Questões de Concurso Sobre estrutura das palavras: radical, desinência, prefixo e sufixo em português

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Q4050496 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Aluno e professora criam tecido com bagaço da cana-de-açúcar, em Goiás.


Uma professora e um aluno da rede pública de educação de Goiás desenvolveram um tecido a partir do bagaço da cana-de-açúcar, com potencial para uma futura produção têxtil. O projeto, que une experimentação científica e sustentabilidade, foi selecionado para representar o estado em uma feira de bioinovação que acontecerá em novembro, na Bahia.

Professora de Biologia no Centro de Ensino em Período Integral (Cepi) Osvaldo da Costa Meireles, em Luziânia, Gabrielle Rosa Silva, de 29 anos, explicou ao g1 que a ideia surgiu durante pesquisas, na escola, sobre o desenvolvimento de algum produto através de material comumente descartado.

Foram a inquietude e a curiosidade de Thiago Alves dos Santos, seu aluno do terceiro ano do ensino médio, que levaram ao resultado final. Como eles já haviam desenvolvido um papel à base de folhas de pequi, o estudante perguntou se seria possível produzir também tecido a partir do material.

Em entrevista ao g1, Thiago disse que, ao ver o projeto indo tão longe, a sensação é de orgulho. Ele conta que levou a ideia para a professora quando começou a perceber o quanto a indústria têxtil polui e o quanto o consumo de roupas tem crescido de forma tão exacerbada.

O jovem diz que considera a seleção do projeto para a exposição na Bahia uma conquista enorme. "No começo, eu não acreditava que poderia ir tão longe, principalmente por ser um projeto desenvolvido em uma escola pública e com poucos recursos", afirmou.

Thiago destaca que ver tudo isso dando certo mostra que a ciência pode mudar a realidade. "E também que pequenas ideias, quando feitas com dedicação, podem gerar grandes impactos para a sustentabilidade e o futuro do planeta", completou.

Segundo a professora, o processo de produção envolve, após higienização, a preparação da biomassa. "A gente extrai a celulose e depois faz como se fosse uma dissolução porque aquele bagaço é rígido e tem que ficar no caso um pouquinho mais, digamos, emoliente", explica.

Só no processo de extração da celulose são necessárias cerca de três horas. O procedimento utiliza água e soda cáustica sob temperatura constante de 80ºC para quebrar os compostos orgânicos e liberar a celulose. Em seguida, é feita a clarificação do material com água oxigenada.

O passo seguinte é o que ela chama de "formação", quando o bagaço deixa o aspecto rígido e passa a apresentar consistência fibrosa. "Fica como se fosse ummini algodão. Então, a gente faz o processo de fiação, que é a formação de um fio. Depois, a gente faz os ajustes finais. Demora um pouquinho, mais ou menos uns 10 dias para fazer tudo", detalhou Gabrielle.

Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), que representa o setor sucroalcooleiro, dão uma ideia do potencial da ideia caso ela, um dia, ganhe escala industrial. Segundo a entidade, o Centro-Sul do país processou cerca de 679,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2024/25. Cada tonelada de cana moída gera, em média, cerca de 250 kg de bagaço. Assim, estima-se a geração de cerca de 170 milhões de toneladas de bagaço por safra.

De acordo com a Unica, atualmente a maior parte do bagaço não é descartada porque é aproveitada para cogeração de energia (térmica e elétrica) nas próprias usinas. E uma parte menor pode ser usada em outros subprodutos, como, por exemplo, ração animal.

Ainda assim, a entidade afirmou, em nota, que avalia como positivas iniciativas como a da professora Gabriella e do aluno Thiago, uma vez que "ampliam o uso sustentável dos resíduos da cana, por estarem alinhadas aos princípios de circularidade e bioinovação que o setor vem promovendo".


https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2025/10/25/aluno-eprofessora-criam-tecido-com-bagaco-da-cana-de-acucarem-goias.ghtml

https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2025/10/25/aluno-e-professora-cri am-tecido-com-bagaco-da-cana-de-acucar-em-goias.ghtml
"Thiago destaca que ver tudo isso dando certo mostra que a ciência pode mudar a realidade." 
Considerando o processo de formação da palavra 'realidade' e de outros vocábulos fora do contexto, analise as afirmativas a seguir:
I. O vocábulo 'realidade' apresenta um elemento mórfico destituído de autonomia na língua, denominado sufixo, cuja função é formar uma nova palavra, emprestando à base uma ideia acessória e indicando a categoria gramatical a que pertence.
II. A derivação é o processo de formação de palavras a partir de uma base primitiva por meio do acréscimo de afixos, que podem ser classificados em prefixos ou sufixos. Por exemplo, o vocábulo 'infra-assinado' é formado pelo prefixo 'infra-', que transmite a ideia de 'abaixo'.
III. Os sufixos '-ico', '-ejo', '-acho' e '-zito' são diminutivos que, além de expressarem valor afetivo, podem, em certos contextos, transmitir sentido pejorativo. Exemplos de palavras formadas por esses sufixos incluem: 'namorico', 'lugarejo', 'riacho' e 'amorzito'.
IV. Os vocábulos 'entardecer', 'amaldiçoar' e 'atualizar' são formados pelo mesmo processo de formação de palavras.

Assinale a alternativa que apresenta apenas as proposições CORRETAS. 
Alternativas
Q4046881 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Aluno e professora criam tecido com bagaço da cana-de-açúcar, em Goiás.


Uma professora e um aluno da rede pública de educação de Goiás desenvolveram um tecido a partir do bagaço da cana-de-açúcar, com potencial para uma futura produção têxtil. O projeto, que une experimentação científica e sustentabilidade, foi selecionado para representar o estado em uma feira de bioinovação que acontecerá em novembro, na Bahia.

Professora de Biologia no Centro de Ensino em Período Integral (Cepi) Osvaldo da Costa Meireles, em Luziânia, Gabrielle Rosa Silva, de 29 anos, explicou ao g1 que a ideia surgiu durante pesquisas, na escola, sobre o desenvolvimento de algum produto através de material comumente descartado.

Foram a inquietude e a curiosidade de Thiago Alves dos Santos, seu aluno do terceiro ano do ensino médio, que levaram ao resultado final. Como eles já haviam desenvolvido um papel à base de folhas de pequi, o estudante perguntou se seria possível produzir também tecido a partir do material.

Em entrevista ao g1, Thiago disse que, ao ver o projeto indo tão longe, a sensação é de orgulho. Ele conta que levou a ideia para a professora quando começou a perceber o quanto a indústria têxtil polui e o quanto o consumo de roupas tem crescido de forma tão exacerbada.

O jovem diz que considera a seleção do projeto para a exposição na Bahia uma conquista enorme. "No começo, eu não acreditava que poderia ir tão longe, principalmente por ser um projeto desenvolvido em uma escola pública e com poucos recursos", afirmou.

Thiago destaca que ver tudo isso dando certo mostra que a ciência pode mudar a realidade. "E também que pequenas ideias, quando feitas com dedicação, podem gerar grandes impactos para a sustentabilidade e o futuro do planeta", completou.

Segundo a professora, o processo de produção envolve, após higienização, a preparação da biomassa. "A gente extrai a celulose e depois faz como se fosse uma dissolução porque aquele bagaço é rígido e tem que ficar no caso um pouquinho mais, digamos, emoliente", explica.

Só no processo de extração da celulose são necessárias cerca de três horas. O procedimento utiliza água e soda cáustica sob temperatura constante de 80ºC para quebrar os compostos orgânicos e liberar a celulose. Em seguida, é feita a clarificação do material com água oxigenada.

O passo seguinte é o que ela chama de "formação", quando o bagaço deixa o aspecto rígido e passa a apresentar consistência fibrosa. "Fica como se fosse ummini algodão. Então, a gente faz o processo de fiação, que é a formação de um fio. Depois, a gente faz os ajustes finais. Demora um pouquinho, mais ou menos uns 10 dias para fazer tudo", detalhou Gabrielle.

Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), que representa o setor sucroalcooleiro, dão uma ideia do potencial da ideia caso ela, um dia, ganhe escala industrial. Segundo a entidade, o Centro-Sul do país processou cerca de 679,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2024/25. Cada tonelada de cana moída gera, em média, cerca de 250 kg de bagaço. Assim, estima-se a geração de cerca de 170 milhões de toneladas de bagaço por safra.

De acordo com a Unica, atualmente a maior parte do bagaço não é descartada porque é aproveitada para cogeração de energia (térmica e elétrica) nas próprias usinas. E uma parte menor pode ser usada em outros subprodutos, como, por exemplo, ração animal.

