Questões de Concurso
Sobre fonologia em português
Foram encontradas 6.120 questões
Observe as palavras a seguir: exceção - guincho - enxame - assumir.
Assinale a alternativa que apresenta corretamente uma característica fonológica comum a todas essas palavras.
"O calendário nasce comprimido por Copa do Mundo, eleições gerais e o início da transição da reforma tributária."
Considerando que as palavras "calendário", "início" e "tributária" são classificadas como proparoxítonas aparentes, assinale a alternativa correta quanto aos critérios fonológicos e ortográficos que justificam essa classificação.
I- “Concluíram” é uma paroxítona;
II- “Análise” só é proparoxítona quando está no singular;
III- “Científica” é paroxítona;
IV- “Análise” e “científica”, ao perderem o acento, trocam de classe gramatical, passando a formas verbais conjugadas.
Pode-se afirmar que:
Brincar no fim das férias prepara cérebro para volta às aulas
As férias escolares estão chegando ao fim, mas o
aprendizado não precisa ficar restrito à sala de aula que logo
voltará a ocupar a rotina.
Para especialistas em desenvolvimento infantil, o brincar
é o verdadeiro "motor" do crescimento das crianças,
funcionando como uma ferramenta essencial para organizar as
emoções e aliviar as tensões típicas da transição para o período
letivo.
Segundo Luciana Brites, mestre e doutoranda em
distúrbios do desenvolvimento e diretora executiva do instituto
Neurosaber, a brincadeira nas férias permite que a criança
explore territórios e interações sociais que a rotina escolar nem
sempre oferece.
Para as famílias que buscam mais conexão e menos
cobrança nesta reta final das férias, a dica é incluir a criança na
rotina da casa. Atividades simples, como ajudar a fazer um bolo
ou arrumar a mesa, podem ser transformadas em momentos
lúdicos que desenvolvem a autonomia.
A pediatra Mariana Lombardi Novello, pós-graduada em
neurociência, educação e desenvolvimento infantil, reforça
que o cérebro da criança não precisa de mais estímulos digitais
após um dia de aula, mas sim de experiências que ajudem a
integrar o aprendizado.
"O brincar não é um luxo, nem um passatempo extra. É
uma necessidade. O cérebro não se desenvolve apenas
sentado, ele precisa de movimento e imaginação", afirma a
médica.
Um dos maiores obstáculos para o brincar livre é o
excesso de tecnologia. As especialistas alertam que a criança
não consegue regular o uso de telas sozinha, cabendo aos
adultos estabelecer limites claros.
Mariana, a pediatra, afirma ainda que o brincar atua como
um protetor da saúde mental, agindo diretamente na redução
do estresse e no fortalecimento da autoestima.
Segundo ela, quando esse tempo de lazer é negligenciado
em função de uma agenda sobrecarregada, é comum observar
crianças mais irritadas, desatentas e emocionalmente
exaustas.
Para evitar problemas, Luciana Brites lembra ainda que,
com as crianças mais tempo em casa ou em brincadeiras livres,
é fundamental redobrar a atenção para evitar acidentes
domésticos, mantendo o ambiente sempre seguro e orientado.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/brincar-no-fim-das-feriasprepara-cerebro-para-volta-as-aulas-veja-dicas/ (adaptado)
Brincar no fim das férias prepara cérebro para volta às aulas
As férias escolares estão chegando ao fim, mas o
aprendizado não precisa ficar restrito à sala de aula que logo
voltará a ocupar a rotina.
Para especialistas em desenvolvimento infantil, o brincar
é o verdadeiro "motor" do crescimento das crianças,
funcionando como uma ferramenta essencial para organizar as
emoções e aliviar as tensões típicas da transição para o período
letivo.
Segundo Luciana Brites, mestre e doutoranda em
distúrbios do desenvolvimento e diretora executiva do instituto
Neurosaber, a brincadeira nas férias permite que a criança
explore territórios e interações sociais que a rotina escolar nem
sempre oferece.
Para as famílias que buscam mais conexão e menos
cobrança nesta reta final das férias, a dica é incluir a criança na
rotina da casa. Atividades simples, como ajudar a fazer um bolo
ou arrumar a mesa, podem ser transformadas em momentos
lúdicos que desenvolvem a autonomia.
A pediatra Mariana Lombardi Novello, pós-graduada em
neurociência, educação e desenvolvimento infantil, reforça
que o cérebro da criança não precisa de mais estímulos digitais
após um dia de aula, mas sim de experiências que ajudem a
integrar o aprendizado.
