Questões de Concurso Sobre flexão verbal de tempo (presente, pretérito, futuro) em português

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Q1897874 Português
Texto para o item.  


Alex Weymer. Conflito de gerações: o paradoxo. In: Humanitas, ano 14,
ed. 138, set./2020 (com adaptações).
Acerca dos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item.

No trecho “teriam vícios que poderiam prejudicar a implementação de novas ideias” (linhas 20 e 21), as formas verbais no futuro do pretérito indicam que se trata de suposições. 
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Ano: 2021 Banca: UFU-MG Órgão: UFU-MG Prova: UFU-MG - 2021 - UFU-MG - Nutricionista |
Q1891499 Português
      Alfabetizar todas as crianças na idade certa já era um desafio gigantesco e urgente para o Brasil, mas a pandemia do novo coronavírus tornou os obstáculos ainda maiores.
      O cenário pré-Covid-19 já revelava uma tragédia silenciosa, uma vez que apenas 49% dos estudantes no 2º ano do ensino fundamental possuíam níveis suficientes de alfabetização em 2019, data do último levantamento realizado pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) — e este percentual foi muito menor em alguns estados, onde menos de 25% dos alunos tinham os conhecimentos esperados para essa etapa de aprendizagem.
      Os números já eram alarmantes e devem piorar. É o que mostra a pesquisa realizada pelo Datafolha, a pedido da Fundação Lemann, do Itaú Social e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), sobre o processo de alfabetização durante a pandemia de estudantes matriculados nos 1º, 2º ou 3º anos do ensino fundamental. Os dados revelam uma estagnação ou até possíveis retrocessos: 51% dos estudantes ficaram no mesmo estágio de aprendizado, segundo a percepção de pais e de responsáveis entrevistados na pesquisa. A ausência de aulas presenciais e, por vezes, falta de capacidade técnica dos familiares para ensinar são alguns fatores apontados como as maiores dificuldades no processo de alfabetização durante este período de escolas fechadas. [...] 
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2021/08/os-desafios-da-alfabetizacao-na-pandemia.shtml. Acesso em: 01 set. 2021. (Fragmento)

No texto acima, há alternância de tempos verbais no pretérito e no presente. Essa alternância ocorre para 
Alternativas
Q1883184 Português

Para responder à questão, considere o fragmento de texto abaixo.




Bechara diz que: “Acentuação é o modo de proferir um som ou grupo de sons com mais relevo do que outros. Este relevo se denomina acento”. Considerando o uso de acento gráfico em determinadas palavras do fragmento e o que nos diz Bechara, avalie as assertivas que seguem:


I. Caso de fizessem alterações no contexto de ocorrência e fosse necessário flexionar a forma verbal ‘propõem’ (linha 04) na terceira pessoa do singular do mesmo tempo e modo verbais, deveríamos suprimir o -m e trocar o til pelo acento agudo, visando atender às regras de acentuação gráfica.

II. Os vocábulos trará e (linhas 05 e 06) são acentuadas por serem, respectivamente, oxítono terminado em -a, e monossílabo terminado na vogal tônica aberta -a.

III. Os vocábulos porém (linha 07) e contrário (linha 09) são acentuados por distintas regras. Ambos, em outro contexto, poderiam ser grafados sem o acentuado gráfico, alterando-se, pois, a classe gramatical a que pertencem.


Quais estão corretas?

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Q1882219 Português
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.



As lições das árvores que perdem as folhas no outono





(Disponível em: https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/opiniao/colunistas/lira-neto/ – texto adaptado especialmente para esta prova). 


Assinale a alternativa que indica uma ação terminada no passado.
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Q1880696 Português
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão. 


(Disponível em: https://frotas.unidas.com.br/blog/entenda-os-grandes-riscos-de-usar-o-celular-no-transito/ – texto adaptado especialmente para esta prova)
O verbo “vemos” (linha 02) está conjugado no tempo verbal: 
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Q1880110 Português

FUGA

        Mal colocou o papel na máquina, o menino começou a empurrar uma cadeira pela sala, fazendo um barulho infernal.

        — Para com esse barulho, meu filho — falou, sem se voltar.

