Questões de Concurso
Sobre coesão e coerência em português
Foram encontradas 14.193 questões
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
A sabedoria dos patos
- Certa vez estava ouvindo um programa de rádio em que achei muito interessante a
- abordagem motivacional e metafísica que o professor e terapeuta Marcello Cotrim levantou para
- elucidar que os patos têm uma sabedoria maravilhosa a nos transmitir. Ele fez um comparativo
- entre os arquétipos da águia e do pato. A águia é um animal lindíssimo, tem força, tem
- resistência, tem longevidade, tem uma visão de longo alcance, voa acima das nuvens. Além
- disso, existe uma famosíssima lenda da renovação da águia, segundo a qual, quando chega à
- metade do seu tempo de vida, ela passa por um processo doloroso de renovação das penas, das
- unhas e do bico. Ela vai para as mais altas montanhas e fica lá, solitária, batendo o bico nas
- pedras até ele cair, depois espera pacientemente que nasça um novo. Em seguida, ela arranca as
- penas e unhas e se prepara para um novo ciclo de vida.
- Essa lenda da renovação da águia é vista por nós como o processo de sofrer para crescer,
- sofrer para se renovar, viver a solidão para conseguir se superar, etc. Se observarmos bem, o
- arquétipo da águia é como o de um mártir, alguém que sofre, mas que se torna maior do que as
- outras pessoas, se torna indelével. No mundo em que vivemos, quase todos querem se tornar
- inesquescíveis, porque isso soa bonito, dá uma sensação imensa de ser importante, de ser
- insubstituível. Porém, o risco está em querer ser águia o tempo inteiro. Isso é muito
- desgastante, é você se esforçar para ser sempre o melhor em tudo e alcançar patamares
- incomparáveis. A grande verdade é que ninguém consegue ser o melhor em tudo, e o barato da
- vida é exatamente esse, porque dessa forma podemos nos unir com outras pessoas, podemos
- pedir ajuda e fazer parcerias interessantes.
- Essa ideia coletiva que se tem das águias reforça um perfil mais egoísta e autossuficiente,
- como se não precisássemos uns dos outros. É nessa hora que entra a figura do pato. Ele é meio
- desengonçado na forma de andar, sabe nadar, mas não é exímio nadador, também consegue
- voar, mas não alcança grandes alturas, não sabe fazer voos rasantes, etc. Perceba! Ele consegue
- transitar pela terra, pela água e pelo ar. Que animal além dele consegue fazer isso? Em outras
- palavras, o pato é multitarefas. Tem talentos diversos, mas está longe de ser um especialista em
- suas capacidades. Olhar para esse animal e pegar esse modelo para a nossa vida é incrível,
- porque a vida não nos exige que sejamos os melhores em tudo e o tempo todo. Somos nós que
- nos autoimpomos esse padrão que, por vezes, chega até a nos adoecer.
- No mundo hipermoderno que vivemos hoje, o ideal é que desenvolvamos nossos potenciais
- diversos, sem querermos ser os melhores em tudo. Vale ressaltar que existem águias em todas
- as áreas da vida e em todas as profissões, mas não adianta ficar se comparando, porque na
- comparação nos menosprezamos e deixamos de fazer algo bom, que poderia ajudar a nós
- mesmos e aos outros. Por exemplo, eu escrevo bem, mas sei que não sou o melhor na arte da
- escrita. Não sou um Machado de Assis, porém, se eu não escrevesse, seria menos feliz e
- realizado do que sou e deixaria de levar conhecimentos e consciência para centenas de pessoas.
- Gosto de jogar basquete, mas estou longe, absolutamente longe de ser um Michael Jordan ou
- Lebron James. Se me comparasse com esses gladiadores do basquete nem pisaria numa quadra,
- deixaria de me exercitar e de me divertir com esse lindo esporte.
- Poderia citar mais exemplos, mas com esses acho que já deu para você entender! O resumo
- de tudo é isso. Faça! Não queira se comparar com as águias. Sempre existirão águias em todas
- as áreas, mas entre ser uma águia, perita em apenas uma coisa, e ser um pato, que se esforça
- para desenvolver diversos talentos, sem autoexigência, é preferível ser como um pato! Sem
- contar que os patos vivem em bandos, eles muito facilmente se organizam em equipe e não tem
- o pato-alfa, que lidera a todos, não! Imitando o arquétipo do pato podemos até ser amigos
- melhores, sem querermos ser o chefe, o comandante.
Texto adaptado especialmente para esta prova.
Disponível em: https://www.contioutra.com/a-sabedoria-dos-patos/.
Os pronomes têm a propriedade de funcionar como um recurso coesivo, assegurando ao texto coerência e, portanto, unidade de sentido. Tomando-se por base esse pressuposto, analise as seguintes afirmações:
I. O pronome “Ele” (l. 03) está retomando “o professor e terapeuta Marcello Cotrim”.
II. O pronome “Ela” (l. 08) está retomando “vida”.
III. O pronome “esse” (l. 27) está retomando “águia”.
Quais estão corretas?
A tirinha servirá de base para a questão:
Quanto à regência, coesão e ortografia, julgue as afirmativas acerca do texto:
I. A palavra “no entanto” no segundo quadrinho, pode ser substituída por “todavia”, sem alterar o sentido da frase;
II. O verbo ir no segundo quadrinho na frase “ela foi ao médico”, apresenta desvio da norma padrão;
III. A palavra “por que” está escrita de forma correta, pois indica uma pergunta, no início de frase, por isso é separado e sem acento;
IV. A regência do verbo querer, no último quadrinho, está correta, pois significa desejar, ter vontade, portanto, o verbo é transitivo direto.