"O brincar não é um luxo, nem um passatempo extra. É
uma necessidade. O cérebro não se desenvolve apenas
sentado, ele precisa de movimento e imaginação", afirma a
médica.
Um dos maiores obstáculos para o brincar livre é o
excesso de tecnologia. As especialistas alertam que a criança
não consegue regular o uso de telas sozinha, cabendo aos
adultos estabelecer limites claros.
Mariana, a pediatra, afirma ainda que o brincar atua como
um protetor da saúde mental, agindo diretamente na redução
do estresse e no fortalecimento da autoestima.
Segundo ela, quando esse tempo de lazer é negligenciado
em função de uma agenda sobrecarregada, é comum observar
crianças mais irritadas, desatentas e emocionalmente
exaustas.
Para evitar problemas, Luciana Brites lembra ainda que,
com as crianças mais tempo em casa ou em brincadeiras livres,
é fundamental redobrar a atenção para evitar acidentes
domésticos, mantendo o ambiente sempre seguro e orientado.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/brincar-no-fim-das-feriasprepara-cerebro-para-volta-as-aulas-veja-dicas/ (adaptado)
Brincar no fim das férias prepara cérebro para volta às aulas
As férias escolares estão chegando ao fim, mas o
aprendizado não precisa ficar restrito à sala de aula que logo
voltará a ocupar a rotina.
Para especialistas em desenvolvimento infantil, o brincar
é o verdadeiro "motor" do crescimento das crianças,
funcionando como uma ferramenta essencial para organizar as
emoções e aliviar as tensões típicas da transição para o período
letivo.
Segundo Luciana Brites, mestre e doutoranda em
distúrbios do desenvolvimento e diretora executiva do instituto
Neurosaber, a brincadeira nas férias permite que a criança
explore territórios e interações sociais que a rotina escolar nem
sempre oferece.
Para as famílias que buscam mais conexão e menos
cobrança nesta reta final das férias, a dica é incluir a criança na
rotina da casa. Atividades simples, como ajudar a fazer um bolo
ou arrumar a mesa, podem ser transformadas em momentos
lúdicos que desenvolvem a autonomia.
A pediatra Mariana Lombardi Novello, pós-graduada em
neurociência, educação e desenvolvimento infantil, reforça
que o cérebro da criança não precisa de mais estímulos digitais
após um dia de aula, mas sim de experiências que ajudem a
integrar o aprendizado.
"O brincar não é um luxo, nem um passatempo extra. É
uma necessidade. O cérebro não se desenvolve apenas
sentado, ele precisa de movimento e imaginação", afirma a
médica.
Um dos maiores obstáculos para o brincar livre é o
excesso de tecnologia. As especialistas alertam que a criança
não consegue regular o uso de telas sozinha, cabendo aos
adultos estabelecer limites claros.
Mariana, a pediatra, afirma ainda que o brincar atua como
um protetor da saúde mental, agindo diretamente na redução
do estresse e no fortalecimento da autoestima.
Segundo ela, quando esse tempo de lazer é negligenciado
em função de uma agenda sobrecarregada, é comum observar
crianças mais irritadas, desatentas e emocionalmente
exaustas.
Para evitar problemas, Luciana Brites lembra ainda que,
com as crianças mais tempo em casa ou em brincadeiras livres,
é fundamental redobrar a atenção para evitar acidentes
domésticos, mantendo o ambiente sempre seguro e orientado.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/brincar-no-fim-das-feriasprepara-cerebro-para-volta-as-aulas-veja-dicas/ (adaptado)
Brincar no fim das férias prepara cérebro para volta às aulas
As férias escolares estão chegando ao fim, mas o
aprendizado não precisa ficar restrito à sala de aula que logo
voltará a ocupar a rotina.
Para especialistas em desenvolvimento infantil, o brincar
é o verdadeiro "motor" do crescimento das crianças,
funcionando como uma ferramenta essencial para organizar as
emoções e aliviar as tensões típicas da transição para o período
letivo.
Segundo Luciana Brites, mestre e doutoranda em
distúrbios do desenvolvimento e diretora executiva do instituto
Neurosaber, a brincadeira nas férias permite que a criança
explore territórios e interações sociais que a rotina escolar nem
sempre oferece.
