Questões de Concurso Sobre funções da linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética. em português

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Q4132871 Português
Observe a imagem a seguir para responder à questão.


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Disponível em: https://www.instagram.com/p/DUBu959jyFX/?utm_source=ig_web_c opy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA== Acesso em 17/05/2026.
Considerando os elementos verbais e visuais do texto, bem como o uso social da expressão “planta, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4132863 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

BBB: O ESPELHO QUE A GENTE EVITA — MAS NÃO CONSEGUE PARAR DE OLHAR

Patrícia Silva Rosas de Araújo

    O que parecia improvável aconteceu: voltei a assistir ao Big Brother Brasil. Minha única referência era a estreia, em 2002. Naquele tempo, o país inteiro ficou meio hipnotizado ao ver desconhecidos topando o confinamento numa casa cenográfica, cercados por câmeras 24 horas por dia. A lógica segue a mesma até hoje: participantes isolados do mundo, convivendo sob pressão, enfrentando provas, formando alianças, votando uns nos outros e sendo eliminados semanalmente pelo público até que reste um vencedor levando um prêmio milionário.
     Voltei agora meio sem querer. Procurava distração num ano que já começou pesado: conflitos internacionais que não cessam, clima eleitoral sempre turvo, alianças políticas difíceis de engolir e até a ansiedade pré-Copa do Mundo, com aquela sensação incômoda de não saber direito quem são nossos craques. 2026 mal começou e já parece cansado.
    Nessas horas, a gente tenta escapar por algum canto. Eu, por exemplo, estava esperando a nova temporada de Virgin River. Veio e me decepcionou. A vida de Mel e Jack virou um acúmulo interminável de problemas. Chega uma hora em que cansa. Lembrei de Maya Angelou: "Cada pessoa merece um dia no qual nenhum problema é enfrentado, nenhuma solução é procurada." A série parece não ter entendido isso. Esse desvio todo talvez soe como justificativa. E é mesmo, um pouco. Porque, convenhamos, uma professora universitária tem uma lista infinita de tarefas: aulas, orientações, projetos, reuniões, bancas. Onde entra o BBB nisso tudo?
    Entrei sem compromisso, como quem abre a janela só para ver o tempo. Mas o que encontrei não foi exatamente descanso.
    A premissa é simples e cruel: coloque pessoas diferentes, algumas com histórias mal resolvidas entre si, dentro da mesma casa, sob vigilância constante e com um prêmio que pode ultrapassar os cinco milhões de reais. Pronto. Está montado o experimento social mais popular do país. E, como em todo experimento, o que aparece ali diz mais sobre nós do que gostaríamos de admitir.
    Dessa edição, duas coisas têm me chamado atenção.
    A primeira: casa nenhuma é neutra. Toda casa é um campo de disputa, com ou sem prêmio milionário. Convivência é negociação o tempo todo. Há sempre quem queira ordem, rotina, controle. E há quem viva melhor no improviso, tomando café na primeira caneca que aparecer, ou até num copo de extrato de tomate. Dentro de quatro paredes, essas diferenças não desaparecem, elas se amplificam. A casa vira uma panela de pressão. A gente regula o fogo como pode, mas qualquer descuido faz a válvula chiar. A segunda: somos, em grande medida, cegos para nós mesmos. Não temos muita noção do peso das nossas palavras, dos nossos silêncios, dos nossos gestos. No confinamento, isso se intensifica.
    A falsa sensação de intimidade embaralha tudo. Quando os participantes saem assistem ao que fizeram lá dentro, o espanto é quase sempre o mesmo. "Eu não sou assim." "Ali dentro é diferente." “Era o jogo." E difícil sustentar a própria imagem quando ela volta editada, repetida, ampliada na tela.
    Confesso que um dos momentos que mais me interessam é justamente a eliminação. Quando o participante deixa a casa e encara o mundo de novo, não tem como não lembrar do Mito da Caverna de Platão. Lá dentro, tudo parece fazer sentido. Aqui fora, a luz incomoda. Ver-se de fora exige um tipo de coragem que nem todo mundo tem.
    No fim, fico com uma dúvida que não é simples: o que realmente molda o comportamento de quem está ali? É o dinheiro em jogo, capaz de justificar quase qualquer estratégia? Ou é a vigilância constante, esse olho que nunca pisca e que, paradoxalmente, parece distorcer mais do que revelar?
    Talvez o desconforto venha justamente daí. O BBB não é só entretenimento. É um espelho meio cruel. E nem todo mundo gosta do que vê quando a luz acende e escuta a frase: "Quem sai hoje, é você"!

