Questões de Concurso Comentadas sobre coesão e coerência em português

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Q4207308 Português

Analise as afirmações a respeito da coesão textual.



I- Quando o referente precede o item coesivo, tem-se a catáfora, como ocorre em “Ele tinha uma grande qualidade: a paciência”.


II- Diz-se referência exofórica quando o referente está fora do texto; diz-se referência endofórica quando o referente encontra-se expresso no próprio texto.


III- No exemplo “Mariana chegou cedo, pois ela tem muito serviço” temos um caso de referência exofórica do tipo anáfora mediante o emprego do pronome pessoal de terceira pessoa.


IV- No exemplo “Mariana chegou cedo, pois ela tem muito serviço” temos um caso de substituição lexical e não gramatical.


V- Os elementos de referência são aqueles que remetem a outros itens do discurso.



É CORRETO o que se afirma apenas em:

Alternativas
Q4207117 Português
Por que as gaivotas roubam comida?

Por Marlene Zuk



(Disponível em: https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2026/03/por-que-as-gaivotas-roubam- comida-cientistas-fizeram-um-experimento-com-batatas-fritas-para-descobrir – texto adaptado especialmente para esta prova). 
No trecho “Muitas gaivotas são o que chamamos de cleptoparasitas, animais que roubam comida de outros indivíduos, sejam da mesma espécie ou de espécies diferentes”, o verbo “sejam” refere-se a: 
Alternativas
Q4206365 Português

Leia o Texto I para responder à questão:


Texto I



O governo agora é obrigado a escrever bem. Por lei.



O que não significa, é claro, que os jargões e o juridiquês vão desaparecer do setor público brasileiro da noite para o dia. Entenda as origens psicológicas e históricas da má comunicação.



    Em novembro de 2025, o governo federal aprovou a Política Nacional de Linguagem Simples. Ela obriga os órgãos públicos a escrever de maneira clara e concisa em formulários, contratos, portais de internet, apps e outros textos que o cidadão precisa entender para, por exemplo, marcar um exame no SUS, matricular uma criança na escola ou pagar a conta de luz. A norma recomenda evitar termos estrangeiros que não sejam de uso corrente, começar os textos com a informação mais importante, sem enrolação, e preferir a voz ativa (por exemplo: “Collor confiscou as poupanças” em vez de “as poupanças foram confiscadas por Collor”). Outras orientações são escolher palavras comuns, de uso cotidiano, evitar jargões e juridiquês e redigir frases curtas, em ordem direta: opte por “as margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico” em vez do original “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas / De um povo heroico o brado retumbante”.

    Uma máquina pública que se expressa com clareza é um pré-requisito para uma democracia saudável. 29% da população brasileira acima de 15 anos é analfabeta funcional: até sabe ler e escrever, mas não consegue, de fato, interpretar um texto.

    Mundo afora, há esforços parecidos. Em junho de 2023, a Organização Internacional de Normalização (ISO) – aquela que emite a certificação ISO 9001 – publicou a primeira norma internacional de Linguagem Simples. A Colômbia aprovou sua legislação sobre o tema em 2014. Nos EUA, em que uma norma desse tipo vigora desde 2010, uma ONG chamada Centro para Linguagem Simples organiza um concurso anual de redação em repartições públicas.

    Infelizmente, tudo que esses conselhos têm de velhos eles têm de ignorados. Só nos EUA, falhas de comunicação custam US$ 1,2 trilhão por ano às empresas. Em um levantamento com 251 gestores, eles estimaram que suas equipes perdem, em média, 7,47 horas por semana por causa de falhas de comunicação. Um outro estudo, feito no Reino Unido, concluiu que o trabalhador médio torra cinco horas por semana esclarecendo o conteúdo de e-mails e mensagens. Uma enquete com 547 empresários revelou que 54% se incomodam com os jargões em suas leituras cotidianas.

    O que torna esses dados preocupantes é que, em geral, ninguém escreve com o objetivo de não se fazer entender. Se todo mundo tenta ser claro, por que existem textos ruins por toda parte? A resposta tem duas camadas. A primeira é psicológica: nós temos vieses cognitivos – bugs de percepção e raciocínio – que nos tornam propensos a escrever mal. Asegunda é social: como o vizir egípcio já sabia, falar “bonito” e rebuscado é uma forma de a elite se diferenciar do povo, e esse preconceito deixou uma herança estilística.

    Nem só de boas intenções, porém, nascem os textos ruins. Às vezes, eles são herméticos por escolha. Vide o Hino Nacional, já citado acima. A letra é obra de Osório Duque-Estrada, um poeta parnasiano e bacharel de Direito da USP. Ele pertencia à elite que fundou a República – e era o tipo de brasileiro que, no começo do século 20, escrevia rebuscado de propósito. Em 1907, quando mais de 70% da população brasileira era analfabeta, Osório se opôs a uma reforma ortográfica que ajudaria no ensino do português dizendo que “a corrente erudita há de reagir sempre contra o elemento popular e inconsciente e perturbador da pureza e das boas normas da linguagem”.

    Diante de um histórico desses, é uma boa não depositar muitas esperanças na Lei Nacional de Linguagem Simples. Ela é um texto, não um milagre. Eliminar os vícios de linguagem do governo brasileiro exigiria uma equipe de redatores grande, caríssima e com paciência essencialmente infinita para dialogar com todos os burocratas. Porém, o simples fato de que essa norma existe é um passo na direção certa. Com algumas décadas de incentivo à boa escrita em Brasília, talvez seja possível espantar o fantasma parnasiano. E tornar o Brasil mais democrático não só na prática, mas também no discurso.



Fonte: VAIANO, Bruno. Superinteressante. 15 de maio de 2026. Página 6. Disponível em: https://www.pressreader.com/brazil/superinteressante/20260515/page/6 . Acesso em: 11 jun. 2026 [Adaptado]. 

Analise as alternativas e assinale a CORRETA acerca das relações coesivas observadas no Texto I. 
Alternativas
Q4206020 Português
Para responder à questão, Ieia o texto abaixo.