Estão corretas:
Leia com atenção o texto abaixo, de modo a responder às questões de 1 a 6:
Que tempos são esses?
1 __ Os dias estão sombrios. Em todo o planeta, o ódio tem mostrado sua face mais intransigente. E ela parece
2 com a nossa! Isso é o que, de fato, assusta. O poder da morte e da destruição ao alcance da nossa mão. A um
3 click, a uma nota assinada por algum poderoso mandatário...
4 __ No centro de tudo, a Palavra.
5 __ Tenho visto brigas completamente desnecessárias no trânsito, homens e mulheres que dão espaço a uma
6 verdadeira entidade guerreira graças a uma ultrapassagem indevida ou a uma simples buzinada. Jovens e
7 adolescentes que se agridem pelas redes sociais. Políticos que usam o verbo para separar nações, apontar o
8 dedo para cidadãos, enaltecer guerras.
9 __ No centro de tudo, a Palavra.
10 __ Diante dos temores e terrores da nossa época – e de todas as épocas – é a palavra que define o que somos.
11 Na era da disseminação fácil, rápida e aleatória, notícias falsas podem produzir o andamento da história. Ou o
12 contrário dela. Defender uma ideia, mesmo que levemente, pode determinar sua exclusão de um grupo social
13 ou da própria família.
14 __ No centro de tudo, a Palavra.
15 __ A vida está sombria. E aquele que acha graça em uma brincadeira de criança, ou se delicia com um
16 inocente sorvete, é visto com reservas, taxado de desvairado ou desvairada, com certeza falta-lhe um parafuso.
17 __ No centro de tudo, a Palavra.
18 __ Dos livros sagrados, da interpretação do que está escrito nessas obras, sempre em nome de Deus se
19 formam milícias, exércitos, alguém em uma mesquita e atira em uma centena de pessoas. Não sem antes deixar
20 claro em vídeo o que vai em sua mente. Ao vivo. Ou um jovem escreve uma mensagem enigmática e assassina
21 seus antes colegas da sua antiga escola. Pela dor que as palavras produzem em sua alma.
22 __ No centro de tudo, a Palavra.
23 __ Os corações estão sombrios. E é preciso urgentemente que se dê uma nova ordem à ordem social. Que se
24 escancarem os risos, as canções, as histórias encantadas, as lendas... Que venham as fadas, os duendes, elfos,
25 bruxos e bruxas nos ensinarem, novamente, a razão da vida. E que isso não seja um pecado.
26 __ No centro de tudo, a Palavra.
27 __ Mas, como disse o grande escritor e dramaturgo Bertold Brecht, que fez da indignação com as sombras
28 sua bandeira:
29 __ “Que tempos são esses, quando falar sobre flores é quase um crime?”
(Jussara Saraíba, jornalista e contadora de histórias - Rev. Língua Portuguesa, Ed. 76)
Considerando o trecho, a seguir, que finaliza o texto acima, avalie como verdadeiras(V) ou falsas(F) as proposições:
“[...] Que se escancarem os risos, as canções, as histórias encantadas, as lendas... Que venham as fadas, os duendes, elfos, bruxos e bruxas nos ensinarem, novamente, a razão da vida. E que isso não seja um pecado.
Mas, como disse o grande escritor e dramaturgo Bertold Brecht, que fez da indignação com as sombras sua bandeira:
‘Que tempos são esses, quando falar sobre flores é quase um crime?’”
( ) O emprego do conector mas serve para introduzir uma ressalva, em tom irônico, dado que a autora, pressupondo o estranhamento quanto ao conteúdo das informações precedentes, já se adianta admitindo a dificuldade de mudança em tempos de tantos desencantos.
( ) Todas as frases introduzidas pelo item que expressam o desejo da autora de uma mudança no comportamento da sociedade; trata-se de frases exclamativas, ou desiderativas, constituindo-se, pois, como marcas de subjetividade na construção do texto.
( ) Ao encerrar o texto com a indagação feita pelo dramaturgo Bertold Brecht, a autora demonstra conformação com a realidade descrita e, assim, nega a possibilidade de mudança.
A sequência que responde CORRETAMENTE à questão é:
O pensamento a seguir é de autoria do escritor brasileiro Rubem Alves. Analise-o atentamente para responder às próximas questões.
“Somos donos dos nossos atos mas não donos dos nossos sentimentos. Somos culpados pelo que fazemos mas não pelo que sentimos. Podemos prometer atos, mas não podemos prometer sentimentos. Atos são pássaros engaiolados. Sentimentos são pássaros em voo”.
Na primeira frase do parágrafo, o autor afirma que “somos donos dos nossos atos mas não donos dos nossos sentimentos”. Em relação ao termo “somos”, pode-se afirmar que diz respeito:
Leia o texto a seguir para responder às próximas questões.
“Novas tecnologias impressionam exatamente por serem inéditas. Sua primeira versão costuma ser um trambolho que mal funciona. Seu aperfeiçoamento é lento e irregular. Quando finalmente amadurecem, se tornam invisíveis. É exatamente nesse ponto que transformam a vida de quem tem contato com elas”.
(Trecho escrito por Luli Radfahrer, com adaptações).
No trecho em que o autor do texto afirma que é “nesse ponto que transformam a vida de quem tem contato com elas”, o pronome “elas” se refere a:
Leia atentamente o breve poema a seguir, escrito por Millôr Fernandes, para responder às próximas questões.
“Tudo que eu digo, acreditem,
Teria mais solidez
Se, em vez de carioquinha,
Eu fosse um velho chinês”
No terceiro verso do poema, aparece a expressão “em vez de”. Assinale a alternativa que apresenta um termo que poderia substituir essa expressão, sem alterar o seu sentido original.