       Com três anos, já sabia reagir como homem ao impacto das grandes injustiças paternas: não estava fazendo barulho, estava só empurrando uma cadeira.

        — Pois então para de empurrar a cadeira.

        — Eu vou embora — foi a resposta.

        Distraído, o pai não reparou que ele juntava ação às palavras, no ato de juntar do chão suas coisinhas, enrolando-as num pedaço de pano. Era a sua bagagem: um caminhão de plástico com apenas três rodas, um resto de biscoito, uma chave (onde diabo meteram a chave da despensa? a mãe mais tarde irá dizer), metade de uma tesourinha enferrujada, sua única arma para a grande aventura, um botão amarrado num barbante.

        A calma que baixou então na sala era vagamente inquietante. De repente o pai olhou ao redor e não viu o menino. Deu com a porta da rua aberta, correu até o portão:

       — Viu um menino saindo desta casa? — gritou para o operário que descansava diante da obra, do outro lado da rua, sentado no meio-fio.

       — Saiu agora mesmo com uma trouxinha — informou ele.

      Correu até a esquina e teve tempo de vê-lo ao longe, caminhando cabisbaixo ao longo do muro. A trouxa, arrastada no chão, ia deixando pelo caminho alguns de seus pertences: o botão, o pedaço de biscoito e — saíra de casa prevenido — uma moeda de um cruzeiro. Chamou-o, mas ele apertou o passinho e abriu a correr em direção à avenida, como disposto a atirar-se diante do ônibus que surgia à distância.

         — Meu filho, cuidado!

      O ônibus deu uma freada brusca, uma guinada para a esquerda, os pneus cantaram no asfalto. O menino, assustado, arrepiou carreira. O pai precipitou-se e o arrebanhou com o braço como um animalzinho:

          — Que susto você me passou, meu filho — e apertava-o contra o peito comovido.

         — Deixa eu descer, papai. Você está me machucando.

         Irresoluto, o pai pensava agora se não seria o caso de lhe dar umas palmadas:

          — Machucando, é? Fazer uma coisa dessas com seu pai.

        — Me larga. Eu quero ir embora. Trouxe-o para casa e o largou novamente na sala — tendo antes o cuidado de fechar a porta da rua e retirar a chave, como ele fizera com a da despensa.

          — Fique aí quietinho, está ouvindo? Papai está trabalhando.

          — Fico, mas vou empurrar esta cadeira.

           E o barulho recomeçou.

Fonte: SABINO, Fernando. Fuga. In: Os melhores contos. Rio de Janeiro: Record, 1986. p.122-123. 

Em “(...) saíra de casa prevenido (...)”, a forma verbal sublinhada poderia ser substituída por: 
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Q1877162 Português
Considere o fragmento abaixo, retirado da obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos para responder à questão.


    “E, pensando bem, ele não era homem: era apenas um cabra ocupado em guardar coisas dos outros. Vermelho, queimado, tinha os olhos azuis, a barba e os cabelos ruivos; mas como vivia em terra alheia, cuidava de animais alheios, descobria-se, encolhia-se na presença dos brancos e julgava-se cabra.” (2009, p.18)
Caso o fragmento apontado fosse usado, em aula de Língua Portuguesa, para discutir o emprego dos tempos verbais, a escolha do pretérito imperfeito do indicativo deveria ser justificada por representar em alguns momentos:
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Q1876423 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Vida


Não coma a vida com garfo e faca. Lambuze-se!

Muita gente guarda a vida para o futuro.

Mesmo que a vida esteja na geladeira, se você não a viver, ela se deteriorará.

É por isso que tantas pessoas se sentem emboloradas na meia-idade. Elas guardam a vida, não se entregam ao amor, ao trabalho, não ousaram, não foram em frente.

Depois chega o momento em que se conscientizam: "Puxa, passei fome para guardar essas batatas e elas apodreceram."

Não deixe sua vida ficar muito séria.

Viva como se estivesse num jogo, saboreie tudo o que conseguir, as derrotas e as vitórias, a força do amanhecer e a poesia do anoitecer.

Você não faz a diferença para ninguém se não fizer para si mesmo. Trate-se como você trataria um grande amor.


