Questões de Concurso
Sobre coesão e coerência em português
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Julgue o próximo item, no que se refere à correção gramatical e à coerência da proposta de reescrita para cada um dos trechos destacados do texto.
Considerando a correção gramatical e a coerência das substituições propostas para vocábulos e trechos destacados do texto, julgue o item que se segue.
“embora tenha havido” (linha 5) por apesar de ter
havido
Considerando a correção gramatical e a coerência das substituições propostas para vocábulos e trechos destacados do texto, julgue o item que se segue.
“que”, em “que reconhece” (linha 3), por onde
A respeito da correção gramatical e da coerência da proposta de reescrita de trecho destacado do texto, julgue o seguinte item.
“Quem também se pronunciou sobre a situação da
mulher no mundo foi o secretário‐geral da ONU.”
(linha 12): O secretário‐geral da ONU também se
manifestou acerca da situação da mulher no mundo.
Com relação à correção gramatical e à coerência com as ideias do texto das substituições propostas para vocábulos e trechos destacados, julgue o item subsequente.
“que as vitima” (linha 24) por que lhes tornam vítimas
Com relação à correção gramatical e à coerência com as ideias do texto das substituições propostas para vocábulos e trechos destacados, julgue o item subsequente.
“em um ano” (linha 16) por anualmente
Com relação à correção gramatical e à coerência com as ideias do texto das substituições propostas para vocábulos e trechos destacados, julgue o item subsequente.
“há” (linha 9) por existe
Em relação ao texto e a seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.
Em relação ao texto e a seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.
Leia a tira, para responder à questão.

(Orlandeli, Grump. Diário da Região, 22.04.2018)
Para que _______ Killer Joe com chance de sucesso, seria necessário que o pequeno Grump também ________ o grandalhão. Mas o público considera pouco provável que ele o _________ ou _________ .
Leia o texto, para responder à questão.
Dar à luz
Todos sabem que a luz é um dos componentes indispensáveis para que haja vida. Além de ser um fenômeno físico, a luz e sua importância são elementos simbólicos utilizados, há séculos, por religiões, por estudiosos e pela cultura popular, como forma de ilustrar momentos de transição importantes vivenciados pela humanidade.
Culturalmente, a luz assume uma representação tão marcante quanto para a ciência e a tecnologia. Isso porque, em muitas nações, ela simboliza a própria vida. Não é por acaso que a expressão “dar à luz” representa um momento de celebração, de extrema felicidade, traduzindo o momento em que é dada ao homem a oportunidade de deixar o escuro do útero e passar a experimentar a luz do mundo, a luz que passará a ser a chama de sua própria existência.
“Trazer à luz” ou “lançar luz” acerca de um determinado assunto são expressões há muito utilizadas por estudiosos. Essas expressões significam a possibilidade de, por meio do conhecimento, da razão, compreender melhor e encontrar respostas para questões que, até então, o homem sem conhecimento não conseguiria enxergar, uma vez que estaria mergulhado nas trevas da ignorância. Por volta do ano 400 a.C., Platão relacionaria a luz ao conhecimento. Para o filósofo, a percepção do mundo exterior, à luz do sol, correspondia ao conhecimento produzido pelo intelecto, à luz da razão.
Por outro lado, é comum encontrar textos que se referem a parte da Idade Média como a idade das trevas, um período em que se utilizava da fé como mecanismo de controle, de imposição. E, ao fazer isso, os homens, não Deus, impediam o desenvolvimento cultural e a liberdade intelectual. Desde a Idade Média, governantes utilizam-se da conhecida estratégia de mergulhar a sociedade na ignorância para poder doutriná-la mais facilmente.
O acesso à liberdade intelectual passaria a ser conquistado graças a um movimento filosófico que surgiu na Europa, no século XVIII, movimento esse que ficou conhecido como Iluminismo. Novamente, o homem escolheria a luz para representar a única forma de trazer novas alternativas para que a humanidade pudesse sair das trevas.
