Questões de Concurso
Sobre fonologia em português
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Leia o texto e responda a questão.
Sem novidades no front
Marina Colasanti
Esperava que o marido voltasse da guerra. Durante os primeiros anos, quando ele certamente não chegaria, preparou compotas. Depois, a partir do momento em que o regresso se tornava uma possibilidade iminente, assou pães, e a cada semana uma torta de peras, enchendo a casa com o perfume açucarado que, antes mesmo do seu sorriso, lhe daria as boas-vindas.
Um dia chegou o vizinho da frente. No outro chegou o vizinho do lado. E seu marido não chegou. Voltaram os gêmeos morenos. Voltaram os três irmãos louros. E seu marido não voltou. Aos poucos, todos os homens da pequena cidade estavam de volta a suas casas. Menos um. O seu.
Paciente, ainda assim ela espanava os vidros de compotas, abria em cruz a massa levedada, e descascava peras.
Há muito a guerra havia terminado, quando a silhueta escura parou hesitante frente ao seu portão. Antes que sequer batesse palmas, foi ela recebê-lo, de avental limpo. E puxando-o pela mão o trouxe para dentro, fez que lavasse o rosto na pia mesmo da cozinha, sentasse à mesa, enfim um homem no espaço que a ele sempre fora dedicado.
Encheu-lhe o copo de vinho, serviu-lhe a fatia de torta. Profunda paz a invadia enquanto o olhava comer esfaimado. E esforçando-se para não perceber que aquele não era o seu marido, começou a fazer-lhe perguntas sobre o front.
Leia o texto para responder à próxima questão.
Mal secreto. (Raimundo Correia).
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Se a cólera que espuma, a dor que mora
Na alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;
Se se pudesse o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!
Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!
Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!
Leia o texto para responder à próxima questão.
Mal secreto. (Raimundo Correia).
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Se a cólera que espuma, a dor que mora
Na alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;
Se se pudesse o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!
Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!
Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!
Relacionando-se à classificação das palavras, quanto ao número de sílabas, marque a alternativa correta.
Aludindo-se a encontros consonantais, marque a alternativa indevida.
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Marque a alternativa, onde não temos um dígrafo.
Leia o texto para responder à próxima questão.
Profissão de fé. (Carvalho Júnior).
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Odeio as virgens pálidas, cloróticas,
Beleza de missal que o Romantismo
Hidrófobo apregoa em peças góticas
Escritas nuns acessos de histerismo.
Sofismas de mulher, ilusões óticas,
Raquíticos abortos de lirismo,
Sonhos de carne, complexos eróticos,
Desfazem-se perante o Realismo.
Não se servem esses vagos ideais
Da fina transparência dos cristais;
Almas de santa e corpo de alfenim.
Prefiro a exuberância dos contornos,
As belezas da forma, seus adornos,
A saúde, a matéria, a vida enfim.
Marque a alternativa devida, de acordo com a correta separação de sílabas, das palavras do texto, (ideais, exuberância, matéria).
Leia o texto para responder à próxima questão.
Profissão de fé. (Carvalho Júnior).
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Odeio as virgens pálidas, cloróticas,
Beleza de missal que o Romantismo
Hidrófobo apregoa em peças góticas
Escritas nuns acessos de histerismo.
Sofismas de mulher, ilusões óticas,
Raquíticos abortos de lirismo,
Sonhos de carne, complexos eróticos,
Desfazem-se perante o Realismo.
Não se servem esses vagos ideais
Da fina transparência dos cristais;
Almas de santa e corpo de alfenim.
Prefiro a exuberância dos contornos,
As belezas da forma, seus adornos,
A saúde, a matéria, a vida enfim.
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Tratando-se de encontros vocálicos, as palavras do texto (Realismo, transparência, saúde) são respectivamente:
Texto 8
Amar dói amar
Cansei de amar,
quero ser amado.
Não quero estar no mapa,
quero ser encontrado.
Se o coração está seco
de nada adianta beijo molhado.
Grande coisa um belo olhar
se você não é notado.
[...]
VAZ, Sérgio. Flores de alvenaria. São Paulo: Global, 2016.
“Um recém-nascido, se pudesse participar articuladamente de uma conversa com homens de outras idades, ouviria pacientemente a opinião de cada um [...]”.
Dentre as palavras a seguir, que ocorrem no excerto dado, é trissílaba apenas:
Leia o texto a seguir e responda a questão.
O Dilúvio
(Lenda Kaiapó)
Certa vez, um caçador de tatu, cavando a terra, descobriu um grosso cipó. Esse cipó era a veia prin cipal da Terra e quando foi cortado pelo caçador, jorrou uma quantidade tão grande de água, que o mundo ficou todo inundado. Os animais morreram e os indígenas treparam nas árvores mais altas, que não ficaram submersas.
As águas demoraram muito a baixar e os sobreviventes ficaram magrinhos e fracos, pois não conseguiam descer das árvores. Não morreram, mas se transformaram em cupins e vespões, que passaram a fazer suas casas nos topos das árvores, revelando sua origem humana.
Desse dilúvio, salvaram-se apenas uma velha e um casal de crianças, porque a senhora entrou em um enorme pilão, junto com as crianças, que depois lacrou com cera. Não se esqueceu também de colocar várias cabacinhas contendo sementes de alimentos amarrados ao redor do pilão, para fazer roça quando tudo voltasse ao normal.
Os indígenas que vieram depois do dilúvio são descendentes dos que se salvaram.