Para as famílias que buscam mais conexão e menos
cobrança nesta reta final das férias, a dica é incluir a criança na
rotina da casa. Atividades simples, como ajudar a fazer um bolo
ou arrumar a mesa, podem ser transformadas em momentos
lúdicos que desenvolvem a autonomia.
A pediatra Mariana Lombardi Novello, pós-graduada em
neurociência, educação e desenvolvimento infantil, reforça
que o cérebro da criança não precisa de mais estímulos digitais
após um dia de aula, mas sim de experiências que ajudem a
integrar o aprendizado.
"O brincar não é um luxo, nem um passatempo extra. É
uma necessidade. O cérebro não se desenvolve apenas
sentado, ele precisa de movimento e imaginação", afirma a
médica.
Um dos maiores obstáculos para o brincar livre é o
excesso de tecnologia. As especialistas alertam que a criança
não consegue regular o uso de telas sozinha, cabendo aos
adultos estabelecer limites claros.
Mariana, a pediatra, afirma ainda que o brincar atua como
um protetor da saúde mental, agindo diretamente na redução
do estresse e no fortalecimento da autoestima.
Segundo ela, quando esse tempo de lazer é negligenciado
em função de uma agenda sobrecarregada, é comum observar
crianças mais irritadas, desatentas e emocionalmente
exaustas.
Para evitar problemas, Luciana Brites lembra ainda que,
com as crianças mais tempo em casa ou em brincadeiras livres,
é fundamental redobrar a atenção para evitar acidentes
domésticos, mantendo o ambiente sempre seguro e orientado.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/brincar-no-fim-das-feriasprepara-cerebro-para-volta-as-aulas-veja-dicas/ (adaptado)
TEXTO PARA A QUESTÃO.
Não via a hora de crescer, e hoje entendo minha urgência: eu só seria parida, de verdade, pelas palavras
Ninguém sai ileso da infância. Mesmo a criança que teve pais amorosos, que recebeu atenção plena durante suas inquietudes, mesmo ela, nascida em um reino encantado, no lar mais que perfeito, haverá de arrastar algumas correntes na vida adulta. Não há nada de original nesta constatação, mas só agora, lendo as inúmeras entrevistas que compõem o livro Conversas Infinitas, de Mariano Horenstein, é que enxerguei a situação com mais clareza.
O livro aborda a influência da psicanálise na criação artística, e entre os escritores, cineastas, músicos e demais artistas entrevistados, está o fotógrafo guatemalteco Luiz González Palma, que em determinado momento fala sobre a desconcertante solidão das crianças: em seus primeiros anos, ainda não possuem um acervo razoável de palavras para interpretar a complexidade do mundo.
Eu lembro. O desespero por não conseguir nominar minhas emoções. A dificuldade de entender a mim mesma. O vácuo que me deixava vagando pelos corredores do colégio, pelas festas familiares, pelo tudo e o nada que eu não conseguia designar. Uma garotinha desamparada, sem a compreensão do que, dentro dela, era exclusivamente sensitivo. Palavras são salva-vidas. Fosse apenas por isso, dar livros de presente às crianças deveria ser obrigatório, não opcional.
Abraços, carinhos, cuidados – a linguagem do afeto supre a ausência das palavras no início da vida, mas não de todo. E se quem nos ama desaparecer de repente? Como lidar com o medo, sem a rede de proteção de um pensamento lógico?
Saramago disse, certa vez, que somos todos escritores, só que uns escrevem e outros não. À medida que vamos assimilando um repertório de palavras, passamos todos a nos narrar, finalmente. A narrativa que fazemos a nosso respeito é a base dos vínculos maduros – e de toda a psicanálise. Sem o auxílio das palavras, a infância não termina.
Há quem não escreva, mas não existe quem não se narre. A palavra está por trás de tudo: música, teatro, cinema, fotografia, amizades, amor – toda expressão nasce de alguém que precisa entender quem é, entender como se sente, e dizê lo. Fosse apenas por isso, dar livros de presente aos adultos também deveria ser obrigatório, não opcional.
A incompreensão de si mesmo é um vazio aterrador. Tive todas as necessidades atendidas, quando criança, mas não via a hora de crescer, e hoje entendo minha urgência: eu só seria parida, de verdade, pelas palavras. Através delas, eu colocaria meus pés no chão e existiria de forma mais precisa. Ou, ao menos, teria alguma lucidez sobre minha imprecisão. É a graça que vejo em ser adulta: dar um sentido à imaginação e descobrir que o que a gente pensa e sente (e sofre) é universal.