ARAÚJO, Patrícia Silva Rosas de. Fala Tu! João Pessoa, v. 1, n. 2, 2026. ISSN 3086-111X. Acesso em16/05/2026.
Sobre o estilo de linguagem empregado no texto, analise as afirmativas a seguir.

I. O texto combina marcas de oralidade e informalidade com referências culturais e filosóficas, produzindo um efeito de proximidade com o leitor sem abandonar a reflexão crítica.
II. A presença de expressões como “convenhamos” e “Voltei agora meio sem querer” evidencia um estilo discursivo subjetivo e relativamente coloquial.
III. O texto adota linguagem predominantemente técnica e impessoal, característica típica do discurso científicoacadêmico.
IV. O uso de referências como o Mito da Caverna de Platão contribui para ampliar o nível reflexivo e simbólico da argumentação.
V. A construção estilística do texto busca neutralidade absoluta, evitando posicionamentos subjetivos do enunciador.

Após análise, conclui-se que estão corretas: 
Alternativas
Q4132823 Português

Leia o texto e responda a questão.



Filho do Dono



Não sou profeta

Nem tão pouco visionário

Mas o diário desse mundo tá na cara

Um viajante

Na boléia do destino

Sou mais um fio da tesoura e da navalha



Levando a vida

Tiro verso da cartola

Chora, viola, nesse mundo sem amor

Desigualdade

Rima com hipocrisia

Não tem verso nem poesia que console um cantador



A natureza na fumaça se mistura

Morre a criatura

E o planeta sente a dor



O desespero

No olhar de uma criança

A humanidade fecha os olhos pra não ver

Televisão de fantasia e violência

Aumenta o crime

Cresce a fome do poder



Boi com sede bebe lama

Barriga seca não dá sono

Eu não sou dono do mundo

Mas tenho culpa

Porque sou filho do dono

[...]



por flávio josé

disponível em: https://www.letras.mus.br/flavio-jose/306921/

Leia o trecho a seguir: “Não sou profeta/ Nem tão pouco visionário/ Mas o diário desse mundo tá na cara/ Um viajante/ Na boléia do destino/Sou mais um fio da tesoura e da navalha”.



A partir da leitura, analise as proposições a seguir.



I. O termo é considerado um registro informal da língua portuguesa.


II. Os termos, profeta e visionário, tem a mesma ideia de prever o futuro.


III. O termo não é um advérbio segundo a gramatica normativa.



Após análise, conclui-se que: 

Alternativas
Q4132820 Português

Leia o texto e responda a questão.



Filho do Dono



Não sou profeta

Nem tão pouco visionário

Mas o diário desse mundo tá na cara

Um viajante

Na boléia do destino

Sou mais um fio da tesoura e da navalha



Levando a vida

Tiro verso da cartola

Chora, viola, nesse mundo sem amor

Desigualdade

Rima com hipocrisia

Não tem verso nem poesia que console um cantador



A natureza na fumaça se mistura

Morre a criatura

E o planeta sente a dor



O desespero

No olhar de uma criança

A humanidade fecha os olhos pra não ver

Televisão de fantasia e violência

Aumenta o crime

Cresce a fome do poder



Boi com sede bebe lama

Barriga seca não dá sono

Eu não sou dono do mundo

Mas tenho culpa

Porque sou filho do dono

[...]



por flávio josé

disponível em: https://www.letras.mus.br/flavio-jose/306921/

Sobre o objetivo comunicativo do texto, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4132395 Português
Texto para a questão

Assinale a alternativa em que a expressão apresentada tem papel argumentativo no texto e evidencia um posicionamento do autor. 
Alternativas
Q4132195 Português
Observe a imagem a seguir para responder à questão.


