Questões de Concurso Comentadas sobre funções morfossintáticas da palavra se em português

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Q3873077 Português
A importância de dar uma sumida para o bem da sua saúde mental


The Summer Hunter



         Um estudo recente da Universidade do Kansas, nos Estados Unidos, concluiu que uma "nutrição social equilibrada" é essencial para alcançar o bem-estar. Ou seja, precisamos de interações de qualidade com outras pessoas, mas parar e saber apreciar a nossa própria companhia de vez em quando é fundamental para essa equação.

        Cultivar boas amizades ou relações familiares saudáveis requer saúde emocional para interagir com os outros sem irritação, ressentimento ou aquela sensação de estar cumprindo uma obrigação. É como se todos nós tivéssemos uma bateria social, cujo nível de energia varia conforme o uso e os momentos da vida. Por exemplo, depois de um fim de semana cheio de encontros, é importante ter momentos mais tranquilos. E, às vezes, os compromissos que assumimos no piloto automático acabam adiando essa vontade legítima de passar um tempo cuidando da nossa própria vida.

            Pesquisas já comprovaram que a solitude — ou seja, o tempo que escolhemos passar sem a companhia de outras pessoas, descansando da interação social —, pode trazer mais criatividade, menores níveis de ansiedade e até uma maior rede de amizades. Para conseguir esses momentos, não tem outra forma: é preciso se priorizar, impor limites e dizer alguns "nãos".

          "Às vezes, você quer ficar sozinha, mas acha que, se não for naquele aniversário, as pessoas não vão mais convidar. Nesse momento a gente tem que escolher um desconforto: lidar com o medo de ser considerada uma má amiga ou se trair no desejo de ficar só", diz a escritora e podcaster Natália Sousa. "Esse também é o momento de entender qual é o nó por trás disso: por que estou indo aonde não quero?", completa.

        Hoje em dia, "sumir" do mundo físico pode ser mais fácil do que fazer isso no digital. Isso porque as redes sociais são pensadas para que passemos cada vez mais horas consumindo e produzindo conteúdo, atuando diretamente no "circuito de recompensa". Ou seja, na parte do cérebro que libera doses de dopamina quando um estímulo externo é interpretado como algo prazeroso.

        Uma pesquisa recente realizada pela Unifesp mostrou que 68% dos adolescentes brasileiros sofrem de dependência moderada em relação às tecnologias e mídias sociais, enquanto 20% se enquadram na dependência grave. É por essas e outras que o já conhecido FOMO tem dado lugar ao "FOLO", sigla pra fear of logging off — traduzindo, o medo de ficar desconectado. Mais recorrente em jovens, essa sensação de estar por fora de algo que está rolando no universo digital — seja o meme do momento, seja o que seus amigos estão fazendo — costuma trazer sentimentos como angústia e ansiedade.

      No episódio Ostentação espiritual, do Desenrola, o podcast do The Summer Hunter, o psicanalista Guilherme Facci argumenta que, hoje, postar algo nas redes sociais "é uma maneira de afirmar a própria existência". Se essa afirmação pareceu forte demais para você, pense no estranhamento e na desconfiança que sentimos ao descobrir que certa pessoa não tem redes sociais, ou na preocupação que surge quando alguém próximo fica off-line por algum tempo.

         Se só de pensar nos compromissos que você assumiu para esse fim de semana bateu uma preguiça enorme, talvez seja a hora de dar uma sumida. Para que esses momentos de "isolamento" também sejam prazerosos, além de reservar um tempo para fazer nada, vale tentar praticar hobbies e atividades que você curte.

       Durante esse "recesso social", é uma boa ideia se fazer algumas perguntas que ajudem a entender por que você anda arrastando essa sensação de estar com a bateria social sempre no vermelho — ainda mais agora, com o fim do ano se aproximando. Aonde você tem ido só para agradar os outros? Será que a sua agenda está afastando você do que (e de quem) realmente importa?

         Por via das dúvidas, ao decidir se afastar um pouco da vida social digital e presencial, vale dar um toque nos amigos e familiares mais próximos para evitar preocupações e, depois, curtir um tempo no maravilhoso mundo da solitude off-line. Pode ser útil começar com períodos mais curtos e, depois, se sentir vontade — e tiver a possibilidade —, prolongá-los. Sabe o que vai acontecer se você der uma sumida? Provavelmente, nada. É bem capaz que a maioria das pessoas nem note. É nessas horas que a gente entende que não é tão importante assim — e como isso é ótimo.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2025/11/a-importancia-de-daruma-sumida-para-o-bem-da-sua-saude-mental.shtml Acesso em: 29 nov. 2025

Em “Se essa afirmação pareceu forte demais...”, se é 
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Q3872543 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Janeiro Branco: saúde mental como prioridade

O início de um novo ano costuma ser marcado por reflexões, planejamento e definição de metas. Nesse contexto, a campanha Janeiro Branco ganha relevância ao promover o debate sobre saúde mental, qualidade de vida e equilíbrio emocional. O movimento reforça a importância do autocuidado, da quebra de tabus e da compreensão de que cuidar da mente é uma prioridade coletiva e permanente.

Os dados mostram a dimensão do desafio. A depressão e a ansiedade figuram entre os principais problemas de saúde do século, afetando milhões de pessoas no mundo. No Brasil, os índices são ainda mais alarmantes, o que evidencia que a saúde mental não se restringe ao âmbito individual, mas constitui um problema de saúde pública com impactos diretos nas relações sociais e na produtividade.

