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Q3988474 Português
Leia o Texto I e responda à questão.


Texto I


MEC reprova 1/3 dos cursos de Medicina avaliados; 99 terão sanções


Entre as instituições mal avaliadas, MEC só pode tomar medidas em relação às federais e privadas; entre as sanções estão suspensão de vestibular e do Fies


    Cerca de um terço dos cursos de Medicina do país não alcançaram desempenho proficiente no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). Os resultados da prova foram divulgados ontem pelo Ministério da Educação (MEC).

    A nota do exame varia de 1 a 5, sendo 1 e 2 consideradas não proficientes. A nota é utilizada para compor o conceito Enade, que avalia a qualidade das graduações. Segundo o MEC, 351 cursos de todo o país participaram do exame, incluindo universidades públicas (federais, estaduais e municipais), privadas com e sem fins lucrativos e especiais (criadas pelo poder público, mas não gratuitas). Conforme os resultados, 7,1% ficaram no conceito 1; 23,6%, no 2; 22,7%, no 3; 33%, no 4; e 13,6%, no 5.

    Das 351 universidades avaliadas, 304 estão sob o crivo do MEC – as federais e privadas com e sem fins lucrativos. A pasta não pode supervisionar estaduais e municipais.

    Entre os cursos avaliados, 99 sofrerão sanções. Desses, 8 terão vestibular suspenso; 13, redução de 50% das vagas; e 33, redução de 25% das vagas. Além disso, eles terão o Fies suspenso e será avaliada a continuidade de outros programas federais. Os demais 45 cursos serão proibidos de ampliar vagas. As sanções são definidas a partir do porcentual de proficiência dos estudantes verificado em cada curso que ficou com nota geral 1 e 2. Dos 39.258 alunos que estão se formando e foram avaliados, 67% têm desempenho desejável.

    A Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC vai instaurar processo administrativo de supervisão dessas instituições, que poderão recorrer sobre os resultados e apresentar justificativas à pasta. O MEC avaliará os argumentos. Caso não os aceite, as sanções devem valer até a obtenção de novo conceito no Enamed no ano seguinte.

    Sobre a possibilidade de que instituições privadas contestem os resultados na Justiça, o ministro Camilo Santana disse ser um direito recorrer à via judicial, mas destacou a transparência do processo. Disse ainda que as instituições poderão dialogar com o MEC. “Todas terão o direito de se defender e apresentar suas justificativas. Queremos que corrijam o que tem de ser corrigido.”

    Considerando o tipo de instituição, o pior desempenho no Enamed foi o de universidades municipais, que não estão sob regulação do MEC. Em seguida, vêm instituições privadas com fins lucrativos, que serão sancionadas pela pasta. Entre as municipais, 87,5% tiveram notas 1 e 2. Das privadas com fins lucrativos, foram 58,4%. As notas mais baixas também apareceram entre as especiais (54,6%), privadas sem fins lucrativos (33,3%), comunitárias/confessionais (5,6%), federais (5,1%), e estaduais (2,6%).

    Santana disse que o governo enviará proposta ao Congresso para que o MEC tenha atribuição para supervisionar também as instituições municipais. Segundo ele, há ainda preocupação com o desempenho das privadas com fins lucrativos, que reúnem a maior parte das matrículas na área.

    A Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) tentou barrar a divulgação dos resultados na Justiça, mas o pedido foi negado. Para a entidade, a divulgação dos resultados causaria dano reputacional e material às instituições.


Fonte: FERREIRA, Paula. MEC reprova 1/3 dos cursos de Medicina avaliados; 99 terão sanções. O Estado de S. Paulo, São Paulo, seção Metrópole, p. A15, 20 Jan.2026.
Observe o emprego da crase nos fragmentos abaixo apresentados e assinale a alternativa CORRETA:

I- Em “o ministro Camilo Santana disse ser um direito recorrer à via judicial” (6º ), o sinal indicativo de crase é facultativo, parágrafo considerando a dupla regência do verbo “recorrer”.
II- Em “Para a entidade, a divulgação dos resultados causaria dano reputacional e material às instituições” (9º parágrafo), a crase resulta da contração da preposição exigida pelo verbo “causar” com o artigo que antecede o termo “instituições”.
III- Em “[...] MEC vai instaurar processo administrativo de supervisão dessas instituições, que poderão recorrer sobre os resultados e apresentar justificativas à pasta” (5º parágrafo), o acento indicativo de crase foi empregado adequadamente para marcar a junção de uma preposição com um artigo feminino.
IV- Em “As sanções são definidas a partir do porcentual de proficiência dos estudantes verificado em cada curso” (5º parágrafo), deveria haver, obrigatoriamente, o emprego do acento indicativo de crase em “a partir”, pois ocorre a fusão da preposição a com o artigo feminino a.

É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: A resolução depende de verificar se há fusão da preposição a com o artigo feminino a/as e de distinguir isso de locução prepositiva fixa sem artigo: em “causaria dano reputacional e material às instituições” e “apresentar justificativas à pasta”, a crase ocorre pela junção da preposição com o artigo feminino; já em “a partir do porcentual”, não há crase, porque “a partir de” é locução prepositiva fixa. Assim, apenas II e III se mostram corretas, confirmando a alternativa B.

Tema central: Crase
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque considera correta apenas a assertiva II. III também está correta, já que em “à pasta” o acento indicativo de crase marca adequadamente a junção de preposição com artigo feminino.
B
Certa
A alternativa B está correta porque reúne exatamente as assertivas válidas. Em II, “às instituições” resulta da fusão de preposição com artigo feminino plural. Em III, “à pasta” também apresenta emprego adequado do acento indicativo de crase pela junção da preposição com o artigo feminino. Já I não se sustenta porque afirma facultatividade em “à via judicial” com base em suposta dupla regência de “recorrer”, fundamento rejeitado pela base. IV também está errada porque “a partir de” é locução prepositiva fixa, sem artigo feminino em “partir”.
C
Errada
Está errada porque considera correta apenas a assertiva III. Isso exclui indevidamente II, embora “às instituições” esteja corretamente justificado como fusão de preposição com artigo feminino plural.
D
Errada
Está errada porque inclui I e IV. I é inválida porque afirma facultatividade da crase em “à via judicial” com base em dupla regência de “recorrer”, justificativa que não se sustenta no caso formulado. IV é inválida porque trata “a partir” como se houvesse fusão de preposição com artigo feminino, mas “a partir de” é locução prepositiva fixa, sem artigo em “partir”.
E
Errada
Está errada porque inclui I. Embora II e III estejam corretas, a alternativa se torna falsa ao agregar a assertiva I, cuja explicação para a crase em “à via judicial” foi considerada inadequada pela base.
Pegadinha da questão
A questão cobra não só a identificação da crase, mas a validade da justificativa gramatical de cada item. A confusão principal está em aceitar qualquer “a” diante de palavra feminina como crase obrigatória e em tratar “a partir de” como fusão de preposição com artigo.
Dica para questões semelhantes
  • Não basta identificar o acento grave: confirme se a explicação dada para ele está gramaticalmente correta.
  • Verifique se há realmente preposição a + artigo feminino a/as; sem essa fusão, não há crase.
  • Em expressões fixas como “a partir de”, analise se o termo seguinte é mesmo substantivo feminino com artigo ou se integra uma locução prepositiva.
  • Se a assertiva justificar facultatividade ou obrigatoriedade, julgue a razão apresentada, não apenas a aparência do trecho.

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Comentários

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letra "B"

I - Quem recorre, recorre a algo ou a alguém. É verbo transitivo indireto (VTI), portanto a preposição não é opcional.

II - No caso em questão, o verbo “causar” é transitivo indireto: causa algo a alguém. E “instituições” pede o artigo as; logo, ocorre crase: a + as = às.

III - A mesma coisa da segunda. O verbo “apresentar”, nesse caso, é transitivo indireto: apresenta algo a alguém. E “pasta” é substantivo feminino, exigindo o artigo a; portanto, ocorre crase: a + a = à.

IV - Não existe crase antes de verbo no infinitivo (terminações -ar, -er e -ir).

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