Captura_de tela 2026-06-24 105847.png (333×448)


Disponível em: https://www.instagram.com/p/DUBu959jyFX/?utm_source=ig_web_c opy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA== Acesso em 17/05/2026.
Considerando os elementos verbais e visuais do texto, bem como o uso social da expressão “planta, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4132014 Português

Leia o texto a seguir.


Imagem associada para resolução da questão


Coca-Cola, 2025. Publicidade veiculada em diferentes mídias.



A publicidade apresenta a imagem de uma garrafa de Coca-Cola de vidro acompanhada do texto: “Porque é mais difícil de abrir e tudo o que é mais difícil é mais gostoso.” Considerando estratégias argumentativas típicas da linguagem publicitária, o anúncio


Alternativas
Q4128254 Português

Leia o texto a seguir

Disponível em: https://www.iguatamaagora.com.br/noticia/828/metaacolhercampanha-de-prevencao-ao-feminicidio. Acesso em: 30 nov. 2025. 

Na peça publicitária, o enunciado “A melhor arma contra o feminicídio é a colher” aparece acompanhado da imagem de uma colher metálica em destaque. A formulação retoma e transforma um ditado amplamente difundido na cultura brasileira, produzindo um efeito de sentido que
Alternativas
Q4128246 Português

Leia o Texto 1 para responder à questão.


Texto 1


Receita


ingredientes


2 conflitos de gerações


4 esperanças perdidas


3 litros de sangue fervido


5 sonhos eróticos


2 canções dos beatles



modo de preparar



dissolva os sonhos eróticos nos dois litros de sangue fervido e deixe gelar seu coração.



leve a mistura ao fogo, adicionando dois conflitos de gerações às esperanças perdidas.



corte tudo em pedacinhos e repita com as canções dos beatles o mesmo processo usado com os sonhos eróticos, mas desta vez deixe ferver um pouco mais e mexa até dissolver.



parte do sangue pode ser substituído por suco de groselha, mas os resultados não serão os mesmos. sirva o poema simples ou com ilusões.



BEHR, Nicolas. Receita. In: 50 POEMAS de revolta. São Paulo: Companhia das Letras, 2017. p. 73-74.

No poema, a combinação de elementos como sangue fervido, sonhos eróticos e esperanças perdidas integra metaforicamente o preparo descrito no texto. Considerando a relação entre esses componentes simbólicos e a construção da cena poética, essa reunião contribui para
Alternativas
Q4128211 Português
Leia o poema a seguir para responder à questão:

A avó tem uma máquina
de costura
que foi da mãe da sua mãe,
da sua avó.

A avó pedala a máquina
e costura rendas na barra
dos vestidos,
costura um sol e uma lua
no bolso das camisas,
costura uma hora na outra,
um carinho no outro.

E o chão fica cheio de fios
e linha colorida
enquanto a avó vai costurando
amor.

(Roseana Murray. Disponível em:
<https:www.hrsoares.blogspot.com>. Acesso em: 06.04.2026)
De acordo com o poema, é correto afirmar que a avó
Alternativas
Q4127637 Português
Analisando a frase: “Eu morri de rir naquela festa!” é correto afirmar: 
Alternativas
Q4126828 Português
Com base no texto apresentado, responda à questão.


O emprego de adjetivos no texto pode funcionar como estratégia de modalização. O trecho em que o adjetivo expressa a subjetividade do autor sobre o tema abordado é: 
Alternativas
Q4126820 Português
Com base no texto apresentado, responda à questão.


O segundo parágrafo do texto finaliza-se com duas perguntas (l. 12-14). Essa estratégia empregada pela autora visa: 
Alternativas
Q4126174 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Tomar chuva faz bem?


O som relaxante


Uma chuva constante pode reduzir os níveis de cortisol, induzindo uma sensação de calma, além de mascarar ruídos incômodos.


"Os sons da água têm sido associados à ativação dosistema nervoso parassimpático, o ramo do sistemanervoso responsável pelo relaxamento e pela recuperação", afirma Amy Sarow, audiologista clínica que atua em um centro ambulatorial em Southfield, noEstado americano do Michigan.