Ainda assim, a entidade afirmou, em nota, que avalia como positivas iniciativas como a da professora Gabriella e do aluno Thiago, uma vez que "ampliam o uso sustentável dos resíduos da cana, por estarem alinhadas aos princípios de circularidade e bioinovação que o setor vem promovendo".


https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2025/10/25/aluno-eprofessora-criam-tecido-com-bagaco-da-cana-de-acucarem-goias.ghtml

https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2025/10/25/aluno-e-professora-cri am-tecido-com-bagaco-da-cana-de-acucar-em-goias.ghtml
"Thiago destaca que ver tudo isso dando certo mostra que a ciência pode mudar a realidade."
Considerando o processo de formação da palavra 'realidade' e de outros vocábulos fora do contexto, analise as afirmativas a seguir:
I. O vocábulo 'realidade' apresenta um elemento mórfico destituído de autonomia na língua, denominado sufixo, cuja função é formar uma nova palavra, emprestando à base uma ideia acessória e indicando a categoria gramatical a que pertence.
II. A derivação é o processo de formação de palavras a partir de uma base primitiva por meio do acréscimo de afixos, que podem ser classificados em prefixos ou sufixos. Por exemplo, o vocábulo 'infra-assinado' é formado pelo prefixo 'infra-', que transmite a ideia de 'abaixo'.
III. Os sufixos '-ico', '-ejo', '-acho' e '-zito' são diminutivos que, além de expressarem valor afetivo, podem, em certos contextos, transmitir sentido pejorativo. Exemplos de palavras formadas por esses sufixos incluem: 'namorico', 'lugarejo', 'riacho' e 'amorzito'.
IV. Os vocábulos 'entardecer', 'amaldiçoar' e 'atualizar' são formados pelo mesmo processo de formação de palavras.

Assinale a alternativa que apresenta apenas as proposições CORRETAS. 
Alternativas
Q4042943 Português

Para responder à questão, leia a charge abaixo.



Com base nas palavras MUDANÇA, CLIMÁTICA e ECO-CHATO, analise as assertivas abaixo e julgue-as em Verdadeiras (V) ou Falsas (F):



( ) A palavra MUDANÇA pertence à mesma família de palavras do verbo mudar, compartilhando com ele a exata mesma ideia central de alteração e transformação.


( ) O termo ECO-CHATO é uma expressão usada pelo personagem no balão de fala como um sincero elogio, sendo um sinônimo perfeito de uma pessoa amiga e agradável.


( ) A palavra CLIMÁTICA tem o seu sentido relacionado diretamente à palavra clima, referindo-se aos graves fenômenos de temperatura que acontecem no meio ambiente.



Qual alternativa preenche, CORRETAMENTE, de cima para baixo, os parênteses acima? 

Alternativas
Q4042404 Português


Álbum da Copa do Mundo de 2026 sobe mais que inflação, e completar custa mais de R$ 1 mil



            A Panini Brasil iniciou no dia 1º de abril a pré-venda do álbum de figurinhas da Copa do Mundo da FIFA 2026. A nova edição chega com preços mais altos, com pacotes custando R$ 7, o que deve fazer colecionadores gastarem mais para completar o livrinho do que no último mundial. O lançamento nas bancas está previsto para 1º de maio. Cada envelope custará R$ 7 e trará sete figurinhas — um real por figurinha. Já o álbum terá versões que vão de R$ 24,90 (brochura) a R$ 79,90 (capa dura especial). Há ainda uma edição premium que chega a R$ 359,90.



            O álbum acompanha a expansão do torneio, que terá 48 seleções pela primeira vez, com jogos nos Estados Unidos, Canadá e México. Com isso, a coleção será a maior já lançada, com 980 figurinhas e 112 páginas. Em 2022, eram 670 cromos no álbum. Na prática, completar o álbum ficou mais caro. Mesmo se a pessoa conseguir trocar todas as suas figurinhas e terminar a coleção sem nenhuma repetida, o gasto vai ser superior a R$ 1 mil.



            Considerando o IPCA, a inflação acumulada no Brasil entre 2022 e 2025 ficou em cerca de 21%. O álbum de 2022 tinha um custo teórico (sem nenhuma figurinha repetida) de R$ 550. Ou seja, o novo valor de mais de R$ 1 mil tem um aumento de 81%, muito superior a esse percentual, indicando uma alta real acima da inflação no período.



Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/04/01/album-da-copa-de-2026-sobe-mais-que-a-inflacao-acumulada-em-4-anos-e-custo-para-completar-pode-ultrapassar-mil-reais.ghtml (adaptado)

O estudo da família de palavras permite reconhecer unidades menores e radicais que aparecem em diversos outros grupos de palavras, auxiliando na dedução de seus significados. No texto, a palavra colecionadores pertence à mesma família de palavras e deriva do mesmo radical de:

Alternativas
Q3951819 Português
Alterações da voz podem sinalizar doenças

        A voz desempenha papel importante em várias áreas da vida humana. Além da comunicação, ela é utilizada para demonstrar emoções, em formas artísticas ou ainda profissionais, como acontece com os professores. Em todos os casos, o cuidado e a adoção de bons hábitos devem ser constantes, já que alterações podem sinalizar doenças. Para promover a conscientização da população sobre o tema, instituiu‑se o Dia Mundial da Voz, celebrado em 16 de abril.

        O órgão responsável pela voz é a laringe, comumente conhecida como caixa de voz, pois desempenha um papel fundamental na produção de som. É na laringe em que estão localizadas as cordas vocais, que são músculos que vibram quando o ar passa por elas, produzindo sons.

        Rouca, fraca, tensa, cansada, trêmula, fina ou grossa demais: uma voz que se torna diferente do habitual pode ser um indicativo de que algo não vai bem. Qualquer alteração na qualidade vocal – seja na intensidade, no tom ou na qualidade – é chamada de disfonia.

        Lesões orgânicas das pregas vocais, como nódulos ou fendas; doenças inflamatórias, como as laringites agudas e crônicas; causas traumáticas, resultado do uso abusivo ou inadequado da voz, e as irritativas, reflexo do refluxo gastroesofágico; diferentes tipos de câncer de cabeça e pescoço; e doenças neurológicas, como o Parkinson, são algumas das doenças que podem se refletir em um distúrbio vocal moderado ou até em perda total da voz.

        O principal sintoma é a rouquidão, que pode estar presente de forma isolada ou associada a outros sinais de alerta: dor na garganta ao falar ou engolir, perda de peso não intencional, presença de sangue no escarro ou tosse, rouquidão persistente por mais de duas semanas, especialmente se não houver resfriado ou uso abusivo da voz, e dificuldade para engolir ou respirar.

        Os tratamentos variam de acordo com o diagnóstico clínico e com o nível de necessidade de uso da voz, seja na vida social ou na profissional. Os principais são o uso de medicamentos, a fonoterapia e a intervenção cirúrgica.

         Alguns dos inimigos da voz são: privação de sono, alimentos condimentados, leite e derivados, bebidas alcoólicas em excesso, poluição, ambientes ruidosos, mudanças bruscas de temperatura, abuso vocal, refluxo gastroesofágico, uso paliativo de pastilhas e sprays para a garganta, dentre outras medidas caseiras sem confirmação científica.

Internet:<gov.br>  (com adaptações).

Em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.


Conforme o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, a palavra “fonoterapia” está grafada corretamente, pois o prefixo “fono” termina em vogal, e o segundo elemento (“terapia”) é iniciado por uma consoante. Por outro lado, na palavra “gastroesofágico”, deveria ser inserido um hífen em razão de o prefixo “gastro” terminar com uma vogal diferente da que inicia o segundo elemento (“esofágico”).

Alternativas
Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2025 - INEP - Letras - Português Espanhol |
Q4146737 Português
Diminutivos


No Brasil, usa-se o diminutivo principalmente em relação à comida. Nada nos desperta sentimentos tão carinhosos quanto uma boa comidinha.

— Mais um feijãozinho?

O feijãozinho passou dois dias borbulhando num daqueles caldeirões de antropófagos com capacidade para três missionários. Leva porcos inteiros, todos os miúdos e temperos conhecidos e, parece, um missionário. Mas a dona de casa o trata como um mingau de todos os dias.

— Mais um feijãozinho?
— Um pouquinho.
— E uma farofinha?
— Ao lado do arrozinho?
— Isso.
— E quem sabe mais uma cervejinha.
— Obrigadinho.


VERISSIMO, L. F. Comédia da vida privada: 101 crônicas escolhidas. Porto Alegre: L&PM, 1994.

