a prática de análise linguística não poderá limitarse à hig...
De acordo com o contexto, a palavra “higienização” pode ser considerada uma combinação de duas figuras de linguagem, que são:
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Para entender o porquê, precisamos olhar como a palavra "higienização" está sendo usada de forma figurada nesse contexto pedagógico:
- Metáfora: Ocorre uma comparação implícita. O autor pega o conceito de "higienizar" (que pertence ao campo da limpeza física, da saúde e da remoção de sujeira) e o aplica ao ato de corrigir um texto. Corrigir a gramática e a ortografia é visto, metaforicamente, como "limpar" as impurezas ou os "erros" do papel.
- Eufemismo: Funciona como uma suavização. Em vez de usar termos mais diretos, técnicos ou potencialmente brutos — como "correção mecânica", "punição do erro" ou "apagamento da identidade linguística do aluno" —, o texto utiliza "higienização", uma palavra de conotação positiva (afinal, limpar é bom), para mascarar uma prática que, na verdade, está sendo criticada por ser limitada e superficial.
higienização utilizada no sentido de "correção" e "aperfeiçoamento" do texto
Há eufemismo/suavização ao substituir a palavra correção de algum erro por higienização.
Há metáfora ao condensar a palavra aperfeiçoamento no sentido higienização (que, como dito pela colega Cassia Moraes, pertence ao campo da limpeza física, da saude, da remoção de sujeira).
Alternativa Correta: B
Justificativa
- O emprego da palavra "higienização" opera por metáfora, transferindo o conceito de limpeza biológica/sanitária para o campo textual (como se o texto estivesse "sujo" por desvios gramaticais), e constitui um eufemismo, pois reveste de um nome clínico, asséptico e polido uma prática que, na essência, é uma correção punitiva e excludente criticada pelo autor.
Resumo do Assunto
- O fragmento ilustra a crítica formulada por João Wanderley Geraldi e endossada no texto sobre os limites da correção escolar mecânica.
- A Análise Linguística (AL) contrapõe-se a essa visão higienizadora e purista do ensino tradicional — que enxerga o texto do aluno apenas como um repositório de falhas a serem eliminadas —, defendendo que a reescrita e a reflexão gramatical devem servir para que o estudante conquiste sua autonomia discursiva e atinja efetivamente seus objetivos comunicativos perante o leitor.
Distrator da Banca
- O principal distrator presente na questão é a Alternativa A (hipérbole e eufemismo).
- A banca utiliza essa combinação porque o conceito de eufemismo é facilmente reconhecível na tentativa de suavizar a prática punitiva, mas induz o candidato ao erro ao associá-la à hipérbole (exagero), figura que não se sustenta no texto, visto que o sentido figurado decorre da analogia espacial/sanitária da limpeza (metáfora), e não de um aumento exagerado de proporções.
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