Proporção de crianças com celular cai; privacidade e segurança são os motivos mais citados


   A preocupação com a privacidade e a segurança se consolidou como principal motivo para evitar que crianças e adolescentes tenham telefone celular. É o que mostra o modulo temático sobre tecnologia da informação e comunicação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgado no dia 02 de julho de 2026, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

   No ano passado, a proporção de crianças de 10 a 13 anos que tinham o aparelho caiu pela primeira vez, desde que a pesquisa começou a ser feita em 2016. O IBGE identificou que 55,2% dos brasileiros nessa faixa etária tinham celular, um recuo de 1,5 ponto percentual na comparação com 2024. A principal explicação para essa queda pode estar entre aqueles que ainda não têm celular. O motivo mais alegado foi a preocupação com a privacidade e a segurança, indicada por 32% dos responsáveis, 7,8 pontos percentuais a mais do que em 2024. A série histórica mostra ainda que essa proporção quase dobrou desde 2022. Naquele ano, o principal motivo alegado pelos pais para que os filhos dessa faixa etária não tivessem celular era o preço elevado do aparelho, seguido pela falta de necessidade e pelo fato de que essas crianças já usavam o celular de outra pessoa. A preocupação com segurança e privacidade aparecia apenas em quarto lugar.

   O analista do IBGE Gustavo Fontes destaca ainda que o grupo de 10 a 13 anos foi o único que registrou queda na posse de celular em 2025. Nas outras faixas etárias, o crescimento se manteve, fazendo com que esse uso alcançasse 89,8% da população em geral.

   "A gente tem visto cada vez mais uma preocupação com a segurança das crianças, com a exposição delas nas redes sociais, por exemplo. A gente teve também em 2025 uma restrição ao uso de celulares nas escolas", avalia Fontes.

  Outro dado da pesquisa que fortalece essa avaliação é a ligeira queda no acesso à internet nessa faixa etária, independentemente do aparelho utilizado, de 84,9% para 84,4%. Entre as crianças que se mantêm desconectadas, o principal motivo alegado é a falta de necessidade, mas a preocupação com privacidade e segurança aparece em segundo lugar.

   Novamente, este foi o único grupo etário a registrar queda, mas a pesquisa também identificou uma estabilidade entre os adolescentes de 14 a 19 anos. Considerando a população geral, o uso da internet subiu de 89,2%o para 90,5%.


Fonte: https://agenciabrasrl.ebc.com br/direitos-humanos/noticia/2026- 07 /proporcao-de-criancas-com-celular-cai-seguranca-e-motivo-mais - citado (adaptado).
No trecho do primeiro parágrafo, É o que mostra o módulo temático..., a expressão sublinhada funciona sintaticamente como um mecanismo de: 
Alternativas
Q4206016 Português
Para responder à questão, Ieia o texto abaixo.


Proporção de crianças com celular cai; privacidade e segurança são os motivos mais citados


   A preocupação com a privacidade e a segurança se consolidou como principal motivo para evitar que crianças e adolescentes tenham telefone celular. É o que mostra o modulo temático sobre tecnologia da informação e comunicação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgado no dia 02 de julho de 2026, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

   No ano passado, a proporção de crianças de 10 a 13 anos que tinham o aparelho caiu pela primeira vez, desde que a pesquisa começou a ser feita em 2016. O IBGE identificou que 55,2% dos brasileiros nessa faixa etária tinham celular, um recuo de 1,5 ponto percentual na comparação com 2024. A principal explicação para essa queda pode estar entre aqueles que ainda não têm celular. O motivo mais alegado foi a preocupação com a privacidade e a segurança, indicada por 32% dos responsáveis, 7,8 pontos percentuais a mais do que em 2024. A série histórica mostra ainda que essa proporção quase dobrou desde 2022. Naquele ano, o principal motivo alegado pelos pais para que os filhos dessa faixa etária não tivessem celular era o preço elevado do aparelho, seguido pela falta de necessidade e pelo fato de que essas crianças já usavam o celular de outra pessoa. A preocupação com segurança e privacidade aparecia apenas em quarto lugar.

   O analista do IBGE Gustavo Fontes destaca ainda que o grupo de 10 a 13 anos foi o único que registrou queda na posse de celular em 2025. Nas outras faixas etárias, o crescimento se manteve, fazendo com que esse uso alcançasse 89,8% da população em geral.

   "A gente tem visto cada vez mais uma preocupação com a segurança das crianças, com a exposição delas nas redes sociais, por exemplo. A gente teve também em 2025 uma restrição ao uso de celulares nas escolas", avalia Fontes.

  Outro dado da pesquisa que fortalece essa avaliação é a ligeira queda no acesso à internet nessa faixa etária, independentemente do aparelho utilizado, de 84,9% para 84,4%. Entre as crianças que se mantêm desconectadas, o principal motivo alegado é a falta de necessidade, mas a preocupação com privacidade e segurança aparece em segundo lugar.

   Novamente, este foi o único grupo etário a registrar queda, mas a pesquisa também identificou uma estabilidade entre os adolescentes de 14 a 19 anos. Considerando a população geral, o uso da internet subiu de 89,2%o para 90,5%.


Fonte: https://agenciabrasrl.ebc.com br/direitos-humanos/noticia/2026- 07 /proporcao-de-criancas-com-celular-cai-seguranca-e-motivo-mais - citado (adaptado).
No período do sexto parágrafo, Novamente, este foi o único grupo etário a registrar queda..., o pronome demonstrativo sublinhado exerce papel coesivo anafórico. Esse pronome retoma diretamente a seguinte informação do parágrafo anterior:
Alternativas
Q4206014 Português
Para responder à questão, Ieia o texto abaixo.


Proporção de crianças com celular cai; privacidade e segurança são os motivos mais citados


   A preocupação com a privacidade e a segurança se consolidou como principal motivo para evitar que crianças e adolescentes tenham telefone celular. É o que mostra o modulo temático sobre tecnologia da informação e comunicação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgado no dia 02 de julho de 2026, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

   No ano passado, a proporção de crianças de 10 a 13 anos que tinham o aparelho caiu pela primeira vez, desde que a pesquisa começou a ser feita em 2016. O IBGE identificou que 55,2% dos brasileiros nessa faixa etária tinham celular, um recuo de 1,5 ponto percentual na comparação com 2024. A principal explicação para essa queda pode estar entre aqueles que ainda não têm celular. O motivo mais alegado foi a preocupação com a privacidade e a segurança, indicada por 32% dos responsáveis, 7,8 pontos percentuais a mais do que em 2024. A série histórica mostra ainda que essa proporção quase dobrou desde 2022. Naquele ano, o principal motivo alegado pelos pais para que os filhos dessa faixa etária não tivessem celular era o preço elevado do aparelho, seguido pela falta de necessidade e pelo fato de que essas crianças já usavam o celular de outra pessoa. A preocupação com segurança e privacidade aparecia apenas em quarto lugar.

   O analista do IBGE Gustavo Fontes destaca ainda que o grupo de 10 a 13 anos foi o único que registrou queda na posse de celular em 2025. Nas outras faixas etárias, o crescimento se manteve, fazendo com que esse uso alcançasse 89,8% da população em geral.

   "A gente tem visto cada vez mais uma preocupação com a segurança das crianças, com a exposição delas nas redes sociais, por exemplo. A gente teve também em 2025 uma restrição ao uso de celulares nas escolas", avalia Fontes.

  Outro dado da pesquisa que fortalece essa avaliação é a ligeira queda no acesso à internet nessa faixa etária, independentemente do aparelho utilizado, de 84,9% para 84,4%. Entre as crianças que se mantêm desconectadas, o principal motivo alegado é a falta de necessidade, mas a preocupação com privacidade e segurança aparece em segundo lugar.

   Novamente, este foi o único grupo etário a registrar queda, mas a pesquisa também identificou uma estabilidade entre os adolescentes de 14 a 19 anos. Considerando a população geral, o uso da internet subiu de 89,2%o para 90,5%.


Fonte: https://agenciabrasrl.ebc.com br/direitos-humanos/noticia/2026- 07 /proporcao-de-criancas-com-celular-cai-seguranca-e-motivo-mais - citado (adaptado).
No quarto parágrafo, a declaração de Gustavo Fontes estabelece uma relação de complementaridade com os dados estatísticos ao:
Alternativas
Q4206013 Português
Para responder à questão, Ieia o texto abaixo.


Proporção de crianças com celular cai; privacidade e segurança são os motivos mais citados


   A preocupação com a privacidade e a segurança se consolidou como principal motivo para evitar que crianças e adolescentes tenham telefone celular. É o que mostra o modulo temático sobre tecnologia da informação e comunicação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgado no dia 02 de julho de 2026, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

   No ano passado, a proporção de crianças de 10 a 13 anos que tinham o aparelho caiu pela primeira vez, desde que a pesquisa começou a ser feita em 2016. O IBGE identificou que 55,2% dos brasileiros nessa faixa etária tinham celular, um recuo de 1,5 ponto percentual na comparação com 2024. A principal explicação para essa queda pode estar entre aqueles que ainda não têm celular. O motivo mais alegado foi a preocupação com a privacidade e a segurança, indicada por 32% dos responsáveis, 7,8 pontos percentuais a mais do que em 2024. A série histórica mostra ainda que essa proporção quase dobrou desde 2022. Naquele ano, o principal motivo alegado pelos pais para que os filhos dessa faixa etária não tivessem celular era o preço elevado do aparelho, seguido pela falta de necessidade e pelo fato de que essas crianças já usavam o celular de outra pessoa. A preocupação com segurança e privacidade aparecia apenas em quarto lugar.

   O analista do IBGE Gustavo Fontes destaca ainda que o grupo de 10 a 13 anos foi o único que registrou queda na posse de celular em 2025. Nas outras faixas etárias, o crescimento se manteve, fazendo com que esse uso alcançasse 89,8% da população em geral.

   "A gente tem visto cada vez mais uma preocupação com a segurança das crianças, com a exposição delas nas redes sociais, por exemplo. A gente teve também em 2025 uma restrição ao uso de celulares nas escolas", avalia Fontes.

  Outro dado da pesquisa que fortalece essa avaliação é a ligeira queda no acesso à internet nessa faixa etária, independentemente do aparelho utilizado, de 84,9% para 84,4%. Entre as crianças que se mantêm desconectadas, o principal motivo alegado é a falta de necessidade, mas a preocupação com privacidade e segurança aparece em segundo lugar.

   Novamente, este foi o único grupo etário a registrar queda, mas a pesquisa também identificou uma estabilidade entre os adolescentes de 14 a 19 anos. Considerando a população geral, o uso da internet subiu de 89,2%o para 90,5%.


Fonte: https://agenciabrasrl.ebc.com br/direitos-humanos/noticia/2026- 07 /proporcao-de-criancas-com-celular-cai-seguranca-e-motivo-mais - citado (adaptado).
No segundo parágrafo, o trecho A preocupação com segurança e privacidade aparecia apenas em quarto lugar se refere aos dados de 2022 comparados aos dados de 2025. Diante disso, esse trecho carrega o seguinte pressuposto: 
Alternativas
Q4203520 Português
Eu completava 11 anos esquecida bem no meio de janeiro – o que quer dizer que talvez eu faça doze anos enquanto escrevo esse livro [01] –, ajudando minha mãe na loja de velhos. Gosto de chamar de Loja de Velhos porque parece que vendemos velhos.

Com o tempo, comecei a acreditar que isso é verdade, porque os velhinhos precisam de uma porção de coisas que já fazem parte do nosso corpo, e parece que, peça por peça, estamos vendendo velhinhos inteiros. As pessoas vão lá e pedem coisas que eu nem imaginava que alguém poderia precisar, e eu vou procurar lá em cima, em caixas com etiquetas mais ou menos em ordem alfabética. Às vezes volto para confirmar, peço para soletrarem, e acontece de simplesmente não ter, e minha mãe fica com um pouco de raiva do cliente, como se fosse culpa dele que um parente precisasse de uma coisa tão absurda. Meu aniversário caiu na terceira segunda-feira do ano. Eu li na internet que esse é o dia mais triste do ano. Todos sérios nas ruas lamentando o calor, a semana, o ano que começa, já sem qualquer esperança de Natal, ou promessa de ano-novo, e ainda longe do carnaval.

Minha mãe passou o dia sentada na frente do ventilador, abrindo e fechando um livro que eu emprestei e ela adiava desde o ano anterior, e mexendo num cacho do cabelo da frente que ela gosta de enfiar por dentro do brinco gigante de argola. Quase nenhum cliente veio, e os poucos que apareceram buscaram coisas que não tínhamos, ou não gostaram da minha explicação sobre o andador dobrável – nosso funcionário sempre tira férias em janeiro, já que eu posso ficar pra ajudar.

CARRARA, Mariana Salomão. Se deus me chamar não vou. 2ª ed. São Paulo: Editora Nós, 2024
No período “Às vezes volto para confirmar, peço para soletrarem, e acontece de simplesmente não ter, e minha mãe fica com um pouco de raiva do cliente”, a relação semântica predominante entre a última oração e as anteriores é de:
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Q4202698 Português

Texto CG1A1

Um dos temas correntes da psicologia dos preços é que as avaliações de valor monetário têm muito em comum com julgamentos sensoriais, como os relativos a peso, brilho, altura, calor, frio ou intensidade de odores. O estudo das percepções sensoriais é conhecido como psicofísica. Nos anos 1800, os psicofísicos mostraram que as pessoas são muito sensíveis às diferenças e não tão sensíveis a valores absolutos. Digamos que você esteja diante de duas maletas idênticas, uma com 12 kg e outra com 13 kg; nesse caso, basta levantá-las para saber qual é a mais pesada. Porém, sem uma balança, é difícil saber se qualquer uma das malas atenderia ao limite de 16 kg de uma companhia aérea.

O mesmo tipo de desconhecimento se aplica em relação aos preços. Este fato importantíssimo passa quase despercebido. Isso acontece porque vivemos nossas vidas sob uma nuvem midiática de preços e valores de mercado. Como nos lembramos do que as coisas “deveriam” custar, somos induzidos a pensar que temos um sentido infalível de valor. Os consumidores são como uma pessoa com problemas de visão que consegue se virar em um ambiente familiar porque memorizou onde estão os móveis. Isso é uma compensação; nada tem a ver com acuidade visual.

De vez em quando, recebemos alguma dica do quanto o sentido do preço é míope. Qualquer um que já tenha vendido artigos pessoais sabe como é difícil atribuir um preço justo a produtos usados. “Este CD antigo da Tribe Called Quest deve valer o dobro deste da Alanis Morissette. Só não sei se o CD da Tribe deveria ser vendido por US$ 10 ou US$ 0,10”.

Em um artigo de 2003, os economistas Dan Ariely, George Loewenstein e Drazen Prelec chamaram esta curiosa combinação de “convicção e incerteza de arbitrariedade coerente”. As avaliações relativas são estáveis e coerentes, enquanto os valores em dólares podem ser descontroladamente arbitrários. A venda de artigos pessoais revela uma verdade que talvez não tenhamos coragem de admitir em transações comerciais: os preços são números inventados que nem sempre envolvem muita convicção.

Os números que fazem nosso mundo girar não são tão sólidos, imutáveis e logicamente fundamentados quanto aparentam. Na nova psicologia dos preços, os valores são escorregadios e incertos, tão fluidos quanto os reflexos nos espelhos de um parque de diversões.

 

William Poundstone. Preço: o mito do valor justo e como tirar vantagem disso. Tradução:

Adriana Rieche. 1.ª ed. Rio de Janeiro: Best Business, 2015 [recurso digital] (com adaptações).

Cada uma das seguintes opções apresenta uma proposta de reescrita para o seguinte trecho do primeiro parágrafo do texto CG1A1: “Digamos que você esteja diante de duas maletas idênticas, uma com 12 kg e outra com 13 kg”. Assinale a opção em que a reescrita proposta mantém a coerência e a correção gramatical do texto.
Alternativas
Q4202692 Português

Texto CG1A1

Um dos temas correntes da psicologia dos preços é que as avaliações de valor monetário têm muito em comum com julgamentos sensoriais, como os relativos a peso, brilho, altura, calor, frio ou intensidade de odores. O estudo das percepções sensoriais é conhecido como psicofísica. Nos anos 1800, os psicofísicos mostraram que as pessoas são muito sensíveis às diferenças e não tão sensíveis a valores absolutos. Digamos que você esteja diante de duas maletas idênticas, uma com 12 kg e outra com 13 kg; nesse caso, basta levantá-las para saber qual é a mais pesada. Porém, sem uma balança, é difícil saber se qualquer uma das malas atenderia ao limite de 16 kg de uma companhia aérea.

O mesmo tipo de desconhecimento se aplica em relação aos preços. Este fato importantíssimo passa quase despercebido. Isso acontece porque vivemos nossas vidas sob uma nuvem midiática de preços e valores de mercado. Como nos lembramos do que as coisas “deveriam” custar, somos induzidos a pensar que temos um sentido infalível de valor. Os consumidores são como uma pessoa com problemas de visão que consegue se virar em um ambiente familiar porque memorizou onde estão os móveis. Isso é uma compensação; nada tem a ver com acuidade visual.

De vez em quando, recebemos alguma dica do quanto o sentido do preço é míope. Qualquer um que já tenha vendido artigos pessoais sabe como é difícil atribuir um preço justo a produtos usados. “Este CD antigo da Tribe Called Quest deve valer o dobro deste da Alanis Morissette. Só não sei se o CD da Tribe deveria ser vendido por US$ 10 ou US$ 0,10”.

Em um artigo de 2003, os economistas Dan Ariely, George Loewenstein e Drazen Prelec chamaram esta curiosa combinação de “convicção e incerteza de arbitrariedade coerente”. As avaliações relativas são estáveis e coerentes, enquanto os valores em dólares podem ser descontroladamente arbitrários. A venda de artigos pessoais revela uma verdade que talvez não tenhamos coragem de admitir em transações comerciais: os preços são números inventados que nem sempre envolvem muita convicção.

Os números que fazem nosso mundo girar não são tão sólidos, imutáveis e logicamente fundamentados quanto aparentam. Na nova psicologia dos preços, os valores são escorregadios e incertos, tão fluidos quanto os reflexos nos espelhos de um parque de diversões.

 

William Poundstone. Preço: o mito do valor justo e como tirar vantagem disso. Tradução:

Adriana Rieche. 1.ª ed. Rio de Janeiro: Best Business, 2015 [recurso digital] (com adaptações).

Assinale a opção em que a proposta de reescrita subsequente ao trecho reproduzido do texto CG1A1 preserva seus sentidos e sua correção gramatical.
Alternativas
Q4201060 Português


Mecânico de manutenção industrial: quem é e o que faz esse profissional?


