Questões de Concurso
Sobre colocação pronominal em português
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Espero encontrar todo o serviço pronto. Nunca disseram a ele que era inteligente.
Assinale a alternativa em que, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, os pronomes substituem corretamente as expressões em destaque.
De acordo com a norma culta, a alternativa que preenche, correta e sequencialmente, as lacunas do trecho acima é
“O estudo se baseia em 4.524 mensagens escritas por 19 jovens de 12 anos que não possuíam telefone celular antes do início da pesquisa.”
Assinale a alternativa correta sobre a análise da colocação pronominal nesse período.
Texto 3
A ética ajuda a ser mais competitivo
Sílvio Guerra
A promoção de assuntos ligados à ética, as manchetes de jornais e a volumosa literatura especializada que tem surgido ultimamente sobre o tema não significam apenas que esteja havendo uma recomposição de padrões de conduta mais elevados na sociedade. Mostram também que, dentro do capitalismo brasileiro, estamos caminhando em direção a uma nova forma de trabalho. Nela, a ética se insere como elemento de relevante interesse empresarial e fator de competitividade, por atribuir ao processo de decisões gerenciais maior confiabilidade e consistência. Trata-se de um movimento importante, principalmente, porque a atividade econômica vem agregando de maneira acelerada a administração dos chamados bens intangíveis, em que conhecimentos, talentos, sistemas, processos, informações, marcas e canais de distribuição significam mais que prédios, terrenos, equipamentos, veículos e materiais.
O capitalismo tem o seu próprio sistema de valores: inclui a honestidade, a veracidade a disposição de honrar compromissos, de cumprir contratos. Quanto mais ele se desenvolve, mais esses valores se pronunciam. No caso brasileiro, portanto, a evolução do ambiente de negócios tende a favorecer as corporações mais íntegras. “A ética incorpora elementos vitais para a eficiência”, diz o economista Eduardo Gianetti da Fonseca. “Entre eles estão a motivação, a pontualidade, a assiduidade, a lealdade, o espírito de equipe, a confiabilidade, o empenho – ou seja, o que não pode ser simplesmente comprado por dinheiro”. Tais valores intangíveis, segundo Fonseca, dependem fundamentalmente dos atributos morais da organização. Podemos acrescentar que a ética passou a ser elemento de sucesso empresarial por motivos ligados a mudanças gerenciais, socioeconômicas, culturais e tecnológicas. [...]
Uma das empresas de maior valorização nos Estados Unidos não é, como se poderia pensar, alguma imobiliária com muitos terrenos e prédios, mas a Microsoft, fabricante de software, que depende da confiança em cérebros para desenvolver seus produtos. Por falar nisso, quanto valeria a marca da Coca-Cola, outro bem intangível? Segure-se na cadeira: 36 bilhões de dólares. [...]
Nos negócios, os relacionamentos duradouros entre clientes, fornecedores, parceiros e colegas de trabalho exigem padrões éticos aplicados às relações comerciais e dentro de cada organização. Na ciência, alguns dos maiores programas em um curso com vistas ao próximo século encontram-se em áreas eticamente explosivas, que são as pesquisas do cérebro, a biodiversidade e o genoma, ou seja, o mapeamento e sequenciamento dos genes do DNA humano. No sistema econômico de mercado, hoje, o grande fator de diferenciação é o talento, dada a disponibilidade de capital, informação, tecnologia e processos. E o talento, a serviço da produção, não pode estar dissociado da ética. Por fim, na questão da corrupção de governos, é a ética das instituições que obriga ao cumprimento da lei, evitando, ou pelo menos diminuindo, os roubos e desvios de recursos.
Com tal pano de fundo, é desejável que as empresas procurem valorizar o elemento humano. Se do funcionário se espera um comprometimento ético com o futuro da organização, é justo que delas se aguarde uma atitude correspondente em relação ao funcionário. Vantagens como horário flexível, a participação nos lucros e a remuneração vinculada ao desempenho deveriam, assim, tornar-se mais e mais comuns. Somente desse modo se poderia pensar em criar uma família entre a empresa e seus funcionários, com consequente aumento da dedicação ao trabalho. Seria o caso de se elaborar um código de ética próprio, a ser mostrado previamente a aprovação dos candidatos a cargos na organização para saber se eles concordam ou não com seus termos. Desde que estejam de acordo, a partir de então, os funcionários saberão o que esperar da empresa, e esta deles, num processo mais transparente de confiança e abertura. Será um novo tempo que, esperamos, não tardará a chegar.
