Questões de Concurso
Comentadas sobre concordância verbal, concordância nominal em português
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consideramos os tempos modernos? A resposta transcende em
muito o progresso da ciência, da tecnologia, do capitalismo e da
democracia.
O passado remoto foi repleto de cientistas brilhantes, de matemáticos,
de inventores, de tecnólogos e de filósofos políticos.
Centenas de anos antes do nascimento de Cristo, os céus haviam
sido mapeados, a grande biblioteca de Alexandria fora construída
e a geometria de Euclides era ensinada. A demanda por inovações
tecnológicas para fins bélicos era tão insaciável quanto atualmente.
Carvão, óleo, ferro e cobre estiveram a serviço dos seres humanos
por milênios, e as viagens e comunicações marcaram os primórdios
da civilização conhecida.
A ideia revolucionária que define a fronteira entre os tempos
modernos e o passado é o domínio do risco: a noção de que o
futuro é mais do que um capricho dos deuses e de que homens e
mulheres não são passivos ante a natureza. Até os seres humanos
descobrirem como transpor essa fronteira, o futuro era um espelho
do passado ou o domínio obscuro de oráculos e adivinhos que detinham
o monopólio sobre o conhecimento dos eventos previstos.
(Peter L. Bernstein, Desafio aos Deuses)
28 de abril de 2009. No Rio Grande do Sul, o índice de chuvas
está 96% abaixo do que seria normal neste período. A taxa de
umidade despencou para menos de 20%, enquanto o saudável
é praticamente o dobro. Tudo é seca e insolação. Brasil, 28 de
abril de 2009. No Piauí os moradores enfrentam as piores
cheias dos últimos 25 anos. Chove sem parar. Cidades estão
ilhadas. Cerca de 100 mil pessoas ficaram desabrigadas.
"O tempo anda louco", eis a frase leiga e padrão que
mais se fala e mais se ouve nas queixas em relação às radicais
discrepâncias climáticas. Vale para o Norte e Nordeste do país,
vale para a região Sul também. A mais nova e polêmica
explicação para tais fenômenos é uma revolucionária teoria
sobre as chuvas, chamada "bomba biótica", e pode mudar os
conceitos da meteorologia tradicional.
Olhemos, agora, por exemplo, não para a loucura do
tempo em um único país, mas sim para a "loucura a dois". Por
que chove tanto em algumas regiões distantes da costa, como
no interior da Amazônia, enquanto países como a Austrália se
transformam em deserto? Dois cientistas russos sustentam,
embasados na metodologia da bomba biótica, que as florestas
são responsáveis pela criação dos ventos e a distribuição da
chuva ao redor do planeta - como uma espécie de coração que
bombeia a umidade. Esse modelo questiona a meteorologia
convencional, que explica a movimentação do ar sobretudo pela
diferença de temperatura entre os oceanos e a terra. Ao falarem
de chuva aqui e de seca acolá, eles acabam falando de um dos
mais atuais e globalizados temas: a devastação das matas.
Para o biogeoquímico Donato Nobre, do Instituto
Nacional de Pesquisas da Amazônia e principal proponente da
linha da bomba biótica no Brasil, somente ela é que explica com
clareza a contradição entre a seca e a aridez que estão
minguando as lavouras na região Sul e as chuvas intensas que
transbordam o Norte e o Nordeste.
De acordo, porém, com o professor americano David
Adams, da Universidade do Estado do Amazonas, os físicos
russos estão supervalorizando a força da bomba biótica.
(Adaptado de Maíra Magro. Istoé, 6/5/2009, p. 98-99)
do Código de Conduta Ética Profissional dos servidores do
INMETRO, disponível na Internet:
Julgue-os com relação à correção gramatical.
do Código de Conduta Ética Profissional dos servidores do
INMETRO, disponível na Internet:
Julgue-os com relação à correção gramatical.

Malba Tahan. O homem que calculava, cap. XI, p. 53 (com adaptações).
A respeito das ideias e estruturas linguísticas do texto acima,
julgue os itens a seguir.

Malba Tahan. O homem que calculava, cap. XI, p. 53 (com adaptações).
A respeito das ideias e estruturas linguísticas do texto acima,
julgue os itens a seguir.