É fundamental diferenciar emoções naturais de transtornos mentais. A tristeza é passageira e faz parte da experiência humana, enquanto a depressão e a ansiedade persistem e comprometem o cotidiano, exigindo acompanhamento especializado. Reconhecer sinais e buscar ajuda profissional precocemente são atitudes essenciais para evitar o agravamento do sofrimento.

Em 2026, o Janeiro Branco adota o tema "Paz. Equilíbrio. Saúde Mental", convidando à desaceleração e ao fortalecimento do autocuidado. Mais do que uma campanha, trata-se de um chamado à mudança de postura, ao acolhimento e à valorização do que acontece do lado de dentro.

Texto Adaptado

SIQUEIRA, Karina. Janeiro Branco: saúde mental como prioridade. O Tempo, [s.l.], 7 jan. 2026. Disponível em: https://www.otempo.com.br/opiniao/2026/1/7/janeiro-branco-saude-men tal-como-prioridade . Acesso em: 7 jan. 2026.
No enunciado "trata-se de um chamado à mudança de postura...", a partícula "se" cumpre determinada função sintática e está associada a uma estrutura verbal específica. Com base na gramática normativa e na teoria sintática, assinale a alternativa que apresenta a classificação correta da partícula "se" nesse contexto.
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Q3868754 Português
TEXTO I – Base para responder à questão.


Brasil estagna e tem 29% de analfabetos funcionais; pandemia piorou quadro


O Brasil segue estagnado no analfabetismo funcional, situação em que a pessoa consegue identificar apenas palavras isoladas ou ler frases muito simples. Quase três em cada dez brasileiros (29% da população) entre 15 e 64 anos são incapazes de entender e utilizar de forma eficaz a leitura, a escrita e a matemática em tarefas simples do dia a dia.


Pesquisa Inaf (Indicador de Alfabetismo Funcional) foi divulgada hoje. O estudo foi coordenado pela Ação Educativa e pela consultoria Conhecimento Social, em parceria com Fundação Itaú, Fundação Roberto Marinho, Instituto Unibanco, Unesco e Unicef.



O impacto da pandemia atingiu especialmente os jovens. O percentual de analfabetismo funcional entre a população de 15 a 29 anos subiu de 14% em 2018 para 16% em 2024. A série histórica da pesquisa começou em 2001 e foi interrompida devido à pandemia de covid-19.


Testes foram realizados com 2.554 pessoas de 15 a 64 anos, entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025. A economista Ana Lima, coordenadora do estudo, afirma que os dados surpreenderam negativamente. "Fenômenos desse tipo se movem muito lentamente; não esperávamos nenhuma revolução, mas nos impactou que o freio fosse mais forte do que imaginávamos." 


Desde o início da série histórica, o indicador mostrava uma redução progressiva no número de analfabetos funcionais no país. O aumento de dois pontos percentuais no nível de analfabetismo entre 2015 e 2018, para 29%, não foi considerado relevante, pois ficou dentro da margem de erro da pesquisa —de 2 a 3 pontos percentuais.


A pandemia não afetou apenas a educação formal, que passou a ser realizada a distância, por meio de aulas online, apostilas e até mesmo pelo rádio. "A falta de convivência em outros espaços de letramento, como trabalho, mercado e cinema, parece ter influenciado uma oscilação para baixo nos resultados", afirma Lima.


[...] https://educacao.uol.com.br/noticias/2025/05/05/estagnado-brasil-tem-29-de-analfabetos-funcionais-pandemia-piorou-quadro. htm.
“A falta de convivência em outros espaços de letramento, como trabalho, mercado e cinema, parece ter influenciado uma oscilação para baixo nos resultados.”

A partir do excerto acima, foi realizada uma reescrita com o objetivo do uso do pronome em consonância com a norma culta da língua escrita formal. Dessa forma, assinale a ÚNICA alternativa que atende a esse critério:
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Q3861218 Português
Leia para responder às questões. 

O sistema gastrointestinal desempenha papel essencial na digestão e absorção de nutrientes, mas enfrenta riscos diários devido a hábitos alimentares inadequados e estresse. Doenças como dispepsia, refluxo gastroesofágico e gastroparesia afetam milhões de pessoas, especialmente adultos com diabetes ou hipertensão, causando dor abdominal superior, inchaço pós-refeição e desconforto que piora à tarde ou após as refeições. Prevenir esses problemas exige atenção a sinais leves, como dor epigástrica aliviada pelo jejum, promovendo uma vida saudável e produtiva.


Cuidados Alimentares

Adote uma dieta equilibrada, com refeições menores e frequentes, evitando alimentos gordurosos, picantes ou ácidos que agravam a dispepsia. Consuma fibras de frutas, vegetais e grãos integrais para regular o trânsito intestinal e prevenir constipação, que pode intensificar dores abdominais. Hidrate-se bem e evite jejuns prolongados, priorizando o controle glicêmico em diabéticos para reduzir riscos de gastroparesia.


Hábitos Diários

Mastigue devagar e evite deitar logo após comer, permitindo que o estômago esvazie adequadamente e minimizando refluxo. Pratique exercícios moderados, como caminhadas pós-prandiais, para estimular a motilidade gastrointestinal sem sobrecarga. Reduza o estresse com técnicas de relaxamento, pois ele exacerba sintomas funcionais como plenitude epigástrica.