"Quando esse sistema é ativado, podemos observarefeitos fisiológicos como a diminuição da frequência cardíaca e a redução das respostas ao estresse."


Um estudo recente revelou que o som da chuva foi maiseficaz na faixa de 40 a 50 decibéis — o equivalente auma chuva leve e suave —, reduzindo os níveis deestresse em até 65%.


Uma chuva intensa, que se situa em uma frequênciaainda mais baixa do chamado "ruído marrom", pode ser mais envolvente e proporcionar uma maior sensação de acolhimento, além de mascarar ruídos incômodos efavorecer o sono, diz Sarow.


Ambos os níveis podem ser relaxantes; muitas vezes,tudo se resume à preferência pessoal, adverte Sarow.


"Se alguém escuta esses sons de forma intencional como parte de uma rotina de relaxamento, a experiência pode começar a se assemelhar a práticas de atenção plena ou meditação, nas quais o som atua como uma âncora para a atenção e o relaxamento."


Embora minha tempestade não tenha me colocado exatamente em um estado zen, ela conseguiu me fazer sentir melhor e mais conectada ao momento presente.


Agora, sempre que cai um aguaceiro, procuro dedicar um pouco mais de tempo para me envolver nessa experiência.


Da próxima vez que a previsão do tempo for de chuva, pense em se sintonizar com essa experiência. Você pode se surpreender agradavelmente.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4g8jnj2139o-fragmento-adaptado

"...minha tempestade não tenha me colocado exatamente em um estado zen."

O uso da primeira pessoa no trecho contribui para:


Alternativas
Q4125997 Português
Tomar chuva faz bem?

O som relaxante


Uma chuva constante pode reduzir os níveis de cortisol, induzindo uma sensação de calma, além de mascarar ruídos incômodos.

"Os sons da água têm sido associados à ativação do sistema nervoso parassimpático, o ramo do sistema nervoso responsável pelo relaxamento e pela recuperação", afirma Amy Sarow, audiologista clínica que atua em um centro ambulatorial em Southfield, no Estado americano do Michigan.

"Quando esse sistema é ativado, podemos observar efeitos fisiológicos como a diminuição da frequência cardíaca e a redução das respostas ao estresse."

Um estudo recente revelou que o som da chuva foi mais eficaz na faixa de 40 a 50 decibéis — o equivalente a uma chuva leve e suave —, reduzindo os níveis de estresse em até 65%.

Uma chuva intensa, que se situa em uma frequência ainda mais baixa do chamado "ruído marrom", pode ser mais envolvente e proporcionar uma maior sensação de acolhimento, além de mascarar ruídos incômodos e favorecer o sono, diz Sarow.

Ambos os níveis podem ser relaxantes; muitas vezes, tudo se resume à preferência pessoal, adverte Sarow.

"Se alguém escuta esses sons de forma intencional como parte de uma rotina de relaxamento, a experiência pode começar a se assemelhar a práticas de atenção plena ou meditação, nas quais o som atua como uma âncora para a atenção e o relaxamento."

Embora minha tempestade não tenha me colocado exatamente em um estado zen, ela conseguiu me fazer sentir melhor e mais conectada ao momento presente.

Agora, sempre que cai um aguaceiro, procuro dedicar um pouco mais de tempo para me envolver nessa experiência.

Da próxima vez que a previsão do tempo for de chuva, pense em se sintonizar com essa experiência. Você pode se surpreender agradavelmente. 


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4g8jnj2139o
-fragmento-adaptado

"...minha tempestade não tenha me colocado exatamente em um estado zen."

O uso da primeira pessoa no trecho contribui para:
Alternativas
Q4125828 Português
Tomar chuva faz bem?

O som relaxante


Uma chuva constante pode reduzir os níveis de cortisol, induzindo uma sensação de calma, além de mascarar ruídos incômodos.

"Os sons da água têm sido associados à ativação do sistema nervoso parassimpático, o ramo do sistema nervoso responsável pelo relaxamento e pela recuperação", afirma Amy Sarow, audiologista clínica que atua em um centro ambulatorial em Southfield, no Estado americano do Michigan.