Infelizmente, nem o Iluminismo nem qualquer outra tentativa de conter os períodos de obscuridade impediram que esta continuasse, de forma voraz e persistente, a assombrar os homens. As trevas ressurgem a cada dia nas guerras, na fome, na intolerância, no ódio, no preconceito, na corrupção e em outras formas que, talvez, a humanidade ainda desconheça.
Portanto, para os que não desejam viver na escuridão, a única opção é manter a chama do conhecimento acesa.
(Ademar Pereira dos Reis Filho. Diário da Região, 22.04.2018. Adaptado)
Para responder à questão, considere a seguinte passagem do texto:
Essas expressões significam a possibilidade de, por meio do conhecimento, da razão, compreender melhor e encontrar respostas para questões que, até então, o homem sem conhecimento não conseguiria enxergar, uma vez que estaria mergulhado nas trevas da ignorância.
Sem prejuízo de sentido ao texto, as expressões destacadas devem ser substituídas, correta e respectivamente, por
Nossa bactéria interior
Hélio Schwartsman
Se a consciência já parece bastante misteriosa quando tentamos circunscrevêla a um cérebro humano, ela fica ainda mais impenetrável quando se considera que a própria noção de corpo humano pode ser inadequada.
Com efeito, já há alguns anos vem ganhando espaço na biologia e na medicina a ideia de que precisamos pensar o corpo humano não como uma entidade à parte, mas no conjunto de suas relações com o meio ambiente, em especial em relação a sua interação com espécies microscópicas com as quais vivemos em promiscuidade há dezenas de milhares de anos. Aqui, nós perdemos um pouco de nós para nos tornarmos um superorganismo, no qual outros seres vivos, notadamente aqueles que habitam nosso corpo, ganham importância.
Inicialmente, esses modelos foram utilizados para explicar com certo sucesso a obesidade (as floras intestinais de gordos e magros têm composições diferentes), doenças do intestino e moléstias cardíacas. Mas os pesquisadores foram ficando ambiciosos e agora falam no eixo cérebro-intestino, que parece desempenhar um papel em várias doenças mentais, incluindo transtornos de ansiedade, do afeto, autismo e até mesmo surtos psicóticos e Alzheimer. Não é que bactérias causem essas moléstias, mas modulam a manifestação e a severidade dos sintomas.
Particularmente interessante nesses modelos é que a flora intestinal é, em princípio, algo fácil de alterar com o uso de antibióticos, pro e prebióticos e de transplantes fecais. Já há quem fale em psicobióticos. É preciso dar um desconto ao entusiasmo dos pesquisadores, mas não há dúvidas de que é um campo promissor.
Vale destacar quanto de complexidade esse modelo acrescenta a nós mesmos. Deixamos de ser um corpo composto por 10 trilhões de células comandadas por 23 mil genes para nos tornarmos um bioma ao qual se somam 100 trilhões de bactérias e 3 milhões de genes não humanos.
Adaptado de: <http://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwarts-man/2017/12/ 1940148-nossa-bacteria-interior.shtml>
Leia o texto para responder à questão.
Cotas têm prós e contras.
Levantamento feito pela Folha de São Paulo ao final de 2017 mostrou que, em boa parte dos cursos universitários, alunos que ingressam por meio de cotas se formam com notas próximas dos demais. O estudo usou os resultados de mais de 250 mil estudantes nas três últimas edições do Enade e constatou que alunos cotistas chegam a ter notas melhores que os outros, por exemplo, em odontologia.
É refrescante dispormos de dados objetivos sobre um assunto tantas vezes poluído por ideologias. É inegável que ações afirmativas, como as cotas, são importantes mecanismos de justiça social em um país tão profundamente injusto como o nosso. E as conclusões do levantamento indicam que tais ferramentas são válidas também no plano acadêmico: não se confirmam os prognósticos de que o ingresso de alunos cotistas resultaria em degradação da qualidade dos cursos.
O perigo é alguém acreditar que cotas resolvem alguma coisa no médio prazo. Nosso sistema educacional está doente, e cotas são como um antitérmico, que reduz o desconforto do paciente, mas não ataca as causas da febre. O que precisamos é que a escola pública, democrática e gratuita, ofereça formação de qualidade, para que as cotas se tornem desnecessárias. Não é uma utopia: acontece em muitos outros países, inclusive mais pobres que o Brasil.
