Questões de Concurso Sobre figuras de linguagem em português

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Q1681897 Português
Leia à letra da canção “Naquela mesa”, composta por Sergio Bittencourt em 1970, para responder à questão.

Naquela mesa ele sentava sempre
E me dizia sempre o que é viver melhor
Naquela mesa ele contava histórias
Que hoje na memória eu guardo e sei de cor
Naquela mesa ele juntava a gente
E contava contente o que fez de manhã
E nos seus olhos era tanto brilho
Que mais que seu filho Eu fiquei seu fã

Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa num canto, uma casa e um jardim
Se eu soubesse o quanto dói a vida
Essa dor tão doída não doía assim
Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala do seu bandolim

Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim
Observe que no trecho “Eu não sabia que doía tanto / Uma mesa num canto, uma casa e um jardim”, a saudade do pai falecido é representada pelos objetos e lugares a ele associados. Esse recurso se refere à figura de linguagem denominada:
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Q1680037 Português
TEXTO 
O texto abaixo servirá de base para responder a questão.

O BRASILEIRO E A LEITURA NA ATUALIDADE

(1º§) O brasileiro não lê. Ao menos é isso que eu tenho escutado hoje. Por obrigação profissional e por obsessão nas horas vagas, costumo conversar muito sobre livros. Atualmente, com uma frequência incômoda, não importa qual é a formação de quem fala comigo, essa frase se repete. Amigos, taxistas, colegas jornalistas, escritores e até executivos de editoras já me disseram que o brasileiro não lê.

(2º§) Quando temos dificuldade para entender uma frase, uma boa técnica de aprendizado é repeti-la várias vezes. Um dos meus primeiros professores de inglês me ensinou isso. Nunca pensei que fosse usar esse truque com uma frase em português. Mas, depois de ouvir tantas vezes que o brasileiro não lê, e de discordar tanto dos que dizem isso, resolvi tentar fazer esse exercício. Talvez enfim eu os entenda. Ou talvez eu me faça entender.

(3º§) O brasileiro não lê, mas a quantidade de livros produzidos no Brasil só cresceu nos últimos anos. Na pesquisa mais recente da Câmara Brasileira do Livro, a produção anual se aproximava dos 500 milhões de exemplares. Seriam aproximadamente 2,5 livros para cada brasileiro, se o brasileiro lesse.

(4º§) O brasileiro não lê, mas o país é o nono maior mercado editorial do mundo, com um faturamento de R$ 6,2 bilhões. Editoras estrangeiras têm desembarcado no país para investir na publicação de livros para os brasileiros que não leem. Uma das primeiras foi a gigante espanhola Planeta, em 2003. Naquela época, imagino, os brasileiros já não liam. Outras editoras vieram depois, no mesmo movimento incompreensível.

(5º§) O brasileiro não lê, mas desde 2004 o preço médio do livro caiu 40%, descontada a inflação. Entre os motivos para a queda estão o aumento nas tiragens, o lançamento de edições mais populares e a chegada dos livros a um novo público. Um mistério, já que o brasileiro não lê.

(6º§) O brasileiro não lê - e os poucos que leem, é claro, são os brasileiros ricos. Mas a coleção de livros de bolso da L&PM, conhecida por suas edições baratas de clássicos da literatura, vendeu mais de 30 milhões de exemplares desde 2002. Com seu sucesso, os livros conquistaram pontos de venda alternativos, como padarias, lojas de conveniência, farmácias e até açougues. As editoras têm feito um esforço irracional para levar seu acervo a mais brasileiros que não leem. Algumas já incluíram livros nos catálogos de venda porta-a-porta de grandes empresas de cosméticos. Não é preciso nem sair de casa para praticar o hábito de não ler.

