Questões de Concurso
Sobre flexão verbal de modo (indicativo, subjuntivo, imperativo) em português
Foram encontradas 4.048 questões
“quando viver só fazia sentido se compartilhado com os amigos”.

“E talvez o segredo esteja justamente na simplicidade”.
Leia o texto abaixo e responda à questão
Algofobia
Trecho do livro “Sociedade paliativa” de autoria de Byung-Chul Han
“Dize tua relação com a dor, e te direi quem és!” Este ditado de Ernst Jünger pode ser extrapolado para a sociedade como um todo. A nossa relação com a dor mostra em que sociedade vivemos. Dores são cifras. Elas contêm a chave para o entendimento de toda a sociedade. Assim, cada crítica da sociedade tem de levar a cabo uma hermenêutica da dor. Caso se deixe a dor apenas a cargo da medicina, deixamos escapar o seu caráter de signo [Zeichencharakter].
Hoje impera por todo lugar uma algofobia, uma angústia generalizada diante da dor. Também a tolerância à dor diminui rapidamente. A algofobia tem por consequência uma anestesia permanente. Toda condição dolorosa é evitada. Tornam-se suspeitas, entrementes, também as dores de amor. A algofobia se prolonga no social. Conflitos e controvérsias que poderiam levar a confrontações dolorosas têm cada vez menos espaço. A algofobia se estende também à política. A coação à conformidade e a pressão por consenso crescem. A política se orienta em uma zona paliativa e perde toda vitalidade. A “falta de alternativa” é um analgésico político. O “centro” difuso atua paliativamente. Em vez de debater e lutar pelos melhores argumentos, entregamo-nos à compulsão por sistema [Systemzwang]. Uma pós-democracia se anuncia. Ela é uma democracia paliativa. Por isso, Chantal Mouffe demanda uma “política agonística”, que não evita confrontações dolorosas. A política paliativa não é capaz de visões ou de reformas penetrantes. Ela prefere tomar analgésicos de curto efeito, que apenas aceleram disfunções e rejeições. A política paliativa não tem nenhuma coragem para a dor. Desse modo, o igual [das Gleiche] avança.
Há uma mudança de paradigma no fundamento da algofobia atual. Vivemos em uma sociedade da positividade, que busca se desonerar de toda forma de negatividade. A dor é a negatividade pura e simplesmente. Também a psicologia segue essa mudança de paradigma e passa, da psicologia negativa como “psicologia do sofrimento”, para a “psicologia positiva”, que se ocupa com o bem-estar, a felicidade e o otimismo. Pensamentos negativos devem ser evitados. Eles devem ser substituídos imediatamente por pensamentos positivos. A psicologia positiva submete a própria dor a uma lógica do desempenho. A ideologia neoliberal da resiliência transforma experiências traumáticas em catalisadores para o aumento do desempenho. Fala-se até mesmo de crescimento pós traumático. O treino de resiliência como treino de resistência espiritual tem de formar, a partir do ser humano, um sujeito de desempenho permanentemente feliz, o mais insensível à dor possível.
A missão de felicidade da psicologia positiva e a promessa de um oásis de bem-estar medicamente produzível são irmanadas. A crise de opioides estadunidense tem [um] caráter paradigmático. Dela toma parte não apenas a cobiça material de uma empresa farmacológica. Antes há, em seu fundamento, uma suposição fatal para a existência humana. Só uma ideologia do bem-estar permanente pode levar a que medicamentos que eram originariamente usados na medicina paliativa sejam usados com grande pompa também nos saudáveis. Não por acaso o especialista em dor estadunidense David B. Morris já notava, décadas atrás: “Os americanos de hoje pertencem, provavelmente, à primeira geração da Terra que veem uma existência livre de dor como um direito constitucional. Dores são um escândalo”.
A sociedade paliativa coincide com a sociedade do desempenho. A dor é vista como um sinal de fraqueza. Ela é algo que deve ser ocultado ou ser eliminado por meio da otimização [wegzuoptimieren]. Ela não é compatível com o desempenho. A passividade do sofrer não tem lugar na sociedade ativa dominada pelo poder [Können]. Hoje se remove à dor qualquer possibilidade de expressão. Ela é, além disso, condenada a calar-se. A sociedade paliativa não permite avivar, verbalizar a dor em uma paixão.
