Questões de Concurso
Comentadas sobre figuras de linguagem em português
Foram encontradas 3.191 questões
( ) O uso da vírgula está incorreto em “A lua brilhava, e o poeta ficou extasiado”.
( ) A vírgula está corretamente usada em “Ele gosta, às vezes de correr sem rumo”.
( ) Na frase “O poeta tem um coração de ouro” há uso de linguagem conotativa.
( ) Na frase “Morro de amores por aquela cidade” há a presença de hipérbole.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Considerando a classificação das figuras de linguagem e seus efeitos de sentido, assinale a alternativa CORRETA.
Com base nisso, analise as afirmativas a seguir sobre as figuras de linguagem e identifique a alternativa INCORRETA.
Coluna I.
A- Aliteração.
B- Anacoluto.
C- Silepse.
D- Antítese.
E- Eufemismo.
Coluna II.
1- Ocorre quando o autor se afasta da norma gramatical para fazer a concordância com a ideia que as palavras expressam.
2- É a interrupção do encadeamento sintático e seu reinício no meio da frase.
3- É a aproximação de dois pensamentos contrários, (palavras ou frases).
4- É a substituição de uma expressão desagradável, ofensiva, grosseira, por outra mais suave.
5- Repetição de fonemas visando a um efeito expressivo, eufônico, (positivo), ou cacofônico, (negativo). Quando a repetição é de vogais, recebe o nome de assonância.
São Paulo: Perspectiva, 2004, p. 175
Julgue o item a seguir, relativo ao texto de Erich Auerbach sobre a Divina Comédia, obra do poeta italiano Dante Alighieri escrita no século XIV.
Nas duas últimas orações do texto, identifica-se uma metáfora que sintetiza todo o argumento de Auerbach sobre o caráter realista da Divina Comédia, de Dante: a matéria vital da obra ultrapassou os poderosos limites que a própria realidade histórica lhe impunha.
Carta LXV
Ao padre provincial do Brasil 1654
Com esta frota partimos pelo rio Tocantins, aproveitando-nos da enchente da maré, que só até aqui nos acompanhou, prometendo-nos muita felicidade na jornada. (...) À meia noite fizemos pabóca, que é a frase com que cá se chama o partir, corrompendo a palavra da terra, e nos dias seguintes passamos às praias da viração. Parecerá que se chamam assim por correr nelas vento fresco; mas a razão por que os portugueses lhe deram este nome é a que direi a V. Rev.ma. Nos meses de outubro e novembro, saem do mar e do rio do Pará grande quantidade de tartarugas, que vêm criar nos areais de algumas ilhas que pelo meio deste Tocantins estão lançadas. (...) A estas mesmas praias vem, no seu tempo, quase todo o Pará a fazer a pesca das tartarugas. (...) A carne é como a de carneiro, e se fazem dela os mesmos guisados, que mais parecem de carne que de pescado. Os ovos são como os de galinha na cor, e quase no sabor, a casca, mais branca, e de figura diferente, porque são redondos (...); e o modo como se faz esta pesca requer mais notícia que indústria, pela muita cautela e pouca resistência das tartarugas. Quando vêm a desembarcar nestas praias, trazem diante duas, como sentinelas, que vêm a espiar com muita pausa; logo depois destas, com bom espaço vêm oito ou dez, como descobridores do campo, e depois delas, em maior distância, vem todo o exército das tartarugas, que consta de muito milhares. Se as primeiras e as segundas sentem algum rumor, voltam para trás, e todas se somem num momento: por isso os que vêm à pesca se escondem todos atrás dos matos e esperam de emboscada com grande quietação e silêncio. Saem, pois, as duas primeiras espias, passeiam de alto a baixo toda a praia, e como estas acham o campo livre, saem também as da vanguarda, e fazem muito devagar a mesma vigia e, como dão a campanha por segura, entram à água e voltam, e depois dela sai toda a multidão do exército com os escudos às costas, e começam a cobrir as praias e correr em grande tropel para o mais alto delas. Aplica-se cada uma a fazer sua cova, e, quando já não saem mais e estão entretidas umas no trabalho, outras já na dor daquela ocupação, rebentam então os pescadores da emboscada, tomam a parte da praia e, remetendo as tartarugas, não fazem mais que ir virando e deixando, porque em estando viradas de costas não se podem mais bulir, e por isso estas praias e estas tartarugas se chamam de viração (...).