(7º§) O brasileiro não lê, mas vez ou outra aparecem best-sellers por aqui. Esse é o nome dado aos autores cujos livros muitos brasileiros compram e, evidentemente, não leem. Uma delas, a carioca Thalita Rebouças, já vendeu mais de um milhão de exemplares. Seus textos são escritos para crianças e adolescentes - que, como todos sabemos, trocaram os livros pelos tablets e só querem saber de games. Outro exemplo é Eduardo Spohr, que se tornou um fenômeno editorial com seus romances de fantasia. Ele é o símbolo de uma geração de novos autores do gênero, que escrevem para centenas de milhares de jovens brasileiros que não leem.

(8º§) O brasileiro não lê - e, mesmo se lesse, só leria bobagens. Mas, há poucos meses, um poeta estava entre os mais vendidos do país. Em algumas livrarias, a antologia Toda poesia, de Paulo Leminski (1944-1989), chegou ao primeiro lugar. Ultrapassou a trilogia Cinquenta tons de cinza, até então a favorita dos brasileiros (e brasileiras) que não leem. (...)

(Danilo Venticinque escreve às terças-feiras para a Revista EPOCA. 04.06.2014) -

(Texto Adaptado) (http://revistaepoca.globo.com/cultura/danilo-venticinque/noticia/2013/06/o-brasilei ro-nao-le.html) - Disponível 05.01.2021ponível 05.01.2021
A repetição da frase: "O brasileiro não lê" - em parágrafos do texto - comprova o uso da figura de linguagem denominada:
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Q1678637 Português
Soneto da Saudade

“Quando sentires a saudade retroar
Fecha os teus olhos e verás o meu sorriso.
E ternamente te direi a sussurrar:
O nosso amor a cada instante está mais vivo!
Quem sabe ainda vibrará em teus ouvidos
Uma voz macia a recitar muitos poemas...
E a te expressar que este amor em nós ungindo
Suportará toda distância sem problemas...
Quiçá, teus lábios sentirão um beijo leve
Como uma pluma a flutuar por sobre a neve,
Como uma gota de orvalho indo ao chão.
Lembrar-te-ás toda ternura que expressamos,
Sempre que juntos, a emoção que partilhamos...
Nem a distância apaga a chama da paixão.” 
Considerando as figuras de linguagem ou de estilo presentes no poema de Guimarães Rosa, os termos “lábios”, verso 9; “pluma”, verso 10; “gota de orvalho”, no verso 11 e “chama”, no verso 14, estão colocados, respectivamente, como
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Q1676945 Português
Leia o texto com atenção:

EMERGÊNCIA

    É fácil identificar o passageiro de primeira viagem. É o que já entra no avião desconfiado. O cumprimento da aeromoça, na porta do avião, já é um desafio para a sua compreensão.
    – Bom dia...
    – Como assim?
    Ele faz questão de sentar num banco de corredor, perto da porta. Para ser o primeiro a sair no caso de alguma coisa dar errado. Tem dificuldade com o cinto de segurança. Não consegue atá-lo. Confidencia para o passageiro ao seu lado:
     – Não encontro o buraquinho. Não tem buraquinho?
    Acaba esquecendo a fivela e dando um nó no cinto.
    Comenta, com um falso riso descontraído: “Até aqui, tudo bem”. O passageiro ao lado explica que o avião ainda está parado, mas ele não ouve. A aeromoça vem lhe oferecer um jornal, mas ele recusa.
     – Obrigado. Não bebo.
    Quando o avião começa a correr pela pista antes de levantar voo, ele é aquele com os olhos arregalados e a expressão de Santa Mãe do Céu! No rosto. Com o avião no ar, dá uma espiada pela janela e se arrepende. É a última espiada que dará pela janela.
    Mas o pior está por vir. De repente ele ouve uma misteriosa voz descarnada. Olha para todos os lados para descobrir de onde sai a voz.
    “Senhores passageiros, sua atenção, por favor. A seguir, nosso pessoal de bordo fará uma demonstração de rotina do sistema de segurança deste aparelho. Há saídas de emergência na frente, nos dois lados e atrás.”
    – Emergência? Que emergência? Quando eu comprei a passagem ninguém falou nada em emergência. Olha, o meu é sem emergência.
    Uma das aeromoças, de pé ao seu lado, tenta acalmá-lo.
    – Isto é apenas rotina, cavalheiro.
    – Odeio a rotina. Aposto que você diz isso para todos. Ai meu santo.
    “No caso de despressurização da cabina, máscaras de oxigênio cairão automaticamente de seus compartimentos.”
    – Que história é essa? Que despressurização? Que cabina?
    “Puxe a máscara em sua direção. Isso acionará o suprimento de oxigênio. Coloque a máscara sobre o rosto e respire normalmente.”
     – Respirar normalmente?! A cabina despressurizada, máscaras de oxigênio caindo sobre nossas cabeças – e ele quer que a gente respire normalmente?! “Em caso de pouso forçado na água...”
    – O quê?!
     “... os assentos de suas cadeiras são flutuantes e podem ser levados para fora do aparelho e...”
    – Essa não! Bancos flutuantes, não! Tudo, menos bancos flutuantes!
    – Calma, cavalheiro.
    – Eu desisto! Parem este troço que eu vou descer. Onde é a cordinha? Parem!
    – Cavalheiro, por favor. Fique calmo.
   – Eu estou calmo. Calmíssimo. Você é que está nervosa e, não sei por quê, está tentando arrancar as minhas mãos do pescoço deste cavalheiro ao meu lado. Que, aliás, também parece consternado e levemente azul.
    – Calma! Isso. Pronto. Fique tranquilo. Não vai acontecer nada.
    – Só não quero mais ouvir falar de banco flutuante.
   – Certo. Ninguém mais vai falar em banco flutuante.
    Ele se vira para o passageiro ao lado, que tenta desesperadamente recuperar a respiração, e pede desculpas. Perdeu a cabeça.
    – É que banco flutuante foi demais. Imagine só. Todo mundo flutuando sentado. Fazendo sala no meio do Oceano Atlântico!
     A aeromoça diz que lhe vai trazer um calmante e aí mesmo é que ele dá um pulo:
    – Calmante, por quê? O que é que está acontecendo? Vocês estão me escondendo alguma coisa!
    Finalmente, a muito custo, conseguem acalmá-lo. Ele fica rígido na cadeira. Recusa tudo que lhe é oferecido. Não quer o almoço. Pergunta se pode receber a sua comida em dinheiro. Deixa cair a cabeça para trás e tenta dormir. Mas, a cada sacudida do avião, abre os olhos e fica cuidando da portinha do compartimento sobre sua cabeça, de onde, a qualquer momento, pode pular uma máscara de oxigênio e matá-lo do coração.
    De repente, outra voz. Desta vez é a do comandante.
     – Senhores passageiros, aqui fala o comandante Araújo. Neste momento, à nossa direita, podemos ver a cidade de...
    Ele pula outra vez da cadeira e grita para a cabina do piloto:
    – Olha para a frente, Araújo! Olha para a frente!

VERÍSSIMO, Luis Fernando. Mais comédias para ler na escola. São Paulo: Objetiva, 2009.

Com base no texto lido responda a questão:
“Quando o avião começa a correr pela pista,...” A figura de linguagem presente nesse excerto é denominada:
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Q1676901 Português
Dada a frase: “Essa prova foi um balde de água fria”. Assinale a alternativa correta com relação a figura de linguagem que foi usada:
Alternativas
Q1676511 Português

Imagem associada para resolução da questão


Ao comparar seu amor no segundo parágrafo o ratinho está fazendo uso de uma:

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Q1676114 Português

       Desde fim dos anos 80 do século passado, o efeito estufa como ameaça ecológica número um não é mais contestado. Embora não se possa provar, irrefutavelmente, que o aumento até agora medido das temperaturas anuais médias (em torno de um grau nos últimos cem anos) se refere ao desenvolvimento humano, essa suposição tem, no entanto, muita probabilidade de ser correta — de tal forma que seria irresponsabilidade deixar as coisas seguirem seu curso. Um primeiro sinal de que o clima mundial já começou a mudar é o aumento de anomalias meteorológicas — ciclones, períodos de seca e trombas-d’água diluvianas — desde os anos 90 do século passado.

    

     Os limites do crescimento marcam uma espécie de escassez, embora no mercado não se tornem imediatamente notados como tais. A atmosfera, por exemplo, não funciona como um reservatório, que um dia esvaziará e outro dia será novamente enchido por bombeamento (a isso, o mercado poderia ao menos reagir em curto prazo), mas como um mecanismo que, lenta mas inexoravelmente, terá efeito retroativo em nossas condições de vida, comparável a um parafuso de rosca que se aperta sempre mais.

     

       O limite do demasiado é invisível e também não pode ser determinado diretamente por experimentos. Assim como, ao se escalarem montanhas, o ar cada vez mais rarefeito nas alturas desafia os alpinistas diferenciadamente — uns mais, outros menos —, a fauna e a flora, em regiões diferenciadas, reagem diferentemente ao aquecimento da atmosfera. Uma das preocupações mais sérias é provocada pela velocidade com que já está ocorrendo a mudança climática. Se ela não for eficazmente freada, poderá exigir demasiado da capacidade adaptativa de muitas espécies.


Thomas Kesselring. Depois de nós, o dilúvio. A dimensão do meio ambiente. In: Ética, política e desenvolvimento humano: a justiça na era da globalização. Benno Dischinger (Trad.). Caxias do Sul, RS: Educs, 2007, p. 222 (com adaptações).

Em relação aos aspectos linguísticos e às ideias do texto apresentado, julgue o item a seguir.


No segundo período do segundo parágrafo, há elipse da forma verbal funciona logo após “mas”.

Alternativas
Q1671680 Português

A Estrela


Vi uma estrela tão alta,

Vi uma estrela tão fria!

Vi uma estrela luzindo

Na minha vida vazia.


Autor: Manuel Bandeira


Na estrofe, da poesia de Manuel Bandeira, observa-se uma figura de construção ou sintaxe que se caracteriza-se pela repetição de termos no começo dos versos. É um recurso estilístico muito usado pelos escritores na construção dos versos com o intuito de intensificar uma expressão.

Alternativas
Q4372488 Português
O fragmento do poema de Henriqueta Lisboa servirá como base para responder a questão:

O tempo é um fio

O tempo é um fio
bastante frágil.
Um fino fio
Que à toa escapa. 


LUCAS, Fábio. Melhores poemas de Henriqueta Lisboa. São Paulo: Global, 2001.  
O poema afirma que o tempo é: 
Alternativas
Q4372487 Português
O fragmento do poema de Henriqueta Lisboa servirá como base para responder a questão:

O tempo é um fio

O tempo é um fio
bastante frágil.
Um fino fio
Que à toa escapa. 


LUCAS, Fábio. Melhores poemas de Henriqueta Lisboa. São Paulo: Global, 2001.  
É correto afirmar sobre o poema: 
Alternativas
Q4371314 Português
Na frase: “Gugu Liberato passou dessa para a melhor.” A figura de linguagem expressa na frase anterior denomina-se: 
Alternativas
Q4366314 Português

“Moça linda bem tratada,


Três séculos de família,


Burra como uma porta:


Um amor!”


Poesias completas. Belo Horizonte: Itatiaia, 2005.



Sobre o trecho do poema de Mário de Andrade:


1. O escritor faz uso da ironia.


2. No último verso, fica subentendido que o poeta caracteriza a moça como sendo aprazível.


3. Predomina no trecho a função metalinguística, uma vez que são apresentados acontecimentos verossímeis.


4. No terceiro verso, o poeta faz uso de uma comparação.


Estão corretas as alternativas: 

Alternativas
Q4356576 Português

TEXTO 01

O texto abaixo servirá de base para responder à questão.