Roberto Shinyashiki.

https://www.contandohistorias.com.br/html/contandohistorias.html
No trecho, "Muita gente GUARDA a vida para o futuro." a forma verbal "GUARDA", está conjugada no:
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Q1874512 Português
Texto CG1A1-II

   Rejeito as doutrinas do arbítrio; abomino as ditaduras de todo gênero, militares, ou científicas, coroadas, ou populares; detesto os estados de sítio, as suspensões de garantias, as razões de estado, as leis de salvação pública; odeio as combinações hipócritas do absolutismo dissimulado sob as formas democráticas e republicanas; oponho-me aos governos de seitas, aos governos de facção, aos governos de ignorância; e, quando esta se traduz pela abolição geral das grandes instituições docentes, isto é, pela hostilidade radical à inteligência do país nos focos mais altos de sua cultura, a estúpida selvageria dessa fórmula administrativa impressiona-me como o bramir de um oceano de barbaria ameaçando as fronteiras de nossa nacionalidade. 

Rui Barbosa. Discursos, Orações e Conferências.
Livraria e Editora Iracema: São Paulo, p. 95-96.
No texto CG1A1-II, os termos “Rejeito”, “abomino”, “detesto”, “odeio” e “oponho-me” (que iniciam as cinco primeiras orações, respectivamente) 
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Q1864456 Português
A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.


As formas verbais existisse (l. 09), seria (l. 09) e inclui (l.15) estão conjugadas, respectivamente, no
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Q1864416 Português
A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.


Analise as seguintes afirmações:

I. O narrador usa o pretérito perfeito para descrever as ações do segundo parágrafo.
II. O narrador usa o pretérito imperfeito para descrever personagem e cena entre as linhas 18 e 20.
III. No último parágrafo, para descrever o personagem Cintra o narrador usa o pretérito imperfeito.

Quais estão corretas? 
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Q1864310 Português
Em “Quão boas lembranças haveria, se não tivessem chegado aqueles tempos duros e rudes", o verbo destacado encontra-se no seguinte tempo verbal:
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Q1863441 Português
Texto CB1A1-II

    De um dia para o outro, parecia que a peste se tinha instalado confortavelmente no seu paroxismo e incorporava aos seus assassinatos diários a precisão e a regularidade de um bom funcionário. Em princípio, segundo a opinião de pessoas competentes, era bom sinal. O gráfico da evolução da peste, com sua subida incessante, parecia inteiramente reconfortante ao Dr. Richard. Daqui em diante, só poderia decrescer. E ele atribuía o mérito disso ao novo soro de Gastei, que acabava de obter, com efeito, alguns êxitos imprevistos. As formas pulmonares da infecção, que já se tinham manifestado, multiplicavam-se agora nos quatro cantos da cidade. O contágio tinha agora probabilidade de ser maior, com essa nova forma de epidemia. Na realidade, as opiniões dos especialistas tinham sempre sido contraditórias sobre esse ponto. Havia, no entanto, outros motivos de inquietação em consequência das dificuldades de abastecimento, que cresciam com o tempo. A especulação interviera e oferecia, a preços fabulosos, os gêneros de primeira necessidade que faltavam no mercado habitual. As famílias pobres viam-se, assim, em uma situação muito difícil. A peste, que, pela imparcialidade eficaz com que exercia seu ministério, deveria ter reforçado a igualdade entre nossos concidadãos pelo jogo normal dos egoísmos, tornava, ao contrário, mais acentuado no coração dos homens o sentimento da injustiça. Restava, é bem verdade, a igualdade irrepreensível da morte, mas, esta, ninguém queria. Os pobres que sofriam de fome pensavam, com mais nostalgia ainda, nas cidades e nos campos vizinhos, onde a vida era livre e o pão não era caro. Difundira-se uma divisa que se lia, às vezes, nos muros ou se gritava à passagem do prefeito: “Pão ou ar”. Essa fórmula irônica dava o alarme de certas manifestações logo reprimidas, mas cuja gravidade todos percebiam.