A sociedade paliativa é, ademais, uma sociedade do curtir [Gefällt-mir]. Ela degenera em uma mania de curtição [Gefälligkeitswahn]. Tudo é alisado até que provoque bem-estar. O like é o signo, sim, o analgésico do presente. Ele domina não apenas as mídias sociais, mas todas as esferas da cultura. Nada deve provocar dor. Não apenas a arte, mas também a própria vida tem de ser instagramável, ou seja, livre de ângulos e cantos, de conflitos e contradições que poderiam provocar dor. Esquece-se que a dor purifica. Falta, à cultura da curtição, a possibilidade da catarse. Assim, sufocamo-la com os resíduos [Schlacken] da positividade, que se acumulam sob a superfície da cultura de curtição.
Fonte: Han, Byung-Chul. Sociedade paliativa: a dor hoje. 1.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2021.
INFINITA ENQUANTO DURE
Lucília Diniz
Por uma dessas indiscrições que a tecnologia permite, ficamos sabendo de uma conversa inusitada entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o dirigente da China, Xi Jinping. Enquanto caminhavam em Pequim, os líderes falaram sobre a possibilidade de prolongar, ou até eternizar, a existência, por meio de transplantes de órgãos. Os dois septuagenários sentiam-se ainda muito jovens diante do que a tecnologia médica pode-lhes oferecer. Putin sempre divulgou imagens em que aparece praticando exercícios. Xi também é um notório fã de esportes, embora visivelmente mais discreto. Não me lembro de ter visto uma foto sua em que não usasse terno e gravata ou o traje tradicional chinês. Os líderes sabem, portanto, a relevância da atividade física, até porque precisam de muita energia para estar há tanto tempo à frente de duas enormes potências. Mas me espantou que a expectativa deles fosse a de recorrer a cirurgias para viver mais.
Não é uma questão apenas de governantes poderosos. Nos últimos anos, alguns dos maiores investidores do planeta, do Vale do Silício a fundado res de empresas de tecnologia e biotecnologia, têm colocado bilhões de dólares em start-ups que prometem retardar ou reverter o envelhecimento, rejuvenescer células e desenvolver medicamentos capazes de ampliar não só a expectativa, mas a qualidade de vida. Há quem aposte em terapias celulares, quem veja na inteligência artificial a chave para descobrir novas drogas e até quem gaste for tunas em regimes pessoais para ter, aos 50, exames compatíveis com os de alguém de 20.
É claro que a ideia de prolongar indefinidamente a existência não é nova. O fascínio da literatura com o potencial da ciência está em grandes obras da língua inglesa, que se tornaram clássicas justamente porque o tema é, com perdão da ironia, imortal. Temos o Frankenstein, em que o cientista obcecado em gerar vida no laboratório acaba criando um monstro. A busca pela juventude eterna é o mote de O Retrato de Dorian Gray, no qual uma pintura envelhece no lugar de seu dono. Mesmo o vampiro mais famoso de todos, o Drácula, é um ser que se eterniza à custa de sangue novo.
Hoje, porém, o grau de realismo científico já ultrapassa a ficção. Ao mesmo tempo, surgem questões filosóficas: se a imortalidade estivesse ao alcance, qual você escolheria? A do corpo que se mantém jovem indefinida mente? A da mente que não perde memória nem clareza? Se você soubesse que jamais morreria, quais seriam suas prioridades na vida?
Se tento responder, imagino que não gostaria de uma existência infinita sem a companhia das pessoas que amo. A minha escolha talvez recaísse sobre a eternidade da experiência afetiva, a possibilidade de atravessar gerações com os meus. Mas, no fundo, tenho para mim que o mais decisivo é viver bem a vida que se tem, sem jamais descuidar dela. Os cuidados preventivos de saúde, com boa alimentação e, sempre, o exercício, continuam sendo os pilares mais concretos para viver muito e, sobretudo, melhor. Foi graças à cultura de investir nesses cuidados que os avanços médicos nos proporcionaram o maior salto de qualidade de vida das últimas décadas. Que a vida possa, como o amor do poeta Vinicius de Moraes, ser infinita enquanto dure.
Disponível em: https://veja.abril.com.br/ Acesso em: 06 jun. 2026.
Abordando tipologia textual, leia os itens, marque (V) verdadeiro ou (F) falso e assinale a alternativa correta.
( ) Discurso indireto: pronomes e flexão verbal em 1ª ou 2ª pessoa. Exemplo: - Quero estudar, disse a menina.
( ) Discurso direto: tempos verbais (ordenados em relação ao momento da fala), presente do indicativo, (A nota é a mesma, afirmou o professor); pretérito perfeito, (Tudo continuou na mesma, retrucou a mulher); futuro do presente, (A tarefa estará terminada, sentenciou o patrão); modo imperativo, (Não saia daqui, afirmou a mãe).
