Questões de Concurso
Sobre coesão e coerência em português
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A frase acima permanecerá correta caso se substituam os elementos sublinhados, respectivamente, por:
alpendrão, e deu com Seu Tonho Inácio na cadeira de
balanço, distraído em trançar o lacinho de seis pernas
com palha de milho desfiada. A gente encontrava aquelas
5 trançazinhas por toda parte (...) - naqueles lugares onde
o velho gostava de ficar, horas e horas, namorando a
criação e fiscalizando a camaradagem no serviço. Com a
chegada do dentista, Tonho Inácio voltou a si da avoação
em que andava:
10 - Hã, é o senhor? Pois se assente ... Hum ... espera
que a Dosolina quer lhe falar também. Vamos até lá
dentro...
E entrou pelo corredor do sobrado, acompanhado do
rapaz.
15 Na sala - quase que sempre fechada, naturalmente
por causa disso aquele sossego e o cheiro murcho de
coisa velha - a mobília de palhinha, o sofá muito grande,
a cadeirona de balanço igual à outra do alpendre. Retratos
nas paredes: os homens, de testa curta e barbados, as
20 mulheres de coque enrolado e alto (...), a gola do vestido
justa e abotoada no pescoço à feição de colarinho. Povo
dos Inácios, dos Gusmões: famílias de Seu Tonho e Dona
Dosolina. Morriam, mas os retratos ficavam para os filhos
os mostrarem às visitas - contar como aqueles antigos
25 eram, as manias que cada qual devia ter, as proezas
deles nos tempos das primeiras derrubadas no sertão da
Mata dos Mineiros.
De seus pais, José de Arimatéia nem saber o nome
sabia.
30 Lembrava-se mas era só do Seu Joaquinzão Carapina,
comprido e muito magro, sempre de ferramenta na mão
- derrubando árvore, lavrando e serrando, aparelhando
madeira. (...) E ele, José de Arimatéia, menininho de
tudo ainda, mas já agarrado no serviço, a catar lascas e
35 serragem para cozinhar a panela de feijão e coar a água
rala do café de rapadura, adjutorando no que podia.
PALMÉRIO, Mário. Chapadão do Bugre. Rio de Janeiro: Editora Livraria
José Olímpio, 1966. (Adaptado)
TEXTO 1
SECRETÁRIA – Luís Fernando Veríssimo
O teste definitivo para você saber se você está ou não integrado no mundo moderno é a secretária eletrônica. O que você faz quando liga para alguém e quem atende é uma máquina.
Tem gente que nem pensa nisso. Falam com a secretária eletrônica com a maior naturalidade, qual é o problema? É apenas um gravador estranho com uma função a mais. Mas aí é que está. Não é uma máquina como qualquer outra. É uma máquina de atender telefone. O telefone (que eu não sei como funciona, ainda estou tentando entender o estilingue) pressupõe um contato com alguém e não com alguma coisa. A secretária eletrônica abre um buraco nesta expectativa estabelecida. É desconcertante. Atendem – e é alguém dizendo que não está lá! Seguem instruções para esperar o bip e gravar a mensagem.
É aí que começa o teste. Como falar com ninguém no telefone? Um telefonema é como aqueles livros que a gente gosta de ler, que só tem diálogos. É travessão você fala, travessão fala o outro. E de repente você está falando sozinho. Não é nem monólogo. É diálogo só de um.
- Ahn, sim, bom, mmm... olha, eu telefono depois. Tchau.
O “tchau” é para a máquina. Porque temos este absurdo medo de magoá-la. Medo de que a máquina nos telefone de volta e nos xingue, ou pelo menos nos bipe com reprovação.
Sei de gente que muda a voz para falar com secretária eletrônica. Fica formal, cuida a construção da frase. Às vezes precisa resistir à tentação de ligar de novo para regravar a mensagem porque errou a colocação do pronome.
Outros não resistem. Ao saber que estão sendo gravados, limpam a garganta, esperam o bip e anunciam:
- De Augustín Lara...
