Questões de Concurso
Sobre figuras de linguagem em português
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Com base nas figuras de pensamento, assinale a alternativa correta:
Texto VIII
“Hipálage: consiste em deslocar um determinante de uma posição sintática, em que, por razões semânticas, se esperaria que ele estivesse, para outro lugar, em que contrai uma relação de determinação com outro termo.”
(FIORIN, José Luiz. Figuras retóricas. 1ª ed. São Paulo: Contexto, 2014, p. 66)
A figura de linguagem explicada, estritamente literária, exemplifica-se com
Leia o Texto IV para responder à questão.
O Casaco
Um homem estava anoitecido.
Se sentia por dentro um trapo social.
Igual se, por fora, usasse um casaco rasgado
e sujo.
Tentou sair da angústia.
Isto ser:
Ele queria jogar o casaco rasgado e sujo no
lixo.
Ele queria amanhecer.
(BARROS, Manuel de.Poesia Completa. São Paulo: Leya, 2010, pág. 445)
Texto III para a questão.

NÃO: JÁ NÃO FALO DE TI. (Cecília Meireles).
Não: já não falo de ti, já não sei de saudades.
Feche-se o coração como um livro, cheio de imagens,
de palavras adormecidas, em altas prateleiras,
até que o pó desfaça o pobre desespero sem força,
que um dia, pode ser, parece tão terrível.
A aranha dorme em sua teia, lá fora, entre a roseira e o muro.
Resplandecem os azulejos e tudo quanto posso ver.
O resto é imaginado, e não coincide, e é temerário
cismar. Talvez se as pálpebras pudessem
inventar outros sonhos, não de vida...
Ah! rompem-se na noite ardentes violas,
pelo ar e pelo frio subitamente roçadas.
Por onde pascerão, nestes céus invioláveis,
nossas perguntas com suas crinas de séculos arrastando-se...
Não só de amor a noite transborda mas de terríveis
crueldades, loucuras, de homicídios mais verdadeiros.
Os homens de sangue estão nas esquinas resfolegando,
e os homens da lei sonolentos movem letras
sobre imensos papéis que eles mesmos não entendem...
Ah! que rosto amaríamos ver inclinar-se na aérea varanda?
Nem os santos podem mais nada. Talvez os anjos abstratos
da álgebra e da geometria.
COLUNA I. A- Comparação. B- Metáfora. C- Catacrese. D- Prosopopeia. E- Antítese. F- Hipérbole.
COLUNA II. (1) Vou até o fim do mundo atrás de você. (2) Para temperar o churrasco, use alguns dentes de alho. (3) Os homens não melhoram e matam-se como percevejos. (Carlos Drummond de Andrade). (4) Ando devagar / porque já tive pressa / e levo esse sorriso / porque já chorei demais. (Renato Teixeira e Almir Sater). (5) Os jovens são aves que voam pela manhã: seus voos são flechas em todas as direções. (Rubem Alves). (6) Duas araras-azuis trocavam opiniões sobre o amanhecer.
Twitter, a praça do ódio

TEXTO V
LÍNGUA
Gosto de sentir a minha língua roçar
A língua de Luís de Camões.
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar
A criar confusões de prosódia
E um profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões.
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa,
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade.
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E deixa os portugais morrerem à míngua,
“Minha pátria é minha língua”
- Fala Mangueira
Flor do Lácio Sambódromo
Lusamérica latim em pó
O que quer
o que pode
Esta língua?
Caetano Veloso. Velô, 1984.
A música de Caetano, um verdadeiro poema, versa sobre língua portuguesa, chamada de a última flor do Lácio, região, ainda do Império Romano, em que se falam as línguas provindas do latim. A questão toma o poema como unidade de análise.
COLUNA I. A- Polissíndeto. B- Prosopopeia. C- Aliteração. D- Sinestesia. E- Hipérbole. F- Antítese. G- Onomatopeia.
COLUNA II. (1) Usada para expressar de forma exagerada um fato, uma ideia, ou um sentimento, com o objetivo de dar mais ênfase ao que se quer dizer. (2) Consiste no aproveitamento de palavras, cuja pronúncia imita o som, ou a voz natural, dos seres. (3) É uma figura de linguagem, em que se usa com intencionalidade, a repetição de conectivo. (4) Consiste em mesclar, numa expressão, sensações percebidas por diferentes órgãos do sentido. (5) É atribuir características, ações e sentimentos humanos a seres inanimados, ou a animais. (6) Quando um fonema consonantal (igual, ou parecido) se repete em um enunciado. (7) Consiste na aproximação de palavras, ou expressões, de sentido oposto.
TEXTO II