GUERRA, Sílvio. A ética ajuda a ser mais competitivo. Exame, São Paulo, ano 26, n. 22, p. 36, 26
out. 1994. Adaptado.
TEXTO 2

(Disponível em http://desinformadoss.blogspot.com.br/2015/11/cronica-odio-e-intolerancia-na-internet.html)
Em relação ao Texto, julgue, como VERDADEIRO ou FALSO, o item a seguir.
A fala do último quadrinho deveria ser reescrita, seguindo-se a norma padrão culta, da seguinte
maneira: “Me esqueci que não estou na internet!”.
Em relação ao Texto 1, julgue, como VERDADEIRO ou FALSO, o item a seguir.
No excerto “Uma rápida navegação
comprova esse resultado, que se agrava de
forma cruel e pessimista [...]”, a próclise foi
utilizada por haver um pronome relativo que
atrai o pronome oblíquo átono.
Texto 3
Contra os iconoclastas
A mentira está no mundo. Ela está em nós e ao nosso redor. Não podemos fechar-lhe os olhos. Omnis homo mandax, diz um salmo (115, 11). Podemos traduzir: o homem é uma criatura capaz de mentir. Se não são todos os homens que escondem seus pensamentos com a língua, no caso de políticos e diplomatas a mentira integra o métier. Hermann Kesten expande a ideia como um leque: “Há categorias profissionais inteiras, sobre as quais o povo pensa de antemão, que obrigam seus representantes a mentir, como, por exemplo, teólogos, políticos, prostitutas, diplomatas, jornalistas, advogados, atores, juízes […]”. Palavras de um poeta?
Santo Agostinho, o primeiro a tornar a mentira objeto de reflexão filosófica e teológica, viu também em primeira mão o aspecto linguístico da mentira. Seria mentira o discurso figurado? Quod absit omnino (‘O que seria pura tolice’), disse Agostinho, ao refletir sobre a ideia de que a linguagem figurada em todas as suas formas talvez devesse ser considerada no âmbito da mentira. Não são muitos os que censuram explicitamente a metáfora (adotaremos o termo para todos os tipos de imagens linguísticas) de ser mentirosa. Mas implicitamente se ouve sempre essa censura. Em especial na ciência parece reinar um profundo ceticismo em relação à metáfora. Vez ou outra entram em cena iconoclastas arrogando que querem agora purificar a linguagem científica de todas as metáforas, e tudo ficaria bem, a verdade assomaria. Comparação deve ceder lugar à razão, dizem, e a ciência deve exprimir-se em sua linguagem. As metáforas apenas dissimulariam os pensamentos científicos, ou mesmo os deformariam. Um pesquisador sério escreve sem metáforas.
Mas eliminar as metáforas quer dizer não somente arrancar as flores do caminho da verdade, quer dizer também se privar do veículo que ajuda a acelerar o acesso à verdade. Uma palavra isolada jamais pode ser uma metáfora. “Fogo” é sempre a palavra normal cujo significado (lexical) conhecemos. Somente através de um contexto essa palavra pode se tornar uma metáfora, por exemplo, “fogo da paixão”. Se a metáfora necessariamente tem o contexto como condição de sua formação, não se aplica para ela a semântica da palavra isolada, mas a semântica da palavra no texto, com o jogo da determinação entre os polos do significado lexical e do significado textual. Essa tensão constitui o fascínio da metáfora.
Não há nenhuma razão para desconfiança ante as metáforas. Não se pode falar que a linguagem figurada seja como uma cobertura de flores, bela, mas inútil. Todas as palavras nos deveriam ser bem-vindas se queremos usá-las no texto, aquelas em contexto esperado, bem como aquelas em contexto inesperado, as metáforas. Não há mentira na metáfora, portanto.
WEINRICH, H. Linguística da mentira. Trad. de M. A. Barbosa e
W. Heidermann. Florianópolis: Ed. da Ufsc, 2017. p. 13-15; 53-59.
Adaptado.