"Quando esse sistema é ativado, podemos observar efeitos fisiológicos como a diminuição da frequência cardíaca e a redução das respostas ao estresse."

Um estudo recente revelou que o som da chuva foi mais eficaz na faixa de 40 a 50 decibéis — o equivalente a uma chuva leve e suave —, reduzindo os níveis de estresse em até 65%.

Uma chuva intensa, que se situa em uma frequência ainda mais baixa do chamado "ruído marrom", pode ser mais envolvente e proporcionar uma maior sensação de acolhimento, além de mascarar ruídos incômodos e favorecer o sono, diz Sarow.

Ambos os níveis podem ser relaxantes; muitas vezes, tudo se resume à preferência pessoal, adverte Sarow.

"Se alguém escuta esses sons de forma intencional como parte de uma rotina de relaxamento, a experiência pode começar a se assemelhar a práticas de atenção plena ou meditação, nas quais o som atua como uma âncora para a atenção e o relaxamento."

Embora minha tempestade não tenha me colocado exatamente em um estado zen, ela conseguiu me fazer sentir melhor e mais conectada ao momento presente.

Agora, sempre que cai um aguaceiro, procuro dedicar um pouco mais de tempo para me envolver nessa experiência.

Da próxima vez que a previsão do tempo for de chuva, pense em se sintonizar com essa experiência. Você pode se surpreender agradavelmente.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4g8jnj2139o
-fragmento-adaptado

"...minha tempestade não tenha me colocado exatamente em um estado zen."

O uso da primeira pessoa no trecho contribui para:
Alternativas
Ano: 2026 Banca: CEPUERJ Órgão: UERJ Prova: CEPUERJ - 2026 - UERJ - Arquiteto |
Q4125604 Português

O machismo das ausências


Com alguma frequência, respondo a entrevistas. Ou tento, quando o volume de trabalho me permite. Fico feliz quando me procuram para falar de literatura, afinal, é meu trabalho, mas noto a repetição de uma mesma pergunta: “você já sofreu machismo no meio literário?”


Como se não bastasse o machismo galopante que transborda do mundo e a que estão sujeitas todas as mulheres, inclusive as escritoras, a pergunta vem com a expectativa de uma resposta contundente, com exemplos que escandalizem, com depoimentos tocantes. É onde costumo decepcionar.

 

Veja bem, é fácil responder de forma a satisfazer a pessoa jornalista ou o público a quem é destinada a matéria. Mas, considerando que o meio literário não é uma realidade à parte e que o machismo raramente começa e termina num só lugar, responder fica difícil. Difícil porque a resposta mais completa é aquela que a pergunta não contempla. Mas é especialmente difícil porque a resposta está nas perguntas que não nos fazem. Nos exemplos que não existem. Nos “nãos” que nem chegam a ser ditos porque nem precisa.


O problema do preconceito de gênero é que dificilmente ele é explícito; ele está mais presente nas coisas que não vemos. Isso também na literatura: nos convites para eventos que deixamos de receber. Quando uma autora é deixada de lado para darem destaque a um escritor. Nas faltas de indicação a prêmios. No esquecimento.


Apesar da relevância do trabalho das escritoras, ainda é difícil vê-las podendo falar de seu trabalho nas mesmas condições que um autor pode falar. Nas mesas de debates compostas só por homens, por exemplo, eles podem transcender todas essas questões e falar de seus trabalhos, de seus personagens, de literatura. Se convidada, a escritora provavelmente acabará tendo que falar sobre suas dificuldades, sobre o preconceito, sobre ser mulher e escrever.


Ser homem é não ter gênero, é pairar acima dele; enquanto uma mulher, não importa que seja escritora, cientista ou jardineira, será primeiramente e acima de tudo uma mulher. A ausência está nas perguntas que não nos fazem, aquelas que são esquecidas enquanto vêm as questões sobre as nossas maiores dificuldades de escrever sendo mulher, o único assunto que nos cabe.


Mas as histórias que escrevemos não importam? Nosso trabalho, por si só, não interessa? Não podemos falar sobre literatura, pura e simplesmente? Essa é uma barreira difícil de romper.