Consulta e Medicamentos

Monitore sintomas persistentes, como dor leve diária, e consulte um médico para avaliação, especialmente se em uso de antidiabéticos, anti-hipertensivos ou aspirina. Evite automedicação com inibidores de bomba de prótons sem orientação, optando por ajustes personalizados. Exames como endoscopia ajudam a descartar úlceras, garantindo prevenção precoce de complicações graves.
No período "Hidrate-se bem e evite jejuns prolongados", o pronome "se" desempenha função sintática de:
Alternativas
Q3860106 Português
Leia para responder às questões.

A Bruxa dos Bell é uma das lendas mais famosas do folclore americano, originária do condado de Robertson, no Tennessee, no início do século XIX. Tudo começou em 1817, quando a família Bell, liderada pelo fazendeiro John Bell, passou a sofrer assombrações inexplicáveis em sua propriedade rural. Relatos iniciais incluem avistamentos de uma criatura estranha, com corpo de cão e cabeça de coelho, que escapou de tiros e deu início a fenômenos sobrenaturais.

Os eventos escalaram rapidamente com poltergeists: batidas nas paredes, vozes sussurrantes, objetos voando e ataques físicos invisíveis, especialmente contra a filha Betsy Bell. A entidade se autodenominava "Kate", em referência a uma vizinha idosa com quem os Bell disputavam terras, e demonstrava inteligência ao falar, cantar hinos religiosos e prever eventos futuros com precisão assustadora. Vizinhos e até o general Andrew Jackson visitaram a fazenda, testemunhando fenômenos que os deixaram atônitos.

Em 1820, John Bell caiu gravemente doente, com sintomas de envenenamento, morrendo após a entidade prometer sua morte e celebrar com risadas macabras. Antes de falecer, Bell deixou uma garrafa de líquido que a "bruxa" destruiu, alegando ser o veneno. A família enterrou o frasco vazio, e a assombração prometeu retornar em 1828 e 107 anos depois, em 1935, marcando o fim do primeiro ciclo de terror.

A lenda persiste até hoje, atraindo turistas à caverna da Bruxa Bell, onde vozes e presenças ainda são relatadas. Inspirou livros, como a "História de Tennessee" de 1887, e filmes como "An American Haunting", consolidando-se como um marco do sobrenatural nos Estados Unidos, misturando folclore local com elementos de vingança e mistério eterno.
No trecho "A entidade se autodenominava 'Kate', em referência a uma vizinha idosa", o termo destacado desempenha função sintática de:
Alternativas
Q3856560 Português
Texto CG1A1-I


    Em 5 de junho, comemora-se o Dia Mundial do Meio Ambiente. Por isso, destaca-se, neste texto, a importância da água para a economia brasileira. Segundo o terceiro número das Contas econômicas ambientais da água: Brasil 2018-2020, lançado, em 2023, pelo IBGE em parceria com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, foram retirados, em 2020, do meio ambiente brasileiro 4,1 milhões de hectômetros cúbicos (hm3 ) de água para integrar o sistema econômico do país. A atividade de eletricidade e gás foi a que mais captou água (85,1%), mas não a consumiu, pois apenas a utilizou para movimentar turbinas geradoras de energia elétrica e a devolveu à natureza. As atividades de coleta de águas pluviais tampouco consomem a água que captam.

    Excluídas essas duas atividades, chega-se às que consomem a água captada (14% do total). As principais atividades econômicas que consomem a água que captam são a agricultura, a pecuária, a produção florestal, a pesca e a aquicultura (95,2%); e a captação, o tratamento e a distribuição de água (3,5%). Os volumes consumidos são, de uma forma ou de outra, devolvidos à natureza, mas muitas vezes tão modificados que seu reúso depende de grandes esforços de recuperação.

    No caso das atividades da agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, 92,4% do volume retirado em 2020 originou-se da água armazenada no solo, usada principalmente para a agricultura não irrigada. Essa atividade também retirou a maior parte das águas superficiais e subterrâneas, pois respondeu por 58,2% dos 71,2 mil hm3 diretamente captados naquele ano, seguida pelas de captação, tratamento e distribuição de água (27,9%) e pelas indústrias de transformação e construção (8,4%).


Pesquisa FAPESP, n.º 340, ano 25, jun./2024, p. 37 (com adaptações). 
Julgue os seguintes itens, que se referem a aspectos gramaticais do seguinte trecho do texto CG1A1-I: “Em 5 de junho, comemora-se o Dia Mundial do Meio Ambiente. Por isso, destaca-se, neste texto, a importância da água para a economia brasileira.” (primeiro e segundo períodos do primeiro parágrafo).

I O pronome “se” tem a mesma função gramatical em suas duas ocorrências no trecho. 
II No primeiro período, a vírgula separa o sujeito do predicado.
III No segundo período, o verbo da oração estabelece concordância com o termo “importância”.

Assinale a opção correta.
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Q3850808 Português
Assinale a alternativa em que a colocação pronominal está correta. 
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Q3843564 Português

Texto para a questão.



Exercício físico pode aumentar chance de sobrevivência

de pacientes com câncer, indica pesquisa


    Um programa de exercícios voltado a pacientes com câncer colorretal pode reduzir o risco de morte em um terço, revela um importante estudo internacional.


    Os pesquisadores disseram que “não se trata de uma grande quantidade” de exercícios e que qualquer tipo de atividade física, desde natação até aulas de salsa, já conta pontos positivos.


    Os resultados podem mudar a forma como esse tipo de tumor é tratado em todo o mundo, avaliam especialistas.


    Cientistas já investigam se programas de exercícios também poderiam melhorar a sobrevida de pessoas com outras doenças, como o câncer de mama.


    “Trata-se de uma mudança de mentalidade, de pensar no tratamento como algo que você faz, não apenas algo que você toma”, avalia a pesquisadora Vicky Coyle, da Queen’s University, em Belfast, na Irlanda do Norte.


    No estudo, o programa de exercícios começou logo após a quimioterapia e os pacientes foram acompanhados por anos.


    O objetivo era fazer com que as pessoas praticassem pelo menos o dobro da quantidade de exercícios estabelecida nas diretrizes para a população em geral.


    Isso significa de três a quatro sessões de caminhada rápida por semana, com duração de 45 a 60 minutos, estima a professora Coyle.


    Os participantes também tiveram acesso a sessões semanais de treinamento presencial durante os primeiros seis meses. Posteriormente, esses encontros foram reduzidos a uma vez por mês.


    O estudo, que envolveu 889 pacientes, incluiu metade dos voluntários no programa de exercícios.


    A outra parcela apenas recebeu folhetos que traziam informações sobre um estilo de vida saudável.


    Os resultados publicados no periódico acadêmico New England Journal of Medicine revelaram que em cinco anos:


    • 80% das pessoas que se exercitaram permaneceram livres do câncer;


    • No grupo que só recebeu os folhetos, essa taxa foi de 74%;


    • Essa diferença representa uma redução de 28% no risco de recidiva ou de formação de um novo tumor;


    • Enquanto isso, oito anos após o início do tratamento contra o câncer;


    • 10% das pessoas no programa de exercícios morreram;


    • No grupo que recebeu os folhetos, essa porcentagem foi de 17%;


    • Essa diferença representa um risco de morte 37% menor na parcela dos voluntários que fez o programa de treinamentos.


Internet: (com adaptações).

Com base no trecho “Os pesquisadores disseram que ‘não se trata de uma grande quantidade’ de exercícios”, assinale a opção correta.
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Q3834391 Português
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere.


Texto 01  


Porta aberta 


Havia muitos e-mails à minha espera, a propósito da minha crônica sobre os telefones celulares. Vocês se lembram de que terminei dizendo: “Tenho medo do e-mail. Tenho medo do celular”. Pois um dos meus leitores me sugeria (com uma pitadinha de ironia...) uma fórmula simples de pôr fim ao meu medo do e-mail: bastava que eu o desativasse. Isso, jamais. Se eu fosse movido a medo, há muito teria me mudado para um mosteiro no alto de uma montanha, para fugir do medo que a cidade me dá. Não há dúvidas de que a vida transcorre com mais tranquilidade na solidão dos mosteiros. Mas o preço de não ter medo é o tédio. Continuarei com o meu e-mail aberto a todos, mesmo correndo o risco das invasões de intrusos. As alegrias compensam. As cartas – que ainda continuam válidas quando o que está em jogo é o amor – nunca serão substituídas por um e-mail, pela simples razão de que não é possível por um e-mail debaixo do travesseiro – somente questões graves e compridas mereciam a trabalheira. Com o e-mail, entretanto, ficou fácil dizer coisas leves e rápidas que, no tempo das cartas, não eram ditas. [...]


Fonte: ALVES, Rubem. Porta aberta. Disponível em: https://www.opergaminho.com.br/opiniaoporta-aberta. Acesso em: 23 dez. 2025. Adapta
Em “Se eu fosse movido a medo, há muito teria me mudado para um mosteiro no alto de uma montanha [...]”, a palavra “se” foi usada indicando uma
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Q3834241 Português
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere.


Texto 01  


Porta aberta 


Havia muitos e-mails à minha espera, a propósito da minha crônica sobre os telefones celulares. Vocês se lembram de que terminei dizendo: “Tenho medo do e-mail. Tenho medo do celular”. Pois um dos meus leitores me sugeria (com uma pitadinha de ironia...) uma fórmula simples de pôr fim ao meu medo do e-mail: bastava que eu o desativasse. Isso, jamais. Se eu fosse movido a medo, há muito teria me mudado para um mosteiro no alto de uma montanha, para fugir do medo que a cidade me dá. Não há dúvidas de que a vida transcorre com mais tranquilidade na solidão dos mosteiros. Mas o preço de não ter medo é o tédio. Continuarei com o meu e-mail aberto a todos, mesmo correndo o risco das invasões de intrusos. As alegrias compensam. As cartas – que ainda continuam válidas quando o que está em jogo é o amor – nunca serão substituídas por um e-mail, pela simples razão de que não é possível por um e-mail debaixo do travesseiro – somente questões graves e compridas mereciam a trabalheira. Com o e-mail, entretanto, ficou fácil dizer coisas leves e rápidas que, no tempo das cartas, não eram ditas. [...]


Fonte: ALVES, Rubem. Porta aberta. Disponível em: https://www.opergaminho.com.br/opiniaoporta-aberta. Acesso em: 23 dez. 2025. Adapta
Em “Se eu fosse movido a medo, há muito teria me mudado para um mosteiro no alto de uma montanha [...]”, a palavra “se” foi usada indicando uma 
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Q3833701 Português
Texto 01


Dezembrite


Chega dezembro e, com o calor, as luzinhas piscando nas janelas, o Papai Noel em todos os lugares e as músicas natalinas que fazem a trilha sonora das compras, aparece uma sensação difícil de nomear. Para muita gente, o período entre o Natal e o Réveillon não é só festa. É cansaço acumulado, é a grama do vizinho mais verde, são as cobranças pelas metas que não foram cumpridas e a impressão de que todo mundo está celebrando, menos você. Não à toa, essa depressão sazonal ganhou até apelido: “dezembrite”.