( ) Discurso indireto: pronomes e flexão verbal em 3ª pessoa. Exemplo: A criança disse que queria brincar.
( ) Discurso indireto: tempos verbais (em correlação com o tempo em que se situa o narrador), pretérito imperfeito, (O professor confirmou que a nota era a mesma); pretérito mais-que perfeito, (O médico disse que tudo permanecera como antes); futuro do pretérito, (A namorada sentenciou que tudo estaria terminado em pouco tempo); modo subjuntivo, (A secretária determinou que não entrasse na sala).
Texto III:
‘Mundo paralelo’: as pessoas viciadas em sonhar acordadas
Molly Gorman - BBC Future - 6 junho 2026
Contei ao psiquiatra e pesquisador americano Colin Ross que tenho sonhos vívidos e imersivos quando estou acordada, que me fazem chorar ou rir alto.
Também contei a ele que gosto desses sonhos e tenho o poder de mergulhar e sair deles quando quiser.
Ele ficou impressionado com meus “dons atléticos” e me sugeriu considerar a possibilidade de seguir carreira como atriz. Não tenho tanta certeza sobre isso, mas aceito com prazer o elogio.
Mas o que acontece se você não conseguir desligar esse cinema interno? Este é o problema vivido por pessoas que sofrem de uma condição conhecida como devaneio excessivo (maladaptive daydreaming, em inglês).
Elas costumam passar mais da metade do seu tempo acordadas criando fantasias elaboradas e incrivelmente detalhadas, com narrativas e personagens na sua mente.
Ross diz que, em casos extremos, as pessoas podem sonhar acordadas por até 12 horas por dia. E os roteiros das suas histórias podem se desenrolar por décadas.
Pode parecer maravilhoso e inspirador, mas estas pessoas ficam tão imersas no seu mundo interior que podem sofrer enormes rupturas na vida cotidiana, resultando em grave sofrimento.
O devaneio excessivo não é algo tão raro quanto pode parecer. “Provavelmente, está na faixa de 2% a 4% da população adulta”, segundo Ross.
Sonhar acordado é geralmente considerado uma atividade mental normal de quase todas as pessoas.
Pesquisadores calculam, com base em questionários preenchidos em estudos, que 30% a 50% da nossa atividade mental quando estamos acordados é gasta em pensamentos que não têm relação com o que estamos fazendo naquele momento.
Sonhar acordado pode beneficiar a regulação emocional, empatia e criatividade. E também pode reduzir o tédio e ajudar as pessoas a encontrar significado nas suas experiências de vida.
Mas o devaneio excessivo pode nos “absorver completamente”, segundo Ross.
“Ele causa desconforto e interfere com a nossa capacidade de funcionamento... mas continuamos sonhando porque ele tem características compulsivas.”E é isso que o transforma em um transtorno de adaptação.
Quando, em algum momento, as pessoas que sofrem de devaneio excessivo saem de um dos seus sonhos diurnos, elas tendem a considerar suas fantasias como algo fútil, um desperdício de tempo.
Mas a sua natureza viciante faz com que o ciclo continue e passe a ser difícil de interromper.
A experiência de Kyla Borcherds é um exemplo. Ela se lembra de criar “outros mundos” na sua cabeça, quando tinha apenas quatro anos de idade.
Isso se intensificou quando ela se mudou para uma nova escola e as outras crianças zombavam do seu sotaque. As histórias passaram a ser o seu “lugar seguro”, onde “ninguém me importunava e as pessoas gostavam de mim”.
Borcherds continuou a sonhar acordada, até que aquilo se tornou uma compulsão que durava horas de cada vez.
“Era simplesmente um desejo muito poderoso, como as pessoas dizem que têm desejo, sabe, de se encher de chocolate ou de ficar nas redes sociais”, ela conta.
É aqui que um comportamento saudável pode se tornar prejudicial.
“O problema surge quando a pessoa não domina mais a fantasia e a fantasia começa a dominar a pessoa”, explica o professor emérito de psicologia clínica Eli Somer, da Universidade de Haifa, em Israel. Ele cunhou a expressão maladaptive daydreaming em inglês e vem pesquisando esta condição há mais de duas décadas.
O devaneio excessivo, muitas vezes, surge e é mantido quando ouvimos música ou praticamos atividades físicas repetitivas, como caminhar. Cerca de 80% das pessoas incorporam gestos físicos inconscientes para manter a concentração, quando estão imersos nos seus sonhos diurnos.