1. Em “os deformariam” (2° parágrafo), a posposição (ênclise) do pronome átono consistiria em desvio da norma culta, pois o verbo está no futuro do pretérito. 2. As construções “a ciência deve exprimir-se” (2° parágrafo) e “essa palavra pode se tornar” (3° parágrafo) evidenciam um uso variável da colocação pronominal em português. 3. Em “Não se pode falar” (4º parágrafo), o pronome sublinhado pode ser deslocado para entre os verbos, sem ferir a norma culta da língua escrita. 4. A construção “não se aplica para ela” (3° parágrafo) pode ser reescrita como “não se aplica-lhe”, sem ferir a norma culta da língua escrita. 5. A reescrita de “se queremos usá-las no texto” (4° parágrafo) como “se as queremos usar no texto” é bem aceita na norma culta, já a construção “se queremos usar elas no texto” é rejeitada na norma culta da língua escrita.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
Texto 1
Idioma mais difícil do mundo é falado no Brasil
“A língua mais difícil do mundo é sem dúvida o pirarrã”, diz Rolf Theil, professor de linguística da Universidade de Oslo. Entre os milhares de línguas faladas no planeta, Theil escolheu esta língua falada por cerca de 350 nativos na região do rio Maici, na Amazônia brasileira.
Língua de outro mundo, o pirarrã (Pirahã) é uma língua cuja pronúncia é muito especial, na qual a entonação é muito importante. Por exemplo, as palavras “amigo” e “inimigo” são as mesmas, mas a entonação difere. Ela pode ser falada, cantada e até mesmo assobiada. Na verdade, a língua é baseada em um conjunto de sons baixos transmitidos através de distâncias consideráveis. Isso permite aos nativos orientarem-se de uma melhor maneira em toda a selva e torna-se uma grande vantagem para se comunicarem sob as chuvas torrenciais da Amazônia.
Podemos aprendê-la?
O pirarrã não tem substantivos no singular ou plural. O contexto da frase dirá se se fala de uma coisa ou de várias, segundo o portal Science Nordic. Esse idioma tem apenas três vogais e oito consoantes, mas muitos sons específicos adquirem o significado de palavras inteiras. A transliteração pode ser detectada muitas vezes intuitivamente, mas, se não se conhecer algumas regras da língua, será impossível transmitir uma ideia.
Especialistas acreditam que, devido à sua complexidade, aprender essa língua levaria cerca de 10 anos para uma pessoa com uma memória média. Os pesquisadores descobriram alguma semelhança entre palavras em pirarrã e em inglês e português. No entanto, muitas dessas palavras têm um significado diferente, o que dificulta ainda mais a sua aprendizagem.
Disponível em:
noticias/2016/11/20/idioma-mais-dificil-do-mundo-e-faladono-brasil/>
Acesso em 22/novembro/2016 [adaptado]
1. Isso permite aos nativos orientarem-se de uma melhor maneira em toda a selva e torna- -se uma grande vantagem para se comunicarem sob as chuvas torrenciais da Amazônia. (2° parágrafo) 2. A transliteração pode ser detectada muitas vezes intuitivamente mas, se não se conhecer algumas regras da língua, será impossível transmitir uma ideia. (4° parágrafo)
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ).
( ) Em 1, as três ocorrências do pronome “se” mostram que a colocação pronominal em relação ao verbo é variável no português do Brasil. ( ) Em 2, o pronome “se” poderia ser deslocado para depois do verbo (conhecer-se), sem ferir a norma culta escrita da língua portuguesa. ( ) Em 2, o segmento “se não se conhecer algumas regras da língua” poderia ser reescrito como “se não se conhecer regra alguma da língua”, sem prejuízo de sentido ao enunciado. ( ) Em 1, o início do período poderia ser reescrito como “Isso permite que os nativos orientem- -se […]”, sem ferir a norma culta da língua e sem prejuízo de sentido ao enunciado. ( ) Em 2, o segmento “se não se conhecer” poderia ser substituído por “caso não se conhece”, sem ferir a norma culta escrita da língua e sem prejuízo de sentido ao enunciado.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Leia o texto.
De que é feito um texto? Fragmentos originais, montagens singulares, referências, acidentes, reminiscências, empréstimos voluntários. De que é feita uma pessoa? Migalhas de identificação, imagens incorporadas, traços de caráter assimilados, tudo (se é que se pode dizer assim) que se chama o eu.
Michel Schneider. Ladrões de palavras. Campinas. Editora da Unicamp. 1990.
Sobre o texto é correto afirmar.
1. É feita uma analogia entre a construção de um texto e a “construção” de uma pessoa.