O parágrafo reproduzido a seguir foi extraído do romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Considere-o para responder às questões seguintes.
“Que me conste, ainda ninguém relatou o seu próprio delírio; faço-o eu, e a ciência mo agradecerá. Se o leitor não é dado à contemplação destes fenômenos mentais, pode saltar o capítulo; vá direto à narração. Mas, por menos curioso que seja, sempre lhe digo que é interessante saber o que se passou na minha cabeça durante uns vinte a trinta minutos”.
No parágrafo selecionado, em determinado momento o narrador afirma o seguinte: “faço-o eu, e a ciência mo agradecerá”. Em relação ao “-o”, que aparece após o verbo “faço”, pode-se dizer que:
Leia este texto para responder às questões de 21 a 28.
“Não faço mais projetos a longo prazo; vou até alguns meses à frente, aos compromissos já marcados [...]”
Nesse fragmento, todos os conectivos poderiam ser colocados após o ponto e vírgula, EXCETO
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
Desumanizado mundo novo
- Vivemos em um mundo repleto de ironias, de contradições, de paradoxos, em um mundo
- confuso e confusamente percebido, como escreveu Milton Santos. Vemos, de um lado, a
- tecnologia se desenvolver em uma velocidade cada vez maior, enquanto nós parecemos ir no
- sentido contrário, em um processo contínuo e acelerado de desumanização. É óbvio que o
- desenvolvimento tecnológico em si não é o causador do problema, mas o progresso humano
- está paulatinamente mais distante do progresso da máquina e das grandes cidades. É como se,
- para que um exista, o outro tenha que ceder espaço de si mesmo, adaptar-se, abnegar-se,
- transformar-se no que não é.
- Por mais que o desenvolvimento da ciência e da tecnologia seja importante e traga
- benefícios para a vida individual e coletiva, é preciso considerar que um mundo de coisas não é
- um mundo de pessoas. Todo “progresso” conseguido através da tecnologia deve servir como
- instrumento para que haja uma melhora na condição humana. Desse modo, caso não seja
- percebido um progresso similar entre o mundo das máquinas e o mundo dos homens, é
- necessário repensar e reorganizar as bases em que tal “desenvolvimento” tem ocorrido.
- Se analisarmos os altos índices (com projeções ainda maiores) de doenças psicológicas,
- perceberemos que as áreas com maior incidência são as grandes cidades, onde a modernidade,
- com todo o seu “progresso” material, consegue se “desenvolver” com maior êxito. Além disso,
- os jovens são o grupo mais afetado, o que não significa que outras pessoas não possam sofrer
- com os mesmos problemas. Esses dados separados podem não ter muito nexo. Contudo, se
- analisados juntos, fazem todo o sentido, já que há uma pressão muito maior sobre as atuais
- gerações para que elas consigam se afirmar e obter sucesso dentro dos parâmetros
- estabelecidos pela sociedade, pautada, evidentemente, pelo consumismo e espetacularização
- de bens que afirmam a magnificência do mundo líquido moderno.
- Com isso, na medida em que o “sucesso” não é atingido, uma vez que nem todos possuem
- os “pré-requisitos” necessários para adentrar no oásis de prazer da sociedade de consumo, nem
- os “talentos” necessários para agradar à plateia do espetáculo permanente, que é a nossa
- sociedade, passa-se a ter sujeitos frustrados, insatisfeitos e desindividualizados, que ao mesmo
- tempo em que não conseguem se encaixar no mundo, não conseguem reconhecer a si próprios.
- Em outras palavras, não há espaço para todos brilharem e/ou nem todos querem, de fato,
- “brilhar”. Logo, muitos acabam ficando no meio do caminho, entre ser um sujeito individual,
- mas desencaixado; ou ser um sujeito despersonalizado, porém ajustado. O preço cobrado por
- sair __ um lugar, mas não chegar __ outro, é ficar perdido da sociedade e, sobretudo, de si
- mesmo.
- Apesar desses casos serem, aparentemente, mais graves, não se deve entender que
- renunciar à própria individualidade em favor do cumprimento de protocolos sociais seja algo
- saudável ou normal. Pelo contrário, é no enquadramento, na subserviência às regras de uma
- sociedade que se apresenta em um temível estado patológico que reside o âmago do problema,
- pois é por meio da conversão de novas ovelhas que a “igreja” expande o seu rebanho e,
- consequentemente, o seu poder.
- É urgente repensar o nosso mundo e declarar a ironia de uma sociedade que transverte o
- fracasso em uma roupa de sucesso e que, ao criar a ilusão de uma sociedade de indivíduos,
- criou uma sociedade de massa, uniforme e prisioneira em um reino de ignorância, indiferença,
- egoísmo e apatia, em que todos, em alguma medida, vivem de forma mecânica, anônima,
- invisível e solitária, distantes de si, distantes do mundo, chorando as lágrimas escassas de
- quem não acredita mais no choro. Estamos todos doentes e precisamos nos curar. Entretanto, a
- cura não está na sanidade de um mundo aparentemente são, mas completamente adoecido, e
- sim na lou(cura) de ser a si mesmo e permitir que os outros também sejam, pois qualquer
- caminho que tomemos deve ter como destino o nosso ser.
Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em https://www.contioutra.com/desumanizado-mundo-novo/. Acesso em 14 mar. 2019.
Qual das seguintes propostas de pontuação no lugar dos parênteses localizados na linha 15 do texto mantém a coerência da mensagem, sem, portanto, truncá-la ou distorcê-la?