Antônia Burke, psicanalista e educadora socioemocional, comenta que o calendário tem um efeito psicológico poderoso. “O fim do ano funciona como um espelho cheio de luz, iluminando aquilo que não deu certo, o que está faltando, o que a gente não conseguiu controlar”, diz. Nesse cenário, as redes sociais lotadas de fotos de viagens aparentemente incríveis e conquistas editadas podem fazer com que a pessoa conclua que é uma fracassada. “Ficamos com a impressão de que nossa vida é horrível, de que a gente é incompetente”, afirma.

A médica psiquiatra Vanessa Fávaro, assistente do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP, lembra que esse momento mistura fechamento de ciclo, reuniões familiares, festas da firma e expectativas em relação ao futuro. “É uma época em que as pessoas ficam muito emotivas e emocionadas, às vezes até apresentam um quadro de mais tristeza mesmo, de desânimo”, observa.

Isso não significa que toda tristeza que chega em dezembro seja um episódio depressivo. A diferença, resume Fávaro, está na intensidade, na duração e no quanto esse estado passa a prejudicar a rotina. [...] Há caminhos possíveis para atravessar esse período com menos opressão e mais autocuidado com a saúde mental. Eles não anulam a melancolia, o luto ou a frustração, mas ajudam a reorganizar, com carinho, a maneira como olhamos para os doze meses que passaram e para os que vêm pela frente — afinal, é como canta Simone: “O ano termina e nasce outra vez”. Porém, “A esperança não é um botão que a gente aperta, é consequência de pequenas reorganizações internas e externas”, sintetiza Burke. [...]


Disponível em: https://gamarevista.uol.com.br/semana/. Acesso: 21 dez. 2025. Adaptado. 





Texto 02 


Ano Novo

Ficção de que começa alguma coisa!

Nada começa: tudo continua.

Na fluida e incerta essência misteriosa

Da vida, flui em sombra a água nua.

Curvas do rio escondem só o movimento.

O mesmo rio flui onde se vê.

Começar só começa em pensamento.  


Disponível em: https://www.pensador.com/poemas_de_ano_novo/. Acesso em: 22 dez. 2025. 
Em “O mesmo rio flui onde se vê.”, em relação ao pronome “se”, verifica-se, de acordo com a norma, o uso da 
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Q3833006 Português
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere. 


Texto 01 


Porta aberta


Havia muitos e-mails à minha espera, a propósito da minha crônica sobre os telefones celulares. Vocês se lembram de que terminei dizendo: “Tenho medo do e-mail. Tenho medo do celular”. Pois um dos meus leitores me sugeria (com uma pitadinha de ironia...) uma fórmula simples de pôr fim ao meu medo do e-mail: bastava que eu o desativasse. Isso, jamais. Se eu fosse movido a medo, há muito teria me mudado para um mosteiro no alto de uma montanha, para fugir do medo que a cidade me dá. Não há dúvidas de que a vida transcorre com mais tranquilidade na solidão dos mosteiros. Mas o preço de não ter medo é o tédio. Continuarei com o meu e-mail aberto a todos, mesmo correndo o risco das invasões de intrusos. As alegrias compensam. As cartas – que ainda continuam válidas quando o que está em jogo é o amor – nunca serão substituídas por um e-mail, pela simples razão de que não é possível por um e-mail debaixo do travesseiro – somente questões graves e compridas mereciam a trabalheira. Com o e-mail, entretanto, ficou fácil dizer coisas leves e rápidas que, no tempo das cartas, não eram ditas. [...]


Fonte: ALVES, Rubem. Porta aberta. Disponível em: https://www.opergaminho.com.br/opiniaoporta-aberta. Acesso em: 2
Em “Se eu fosse movido a medo, há muito teria me mudado para um mosteiro no alto de uma montanha [...]”, a palavra “se” foi usada indicando uma 
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Q3832713 Português

Em defesa do dicionário


Por William Campos da Cruz


texto.png (866×710)


(CRUZ, William Campos da. Tudo converge para o texto: gramática, escrita e leitura. 1ª ed. - Rio de Janeiro: Eleia Editora, 2024 – texto adaptado especialmente para esta prova).

Analise os trechos retirados do texto e assinale a alternativa em que o vocábulo “se” é classificado como conjunção integrante. 
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Q3826307 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Ordem na casa



Você é uma pessoa boa. Do tipo que se esforça para agradar todo mundo, releva deslizes alheios, se culpa quando comete os próprios deslizes, elogia, consola, dá conselhos. Tem autocontrole e engole sapos. Como boa menina, aprendeu que não é legítimo sentir raiva e, de tanto reprimi-la, vive com a barriga estufada e o intestino preso.


Você não percebe, mas quem te comanda é um gigante, um Super Gigante. Um tirano que te olha de cima, aponta o dedo, não aceita notas baixas.


Ele te faz de refém, te mantém em cativeiro, e você se submete a isso.


Permite que ele dê as cartas porque tem medo. Medo de ser excluída, ser alvo de críticas e desamor.


Mas chega uma hora em que tem que pôr ordem na casa. Pois, por trás de toda docilidade e condescendência, também existe uma fera.


Uma fera que não quer acatar as ordens do Gigante e deseja mostrar sua autenticidade, seus gostos, seus acertos e desacertos.


Uma fera que deseja revelar que não é perfeita, que não tem que provar nada a ninguém, que quer ser amada mesmo que fuja do combinado; que é capaz de falar alto, de impor limites, de se proteger.