O mecânico de manutenção é o profissional responsável por realizar reparos e manter equipamentos e componentes em condições de plena capacidade de uso. Também é conhecido como mecânico de manutenção industrial ou simplesmente mecânico industrial. Já faz um tempo que o mecânico de manutenção deixou de ser apenas o profissional que conserta e intervém quando um equipamento para de funcionar. Hoje esse profissional ganhou funções e responsabilidades importantes com o avanço tecnológico, pois, sobretudo com a era da manutenção industrial 4.0 e com a internet das coisas, as máquinas e os equipamentos industriais necessitam de manutenções preditivas e preventivas para se manterem confiáveis e disponíveis para sua função.

De início, a mecânica industrial é um campo da engenharia que se concentra no design, na operação e na manutenção de sistemas mecânicos em ambientes industriais. Ela envolve o estudo e a aplicação de princípios de física e engenharia para resolver problemas relacionados ao movimento e à força em máquinas e equipamentos utilizados na produção e na manufatura. Assim, os profissionais dessa área são responsáveis por garantir que as máquinas e os equipamentos funcionem de maneira eficiente e segura, além de realizar reparos e manutenções preventivas para evitar falhas. Portanto, a mecânica industrial abrange uma ampla gama de atividades, incluindo a análise de falhas, a otimização de processos, a instalação e o comissionamento de equipamentos, além da implementação de melhorias para aumentar a produtividade e reduzir custos operacionais.

O mecânico industrial é o profissional responsável por instalar, manter, reparar e supervisionar o funcionamento de máquinas e equipamentos industriais. Ou seja, cabe a ele atuar nas atividades de manutenção de máquinas industriais. Exemplos disso são envazadoras, agitadores, motores elétricos, compressores e uma infinidade de outros equipamentos, principalmente equipamentos industriais que utilizam elementos de máquinas, como: rolamentos, mancais, polias e correias, eixos e acoplamentos.


Internet: (com adaptações).


Quanto à estrutura e aos fatores gramaticais do texto, julgue o item seguinte.

No trecho “Portanto, a mecânica industrial abrange uma ampla gama de atividades, incluindo a análise de falhas, a otimização de processos, a instalação e o comissionamento de equipamentos, além da implementação de melhorias para aumentar a produtividade e reduzir custos operacionais.”, o elemento conclusivo “Portanto” integra uma cadeia de coesão referencial endofórica.
Alternativas
Q4200127 Português

Texto CG1A1

Com o objetivo de promover a transformação digital e atender diretamente a população, o governo de Rondônia inovou com o lançamento da primeira assistente virtual baseada em inteligência artificial (IA) no Portal da Transparência do estado. A assistente, denominada Clara, foi apresentada durante o 2.º Encontro de Controles Internos, nos dias 27 e 28 de junho de 2024, no Instituto Federal em Porto Velho.

A iniciativa fez parte de um trabalho desenvolvido pela Superintendência Estadual de Tecnologia da Informação e Comunicação (SETIC), em parceria com a Controladoria Geral do Estado (CGE), em acordo com o eixo de gestão estratégica governamental. Ela surgiu da necessidade de simplificar a relação do poder público com a sociedade, e a IA foi escolhida por sua capacidade de adaptação com base em novos treinamentos.

Para o governo de Rondônia, a Clara representa um avanço para o estado, reforçando os investimentos da gestão estadual em modernização, eficiência e qualidade das iniciativas.

O governo de Rondônia está em primeiro lugar entre os Poderes Executivos estaduais no Programa Nacional de Transparência Pública. Para alcançar essa posição, é necessário obter um nível de transparência entre 95% e 100%, e Rondônia atingiu 99,29%. A Clara é fruto da continuidade desse trabalho e do compromisso do estado com a transformação digital.

Segundo o coordenador de análise de dados da SETIC, Pedro Gomes, o uso de IA está revolucionando o mundo e a administração pública. “Apenas acompanhar e replicar tendências não é suficiente para contribuir para a modernização de serviços. Por isso é importante analisar e escolher as melhores soluções para solucionar problemas e proporcionar melhorias de processos dentro da administração pública”, destacou.

De acordo com o superintendente da SETIC, Delner Freire, a adoção de IA no setor público traz uma série de benefícios, que incluem: automatização de processos, análise de dados para tomadas de decisão, atendimentos mais eficientes e redução de custos. “Esses benefícios podem se converter em sistemas de atendimento ao cidadão e ferramentas de análise para políticas públicas. Ao contrário de outras tecnologias, a IA tem a capacidade de aprender e se adaptar continuamente, melhorando sua eficácia ao longo do tempo”, explicou.

Internet: <rondonia.ro.gov.br> (com adaptações).

Em relação ao período “Para alcançar essa posição, é necessário obter um nível de transparência entre 95% e 100%, e Rondônia atingiu 99,29%.” (quarto parágrafo do texto CG1A1), julgue os itens subsequentes.
I O trecho “Para alcançar essa posição” expressa uma finalidade relacionada apenas ao conteúdo apresentado na oração imediatamente subsequente no período.
II A transposição do trecho “Para alcançar essa posição” para o final do período, desde que feitos os devidos ajustes de maiúsculas e minúsculas, não comprometeria a correção gramatical nem a coerência textual.
III A oração “Rondônia atingiu 99,29%” não se subordina sintaticamente à oração imediatamente anterior, mas elas se articulam semanticamente.
Assinale a opção correta.
Alternativas
Q4199621 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:

Genética da orquídea-da-praia favorece tolerância a mudanças climáticas

     A orquídea-da-praia (Epidendrum fulgens) não é como a maioria das orquídeas, que vive sobre galhos e troncos de árvores em florestas úmidas. Na forma de touceira com 1 metro de altura e cachos de flores amarelas, laranja e vermelhas, ela cresce em restingas e dunas, onde o sol é intenso e a areia seca é pobre em nutrientes. Uma equipe de pesquisadores brasileiros e norte-americanos sequenciou o genoma completo da planta e identificou mais de mil grupos de genes exclusivos dessa espécie relacionados a características fisiológicas que podem contribuir para respostas a uma variedade de estressores ambientais, segundo artigo publicado em março na revista científica Genome Biology and Evolution.
    “O que torna a planta mais resistente a condições extremas é o grande número de cópias de cada um desses genes”, observa o biólogo Fábio Pinheiro, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), coautor do artigo. Cada conjunto de cópias forma o que os pesquisadores chamam de família de genes.
    “Cada gene pode sofrer pequenas modificações no processo de cópia, aumentando a variabilidade genética”, ressalta Pinheiro. O trabalho foi baseado em uma única planta da praia de Prumirim, no município de Ubatuba, no litoral paulista. Os pesquisadores identificaram esses genes depois de concluída a leitura completa do genoma, recurso usado com frequência no melhoramento genético de plantas de interesse comercial, mas pouco adotado em estudos de espécies nativas.
    “Essas espécies nos ajudaram a localizar genes semelhantes e entender a estrutura do genoma da orquídea-da-praia”, ressalta Pinheiro. Os pesquisadores também usaram como referência o genoma do arroz (Oryza sativa) e da arabeta (Arabidopsis thaliana), muito usada como modelo em estudos de fisiologia vegetal. “Apesar de mais distantes evolutivamente, essas plantas compartilham trechos de DNA que servem como referência mais ampla da estrutura do genoma”, observa Pinheiro.

(Gilberto Stam. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br, 18.04.2026. Adaptado)
Considere as passagens a seguir:

•  ... segundo artigo publicado em março na revista científica Genome Biology and Evolution. (1º parágrafo)
•  ... recurso usado com frequência no melhoramento genético de plantas de interesse comercial, mas pouco adotado em estudos de espécies nativas. (3º parágrafo)
•  “Essas espécies nos ajudaram a localizar genes semelhantes e entender a estrutura do genoma da orquídea-da-praia”... (4º parágrafo)

No contexto em que estão empregados, os termos destacados estabelecem, correta e respectivamente, relações de sentido de:
Alternativas
Q4198920 Português
Leia o texto para responder à questão:

Comércio global à margem da OMC

    A reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Camarões terminou como tantas desde o colapso da Rodada Doha, em 2008: sem acordo. Negociações sobre o comércio digital fracassaram. Tentativas de reformas institucionais empacaram. Delegações voltaram para casa com declarações vagas. O representante comercial dos EUA anunciou que Washington buscaria acordos fora da OMC.
    O impasse não surpreende. A organização depende do consenso entre mais de 160 países. A Índia bloqueia avanços em temas sensíveis, como tributação digital. Os EUA mantêm paralisado o órgão de apelação. A China resiste a mudanças que atinjam seus subsídios. A máquina roda formalmente, mas não produz resultados.
    Ainda assim, o comércio global não desacelerou na mesma proporção. Cadeias produtivas continuam ligando fábricas na Ásia, centros tecnológicos na Europa e mercados consumidores nas Américas. Fluxos apenas mudam de caminho, deslocando fornecedores e rotas. Os governos não estão emulando o unilateralismo dos EUA, e não se materializou um protecionismo generalizado. Os países negociam, mesmo quando a OMC não decide.
    As regras não desapareceram, mas já não dependem do fórum que as consolidou. Desfazer operações globais implicaria custos elevados, perda de escala e ruptura de contratos. Quando políticas comerciais avançam nessa direção, encontram resistência de empresas e mercados. A integração econômica sobrevive por inércia e interesse, mesmo quando a arquitetura institucional vacila.
    Grandes rodadas de liberalização são coisa do passado. Trata-se de preservar alguma previsibilidade num sistema mais fragmentado e modular. A alternativa não é entre uma OMC perfeita e o colapso, mas entre um sistema imperfeito e funcional ou o caos baseado na lei do mais forte. Isso exige flexibilidade para contornar bloqueios, mas também algum esforço de coordenação para evitar que o comércio se transforme numa sucessão de pactos desconectados. Sem esse equilíbrio, o risco não é exatamente o fim da globalização, mas sua degradação. Até aqui, o comércio tem resistido mais do que as instituições que deveriam organizá-lo. A letra da OMC está morta. Seu espírito vive.

(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 09.04.2026. Adaptado)
Considere as passagens:

•  A Índia bloqueia avanços em temas sensíveis, como tributação digital. (2º parágrafo)
•  Ainda assim, o comércio global não desacelerou na mesma proporção. (3º parágrafo)
•  As regras não desapareceram, mas já não dependem do fórum que as consolidou. (4º parágrafo)
•  Isso exige flexibilidade para contornar bloqueios, mas também algum esforço de coordenação... (5º parágrafo)

As expressões destacadas estabelecem entre as orações do texto, correta e respectivamente, relações de sentido de:
Alternativas
Q4198917 Português
Leia o texto para responder à questão:

Comércio global à margem da OMC

    A reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Camarões terminou como tantas desde o colapso da Rodada Doha, em 2008: sem acordo. Negociações sobre o comércio digital fracassaram. Tentativas de reformas institucionais empacaram. Delegações voltaram para casa com declarações vagas. O representante comercial dos EUA anunciou que Washington buscaria acordos fora da OMC.
    O impasse não surpreende. A organização depende do consenso entre mais de 160 países. A Índia bloqueia avanços em temas sensíveis, como tributação digital. Os EUA mantêm paralisado o órgão de apelação. A China resiste a mudanças que atinjam seus subsídios. A máquina roda formalmente, mas não produz resultados.
    Ainda assim, o comércio global não desacelerou na mesma proporção. Cadeias produtivas continuam ligando fábricas na Ásia, centros tecnológicos na Europa e mercados consumidores nas Américas. Fluxos apenas mudam de caminho, deslocando fornecedores e rotas. Os governos não estão emulando o unilateralismo dos EUA, e não se materializou um protecionismo generalizado. Os países negociam, mesmo quando a OMC não decide.
    As regras não desapareceram, mas já não dependem do fórum que as consolidou. Desfazer operações globais implicaria custos elevados, perda de escala e ruptura de contratos. Quando políticas comerciais avançam nessa direção, encontram resistência de empresas e mercados. A integração econômica sobrevive por inércia e interesse, mesmo quando a arquitetura institucional vacila.
    Grandes rodadas de liberalização são coisa do passado. Trata-se de preservar alguma previsibilidade num sistema mais fragmentado e modular. A alternativa não é entre uma OMC perfeita e o colapso, mas entre um sistema imperfeito e funcional ou o caos baseado na lei do mais forte. Isso exige flexibilidade para contornar bloqueios, mas também algum esforço de coordenação para evitar que o comércio se transforme numa sucessão de pactos desconectados. Sem esse equilíbrio, o risco não é exatamente o fim da globalização, mas sua degradação. Até aqui, o comércio tem resistido mais do que as instituições que deveriam organizá-lo. A letra da OMC está morta. Seu espírito vive.

(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 09.04.2026. Adaptado)
O editorial deixa claro que a falta de consenso entre os países-membros da Organização Mundial do Comércio
Alternativas
Q4196711 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Da comunicação de massa à participação: as redes sociais digitais


Por que as redes sociais? Porque, a cada dia, cresce a crença de que as tecnologias de comunicação em rede podem ser uma ferramenta eficiente para promover a comunicação, pois se constituem no instrumento mais poderoso de circulação de informação da contemporaneidade. Para Lemos (2003), este momento é caracterizado pela cibercultura, que se consolidou entre as décadas de 1980 e 1990 com a informática de massa e a popularização da internet, a qual ganhou força após a criação da world wide web, em 1991.

As novas tecnologias permitiram a criação de meios de comunicação mais interativos, liberando os indivíduos das limitações de espaço e tempo e tornando a comunicação mais flexível. Com apenas um clique, qualquer pessoa pode acessar uma informação específica e manter contato com pessoas que estão distantes. Os jovens nascidos após 1995 são "nativos" da cibercultura, inseridos num modelo de comunicação cujos equipamentos operam por meio da convergência de mídias.

É importante lembrar também que esse cenário se alicerça na ideia da participação. Em decorrência do fácil acesso às informações e às tecnologias de comunicação, as pessoas passaram a ter mais liberdade para expressar suas opiniões, a participar de forma ativa das mobilizações e a trocar informações constantemente. Esse cenário impõe um desafio aos profissionais da comunicação, que precisam não só proporcionar experiências empolgantes ao público, mas também buscar a transformação da sociedade.

O termo "rede social" tornou-se sinônimo de tecnologia da informação e comunicação; seu uso transcorreu áreas e destruiu fronteiras, sendo apropriado, hoje, por muitos atores sociais. Uma das apropriações mais intensas deu-se no campo da comunicação − mas não exclusivamente − , com o emprego de expressões como rede social digital, mídia social e mídia digital, para designar o fenômeno em questão.

Houve, com efeito, uma mudança significativa na estrutura da comunicação em razão dos recursos disponibilizados pela internet. Os meios de massa baseiam-se no sistema de broadcasting, que emite um mesmo conteúdo, gerado por um único veículo, para muitos receptores, sem possibilidade de interferência do espectador. Já as ferramentas baseadas na rede inauguram outra lógica: nelas, o usuário deixa de ser mero receptor e passa a produzir e a difundir informação.


Adaptado de: VERMELHO, Sônia Cristina; VELHO, Ana Paula Machado; BONKOVOSKI, Amanda; PIROLA, Alisson. Refletindo sobre as redes sociais digitais. Educação & Sociedade, Campinas, v. 35, n. 126, p. 179-196, jan./mar. 2014. DOI: https://doi.org/10.1590/S0101-73302014000100011. Disponível em: https://www.scielo.br/j/es/a/4JR3vpJqszLSgCZGVr88rYf/. Acesso em: 6 jun. 2026.  
A progressão argumentativa do texto avança da conceituação das tecnologias em rede até o contraste final entre o sistema de broadcasting e as ferramentas baseadas na rede. Considerando essa articulação de ideias, conclui-se que a principal transformação atribuída pelos autores às redes sociais digitais consiste em:
Alternativas
Q4196571 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


O filtro perfeito


Juliano Martinz 


    Não poderia começar o dia de outra forma. Antes de sair de casa, precisava postar uma foto na sua rede social.

     Aquilo já era uma espécie de ritual. Antes de iniciar mais um dia de trabalho, ele selecionava uma de suas fotos e postava para seu grupo de amigos e seguidores.

     Tirar uma foto naquele exato momento estava fora de cogitação. Pelo menos, não daquele rosto amarfanhado e inchado, parecendo ter sido surrado durante as últimas 12 horas.

    Ele precisava recorrer ao álbum de fotos em seu celular e escolher a foto perfeita. Uma que rendesse likes e comentários, e garantisse um ego um pouco mais inflado à noite.

     No álbum, começou a selecionar. Existiam fotos que deixavam evidentes os seus dias depressivos: cores mais azuladas e mais escuras. Em algumas delas, ele havia aplicado filtros de preto e branco.

     Por outro lado, ali estavam registrados seus dias mais alegres, utilizando filtros que ajudavam a predominar as cores mornas.

    A seleção tinha de ser perfeita. E exatamente por isso o trabalho foi exaustivo.

    Passou exatamente 31 minutos fazendo nada além do que deslizar um sobejante arquivo de fotos que parecia não ter fim.

    Até que, atrasado para o serviço e com os olhos cansados do esforço, escolheu uma.

     Com o filtro certo, ficou perfeita. Cores realçadas, aumento da saturação, o contraste intensificado das cores. E, claro, um sorriso ensaiado e exuberante que, para os mais distraídos, conseguia esconder as angústias vividas naquele dia.

    Foto postada, partiu para mais um dia de trabalho.

     No início da noite, quando voltou pra casa, a primeira coisa que fez foi conferir a reação dos seguidores à sua postagem.

     Para seu desespero, a foto havia recebido apenas 5 likes. Uma miséria, considerando o fato de que tinha algumas centenas de seguidores.

     Diante daquilo que considerou um desrespeito, quase uma afronta, tomou a única ação que julgou decente e conveniente.

       Deletou a foto da rede social.


Disponível em: https://corrosiva.com.br/cronicas/o-filtro-perfeito/. Acesso em: 08 de dez. 2025. 
Em relação ao texto “O filtro perfeito”, é correto afirmar que o(a)
Alternativas
Q4196477 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Quando a idade vira barreira


O ambiente de trabalho costuma funcionar como um espelho da sociedade e, por isso, reproduz dentro de si os mesmos preconceitos que circulam fora dele. À medida que a população envelhece, ganha força no Brasil uma forma de discriminação chamada etarismo, ou idadismo, que consiste em tratar alguém de modo desigual por causa da idade. Em pouco mais de dez anos, a parcela de pessoas idosas no país subiu de 10,8% para 15,8%, segundo dados oficiais.