A matéria jornalística abaixo exposta, extraída de Veja, 24/04/19, relata um episódio no âmbito da esfera político-econômica, ocorrência que desencadeou uma série de ações num curto intervalo de tempo. Por essa razão, muito importante se faz o domínio quanto ao emprego dos tempos verbais para retratar a trajetória dos fatos. Atente para as formas verbais em destaque no texto, de modo a responder ao que se pede nas questões (14) e (15).
“A quinta-feira 11 foi um marco duplo para o governo de Jair Bolsonaro. Na mesma data em que celebrava seus 100 primeiros dias na Presidência da República, Bolsonaro pôs em risco a imagem de adepto do liberalismo econômico, adotada durante a campanha eleitoral e, em grande parte, responsável por sua eleição. Ocorre que o dia 11 também era a data em que a Petrobras anunciaria o reajuste dos combustíveis, cujo preço permanecia congelado havia quinze dias. Em março, a companhia cedera a um apelo do governo, que pediu que o prazo de aumento do diesel fosse ampliado para pelo menos quinze dias. [...] Na noite da quinta-feira, o presidente da petroleira, Roberto Castelo Branco, estava no aeroporto do Rio de Janeiro, prestes a embarcar para os Estados Unidos, quando recebeu uma ligação do presidente da República. Segundo sua explicação no dia seguinte, no Twiter, Bolsonaro só queria entender como a estatal havia chegado àquele número, que, na repentina condição de conhecedor da matemática dos combustíveis, lhe parecia absurdo, “se comparado à inflação”. [...] Castelo Branco, que passaria a semana no exterior em conversa com investidores, convocou uma reunião de emergência com os diretores. A deliberação foi comandada do aeroporto mesmo, por telefone, e uma decisão saiu em minutos: o reajuste seria suspenso para que se revisitassem todos os cálculos e análises. [...] No fim da ligação, Castelo Branco informou aos diretores que anteciparia a volta ao Brasil para a segunda-feira. Não levou mais de meia hora para que a Petrobras alterasse o preço do diesel em seu site, voltando à cotação antiga. O que se deu a partir daí foi uma espécie de caos, no mercado e no governo [...].
A escolha dos vocábulos também é um fator determinante para a coesão textual. Nessa perspectiva, analise as justificativas apresentadas nas proposições abaixo quanto para o sentido com que foram empregados alguns dos verbos presentes no texto.
I- O verbo HAVER, empregado em: “... o reajuste dos combustíveis, cujo preço permanecia congelado havia quinze dias” tem valor correspondente ao do verbo FAZER na expressão de tempo.
II- O verbo SAIR em: “A deliberação foi comandada do aeroporto mesmo, por telefone, e uma decisão saiu em minutos...” é empregado no sentido de SURGIR, APARECER.
III- O verbo LEVAR em: “Não levou mais de meia hora para que a Petrobras alterasse o preço do diesel em seu site” tem sentido correspondente ao de INCIDIR, CONDUZIR.
IV- O verbo DAR, empregado em: “O que se deu a partir daí foi uma espécie de caos, no mercado e no governo”, tem sentido equivalente ao de ENTREGAR-SE, RENDER-SE”.
É CORRETA a justificativa que se apresenta nas proposições citadas em:
A articulação das informações em um texto se faz por meio de recursos linguísticos diversos. Faça a leitura do excerto da entrevista abaixo transcrito com a historiadora Mary Del Priore, cujo foco é a gratuidade ou não do ensino, atentando para a conexão textual.
O Ministério da Educação defende que a saída está na iniciativa privada. É por aí?
Num país tão injusto quanto o nosso, a educação deveria ser totalmente pública. Mas diante dessa impossibilidade, não discordo da presença da iniciativa privada e penso nos benefícios que a opção trouxe para países como Chile e Coreia do Sul. Ou nas parcerias público-privadas que existem na Holanda. Mas prefiro centrar a resposta nos estilos de gestão que caracterizam os sistemas público e privado. A história demonstra que o ensino público é o único que atinge as classes desfavorecidas. Mas o faz de forma ineficiente e, por vezes, excludente. O setor privado é muito mais eficiente, criativo e flexível, mas está dirigido a quem pode pagar. As características de cada setor deveriam se completar. As bolsas oferecidas pelas privadas têm remediado o problema. Já introduzir dinamismo na gestão pública é bem mais difícil, diante do encruado corporativismo. Sem contar a dificuldade de ter diretores que sejam gestores e não executores de instruções. Já no privado, é fundamental ter um controle rígido e punitivo sobre as universidades caça-níqueis, que roubam e enganam alunos pobres, além de desqualificar o sistema. (Isto É, 24/04/19).A respeito dos vínculos estabelecidos no texto, evidenciam-se diferentes mecanismos de coesão, pois
I- o fato de a educação não ser totalmente pública e o da presença da iniciativa privada são informações retomadas pelas expressões “dessa impossibilidade” (l.1 e 2) e “opção” (l. 2), respectivamente, caracterizando um misto de coesão referencial e lexical.
II- a contraposição entre características atribuídas ao setor privado (l.5), como “ser eficiente” e “restringir-se a quem pode pagar” é sinalizada pela conjunção coordenativa “mas”, que atua como elemento de coesão sequencial.
III- as falhas quanto às gestões pública e privada, no caso, diretores não serem gestores, mas executores de instruções (l.9), e certas universidades roubarem e enganarem alunos (l.10 e 11) são informações introduzidas por orações adjetivas explicativas, cuja marca de coesão referencial é o “que”.