A fera é seu lado mais irreverente, transgressor, autêntico. E às vezes você precisa escutá-la. Às vezes tem que abrir a jaula e deixá-la sair.


Porque ninguém é de ferro.


E você tem que aprender a se aceitar.

A entender que a culpa te paralisa e não permite que você seja quem é. Simplesmente quem é.

Mas quem te faz se sentir culpada? Quem aponta o dedo para você?


Seus fantasmas, seu passado, sua educação rígida?

Ou você mesma? O Super que há em você?

Coloque ordem na casa.


Não seja a primeira a se esconder por trás de um véu de justificativas quando o que você quer é assumir que não sabe cozinhar, que se apavora quando tem que dirigir, que está cansada para ir à balada, estressada com as visitas em casa, que prefere recusar um convite “irrecusável”, que não dá pra quebrar um galho pro seu irmão hoje, que não pode emprestar uma grana, que não consegue gostar do perfume que ganhou do namorado, que tem medo de expor um deslize do passado.


Nem tudo são imperfeições. E, se for, faz parte também.


Você também erra, também se atrasa, também se irrita, também tem vontade de mandar tudo praquele lugar. E nem por isso será menos digna.


Nem por isso terá menos amor.


Só por isso será mais feliz. Só por isso será mais leve.

Por dentro e por fora.


(Fabiola Simões. A soma de todos os afetos.)

“Você também erra, também se atrasa, (...) também tem vontade de mandar tudo praquele lugar.” Falhou a análise do excerto em:
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Q3825704 Português
Texto 12A1-I

        Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este é levado meio a tapas pelas personagens e situações que, azar dele, criou porque quis. Com um prosador do cotidiano, a coisa fia mais fino. Senta-se ele diante de sua máquina, acende um cigarro, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação um fato qualquer, em que possa injetar um sangue novo. Se nada houver, resta-lhe o recurso de olhar em torno e esperar que, através de um processo associativo, surja-lhe de repente a crônica, provinda dos fatos e feitos de sua vida. Ou então, em última instância, recorrer ao assunto da falta de assunto, já bastante gasto, mas do qual, no ato de escrever, pode surgir o inesperado. 

        Alguns fazem-no de maneira simples e direta, sem caprichar demais no estilo, mas enfeitando-o aqui e ali. Outros, de modo lento e elaborado, que o leitor deixa para mais tarde como um convite ao sono: a estes se lê como quem mastiga com prazer grandes bolas de chicletes. Outros, ainda, “tacam peito” na máquina e cumprem o dever cotidiano da crônica, numa atitude ou-vai-ou-racha. Há os eufóricos, cuja prosa procura sempre infundir vida e alegria em seus leitores, e há os tristes, que escrevem com o fito exclusivo de desanimar o gentio não só quanto à vida, como quanto à condição humana e às razões de viver. Há também os modestos, que ocultam cuidadosamente a própria personalidade atrás do que dizem e, em contrapartida, os vaidosos, que castigam no pronome na primeira pessoa e colocam-se geralmente como a personagem principal de todas as situações. Como se diz que é preciso um pouco de tudo para fazer um mundo, todos estes “marginais da imprensa”, por assim dizer, têm o seu papel a cumprir. Uns afagam vaidades, outros as espicaçam; estes são lidos por puro deleite, aqueles por puro vício. Mas uma coisa é certa: o público não dispensa a crônica.

Vinícius de Moraes. O exercício da crônica. Para viver um grande amor.
São Paulo: Companhia das Letras, 2010 (com adaptações)
No texto 12A1-I, o vocábulo “se”, em “colocam-se geralmente como a personagem principal de todas as situações” (quinto período do segundo parágrafo), caracteriza-se como
Alternativas
Q3815099 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Pois não é suficiente ter o espírito bom, o principal é aplicá-lo bem. As maiores almas são capazes dos maiores vícios, tanto quanto das maiores virtudes, e os que andam muito lentamente podem avançar muito mais, se seguirem sempre o caminho reto, do que aqueles que correm e dele se distanciam.


René Descartes


https://www.pensador.com/textos_de_grandes_pensadores/

No período "As maiores almas são capazes dos maiores vícios, tanto quanto das maiores virtudes, e os que andam muito lentamente podem avançar muito mais, se seguirem sempre o caminho reto, do que aqueles que correm e dele se distanciam.", o vocábulo "se" aparece duas vezes, exercendo funções distintas. Assinale a alternativa que classifica corretamente a classe gramatical e a função sintática dessas ocorrências.
Alternativas
Q4043075 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A revolução discreta da cidade italiana que virou alternativa ao turismo excessivo de Veneza

O ar está impregnado de sal e manteiga quando uma tigela de tagliatelle com anchovas e ovas de bacalhau chega à mesa junto ao canal. A garçonete serve vinho branco e elogia a Primiero Botìro, manteiga alpina feita com leite cru, "mais saborosa nesta época".

É setembro em Treviso, cidade encantadora e discreta do norte da Itália, muitas vezes apenas ponto de passagem rumo à vizinha Veneza. Cercada por muralhas e cortada por canais, é berço do tiramissu e símbolo do vinho pró seco.

Recentemente, Treviso tornou-se a primeira cidade italiana a conquistar o European Green Leaf Award, da União Europeia, que reconhece o compromisso ambiental de cidades médias. Com cerca de noventa e quatro mil habitantes, transformou um aterro em parque solar, recuperou canais e criou projetos de biodiversidade que melhoraram a qualidade do ar.