Considere as afirmações abaixo a respeito da inscrição na placa "Proibida entrada de estranhos!" quanto à concordância nominal inadequada da frase.
I - O substantivo não vem acompanhado de artigo, logo a concordância adequada seria "proibido entrada".
II - A palavra "proibida", no feminino, exige que o substantivo com o qual concorda venha acompanhado de artigo, levando à forma "proibida a entrada".
III - A palavra "proibida" é verbo e não concorda com o substantivo "entrada", então a concordância adequada seria "proibido entrada".
É correto APENAS o que se afirma em
brasileiros por mês. Nada menos que oito em cada dez pessoas
conectadas no Brasil têm o seu perfil estampado em algum site
de relacionamento. Elas usam essas redes para manter contato
com amigos e conhecer pessoas. Para quatro minutos na rede,
os brasileiros dedicam um para atualizar seu perfil e bisbilhotar
o de amigos; em nenhum outro país existe um entusiasmo tão
grande por amizades virtuais.
Qual é o impacto desses sites na maneira como as pessoas
se relacionam? Eles, de fato, diminuem a solidão? Recentemente
sociólogos, psicólogos e antropólogos passaram a
buscar uma resposta para essas perguntas.
A internet tornou-se um vasto ponto de encontro de
contatos superficiais. É o oposto do que, como escreveu o
filósofo grego Aristóteles, de fato aproxima os amigos: "Eles
precisam de tempo e de intimidade; como diz o ditado, não podem
se conhecer sem que tenham comido juntos a quantidade
necessária de sal".
Por definição, uma rede social on-line é uma página em
que se pode publicar um perfil de si mesmo, com fotos e dados
pessoais, e montar uma lista de amigos que integram o mesmo
site. Como em uma praça, um clube ou um bar, esse é o espaço
em que as pessoas trocam informações sobre as novidades
cotidianas de suas vidas.
Os sites de relacionamento, como qualquer tecnologia,
são neutros. São bons ou maus dependendo do que se faz com
eles. E nem todo mundo aprendeu a usá-los em seu próprio
favor. Os sites podem ser úteis para manter amizades separadas
pela distância ou pelo tempo e para unir pessoas com
interesses comuns. Há pouco tempo, por exemplo, o Twiter foi
acionado pelos iranianos para denunciar, com mensagens
curtas e em tempo real, a violência contra manifestantes que
reclamavam de fraude nas eleições presidenciais. Em excesso,
porém, os sites podem ter efeito negativo: as pessoas se isolam
e se tornam dependentes de um mundo de faz-de-conta, em
que só se sentem à vontade para interagir com pessoas,
protegidas pelo véu da impessoalidade.
(Adaptado de Diogo Schelp. Veja, 8 de julho de 2009, p. 95-96)
Estava ________ atrapalhada e com sono, com os olhos ________ abertos. Resolvi beber ________ cerveja para ver se a maldita insônia ia embora de uma vez por todas.
As palavras que completam a primeira, a segunda e a terceira lacunas são, respectivamente:
________ algumas horas que a ________ dos móveis da viúva ocorrera. Então, organizaram uma ________ para decidir em que ________ do prédio eles seriam guardados até que os diretores dos orfanatos viessem retirá-los.
As palavras que completam a primeira, a segunda, a terceira e a quarta lacunas são, respectivamente:
Durante os protestos contra o G-8 (grupo que abrange os sete países mais ricos do mundo mais a Rússia), reunido em Gênova, a imprensa europeia entrevistou políticos da esquerda oficial e veteranos de 1968. Vários aproveitaram a oportunidade para lamentar, nesses novos manifestantes, a falta de "verdadeiros"
projetos de sociedade. "São carentes de propostas políticas, crescerão", disse Mario Capanna, que foi líder do movimento estudantil de Milão em 68. Engraçado: sob a direção de Capanna, o movimento, na época, foi declaradamente stalinista.
Se essa for a "proposta política" que falta, melhor que os "carentes" não cresçam mesmo.
Prefiro evitar as nostalgias e reconhecer que aos manifestantes de Gênova não falta nada. Ao contrário, graças à sua diversidade confusa ou mesmo atrapalhada, talvez eles representem, da melhor maneira possível, o estado de espírito de muitos que estão, hoje, social e politicamente insatisfeitos.
De fato, parece-me que poderia manifestar-me com cada um dos componentes dessa massa contestaria. Os grupos diversos e, às vezes, opostos levaram pelas ruas de Gênova diferentes fragmentos de meus humores reformistas ou revoltados.
Olhe só. O resto de minhas esperanças socialistas desfila com a esquerda clássica italiana, em versão social-democrata. Identifico-me com os ecologistas puros e duros, mais preocupados com o planeta do que com as mazelas dos homens. Posso ter um coração caritativo, animado por paixões missionárias contra a fome e as doenças do mundo. E sobra-me uma raiva que deve valer a dos mais radicais movimentos anarquistas, de pedras na mão.
(Adaptado de Contardo Calligaris, Terra de ninguém)
Darcy Ribeiro, um dos mais originais e polêmicos pensadores do Brasil, não admitiria a alternativa que está no título deste artigo. Para ele, trabalho não era opção para as crianças: só deveria haver a obrigatoriedade da escola, da boa escola, em período integral e com duas refeições diárias. Estava pensando em atender amplamente as necessidades dos meninos e meninas carentes - parcela significativa da infância brasileira. Mas enquanto o sonho de Darcy não se torna realidade, o debate continua.
A favor do trabalho infantil estão aqueles que, considerando a inviabilidade de qualquer outra solução imediata, preferem evitar o mal maior - o do abandono e da delinquência de nossas crianças -, contornando-o com a permissão oficial de integração do menor no mercado de trabalho. Regulamentados por lei o horário máximo e as condições mínimas de adequação ao universo da criança, as empresas seriam encorajadas a admitir, treinar e a ajudar a desenvolver os pequenos trabalhadores, facilitando-lhes, inclusive, o acesso a uma educação suplementar: cursos profissionalizantes, estágios, atualizações etc.
Contra o trabalho infantil alinham-se os que defendem tanto o encaminhamento obrigatório das crianças à escola como a interdição do aproveitamento delas em qualquer tipo detrabalho profissional, em qualquer caso. Ainda que a escola não venha a suprir a necessidade das refeições diárias completas, do uniforme doado e do banho tomado, ela representaria o compromisso mínimo da educação em meio período, do ambiente de socialização e da sempre oportuna merenda escolar. Caberiam aos pais, aos adultos, à sociedade em geral as providências para que se poupassem as crianças de qualquer outra atividade.
Ainda temos muito a caminhar: é olhar as ruas das grandes cidades para constatar que a realidade vem exibindo uma terceira - e a pior - via. A tragédia dos menores abandonados é de tal ordem que faz pensar na abrangência das propostas de Darcy Ribeiro, que são também, certamente, as mais justas. Rever, reexaminar, rediscutir suas propostas não é um retorno ao passado: é buscar atender as necessidades de um melhor futuro.
(Tarso de Cintra Meirelles, inédito)