Autora: Martha Medeiros - GZH (adaptado).
TEXTO PARA A QUESTÃO.
Mito ou verdade: o estresse está deixando o seu cabelo branco?
Por muito tempo, a ideia de que um grande susto ou um período de preocupação excessiva poderia branquear os fios capilares foi tratada como mito. No entanto, a ciência moderna já comprovou que a conexão entre a mente e o folículo piloso é direta e biológica.
Muito mais do que uma questão estética, a canície -- nome científico dado para os fios brancos -- pode ser reflexo físico de um organismo sob pressão constante.
Biologicamente, a cor do cabelo é determinada pelos melanócitos, células localizadas na matriz do folículo piloso que produzem a melanina. Já o processo de branqueamento ocorre quando essas células param de funcionar.
À CNN, o dermatologista Lucas Miranda, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explica que o estresse crônico é um dos gatilhos para a "morte" dessas células. "Os melanócitos podem sofrer danos ou morrer, interrompendo a produção de melanina. Como resultado, os fios passam a crescer brancos ou grisalhos".
A ciência por trás disso é precisa. Pesquisas publicadas na revista Nature mostram que o estresse agudo libera noradrenalina, um neurotransmissor que danifica as células-tronco dos melanócitos. "Não se trata de um mito, mas de um processo fisiológico desencadeado por fatores emocionais", acrescenta o especialista.
Mas como um sentimento se transforma em mudança física? O processo do estresse psicológico envolve o chamado "eixo hipotálamo-hipófise-adrenal". Quando estamos estressados, o corpo libera uma cascata de hormônios como o cortisol e noradrenalina.
Também à CNN, o biomédico Thiago Martins, mestre em Medicina Estética, ressalta que fatores externos podem piorar o quadro.
"O estresse oxidativo ambiental — causado por sol, poluição, tabagismo e produtos químicos — aumenta os radicais livres. Quando combinado ao estresse emocional, esse efeito é potencializado, acelerando o aparecimento de fios brancos e a queda capilar".
Nesse processo, uma das principais dúvidas é se há possibilidade de reverter o quadro -- seja com férias ou uma vida mais calma. Thiago, então, esclarece que, na maioria dos casos, o caminho é de mão única.
"Em geral, a canície é considerada irreversível, pois os melanócitos destruídos não se regeneram facilmente", diz o biomédico. No entanto, ele afirma ainda que existem relatos raros de repigmentação parcial quando o estresse é reduzido drasticamente em fases iniciais.
Thiago Martins aponta que nutrientes como zinco, cobre, ferro e vitaminas D e E são essenciais. Já o Dr. Lucas Miranda reforça a necessidade de equilíbrio. "O principal conselho é adotar hábitos saudáveis, controlar o estresse com atividade física, sono adequado e, se necessário, acompanhamento psicológico e dermatológico", conclui.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/mito-ou-verdade-o-estresse esta-deixando-o-seu-cabelo-branco/ (adaptado).
I. xodó – a sílaba tônica está na última sílaba.
II. família – a sílaba tônica está na penúltima sílaba;
III. higiene – a sílaba tônica está na última sílaba;
IV. cães – monossílabo tônico.
Uma das características do trecho da canção acima é a diminuição de elementos em ditongos. Assinale a alternativa em que ambas as palavras se enquadram nesse caso.
TEXTO PARA A QUESTÃO.
Viver no limite
Assisti a um filme clássico sobre mitologia. Deuses, castigos eternos, excessos divinos. Tudo parecia distante, quase decorativo, até deixar de ser. Bastaram algumas cenas para que Sísifo e Dionísio começassem a se parecer perigosamente com pessoas conhecidas. A mitologia explica muito, sobretudo quando fingimos que é apenas sobre deuses antigos e não sobre o cotidiano mais imediato.
Sísifo reaparece todos os dias. Empurra tarefas, compromissos, obrigações, reuniões que poderiam ser e-mails. Empurra sabendo que tudo volta ao ponto inicial. Dionísio também está entre nós: vibrante, falante, urgente. Pergunta e responde, ocupa o espaço inteiro, transforma qualquer conversa em espetáculo. Ambos vivem no limite e, de alguma forma, parecem exemplares.
Vivem no limite porque o meio termo não interessa. A pausa incomoda. O silêncio soa como falha. É preciso estar sempre fazendo, dizendo, reagindo. Quem para parece improdutivo; quem escuta demais vira suspeito. No convívio, essas pessoas cansam mais do que percebem. Perturbam o entorno sem notar, falam como se o mundo estivesse sempre à espera de opinião. Para elas, isso talvez tenha virado virtude social, como se viver exigisse sempre o excesso.