Albert Camus. A peste. Internet: (com adaptações). 
Os sentidos do texto CB1A1-II seriam mantidos caso, no trecho “De um dia para o outro, parecia que a peste se tinha instalado confortavelmente no seu paroxismo”, a locução “tinha instalado” fosse substituída por
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Q1862277 Português
Assinale a alternativa em que o sentido indicado NÃO corresponde ao sentido veiculado pela perífrase verbal destacada no respectivo exemplo.
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Q1861851 Português
Texto 2

“ e repente, um índio jovem, neto do tuxaua Senembi, o Camaleão, que integrava a expedição de Carrasco, se aproxima de um dos cativos (que estava preso pela muçurana), bate nele brandamente, várias vezes, com a mão espalmada, e reivindica a sua posse, alegando que fora ele, neto de Senembi, quem primeiro tocara aquele inimigo, durante a luta – circunstância que lhe garantia o direito de executá-lo.” (Alberto Mussa, A primeira história do mundo, p. 129)
No texto 2 há um problema de construção, que é:
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Q1861850 Português
Texto 2

“ e repente, um índio jovem, neto do tuxaua Senembi, o Camaleão, que integrava a expedição de Carrasco, se aproxima de um dos cativos (que estava preso pela muçurana), bate nele brandamente, várias vezes, com a mão espalmada, e reivindica a sua posse, alegando que fora ele, neto de Senembi, quem primeiro tocara aquele inimigo, durante a luta – circunstância que lhe garantia o direito de executá-lo.” (Alberto Mussa, A primeira história do mundo, p. 129)
“...que integrava a expedição de Carrasco...” (texto 2); a forma verbal sublinhada está no pretérito imperfeito do indicativo, tempo verbal que indica uma ação:
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Q1861320 Português
Texto para a questão

Longe do sol, barragens subterrâneas guardam água e mudam vidas no sertão


Custo baixo, retorno alto e uma sobrevida à produção agrícola e criação de animais durante os períodos de seca no Nordeste. As barragens subterrâneas não são uma tecnologia nova, mas o longo período de estiagem as trouxeram de volta e se mostram uma solução para garantir a convivência do sertanejo com um semiárido cada vez mais quente e seco.

A ideia dessa barragem é simples: ela retém água da chuva para dentro do solo por meio de uma parede impermeável construída dentro da terra. Com 50 cm acima da superfície, essa parede no sentido contrário à descida das águas garante um armazenamento de água por até seis meses. 

(Carlos Madeiro - Colaboração para o UOL, em Maceió - 01/02/2020 04h00) Fonte: https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2020/02/01/longe-do-sol-barragens-subterraneas-guardam-aguae-mudam-vidas-no-sertao.htm




No trecho: “essa parede no sentido contrário à descida das águas garante um armazenamento de água por até seis meses.”, se colocarmos o termo “parede” no plural, como deve ficar a concordância verbal da frase, mantendo-se o mesmo tempo de conjugação original?
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Q1861019 Português

Texto CG1A1-I


    Começarei por vos contar em brevíssimas palavras um fato notável da vida camponesa ocorrido numa aldeia dos arredores de Florença há mais de quatrocentos anos. Permito-me pedir toda a vossa atenção para este importante acontecimento histórico porque, ao contrário do que é corrente, a lição moral extraível do episódio não terá de esperar o fim do relato, saltar-vos-á ao rosto não tarda.

    Estavam os habitantes nas suas casas ou a trabalhar nos cultivos quando se ouviu soar o sino da igreja. O sino ainda tocou por alguns minutos mais, finalmente calou-se. Instantes depois a porta abria-se e um camponês aparecia no limiar. Ora, não sendo este o homem encarregado de tocar habitualmente o sino, compreende-se que os vizinhos lhe tenham perguntado onde se encontrava o sineiro e quem era o morto. “O sineiro não está aqui, eu é que toquei o sino”, foi a resposta do camponês. “Mas então não morreu ninguém?”, tornaram os vizinhos, e o camponês respondeu: “Ninguém que tivesse nome e figura de gente, toquei a finados pela Justiça porque a Justiça está morta”.