Especialistas explicam que o etarismo se sustenta em três pilares: o estereótipo, ligado ao modo como pensamos; o preconceito, relacionado ao modo como sentimos; e a discriminação, que se refere ao modo como agimos. Embora seja comum associá-lo apenas aos mais velhos, esse preconceito também atinge os jovens da Geração Z, muitas vezes julgados, sem provas, como pouco comprometidos. Nos dois casos, talentos valiosos acabam desperdiçados.

O caminho apontado para enfrentar o problema é a solidariedade entre as gerações. Quando uma equipe reúne integrantes de idades diferentes, a convivência aproxima visões distintas e estimula a inovação. Assim, a diversidade etária deixa de ser um obstáculo e se torna uma riqueza, desde que haja, de parte a parte, uma atitude essencial: a empatia.


MENDONÇA, Silvia. Desafiando o etarismo: como a colaboração entre gerações pode transformar o mercado de trabalho. Brasília: Tribunal Superior do Trabalho, 1º out. 2024. Disponível em: https://www.tst.jus.br/-/desafiando-o-etarismo-como-a-colaboracao-entr e-geracoes-pode-transformar-o-mercado-de-trabalho. Acesso em: 6 jun. 2026. (Texto adaptado.) 
Com base no texto, analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas:

I.Ao relacionar o crescimento da população idosa ao avanço do etarismo no Brasil, o texto sugere que essa forma de discriminação decorre principalmente do envelhecimento demográfico e se manifesta, no ambiente profissional, de modo mais relevante contra trabalhadores mais velhos.

PORQUE

II.O texto amplia a compreensão do etarismo ao apresentá-lo como uma discriminação fundada na idade, sustentada por estereótipos, preconceitos e práticas discriminatórias, podendo atingir tanto pessoas idosas quanto jovens.

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4196475 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Quando a idade vira barreira


O ambiente de trabalho costuma funcionar como um espelho da sociedade e, por isso, reproduz dentro de si os mesmos preconceitos que circulam fora dele. À medida que a população envelhece, ganha força no Brasil uma forma de discriminação chamada etarismo, ou idadismo, que consiste em tratar alguém de modo desigual por causa da idade. Em pouco mais de dez anos, a parcela de pessoas idosas no país subiu de 10,8% para 15,8%, segundo dados oficiais.

Especialistas explicam que o etarismo se sustenta em três pilares: o estereótipo, ligado ao modo como pensamos; o preconceito, relacionado ao modo como sentimos; e a discriminação, que se refere ao modo como agimos. Embora seja comum associá-lo apenas aos mais velhos, esse preconceito também atinge os jovens da Geração Z, muitas vezes julgados, sem provas, como pouco comprometidos. Nos dois casos, talentos valiosos acabam desperdiçados.

O caminho apontado para enfrentar o problema é a solidariedade entre as gerações. Quando uma equipe reúne integrantes de idades diferentes, a convivência aproxima visões distintas e estimula a inovação. Assim, a diversidade etária deixa de ser um obstáculo e se torna uma riqueza, desde que haja, de parte a parte, uma atitude essencial: a empatia.


MENDONÇA, Silvia. Desafiando o etarismo: como a colaboração entre gerações pode transformar o mercado de trabalho. Brasília: Tribunal Superior do Trabalho, 1º out. 2024. Disponível em: https://www.tst.jus.br/-/desafiando-o-etarismo-como-a-colaboracao-entr e-geracoes-pode-transformar-o-mercado-de-trabalho. Acesso em: 6 jun. 2026. (Texto adaptado.) 
Considerando as ideias do texto "Quando a idade vira barreira", assinale a alternativa que apresenta um pequeno texto escrito com maior clareza, coesão e progressão lógica das ideias.
Alternativas
Q4196471 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Quando a idade vira barreira


O ambiente de trabalho costuma funcionar como um espelho da sociedade e, por isso, reproduz dentro de si os mesmos preconceitos que circulam fora dele. À medida que a população envelhece, ganha força no Brasil uma forma de discriminação chamada etarismo, ou idadismo, que consiste em tratar alguém de modo desigual por causa da idade. Em pouco mais de dez anos, a parcela de pessoas idosas no país subiu de 10,8% para 15,8%, segundo dados oficiais.

Especialistas explicam que o etarismo se sustenta em três pilares: o estereótipo, ligado ao modo como pensamos; o preconceito, relacionado ao modo como sentimos; e a discriminação, que se refere ao modo como agimos. Embora seja comum associá-lo apenas aos mais velhos, esse preconceito também atinge os jovens da Geração Z, muitas vezes julgados, sem provas, como pouco comprometidos. Nos dois casos, talentos valiosos acabam desperdiçados.

O caminho apontado para enfrentar o problema é a solidariedade entre as gerações. Quando uma equipe reúne integrantes de idades diferentes, a convivência aproxima visões distintas e estimula a inovação. Assim, a diversidade etária deixa de ser um obstáculo e se torna uma riqueza, desde que haja, de parte a parte, uma atitude essencial: a empatia.


MENDONÇA, Silvia. Desafiando o etarismo: como a colaboração entre gerações pode transformar o mercado de trabalho. Brasília: Tribunal Superior do Trabalho, 1º out. 2024. Disponível em: https://www.tst.jus.br/-/desafiando-o-etarismo-como-a-colaboracao-entr e-geracoes-pode-transformar-o-mercado-de-trabalho. Acesso em: 6 jun. 2026. (Texto adaptado.) 
Julgue as afirmativas a seguir, que exigem inferência a partir do texto, atribuindo (V) para verdadeira ou (F) para falsa.

(__)Ao caracterizar o ambiente de trabalho como "espelho da sociedade", o texto permite inferir que certas práticas discriminatórias nele observadas não se limitam à lógica interna das organizações, mas reproduzem valores e preconceitos socialmente difundidos.
(__)A menção ao aumento da população idosa no Brasil, de 10,8% para 15,8%, não comprova, por si só, a intensificação do etarismo na mesma proporção, mas contextualiza a relevância crescente desse debate no país.
(__)Depreende-se do texto que a diversidade etária se converte em riqueza principalmente pela aproximação entre visões distintas, sendo a empatia apresentada como consequência esperada da convivência entre diferentes gerações.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
Alternativas
Respostas
81: C
82: C
83: D
84: B
85: B
86: C
87: B
88: C
89: D
90: D
91: E
92: D
93: E
94: A
95: C
96: C
97: B
98: A
99: D
100: C