Os de Sísifo seguem outro roteiro. Trabalham, cumprem, repetem. Empurram dias com eficiência e um cansaço que já nem chama atenção. Não reclamam muito o que ajuda a manter tudo em ordem. Vivem no limite do esgotamento.
E os de Dionísio? Os que ardem e explodem, iluminam qualquer sala com a própria presença, aqueles que vivem no limite da vivacidade extrema, do prazer ou do caos, onde estão? Onde ficaram?
O paradoxal é que esses extremos convivem bem: um transborda, o outro suporta; um vê excesso onde há paixão, o outro vê desgaste onde há responsabilidade. O mundo gira nessa acomodação polida e chama isso de costume.
Penso que, no fundo, viver no limite não é coragem nem intensidade. É uma forma eficiente de não parar para pensar. O excesso ocupa o lugar da dúvida; a repetição, o da escolha. Tudo anda, tudo funciona, tudo parece sob controle até que alguém cansa, adoece ou simplesmente some da cena.
Talvez por isso a mitologia siga tão atual. Não porque fale do passado, mas porque descreve com precisão esse hábito persistente de transformar condenação em rotina e viver como se isso fosse normal.
Autora: Helô Bacichette - GZH (adaptado).
Silenciosamente barulhento
A ideia de recomeço atualmente vem batizada com uma camada de cafonice. Talvez seja fruto das propagandas de fim de ano, talvez seja a facilidade com que recorremos ao conceito. Começar do zero é tentador porque implicitamente nos permite abandonar erros ou versões desgastadas de nós mesmos as quais já não nos orgulhamos. Ao mesmo tempo, todo desmanche vem carregado do medo de encarar o novo. Para onde vou? Quem sou eu? O que eu faço a partir de agora?
Se falamos de viradas, quase sempre as associamos à ideia de barulho. É preciso brindar o novo — não é isso que fazemos a cada término de ano, afinal? Muitas vezes preparamos a festa da mudança de rota sem nem mesmo traçá-la primeiro. Queremos anunciar o novo ainda antes de entendê-lo.
Mas recomeços raramente gritam. Eles costumam chegar em silêncio. É certo que, quando a travessia envolve reorganizações internas, mil vozes parecem habitar a mente sem controle algum. E é por isso mesmo que nenhum gesto verdadeiro de mudança ocorre em paralelo ao caos e às crises. Poucos entendem que é preciso primeiro assentar a terra para depois decidir o que pode (ou não) ser construído sobre ela. É aí que passam a existir os silêncios que, na verdade, funcionam como sussurros: bem baixinho, a vida nos mostra o caminho.
Como em qualquer bota-fora que fazemos dentro de casa, ao esvaziar gavetas e armários de tralhas e papeladas que já não servem mais para nada, o vazio se torna ponto de partida. Nele, o silêncio desconfortável nos obriga a escutar aquilo que evitamos quando estamos ocupados demais explicando quem somos.
Não _____ toa, 2026 se anuncia como um ano de início. A Numerologia o define como um ano 1 — aquele em que os inícios ganham destaque. Não _____ traga respostas prontas, mas _____ nos devolve às perguntas certas. Porém, existe um tempo pouco celebrado chamado latência: o intervalo entre o estímulo e a resposta. Em um mundo que exige reações imediatas, talvez recomeçar seja justamente ampliar esse espaço.
Não responder ainda.
Não decidir agora.
Permitir que o silêncio faça o que o impulso não sabe.
Emily Dickinson escreveu quase toda a sua obra em silêncio e reclusão, longe de qualquer urgência de publicação ou resposta. Talvez soubesse que certos começos não sobrevivem ao excesso de explicação. Há coisas que só amadurecem quando não precisam ser anunciadas.
Ou, ainda, o que chamamos de pausa seja, na verdade, outra coisa. Um estado de suspensão. Um tempo em que não avançamos nem recuamos — apenas sustentamos. Não se trata de inércia, mas de lucidez: manter decisões no ar até que façam sentido ao tocar o chão. Há momentos em que seguir adiante exige exatamente isso: não agir.
Ao menos, não ainda.
Autor: Pedro Guerra - GZH (adaptado).
Na palavra “sussurros” há ______ dígrafos, e na palavra “assentar” há ______ dígrafos.