A explicação CORRETA está expressa na(s) proposição(ões) citada(s) na alternativa:
Após a leitura do artigo abaixo, extraído de Veja - 06/03/19, responda às questões 3, 4 e 5:
AS UTIs ESTÃO NA UTI
Faltam vagas, médicos, recursos e medicamentos. O cenário dramático das unidades de terapia intensiva do país faz com que os profissionais muitas vezes tenham de escolher a quem ceder o leito.
A unidade de terapia intensiva é uma estrutura hospitalar caracterizada pela capacidade de atender pacientes em estado grave ou potencialmente grave. Para cumprir sua missão, deve ser dotada de recursos humanos e técnicos de excelência para minimizar o sofrimento das pessoas, aliviar e proporcionar conforto, e sobretudo promover a cura. Com o aumento de expectativa de vida da população e a predominância de doenças crônicas como as principais causas de mortalidade, a necessidade de leitos de UTI hoje é crescente no Brasil, à semelhança da maioria dos países desenvolvidos. A questão é que o cenário da terapia intensiva está muitíssimo aquém das necessidades da população – tanto em números quanto em quantidade.
Estudo recente do Conselho Federal de Medicina demonstrou que menos de 10% dos municípios brasileiros oferecem esse tipo de leito pelo Sistema Único de Saúde (SUS): apenas 532 de 5570 municípios. De acordo com dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, o Brasil tem quase 45000 leitos de UTI. Desses, 49% estão disponíveis para o SUS e 51%, para instituições privadas ou de saúde suplementar. Também chama a atenção a distribuição irregular dos leitos: a Região Sudeste concentra 53,4% do total. A Região Norte tem apenas 5%. A falta de leitos e a baixa qualidade do atendimento em terapia intensiva são constatadas nos dois sistemas de saúde, mas o cenário dramático é mais visível no SUS, pois os hospitais privados têm maior disponibilidade de recursos humanos e tecnológicos, além de melhores instalações físicas.
O dia a dia de um intensivista no Brasil, em especial de um hospital público, é feito de desafios inimagináveis: devemos escolher a quem ceder o leito (o paciente em estado mais grave entre milhares de outros em estado grave); determinar quem é o paciente que deverá receber hemodiálise (pois não há hemodiálise para todos que precisam dela); deixar de administrar o antibiótico adequado (por ele não estar acessível no hospital); ter de utilizar o tratamento menos eficiente; deixar de caminhar com o paciente na UTI pois não há equipe de fisioterapia; restringir a permanência da família ao lado do paciente (Não há infraestrutura para isso); não possibilitar dignidade durante o processo de morte... São muitos nãos. Ao não dispormos de terapias intensivas avançadas, não estamos cumprindo o artigo 196 da nossa constituição – a saúde é direito de todos e dever do Estado – no momento mais difícil que uma família enfrenta [...]
Apresentam-se na sequência versões correspondentes (paráfrases) de excertos extraídos do texto acima, estando ausentes os conectivos que estabelecem relações lógico-semânticas. Preencha as lacunas, considerando o contexto.
I- A necessidade de leitos de UTI hoje é crescente no Brasil, ______________a expectativa de vida da população aumentou e que doenças crônicas, que são as principais causadoras de mortalidade, predominam.
II- O cenário dramático é mais visível no SUS _____________ falta de leitos e a baixa qualidade do atendimento em terapia intensiva sejam constatadas nos dois sistemas de saúde, _______________ os hospitais privados têm maior disponibilidade de recursos humanos e tecnológicos, além de melhores instalações físicas.
III- Não estamos cumprindo o artigo 196 da nossa constituição – a saúde é direito de todos e dever do Estado, ______________ não dispomos de terapias avançadas.
A disposição CORRETA dos conectivos que preenchem as lacunas está na alternativa:
Leia a oração abaixo e assinale a alternativa correta.
Qual palavra preenche a lacuna corretamente, de acordo com a concordância nominal:
Eu sou mais um ___ multidão capitalista.
Leia o fragmento abaixo e assinale qual frase fica correta de acordo com a coerência e coesão:
“Lúcia é uma boa aluna. Lúcia é estudiosa. Lúcia vai à escola todos os dias.”
Texto I
Atividade física pode evitar 10 mil casos
de câncer ao ano no Brasil
Cerca de 10 mil novos casos de câncer, entre eles o de mama e o de cólon, poderiam ser evitados no Brasil se houvesse mais adesão à prática da atividade física entre a população Os resultados fazem parte de uma pesquisa feita no Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), em parceria com a Universidade de Harvard, a Universidade de Cambridge e a Universidade de Queensland. Um artigo sobre o assunto foi publicado na revista científica internacional Cancer Epidemiology em julho de 2018.
Os dados sobre a falta de atividade física da população brasileira são alarmantes A última pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2013, mostra que aproximadamente metade das pessoas sequer atingiu a recomendação mínima preconizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a prática por semana, ou seja, 150 minutos de atividade moderada ou 75 minutos em ritmo mais intenso.
As mulheres estão em desvantagem em relação aos homens. É maior o número de mulheres que não se exercitam, cerca de 51 %, enquanto os homens, é de 43%.
O de mama e o de cólon são os cânceres mais comuns e que poderiam ser evitados caso houvesse a prática regular de atividade física entre a população, segundo Leandro Fórnias Machado Rezende, um dos autores da pesquisa.
