Questões de Concurso
Sobre figuras de linguagem em português
Foram encontradas 4.095 questões

A tirinha acima retrata um momento da Revolução Francesa.
TEXTO II

Disponível em http://ricardowelbert.blogspot.com/2014/03/charge-do-dia26-de-marco-de-2014.html. Acesso em 21/03/2019.
I. “...chuvinha de água viva esperneando luz... com gosto de mato, meio baunilha, meio manacá, meio alfazema...” (Mário de Andrade)
II. ”Mas, oh, não se esqueçam da rosa da rosa Da rosa de Hiroshima A rosa hereditária A rosa radioativa…” (Vinícius de Moraes)
III. “Quando os sons dos violões vão soluçando...” (Cruz e Souza)
IV. “Casara-se havia duas semanas. Por isso, em casa dos sogros, a família resolveu que ele é que daria cabo do canário.” (Carlos Drummond de Andrade)
O mistério das coisas
O mistério das coisas, onde está ele?
Onde está ele que não aparece
Pelo menos a mostrar-nos que é mistério?
Que sabe o rio e que sabe a árvore
E eu, que não sou mais do que eles, que sei disso?
Sempre que olho para as coisas e penso no que os homens
pensam delas,
Rio como um regato que soa fresco numa pedra.
Porque o único sentido oculto das coisas
É elas não terem sentido oculto nenhum,
É mais estranho do que todas as estranhezas
E do que os sonhos de todos os poetas
E os pensamentos de todos os filósofos,
Que as coisas sejam realmente o que parecem ser
E não haja nada que compreender.
Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos: —
As coisas não têm significação: têm existência.
As coisas são o único sentido oculto das coisas.
(Fernando Pessoa. O guardador de rebanhos. In: Poemas de Alberto Caeiro)
Sobre o texto de Fernando Pessoa:
I. Nas três estrofes, a função da linguagem predominante é a referencial.
II. Na primeira estrofe, registra-se a presença da figura Prosopopeia no verso “Que sabe o rio e que sabe a árvore”.
III. Na segunda estrofe, as expressões “todas as estranhezas”, “todos os poetas” e “todos os filósofos” marcam o destaque da figura Hipérbole.
IV. Na terceira estrofe, a repetição da palavra “coisa” configura um empobrecimento da linguagem, ocasionando um pleonasmo vicioso.
Analisadas as assertivas acima, pode-se afirmar que:
I. Nas três estrofes, a função da linguagem predominante é a referencial.
II. Na primeira estrofe, registra-se a presença da figura Prosopopeia no verso “Que sabe o rio e que sabe a árvore”.
III. Na segunda estrofe, as expressões “todas as estranhezas”, “todos os poetas” e “todos os filósofos” marcam o destaque da figura Hipérbole.
IV. Na terceira estrofe, a repetição da palavra “coisa” configura um empobrecimento da linguagem, ocasionando um pleonasmo vicioso.
Analisadas as assertivas acima, pode-se afirmar que:
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao
longo do texto estão citados na questão.

Considere os seguintes fragmentos do texto:
“Não são historicamente as mais decentes as relações entre profissionais da saúde e as controvertidas usinas de câncer de pulmão.” “A discussão azedou a tal ponto...”
No primeiro, é feito um juízo de valor depreciativo sobre “as relações”, mas com um linguajar ameno; o texto também chama as indústrias de tabaco de “usinas de câncer de pulmão”. No segundo, toma-se emprestado o verbo “azedar” (tornar amargo ou ácido o cheiro ou o gosto) a fim de melhor expressar o mau resultado da discussão. Tais escolhas de vocabulário constituem figuras de linguagem.
Assinale a alternativa que apresenta o nome correto, respectivamente, das três figuras empregadas.
I. Com linguagem simples, e em tom coloquial, o poeta discute a efemeridade da vida. II. Na primeira parte do poema é possível identificar a dificuldade de uma pessoa tuberculosa e sua dificuldade de respiração. III. No último verso, o médico usa de certa ironia para dizer que é inútil qualquer tratamento para o paciente, pois não há esperanças para seu mal. IV. Para o eu lírico, o destino prega surpresas e o tempo promove transformações em sua vida.
Está CORRETO o que se afirma em:
Leia atentamente a canção Apenas um rapaz latino-americano, de Antonio Carlos Belchior, cantor e compositor brasileiro, para responder à questão..
Apenas um rapaz latino-americano
Eu sou apenas um rapaz latino-americano
Sem dinheiro no banco,
Sem parentes importantes, e vindo do interior
Mas trago, de cabeça, uma canção do rádio
Em que um antigo compositor baiano me dizia:
"tudo é divino, tudo é maravilhoso"
Tenho ouvido muitos discos,
Conversado com pessoas, caminhado meu caminho
Papo, som dentro da noite,
E não tenho um amigo sequer
Que acredite nisso, não.
Tudo muda e com toda razão!
Eu sou apenas um rapaz latino-americano
Sem dinheiro no banco,
Sem parentes importantes, e vindo do interior
Mas sei que tudo é proibido,
aliás, eu queria dizer
Que tudo é permitido,
até beijar você no escuro do cinema
Quando ninguém nos vê
Não me peça que lhe faça uma canção como se deve
Correta, branca, suave, muito limpa, muito leve
Sons, palavras são navalhas
e eu não posso cantar como convém
Sem querer ferir ninguém
Mas não se preocupe, meu amigo
com os horrores que eu lhe digo
Isso é somente uma canção,
A vida, a vida realmente é diferente
Quer dizer, ao vivo é muito pior!
E eu sou apenas um rapaz latino-americano,
sem dinheiro no banco
Por favor não saque a arma no "saloon"
eu sou apenas o cantor
Mas se depois de cantar
você ainda quiser me atirar
Mate-me logo, à tarde, às três,
que à noite tenho um compromisso
E não posso faltar, por causa de vocês
Eu sou apenas um rapaz latino-americano
sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes, e vindo do interior
Mas sei que nada é divino,
nada, nada é maravilhoso
Nada, nada é secreto,
nada, nada é misterioso, não
Na na na na na na na na
"Eu que era brancae linda, eis-me medonha e escura
Inspiro horror... Ó tu que espias a urdidura
Da minha teia, atenta ao que o meu palpo fia:"
(A Aranha, Manuel Bandeira)
Qual figura de linguem predominante na frase acima?