QUINO, J. L. Toda Mafalda. São Paulo: Martins Fontes, 2003
Associe as colunas de acordo com as figuras de linguagem e assinale a alternativa correta:
COLUNA I.
A) Metáfora.
B) Comparação.
C) Prosopopeia.
D) Antítese.
E) Hipérbole.
F) Eufemismo.
G) Pleonasmo.
COLUNA II.
1- Foi inaugurada uma escola para crianças especiais.
2- Amar é mudar a alma de casa. (Mário Quintana).
3- Como beber dessa bebida amarga / Tragar a dor, engolir a labuta. (Chico Buarque).
4- A Lua assistia ao amor dos namorados.
5- És na minha vida como um luminoso poema que se lê comovidamente. (Manuel Bandeira).
6- Estou morto de saudades.
7- Antes, todos os caminhos iam / agora todos os caminhos vêm. (Mário Quintana).
Coluna I.
A- Denotação. B- Conotação. C- Figuras de linguagem. D- Figuras de palavras. E- Figuras de pensamento. F- Figuras sintáticas. G- Figuras fonéticas.
Coluna II.
(1) São recursos expressivos que se encontram na combinação das palavras, quando o conteúdo da frase expressa um jogo de conceitos. (2) São recursos expressivos que se revelam pelo modo não convencional com que as palavras são trabalhadas. (3) É o emprego da palavra fora do seu sentido normal: a ela é atribuído um significado novo, um sentido figurado. Ele é criado pelas circunstâncias, pelo contexto em que se encontra a palavra. é um tipo de emprego em que ela (a palavra) fica sujeita a mais de uma interpretação. Ela é própria da linguagem literária, porque os textos literários expressam o imaginário do autor, uma realidade criada por ele, fictícia. O objetivo do autor é puramente estético, artístico; ela é também muito usada na linguagem falada. (4) São recursos expressivos que se obtêm quando as palavras adquirem um sentido novo, diferente do convencional. (5) É o emprego da palavra no seu sentido usual. O significado usual, ou convencional da palavra, é o primeiro informado no dicionário. É um tipo de emprego em que a palavra fica sujeita a apenas uma interpretação. Ela é própria da linguagem informativa, científica, ou técnica, porque os textos dessa natureza exigem informações claras, objetivas, exatas. (6) São recursos expressivos que se mostram nos aspectos sonoros das palavras. (7) São recursos expressivos que se encontram na organização não convencional, ou usual, dos termos na frase.
TEXTO I
Do bom uso do relativismo
Hoje, pela multimídia, imagens e gentes do mundo inteiro nos entram pelos telhados, portas e janelas e convivem conosco. É o efeito das redes globalizadas de comunicação. A primeira reação é de perplexidade que pode provocar duas atitudes: ou de interesse para melhor conhecer, que implica abertura e diálogo, ou de distanciamento, que pressupõe fechar o espírito e excluir. De todas as formas, surge uma percepção incontornável: nosso modo de ser não é o único. Há gente que, sem deixar de ser gente, é diferente.
Quer dizer, nosso modo de ser, de habitar o mundo, de pensar, de valorar e de comer não é absoluto. Há mil
outras formas diferentes de sermos humanos, desde a forma dos esquimós siberianos, passando pelos yanomamis
do Brasil, até chegarmos aos sofisticados moradores de Alphavilles, onde se resguardam as elites opulentas e
amedrontadas. O mesmo vale para as diferenças de cultura, de língua, de religião, de ética e de lazer.
Deste fato surge, de imediato, o relativismo em dois sentidos: primeiro, importa relativizar todos os modos de
ser; nenhum deles é absoluto a ponto de invalidar os demais; impõe-se também a atitude de respeito e de acolhida da
diferença porque, pelo simples fato de estar-aí, goza de direito de existir e de coexistir; segundo, o relativo quer
expressar o fato de que todos estão de alguma forma relacionados. Eles não podem ser pensados
independentemente uns dos outros, porque todos são portadores da mesma humanidade.
Devemos alargar a compreensão do humano para além de nossa concretização. Somos uma geossociedade
una, múltipla e diferente.
Todas estas manifestações humanas são portadoras de valor e de verdade. Mas são um valor e uma verdade
relativos, vale dizer, relacionados uns aos outros, autoimplicados, sendo que nenhum deles, tomado em si, é absoluto.
Então não há verdade absoluta? Vale o everything goes de alguns pós-modernos? Quer dizer, o “vale tudo”?
Não é o vale tudo. Tudo vale na medida em que mantém relação com os outros, respeitando-os em sua diferença.
Cada um é portador de verdade mas ninguém pode ter o monopólio dela. Todos, de alguma forma, participam da
verdade. Mas podem crescer para uma verdade mais plena, na medida em que mais e mais se abrem uns aos outros.
Bem em dizia o poeta espanhol António Machado: “Não a tua verdade. A verdade. Vem comigo buscá-la. A tua,
guarde-a”. Se a buscarmos juntos, no diálogo e na cordialidade, então mais e mais desaparece a minha verdade para
dar lugar à Verdade comungada por todos.
A ilusão do Ocidente é de imaginar que a única janela que dá acesso à verdade, à religião verdadeira, à
autêntica cultura e ao saber crítico é o seu modo de ver e de viver. As demais janelas apenas mostram paisagens
distorcidas. Ele se condena a um fundamentalismo visceral que o fez, outrora, organizar massacres ao impor a sua
religião e, hoje, guerras para forçar a democracia no Iraque e no Afeganistão.
Devemos fazer o bom uso do relativismo, inspirados na culinária. Há uma só culinária, a que prepara os
alimentos humanos. Mas ela se concretiza em muitas formas, as várias cozinhas: a mineira, a nordestina, a japonesa,
a chinesa, a mexicana e outras. Ninguém pode dizer que só uma é a verdadeira e gostosa e as outras não. Todas são
gostosas do seu jeito e todas mostram a extraordinária versatilidade da arte culinária. Por que com a verdade deveria
ser diferente?
LEONARDO BOFF - http://alainet.org
Vocabulário:
Alphavilles: condomínios de luxo
everything goes: literalmente, “todas as coisas vão”; equivale à expressão “vale tudo”Do bom uso do relativismo