A prática regular da atividade física influencia no controle de peso e no nível de gordura, além de atuar diretamente sobre hormônios e marcadores inflamatórios. A falta dela aumenta o risco de incidência de alguns tipos de câncer, principalmente os que foram objetos de estudo, o de mama e o de cólon. A pesquisa trouxe mais detalhes sobre o assunto: os pesquisadores concluíram que até 8.600 casos de câncer em mulheres e 1. 700 casos de câncer em homens poderiam ter sido evitados simplesmente com o aumento dos exercícios semanais. Conforme afirma Rezende, esses casos correspondem a 19% da incidência de câncer de cólon e 12% de câncer de mama no Brasil.
De acordo com Rezende, os pesquisadores que trabalharam nesse estudo acreditam que os números possivelmente podem estar subestimados, já que há estudos recentes sugerindo uma possível relação de atividade física com a redução do risco de até 13 tipos de câncer.
(Por Redação - Editorias: Ciências da Saúde - URL Curta: jornal.usp.brnp=184111)
Disponível em >https://iornal.usp.br/ciencias/ciencias-da-saude/ atividade-física-pode-evitar-10-mil-casos-de-cancer-ao-ano-no-brasil/. Acesso em 18/05/2019. Adaptado.
Na frase “A falta dela aumenta o risco de incidência de alguns tipos de câncer” (5º parágrafo), o pronome em destaque refere-se a:
Leia a crônica a seguir, escrita por Rubem Alves, para responder às próximas questões.
“Era uma vez um jovem que amava xadrez. Sua vocação era o xadrez. Jogar xadrez lhe dava grande prazer. Queria passar a vida jogando xadrez. Nada mais lhe interessava. Só conversava sobre xadrez. Quando era apresentado a uma pessoa sua primeira pergunta era: Você joga xadrez? Se a pessoa dizia que não ele imediatamente se despedia. Não conseguia ter namoradas porque seu único assunto era xadrez. Na verdade ele não queria namoradas. Queria adversárias no xadrez. Jogava o tal jogo de maneira fantástica. Especializou-se. De fato, sabia tudo sobre o mundo do xadrez. Mas o preço que pagou é que perdeu tudo sobre o mundo da vida”.
(Com adaptações)
Nas primeiras frases do texto, a repetição da palavra “xadrez” serve para:
TEXTO 1
EDUCAÇÃO E RESSOCIALIZAÇÃO
Estímulo ao estudo é política de segurança pública
- Além de abranger a necessidade de efetiva punição por crimes cometidos, qualquer debate sobre segurança
- pública deve perpassar a reinserção social dos presos após o cumprimento da pena. Diante da criminalidade
- endêmica, refletir sobre o destino dos egressos do sistema carcerário é imprescindível à quebra de um ciclo
- de delinquência, no qual a reincidência se mostra, muitas vezes, inevitável ao ex-detento.
- Atentos a essa realidade, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF) têm
- buscado soluções adequadas ao problema, pautando suas iniciativas e julgados nessa direção. Tal postura, por
- óbvio, não significa o abrandamento descuidado do regime prisional, mas o apreço por uma política responsável, em
- prol da mudança de comportamento do detento. A ressocialização por meio da educação é essencial à reinserção
- dos condenados na comunidade e à contenção da elevadíssima taxa de reentrada nos presídios.
- Levantamento do Conselho Nacional de Justiça de 2018 revelou que quase 85% dos presos têm ensino médio
- incompleto. Destes, cerca de 26% não têm sequer o fundamental. Apesar da baixa escolaridade, apenas 12% deles
- estudavam em 2016. Esses dados evidenciam o imenso potencial de atuação do Estado e refletem uma triste
- realidade: a maioria dos egressos do sistema penal retorna ao convívio social sem qualquer qualificação profissional.
- Diversas normas garantem ao detento o direito à educação. Muitas conferem a redução da pena pela
- formação em cursos e até pela leitura. Pela Lei de Execução Penal, a cada 12 horas na escola, o detento deve ter sua
- pena decotada em um dia. Se há conclusão do ensino fundamental, médio ou superior, o desconto cresce em um
- terço.
- Para dar concretude a esse direito, o CNJ tem orientado os tribunais a implementarem medidas de estímulo
- efetivo ao estudo, a partir de atividades regulares e complementares, de cunho cultural, esportivo e de capacitação
- profissional. A resolução nº 44/2013 possibilita a diminuição da pena por meio de estudo por conta própria, atestado
- pela aprovação em exames que comprovem a conclusão do ensino fundamental ou médio.
- Entretanto, a dura realidade do sistema prisional brasileiro chama o magistrado à responsabilidade de, ao
- julgar o caso concreto, atentar-se à mensagem do Judiciário aos internos e à sociedade. É fundamental garantir que,
- dentro da lei e de forma proporcional, haja verdadeiros estímulos ao preso para buscar a educação formal.
- (...)
- A despeito do grande avanço promovido pela resolução nº 44/2013, não se afasta a capacidade de o
- magistrado, atento ao caso concreto e com base em fundamentos idôneos, concluir em sentido diverso. (...)
- A valorização de medidas socioeducativas no sistema prisional mostra-se relevante não apenas como forma
- de reconhecer os evidentes esforços do interno, mas também para garantir a reintegração do preso à sociedade. É
- fundamental definir incentivos adequados a todos aqueles que buscam, na educação, um caminho diferente do até
- então trilhado. Essa postura gera reflexos positivos na redução da reincidência e na construção de um sistema
- criminal mais eficiente.
Gilmar Mendes -Ministro do Supremo Tribunal Federal desde 2002 e ex-presidente da corte (2008-2010).
Disponível em: < https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2019/06/educacao-e-ressocializacao.shtml>
Acesso em: 30/6/2019. (Adaptado).