    Que acontecera? Acontecera que o ganancioso senhor do lugar andava desde há tempos a mudar de sítio os marcos das estremas das suas terras. O lesado tinha começado por protestar e reclamar, depois implorou compaixão, e finalmente resolveu queixar-se às autoridades e acolher-se à proteção da justiça. Tudo sem resultado, a espoliação continuou. Então, desesperado, decidiu anunciar a morte da Justiça. Não sei o que sucedeu depois, não sei se o braço popular foi ajudar o camponês a repor as estremas nos seus sítios, ou se os vizinhos, uma vez que a Justiça havia sido declarada defunta, regressaram resignados, de cabeça baixa e alma sucumbida, à triste vida de todos os dias.

    Suponho ter sido esta a única vez que, em qualquer parte do mundo, um sino chorou a morte da Justiça. Nunca mais tornou a ouvir-se aquele fúnebre dobre da aldeia de Florença, mas a Justiça continuou e continua a morrer todos os dias. Agora mesmo, neste instante, longe ou aqui ao lado, à porta da nossa casa, alguém a está matando. De cada vez que morre, é como se afinal nunca tivesse existido para aqueles que nela tinham confiado, para aqueles que dela esperavam o que da Justiça todos temos o direito de esperar: justiça, simplesmente justiça. Não a que se envolve em túnicas de teatro e nos confunde com flores de vã retórica judicialista, não a que permitiu que lhe vendassem os olhos e viciassem os pesos da balança, não a da espada que sempre corta mais para um lado que para o outro, mas uma justiça pedestre, uma justiça companheira cotidiana dos homens, uma justiça para quem o justo seria o mais rigoroso sinônimo do ético, uma justiça que chegasse a ser tão indispensável à felicidade do espírito como indispensável à vida é o alimento do corpo. Uma justiça exercida pelos tribunais, sem dúvida, sempre que a isso os determinasse a lei, mas também, e sobretudo, uma justiça que fosse a emanação espontânea da própria sociedade em ação, uma justiça em que se manifestasse, como um iniludível imperativo moral, o respeito pelo direito a ser que a cada ser humano assiste.

José Saramago. Este mundo da injustiça globalizada.

Internet:<dominiopublico.gov.br> (com adaptações).

No texto CG1A1-I, ao empregar a forma verbal “Acontecera” (segundo período do terceiro parágrafo), o narrador trata de acontecimentos
Alternativas
Q1861014 Português

Texto CG1A1-I


    Começarei por vos contar em brevíssimas palavras um fato notável da vida camponesa ocorrido numa aldeia dos arredores de Florença há mais de quatrocentos anos. Permito-me pedir toda a vossa atenção para este importante acontecimento histórico porque, ao contrário do que é corrente, a lição moral extraível do episódio não terá de esperar o fim do relato, saltar-vos-á ao rosto não tarda.

    Estavam os habitantes nas suas casas ou a trabalhar nos cultivos quando se ouviu soar o sino da igreja. O sino ainda tocou por alguns minutos mais, finalmente calou-se. Instantes depois a porta abria-se e um camponês aparecia no limiar. Ora, não sendo este o homem encarregado de tocar habitualmente o sino, compreende-se que os vizinhos lhe tenham perguntado onde se encontrava o sineiro e quem era o morto. “O sineiro não está aqui, eu é que toquei o sino”, foi a resposta do camponês. “Mas então não morreu ninguém?”, tornaram os vizinhos, e o camponês respondeu: “Ninguém que tivesse nome e figura de gente, toquei a finados pela Justiça porque a Justiça está morta”.

    Que acontecera? Acontecera que o ganancioso senhor do lugar andava desde há tempos a mudar de sítio os marcos das estremas das suas terras. O lesado tinha começado por protestar e reclamar, depois implorou compaixão, e finalmente resolveu queixar-se às autoridades e acolher-se à proteção da justiça. Tudo sem resultado, a espoliação continuou. Então, desesperado, decidiu anunciar a morte da Justiça. Não sei o que sucedeu depois, não sei se o braço popular foi ajudar o camponês a repor as estremas nos seus sítios, ou se os vizinhos, uma vez que a Justiça havia sido declarada defunta, regressaram resignados, de cabeça baixa e alma sucumbida, à triste vida de todos os dias.