Um professor propõe utilizar o texto de Verissimo para desenvolver uma tarefa que leve os estudantes a refletirem sobre a formação e a função dos diminutivos, considerando os diferentes elementos constitutivos das palavras. Para cumprir o objetivo da aula, o professor deve
Alternativas
Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2025 - INEP - Letras - Português |
Q4145137 Português
TEXTO 1


Composição de bases presas


No português, é muito comum a formação de palavras ou radicais a partir de combinações com bases presas. Citamos como exemplo a forma agricultura, em que agri- é uma forma presa.

Nesse tipo de composição, que envolve pelo menos uma base presa, o segundo termo é o núcleo e o primeiro é o especificador; ao contrário do que encontramos na composição de bases livres, em que o primeiro é o núcleo e o segundo é o especificador.


BASÍLIO, M. Teoria lexical. São Paulo: Ática, 1987 (adaptado).



TEXTO 2






Disponível em: www.uol.com.br. Acesso em: 25 maio 2025.

Durante uma aula de Língua Portuguesa, um professor apresenta o Texto 2 e propõe uma atividade sobre o processo de formação da palavra “ecoansiedade”. Para garantir uma análise coerente com os princípios observados no Texto 1, o professor deve orientar, nessa atividade, que os estudantes
Alternativas
Q4113012 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


As tempestades sempre passam


As tempestades, vêm, caem, destroem e passam. Sempre passam. Umas demoras mais, outras são quase tão rápidas quanto a queda de um raio, mas, passam. Passam como o vento passa, como as marés se repetem, sempre outras em seu movimento de subir e descer. Passam como o ciclo das mulheres, como o corpo que se abre, como a vida que nasce de dentro do ventre e ilumina este mundo no primeiro choro saudando a luz.


As tempestades passam e deixam no céu a transparência que me fala de outros mundos, de outras dimensões, de momentos esquecidos que precisam ser resgatados, e de outros não vividos, que se perdem na distância, além de qualquer possibilidade, até mesmo para o sonho.


As tempestades passam e dão lugar a um sol mais limpo e mais brilhante, que faz mais alegre o dia, para dar lugar a uma lua que, se estiver cheia é uma ode impressa no céu, mas que, se estiver crescente, é um soneto, e é o momento mais terno e mais suave de todos os que a natureza dá.


Pouca coisa se compara à noite depois duma tempestade. Pouca coisa tem mais poesia do que o céu limpo mudando de cor, até atingir o azul profundo, onde a lua se deita, como uma cimitarra de ouro, apontando os rumos e as rotas das vidas de cada um de nós.


A lua depois da chuva é poesia pura, é o encontro da alma com o eterno, do atávico com o futuro, como se todos fossemos um único corpo, e o universo não se fragmentasse em estrelas e cometas rodeados de planetas, onde, algumas vezes, a vida se faz, sem explicação capaz de nos explicar, mas real como cada um de nós, como cada corpo e cada pensamento.


A lua depois da tempestade é a chegada da vida na terra molhada, na semente carregada pelo vento, no encontro da luz com as águas escuras onde ela reflete os sonhos de Deus, antes de criar o paraíso.


MENDONÇA, Antonio Penteado. As tempestades sempre passam. Crônicas da Cidade, 28 nov. 2021. Disponível em: https://cronicasdacidade.com.br/cronicas/2021/11/28/as-tempestades-s empre-passam/ . Acesso em: 16 nov. 2025.
Considerando a palavra "encontro" no trecho "A lua depois da chuva é poesia pura, é o encontro da alma com o eterno, do atávico com o futuro" e os processos de formação de palavras em língua portuguesa, assinale a alternativa correta quanto à sua estrutura morfológica e à classificação do processo de formação que a originou.
Alternativas
Q4112933 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


As tempestades sempre passam


As tempestades, vêm, caem, destroem e passam. Sempre passam. Umas demoras mais, outras são quase tão rápidas quanto a queda de um raio, mas, passam. Passam como o vento passa, como as marés se repetem, sempre outras em seu movimento de subir e descer. Passam como o ciclo das mulheres, como o corpo que se abre, como a vida que nasce de dentro do ventre e ilumina este mundo no primeiro choro saudando a luz.


As tempestades passam e deixam no céu a transparência que me fala de outros mundos, de outras dimensões, de momentos esquecidos que precisam ser resgatados, e de outros não vividos, que se perdem na distância, além de qualquer possibilidade, até mesmo para o sonho.


As tempestades passam e dão lugar a um sol mais limpo e mais brilhante, que faz mais alegre o dia, para dar lugar a uma lua que, se estiver cheia é uma ode impressa no céu, mas que, se estiver crescente, é um soneto, e é o momento mais terno e mais suave de todos os que a natureza dá.


Pouca coisa se compara à noite depois duma tempestade. Pouca coisa tem mais poesia do que o céu limpo mudando de cor, até atingir o azul profundo, onde a lua se deita, como uma cimitarra de ouro, apontando os rumos e as rotas das vidas de cada um de nós.


A lua depois da chuva é poesia pura, é o encontro da alma com o eterno, do atávico com o futuro, como se todos fossemos um único corpo, e o universo não se fragmentasse em estrelas e cometas rodeados de planetas, onde, algumas vezes, a vida se faz, sem explicação capaz de nos explicar, mas real como cada um de nós, como cada corpo e cada pensamento.


A lua depois da tempestade é a chegada da vida na terra molhada, na semente carregada pelo vento, no encontro da luz com as águas escuras onde ela reflete os sonhos de Deus, antes de criar o paraíso.


MENDONÇA, Antonio Penteado. As tempestades sempre passam. Crônicas da Cidade, 28 nov. 2021. Disponível em: https://cronicasdacidade.com.br/cronicas/2021/11/28/as-tempestades-s empre-passam/ . Acesso em: 16 nov. 2025.
Considerando a palavra "encontro" no trecho "A lua depois da chuva é poesia pura, é o encontro da alma com o eterno, do atávico com o futuro" e os processos de formação de palavras em língua portuguesa, assinale a alternativa correta quanto à sua estrutura morfológica e à classificação do processo de formação que a originou.
Alternativas
Q4111221 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


As tempestades sempre passam


As tempestades, vêm, caem, destroem e passam. Sempre passam. Umas demoras mais, outras são quase tão rápidas quanto a queda de um raio, mas, passam. Passam como o vento passa, como as marés se repetem, sempre outras em seu movimento de subir e descer. Passam como o ciclo das mulheres, como o corpo que se abre, como a vida que nasce de dentro do ventre e ilumina este mundo no primeiro choro saudando a luz.


As tempestades passam e deixam no céu a transparência que me fala de outros mundos, de outras dimensões, de momentos esquecidos que precisam ser resgatados, e de outros não vividos, que se perdem na distância, além de qualquer possibilidade, até mesmo para o sonho.


As tempestades passam e dão lugar a um sol mais limpo e mais brilhante, que faz mais alegre o dia, para dar lugar a uma lua que, se estiver cheia é uma ode impressa no céu, mas que, se estiver crescente, é um soneto, e é o momento mais terno e mais suave de todos os que a natureza dá.


Pouca coisa se compara à noite depois duma tempestade. Pouca coisa tem mais poesia do que o céu limpo mudando de cor, até atingir o azul profundo, onde a lua se deita, como uma cimitarra de ouro, apontando os rumos e as rotas das vidas de cada um de nós.


A lua depois da chuva é poesia pura, é o encontro da alma com o eterno, do atávico com o futuro, como se todos fossemos um único corpo, e o universo não se fragmentasse em estrelas e cometas rodeados de planetas, onde, algumas vezes, a vida se faz, sem explicação capaz de nos explicar, mas real como cada um de nós, como cada corpo e cada pensamento.


A lua depois da tempestade é a chegada da vida na terra molhada, na semente carregada pelo vento, no encontro da luz com as águas escuras onde ela reflete os sonhos de Deus, antes de criar o paraíso.


MENDONÇA, Antonio Penteado. As tempestades sempre passam. Crônicas da Cidade, 28 nov. 2021. Disponível em: https://cronicasdacidade.com.br/cronicas/2021/11/28/as-tempestades-s empre-passam/ . Acesso em: 16 nov. 2025.
Considerando a palavra "encontro" no trecho "A lua depois da chuva é poesia pura, é o encontro da alma com o eterno, do atávico com o futuro" e os processos de formação de palavras em língua portuguesa, assinale a alternativa correta quanto à sua estrutura morfológica e à classificação do processo de formação que a originou.
Alternativas
Q4111058 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


As tempestades sempre passam


As tempestades, vêm, caem, destroem e passam. Sempre passam. Umas demoras mais, outras são quase tão rápidas quanto a queda de um raio, mas, passam. Passam como o vento passa, como as marés se repetem, sempre outras em seu movimento de subir e descer. Passam como o ciclo das mulheres, como o corpo que se abre, como a vida que nasce de dentro do ventre e ilumina este mundo no primeiro choro saudando a luz.