A iniciativa se estende às Colinas de Prosecco, tombadas pela Unesco, onde produtores adotam práticas sustentáveis. O contraste com Veneza é evidente: enquanto a vizinha ainda sofre com turismo excessivo e poluição, Treviso cresce com equilíbrio. A taxa cobrada de visitantes em Veneza arrecada milhões, mas não reduziu significativamente o fluxo diário de turistas.

"Temos muito orgulho da nossa cidade", afirma o vice-prefeito Alessandro Manera. "O prêmio mostra quem está melhorando, não quem é mais bonita." Desde o início da missão sustentável, há sete anos, Treviso ampliou ciclovias, implantou reciclagem escolar e plantou seis mil árvores — essenciais para purificar o ar do Vale do Pó. O sistema de esgoto, antes restrito a 27% da população, já atende 64% e deve alcançar 80%.

Conhecida como "pequena Veneza", Treviso tem nos canais sua alma. "Eles são os protagonistas", diz a guia Ilaria Barbon. "A água moldou a cidade desde o século 16." Hoje, a qualidade hídrica é excelente, e o aplicativo Free Aqua permite monitorar o abastecimento. A prefeitura distribui garrafas de alumínio nas escolas para atingir a meta de plástico zero.

Antigos moinhos do século 16 voltaram a gerar energia, e um deles abastece o mercado central de peixes. Outro projeto, de vinte e cinco milhões de euros, substituirá toda a iluminação pública por LED, reduzindo o consumo em 70%.

A guia Annalisa De Martin conduz passeios de bicicleta pelos canais e termina com tiramissu, sobremesa criada ali no século 18. Treviso também é famosa pelo radicchio, usado em risotos, molhos, doces e até em uma versão inusitada da sobremesa durante a "Copa do Mundo do Tiramissu".

Nas colinas de Prosecco, o enólogo Sandro Bottega relata os efeitos das mudanças climáticas: verões secos e granizo fora de época reduziram as colheitas. Para reagir, os produtores adotam adubação verde, energia solar e climatização geotérmica.

Assim, Treviso consolida-se como exemplo de harmonia entre tradição e inovação — uma cidade que une história, sustentabilidade e os prazeres simples da boa comida, da água limpa e da consciência ambiental.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cvgk71mjnz2o.adaptado.
Treviso consolidou-se como exemplo de harmonia entre tradição e inovação.
Em se tratando de colocação pronominal, é correto afirmar que: 
Alternativas
Q4042962 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A revolução discreta da cidade italiana que virou alternativa ao turismo excessivo de Veneza

O ar está impregnado de sal e manteiga quando uma tigela de tagliatelle com anchovas e ovas de bacalhau chega à mesa junto ao canal. A garçonete serve vinho branco e elogia a Primiero Botìro, manteiga alpina feita com leite cru, "mais saborosa nesta época".

É setembro em Treviso, cidade encantadora e discreta do norte da Itália, muitas vezes apenas ponto de passagem rumo à vizinha Veneza. Cercada por muralhas e cortada por canais, é berço do tiramissu e símbolo do vinho pró seco.

Recentemente, Treviso tornou-se a primeira cidade italiana a conquistar o European Green Leaf Award, da União Europeia, que reconhece o compromisso ambiental de cidades médias. Com cerca de noventa e quatro mil habitantes, transformou um aterro em parque solar, recuperou canais e criou projetos de biodiversidade que melhoraram a qualidade do ar.

A iniciativa se estende às Colinas de Prosecco, tombadas pela Unesco, onde produtores adotam práticas sustentáveis. O contraste com Veneza é evidente: enquanto a vizinha ainda sofre com turismo excessivo e poluição, Treviso cresce com equilíbrio. A taxa cobrada de visitantes em Veneza arrecada milhões, mas não reduziu significativamente o fluxo diário de turistas.

"Temos muito orgulho da nossa cidade", afirma o vice-prefeito Alessandro Manera. "O prêmio mostra quem está melhorando, não quem é mais bonita." Desde o início da missão sustentável, há sete anos, Treviso ampliou ciclovias, implantou reciclagem escolar e plantou seis mil árvores — essenciais para purificar o ar do Vale do Pó. O sistema de esgoto, antes restrito a 27% da população, já atende 64% e deve alcançar 80%.

Conhecida como "pequena Veneza", Treviso tem nos canais sua alma. "Eles são os protagonistas", diz a guia Ilaria Barbon. "A água moldou a cidade desde o século 16." Hoje, a qualidade hídrica é excelente, e o aplicativo Free Aqua permite monitorar o abastecimento. A prefeitura distribui garrafas de alumínio nas escolas para atingir a meta de plástico zero.

Antigos moinhos do século 16 voltaram a gerar energia, e um deles abastece o mercado central de peixes. Outro projeto, de vinte e cinco milhões de euros, substituirá toda a iluminação pública por LED, reduzindo o consumo em 70%.

A guia Annalisa De Martin conduz passeios de bicicleta pelos canais e termina com tiramissu, sobremesa criada ali no século 18. Treviso também é famosa pelo radicchio, usado em risotos, molhos, doces e até em uma versão inusitada da sobremesa durante a "Copa do Mundo do Tiramissu".

Nas colinas de Prosecco, o enólogo Sandro Bottega relata os efeitos das mudanças climáticas: verões secos e granizo fora de época reduziram as colheitas. Para reagir, os produtores adotam adubação verde, energia solar e climatização geotérmica.