Em relação à coesão textual, o pronome esse (e variações) é empregado para retomar informações já apresentadas no texto. Considerando tais informações, analise as proposições abaixo:
I – “Atentos a essa realidade” (linha 5). A expressão destacada refere-se à CRIMINALIDADE ENDÊMICA.
II – “Para dar concretude a esse direito” (linha 18). A expressão destacada refere-se à DIREITO À EDUCAÇÃO.
III – “pautando suas iniciativas e julgados nessa direção” (linha 6). A expressão destacada refere-se à REINSERÇÃO SOCIAL DOS PRESOS APÓS O CUMPRIMENTO DA PENA.
IV – “Essa postura gera reflexos positivos na redução da reincidência” (linha 31). A expressão refere-se à REINTEGRAÇÃO DO PRESO À SOCIEDADE.
Assinale a alternativa CORRETA:
A SEREIA DOS PENSADORES
O fascínio pelo poder é uma armadilha para os intelectuais.
Platão, na República, imaginou como seria um Estado governado exclusivamente pelos sábios: somente os iluminados pela Razão poderiam adentrar os círculos do poder, e o resto da sociedade deveria obedecer à aristocracia intelectual. Nessa obra exuberante, a utopia da intelligentsia conduz o gênero humano à prosperidade eterna: o mundo real, no entanto, foi menos gentil com o platonismo.
No século V a.C., Dionísio I, governante de Siracusa, convidou o filósofo ateniense a tornar-se seu conselheiro Déspota refinado, Dionísio apreciava cercar-se de poetas e pensadores (não foi o primeiro nem o último tirano a cultivar mascotes eruditas). Platão, contudo, insistiu em aplicar suas ideias ao governo da cidade-Estado. Segundo o historiador Diogénes Laércio, Dionísio acabou se irritando com suas censuras e ordenou que Platão fosse vendido como escravo. O grande pensador foi parar em um mercado na Ilha de Egina, é entre prisioneiros de guerra. Por sorte, um benfeitor o reconheceu, comprou-o e o mandou de volta a Atenas. Diógenes Laércio calcula que o preço da transação tenha sido uns 200 dracmas.
Embora Platão tivesse inclinações autoritárias (como bem demonstra a leitura da República), sua aproximação ao poder não se deu por ambição pessoal, mas por uma espécie de pudor. Em uma carta, assim justificou seu envolvimento com o governo de Siracusa: “Eu o fiz, principalmente, por um sentimento de vergonha em relação a mim mesmo; não queria que a humanidade me considerasse um homem somente dedicado às palavras e incapaz de agir.”.
Eu detestaria viver na República de Platão — lugar onde poetas e escultores seriam banidos, e onde a única música permitida seriam canções de ninar e marchinha militares. Mesmo assim, há algo de admirável na tentativa de aprimorar o mundo coma força das ideias.
Ao longo dos tempos, contudo, a relação dos grandes intelectuais com o poder político nem sempre obedeceu a motivos tão nobres. À vaidade ilustrada levou muitas mentes agudas a se associarem a regimes nefastos: a sensação de moldar a história em tempo real exerce efeito tóxico sobre mentes acostumadas à abstração.
Esse ópio não age apenas sob governos totalitários: mesmo em sociedades democráticas o fascínio pelo poder é uma armadilha que pode arrastar ou embotar os mais argutos intelectos.
Antípoda de Platão, Heráclito (540-470 a.c.) foi o protótipo do intelectual desengajado. Quando os habitantes de Corinto o convidaram a redigir as leis da cidade, respondeu: ''Prefiro brincar com crianças a ajudar esses perversos a governar a república''. Não proponho que Heráclito nos sirva de modelo, e espero que um dia os sábios governem o mundo. Mas quem traçará a linha precisa entre os sábios e os tolos? Antes a sereia do poder, é salutar que os seres ''dedicados ás palavras'' nem fujam nem se deslumbrem; que mantenham uma certa rabugice, uma certa desconfiança, um certo pudor, enfim. Pois, como diz o adágio, o poder corrompe - e a corrupção da sabedoria não é inatividade, mas a loucura.
(BOTELHO, José Francisco. Revista Veja: 3 de julho de 2019. p. 95)
O excerto “No século V a.C., Dionísio I, governante de Siracusa, convidou o filósofo ateniense a tornar-se seu conselheiro.” deve ser utilizado para responder as questões 7 e 8.
Ao empregar o termo filósofo ateniense, o articulista fez uso:
Leia o Texto 1 para responder às questões de 01 a 11.