Esse é só mais um indício de como o machismo dentro da literatura se manifesta bem antes de chegar no mercado editorial; e, como dito, é um machismo que se manifesta de forma sutil, empurrando as autoras para as margens. É o machismo de tornar as mulheres invisíveis. É o machismo da ausência de oportunidades. E isso vem desde muito cedo, desde quando as jovens mulheres, ainda mais quando são pobres, especialmente quando são negras, são desmotivadas a escrever; quando escrevem, têm dificuldade de ser publicadas; quando são publicadas, não recebem tanta projeção. 


Dessa forma, mesmo que rompamos uma série de barreiras para poder chegar a ser escritoras, mesmo quando conseguimos, ainda seremos barradas em algum momento. E nem poderemos usar isso como um exemplo contundente de machismo, afinal, não aconteceu. Nada existiu.


Esse “não estar” é mais cruel do que alguém fazendo um comentário machista na minha cara, porque é mais difícil apontar para essa ausência de oportunidades do que para um preconceito explícito.


Não é um caso isolado de machismo dentro do meio literário que cria barreiras para as escritoras. É todo um sistema, presente no mundo no qual estamos imersas, que garante que fiquemos à margem. 


São essas ausências que garantem que o escritor a quem se refere o Dia do Escritor, comemorado no dia 25 de julho, seja homem (como 72% dos autores brasileiros publicados) e branco (como 93,9% dos que escrevem literatura no Brasil). Então é sobretudo nas ausências que precisamos prestar atenção.



VALEK, Aline.

Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/cultura/o-machismo-das-ausencias/. Acesso em: 26/01/2026 (adaptado).

A pontuação muitas vezes é empregada para além das regras gramaticais, de forma expressiva, com o objetivo de atender à determinada intenção do autor. No texto, o trecho que faz uso de pontuação expressiva, construindo um sentido de ênfase, é:
Alternativas
Ano: 2026 Banca: CEPUERJ Órgão: UERJ Prova: CEPUERJ - 2026 - UERJ - Arquiteto |
Q4125598 Português

O machismo das ausências


Com alguma frequência, respondo a entrevistas. Ou tento, quando o volume de trabalho me permite. Fico feliz quando me procuram para falar de literatura, afinal, é meu trabalho, mas noto a repetição de uma mesma pergunta: “você já sofreu machismo no meio literário?”


Como se não bastasse o machismo galopante que transborda do mundo e a que estão sujeitas todas as mulheres, inclusive as escritoras, a pergunta vem com a expectativa de uma resposta contundente, com exemplos que escandalizem, com depoimentos tocantes. É onde costumo decepcionar.

 

Veja bem, é fácil responder de forma a satisfazer a pessoa jornalista ou o público a quem é destinada a matéria. Mas, considerando que o meio literário não é uma realidade à parte e que o machismo raramente começa e termina num só lugar, responder fica difícil. Difícil porque a resposta mais completa é aquela que a pergunta não contempla. Mas é especialmente difícil porque a resposta está nas perguntas que não nos fazem. Nos exemplos que não existem. Nos “nãos” que nem chegam a ser ditos porque nem precisa.


O problema do preconceito de gênero é que dificilmente ele é explícito; ele está mais presente nas coisas que não vemos. Isso também na literatura: nos convites para eventos que deixamos de receber. Quando uma autora é deixada de lado para darem destaque a um escritor. Nas faltas de indicação a prêmios. No esquecimento.


Apesar da relevância do trabalho das escritoras, ainda é difícil vê-las podendo falar de seu trabalho nas mesmas condições que um autor pode falar. Nas mesas de debates compostas só por homens, por exemplo, eles podem transcender todas essas questões e falar de seus trabalhos, de seus personagens, de literatura. Se convidada, a escritora provavelmente acabará tendo que falar sobre suas dificuldades, sobre o preconceito, sobre ser mulher e escrever.


Ser homem é não ter gênero, é pairar acima dele; enquanto uma mulher, não importa que seja escritora, cientista ou jardineira, será primeiramente e acima de tudo uma mulher. A ausência está nas perguntas que não nos fazem, aquelas que são esquecidas enquanto vêm as questões sobre as nossas maiores dificuldades de escrever sendo mulher, o único assunto que nos cabe.


