 de Março | 2022
Sobre a tela iluminada, dois polegares se movimentam com agilidade ao digitar no teclado minúsculo do celular: “Oi, td bem com vc? A gnt pode se ver no fds? Flw :)”. Abreviações de “tudo”, “você” e “final de semana”, gírias e emojis – pequenas imagens ou ícones que substituem palavras na comunicação virtual – são algumas características da linguagem das redes sociais e de aplicativos de troca de mensagens instantâneas.
Tais formas de comunicação são cada vez mais comuns no dia a dia de jovens e adolescentes, tão antenados à cultura digital, uma das dez competências gerais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que pauta o currículo do Novo Ensino Médio, que começa a ser implementado este ano.
A partir dessa afinidade, o professor de Língua Portuguesa Luiz Fernando Lopes encontrou o gancho ideal para trabalhar variação linguística com seus alunos do 3º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Cônego Jonas Taurino, localizada na periferia de Olinda (PE), e ajudá-los a ter um bom desempenho na redação do último Enem.
Após explicar o conceito de que a língua é um organismo vivo e mutável, que se adapta às situações comunicativas, o docente apresentou exemplos de variações linguísticas e traçou um paralelo entre a linguagem formal e a informal. Em seguida, pediu aos alunos que abrissem um diálogo qualquer no WhatsApp ou no Instagram, os aplicativos mais utilizados pela turma, e transcrevessem no caderno a conversa exatamente como estava no celular.
A próxima etapa foi pegar um modelo de redação do Enem. Ao abordar cada uma das cinco competências avaliadas na prova, Luiz Fernando mostrou aos alunos que, na produção de texto para aquele contexto, a linguagem é completamente diferente daquela utilizada no universo da internet. “Quis chamar a atenção deles para o fato de que era preciso estarem atentos à redação, pois, se trouxessem para o texto recursos como abreviaturas, gírias e afins, iriam se prejudicar em relação à primeira competência da redação, que avalia o domínio da norma padrão da língua portuguesa”, explica.
[...]
CECÍLIO, Camila. Como trabalhar a cultura digital integrada à área de Linguagens no Novo Ensino Médio. Nova Escola, 08 de março de 2022. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/21065/como-trabalhar-a-cultura-digital-integrada-a-area-de-linguagens-e-suas-tecnologias-no-novo-ensino-medio. Acesso em: 09 mar. 2022.
A partir das informações sobre a atividade desenvolvida
pelo professor Luiz Lopes, assinale a alternativa cuja
habilidade da Base Nacional Comum Curricular (BNCC)
apresentada é a que mais se aproxima do objetivo
principal do docente nessa tarefa.