Texto 1
Uma breve história da conquista espacial
Na imaginação humana, a conquista do espaço exterior deve ter começado na pré-história, com a contemplação do céu. Dezenas de milhares de anos mais tarde, já na antiguidade histórica, alguns povos civilizados aprenderam a descrever e prever com admirável precisão o movimento aparente dos astros na abóbada celeste. Entretanto, até a Idade Moderna o Universo permaneceu inteiramente misterioso. Os bandeirantes já tinham desbravado o interior do Brasil quando, finalmente, na Europa, foram descobertas leis físicas capazes de explicar os movimentos dos corpos celestes (entre os quais a própria Terra). Ficou demonstrado que os objetos materiais com que convivemos na superfície da Terra estão sujeitos a essas mesmas leis. A partir dessa época o conhecimento científico da Natureza vem se acumulando. O espaço exterior deixou de ser inacessível. Todavia a cada nova descoberta a humanidade constata que o mistério do Universo é maior e mais fascinante do que antes se imaginava. Há trezentos anos, no fim do século XVII, um hipotético discípulo de Isaac Newton já teria conhecimentos de física suficientes para analisar a dinâmica de voo de uma nave espacial. Poderia até fazer uma estimativa da propulsão necessária ao lançamento. Seus cálculos demonstrariam que construir uma tal nave e lançá-la ao espaço estava completamente fora do alcance da tecnologia então disponível. De fato, não é nada fácil acelerar um objeto às enormes velocidades que possibilitam iniciar um voo espacial a partir da superfície da Terra. A propósito, naquela época só faria sentido explorar o espaço com naves tripuladas, as quais pesariam toneladas e teriam de ser capazes de trazer os astronautas, vivos, de volta para casa. Não havia outra forma de tirar proveito da experiência. As comunicações pelo rádio só seriam inventadas duzentos anos mais tarde, no fim do século XIX, e equipamentos automáticos capazes de substituir o ser humano na exploração do espaço só se tornariam realidade em pleno século XX. Por tudo isso, até 1957 as viagens espaciais foram apenas um sonho, que se expressava na ficção literária. Entre os pioneiros de estudos e experimentos em astronáutica merecem destaque Konstantin E. Tsiolkovsky, Robert H. Goddard e Hermann Oberth. Trabalhando independentemente, quase sempre com poucos recursos, eles resolveram problemas de engenharia e demonstraram que foguetes de propulsão química poderiam um dia levar cargas úteis ao espaço. Em geral seus trabalhos foram mal compreendidos e receberam pouco apoio. A possibilidade concreta de uso militar dos foguetes é que levou os governos da Alemanha, da URSS e dos EUA, a partir de um dado momento, a apreciar e aproveitar os resultados obtidos por esses pioneiros. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha investiu no desenvolvimento de foguetes de propelentes líquidos para transportar “bombas voadoras”. Até o fim da guerra, Oberth trabalhou com Wernher Von Braun e uma equipe de especialistas na base de Peenemünde. Depois da guerra, os EUA e a URSS aproveitaram a experiência dos alemães em seus programas de armamentos, cujos foguetes oportunamente também se prestariam à exploração do espaço. O lançamento do primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik 1, a 4 de outubro de 1957, marca o início da Era Espacial. Era uma esfera de alumínio de 58 cm de diâmetro e 84 kg de massa, com instrumentos rudimentares e um transmissor de rádio. Entrou em órbita elíptica entre 230 e 942 km de altura. Um mês depois a URSS pôs em órbita o segundo Sputnik, de meia tonelada, com uma cadela a bordo, usando um foguete com empuxo de centenas de toneladas. O primeiro satélite lançado pelos EUA com sucesso foi o pequeno Explorer 1, de 8 kg, em 31 de janeiro de 1958. A vida útil desses primeiros satélites em geral não passava de poucas semanas. A URSS atingiu a Lua com uma sonda de impacto (Luna 2) em setembro de 1959. No mês seguinte, com a Luna 3, obteve imagens da face da Lua que nunca é vista da Terra. Em 1960 os EUA lançaram um satélite meteorológico (Tiros 1), um satélite de navegação (Transit 1B) e um satélite passivo de comunicações (Echo 1). Este último era um enorme balão esférico inflado no espaço para refletir as ondas de rádio. Ao findar aquele ano já tinham entrado em órbita 44 satélites. Impulsionada pela Guerra Fria, a corrida espacial entre as duas superpotências começava a gerar resultados científicos importantes, como a descoberta dos cinturões de radiação que circundam nosso planeta. Por alguns anos a URSS e os EUA foram os únicos países capazes de explorar o espaço. Aos demais faltava a capacidade de lançamento. O desenvolvimento de grandes foguetes guiados, custoso e incerto, estava então intimamente ligado à necessidade de produzir mísseis balísticos de longo alcance. A URSS, por esforço próprio, inspirada na tradição de parcerias estratégicas e aproveitando alguns técnicos e materiais capturados da Alemanha em 1945, foi a primeira a produzir foguetes de grande empuxo, que lhe deram clara vantagem até meados da década de sessenta. Os EUA dispunham de amplos recursos econômicos e tecnológicos, tinham experiência própria graças ao trabalho de Goddard, e contavam com os melhores especialistas de Peenemünde. Entretanto, em boa parte devido a problemas organizacionais, ficaram a reboque da URSS no início da corrida espacial. Até o lançamento do Sputnik 1 a perspectiva da exploração do espaço não empolgara a opinião pública nos EUA, onde o assunto era visto em setores do governo como uma disputa entre grupos rivais do Exército, Marinha e Força Aérea. O impacto causado pelo sucesso dos soviéticos levou os EUA a uma reação rápida e exemplar: houve uma autocrítica implacável, cresceu a demanda popular por resultados imediatos e o governo entendeu que precisava se reorganizar. O “efeito Sputnik”, além de diligenciar a criação da NASA, agência espacial constituída com base nos centros de pesquisa e equipes técnicas já disponíveis, desencadeou um processo de mudanças no sistema educacional. Em todo o país houve um esforço para ampliar e melhorar o ensino de matemática e ciências nas escolas. A corrida espacial marcou presença até nos jardins de infância norte-americanos, onde muitas crianças aprenderam primeiro a contar na ordem regressiva, como nos lançamentos: 10, 9, 8, ...
CARLEIAL, A. B. Uma breve história da conquista espacial. Parcerias estratégicas. V. 4. n. 7, 1999. Disponível em: . Acesso em: 15 jan. 2019. (Adaptado)
Considerando-se o processo coesivo do texto, a expressão “a propósito”, no trecho “A propósito, naquela época só faria sentido explorar o espaço com naves tripuladas”,
Assinale a alternativa em que o conector em destaque não equivale ao conector indicado nos parênteses e não pode ser substituído por esse termo, por gerar alteração de sentido no período.