As tempestades passam e deixam no céu a transparência que me fala de outros mundos, de outras dimensões, de momentos esquecidos que precisam ser resgatados, e de outros não vividos, que se perdem na distância, além de qualquer possibilidade, até mesmo para o sonho.


As tempestades passam e dão lugar a um sol mais limpo e mais brilhante, que faz mais alegre o dia, para dar lugar a uma lua que, se estiver cheia é uma ode impressa no céu, mas que, se estiver crescente, é um soneto, e é o momento mais terno e mais suave de todos os que a natureza dá.


Pouca coisa se compara à noite depois duma tempestade. Pouca coisa tem mais poesia do que o céu limpo mudando de cor, até atingir o azul profundo, onde a lua se deita, como uma cimitarra de ouro, apontando os rumos e as rotas das vidas de cada um de nós.


A lua depois da chuva é poesia pura, é o encontro da alma com o eterno, do atávico com o futuro, como se todos fossemos um único corpo, e o universo não se fragmentasse em estrelas e cometas rodeados de planetas, onde, algumas vezes, a vida se faz, sem explicação capaz de nos explicar, mas real como cada um de nós, como cada corpo e cada pensamento.


A lua depois da tempestade é a chegada da vida na terra molhada, na semente carregada pelo vento, no encontro da luz com as águas escuras onde ela reflete os sonhos de Deus, antes de criar o paraíso.


MENDONÇA, Antonio Penteado. As tempestades sempre passam. Crônicas da Cidade, 28 nov. 2021. Disponível em: https://cronicasdacidade.com.br/cronicas/2021/11/28/as-tempestades-s empre-passam/ . Acesso em: 16 nov. 2025.
Considerando a palavra "encontro" no trecho "A lua depois da chuva é poesia pura, é o encontro da alma com o eterno, do atávico com o futuro" e os processos de formação de palavras em língua portuguesa, assinale a alternativa correta quanto à sua estrutura morfológica e à classificação do processo de formação que a origino
Alternativas
Q4100728 Português
De mover carros para mover água: o próximo século do desenho urbano

Assim como fizemos para acomodar os automóveis, podemos redesenhar as cidades para lidar de forma mais inteligente com a chuva

Pedro Henrique de Christo e Alexandros Washburn


   Nos últimos cem anos, desenhamos nossas cidades para mover carros. Alargamos ruas, construímos estradas e remodelamos bairros para acomodar automóveis. Por qualquer medida, nós conseguimos. A cidade moderna é otimizada para veículos, comumente ao custo das pessoas que vivem nela. Entretanto, os próximos cem anos devem focar algo muito mais urgente: mover água.

   A crise climática está remodelando nossas cidades, trazendo tempestades mais intensas, aumento do nível do mar e ondas de calor. A volatilidade hidroclimática tem levado ao aumento de enchentes relâmpagos, secas prolongadas e incêndios, a chamada "chicotada climática". Porto Alegre passou por uma das piores secas do mundo em 2023 e, em seguida, por enchentes devastadoras em 2024. [...]

   No Brasil, a frequência de eventos climáticos extremos vem subindo dramaticamente. Entre 2014 e 2023, grandes enchentes aumentaram de 182 para 314 e secas de 92 para 406 se comparadas à década anterior. São Paulo exemplifica essa tendência com sua seca severa de 2014-15 seguida por enchentes relâmpagos que se intensificaram no último verão. Estas são todas crises d’água, o elemento mais fundamental para a cidade e sua população. [...]

   Ainda assim, nossa infraestrutura urbana se mantém presa numa mentalidade do século 20, tratando a água como uma inconveniência – em vez de uma força fundamental que deve ser gerida com o mesmo nível de planejamento e investimento que o automóvel já demandou.

   A tarefa não é fácil, mas não é mais difícil do que nós realizamos no último século. A transformação das cidades para os carros requisitou feitos de engenharia massivos: rodovias elevadas, túneis subterrâneos, estruturas vastas de estacionamento, monitoramento do tráfego da malha urbana e um sistema de comando e controle – o semáforo. Se fizemos tudo isso, podemos redesenhar nossos territórios urbanos para lidar inteligentemente com a água.

   Em vez de ruas desenhadas para carros, precisamos de vias e superfícies que absorvam, canalizem e armazenem água. Em vez de vastos espaços de asfalto impermeável, precisamos de parques grandes e pequenos. É o que chamamos de infraestrutura verde: biovales, pavimentos permeáveis e espaços públicos alagáveis acoplados a sistemas de dados para controlá-los. Não podemos tratar a chuva como um incômodo, mas sim aproveitá-la para reúso como uma parte integral do que chamamos de urbanismo climático. [...]

   Essa mudança não só nos protegerá de desastres climáticos: também fará nossas cidades mais habitáveis. Ruas desenhadas para água tendem a ser mais frescas, verdes e amigáveis ao pedestre. Vizinhanças desenhadas ao redor do fluxo natural da água podem reduzir ilhas de calor, melhorar a qualidade do ar e criar novos espaços públicos.

   A cidade centrada no carro é congestionada e barulhenta; a cidade centrada na água será resiliente e agradável. Passamos um século remodelando nossas cidades para os automóveis. Agora, precisamos do mesmo nível de ambição e urgência para remodelá-las para a água. Nosso futuro depende disso.


Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/06/demover-carros-para-mover-agua-o-proximo-seculo-do-desenhourbano.shtml. Acesso em: 03 jul. 2025. 1
Em relação à estrutura e à formação de algumas palavras presentes no Texto 2, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4100714 Português
Do descarte à transformação

Economia circular pode virar o jogo contra a poluição plástica

Fabrício Fonseca


   A poluição plástica é uma das maiores ameaças ambientais globais, com impactos profundos na biodiversidade, na saúde humana e na economia. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a sujeira por meio de plásticos é o segundo maior problema ambiental do planeta, atrás apenas das mudanças climáticas.

   No Brasil, geramos 3,4 milhões de toneladas de resíduos plásticos por ano, mas só uma pequena fração é reciclada de forma efetiva. Isso exige resposta urgente. É neste cenário que a economia circular se apresenta como estratégia fundamental para transformar resíduos em recursos, mitigar danos ambientais e promover um desenvolvimento verdadeiramente sustentável.

   Diferentemente do modelo linear tradicional – extrair, produzir, consumir e descartar –, a economia circular propõe um ciclo contínuo de aproveitamento dos materiais. No caso do plástico, significa estender sua vida útil por meio da reutilização, reciclagem e reinserção na cadeia produtiva. Mas essa mudança de paradigma vai além do ambiental. Ela representa uma oportunidade de inovação, geração de empregos e inclusão social.

   Dados recentes de organizações como Oceana e WWF-Brasil indicam que substituir plásticos descartáveis por alternativas sustentáveis pode evitar milhões de toneladas de resíduos plásticos e reduzir significativamente as emissões de CO₂. Mais que isso, a economia circular tem potencial para impulsionar o crescimento econômico e a geração de renda no país, um casamento entre sustentabilidade e desenvolvimento que não podemos ignorar.

   Para ilustrar a urgência e o potencial dessa transformação, vale destacar estudo da Fundação Dom Cabral (FDC) com o Instituto Atmosfera (Atmos). Segundo a pesquisa, o Brasil recicla só cerca de 13% dos resíduos sólidos urbanos, retratando um desperdício gigantesco e uma enorme oportunidade perdida em termos econômicos e sociais. Ampliar essa taxa não só reduziria o impacto ambiental, como poderia gerar centenas de milhares de empregos diretos em setores ligados à coleta e triagem, o que promoveria inclusão social e dignidade para milhares de famílias.

   Por outro lado, a pesquisa alerta para riscos importantes, como a flexibilização da importação de resíduos sólidos, o chamado “lixo importado”, que ameaça a cadeia nacional de reciclagem e desvaloriza o trabalho das cooperativas. Para avançar, o Brasil precisa de políticas públicas claras e adequadas à realidade do país, incentivos adequados e investimentos em infraestrutura e tecnologia.

   Apesar dos avanços, os desafios são enormes e anseiam urgentemente por soluções. O Brasil precisa ampliar a coleta seletiva, investir em tecnologias inovadoras e, sobretudo, construir uma cultura de corresponsabilidade. A sociedade deve consumir e descartar de forma consciente, o setor privado precisa garantir a rastreabilidade dos resíduos e o poder público tem o papel fundamental de criar marcos legais consistentes e efetivos. [...]


Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/06/dodescarte-a-transformacao.shtml. Acesso em: 03 jul. 2025.
Em relação ao processo de formação de algumas palavras presentes no Texto 1, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4092024 Português


TEXTO 4


Os semeadores


... Eis aí saiu o que semeia a semear... (MAT., XIII, 3.)


Vós os que hoje colheis, por esses campos largos,

O doce fruto e a flor, Acaso esquecereis os ásperos e amargos

Tempos do semeador?

Rude era o chão; agreste e longo aquele dia;

Contudo, esses heróis

Souberam resistir na afanosa porfia

Aos temporais e aos sóis.

Poucos; mas a vontade os poucos multiplica,

E a fé, e as orações

Fizeram transformar a terra pobre em rica

E os centos em milhões.

Nem somente o labor, mas o perigo, a fome,

O frio, a descalcez,

O morrer cada dia uma morte sem nome,

O morrê-la, talvez,

Entre bárbaras mãos, como se fora crime,

Como se fora réu

Quem lhe ensinara aquela ação pura e sublime

De as levantar ao céu!

Ó Paulos do sertão! Que dia e que batalha!

Venceste-la; e podeis

Entre as dobras dormir da secular mortalha;

Vivereis, vivereis!


ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Americanas. Disponível em:
<http://machado.mec.gov.br/images/stories/pdf/poesia/maps03.
pdf>. Acesso em: 16 de setembro de 2025.
Considerando os versos "Contudo, esses heróis / Souberam resistir na afanosa porfia / Aos temporais e aos sóis." (Machado de Assis), analise as sentenças sobre a flexão de número dos substantivos "heróis" e "sóis".

I- "Heróis" apresenta alomorfia com acréscimo da vogal temática e da desinência de número /-s/.
II- A forma "sóis" mantém o ditongo aberto /ɔj/ no plural, em conformidade com a regra que determina a manutenção do ditongo nas palavras oxítonas terminadas em /-ol/, coincidindo também com a forma plural da segunda pessoa do Indicativo presente do verbo "ser".
III- A concordância nominal se estabelece com o acréscimo da desinência de número /-s/ aos determinantes "esses" e "aos", concordando em número com os substantivos "heróis" e "sóis", respectivamente.

Estão CORRETAS:
Alternativas
Q4091818 Português
TEXTO

HANS STADEN, O AVENTUREIRO QUE APRESENTOU O BRASIL À EUROPA


   Era um tempo em que o lado americano do mundo era um universo misterioso, novo e instigante para o povo europeu. Então foi publicado um livro em que o autor-protagonista não só conta sobre fauna, flora e geografia dessas terras desconhecidas como ainda descreve o dia a dia, os costumes e as tradições de pessoas canibais, relatando ele próprio ter sido prisioneiro delas por nove meses.

  Não é à toa que o aventureiro mercenário alemão Hans Staden (1525-1576) se tornou tão importante. “Seu livro se tornou a única fonte de informação sobre esta parte do mundo”, diz a tradutora e editora Vanete Santana-Dezmann, pesquisadora colaboradora do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo.

   Isto porque, embora o escrivão Pero Vaz de Caminha (1450-1500) tenha registrado as primeiras impressões portuguesas no hoje território brasileiro, seus escritos ficaram por muito tempo restritos, sem terem sido publicados ao público em geral. Isso, aliás, torna a obra do aventureiro alemão ainda mais original. Conforme pontua o brasilianista alemão Franz Obermeier, em artigo acadêmico publicado em 2011, “o acesso de Staden a manuscritos sobre o Brasil é improvável”.

   A Verdadeira História dos Selvagens, Nus e Ferozes Devoradores de Homens, Encontrados no Novo Mundo, a América – também conhecida como Duas Viagens Ao Brasil – foi publicada em 1557 na antiga versão da Feira do Livro de Frankfurt e logo despertou a atenção do incipiente mercado editorial europeu.

  Esses “selvagens, nus e ferozes” antropófagos eram os tupinambás, também chamados de tamoios, grupo indígena que acabou completamente exterminado pelos colonizadores. Assim como a carta de Caminha, o relato de Staden traz a “marca de um relato inaugural, de notícia primeira, de abertura de um mundo de novas e até então inimagináveis possibilidades”, define a historiadora Miriam Elvira Junghans, doutora pela Casa de Oswaldo Cruz da Fundação Oswaldo Cruz.

  “As leituras feitas atualmente [da obra] procuram entendê-la a partir do contexto em que foi produzida: tratava-se de um homem do século 16, envolvido na empresa de expansão dos horizontes geográficos e do conhecimento sobre o mundo na qual o Ocidente se empenhou [na época]”, contextualiza a pesquisadora. “As expectativas sobre esse ‘novo mundo’ se traduziam, em especial, em formas de diferenciação, de estranhamento muito fortes.”

    É por isso que, explica ela, a narração dos “rituais de canibalismo praticados pelos tupinambás […] ressoaram intensamente no mundo europeu”.

   “O livro tornou-se um best-seller. No primeiro ano já teve uma segunda edição, lembrando que a impressão de livros em grande escala ainda era uma novidade na época”, afirma a historiadora Daniela Rothfuss, coordenadora cultural do Instituto Martius-Staden. “É preciso lembrar que as experiências vividas por Staden eram, até então, completamente desconhecidas na Europa do século 16.”

    De acordo com Rothfuss, entre 1625 e 1736, o relato do aventureiro foi publicado 16 vezes, “com traduções para várias línguas europeias”. Em português, a primeira tradução só foi publicada no século 19. “Este relato era interessante não só para dirigentes de nações europeias que tinham interesse comercial e econômico nessa parte do mundo, mas também a qualquer pessoa que tivesse curiosidade em saber sobre esse local então desconhecido”, diz Santana-Dezmann.

   Nascido há 500 anos em Homberg, hoje Alemanha – a data exata é desconhecida; sabe-se apenas o ano –, Staden esteve na então América portuguesa duas vezes entre 1548 e 1555. Na primeira, lutou junto a portugueses contra indígenas no Nordeste e, em seguida, contra franceses a bordo de um navio.

    Na outra viagem, o plano era chegar ao Rio da Prata, mas dois naufrágios sucessivos alteraram o destino. O primeiro fez com que Staden e o grupo ficassem por dois anos no atual litoral catarinense. De lá, embarcou com destino a São Vicente – um novo naufrágio ocorreu na região de Itanhaém.

   Staden acabou contratado pelos colonos portugueses para atuar como guarda artilheiro no Forte de São Filipe da Bertioga. “Ele manobrava canhão”, conta a pesquisadora Santana-Dezmann. Foi por conta desse trabalho de defesa que o aventureiro acabou capturado e aprisionado por indígenas tupinambás, que pretendiam devorá-lo em um ritual antropofágico.

   Durante nove meses foi prisioneiro dos nativos, que o preparavam para o ato canibal. Depois de diversas tentativas infrutíferas ao longo de mais de nove meses, conseguiu escapar: foi resgatado por um navio pirata francês. “Além de Hans Staden, ninguém nunca coletou informações tão precisas sobre os hábitos de uma tribo canibal”, afirma Santana-Dezmann.

    Na interpretação da pesquisadora, Staden só conseguiu escapar porque durante o período em que esteve preso demonstrou que não tinha as características desejadas pelos tupinambás – que acreditavam que a antropofagia era uma maneira de absorver qualidades do inimigo. Ele chorava quando rezava pedindo ajuda de Deus e em diversos episódios deu demonstrações de covardia, medo e fraquezas morais como o exercício da mentira. “Os tupinambás simplesmente perderam o interesse pela carne e pelas características de Staden”, resume ela.

  Suas experiências, únicas sob a perspectiva europeia da época, acabaram dando origem ao impressionante relato. Que, segundo o professor Augusto Rodrigues, arquivista e pesquisador no Instituto Martius-Staden, se tornou “importante referência da época” porque conta com “informações antropológicas, sociológicas, linguísticas, culturais e biológicas sobre indígenas da costa do Brasil, assim como dados geográficos da região, e foram relatos pioneiros, por assim dizer”.

   Curiosamente, a ideia inicial de Staden não era vir para o Brasil colonial. “Foi completamente por acaso. Ele queria aventura, mas estava pensando nas Índias Orientais, encantado pelas histórias daquela civilização milenar”, conta Santana-Dezmann. Mas quando ele soube que naquele ano todas as expedições para esse lugar já tinham partido, acabou embarcando na primeira oportunidade que lhe parecesse interessante o suficiente.