Assim, Treviso consolida-se como exemplo de harmonia entre tradição e inovação — uma cidade que une história, sustentabilidade e os prazeres simples da boa comida, da água limpa e da consciência ambiental.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cvgk71mjnz2o.adaptado.
Treviso consolidou-se como exemplo de harmonia entre tradição e inovação.
Em se tratando de colocação pronominal, é correto afirmar que:
Alternativas
Q4037764 Português

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E a onda levou...


Paralisado na areia da praia, Pedro Rocha sentiu a mente tomada por lembranças e inquietações enquanto caminhava, sem perceber, em direção ao mar. A luz do crepúsculo refletida na água parecia formar um caminho que o conduzia a um lugar de paz, como se alguém o chamasse de longe. Diante daquela imensidão, suas pegadas eram os únicos sinais de sua existência. 


Ao tocar as ondas, lágrimas se misturaram à água salgada enquanto tentava afastar pensamentos angustiantes. Deixou-se levar pela correnteza, afastando-se da orla sem se dar conta de que, sozinho, não poderia retornar. Durante alguns instantes, experimentou uma sensação de alívio, ouvindo apenas o mar, o vento e as gaivotas — até que a calmaria se desfez.


O mar tornou-se turbulento, e Pedro foi dominado pela força das ondas, como se seus próprios medos o empurrassem para baixo. Lembrou-se da família e percebeu o absurdo de sua fuga, mas já não conseguia lutar. Quando enfim se deixou submergir, viu ao redor a vida marinha em contraste com o arrependimento que o assolava — até sentir novamente a firmeza da areia sob o corpo.


Alguns turistas o encontraram adormecido próximo à maré, e Pedro despertou assustado, percebendo que jamais saíra da orla: tudo não passara de um sonho carregado de conflitos. Levantou-se em silêncio e caminhou até o carro, certo de que aquela experiência — real ou imaginada — significava uma nova chance. Ao ligar o motor, retomou sua rotina com outros olhos, entendendo que o mar não era o lugar para descarregar suas dores. 


Texto Adaptado


LIMA, Erickaline Bezerra de. E a onda levou... Disponível em: https://repositorio.ufrn.br/server/api/core/bitstreams/1d8f32b3-734e-401 a-85d8-69f95fa8be05/content . Acesso em: 21 nov. 2025. 

Considerando a forma verbal "Lembrou-se" em "Lembrou-se da família e percebeu o absurdo de sua fuga, mas já não conseguia lutar", assinale a alternativa que apresenta a análise correta sobre a regência e o uso do pronome oblíquo, indicando o que ocorreria se o verbo fosse empregado sem o pronome "se".
Alternativas
Q4037646 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


A velha


A velha um dia despirocou. Era como se uma sirene ambulatorial gritasse corredor adentro. Não se debruçava mais sobre os muros, janelas e balcões a colher as memórias sórdidas dos vizinhos e familiares.


Emudeceu oca e aquele olhar de ave de rapina que saltava curioso sobre o mundo a abandonou.


Era um corpo todo abandonado, como se o brilho da carne viva tivesse ganho a opacidade de um porco decapitado, daqueles abatidos e expostos nos açougues, e num silêncio-pânico daquela madrugada, algo lhe foi extorquido.


Desde a aparição do vírus na narrativa cotidiana, a velha ficou alerta. Observava tudo amedrontada. Era máscara na cara, os dedos ensopados de álcool e uma solidão corrosiva que havia se alojado como sua parceira de quarto.


Desassistida engolia a vida em atropelo: o café, a cápsula de antipsicótico, a bolacha Maria, tudo ingerido a contragosto. A resistência se via nos resíduos constantes entre os dentes que a velha puxava com os dedos, agoniada na tentativa de limpar.


Vivendo em cárcere privado, a velha não se lavava mais, não falava ao telefone e desistira do mundo que lhe privara de existir.


Assistia apática ao noticiário que calculava constantemente um cadáver a mais no número de mortos.


O calendário a engolia, arrancando-lhe as gramas, as dobras, as memórias de cinquenta anos atrás que ela recebia contrariada, e a casa agora era assombrada pelos defuntos do pai, do avô e da mãe que morrera quando completara a idade agora da filha. Todos a indagavam, pediam explicações, e ela, confusa, balbuciava respostas inaudíveis.


Não havendo mais o presente para lhe invadir os dias, o passado adentrava sua morada espaçoso. Os pássaros esbravejavam irritados desde que a velha desfalecera. No pote de alpiste vazio gotejava um pingo barrento que escorria da telha, e a velha não dormia, perturbada pelo berrante som da vida exterior.


Era estranha esta sensação de estar trancada sem ao menos passar as chaves na porta. Do que adiantava a liberdade das frestas entreabertas se a morte caçava os aposentados nas calçadas, parques e botecos?


BRISOLARA, Maria Isabel Teixeira. A velha. In: UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Pandemia em contos. Florianópolis: UFSC, 2023. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/244169/Pandemi a_em_contos-Ebook-2fev23.pdf?sequence=1&isAllowed=y . Acesso em: 21 nov. 2025.

Na frase "Era máscara na cara, os dedos ensopados de álcool e uma solidão corrosiva que havia se alojado como sua parceira de quarto", os termos "que" e "se" exercem funções morfossintáticas distintas. Com base na norma-padrão da gramática da Língua Portuguesa, assinale a alternativa que apresenta a classificação correta desses termos.
Alternativas
Respostas
41: B
42: C
43: B
44: D
45: D
46: C
47: E
48: B
49: D
50: D
51: E
52: D
53: C
54: B
55: A
56: A
57: D
58: D
59: B
60: C