Os poemas são pássaros que chegam

não se sabe de onde e pousam

no livro que lês.

Quando fechas o livro, eles alçam voo

como de um alçapão.

Eles não têm pouso

nem porto

alimentam-se um instante em cada par de mãos

e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias,

no maravilhado espanto de saberes

que o alimento deles já estava em ti...


Mário Quintana

Mário Quintana/Disponível em: https://www.revistabula.com/2329-os-10-melhores-poemas-de-mario-quintana

A figura de linguagem presente no verso "Os poemas são pássaros que chegam", é: 
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Q4336262 Português
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.


Captura_de tela 2026-09-28 112821.png (482×617)

(Disponível em: https://super.abril.com.br/cultura/um-pais-que-taxa-livros-impede-que-o-conhecimentocircule-e-sai-no-prejuizo/ – Texto especialmente adaptado para esta prova.)
Em qual das seguintes frases retiradas do texto NÃO há linguagem figurada?
Alternativas
Q4336258 Português
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.


Captura_de tela 2026-09-28 112821.png (482×617)

(Disponível em: https://super.abril.com.br/cultura/um-pais-que-taxa-livros-impede-que-o-conhecimentocircule-e-sai-no-prejuizo/ – Texto especialmente adaptado para esta prova.)
Com base na metáfora utilizada pelo autor do texto no primeiro parágrafo, analise as seguintes asserções e a relação proposta entre elas:

I. Taxar livros é como matar a galinha dos ovos de ouro para fazer uma canja magra.
PORQUE
II. Nessa metáfora, a galinha são os livros e os ovos de ouro são o conhecimento que eles podem oferecer.

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4335466 Português
" A mãe do aluno reclamou que a mochila pesava uma tonelada. " A expressão sublinhada retrata qual figura de linguagem: 
Alternativas
Q4335461 Português

O fragmento da obra O cortiço, de Aluísio Azevedo, servirá como base para responder a questão:



    [...]

    Defronte da porta de Rita tinham vindo postar-se diversos moradores do cortiço, jornaleiros de baixo salário, pobre gente miserável, que mal podia matar a fome com o que ganhava. Ainda assim não havia entre eles um só triste. A mulata convidou-os logo a comer um bocado e beber um trago. A proposta foi aceita alegremente.

    E a casa dela nunca se esvaziava.

    Anoitecia lá.

    O velho Libório, que ninguém sabia ao certo onde almoçava ou jantava, surgiu do seu buraco, que nem jabuti quando vê chuva.

    Um tipão, o velho Libório! Ocupava o pior canto do cortiço e andava sempre a fariscar os sobejos alheios, filando aqui, filando ali, pedindo a um e a outro, como um mendigo, chorando misérias eternamente, apanhando pontas para fumar no cachimbo, cachimbo que o sumítico roubara de um pobre cego decrépito. Na estalagem diziam todavia que Libório tinha dinheiro aferrolhado, contra o que ele protestava ressentido, jurando a sua extrema penúria. E era tão feroz o demônio naquela fome de cão sem dono, que as mães recomendavam às suas crianças todo o cuidado com ele, porque o diabo do velho, quando via algum pequeno desacompanhado, punha-se logo a rondá-lo, a cercá-lo de festas e a fazer-lhe ratices para o engabelar, até conseguir furtar-lhe o doce ou o vintenzinho que o pobrezito trazia fechado na mão.

    Rita fê-lo entrar e deu-lhe de comer e de beber; mas sob a condição de que o esfomeado não se socasse demais, para não rebentar ali mesmo.

    Se queria estourar, fosse estourar para longe!

    Ele pôs-se logo a devorar, sofregamente, olhando inquieto para os lados, como se temesse que alguém lhe roubasse a comida da boca. Engolia sem mastigar, empurrando os bocados com o dedo, agarrando-se ao prato e escondendo nas algibeiras o que não podia de uma só vez meter para dentro do corpo.