E gravam um bolero.
Talvez seja a única atitude sensata.
TEXTO 1
SECRETÁRIA – Luís Fernando Veríssimo
O teste definitivo para você saber se você está ou não integrado no mundo moderno é a secretária eletrônica. O que você faz quando liga para alguém e quem atende é uma máquina.
Tem gente que nem pensa nisso. Falam com a secretária eletrônica com a maior naturalidade, qual é o problema? É apenas um gravador estranho com uma função a mais. Mas aí é que está. Não é uma máquina como qualquer outra. É uma máquina de atender telefone. O telefone (que eu não sei como funciona, ainda estou tentando entender o estilingue) pressupõe um contato com alguém e não com alguma coisa. A secretária eletrônica abre um buraco nesta expectativa estabelecida. É desconcertante. Atendem – e é alguém dizendo que não está lá! Seguem instruções para esperar o bip e gravar a mensagem.
É aí que começa o teste. Como falar com ninguém no telefone? Um telefonema é como aqueles livros que a gente gosta de ler, que só tem diálogos. É travessão você fala, travessão fala o outro. E de repente você está falando sozinho. Não é nem monólogo. É diálogo só de um.
- Ahn, sim, bom, mmm... olha, eu telefono depois. Tchau.
O “tchau” é para a máquina. Porque temos este absurdo medo de magoá-la. Medo de que a máquina nos telefone de volta e nos xingue, ou pelo menos nos bipe com reprovação.
Sei de gente que muda a voz para falar com secretária eletrônica. Fica formal, cuida a construção da frase. Às vezes precisa resistir à tentação de ligar de novo para regravar a mensagem porque errou a colocação do pronome.
Outros não resistem. Ao saber que estão sendo gravados, limpam a garganta, esperam o bip e anunciam:
- De Augustín Lara...
E gravam um bolero.
Talvez seja a única atitude sensata.
– "Tem gente que nem pensa nisso". O pronome sublinhado se refere:
Gilberto Freyre sugeriu certa vez que diferentes tipos de
construção revelam algo importante sobre a cultura dentro da
qual surgiram. “O século XIX criou o grande hotel assim como
o século VI criou a catedral gótica”, disse ele.
Qual seria o equivalente à catedral ou ao hotel em
nossos tempos? O shopping center, com certeza. Ele é ao
mesmo tempo uma resposta aos problemas urbanos, uma
forma arquitetônica que molda nosso cotidiano e um símbolo da
sociedade de consumo. No Brasil, o shopping parece ter sido
uma inovação dos anos 1960 e, desde então, eles se
multiplicaram. Converteram-se em centros de sociabilidade,
tomando o lugar das ruas e das praças como lugares para
passear, encontrar amigos, tomar um café e ir a restaurantes e
cinemas. Poderíamos dizer que o shopping center se converteu
num modo de vida, entre outras razões, porque garante um
ambiente seguro.
Os centros começaram como uma combinação de lojas,
estacionamentos de veículos e áreas de pedestres, mas pouco
depois ganharam o acréscimo de cafés, restaurantes, cinemas
e agências bancárias, criando virtuais pequenas cidades,
protegidas tanto das intempéries do clima quanto (graças aos
agentes de segurança) da violência. Esses empreendimentos
faziam e ainda fazem muito sentido econômico. Construídos em
áreas de aluguel baixo, nas periferias das cidades ou até
mesmo fora delas, dotados de amplo espaço de estacionamento, tinham como público as famílias que eram atraídas pelos
cinemas ou restaurantes, mas ficavam ali para fazer compras
(ou eram atraídas pelas lojas, mas ficavam ali mais tempo para
comer ou ir ao cinema). Uma espécie de substitutos, em
ambiente fechado, da vida das ruas, que se encontrava mais e
mais ameaçada pela expansão das cidades, pelo uso crescente
do automóvel e pelo conseqüente declínio das calçadas.