    Suponho ter sido esta a única vez que, em qualquer parte do mundo, um sino chorou a morte da Justiça. Nunca mais tornou a ouvir-se aquele fúnebre dobre da aldeia de Florença, mas a Justiça continuou e continua a morrer todos os dias. Agora mesmo, neste instante, longe ou aqui ao lado, à porta da nossa casa, alguém a está matando. De cada vez que morre, é como se afinal nunca tivesse existido para aqueles que nela tinham confiado, para aqueles que dela esperavam o que da Justiça todos temos o direito de esperar: justiça, simplesmente justiça. Não a que se envolve em túnicas de teatro e nos confunde com flores de vã retórica judicialista, não a que permitiu que lhe vendassem os olhos e viciassem os pesos da balança, não a da espada que sempre corta mais para um lado que para o outro, mas uma justiça pedestre, uma justiça companheira cotidiana dos homens, uma justiça para quem o justo seria o mais rigoroso sinônimo do ético, uma justiça que chegasse a ser tão indispensável à felicidade do espírito como indispensável à vida é o alimento do corpo. Uma justiça exercida pelos tribunais, sem dúvida, sempre que a isso os determinasse a lei, mas também, e sobretudo, uma justiça que fosse a emanação espontânea da própria sociedade em ação, uma justiça em que se manifestasse, como um iniludível imperativo moral, o respeito pelo direito a ser que a cada ser humano assiste.

José Saramago. Este mundo da injustiça globalizada.

Internet:<dominiopublico.gov.br> (com adaptações).

Mantendo-se os sentidos do último período do terceiro parágrafo do texto CG1A1-I, a expressão “havia sido” poderia ser substituída por
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Q1860957 Português

Texto CG1A1

    

    Na casa vazia, sozinha com a empregada, já não andava como um soldado, já não precisava tomar cuidado. Mas sentia falta da batalha das ruas. Melancolia da liberdade, com o horizonte ainda tão longe. Dera-se ao horizonte. Mas a nostalgia do presente. O aprendizado da paciência, o juramento da espera. Do qual talvez não soubesse jamais se livrar. A tarde transformando-se em interminável e, até todos voltarem para o jantar e ela poder se tornar com alívio uma filha, era o calor, o livro aberto e depois fechado, uma intuição, o calor: sentava-se com a cabeça entre as mãos, desesperada. Quando tinha dez anos, relembrou, um menino que a amava jogara-lhe um rato morto. Porcaria! berrara branca com a ofensa. Fora uma experiência. Jamais contara a ninguém. Com a cabeça entre as mãos, sentada. Dizia quinze vezes: sou vigorosa, sou vigorosa, sou vigorosa — depois percebia que apenas prestara atenção à contagem. Suprindo com a quantidade, disse mais uma vez: sou vigorosa, dezesseis. E já não estava mais à mercê de ninguém. Desesperada porque, vigorosa, livre, não estava mais à mercê. Perdera a fé. Foi conversar com a empregada, antiga sacerdotisa. Elas se reconheciam. As duas descalças, de pé na cozinha, a fumaça do fogão. Perdera a fé, mas, à beira da graça, procurava na empregada apenas o que esta já perdera, não o que ganhara. Fazia-se pois distraída e, conversando, evitava a conversa. “Ela imagina que na minha idade devo saber mais do que sei e é capaz de me ensinar alguma coisa”, pensou, a cabeça entre as mãos, defendendo a ignorância como a um corpo. Faltavam-lhe elementos, mas não os queria de quem já os esquecera. A grande espera fazia parte. Dentro da vastidão, maquinando.

Clarice Lispector. Preciosidade. In: Laços de Família.

Rio de Janeiro: Rocco, 1998, p. 86-87 (com adaptações). 

No trecho “Quando tinha dez anos, relembrou, um menino que a amava jogara-lhe um rato morto. Porcaria! berrara branca com a ofensa. Fora uma experiência.”, do texto CG1A1, o termo “Fora” poderia ser substituído, sem prejuízo dos sentidos do texto, por 
Alternativas
Respostas
1561: C
1562: D
1563: E
1564: E
1565: C
1566: C
1567: A
1568: D
1569: D
1570: C
1571: E
1572: B
1573: A
1574: D
1575: A
1576: E
1577: D
1578: C
1579: B
1580: C