Ações afirmativas não podem servir de álibi para continuarmos oferecendo formação inferior aos filhos das classes mais desfavorecidas. Até porque propiciar acesso à universidade a alguns desses jovens deixa muita coisa por resolver. O mesmo levantamento mostra que as notas de cotistas são sim inferiores à média nos cursos de exatas, possivelmente os mais críticos para o desenvolvimento do país.
Não é difícil aventar uma explicação. Em matemática, cada etapa prepara a seguinte, não é possível pular. Quem não aprendeu multiplicação, não vai nunca entender frações. Se a matemática não é ensinada na escola, na faculdade é simplesmente tarde demais. E aí os benefícios da ação afirmativa foram desperdiçados.
Na virada do ano, outra notícia alvissareira: a Unicamp, talvez a mais inovadora de nossas universidades, aprovou a criação de até 10% de vagas extras em seus cursos para candidatos premiados em competições escolares, como as Olimpíadas Brasileiras de Matemática e Física. Uma espécie de “cotas por mérito”.
Como todas as ideias inteligentes e com potencial para fazer diferença, essa também desperta oposição. Inclusive de setores que advogam as cotas sociais, o que talvez não seja surpreendente, mas é certamente lamentável. Tomara que a inteligência prevaleça.
(Marcelo Viana. Folha de S.Paulo, 21.01.2018. Adaptado)
BEM PERTO DE LEO
Christophe Honoré
Capítulo I
Marcelinho. Era assim que eles me chamavam.
Pra mim, se eles me chamassem de Marcelo também tava bom, só que eles têm essa mania, já estou com mais de dez anos mas não adianta. Se acostumaram. Querem ser bonzinhos comigo. Ou rir da minha cara. Sei lá, uma mistura danada de boas intenções que deve me deixar incrivelmente legal aos olhos deles.
Marcelinho. Até que eu gosto. Fico mais diferenciado dos meus três irmãos. Dá pra perceber muito bem que eu sou o irmão mais moço, o caçulinha, o “queridinho da vovó”, como diz a vovó.
Três irmãos.
Grandes, mas grandes pra valer. Tipo caras que saíram do colégio há décadas. Só que os três continuam morando lá em casa.
Tristão: 21.
Leo: 19.
Pedrinho: 17. Não teve erro. Tipo relógio. Um filho de dois em dois anos, sempre em fevereiro. Pinta fevereiro, paf, filho!
Quando pergunto a minha mãe por que razão exatamente eu cheguei com:
(17 - 2)
- 10
5
cinco anos de atraso, ela olha pra mim como se eu estivesse querendo que ela me explicasse a existência do mundo. Em geral ela faz uma festinha na minha bochecha com uma das mãos e me dá um tapinha na testa com a outra e ao mesmo tempo fala baixinho: “Não se preocupe, meu coração, vai passar”.
Eu não me preocupo, mas sei lá, quando me dizem esse tipo de coisa fico todo arrepiado, a impressão que eu tenho é de que estão me escondendo um segredo de Estado.
É por isso que em geral não tenho coragem de insistir. Fico pensando que se eles, os meus pais, resolveram esperar cinco anos, a explicação só pode ser uma coisa bem ruim. Mas deixa pra lá, o que importa é que afinal eles se decidiram. Se não tivessem se decidido eu ia continuar sei lá onde, esperando que alguém se lembrasse de mim pra poder sair. [....]
Adaptado de: HONORÉ, Chistophe. Bem perto de Leo. Tradução de
Heloisa Jahn. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. p. 7-8.

Rodrigo Lara Mesquita
(https://pt.scribd.com/document/247868/A-Economia-na-era-das-redes3).
Leia o texto abaixo para responder à questão
Exercício: faça o que puder, mas faça EUA lançaram nova edição de
recomendações contra o sedentarismo que valem para todas as idades
Por Mariza Tavares — Rio
de Janeiro 04/12/2018 06h01
O governo norte-americano divulgou, em meados de novembro, a
segunda edição de recomendações para combater o sedentarismo. Com o título de
―Physical Activities Guidelines for Americans‖, essas diretrizes vêm substituir
a versão anterior, de 2008, e são resultado de dois anos de estudos que não
deixam dúvidas sobre a relação entre atividade física e o quadro geral de
saúde. A primeira constatação das pesquisas foi a de que ficar sentado
representa um problema maior do que simplesmente não se exercitar. Ainda não há
como quantificar o limite de tempo para o sedentarismo, mas, como esse blog já
noticiou, há uma espécie de reação em cadeia provocada pela inatividade que
conduz ao risco aumentado para doenças crônicas, como diabetes, demências e
acidentes vasculares encefálicos (popularmente conhecidos como derrames).
A recomendação para se exercitar não tem como objetivo apenas
fortalecer o corpo, mas também garantir que o cérebro continue funcionando bem
em todo o curso de vida. Para todas as idades, a atividade física traz
benefícios para o aprendizado, a qualidade de sono e a redução da ansiedade. Na
edição anterior das diretrizes, ainda havia a compreensão de que a atividade
física deveria ter pelo menos dez minutos de duração para produzir algum efeito
no organismo: era a ―regra dos dez minutos‖. Embora os especialistas continuem
recomendando 150 minutos de exercícios por semana, sugerem que pequenas
quantidades de movimento – como subir escadas, por exemplo – devem ser somadas
para atingir esse objetivo. É uma mudança significativa de abordagem, com o
propósito de não desencorajar quem não consegue atingir esse patamar. Faça o
que puder, mas faça – é o recado.
Um outro aspecto relevante é que as diretrizes valem para todas as idades, dando o recado de que as pessoas não devem abrir mão da atividade física porque envelhecem. É claro que doentes crônicos precisam fazer os ajustes necessários de acordo com suas condições de saúde, mas a recomendação, para jovens e velhos, inclui musculação, exercícios aeróbicos e de equilíbrio. A soma dessas ações também previne osteoartrites e sarcopenia, que é a perda de massa e de força muscular. O resumo da ópera é claro e serve para todos: o nível de atividade é uma questão de saúde, e não de idade, lembrando que sete das dez doenças crônicas mais comuns teriam um desfecho mais favorável com a prática de atividade física.
(Disponível em: https://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modode-usar/post/2018/12/04/exercicio-faca-o-que-puder-mas-faca.ghtml)
No trecho retirado do texto:
“Embora os especialistas continuem recomendando 150 minutos de exercícios por semana, sugerem que pequenas quantidades de movimento – como subir escadas, por exemplo – devem ser somadas para atingir esse objetivo.”
Ocorreria mudança de sentido se a conjunção em destaque fosse substituída por:
Contos para Charles Darwin
De uns dez anos para cá, Rodrigo Lacerda não tira Charles Darwin (1809-1882) da cabeça. Autor de livros elogiados como O Fazedor de Velhos, de 2008, com o qual venceu o prêmio Jabuti de melhor livro infantil, entre outros, o escritor tem refletido, por exemplo, sobre a ação no nosso cérebro dos neurotransmissores, dos quais não temos nenhum controle. Com uma injeção de dopamina nos sentimos bem e felizes. Já uma descarga de adrenalina nos deixa alertas e ativos. E por aí vai.
O fato de preferirmos pagar uma quantia quebrada, como R$ 5,99 em vez de R$ 6,00, é mais um ponto de partida para suas reflexões darwinianas. Assim como a desenfreada reprodução humana, irracional se observada a quantidade de habitantes no planeta e os recursos naturais disponíveis. “A humanidade parece ter se esquecido dos diversos imperativos biológicos que incidem sobre nosso comportamento e que talvez sejam incontornáveis”, diz o escritor.
Essa reflexão toda deu origem a Reserva Natural (Companhia das Letras, 183 páginas). Dividido em duas partes, Território e Fauna, o livro reúne dez contos. Todos sugerem que só a teoria da evolução pode explicar determinados fatos científicos e certas idiossincrasias humanas.
Como abrir mão dela para compreender a coincidência de sermos, assim como os ratos, hospedeiros intermediários do vírus da toxoplasmose, como se aprende em “Metástase”, o último conto do livro? O vírus torna os roedores incapazes de sentir o cheiro da urina dos gatos, os verdadeiros alvos do organismo infeccioso. Contaminados por ele, sustentam alguns pesquisadores, os humanos se mostram mais inconsequentes, exaltados e indiferentes ao risco. A hipótese para explicar a coincidência, já que não somos presas de gatos, o que justificaria a ação do vírus no nosso organismo, é a seguinte: ele teria sobrevivido desde a pré-história, quando nossos antepassados eram devorados por tigres dentes-de- -sabre e outros antepassados dos inofensivos bichanos de hoje em dia. O conto que dá título ao livro foi publicado originalmente numa edição da revista inglesa Granta, em 2010.
(Daniel Salles. www.valor.com.br. 23.02.2018. Adaptado)
Assinale a alternativa que apresenta uma reescrita em conformidade com as regras de pontuação da norma-padrão, sem alteração de sentido, para o seguinte trecho do terceiro parágrafo:
“Dividido em duas partes, Território e Fauna, o livro reúne dez contos.”
Contos para Charles Darwin
De uns dez anos para cá, Rodrigo Lacerda não tira Charles Darwin (1809-1882) da cabeça. Autor de livros elogiados como O Fazedor de Velhos, de 2008, com o qual venceu o prêmio Jabuti de melhor livro infantil, entre outros, o escritor tem refletido, por exemplo, sobre a ação no nosso cérebro dos neurotransmissores, dos quais não temos nenhum controle. Com uma injeção de dopamina nos sentimos bem e felizes. Já uma descarga de adrenalina nos deixa alertas e ativos. E por aí vai.
O fato de preferirmos pagar uma quantia quebrada, como R$ 5,99 em vez de R$ 6,00, é mais um ponto de partida para suas reflexões darwinianas. Assim como a desenfreada reprodução humana, irracional se observada a quantidade de habitantes no planeta e os recursos naturais disponíveis. “A humanidade parece ter se esquecido dos diversos imperativos biológicos que incidem sobre nosso comportamento e que talvez sejam incontornáveis”, diz o escritor.
Essa reflexão toda deu origem a Reserva Natural (Companhia das Letras, 183 páginas). Dividido em duas partes, Território e Fauna, o livro reúne dez contos. Todos sugerem que só a teoria da evolução pode explicar determinados fatos científicos e certas idiossincrasias humanas.
Como abrir mão dela para compreender a coincidência de sermos, assim como os ratos, hospedeiros intermediários do vírus da toxoplasmose, como se aprende em “Metástase”, o último conto do livro? O vírus torna os roedores incapazes de sentir o cheiro da urina dos gatos, os verdadeiros alvos do organismo infeccioso. Contaminados por ele, sustentam alguns pesquisadores, os humanos se mostram mais inconsequentes, exaltados e indiferentes ao risco. A hipótese para explicar a coincidência, já que não somos presas de gatos, o que justificaria a ação do vírus no nosso organismo, é a seguinte: ele teria sobrevivido desde a pré-história, quando nossos antepassados eram devorados por tigres dentes-de- -sabre e outros antepassados dos inofensivos bichanos de hoje em dia. O conto que dá título ao livro foi publicado originalmente numa edição da revista inglesa Granta, em 2010.
(Daniel Salles. www.valor.com.br. 23.02.2018. Adaptado)
Contos para Charles Darwin
De uns dez anos para cá, Rodrigo Lacerda não tira Charles Darwin (1809-1882) da cabeça. Autor de livros elogiados como O Fazedor de Velhos, de 2008, com o qual venceu o prêmio Jabuti de melhor livro infantil, entre outros, o escritor tem refletido, por exemplo, sobre a ação no nosso cérebro dos neurotransmissores, dos quais não temos nenhum controle. Com uma injeção de dopamina nos sentimos bem e felizes. Já uma descarga de adrenalina nos deixa alertas e ativos. E por aí vai.
O fato de preferirmos pagar uma quantia quebrada, como R$ 5,99 em vez de R$ 6,00, é mais um ponto de partida para suas reflexões darwinianas. Assim como a desenfreada reprodução humana, irracional se observada a quantidade de habitantes no planeta e os recursos naturais disponíveis. “A humanidade parece ter se esquecido dos diversos imperativos biológicos que incidem sobre nosso comportamento e que talvez sejam incontornáveis”, diz o escritor.
Essa reflexão toda deu origem a Reserva Natural (Companhia das Letras, 183 páginas). Dividido em duas partes, Território e Fauna, o livro reúne dez contos. Todos sugerem que só a teoria da evolução pode explicar determinados fatos científicos e certas idiossincrasias humanas.
Como abrir mão dela para compreender a coincidência de sermos, assim como os ratos, hospedeiros intermediários do vírus da toxoplasmose, como se aprende em “Metástase”, o último conto do livro? O vírus torna os roedores incapazes de sentir o cheiro da urina dos gatos, os verdadeiros alvos do organismo infeccioso. Contaminados por ele, sustentam alguns pesquisadores, os humanos se mostram mais inconsequentes, exaltados e indiferentes ao risco. A hipótese para explicar a coincidência, já que não somos presas de gatos, o que justificaria a ação do vírus no nosso organismo, é a seguinte: ele teria sobrevivido desde a pré-história, quando nossos antepassados eram devorados por tigres dentes-de- -sabre e outros antepassados dos inofensivos bichanos de hoje em dia. O conto que dá título ao livro foi publicado originalmente numa edição da revista inglesa Granta, em 2010.
(Daniel Salles. www.valor.com.br. 23.02.2018. Adaptado)
“Todos sugerem que só a teoria da evolução pode explicar determinados fatos científicos e certas idiossincrasias humanas.” (3o parágrafo)
A expressão em destaque pode ser substituída sem que se altere significativamente o sentido da frase por:
Contos para Charles Darwin
De uns dez anos para cá, Rodrigo Lacerda não tira Charles Darwin (1809-1882) da cabeça. Autor de livros elogiados como O Fazedor de Velhos, de 2008, com o qual venceu o prêmio Jabuti de melhor livro infantil, entre outros, o escritor tem refletido, por exemplo, sobre a ação no nosso cérebro dos neurotransmissores, dos quais não temos nenhum controle. Com uma injeção de dopamina nos sentimos bem e felizes. Já uma descarga de adrenalina nos deixa alertas e ativos. E por aí vai.
O fato de preferirmos pagar uma quantia quebrada, como R$ 5,99 em vez de R$ 6,00, é mais um ponto de partida para suas reflexões darwinianas. Assim como a desenfreada reprodução humana, irracional se observada a quantidade de habitantes no planeta e os recursos naturais disponíveis. “A humanidade parece ter se esquecido dos diversos imperativos biológicos que incidem sobre nosso comportamento e que talvez sejam incontornáveis”, diz o escritor.
Essa reflexão toda deu origem a Reserva Natural (Companhia das Letras, 183 páginas). Dividido em duas partes, Território e Fauna, o livro reúne dez contos. Todos sugerem que só a teoria da evolução pode explicar determinados fatos científicos e certas idiossincrasias humanas.
Como abrir mão dela para compreender a coincidência de sermos, assim como os ratos, hospedeiros intermediários do vírus da toxoplasmose, como se aprende em “Metástase”, o último conto do livro? O vírus torna os roedores incapazes de sentir o cheiro da urina dos gatos, os verdadeiros alvos do organismo infeccioso. Contaminados por ele, sustentam alguns pesquisadores, os humanos se mostram mais inconsequentes, exaltados e indiferentes ao risco. A hipótese para explicar a coincidência, já que não somos presas de gatos, o que justificaria a ação do vírus no nosso organismo, é a seguinte: ele teria sobrevivido desde a pré-história, quando nossos antepassados eram devorados por tigres dentes-de- -sabre e outros antepassados dos inofensivos bichanos de hoje em dia. O conto que dá título ao livro foi publicado originalmente numa edição da revista inglesa Granta, em 2010.
(Daniel Salles. www.valor.com.br. 23.02.2018. Adaptado)