Antônio Vieira. Cartas. V. 1, São Paulo: Globo, p. 277-279.
A respeito do texto precedente e de seus aspectos linguísticos e literários, julgue o item a seguir.
Ao descrever a captura de tartarugas para consumo alimentar, na região do Pará, o autor recorre à linguagem metafórica pelo uso da expressão "toda a multidão do exército com os escudos às costas", para se referir aos artefatos usados pelos pescadores na emboscada.
De acordo com o contexto, a palavra “higienização” pode ser considerada uma combinação de duas figuras de linguagem, que são:
"As mãos daquele operário, calejadas pela lida árdua, eram o único sustento de uma numerosa prole. Para ele, cada tijolo erguido não era apenas barro cozido, mas um degrau de esperança. Entretanto, ao cair da tarde, o cansaço — esse monstro invisível — sorria-lhe com crueldade, enquanto a cidade mergulhava em um silêncio ensurdecedor."
No fragmento acima, os termos destacados ou as ideias apresentadas configuram processos estilísticos que conferem expressividade à narrativa. Assinale a alternativa que classifica, correta e respectivamente, as figuras de linguagem presentes nas expressões em negrito.:
"As mãos... eram o único sustento"
"o cansaço... sorria-lhe"
"silêncio ensurdecedor"
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão, que a ele se referem.
Texto 01
A lição da jabuticabeira
Quando nos mudamos para o novo apartamento, há quinze anos, ganhei uma jabuticabeira do meu marido. Sempre amei jabuticabas e, talvez ainda mais, as jabuticabeiras. Minha mãe, quando morava no Mato Grosso, dizia que cada pessoa da família tinha uma árvore no quintal, e que ela refletia o momento de vida de cada um. A minha era uma jabuticabeira. Quando ela dava muitos frutos, minha mãe tirava uma foto e mandava: “Olha que linda! Sua vida está florindo.” Ela nunca mandava fotos sem flores ou frutos. Não porque a vida estivesse sempre florida, mas por aquela delicadeza que só as mães têm.
Há algum tempo, a jabuticabeira da varanda começou a ficar amarelada. Achamos que fosse falta de sol — abrimos as cortinas. Nada. Depois abrimos as janelas, para que o vento circulasse. Também não funcionou. O Google (sim, ainda sou do tempo do Google) dizia que restavam duas alternativas: adubar ou trocar a terra. Optei pelo adubo. Mais rápido, mais fácil e muito menos possibilidade de sujeira. Escolhi o mais eficiente, com a embalagem mais bonita e as melhores recomendações. Li a bula com atenção, mas como sou péssima com medidas, fiz “no olho”. Quatro colheres e água até o pó desaparecer. Pronto. No dia seguinte, percebi algumas folhas no chão. No segundo dia, nenhuma nos galhos. Coloquei adubo demais. Chamei um jardineiro, um especialista na vida real, não mais no mundo virtual. Ele foi direto: talvez houvesse salvação, talvez não. Entrei em choque. Sempre associei adubo à força. E força, achava eu, nunca era demais. Engano.
Passei a olhar em volta e percebi: o excesso de adubo tem seu equivalente na vida. O excesso de cuidado também sufoca. Quantas vezes, com boas intenções, pais e mães “adubam demais” os filhos? São crianças e adolescentes que, desde pequenos, não precisam lidar com o tédio, nem cumprir pequenas obrigações, nem ser responsáveis por suas tarefas. Há sempre um adulto disponível – pais, babás, professores – pronto para lembrar, ajudar e, muitas vezes, resolver o problema antes mesmo que ele aconteça.
Mas sem tropeços, raramente há aprendizado. Sem esforço, dificilmente há conquista.
Não defendo o “se vira” da educação mais antiga, mas também não precisamos viver no “eu resolvo”, tão contemporâneo. No meio do caminho existe o “vamos juntos”. A questão é sempre a medida. Paracelso já dizia no século 16: “A diferença entre o remédio e o veneno está na dose.” Cuidado demais é como adubo demais: sufoca a possibilidade de crescer por conta própria. Impede o outro de desenvolver sua própria forma de florescer, no seu tempo e do seu jeito. Talvez, no fundo, a gente queira evitar o sofrimento do outro para não enfrentar o nosso medo de vê-los tropeçar, a dor de achar que poderíamos ter impedido a queda. Mas um dia a gente entende: é preciso aprender a ficar no banco do passageiro. Confiar no caminho, no aprendizado e estar junto sem tirar o volante das mãos de quem precisa dirigir. E, como me ensinou minha jabuticabeira, tudo tem seu tempo: o de florescer, o de frutificar, o de perder as folhas. E, se houver paciência, o de renascer.
Fonte: MADALOZZO, Regina. A lição da jabuticabeira. Disponível em: vidasimples.co/voce-simples/a-licao-da-jabuticabeira/. Acesso em: 22 jan. 2026.
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão.
Texto 01
A vida em “fogo baixo”
Os dias parecem todos iguais. Até mesmo as coisas que antes encantavam ou entristeciam, agora já não afetam mais. Acordar, trabalhar, comer e dormir. Tudo no modo automático. Você está ali, mas parece que não. Funciona, mas não sente. É como se uma névoa tivesse se instalado diante do mundo. Esse sentimento, quando prolongado, tem nome: anestesia emocional.
Essa condição é mais discreta que outros transtornos, como a depressão. Ela não nos impede de viver, mas suga o sentido da vida. É nesse momento que muitas pessoas se veem presas em uma rotina que “dá certo”, mas não satisfaz. O relacionamento está ok. O trabalho, estável. A família, bem. Mas algo por dentro parece gritar em silêncio. Às vezes, é bom não colocar tanto peso em tudo, mas se anestesiar emocionalmente do mundo ao seu redor é um quadro sensível.
Mestre em psicologia clínica pela PUC-SP, Marcos Torati explica que um dos indicadores da anestesia emocional é a ausência do sentido de vida. “Há a sensação de que ela não vale a pena e parece uma repetição eterna”, diz. “A pessoa perde a dimensão profunda dos seus erros e acertos, então se torna funcional, vivendo em ‘fogo baixo’. Não há tanta alegria, mas também não há grande tristeza ao ponto de incapacitar a vida, como na depressão”, complementa.
Existe uma diferença sutil, mas importante, entre uma apatia passageira e uma anestesia emocional profunda. A primeira costuma estar associada a um evento reconhecível, como o fim de relacionamento, uma demissão no trabalho ou o estresse da rotina. A segunda, por sua vez, parece surgir “do nada”. “Na apatia pontual é mais fácil identificar uma relação de causalidade. Já a anestesia prolongada tem uma base inconsciente que a pessoa não consegue reconhecer tão prontamente”, explica o psicólogo.
Além disso, nem sempre os sinais de anestesia emocional são óbvios. Em muitos casos, esse sentimento se manifesta de forma silenciosa, disfarçado em rotinas que funcionam, mas não preenchem. Para Torati, essa sensação pode ser resultado de um mecanismo de defesa comum, mas perigoso. “A pessoa pode entrar em um estado emocional apático para se defender contra a possibilidade de se frustrar. Porém, é justamente essa defesa contra a dor que pode levar à depressão”, afirma. Ele ressalta um tipo de paradoxo dessa postura: “É como se a pessoa colocasse a vida no modo econômico para evitar o sofrimento, mas isso também a impede de viver com intensidade.”
No fim das contas, a anestesia emocional pode ser um pedido silencioso de ajuda. Não para voltar a ser como antes, mas para descobrir um novo jeito de sentir. [...]
BRITO, Diego. A vida em “fogo baixo”. Disponível em: https://vidasimples.co/saude-emocional/. Acesso em: 22 jan. 2026. Adaptado
UM PASSO ATRÁS É UM PASSO A MAIS
ser poesia é estar verde in natura
e também brasa lenha fumaça
estar poesia é sorrir fina dureza
eco do segredo, fogaréu da casa
errar na vírgula, escolher a máscara
chorar no mesmo abraço errante
recuar do que sufoca engasga
antes copo cheio, depois um gole d’água
imensa na oferenda, ponte ensina viajante
um passo atrás é um passo a mais
firmamento fundamento voo de quem faz sal
escorrer na pedra que rola há tanto
caminhar de mãos dadas promessa
com afeto medo sangue pulsante
ser poesia é cavalgar incerteza
de quem te ler na escuta silenciosa
e lambe a dúvida mambembe circulante
se pode molhar os pés mergulhar
no fundo da rua minguante, ou boiar
e diluir tudo em um instante
decifrar poesia é mais difícil (talvez impossível)
porque é patuá, às vezes loucura
onda mistério do que não pode ser dito
por não compreender a geografia do artifício
a exatidão do recém tido
por ser um sopro a lida da vida
por ser um rio a adoçar a maresia
o frio do céu azul daqui o quente daí, da Bahia
em casa cedo a gente aprende
nem todo até logo é despedida,
um passo atrás é um passo a mais
porque é ancoragem
porque é acolhida.
Fonte: DAS MERCÊS, Calila. Um passo atrás é um passo a mais. Revista Piauí, Rio de Janeiro, n. 234, mar. 2026. Disponível em: https://revistapiaui.pressreader.com/revista-piaui/20260301. Acesso em: 5 mar. 2026.
Nesse texto, a repetição do verso que dá título ao poema apresenta uma ideia paradoxal ao:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Comportamentos que fazem você afastar pessoas ao seu redor sem notar, segundo a psicologia das relações
A dificuldade de manter conexões duradouras muitas vezes resulta de hábitos inconscientes que prejudicam a percepção de proximidade e confiança mútua. Compreender os mecanismos da psicologia das relações interpessoais permite identificar falhas na comunicação e nos vínculos afetivos. Este conhecimento é essencial para quem busca fortalecer laços sociais e evitar o isolamento emocional provocado por condutas prejudiciais recorrentes e comuns.
O desenvolvimento de uma maior segurança interna permite que a pessoa se sinta confortável em demonstrar vulnerabilidade sem medo de rejeição. Equilibrar a autonomia pessoal com a necessidade de conexão é o segredo para relacionamentos saudáveis. Reconhecer as próprias inclinações emocionais ajuda a mitigar reações automáticas que protegem o ego, mas isolam o indivíduo do saudável convívio social e humano.
SILVA, Patrick. Comportamentos que fazem você afastar pessoas ao seu redor sem notar, segundo a psicologia das relações. Correio Braziliense, 15 fev. 2026.Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/cbradar/comportamentos-que-faz-em-voce-afastar-pessoas-ao-seu-redor-sem-notar-segundo-a-psicologia-das-relacoes/ . Acesso em: 18 fev. 2026.
“Na alma antiga ecoa a dor”
Durante a contagem silábica poética desse verso, observa-se a fusão sonora entre vogais de palavras distintas, reduzindo o número de sílabas métricas. Esse fenômeno recebe, na teoria da versificação, a denominação de:
Nesse sentido, assinale a alternativa que apresenta um exemplo de hipérbato.
Com base nas ideias e nos aspectos gramaticais do texto, julgue o item a seguir.
A afirmação “Uma escola sem biblioteca comunica silenciosamente que a leitura não é importante” utiliza linguagem figurada, atribuindo sentido simbólico à ausência da biblioteca no ambiente escolar.