    Causava terror aquela sua implacável mandíbula, assanhada e devoradora; aquele enorme queixo, ávido, ossudo e sem um dente, que parecia ir engolir tudo, tudo, principiando pela própria cara, desde a imensa batata vermelha e grelhada que ameaçava já entrar-lhe na boca, até as duas bochechinhas engelhadas, os olhos, as orelhas, a cabeça inteira, inclusive a sua grande calva, lisa como um queijo e guarnecida em redor por uns pelos puídos e ralos como farripas de coco.

    Firmo propôs embebedá-lo, só para ver a sorte que ele daria. O Alexandre e a mulher opuseram-se, mas rindo muito; nem se podia deixar de rir, apesar do espanto, vendo aquele resto de gente, aquele esqueleto velho, coberto por uma pele seca, a devorar, a devorar sem tréguas, como se quisesse fazer provisão para uma outra vida.

    De repente, um pedaço de carne, grande demais para ser ingerido de uma vez, engasgou-o seriamente. Libório começou a tossir, aflito, com os olhos sumidos, a cara tingida de uma vermelhidão apoplética. A Leocádia, que era quem lhe ficava mais perto, soltou-lhe um murro nas costas.

    O glutão arremessou sobre a toalha da mesa o bocado de carne já meio triturado. Foi um nojo geral.

    — Porco! gritou Rita, arredando-se.

    — Pois se o bruto quer socar tudo ao mesmo tempo! disse Porfiro. Parece que nunca viu comida, este animal!

    E notando que ele continuava ainda mais sôfrego por ter perdido um instante: — Espere um pouco, lobo! Que diabo! A comida não foge! Há muito aí com que te fartares por uma vez! Com efeito!



Disponível em: www.pt.wikisource.org Acesso:21/02/2020. 01

Em relação ao texto acima use V - verdadeiro e F - falso:



( ) O texto aponta que os personagens principais são pessoas humildes da sociedade.


( ) A animalização de Libório pode ser observada pela descrição do modo como ele se alimenta.


( ) Os adjetivos usados no texto contribuem para descrever os traços físicos de Libório e seus gestos grotescos e caricaturescos.


( ) A avareza de Libório fez com que ele fosse convidado para se alimentar na casa da mulata Rita.



Respectivamente, a ordem correta é: 

Alternativas
Q4269971 Português

Na música Asa Branca, Luiz Gonzaga canta:

Quando olhei a terra ardendo

Qual fogueira de São João

Eu perguntei a Deus do céu, ai

Por que tamanha judiação?

Nesse trecho, qual figura de linguagem é utilizada para relacionar a terra com a fogueira de São João?

Alternativas
Q4269969 Português

Leia o seguinte trecho da música Nem um dia de Djavan:


Longe da felicidade

E todas as suas luzes

Te desejo como ao ar

Mais que tudo

És manhã na natureza das flores

Mesmo por toda riqueza

Dos sheiks árabes

Não te esquecerei um dia N

em um dia

com a força do pensamento

Recriar a luz que me trará você


A música faz uso de uma importante figura de linguagem marcada pela omissão de termos que mesmo que não tinham sido mencionados são de fácil percepção pelo interlocutor. Qual figura de linguagem é esta?

Alternativas
Q2687858 Português

Leia o texto para responder a questão 05.


E o olhar estaria ansioso esperando

E a cabeça ao sabor da mágoa balançando

E o coração fugindo e o coração voltando

E os minutos passando e os minutos passando...

(Vinícius de Morais)

Qual é a Figura de Linguagem predominante nesse texto?

Alternativas
Respostas
2281: B
2282: B
2283: C
2284: E
2285: A
2286: B
2287: C
2288: C
2289: C
2290: E
2291: D
2292: D
2293: A
2294: E
2295: A
2296: C
2297: A
2298: A
2299: C
2300: C