Mas as histórias que escrevemos não importam? Nosso trabalho, por si só, não interessa? Não podemos falar sobre literatura, pura e simplesmente? Essa é uma barreira difícil de romper.


Esse é só mais um indício de como o machismo dentro da literatura se manifesta bem antes de chegar no mercado editorial; e, como dito, é um machismo que se manifesta de forma sutil, empurrando as autoras para as margens. É o machismo de tornar as mulheres invisíveis. É o machismo da ausência de oportunidades. E isso vem desde muito cedo, desde quando as jovens mulheres, ainda mais quando são pobres, especialmente quando são negras, são desmotivadas a escrever; quando escrevem, têm dificuldade de ser publicadas; quando são publicadas, não recebem tanta projeção. 


Dessa forma, mesmo que rompamos uma série de barreiras para poder chegar a ser escritoras, mesmo quando conseguimos, ainda seremos barradas em algum momento. E nem poderemos usar isso como um exemplo contundente de machismo, afinal, não aconteceu. Nada existiu.


Esse “não estar” é mais cruel do que alguém fazendo um comentário machista na minha cara, porque é mais difícil apontar para essa ausência de oportunidades do que para um preconceito explícito.


Não é um caso isolado de machismo dentro do meio literário que cria barreiras para as escritoras. É todo um sistema, presente no mundo no qual estamos imersas, que garante que fiquemos à margem. 


São essas ausências que garantem que o escritor a quem se refere o Dia do Escritor, comemorado no dia 25 de julho, seja homem (como 72% dos autores brasileiros publicados) e branco (como 93,9% dos que escrevem literatura no Brasil). Então é sobretudo nas ausências que precisamos prestar atenção.



VALEK, Aline.

Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/cultura/o-machismo-das-ausencias/. Acesso em: 26/01/2026 (adaptado).

Como estratégia persuasiva, a autora busca uma aproximação maior com o leitor por meio da interlocução direta. No texto, essa estratégia se constrói pelo emprego do(a): 
Alternativas
Q4125571 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Tomar chuva faz bem?


O som relaxante


Uma chuva constante pode reduzir os níveis de cortisol,induzindo uma sensação de calma, além de mascararruídos incômodos.


"Os sons da água têm sido associados à ativação dosistema nervoso parassimpático, o ramo do sistemanervoso responsável pelo relaxamento e pelarecuperação", afirma Amy Sarow, audiologista clínicaque atua em um centro ambulatorial em Southfield, noEstado americano do Michigan.


"Quando esse sistema é ativado, podemos observarefeitos fisiológicos como a diminuição da frequênciacardíaca e a redução das respostas ao estresse."


Um estudo recente revelou que o som da chuva foi maiseficaz na faixa de 40 a 50 decibéis — o equivalente auma chuva leve e suave —, reduzindo os níveis deestresse em até 65%.


Uma chuva intensa, que se situa em uma frequênciaainda mais baixa do chamado "ruído marrom", pode sermais envolvente e proporcionar uma maior sensação deacolhimento, além de mascarar ruídos incômodos efavorecer o sono, diz Sarow.


Ambos os níveis podem ser relaxantes; muitas vezes,tudo se resume à preferência pessoal, adverte Sarow.


"Se alguém escuta esses sons de forma intencionalcomo parte de uma rotina de relaxamento, a experiênciapode começar a se assemelhar a práticas de atençãoplena ou meditação, nas quais o som atua como umaâncora para a atenção e o relaxamento."


Embora minha tempestade não tenha me colocadoexatamente em um estado zen, ela conseguiu me fazersentir melhor e mais conectada ao momento presente.


Agora, sempre que cai um aguaceiro, procuro dedicarum pouco mais de tempo para me envolver nessaexperiência.


Da próxima vez que a previsão do tempo for de chuva,pense em se sintonizar com essa experiência. Vocêpode se surpreender agradavelmente.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4g8jnj2139o-fragmento-adaptado

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Tomar chuva faz bem?


O som relaxante


Uma chuva constante pode reduzir os níveis de cortisol,induzindo uma sensação de calma, além de mascararruídos incômodos.