Para Kyla Borcherds, isso inclui subir e descer a entrada de casa com seus patins ou passar horas lançando uma bola contra a parede.
O tempo passado sonhando acordado faz com que as pessoas que sofrem de devaneio excessivo se afastem naturalmente de ocasiões sociais ou relacionamentos, passando a ficar isoladas — o que, por sua vez, gera um ciclo de vergonha e culpa.
[...]
Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cd0p9p9g7m5o. Acesso em: 17 jun. 2026.
I- O termo também pode ser classificado como advérbio. II- O termo que é uma conjunção subordinativa integrante. III- O termo poder é um verbo no infinitivo. IV- O termo quiser é um verbo no futuro do subjuntivo.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
“Eu era apaixonado por brigadeiro, por panelinha de coco, por pastel de nata, por queijadinha, por quindim, por guloseimas pequeninas e explosivas de vitalidade. Atualmente só me interesso pela estética e pelo perfume do pudim de leite: a simétrica redoma furada que me sacia por alguns prósperos momentos.
[...]
Não é que eu fiquei mais tradicional, é que tenho saudade de quem fui e de quem se despediu de mim.”
Considerando o valor que cada forma verbal assume no contexto, é correto afirmar que:
"Quando vocês ___________, peço que me avisem."
Assinale a alternativa em que todas as expressões propostas completam corretamente a lacuna da frase acima.
BROWNE, Dik. Hagar o horrível. Disponível em <https://www.instagram.com/hagar_ohorrivel/p/DYKMYjhFn58/?img_index=2>.
A forma verbal destacada na fala "(...) você não estaria aqui hoje se eu fosse tão seletiva!" se encontra no modo:
11TEXTO I
A Bela e a Fera
A Fera era uma Fera mesmo. Tão feia que, quando olhava no espelho, o espelho quebrava de susto. Morava num castelo imenso, cercado de espinhos e solidão. Certo dia, um velho mercador se perdeu na floresta e acabou colhendo uma rosa no jardim da Fera. A Fera, surgindo do nada com um rugido de tremer as estruturas, disse: "Vou te matar! A menos que você me traga sua filha mais bela para morar comigo".
O velho, apavorado, levou a Bela. No começo, ela chorava muito, achando que seria devorada no jantar. Mas a Fera era um doce. Tratava a moça com as melhores iguarias, dava-lhe joias, lia poesia (embora com aquela voz de britadeira) e nunca, jamais, tentou qualquer gracinha. Com o tempo, Bela foi se acostumando. Começou a achar que a feiura da Fera era apenas uma "característica exótica".
Um dia, Bela pediu para visitar o pai doente. A Fera, com o coração na mão (figuradamente, claro), deixou: "Mas volte em uma semana, ou eu morrerei de tristeza". Bela foi, se distraiu com as irmãs invejosas e demorou dez dias. Quando voltou, encontrou a Fera estirada no jardim, quase morta. Chorando, Bela abraçou o monstro e disse: "Eu te amo, Fera! Case comigo!".
Nesse momento, uma explosão de luz! A Fera se transformou num Príncipe lindo, loiro, de olhos azuis e roupas de seda. Bela olhou para ele de cima a baixo, deu um passo atrás e disse:
— Ah, não! Assim não serve.
— Por que? — perguntou o Príncipe, chocado.
— Eu sou lindo!— Pois é — respondeu Bela, fazendo as malas.
— O que eu gostava em você era o contraste. Agora você é igual a todos os outros. E foi embora, deixando o Príncipe sozinho com sua beleza e sua perplexidade.
(Versão de Millor Fernandes)
"Quando o sol nasceu, o viajante seguia por uma estrada silenciosa e imaginava os desafios que ainda enfrentaria."
O verbo destacado acima está flexionado no:
Texto CG1A1
Um dos
temas correntes da psicologia dos preços é que as avaliações de valor monetário
têm muito em comum com julgamentos sensoriais, como os relativos a peso,
brilho, altura, calor, frio ou intensidade de odores. O estudo das percepções
sensoriais é conhecido como psicofísica. Nos anos 1800, os psicofísicos
mostraram que as pessoas são muito sensíveis às diferenças e não tão sensíveis
a valores absolutos. Digamos que você esteja diante de duas maletas idênticas,
uma com 12 kg e outra com 13 kg; nesse caso, basta levantá-las para saber qual
é a mais pesada. Porém, sem uma balança, é difícil saber se qualquer uma das
malas atenderia ao limite de 16 kg de uma companhia aérea.