2. Há, no texto, dois questionamentos. Ambos são respondidos pelo próprio texto.
3. As expressões sublinhadas no texto exercem a mesma função sintática, a saber: objeto indireto.
4. A frase colocada entre parênteses apresenta um pronome oblíquo em próclise.
5. As palavras “empréstimos e escrevêsseis” são acentuadas graficamente pela mesma razão: ambas são proparoxítonas.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
A violência contra a mulher
A violência contra a mulher no Brasil tem apresentado aumentos significativos nas últimas décadas. De acordo com o Mapa da Violência de 2012, o número de mortes por essa causa aumentou em 230% no período de 1980 a 2010. Além da física, o balanço de 2014 relatou cerca de 48% de outros tipos de violência contra a mulher, dentre esses a psicológica. Nesse âmbito, pode-se analisar que essa problemática persiste por ter raízes históricas e ideológicas.
O Brasil ainda não conseguiu se desprender das amarras da sociedade patriarcal. Isso se dá porque, ainda no século XXI, existe uma espécie de determinismo biológico em relação às mulheres. Contrariando a célebre frase de Simone de Beavouir “Não se nasce mulher, torna-se mulher”, a cultura brasileira, em grande parte, prega que o sexo feminino tem a função social de se submeter ao masculino, independentemente de seu convívio social, capaz de construir um ser como mulher livre. Dessa forma, os comportamentos violentos contra as mulheres são naturalizados, pois estavam dentro da construção social advinda da ditadura do patriarcado. Consequentemente, a punição para este tipo de agressão é dificultada pelos traços culturais existentes, e, assim, a liberdade para o ato é aumentada.
Além disso, há o estigma do machismo na sociedade brasileira. Isso ocorre porque a ideologia da superioridade do gênero masculino em detrimento do feminino reflete no cotidiano dos brasileiros. Nesse viés, as mulheres são objetificadas e vistas apenas como fonte de prazer para o homem, e são ensinadas desde cedo a se submeterem aos mesmos e a serem recatadas. Dessa maneira, constrói-se uma cultura do medo, na qual o sexo feminino tem medo de se expressar por estar sob a constante ameaça de sofrer violência física ou psicológica de seu progenitor ou companheiro. Por conseguinte, o número de casos de violência contra a mulher reportados às autoridades é baixíssimo, inclusive, os de reincidência.
Pode-se perceber, portanto, que as raízes históricas e ideológicas brasileiras dificultam a erradicação da violência contra a mulher no país. Para que essa erradicação seja possível, é necessário que as mídias deixem de utilizar sua capacidade de propagação de informação para promover a objetificação da mulher e passe a usá-la para difundir campanhas governamentais para a denúncia de agressão contra o sexo feminino. Ademais, é preciso que o Poder Legislativo crie um projeto de lei para aumentar a punição de agressores, para que seja possível diminuir a reincidência. Quem sabe, assim, o fim da violência contra a mulher deixe de ser uma utopia para o Brasil.
(Anna Beatriz Alvares Simões Wreden. Adaptado).
ASSIS, Machado de. Várias histórias. São Paulo: Ática, 1997. p. 106.
Assinale a alternativa correta quanto aos aspectos gramaticais do texto.
ASSIS, Machado de. Dom Casmurro. Rio de Janeiro: Ediouro, 1997. p. 173.
Quanto aos aspectos da estrutura gramatical do texto, assinale a alternativa correta.
Se lembra da fogueira. se lembra dos balões. se lembra dos luares dos sertões. A roupa no varal, feriado nacional, as estrelas salpicadas nas canções. Se lembra quando toda modinha falava de amor. Pois nunca mais cantei, maninha, depois que ele chegou. [...]
Disponível em:<https://www.letras.com.br/chico-buarque/maninha>. Acesso em: 10 nov. 2017.
Em que aspecto o autor – em nome da liberdade poética – provoca um desvio da norma culta?
1. Precisando de um empréstimo procurou, Carlão, seu amigo de todas as horas. (uso correto da vírgula para isolar vocativo) 2. Empresa promissora precisa de profissionais com prática comprovada. (presença de vício de linguagem) 3. Custa a ele entender de certos mecanismos legais, uma pena! (regência verbal adequada) 4. A sessão daquela seção do Departamento de Obras foi finalizada às 18h. (uso adequado dos homônimos: sessão e seção) 5. Nunca afaste-se da verdade, ela e somente ela poderá trazer justiça. (colocação pronominal adequada: ênclise)
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.

(In http://tribunadoceara.uol.com.br/opiniao/flavia-castelo/flavia-castelo-a-amiga-sou-eu/.Acesso em 21/09/17).