"Os sons da água têm sido associados à ativação dosistema nervoso parassimpático, o ramo do sistemanervoso responsável pelo relaxamento e pelarecuperação", afirma Amy Sarow, audiologista clínicaque atua em um centro ambulatorial em Southfield, noEstado americano do Michigan.


"Quando esse sistema é ativado, podemos observarefeitos fisiológicos como a diminuição da frequênciacardíaca e a redução das respostas ao estresse."


Um estudo recente revelou que o som da chuva foi maiseficaz na faixa de 40 a 50 decibéis — o equivalente auma chuva leve e suave —, reduzindo os níveis deestresse em até 65%.


Uma chuva intensa, que se situa em uma frequênciaainda mais baixa do chamado "ruído marrom", pode sermais envolvente e proporcionar uma maior sensação deacolhimento, além de mascarar ruídos incômodos efavorecer o sono, diz Sarow.


Ambos os níveis podem ser relaxantes; muitas vezes,tudo se resume à preferência pessoal, adverte Sarow.


"Se alguém escuta esses sons de forma intencionalcomo parte de uma rotina de relaxamento, a experiênciapode começar a se assemelhar a práticas de atençãoplena ou meditação, nas quais o som atua como umaâncora para a atenção e o relaxamento."


Embora minha tempestade não tenha me colocadoexatamente em um estado zen, ela conseguiu me fazersentir melhor e mais conectada ao momento presente.


Agora, sempre que cai um aguaceiro, procuro dedicarum pouco mais de tempo para me envolver nessaexperiência.


Da próxima vez que a previsão do tempo for de chuva,pense em se sintonizar com essa experiência. Vocêpode se surpreender agradavelmente.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4g8jnj2139o-fragmento-adaptado


"...minha tempestade não tenha me colocado exatamente em um estado zen." 

 O uso da primeira pessoa no trecho contribui para: 

Alternativas
Q4125540 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Tomar chuva faz bem?


O som relaxante


Uma chuva constante pode reduzir os níveis de cortisol,induzindo uma sensação de calma, além de mascararruídos incômodos.


"Os sons da água têm sido associados à ativação dosistema nervoso parassimpático, o ramo do sistemanervoso responsável pelo relaxamento e pelarecuperação", afirma Amy Sarow, audiologista clínicaque atua em um centro ambulatorial em Southfield, noEstado americano do Michigan.


"Quando esse sistema é ativado, podemos observarefeitos fisiológicos como a diminuição da frequênciacardíaca e a redução das respostas ao estresse."


Um estudo recente revelou que o som da chuva foi maiseficaz na faixa de 40 a 50 decibéis — o equivalente auma chuva leve e suave —, reduzindo os níveis deestresse em até 65%.


Uma chuva intensa, que se situa em uma frequênciaainda mais baixa do chamado "ruído marrom", pode sermais envolvente e proporcionar uma maior sensação deacolhimento, além de mascarar ruídos incômodos efavorecer o sono, diz Sarow.


Ambos os níveis podem ser relaxantes; muitas vezes,tudo se resume à preferência pessoal, adverte Sarow.


"Se alguém escuta esses sons de forma intencionalcomo parte de uma rotina de relaxamento, a experiênciapode começar a se assemelhar a práticas de atençãoplena ou meditação, nas quais o som atua como umaâncora para a atenção e o relaxamento."


Embora minha tempestade não tenha me colocadoexatamente em um estado zen, ela conseguiu me fazersentir melhor e mais conectada ao momento presente.


Agora, sempre que cai um aguaceiro, procuro dedicarum pouco mais de tempo para me envolver nessaexperiência.


Da próxima vez que a previsão do tempo for de chuva,pense em se sintonizar com essa experiência. Vocêpode se surpreender agradavelmente.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4g8jnj2139o-fragmento-adaptado

"...minha tempestade não tenha me colocado exatamente em um estado zen."

O uso da primeira pessoa no trecho contribui para: 

Alternativas
Respostas
21: C
22: A
23: C
24: E
25: C
26: C
27: A
28: C
29: B
30: C
31: A
32: B
33: A
34: D
35: C
36: D
37: B
38: A
39: B
40: C