   “O relato de Staden não é visto em termos de verdadeiro ou falso, mas sim de significados. Dos significados do que descreveu para o mundo no qual vivia e para o mundo no qual vivemos agora”, pondera Junghans.

   O fascínio despertado pelo livro de Staden acabou criando no imaginário uma ideia de Brasil. O que precisa ser entendido com muitas ressalvas, é verdade. Primeiro porque o Brasil nem existia como nação – Staden esteve na colônia portuguesa localizada na América, um embrião do Brasil. Além disso, suas experiências foram localizadas, não compreendendo a diversidade dos povos indígenas que viviam no território. Por fim, era uma perspectiva que partia exclusivamente do ponto de vista de um homem branco europeu.

   Na avaliação de Rothfuss, a obra se popularizou justamente por falar “sobre um mundo novo e desconhecido para eles [europeus], tão exótico e primitivo, por isso fascinante”. No contexto da contrarreforma religiosa, também pesou o apelo protestante da obra – Staden atribui à ajuda de Deus a sua sobrevivência e, sendo ele um luterano, seu discurso não deixava de funcionar como uma propaganda cristã não-católica. “São descrições em primeira mão sobre a vida, as crenças e os costumes dos indígenas da época, feitas por um europeu eurocentrista. Isto, entre outras coisas, suscita uma análise crítica do discurso ‘europeu civilizado vs. indígena selvagem’”, comenta Rodrigues.

   O legado está presente até hoje, o que justifica Staden ser lembrado cinco séculos após seu nascimento. Além de diversos estudos acadêmicos, a obra foi adaptada para o público infanto-juvenil pelo escritor Monteiro Lobato (1882-1948). Junghans lembra ainda que essa narrativa ecoou em movimentos como o modernismo e o tropicalismo.

   “O livro traz Brasil no nome, embora Brasil como nação ainda não existisse. Mas ficou a impressão, no mundo inteiro, de que aquilo que o Hans Staden narrava se referia aos hábitos do Brasil”, analisa Santana-Dezmann. “Historicamente, acabou se tornando referência dos hábitos brasileiros.”

   Em seu doutorado, defendido em 2007 na Universidade Estadual de Campinas, a pesquisadora estudou justamente esse imaginário criado. Para ela, o livro acabou contribuindo para a construção “da identidade nacional brasileira” na perspectiva do europeu. “Até hoje somos vistos como selvagens puros […]. Não é uma definição desejável para a sociedade dita civilizada, porque somos canibais, ainda que hoje só metaforicamente. O brasileiro ainda é visto na Europa como essa coisa carnavalesca, cheia de plumas coloridas na cabeça […], esse ser meio em estado infantil que não tem muita noção das coisas, que não tem muita instrução.”


Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/hans-stadeno-aventureiro-que-apresentou-o-brasil-à-europa/a71617647>. Adaptado. Acesso em: 08 de setembro de
2025.
Assinale a alternativa que apresenta uma palavra formada APENAS por derivação sufixal.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: CONSULPAM Órgão: Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE Provas: CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Psicólogo | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Psicólogo - CAPSI | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Clínico Geral - Plantonista Noturno | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Clínico Geral - SAD | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Psiquiatra - CAPS Geral | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Psiquiatra - CAPS Álcool e Drogas | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Psiquiatra - NACA | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Ginecologista | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Ortopedista | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Assistente Social | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Fisioterapeuta | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Veterinário (Geral) | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Cirurgião Dentista - Bucomaxilofacial | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Assistente Social CAPS | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Cirurgião Dentista - CD - Radiologista | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Veterinário - Cirurgião | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Biomédico | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Cirurgião Dentista | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Veterinário - Anestesista | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Auditor | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Auditor - Regulação | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Clínico Geral - UBS | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Cirurgião Dentista - Atendimento Noturno e Final de Semana | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Cirurgião Dentista - Endodontista | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Educador Físico | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Enfermeiro | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Enfermeiro CAPSI | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Farmacêutico | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Orientador Ambiental (Educador Ambiental) | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Pedagogo - CRAS | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Psicopedagogo NACA/CAPSI | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Analista de Sistemas | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Engenheiro Civil | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Engenheiro Eletricista | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Terapeuta Ocupacional | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Pediatra | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Neurologista | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Médico Ultrassonografista | CONSULPAM - 2025 - Prefeitura de Limoeiro do Norte - CE - Nutricionista |
Q4090571 Português
TEXTO


COMO DRONES SE TORNARAM UMA AMEAÇA ÀS COMUNIDADES RURAIS


  Os agricultores familiares de Limoeiro do Norte, no Ceará, preparavam-se para mais uma feira agroecológica mensal quando foram surpreendidos pela notícia de que o governador Elmano de Freitas (PT) havia prometido autorizar, até o fim de 2024, o uso de drones agrícolas para pulverização no estado.

   O anúncio reacendeu um medo já inexistente na cidade, palco histórico da luta contra a pulverização aérea de agrotóxicos no Brasil. Treze dias depois, a medida foi concretizada e o Ceará deixou de ser o único estado brasileiro a impedir totalmente essa modalidade de uso de pesticidas. “A história de veneno na nossa região já ultrapassa os limites. Vivemos numa situação delicada, o progresso chegando, o agronegócio dominando e a gente acuado”, lamenta Lucas Brito, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras familiares de Limoeiro.

   A reviravolta cearense não aconteceu por acaso. Os drones têm sido cada vez mais utilizados para pulverização de agrotóxicos no Brasil, vendidos como uma alternativa mais precisa e tecnológica aos aviões. Em dois anos, a quantidade de drones registrados na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para fins de pulverização aumentou em mais de dez vezes, saltando de 674 para 7.312 entre janeiro de 2023 e janeiro de 2025.

   Antes, os registros se concentravam em 18 estados, agora já há presença de drones agrícolas cadastrados em 26 unidades da federação. O Ceará, que não tinha nenhum, já tem quatro cadastros. Além dele, passaram a figurar registros no Acre, Amazonas, Paraíba, Piauí, Roraima, Rio Grande do Norte e Distrito Federal. Já localidades onde há forte presença do agronegócio sofreram os aumentos mais expressivos. O Maranhão viu saltar os cadastros de um para 104, enquanto o Mato Grosso do Sul teve um aumento de dois para 103 drones.

   O avanço dos drones agrícolas no Brasil vem acompanhado da criação de normativas. Em 2021, a portaria 298/21 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) estabeleceu regras para os operadores e equipamentos. Para manejá-los, é preciso cadastrar os drones na Anac e realizar um curso, chamado de CAAR. Além disso, não é permitida a aplicação aérea de agrotóxicos em áreas situadas a menos de vinte metros de povoações. Em estados como o Ceará e Maranhão, entretanto, a realidade é outra, denunciam movimentos sociais. Os drones se transformaram em uma ameaça.

  Um levantamento divulgado pela ONG Repórter Brasil no início deste mês mostra que 228 comunidades em 35 municípios do Maranhão denunciaram contaminação por pesticidas até outubro de 2024. Dessas, em 94% dos casos a pulverização foi feita por drones. “O problema dos drones no Maranhão se relaciona com a expansão do agronegócio [...] Há uma demanda excessiva pelo uso de agrotóxicos”, explica o advogado Diogo Cabral, da Federação dos Trabalhadores Rurais do Maranhão (Fetaema), uma das entidades que fez o levantamento.

  Segundo Cabral, os drones começaram a ser vistos na paisagem nos últimos quatro anos e estão relacionados à contaminação dos rios e nascentes, ao adoecimento agudo da população, que têm apresentado problemas de pele, enjoos e dificuldades respiratórias, e à perda de produção agroecológica. Alguns agricultores denunciam que os equipamentos têm sido utilizados a menos de 20 metros das residências e plantações. “Eles geralmente colocam muito cedo pela manhã ou no fim do dia. Sem contar que as famílias não têm mais privacidade. [...]

  De acordo com a Fetaema, todas as denúncias recebidas afirmam que os drones estão pulverizando diretamente o plantio das comunidades. Em São Mateus, a cerca de 200 quilômetros de São Luís, moradores de territórios quilombolas têm perdido a plantação de milho, abóbora e feijão por causa das pulverizações. “Está sem controle, e só quem perde somos nós, os pequenos”, reclama um representante do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares de São Mateus.

   As ações são consideradas pelas entidades que defendem os agricultores como tentativas de expulsão das comunidades tradicionais. Dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) mostram que a contaminação por agrotóxicos nas comunidades rurais aumentou quase dez vezes no primeiro semestre de 2024. Na maioria dos casos de conflitos de terra registrados pela entidade, foi relatado uso de drones. “Eles fazem parte de um conjunto de ameaças. É uma tecnologia usada em conjunto a seguranças armados, que vigiam os caminhos, a movimentação no território”, explica Lenora Rodrigues, da coordenação da CPT Maranhão.

 “Os drones entraram como mais uma ferramenta para ajudar no processo de inviabilização da vida tradicional dessas comunidades”, afirma Alan Tygel, da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida. O modelo de drone agrícola mais utilizado no país é o Agras T40, da empresa DJI, que representa 34,5% de todos os equipamentos cadastrados na Anac. De acordo com o site da fabricante, o drone pode carregar até 40 quilos de carga útil de pulverização e espalhar 1,5 tonelada de fertilizante por hora.

   Em seu último relatório anual, a DJI afirma que a indústria global de drones agrícolas está em expansão e destaca o Brasil, ao lado dos Estados Unidos e da China, como país que está na vanguarda da regulamentação desses equipamentos. No Brasil, há uma tendência em tornar os processos de registro mais fáceis. Em outubro de 2024, o Mapa anunciou uma consulta pública para desburocratizar cadastros de operadores e entidades de ensino. Em 2023, a Anac já havia simplificado as regras para cadastro dos drones agrícolas.

   “Para os pilotos de drone, as exigências são muito menores do que para os pilotos de avião, em termos de técnica e conhecimento para fazer essa atividade. Basta fazer um pequeno curso”, questiona Tygel. Na internet, é possível encontrar cursos totalmente online que prometem aulas do básico ao avançado por valores entre R$ 1 mil e R$ 4,5 mil.

   Cerca de 70% dos drones cadastrados em janeiro de 2023 para pulverização estavam em nomes de empresas. Esse percentual diminuiu para 48% em dois anos, ou seja, agora a maioria dos drones usados para pulverizar no país estão em nome de pessoas físicas. “A pessoa pode ter um certificado oficial do ministério sem nunca ter visto um drone”, afirma o deputado estadual Renato Roseno (PSOL-CE), um dos autores da lei que proibiu a pulverização aérea no Ceará em 2019.

    No começo de 2024, representantes do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Timbiras (STTR), no Maranhão, chegaram a ser procurados por representantes de empresas interessadas em ofertar cursos semelhantes. Em Açailândia, a própria prefeitura da cidade chegou a oferecer, em 2023, um curso de pilotagem de drone. “Muitos jovens têm procurado [esses cursos] porque dizem que é uma forma de ganhar dinheiro, que está em alta. Mas [as empresas] não socializam o que tem sido a questão do drone para a nossa vida, para o meio ambiente”, reclama uma agricultora local.

  De acordo com Cabral, as lojas de drones também passaram a ser vistas com mais frequência em pequenos e médios municípios onde há presença do agronegócio nos últimos dois anos. Apesar do crescimento do setor, entidades como Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), a Fiocruz e a Cáritas, já se posicionaram contra a pulverização por drones.

  A Fiocruz e a Abrasco alegam que, apesar do discurso que posiciona os drones como menos contaminantes e mais precisos que aviões, faltam estudos para provar isso. “Os estudos sobre o impacto do uso de drones para a aplicação de agrotóxicos na saúde e no ambiente ainda não conseguiram acompanhar a velocidade do mercado”, diz uma nota técnica conjunta publicada em dezembro.

   A pulverização aérea é proibida na União Europeia desde 2009 e concentra críticas sobretudo pela deriva – quando a aplicação não atinge o local adequado e acerta alvos circunvizinhos. Um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostra que, mesmo com ventos ideais, apenas 32% dos agrotóxicos pulverizados por via aérea ficam retidos nas plantas.

   Para o pesquisador Fernando Carneiro, da Fiocruz Ceará e do grupo temático de Saúde e Ambiente da Abrasco, o avanço dos drones na agricultura está ligado à redução de custos das operações. Segundo o especialista, trocar a pulverização manual pelo drone impede que um trabalhador contaminado acione a Justiça por danos, bem como reduz o valor investido na logística de operação de aviões.

   Os parâmetros estabelecidos para a aplicação dos agrotóxicos e a capacidade dos governos de fiscalizar o cumprimento dessas regras também são alvo de críticas. “Pode-se estabelecer uma distância segura para aplicar o que chamamos de veneno? Não se pode ter controle do vento, da altura, do ângulo dos jatos”, afirma a advogada e coordenadora de projetos da ONG Esplar, Magnólia Said.


Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/comodrones-se-tornaram-uma-ameaça-às-comunidadesrurais/a-71512506>. Adaptado. Acesso em: 14 de
setembro de 2025.
No trecho “O anúncio reacendeu um medo já inexistente na cidade, palco histórico da luta contra a pulverização aérea de agrotóxicos no Brasil.”, a palavra destacada é derivada por:
Alternativas
Q4089335 Português

Opine... não detone!


O direito de se expressar é uma conquista da

humanidade, o de se defender também



Ivone Zeger



    “A rua e a internet são os espaços dos embates democráticos”, disse a filha, e o pai rebate: “A internet é terra de ninguém. A rua também”. Diálogo que expressa certo conflito geracional, flagrei-o no elevador. 


   Sim, os jovens ocupam as ruas para expressar a insatisfação; eles flagram contradições e alavancam debates. Cidadãos de todas as idades têm se utilizado das redes sociais para expressar opiniões. Todos parecem conscientes da liberdade de expressão preconizada pela Constituição Federal. Mas, se nas ruas há os limites concretos – como as necessidades de mobilização envolvendo as distâncias, de coerência nas pautas reivindicatórias, de cartazes, das estratégias e eventual enfrentamento com a polícia se a ação é de desobediência civil –, na rede social o que separa a opinião pessoal do espaço público é um apertar de botão. Daí, provavelmente, a ideia do pai acerca da internet: “terra de ninguém”. 


   A ideia de liberdade de expressão trafega em bytes e bate lá onde garotos e garotas, boa parte deles ainda menor de idade, se sentem totalmente à vontade para postar opiniões pessoais, um exercício interessante não fosse a falta de limites, especialmente quando o tema das postagens são os outros. Fotos de garotas são tiradas às escondidas e postadas, expondo colegiais a situações constrangedoras. O bullying virtual se soma ao real, nas escolas, e provoca tragédias pessoais pouco difundidas pela imprensa. Afinal, será que os pais sabem até onde seus filhos podem ir nessa “terra de ninguém” ou, mais apropriadamente, no espaço virtual? 


   Encarar as estripulias virtuais como “coisas da idade” pode ser um equívoco. Se a liberdade de expressão está garantida pela Constituição, a moral e a honra das pessoas também estão. Discussões acirradas entre adultos nas redes sociais nem sempre oferecem parâmetros para os mais jovens, e até por isso, cabe o conhecimento da lei para prevenir que a falta de limites resulte em dores de cabeça para os pais. […]


   Existem leis estaduais e municipais que também caracterizam o bullying e preconizam atitudes preventivas nas escolas. Descobrir se na sua cidade ou estado há uma lei assim, conhecê-la e discuti-la com os filhos é uma atitude preventiva e necessária. […] 


   Vale lembrar, ainda, que o mercado de trabalho é exigente e, atualmente, textos e opiniões postados nas redes sociais são averiguados pelos empregadores. Não adianta enviar um currículo sóbrio e bem escrito e ter uma “persona” virtual que deixa má impressão. […]


   Já o artigo 932, em seu inciso II, aponta que “os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia” são os responsáveis pela reparação civil, que significa o pagamento de determinada importância como indenização por dano resultante de delito ou ato ilícito. Os delitos de injúria, difamação e calúnia estão descritos no Código Penal, bem como as respectivas punições, que incluem detenção. 


   Pode parecer exagero, mas os artigos citados provam que “liberdade de expressão” é um daqueles direitos que exige muita autocrítica e discernimento. Nunca será demais ensiná-los. Afinal, em um contexto civilizatório, não se pode falar em “terra de ninguém”.


Adaptado de: https://www.estadao.com.br/politica/blog-do-fausto-

macedo/opine-nao-detone/?srsltid=AfmBOoqf-

6Xj3oEgllsv49HuXhUHnnLPxwa2SgzQWetkUxk7dyfspDJj.

Assinale a alternativa em que o processo de formação da palavra está corretamente identificado, conforme a morfologia da língua portuguesa.
Alternativas
Q4089041 Português
IA e meio ambiente em Elias Canetti
José Roberto Castilho Piqueira 

    Quando chega o recesso de meio de ano das atividades didáticas, sou atraído para leituras que, preferencialmente, afastem-se do pensar profissional diário que aguçam meu gosto pela tentativa de posicionar a engenharia na vida do planeta, não como mera realizadora de obras, mas como agente colaborador na sua preservação. Fico folheando os jornais e olhando estantes de livrarias, hábitos considerados antiquados, em busca de possíveis leituras agradáveis. Sigo conselhos de amigos, desde que não indiquem livros de autoajuda, e gosto de ouvilos comentando e debatendo as ideias.

    Nessa lida, encontrei “A consciência das palavras”, coleção de escritos de Elias Canetti (1905-1994), romancista e ensaísta búlgaro-britânico, Prêmio Nobel de Literatura em 1981. Fui atraído pelo título, pois uma de minhas preocupações é sobre a influência da inteligência artificial (IA) na produção intelectual contemporânea. Não tenho dúvidas sobre a boa ajuda que esses métodos podem dar na produção de textos, aulas e planos de trabalho. Entretanto, acredito nisso como atividade auxiliar e colaborativa, uma vez que as palavras e ideias que provêm da atividade consciente carregam criatividade e sensibilidade, atributos aparentemente subjetivos, talvez não atingíveis in silico.

    A obra, datada de 1974, traz no preâmbulo a ideia da interpenetração entre o público e o privado, com algumas consequências sociais preocupantes. Hoje, 50 anos depois, vivenciamos a proliferação de redes sociais, dotadas de algoritmos, com grande risco à integridade e à privacidade dos indivíduos. Os benefícios do grande desenvolvimento tecnológico e computacional são inegáveis. O lado ruim, como adverte Canetti, é a conquista rápida desses meios por inimigos do planeta com propagação de boatos e de ideias deletérias de grande alcance.
 
    Ao longo do livro, Canetti apresenta uma sequência de ensaios sobre importantes figuras da história, entre elas Kafka, Confúcio, Tolstói e Büchner, começando pelo escritor austríaco Hermann Broch (1886-1951), considerado um dos principais modernistas de todos os tempos. Canetti identifica em Broch o que denomina memória respiratória, enaltecendo que a vida diária é feita de uma mistura de respirações em um ar que é nosso último bem comum, que cabe a todos indistintamente. Essa reflexão parece fundamental para a sociedade, convidando-a a uma importante discussão sobre os problemas ambientais que nos cercam. Até o momento, não havia me dado conta do fato de que quem polui invade e prejudica um bem público, isto é, aquilo que pertence a todos.

    Em capítulo seguinte, o dramaturgo Karl Kraus (1874-1936), considerado satirista e panfletário, é evocado. Fundador e único redator da revista Die Fackel (A Tocha), Kraus era crítico ferrenho da moral burguesa da época. Canetti descreve uma palestra de Kraus realizada em Viena, em 1924, ressaltando o espírito arrebatador do orador, levando a audiência ao êxtase por meio de uma impiedosa perseguição aos desafetos expressa nos discursos. Considerado como o mago furioso, ao combinar literalidade e indignação, Kraus criava importante sinergia entre suas emoções e as da plateia. Fico imaginando como os algoritmos e redes sociais de hoje criaram e multiplicaram esse estilo de oratória, para o bem e para o mal.

    Passando por uma análise bastante aguda e interessante da obra de Franz Kafka (1883-1924), chego ao capítulo sobre Confúcio (552 a.C.-489 a.C.) e aprendo que hesitação e reflexão precedem e acompanham boas respostas a questões relevantes, divergindo da busca por rapidez e de terceirização de raciocínio para as máquinas. Para Confúcio, a felicidade sem fim está na busca pelo conhecimento, não admitindo o ser humano como ferramenta, ressaltando a memória dos mortos para a consolidação de caminhos para o entendimento da natureza. 

    Em capítulo seguinte, Canetti apresenta aspectos da vida privada do autor de “Guerra e paz”, o consagrado escritor russo Leon Tolstói (1828-1910). Ressaltando que Tolstói jamais despreza um pensamento, uma experiência ou uma observação, Canetti relata ser ele proprietário de terras que, contra a vontade da família, divide-as para evitar conflitos e desejos que eventualmente pudessem causar. 

    Segue-se uma descrição dos diários do médico japonês Michihiko Hachiya (1903-1980), sobrevivente do bombardeio atômico de Hiroshima em agosto de 1945, publicados como “Diário de Hiroshima”, em 1955. Canetti escreve que não há nesse diário qualquer traço falso ou de vaidade e sim uma busca de explicar aquilo que, naquele momento, era inexplicável. Em meio aos mortos e feridos, Michihiko procura coletar peça por peça do ocorrido, transformando hipóteses em teorias a serem comprovadas. 

    Vou parar minha viagem por aqui. Pensando se nós, profissionais das áreas tecnológicas, estamos preocupados com a qualidade das palavras e dos pensamentos provenientes dos programas de IA e dos grupos hegemônicos que a manipulam. Além disso, se o ar respirável vai continuar a ser atacado e se a indústria da guerra continuará desprezando a vida, indiscriminadamente.

Disponível em: https://jornal.usp.br/articulistas/jose-roberto-castilhopiqueira/ia-e-meio-ambiente-em-elias-c anetti/. Acesso em: 03 out. de 2025.
Tendo em vista a análise de alguns dos elementos linguísticos presentes no trecho “Além disso, se o ar respirável vai continuar a ser atacado e se a indústria da guerra continuará desprezando a vida, indiscriminadamente.”, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3761775 Português
Quatro ou cinco grupos diferentes de alunos do Farroupilha estiveram lá em casa numa mesma missão, designada por seu professor de Português: saber se eu considerava o estudo da Gramática indispensável para aprender e usar a nossa ou qualquer outra língua. Cada grupo portava seu gravador cassete e andava arrecadando opiniões. Suspeitei que o tal professor lia esta coluna, se descabelava diariamente com as suas afrontas às leis da língua, e aproveitava aquela oportunidade para me desmascarar. Já estava até preparando minha defesa. Mas os alunos desfizeram o equívoco antes que ele se criasse. Eles mesmos tinham escolhido os nomes a serem entrevistados. Vocês têm certeza que não pegaram o Verissimo errado? Não. Então vamos em frente.

Respondi que a linguagem é um meio de comunicação e que deve ser julgada exclusivamente como tal. Respeitadas algumas regras básicas da Gramática, para evitar os vexames mais gritantes, as outras são dispensáveis. A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer “escrever claro” não é certo, mas é claro, certo? O importante é comunicar. (E quando possível surpreender, iluminar, divertir, mover... Mas aí entramos na área do talento, que também não tem nada a ver com Gramática). A Gramática é o esqueleto da língua. Só predomina nas línguas mortas.

Claro que eu não disse tudo isso para meus entrevistadores. E adverti que minha implicância com a Gramática na certa se devia à minha pouca intimidade com ela. Sempre fui péssimo em Português. Mas – isso eu disse – vejam vocês, a intimidade com a Gramática é tão indispensável que eu ganho a vida escrevendo, apesar da minha total inocência na matéria. Sou um gigolô das palavras. Vivo às suas custas. Abuso delas. Só uso as que eu conheço, as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras. Exijo submissão. Não raro, peço delas flexões inomináveis para satisfazer um gosto passageiro. Maltrato‑as, sem dúvida. E jamais me deixo dominar por elas. Não me meto na sua vida particular. Não me interessa seu passado, suas origens, sua família nem o que outros já fizeram com elas.

VERISSIMO, Luís Fernando. O gigolô das palavras. In: Luís Fernando Verissimo. Para gostar de ler; Luís Fernando Verissimo: o nariz e outras crônicas. 10a . ed. São Paulo: Ática, 2002. p. 77 (com adaptações).

Com base nos aspectos gramaticais do texto apresentado, julgue o item seguinte. 
Na oração “as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras”, a palavra “desconhecidas” apresenta a seguinte composição morfológica: radical “desconhec‑“, vogal temática verbal ‑i, afixo de particípio ‑d, desinência de gênero ‑a, desinência de número ‑s.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: MPE-RS Órgão: MPE-RS Prova: MPE-RS - 2025 - MPE-RS - Promotor de Justiça |
Q3659508 Português



Extraído e adaptado de: Bolívar Lamounier, Tribunos, Profetas e Sacerdotes: Intelectuais e Ideologias no Século XX. São Paulo: Companhia das Letras, 2014. p.206-223.

Em regra, o sufixo -ismo forma substantivos, derivando-os a partir do radical de substantivos ou adjetivos. Qual das palavras abaixo NÃO tem essa formação?
Alternativas
Respostas
81: D
82: B
83: C
84: C
85: E
86: A
87: A
88: C
89: D
90: C
91: A
92: B
93: D
94: C
95: C
96: B
97: E
98: E
99: E
100: E