O mesmo
tipo de desconhecimento se aplica em relação aos preços. Este fato
importantíssimo passa quase despercebido. Isso acontece porque vivemos nossas
vidas sob uma nuvem midiática de preços e valores de mercado. Como nos
lembramos do que as coisas “deveriam” custar, somos induzidos a pensar que
temos um sentido infalível de valor. Os consumidores são como uma pessoa com
problemas de visão que consegue se virar em um ambiente familiar porque
memorizou onde estão os móveis. Isso é uma compensação; nada tem a ver com
acuidade visual.
De vez
em quando, recebemos alguma dica do quanto o sentido do preço é míope. Qualquer
um que já tenha vendido artigos pessoais sabe como é difícil atribuir um preço
justo a produtos usados. “Este CD antigo da Tribe Called Quest deve valer o
dobro deste da Alanis Morissette. Só não sei se o CD da Tribe deveria ser
vendido por US$ 10 ou US$ 0,10”.
Em um
artigo de 2003, os economistas Dan Ariely, George Loewenstein e Drazen Prelec
chamaram esta curiosa combinação de “convicção e incerteza de arbitrariedade
coerente”. As avaliações relativas são estáveis e coerentes, enquanto os
valores em dólares podem ser descontroladamente arbitrários. A venda de artigos
pessoais revela uma verdade que talvez não tenhamos coragem de admitir em
transações comerciais: os preços são números inventados que nem sempre envolvem
muita convicção.
Os
números que fazem nosso mundo girar não são tão sólidos, imutáveis e
logicamente fundamentados quanto aparentam. Na nova psicologia dos preços, os
valores são escorregadios e incertos, tão fluidos quanto os reflexos nos
espelhos de um parque de diversões.
William Poundstone. Preço: o mito do valor justo e como tirar vantagem disso. Tradução:
Adriana Rieche. 1.ª ed. Rio de
Janeiro: Best Business, 2015 [recurso digital] (com adaptações).
Texto CG1A1
Um dos
temas correntes da psicologia dos preços é que as avaliações de valor monetário
têm muito em comum com julgamentos sensoriais, como os relativos a peso,
brilho, altura, calor, frio ou intensidade de odores. O estudo das percepções
sensoriais é conhecido como psicofísica. Nos anos 1800, os psicofísicos
mostraram que as pessoas são muito sensíveis às diferenças e não tão sensíveis
a valores absolutos. Digamos que você esteja diante de duas maletas idênticas,
uma com 12 kg e outra com 13 kg; nesse caso, basta levantá-las para saber qual
é a mais pesada. Porém, sem uma balança, é difícil saber se qualquer uma das
malas atenderia ao limite de 16 kg de uma companhia aérea.
O mesmo
tipo de desconhecimento se aplica em relação aos preços. Este fato
importantíssimo passa quase despercebido. Isso acontece porque vivemos nossas
vidas sob uma nuvem midiática de preços e valores de mercado. Como nos
lembramos do que as coisas “deveriam” custar, somos induzidos a pensar que
temos um sentido infalível de valor. Os consumidores são como uma pessoa com
problemas de visão que consegue se virar em um ambiente familiar porque
memorizou onde estão os móveis. Isso é uma compensação; nada tem a ver com
acuidade visual.
De vez
em quando, recebemos alguma dica do quanto o sentido do preço é míope. Qualquer
um que já tenha vendido artigos pessoais sabe como é difícil atribuir um preço
justo a produtos usados. “Este CD antigo da Tribe Called Quest deve valer o
dobro deste da Alanis Morissette. Só não sei se o CD da Tribe deveria ser
vendido por US$ 10 ou US$ 0,10”.
Em um
artigo de 2003, os economistas Dan Ariely, George Loewenstein e Drazen Prelec
chamaram esta curiosa combinação de “convicção e incerteza de arbitrariedade
coerente”. As avaliações relativas são estáveis e coerentes, enquanto os
valores em dólares podem ser descontroladamente arbitrários. A venda de artigos
pessoais revela uma verdade que talvez não tenhamos coragem de admitir em
transações comerciais: os preços são números inventados que nem sempre envolvem
muita convicção.
Os
números que fazem nosso mundo girar não são tão sólidos, imutáveis e
logicamente fundamentados quanto aparentam. Na nova psicologia dos preços, os
valores são escorregadios e incertos, tão fluidos quanto os reflexos nos
espelhos de um parque de diversões.
William Poundstone. Preço: o mito do valor justo e como tirar vantagem disso. Tradução:
Adriana Rieche. 1.ª ed. Rio de
Janeiro: Best Business, 2015 [recurso digital] (com adaptações).