Olhando em retrospectiva, os historiadores vão enxergar
os shoppings como símbolos da sociedade de consumo, nos
quais fazer compras − ou pelo menos olhar as vitrines sem
comprar nada − se converteu numa forma importante de lazer.
Eles oferecem um bom exemplo de como a arquitetura exprime
os valores de uma época, como sugeriu Gilberto Freyre, mas
também molda a vida social, incentivando o surgimento de
novas rotinas cotidianas e novas formas de sociabilidade.
(Adaptado de Peter Burke. Folha de S. Paulo, Mais!, 11 de
março de 2007, p. 3)
Esses empreendimentos faziam e ainda fazem muito sentido econômico. (3o parágrafo)
A expressão que retoma o significado da frase transcrita acima é:
Gilberto Freyre sugeriu certa vez que diferentes tipos de
construção revelam algo importante sobre a cultura dentro da
qual surgiram. “O século XIX criou o grande hotel assim como
o século VI criou a catedral gótica”, disse ele.
Qual seria o equivalente à catedral ou ao hotel em
nossos tempos? O shopping center, com certeza. Ele é ao
mesmo tempo uma resposta aos problemas urbanos, uma
forma arquitetônica que molda nosso cotidiano e um símbolo da
sociedade de consumo. No Brasil, o shopping parece ter sido
uma inovação dos anos 1960 e, desde então, eles se
multiplicaram. Converteram-se em centros de sociabilidade,
tomando o lugar das ruas e das praças como lugares para
passear, encontrar amigos, tomar um café e ir a restaurantes e
cinemas. Poderíamos dizer que o shopping center se converteu
num modo de vida, entre outras razões, porque garante um
ambiente seguro.
Os centros começaram como uma combinação de lojas,
estacionamentos de veículos e áreas de pedestres, mas pouco
depois ganharam o acréscimo de cafés, restaurantes, cinemas
e agências bancárias, criando virtuais pequenas cidades,
protegidas tanto das intempéries do clima quanto (graças aos
agentes de segurança) da violência. Esses empreendimentos
faziam e ainda fazem muito sentido econômico. Construídos em
áreas de aluguel baixo, nas periferias das cidades ou até
mesmo fora delas, dotados de amplo espaço de estacionamento, tinham como público as famílias que eram atraídas pelos
cinemas ou restaurantes, mas ficavam ali para fazer compras
(ou eram atraídas pelas lojas, mas ficavam ali mais tempo para
comer ou ir ao cinema). Uma espécie de substitutos, em
ambiente fechado, da vida das ruas, que se encontrava mais e
mais ameaçada pela expansão das cidades, pelo uso crescente
do automóvel e pelo conseqüente declínio das calçadas.
Olhando em retrospectiva, os historiadores vão enxergar
os shoppings como símbolos da sociedade de consumo, nos
quais fazer compras − ou pelo menos olhar as vitrines sem
comprar nada − se converteu numa forma importante de lazer.
Eles oferecem um bom exemplo de como a arquitetura exprime
os valores de uma época, como sugeriu Gilberto Freyre, mas
também molda a vida social, incentivando o surgimento de
novas rotinas cotidianas e novas formas de sociabilidade.
(Adaptado de Peter Burke. Folha de S. Paulo, Mais!, 11 de
março de 2007, p. 3)
Ele é ao mesmo tempo uma resposta aos problemas urbanos... (2o parágrafo)
O segmento grifado acima refere-se, explicitamente, no texto,
Organize os períodos abaixo de modo que o resultado componha um texto coerente e coeso.
I – Em relação ao modelo europeu, as alterações são bem discretas.
II – A Renault liberou esta semana as primeiras fotos de seu novo carro.
III – O comunicado oficial da fábrica faz referência apenas ao bom espaço interno do carro.
IV – A maior mudança visual é o pára-choque dianteiro: nesse ponto a versão brasileira é igual à que começou a ser produzida na Índia.
O resultado correto é:




