Questões de Concurso Sobre coesão e coerência em português

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Q765480 Português

COMO E POR QUE AS LÍNGUAS MUDAM? 

Por Aldo Bizzocchi. Disponível em: http://linguaportuguesa.uol.com.br/linguaportuguesa/gramatica-ortografia/60/artigo374133-1.asp Acesso em 16 nov 2016 

Na natureza, a mudança é sempre imperceptível. Num universo em que o comportamento dos seres é regido por leis físicas ou genéticas, prevalece o determinismo do instinto. Assim, a natureza parece funcionar sempre da mesma maneira, os fenômenos seguindo sua ordem natural, sem exceção. O que distingue o homem dos outros seres vivos é a capacidade de modificar a natureza com seu trabalho transformador. O homem foi o único animal capaz de criar diferentes modos de vida, distintas civilizações, de se adaptar a todos os habitats oferecidos pela natureza, além de ser o único animal a produzir história. No mundo natural, a mudança temporal é medida em termos de milhares ou milhões de anos, o que nos dá a falsa impressão de permanência e perenidade. Já os fatos sociais e as criações intelectuais evoluem a uma velocidade às vezes assustadora. 

A língua foi chamada por Roland Barthes de sistema modelizante primário por ser o primeiro e principal instrumento de comunicação e do pensamento de que dispomos. Segundo os linguistas americanos Edward Sapir e Benjamin Lee Whorf, ela é também o filtro através do qual o homem vê e pensa o mundo à sua volta e assim se dá conta de sua própria experiência. Para os adeptos do relativismo linguístico, a língua impõe a seus falantes uma visão de mundo que condiciona os comportamentos psíquicos e sociais dos indivíduos. Contudo, a capacidade humana de transformar o meio social e de explorar a natureza conduz o tempo todo a uma nova realidade, que obriga o homem a uma nova visão de mundo, levando a novas apreensões e novos tratamentos do continuum que são os dados da experiência, o que força a língua a mudar para poder continuar dando conta dessa realidade e servindo de instrumento da comunicação e do pensamento. Num jogo dialético, a língua muda para conservar-se e só se conserva na medida em que muda. Assim como para conservar uma casa é preciso submetê-la a periódicas reformas, a língua precisa adaptar-se constantemente às necessidades de comunicação da comunidade falante. Se não mudasse, em pouco tempo estaria divorciada da sociedade a que deve servir. Em resumo, a língua evolui porque funciona e funciona porque evolui: é o uso da linguagem que produz sua mudança, e é esse permanente mudar que garante a continuidade de seu funcionamento. [...]. 

Aldo Bizzocchi é doutor em Linguística pela USP, com pós-doutorado pela UERJ, pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Etimologia e História da Língua Portuguesa da USP, com pós-doutorado na UERJ. É autor de Léxico e Ideologia na Europa Ocidental (Annablume) e Anatomia da Cultura (Palas Athena). www.aldobizzocchi.com.br 

Analise as assertivas a seguir sobre os recursos de construção utilizados no texto. Em seguida, assinale a alternativa que contenha a análise correta sobre elas.
I. A palavra perene, destacada no texto, significa, no contexto, mortalidade. II. A expressão “jogo dialético”, utilizada no último parágrafo, faz menção à semelhança ou aproximação que há entre a mudança e a conservação da língua. III. A palavra “divorciadas”, destacada no texto, está empregada com sentido denotativo. Trata-se de uma personificação. IV. O pronome está empregado na forma proclítica em: “o homem foi o único animal capaz de se adaptar a todos os habitats”. Essa forma de colocação do pronome está correta, entretanto, tal como o período foi construído, a forma enclítica também estaria correta.
Estão corretas:
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Q765387 Português
O texto adiante é reprodução do parágrafo inicial do artigo “Questões pendentes na configuração da política social: uma síntese”, da Professora Laura Tavares Soares, aposentada e ex-Pró-Reitora de Extensão da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Leia-o com atenção e responda à questão proposta a seguir. Para superarmos as marcas da desigualdade estrutural bem como as consequências da ‘modernização excludente’ provocada por políticas neoliberais, além da implementação das inevitáveis medidas de curto prazo no enfrentamento da miséria extrema, temos também a obrigação de pensar alguma perspectiva de futuro que comece a ser construída no presente. Nessa perspectiva, mais do que nunca, torna-se imperativo uma verdadeira POLÍTICA SOCIAL que deixe de ser residual e que represente, ela mesma, uma alternativa real de desenvolvimento que incorpore nos circuitos de cidadania aqueles que nem tão cedo terão condições de incorporar-se pelo ‘mercado’. Séries Caderno FLACSO nº 10. Rio de Janeiro, abril de 2014.
São diversos os recursos do idioma para o estabelecimento da coesão textual. Um deles é o da substituição de palavras ou expressões por termos equivalentes. Assim podemos afirmar que o termo provocada, em destaque no texto, refere-se, imediatamente, à(s):
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Q765313 Português
Redigir um texto é para muitos uma tarefa difícil. Inúmeros contratempos começam a surgir, e um deles é a insuficiência de conteúdo. As ideias não fluem e, mesmo quando surgem, há certa dificuldade em organizá-las. Tal atitude muitas vezes corrobora para um sentimento de frustração e incapacidade por parte do emissor. O fato é que a escrita é algo que requer habilidade, determinação, paciência e aperfeiçoamento constante. Sobre textualidade e estilo, assinale a alternativa CORRETA. I - Textualidade é um conjunto de características que fazem com que um texto seja considerado como tal, e não como um amontoado de palavras e frases. II - Coerência é o conjunto de recursos linguísticos responsáveis pelas ligações que se estabelecem entre os termos de uma frase, entre orações referentes a um período, fazendo com que, esteticamente, os parágrafos se apresentem de forma harmoniosa, tornando o texto agradável à leitura. III - Coesão trata-se do próprio sentido atribuído ao texto, ou seja, a logicidade pertinente às ideias expressas, fazendo com que se estabeleça uma efetiva interação entre os interlocutores envolvidos no discurso. IV - Nosso conhecimento de mundo e do assunto que abordamos desempenha um papel fundamental no estabelecimento da coerência.
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Q764533 Português

Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo.

A sociedade do espetáculo

    Num admirável e recente livro de ensaios, a escritora Susan Sontag afirmou que “vivemos numa sociedade do espetáculo”. Segundo ela, cada situação deve ser transformada em espetáculo para ser real, ou seja, interessante para o público. A realidade perdeu o prestígio. A realidade só aparece representada de modo espetacular na mídia. A consequência disso é que os cidadãos da modernidade, consumidores da violência como espetáculo, adeptos da proximidade sem risco, se tornaram pessoas instruídas no cinismo.

    Mas quem são os cínicos? Os espectadores, os documentaristas da mídia? Ou, quem sabe, os próprios críticos da mídia? Para estes, é cômodo denunciar as imagens da violência culpando-as pelo que retratam. Ganham, assim, a suposta superioridade de quem estaria desmascarando um falso espetáculo, um truque em que todos caem. Com isso, a violência real acaba sendo poupada de qualquer condenação.

(Baseado em: CALLIGARIS, Contardo. Terra de Ninguém. S. Paulo: Companhia das Letras, 2004, p. 343)

Está clara, correta e coerente a redação deste livre comentário sobre o texto:
Alternativas
Q764528 Português

Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo.

Instituições e riscos

    Sem convívio não há vida, sem convívio não há civilização. Mas para conviver neste pequeno planeta, para se afastar da barbárie, os homens necessitam de princípios e de regras, em suas múltiplas formas de agrupamento. Orientados por tantos e tão diferentes interesses, premidos pelas mais diversas necessidades, organizamo-nos em associações, escolas, igrejas, sindicatos, corporações, clubes, empresas, assembleias, missões etc., confiando em que a força de um objetivo comum viabiliza a unificação de todos no corpo de uma instituição. É o sentido mesmo de uma coletividade organizada que legitima a existência e o funcionamento das instituições.

    Mas é preciso sempre alertar para o fato de que, criadas para permitir o convívio civilizado, as instituições também podem abrigar aqueles que se valem de seu significado coletivo para mascarar interesses particulares. A corrupção e a fraude podem tirar proveito do prestígio de uma instituição, alimentando-se de sua força como um parasita oportunista se aproveita do hospedeiro saudável. Não faltam exemplos de deturpações e desvios do bom caminho institucional, provocados exatamente por aqueles que deveriam promover a garantia do melhor roteiro. Por isso, não há como deixar de sermos vigilantes no acompanhamento das organizações todas que regem nossa vida: observemos sempre se são de fato os princípios do bem coletivo que estão orientando a ação institucional. Sem isso, deixaremos que a necessidade original de convívio, em vez de propiciar a saúde do empreendimento social, dê lugar ao atendimento do egoísmo mais primitivo.

(Teobaldo de Carvalho, inédito)

Na frase alimentando-se de sua força como um parasita oportunista se aproveita do hospedeiro saudável, o sentido do segmento sublinhado está formalmente correto e coerente nesta outra construção:
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Q764460 Português

Um filme de viagem e de amor 

   O filme Viajo porque preciso, volto porque te amo, dirigido por Karim Aïnouz e Marcelo Gomes, foi rodado no interior de cinco estados do Nordeste. A ideia inicial dos dois cineastas era fazer um documentário sobre as feiras do sertão. Entre a primeira e a última filmagem houve uma interrupção de nove anos, e a montagem final é, de fato, uma ficção sobre a viagem e o amor, sem perder uma dimensão crítica sobre a sociedade brasileira. O filme transcende o registro do mero documento, transmite emoções ao espectador e convida-o a refletir sobre a região e as pessoas que nela vivem e trabalham. 
   Um dos achados do filme, cuja narração é conduzida pela voz de um geólogo, foi relacionar o estudo do solo com a desilusão amorosa. Uma sondagem no interior da terra árida tem como contraponto uma sondagem da alma das personagens. Como acontece com os bons romances, que se revelam com mais intensidade ao serem relidos, esse filme convida o espectador a assisti-lo duas vezes.
 

(Adaptado de: HATOUM, Milton. Um solitário à espreita. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 134) 



Está clara, correta e coerente a redação da frase:
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Q764381 Português
A frase redigida com correção e clareza encontra-se em:
Alternativas
Q764225 Português
Uma frase escrita com clareza e em conformidade com a norma-padrão da língua é:
Alternativas
Q763379 Português

INSTRUÇÃO: A questão deve ser respondida com base no texto 2 a seguir. Leia-o atentamente, antes de responder essa questão..

TEXTO 2

O papel social da educação

A educação deve priorizar a formação de indivíduos empoderados e autônomos

Vânia Amorim Café de Carvalho* e Helivane de Azevedo Evangelista** 


   [1º§] A principal missão da educação no século 21 é criar oportunidades para a formação integral dos educandos. Isso significa que, nas dimensões individual, cidadã e profissional, a educação deve priorizar a formação de indivíduos empoderados e autônomos, cidadãos críticos, éticos e participativos, e profissionais competentes e sincronizados com um mundo em permanente mudança. Para tal, além de trabalhar os conteúdos técnicos de determinados campos de atuação profissional, é preciso também estimular o desenvolvimento de capacidades que permitam aos discentes refletir criticamente sobre a realidade que os circunda, instrumentalizando-os para que, entre outras muitas habilidades, possam interagir socialmente em contextos multiculturais.
   [2º§] Percebe-se, nesse cenário, o destaque dado à linguagem, presente em todos os aspectos da vida em sociedade. Linguagem e sociedade são, para o filósofo russo Mikhail Bakhtin (1895- 1975), indissociáveis. A multiplicidade de linguagens no mundo contemporâneo permite ao cidadão não apenas representar, compreender e reproduzir suas experiências e a realidade que o cerca, mas também agir sobre ela e transformá-la. 
   [3º§] É esta última característica das linguagens a que mais contribui para a formação de cidadãos, pois exige atuação dos sujeitos na vida pessoal, na vida em sociedade e na vida profissional. O fortalecimento da capacidade de linguagem dos educandos fortalece também as relações que estes estabelecem com o mundo e potencializa o exercício cotidiano da cidadania participativa, pois lhes são dadas oportunidades para interpretar melhor o mundo em que vivem e do qual não podem se alienar. A esse processo de desenvolvimento de criticidade, que parte da capacidade de decodificação e interpretação da realidade e leva ao questionamento e à atuação sobre essa realidade, dá-se o nome de letramento crítico.
   [4º§] O letramento crítico entende as práticas de leitura e escrita não como resultados, mas como processos sociais de construção e reconstrução da realidade, e pode envolver uma combinação de outros letramentos: letramento visual, letramento informacional, letramento midiático, letramento tecnológico. Este último, por exemplo, pressupõe a familiarização dos educandos com as novas tecnologias da informação e da comunicação (TIC) e a consequente apropriação dessas tecnologias, as quais os situam numa “atmosfera digital”.
   [5º§] Esses múltiplos letramentos constituem fator de inserção político-social, uma vez que possibilitam o desenvolvimento de capacidades necessárias à atuação consciente e crítica dos educandos em diferentes esferas da sociedade e à sua adaptação bem-sucedida a um mundo em constante transformação. Os multiletramentos devem ser associados à compreensão de que os textos, escritos ou orais, são construções ideológicas que revelam uma maneira de entender o mundo. O letramento crítico se dá no momento em que os indivíduos se tornam capazes de contrapor a sua visão de mundo a outras, tornando-se uma prática sociocultural efetiva, que os prepara para a cidadania participativa e contribui para a sua formação integral, ajudando a justificar o papel social da educação.


* Vice-reitora do UniBH e ** Diretora de desenvolvimento acadêmico do UniBH Fonte: Jornal Estado de Minas, 14 jun. 2016 – Caderno Opinião – texto adaptado.
Em geral, o processo coesivo anafórico é realizado, linguisticamente, por elementos que retomam termos ou ideias antecedentes. A palavra grifada/negritada foi utilizada para retomar uma ideia antecedente em:
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Q762517 Português

    Ao assistir as agressões verbais sofridas por Eduardo Cunha por manifestantes na sede da Polícia Federal em Curitiba, lembrei-me de Etorre Perrone, militar e político que empresta seu nome a uma via em Turim. Uma rua classicamente italiana como tantas outras, com construções centenárias cinza-amareladas, varandas e floreiras, não fosse uma pequena placa ao lado da porta de entrada do prédio de número 5, com o nome de Fulvio Croce.

    Corria, em 1977, com grande repercussão pública, o processo criminal contra os líderes das brigadas vermelhas, que adotaram uma estratégia para deslegitimar o sistema judicial, considerado, por eles, aliado ao regime e por isso despido da imparcialidade necessária: não constituíam advogados. Mais do que isso. Proibiam com ameaças de morte os defensores nomeados pela justiça de os defenderem em juízo.

    Para superar esse impasse, um grupo de advogados decidiu aceitar a convocação da Justiça, com a condição de simplesmente zelar pela observância do devido processo legal, sem apresentação de teses de mérito, para não criar um conflito com a postura dos representados. O principal símbolo desses defensores era o então presidente da “Ordem dos advogados” de Turim.

    Croce atuava contra a sua vontade, mas realizava um sacrifício profissional de alto relevo em nome de um dos valores mais caros ao sistema jurídico: a imprescindibilidade do advogado, especialmente no âmbito de um processo criminal, que não concebe a realização da justiça, sem o direito de defesa. E possivelmente também imaginasse o risco que representava aquela decisão, que tragicamente acabou se concretizando. Em 28 de abril, o presidente da Ordine de Torino foi vítima de um atentado das “Brigatti Rossi”, tombando em frente ao número 5 da via Ettore Perrone, após ser atingido por disparos de uma pistola 7.62.

    Esse episódio demonstra bem que o direito de defesa serve a propósitos muito superiores ao auxílio jurídico de um cidadão, encargo que por certo já se reveste de alta significação pública, um direito constitucionalmente assegurado como fundamental. O direito de defesa é garantia que transcende o interesse individual de quem ele circunstancialmente protege.

    O direito de defesa interessa ao juiz indevidamente acusado de absolver ou condenar alguém por motivação pessoal ou política; tutela quem acusa para se defender de uma imputação de denunciação caluniosa improcedente, e para que os seus erros e excessos, que não raramente ocorrem, possam ser evitados; resguarda o jornalista, injustamente perseguido com violação ao sigilo da fonte; abriga o manifestante, que não pode ter seu legítimo direito de expressão criminalizado.

    O direito de defesa é irrenunciável. Não por outro motivo, o Estado tem o dever de oferecer assistência jurídica a quem não possui condições financeiras. E, claro, interessa aos culpados, para que suas responsabilidades e punições sejam corretamente decididas pelo Poder Judiciário, pois essa é uma exigência indeclinável do Estado de Direito. É, portanto, um pressuposto de integridade do sistema judicial.

    Deve-se, por isso, rechaçar qualquer forma de estigmatização da atuação legítima dos advogados criminais, pois o leigo em direito deve ter a perfeita compreensão de que a absolvição de uma pessoa culpada ou a prescrição de um crime não são produtos do direito de defesa, mas certamente da atuação precária das agências de investigação ou da negligência do sistema judicial.

    O trabalho de todo advogado de defesa serve fundamentalmente para que o Estado, ao processar e punir quem comete um crime, exerça esse poder sem se desviar da legalidade, equiparando-se ao criminoso. Como diz o grande português Rui Cunha Martins, é falsa a ideia de que o Estado de direito seja salvo cada vez que o sistema penal pune um poderoso ou um convicto corrupto; por mais que custe à chamada “opinião”, o Estado de direito só é salvo se um poderoso ou um convicto corrupto são punidos no decurso de um devido processo legal; o contrário disso é populismo puro.

    E não há devido processo legal sem respeito efetivo à plenitude do direito de defesa. O contrário disso é, sempre, injustiça.

(BREDA, J. Direito de defesa, como o de cunha, transcende interesse pessoal. Opinião. Folha de São Paulo, 01/11/2016)

Volte ao texto e releia o fragmento “O direito de defesa é irrenunciável. Não por outro motivo, o Estado tem o dever de oferecer assistência jurídica a quem não possui condições financeiras. E, claro, interessa aos culpados, para que suas responsabilidades e punições sejam corretamente decididas pelo Poder Judiciário, pois essa é uma exigência indeclinável do Estado de Direito. É, portanto, um pressuposto de integridade do sistema judicial.” Em relação à tessitura desse fragmento, pode-se afirmar que:
Alternativas
Q762427 Português

Trecho do livro Dois Irmãos, de Milton Hatoum

    Naquela época, quando Omar saiu do presídio, eu ainda o vi num fim de tarde.

    O aguaceiro era tão intenso que a cidade fechou suas portas e janelas bem antes do anoitecer. Lembrome de que estava ansioso naquela tarde de meio-céu. Eu acabara de dar minha primeira aula no liceu onde havia estudado e vim a pé pra cá, sob a chuva, observando as valetas que dragavam o lixo, os leprosos amontoados, encolhidos debaixo dos outizeiros. Olhava com assombro e tristeza a cidade que se mutilava e crescia ao mesmo tempo, afastada do porto e do rio, irreconciliável com seu passado.

    Um relâmpago havia provocado um curto-circuito na Casa Rochiram. O bazar indiano tornara-se um breu na tarde sombria, coberta de nuvens baixas e pesadas. Entrei no meu quarto, este mesmo quarto nos fundos da casa de outrora. Trouxera para perto de mim o bestiário esculpido por minha mãe. Era tudo o que restara dela, do trabalho que lhe dava prazer: os únicos gestos que lhe devolviam durante a noite a dignidade que ela perdia durante o dia. Assim pensava ao observar e manusear esses bichinhos de pau-rainha, que antes me pareciam apenas miniaturas imitadas da natureza. Agora meu olhar os vê como seres estranhos.

    [...] O toró que cobria Manaus, trégua na quentura do equador, me aliviava. Frutas e folhas boiavam nas poças que cercavam a porta do meu quarto. Nos fundos, o capim crescera, e a cerca de pau podre, cheia de buracos, não era mais uma fronteira com o cortiço. Desde a partida de Zana, eu havia deixado ao furor do sol e da chuva o pouco que restara das árvores e trepadeiras. Zelar por essa natureza significava uma submissão ao passado, a um tempo que morria dentro de mim.

    Ainda chovia, com trovoadas, quando Omar invadiu o meu refúgio. Aproximou-se do meu quarto devagar, um vulto. Avançou mais um pouco e estacou bem perto da velha seringueira, diminuído pela grandeza da árvore. Não pude ver com nitidez o seu rosto. Ele ergueu a cabeça para a copa que cobria o quintal. Depois virou o corpo, olhou para trás: não havia mais alpendre, a rede vermelha não o esperava. Um muro alto e sólido separava o meu canto da Casa Rochiram. Ele ousou e veio avançando, os pés descalços no aguaçal. Um homem de meia-idade, o Caçula. E já quase velho. Ele me encarou. Eu esperei. Queria que ele confessasse a desonra, a humilhação. Uma palavra bastava, uma só. O perdão.

    Omar titubeou. Olhou para mim, emudecido. Assim ficou por um tempo, o olhar cortando a chuva e a janela para além de qualquer ângulo ou ponto fixo. Era um olhar à deriva. Depois recuou lentamente, deu as costas e foi embora.

(HATOUM, Milton. Dois irmãos. São Paulo: Companhia das Letras, 2000).

Quanto à frase: “Eu acabara de dar minha primeira aula no liceu onde havia estudado e vim a pé pra cá, sob a chuva”, é correto afirmar que:
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Q760906 Português

Texto para a questão a seguir.


Seguindo as orientações da boa escrita, empregam-se em um texto vários elementos coesivos, resultando, dentre outros aspectos, em dinamicidade e fluidez na leitura. Abaixo estão transcritos alguns desses elementos coesivos e, na sequência, os termos a que eles se referem, porém em uma das opções essa relação está em DESACORDO. É o que se verifica na opção
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Ano: 2016 Banca: IF-ES Órgão: IF-ES Prova: IF-ES - 2016 - IF-ES - Técnico em Enfermagem |
Q760243 Português

Texto para a seguinte questão.


Sobre alguns aspectos gramaticais do texto, leia estas considerações:

I) Em “O problema da ideologia purista é esse também.”, temos uma oração construída em ordem direta, uma vez que o sujeito se apresenta inicialmente, para na sequência vir o predicado.

II) O pronome possessivo “seus” (linha 8) retoma de forma coesiva o termo antecedente “ideologia purista”.

III) Em “assisti o filme” ou “assisti ao filme”, expõe-se um caso de regência verbal, que consiste no uso ou não da preposição. Nesse caso, seguindo a norma padrão, a primeira opção é a mais correta.

IV) O pronome pessoal oblíquo “lhe” (linha 17) está em posição proclítica em relação ao verbo que o sucede, porém de uso facultativo, podendo, nesse caso, reescrever o trecho colocando-o em posição enclítica.

V) Em “falam ‘certo’” (linha 5) e “língua certa” (linha 13), a palavra destacada sofreu flexão de gênero, sendo usada ora no masculino ora no feminino, por se tratar de adjetivos que concordam com as respectivas palavras que os antecedem.

Estão CORRETAS as considerações apresentadas nas opções

Alternativas
Q760139 Português

Examine os trechos seguintes:

I. “O otimismo de Izaíra Silvino para os tempos vindouros do Curso de Música da UFC reflete o contentamento da regente na celebração de duas datas históricas” (linhas 02-04);

II. “O Curso de Música começou a ganhar corpo na década de 1990. Em 2006, quando foi institucionalizado, trouxe consigo a vertente pedagógica para a formação profissional” (linhas 13-14).

Quanto à coesão textual, é correto afirmar que

Alternativas
Q760084 Português

Leia o texto V para responder à questão.

Texto V

A borboleta e a chama 

  Uma borboleta multicor voava na escuridão da noite quando viu, ao longe, uma luz. Imediatamente voou naquela direção e ao se aproximar da chama pôs-se a rodeá-la, olhando-a maravilhada. Como era bonita! 

  Não satisfeita em admirá-la, a borboleta resolveu aproximar-se mais da chama. Afastou-se e em seguida voou em direção à chama passando rente a ela. Viu-se subitamente caída, estonteada pela luz e muito surpresa por verificar que as pontas de suas asas estavam chamuscadas. 

  — Que aconteceu comigo? - pensou ela. Mas não conseguiu entender. Era impossível crer que uma coisa tão bonita quanto à chama pudesse causar-lhe algum mal. E assim, depois de juntar um pouco de forças, sacudiu as asas e levantou voo novamente.  

  Rodou em círculo e mais uma vez dirigiu-se para a chama, pretendendo pousar sobre ela. E imediatamente caiu queimada, no óleo que alimentava a brilhante e pequenina chama.  

  — Maldita luz - murmurou a borboleta agonizante - pensei que ia encontrar em você a felicidade e em vez disso encontrei a morte. Arrependo-me desse tolo desejo, pois compreendi, tarde demais, para minha infelicidade, o quanto você é perigosa. 

  — Pobre borboleta - respondeu a chama - eu não sou o Sol, como você tolamente pensou. Sou apenas uma luz. E aqueles que não conseguem aproximar-se de mim com cautela são queimados. 

Leonardo Da Vinci  

O texto acima possui elementos coesivos que promovem sua manutenção temática. A partir dessa perspectiva, pode se afirmar que:
Alternativas
Q760013 Português

CONSIDERE O TEXTO ABAIXO, PARA RESPONDER À QUESTÃO.

Parece que o jogo da vida tem um limite, afinal. Um estudo publicado na Nature nesta quarta-feira (5) analisou dados demográficos globais e percebeu que a tendência de aumento da expectativa de vida diminuiu nas últimas décadas, o que pode significar que exista um limite para a vida humana.

A pesquisa considerou a idade máxima de morte reportada em França, Japão, Reino Unido e Estados Unidos. A pessoa mais velha já documentada entre humanos chegou a 122 anos, mas, para os pesquisadores, a chance deste recorde ser quebrado é pequena.

Depois que a francesa Jeanne Calment morreu com 122 anos e 164 dias de vida, em 1997, as idades de morte estabilizaram-se e, para os autores do estudo, este pode representar um limite natural da vida útil humana.

Segundo o principal autor do estudo, Jan Vijg, do Albert Einstein College of Medicine, em Nova York (Estados Unidos), a expectativa de vida e idade máxima de morte cresceram de forma constante no século 20, o que levou à ideia de que talvez não houvesse um limite máximo de vida para os humanos.

Mas a tendência diminuiu nas últimas décadas, sendo que a melhoria na sobrevivência humana estabilizou a partir da década de 80. A taxa de sobrevivência também cai rapidamente após os cem anos.

O modelo feito pelos pesquisadores indica que a probabilidade de uma pessoa exceder a idade de 125 anos em qualquer ano é menor do que 1 em 10 mil.

Recentemente, um grupo de pesquisadores estudou por que moradores de um vilarejo da Itália costumam passar tanto da idade de 100 anos. Entre os indicativos, estavam elementos no sangue, além de hábitos de vida locais.

Disponível em: < https://goo.gl/gfQ6Uf>. Acesso em: 5 out. 2016 (com adaptações).

De acordo com o texto, no segmento “A pesquisa considerou a idade máxima de morte reportada em França, Japão, Reino Unido e Estados Unidos”, a palavra ‘pesquisa’ se refere à(ao):
Alternativas
Q760011 Português

CONSIDERE O TEXTO ABAIXO, PARA RESPONDER À QUESTÃO.

Parece que o jogo da vida tem um limite, afinal. Um estudo publicado na Nature nesta quarta-feira (5) analisou dados demográficos globais e percebeu que a tendência de aumento da expectativa de vida diminuiu nas últimas décadas, o que pode significar que exista um limite para a vida humana.

A pesquisa considerou a idade máxima de morte reportada em França, Japão, Reino Unido e Estados Unidos. A pessoa mais velha já documentada entre humanos chegou a 122 anos, mas, para os pesquisadores, a chance deste recorde ser quebrado é pequena.

Depois que a francesa Jeanne Calment morreu com 122 anos e 164 dias de vida, em 1997, as idades de morte estabilizaram-se e, para os autores do estudo, este pode representar um limite natural da vida útil humana.

Segundo o principal autor do estudo, Jan Vijg, do Albert Einstein College of Medicine, em Nova York (Estados Unidos), a expectativa de vida e idade máxima de morte cresceram de forma constante no século 20, o que levou à ideia de que talvez não houvesse um limite máximo de vida para os humanos.

Mas a tendência diminuiu nas últimas décadas, sendo que a melhoria na sobrevivência humana estabilizou a partir da década de 80. A taxa de sobrevivência também cai rapidamente após os cem anos.

O modelo feito pelos pesquisadores indica que a probabilidade de uma pessoa exceder a idade de 125 anos em qualquer ano é menor do que 1 em 10 mil.

Recentemente, um grupo de pesquisadores estudou por que moradores de um vilarejo da Itália costumam passar tanto da idade de 100 anos. Entre os indicativos, estavam elementos no sangue, além de hábitos de vida locais.

Disponível em: < https://goo.gl/gfQ6Uf>. Acesso em: 5 out. 2016 (com adaptações).

No trecho “este pode representar um limite natural da vida útil humana”, a expressão este tem por função:
Alternativas
Ano: 2016 Banca: FUNRIO Órgão: IF-PA Prova: FUNRIO - 2016 - IF-PA - Revisor de Texto |
Q758303 Português
Observe como o texto desta notícia está com falhas estruturais no quesito coesão por repetir três vezes o sintagma “boneca Barbie”: “Mais de 50 anos depois da aparição da boneca Barbie, a boneca Barbie da Mattel passará a ter três novos tipos de corpo – alto, com curvas e baixinho – numa tentativa de conter um longo declínio nas vendas da icônica boneca Barbie.” Assinale a opção que faz o ajuste textual completo, correto e coerente, apelar sem para a repetição e sem contrariar as normas da língua-padrão.
Alternativas
Q757661 Português

                                        Texto 03

                        Nuvem escura sobre a COP 22

Governantes de diversos países que se reuniram na semana passada na Conferência do Clima da ONU (COP 22), no Marrocos, se viram forçados a gastar boa parte do tempo em debates sobre uma ameaçadora nuvem escura que pairou sobre suas cabeças. A tal nuvem tem nome e sobrenome: Donald Trump, presidente eleito dos EUA, que _______¹(insistir) em afirmar que não honrará o Acordo de Paris assinado por Barack Obama e mais 194 líderes mundiais visando ___² redução de poluentes – o objetivo é manter o aquecimento global abaixo dos dois graus centígrados. Os EUA são a segunda nação mais poluidora do mundo, atrás apenas da China, mas Trump diz que o aquecimento da Terra é manobra do governo chinês para que os americanos desacelerem a sua indústria. É inegável a importância do Acordo de Paris, e prova disso é que o presidente da França, François Hollande, marcou presença com um discurso duro e intransigente em relação ao cumprimento, por parte dos EUA, de todos os compromissos assumidos anteriormente. “Uma promessa de esperança não pode ser traída, ela tem de ser cumprida. Aqui em Marrakesh nós somos os guardiões da letra e do espírito do Acordo de Paris”, disse ele. Segundo Hollande, “aquilo que nos une”, independentemente de diferenças religiosas, convicções políticas e patamares de desenvolvimento social e econômico, é “termos em comum a salvação de nosso planeta”. Outro líder que se destacou foi o secretário de Estado americano, John Kerry, ainda que prestes a deixar o cargo: “Não posso falar pelo próximo governo, mas garanto que os americanos apoiam o Acordo de Paris de forma majoritária”. Na quinta-feira 17, pelo menos 360 empresas nos EUA fizeram uma carta ao Congresso exigindo a redução de poluentes. Como se vê, o que não faltam são tentativas de fazer o acordo andar, mas a nuvem pesada segue escurecendo o caminho.

http://istoe.com.br/nuvem-escura-sobre-cop-22/ 

A forma conjugada do verbo insistir que deve ser utilizada no espaço 1, do texto 03, para manter a coerência do texto, bem como a regência e a concordância verbal é:
Alternativas
Q755718 Português

Texto CB4A1AAA


No que se refere aos sentidos do texto CB4A1AAA, julgue o item a seguir.

A expressão “mentes geniais” (Imagem associada para resolução da questão.7) refere-se a Darcy Ribeiro, Anísio Teixeira e Oscar Niemeyer.

Alternativas
Respostas
9661: X
9662: C
9663: X
9664: A
9665: C
9666: B
9667: A
9668: A
9669: C
9670: A
9671: B
9672: B
9673: B
9674: B
9675: A
9676: D
9677: A
9678: A
9679: C
9680: C