Questões de Concurso
Sobre crase em português
Foram encontradas 9.464 questões
"A linguagem não é apenas instrumento; ela é a possibilidade do próprio humano. Se a habitamos de modo apressado, nossa morada se empobrece. Por isso, não podemos esquecer de que o uso das palavras sempre decidiu o futuro da humanidade."
Com base nas normas de regência, colocação pronominal e crase, assinale a alternativa correta:
A ILUSÃO DA CLAREZA IMEDIATA
Vivemos em uma época que idolatra a rapidez. A informação precisa ser instantânea, a resposta deve surgir antes mesmo da formulação completa da pergunta, e o pensamento, comprimido em fragmentos facilmente consumíveis, parece ter se tornado mais um produto na prateleira do cotidiano. Nesse cenário, emerge uma curiosa inversão: quanto mais acessível se torna o conteúdo, menos disposição temos para compreendê-lo em profundidade.
A linguagem, que outrora exigia elaboração, silêncio e tempo, passa a ser pressionada por uma lógica de eficiência. Não se trata apenas de comunicar, mas de comunicar rapidamente. A clareza, nesse contexto, deixa de ser resultado de um processo intelectual e passa a ser confundida com simplificação extrema. No entanto, simplificar não é, necessariamente, esclarecer.
Há uma diferença substancial entre tornar algo inteligível e reduzi-lo a um esboço empobrecido. O primeiro movimento exige domínio, articulação e consciência das nuances; o segundo, frequentemente, implica supressão, perda e, em muitos casos, distorção. Ao privilegiarmos o imediato, abrimos mão da densidade — e, com ela, da possibilidade de compreender o mundo em sua complexidade.
Esse fenômeno não se limita ao campo da linguagem. Ele se infiltra nas relações humanas, na forma como debatemos ideias e até mesmo na maneira como construímos nossas convicções. Opiniões são formadas com base em recortes, julgamentos são proferidos sem maturação, e o diálogo cede espaço a monólogos simultâneos, nos quais ninguém escuta, mas todos respondem.
Paradoxalmente, nunca tivemos tanto acesso à informação, e, ainda assim, somos cada vez mais suscetíveis à superficialidade. Isso ocorre porque o acesso, por si só, não garante assimilação. Pelo contrário, pode produzir a ilusão de conhecimento — uma sensação enganosa de domínio que dispensa o esforço real de compreender.
A ilusão da clareza imediata, portanto, não reside apenas na linguagem, mas na forma como nos relacionamos com o saber. Quando acreditamos que entender é o mesmo que consumir rapidamente, substituímos o pensamento pelo reflexo, a análise pela reação e o conhecimento pela aparência de saber.
Talvez o maior risco não seja a ignorância declarada, mas a convicção apressada. Afinal, quem reconhece que não sabe ainda pode aprender; mas quem acredita que já compreendeu, dificilmente se dispõe a pensar novamente.
Considerando as regras da norma-padrão da Língua Portuguesa, assinale a alternativa em que o emprego da crase está correto.
Considerando as regras da norma-padrão da Língua Portuguesa, assinale a alternativa em que o emprego da crase está correto.
Considerando as regras da norma-padrão da Língua Portuguesa, assinale a alternativa em que o emprego da crase está correto.
Considerando as regras da norma-padrão da Língua Portuguesa, assinale a alternativa em que o emprego da crase está correto.

• “Em muitos casos é tão semelhante ___ realidade”.
• “Em uma armação comum, igual ___ tradicionais”.
• “Com prudência, vou acolhendo ___ nova tecnologia”.

• “Em muitos casos é tão semelhante ___ realidade”.
• “Em uma armação comum, igual ___ tradicionais”.
• “Com prudência, vou acolhendo ___ nova tecnologia”.
Assinale a alternativa cujas palavras preenchem corretamente, na mesma ordem, as lacunas dos enunciados abaixo:
- Ficamos ___ espera de que os anfitriões nos chamassem ___ mesa.
- Tudo foi apresentado ___ claras, e houve ___ manifestação maciça de concordância.
- Quero dirigir-me ___ vocês na tentativa de solucionar ___ problemática que tanto aflige.
I. “[...] 32 milhões de pessoas no Brasil ainda não têm acesso à água potável [...]” (1º§).
II. “Esses déficits estruturais se tornam ainda mais urgentes à medida que as mudanças climáticas avançam, [...]” (2º§).
Quanto ao uso do acento grave nos trechos anteriores, assinale a afirmativa correta.
I- Em “o ministro Camilo Santana disse ser um direito recorrer à via judicial” (6º parágrafo), o sinal indicativo de crase é facultativo, considerando a dupla regência do verbo “recorrer”.
II- Em “Para a entidade, a divulgação dos resultados causaria dano reputacional e material às instituições” (9º parágrafo), a crase resulta da contração da preposição exigida pelo verbo “causar” com o artigo que antecede o termo “instituições”.
III- Em “[...] MEC vai instaurar processo administrativo de supervisão dessas instituições, que poderão recorrer sobre os resultados e apresentar justificativas à pasta” (5º parágrafo), o acento indicativo de crase foi empregado adequadamente para marcar a junção de uma preposição com um artigo feminino.
IV- Em “As sanções são definidas a partir do porcentual de proficiência dos estudantes verificado em cada curso” (5º parágrafo), deveria haver, obrigatoriamente, o emprego do acento indicativo de crase em “a partir”, pois ocorre a fusão da preposição a com o artigo feminino a.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
I- Em “o ministro Camilo Santana disse ser um direito recorrer à via judicial” (6º ), o sinal indicativo de crase é facultativo, parágrafo considerando a dupla regência do verbo “recorrer”.
II- Em “Para a entidade, a divulgação dos resultados causaria dano reputacional e material às instituições” (9º parágrafo), a crase resulta da contração da preposição exigida pelo verbo “causar” com o artigo que antecede o termo “instituições”.
III- Em “[...] MEC vai instaurar processo administrativo de supervisão dessas instituições, que poderão recorrer sobre os resultados e apresentar justificativas à pasta” (5º parágrafo), o acento indicativo de crase foi empregado adequadamente para marcar a junção de uma preposição com um artigo feminino.
IV- Em “As sanções são definidas a partir do porcentual de proficiência dos estudantes verificado em cada curso” (5º parágrafo), deveria haver, obrigatoriamente, o emprego do acento indicativo de crase em “a partir”, pois ocorre a fusão da preposição a com o artigo feminino a.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
Para responder à questão, leia o texto abaixo.
O combinado que nunca fizemos
No restaurante, da mesa ao lado, eu via o pai no
celular, os dois filhos no celular e a mãe ali, presente, comendo sozinha no
meio da própria família. Não consegui me desligar da cena. Ela já desistiu de
competir com as telas? Está com raiva? Está acostumada? Nem percebe mais?
Eu não a conheço, mas reconheço o que vi. Você,
provavelmente, também.
Aquela mesa é um retrato silencioso de algo que
aconteceu sem que ninguém tenha decidido que deveria acontecer. O celular não
está na vida das famílias brasileiras por decisão pedagógica, recomendação
médica ou escolha consciente. Está por conveniência, por cansaço, porque a
criança está entediada, porque a refeição fica mais tranquila, porque os pais
precisavam de dez minutos de paz... E o celular entrega isso de graça, na hora,
sem esforço.
Nunca combinamos nada. E quando não se combina nada, o
padrão vence. O padrão, hoje, é tela.
E o Brasil já tem números para provar que essa não é
uma impressão de quem almoça ao lado de uma família fora da regra. Segundo a
pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, do Cetic.br, 93% das crianças e
adolescentes de nove a 17 anos usam a internet. São 24,5 milhões de pessoas.
Dessas, 98% acessam pelo celular. Aos nove anos, 60% têm perfil em rede social.
Aos 15, são 99%.
Mas o dado que mais me assusta não é esse.
É que 72% das crianças e adolescentes têm permissão
dos pais para usar redes sociais quando estão sozinhos. E apenas um quarto
dos responsáveis usa alguma ferramenta para limitar o tempo de uso.
A maioria das famílias brasileiras não tem um
combinado claro. E, sem combinado, o padrão vence.
Para piorar: quando os próprios jovens tentam reagir,
não conseguem. A mesma pesquisa mostra que 24% dos adolescentes de 11 a 17 anos
tentaram passar menos tempo na internet e falharam. Cerca de um em cada cinco
admite ter passado menos tempo com família, amigos ou lição de casa por causa
do uso excessivo. Uma parcela semelhante relata ter deixado de comer ou dormir.
Esses não são adultos com anos de hábito acumulado.
São crianças e adolescentes que já se percebem presos em um vício, que não
conseguem sair sozinhos.
A situação começa antes do que a maioria imagina. Uma
pesquisa da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal com o Datafolha, publicada em
2025, revelou que 78% das crianças de zero a três anos já estão expostas a
telas todos os dias. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda, para essa
faixa etária, zero. Não é uma hora, nem meia. É zero.
Estamos tão longe da recomendação que ela virou
ficção.
E aqui preciso fazer uma pausa para falar de algo que
os dados brasileiros deixam claro e que poucos comentam: a solidão das mães
nessa luta. Em praticamente todas as perguntas da TIC Kids Online sobre quem
orienta, quem conversa, quem supervisiona o uso de internet dos filhos, as mães
aparecem em maioria. São elas que mais checam o celular dos filhos, que mais
estabelecem regras, que mais tentam acompanhar o que acontece nas telas. A mãe
daquele restaurante, comendo sozinha enquanto o marido e os filhos estão presos
em seus aparelhos, não é uma exceção. É um padrão.
Em janeiro de 2025, a Lei 15.100 restringiu o uso de
celulares por estudantes nas escolas brasileiras. Foi um passo importante: a
escola fez o combinado que podia fazer. Mas a lei termina no portão da escola.
Quando a criança chega em casa, quem decide?
Não estou aqui para culpar os pais. Eu consigo me
colocar no lugar de um pai. Sei o que é o fim de um dia longo, o cansaço que
transforma qualquer tela num salva-vidas. Sei que muitas vezes o celular é a
única ferramenta disponível para entreter enquanto se cozinha, se
trabalha, se sobrevive. Não é justo fingir que a realidade é simples.
Mas também não podemos fingir que não há
consequências.
O combinado que falta não precisa seguir manual.
Precisa existir. Uma conversa entre os adultos da casa sobre quanto tempo é
razoável. Uma conversa com os filhos, adequada ____ idade, sobre o que é
permitido e o que não é. Zonas da casa e momentos do dia em que o celular deve
ficar guardado. Durante refeições, por exemplo. Na hora de dormir. No trajeto
até ____ escola.
São coisas pequenas, mas são decisões fundamentais. E
decisão é o oposto do que temos hoje, que é rendição.
Autor: Rafael Parente - GZH (adaptado).
• _______________ só as folhas que certamente apareciam, a espuma subia, lambendo ribanceiras que se desmoronavam.
• Por enquanto a inundação crescia, matava bichos, chegava ________________ grotas e várzeas.
• Não ___________________ o perigo da seca imediata, que aterrorizara a família durante meses.
• Para Sinha Vitória, Deus não permitiria tal desgraça ________________ pessoas.
De acordo com a norma-padrão, as lacunas devem ser preenchidas, correta e respectivamente, com:
Texto para a questão
Observe o trecho:
Maria encontrou a sacola no chão — palma da mão doía do corte —, esperava o ônibus após o trabalho à patroa, quando surgiu-lhe a lembrança de que assistira, na véspera, àquele filme de que tanto lhe falaram. “Aquela puta, aquela negra safada estava com os ladrões!”, gritou a voz, e lincharam-na até o sangue jorrar.
Conto "Maria", Conceição Evaristo. Disponível em scribd.com/document/349757324/Conto-Maria-Conceicao-Evaristo
Texto para a questão
Observe o trecho:
Maria encontrou a sacola no chão — palma da mão doía do corte —, esperava o ônibus após o trabalho à patroa, quando surgiu-lhe a lembrança de que assistira, na véspera, àquele filme de que tanto lhe falaram. “Aquela puta, aquela negra safada estava com os ladrões!”, gritou a voz, e lincharam-na até o sangue jorrar.
Conto "Maria", Conceição Evaristo. Disponível em scribd.com/document/349757324/Conto-Maria-Conceicao-Evaristo
I. “À patroa” exige crase por fusão de preposição “a” (após “trabalho”) com artigo “a” (“patroa”, palavra feminina).
II. O pronome “a” em “lincharam-na” retoma “Maria”, garantindo coesão anafórica e evitando repetição.
III. “Aquela” em “aquela puta” é demonstrativo de reforço depreciativo, coeso com o contexto de ódio originado na multidão.
IV. “A voz” é sujeito indeterminado; sem pronome oblíquo, quebra a coesão referencial.
Está correto o que se afirma em:
“Dei o livro ____ menina da minha turma. Fui ____ pé para o mercado. Comecei ___ estudar hoje.”