Assinale a alternativa que corresponde a figura de linguagem apresentada da frase abaixo:
“O bonde passa cheio de pernas: pernas brancas pretas amarelas”. (Drummond);
É correto, sem advérbios.
A lição da menina negra, magérrima, que cantou feito rainha.
Eiza Soares estreou no programa de Ary Barroso na Rádio Tupi. Tinha 16 anos e era mãe. Sua cria estava doente e Elza inscreveu-se no show de Barroso porque os primeiros lugares ganhavam prêmios em dinheiro. Era uma chance de pagar o tratamento do filho. Elza subiu no palco, mulher negra, jovem, magérrima, vestida conforme o lugar que lhe cabia na perversa espiral de privilégios da nossa sociedade. Notavam-se os remendos no vestido. Os alfinetes. Ary Barroso ficou chocado com alguém que, para muitos, não merecia estar sob os holofotes. “O que é que você velo fazer aqui?” Ary recebeu Elza com boa dose da branquitude, classismo e machismo que inebriam a elite brasileira desde sempre.
Elza respondeu: “Eu vim cantar”. Ary seguiu a cantilena do opressor: “E quem disse que você sabe cantar?”. Amenina de 16 anos, cujo filho ardia em febre, respondeu com a coragem das mães: “Eu”. “De onde você veio, menina?" Ary não parecia se cansar de assinalar que Elza era uma estrangeira ali. Nesse momento, a menina respondeu com a audácia disruptiva que mora em cada nota do seu jazz de lata d'água na cabeça: “Eu vim do planeta fome”.
Em 1983, a respeitadíssima acadêmica indiana Gayatri Spivak escreveu Pode o Subalterno Falar? O ensaio, referência para quem deseja compreender a contribuição dos estudos pós-coloniais para as ciências humanas, fala do silenciamento sistemático do subalterno. Categoria nomeada por Gramsci, o subalterno é quem não pertence socialmente e politicamente às estruturas hegemônicas de poder. Os excluídos. Os triturados diariamente pela mecânica da discriminação. As Elzas e seus filhos febris. Spivak teorizou sobre o fato de não parecer natural ou adequado o subalterno falar. O silêncio é o que se espera dele,
Se o subalterno não deve falar, como poderia ousar cantar? Ary e sua plateia, que ria da humilhação de Elza, achavam que não, E hoje? Seria diferente? Mudamos pouco. Somos a mesma plateia rindo de novas humilhações que nos chegam pelas novas mídias, mas somos iguais. Esperamos do subalterno o silêncio. Zombamos do subalterno que ousa quebrar esse nosso contrato social. E não se enganem: a zombaria é o novo açoite. Mudamos pouco. Os ancestrais de Elza foram para o pelourinho. Elza foi ridicularizada ao vivo. Hoje, fingimos ter superado esse passado, mas as revistas lidas pelas madames saúdam a nova onda: uniformes de domésticas assinados por estilistas renomados.
Mudamos quase nada.
Naquele dia, Elza cantou Lama na Rádio Tupi. A subalterna cantou rainha, majestosa. Ary Barroso aplaudiu boquiaberto. A plateia que antes riu levantou-se. Reverenciou a nobreza da negra do planeta fome que ousou adentrar um espaço que lhe era negado e fez dele seu reino. Para quem ainda não entendeu: o politicamente correto é simplesmente isso. O correto. Algumas piadas a menos? Sim. Mas, em troca, hoje temos infinitos talentos antes silenciados embalando nossos sonhos. Só os que não sonham não veem que o resultado é positivo e deve ser comemorado.
(Manoela Miklos. 25 de janelro, 2019, Revista VEJA).