Questões de Concurso Comentadas sobre coesão e coerência em português

Foram encontradas 9.064 questões

Q4023126 Português
    Costuma-se descrever a ciência como uma sucessão de descobertas, cada uma atribuída a uma mente excepcional. Essa descrição é mais simples e, por isso, mais confortável. Porém, é incompleta. Ideias científicas não emergem no vazio. Elas dependem de um sistema que contém instrumentos, linguagem e dados acumulados, bem como de comunidades capazes de reconhecer e, principalmente, criticar seus significados. Para que haja um desfecho por orientação vetorial que conduza ao que conhecemos como a consagração de uma teoria, é preciso haver, sobretudo, convergência.
    Uma nova ideia pode se aproximar mais da verdade e, ainda assim, permanecer estéril se os vetores do sistema científico não estiverem suficientemente acoplados para absorvê-la. Por outro lado, quando múltiplas linhas de evidência passam a operar de forma coerente, mesmo ideias inicialmente controversas tornam-se inevitáveis.
    A consequência é que a história da ciência é menos uma sucessão de lampejos isolados e mais a de sincronizações oriundas de massas de dados e ideias que vão gradualmente se articulando até que o peso de um novo paradigma se torne insustentável. Marcos Buckeridge. Quando as ideias encontram (ou não) o seu tempo. Internet: (com adaptações).
Marcos Buckeridge. Quando as ideias encontram (ou não) o seu tempo.
Internet: <jornal.usp.br>  (com adaptações).


Julgue o item seguinte, com base nas ideias e construções linguísticas do texto precedente.
No trecho “a história da ciência é menos uma sucessão de lampejos isolados e mais a de sincronizações oriundas de massas de dados e ideias que vão gradualmente se articulando” (último parágrafo), o vocábulo “a” substitui termo nominal já mencionado e contribui para a coesão sequencial do texto.
Alternativas
Q4009600 Português

Texto CG1A1

        Comparações são de grande valor, uma vez que remetem uma relação desconhecida a uma conhecida. Também as comparações mais detalhadas, que evoluem para parábolas ou alegorias, são apenas a referência de alguma relação à sua apresentação mais simples, explícita e palpável.

        No fundo, toda formação de conceitos se baseia em comparações, já que seu ponto de partida é a compreensão da semelhança e o abandono da dessemelhança nas coisas. Além disso, em última instância, todo entendimento propriamente dito consiste numa compreensão de relações, mas cada relação será compreendida de maneira mais clara e mais pura quando for reconhecida em casos muito diversificados e entre coisas inteiramente heterogêneas. Assim, enquanto só conheço uma relação num único caso particular, tenho dela somente um conhecimento individual, portanto apenas intuitivo. Porém, logo que identifico a mesma relação em pelo menos dois casos distintos, tenho um conceito de toda a sua espécie, portanto um conhecimento mais profundo e mais perfeito.

        Justamente porque as comparações são uma alavanca tão poderosa para o conhecimento, a formulação de comparações surpreendentes e, ao mesmo tempo, apropriadas dá mostras de um entendimento profundo.


Arthur Schopenhauer. A arte de escrever. Tradução: Pedro Süssekind. 

Porto Alegre: L&PM, 2009 (com adaptações). 

Considerando os sentidos do texto CG1A1 e as relações de coesão e coerência nele estabelecidas, julgue o item a seguir. 


No trecho "enquanto só conheço uma relação num único caso particular, tenho dela somente um conhecimento individual, portanto apenas intuitivo. Porém, logo que identifico a mesma relação em pelo menos dois casos distintos, tenho um conceito de toda a sua espécie" (segundo parágrafo), o emprego das formas verbais flexionadas na primeira pessoa do singular consiste em uma estratégia narrativa para relatar experiências subjetivas vivenciadas especificamente pelo autor do texto. 

Alternativas
Q3983278 Português
Comunicação clara e objetiva: o alicerce das relações profissionais

A história mostra que civilizações se fortaleceram quando encontraram formas eficazes de se comunicar. Do código de Hamurábi às redes digitais, a clareza da mensagem sempre determinou a força das instituições e a estabilidade das relações. No ambiente corporativo, não é diferente. Comunicação clara e objetiva não é detalhe, é a engrenagem que sustenta a confiança, reduz conflitos e acelera resultados.

Ruídos de comunicação custam caro. Um estudo da Holmes Report estimou que empresas perdem, em média, 37 bilhões de dólares por ano devido a falhas na comunicação entre gestores e equipes. Esse número evidencia o óbvio: quando mensagens não são transmitidas de forma precisa, projetos atrasam, relações se desgastam e a produtividade se dissolve.

Para reduzir ruídos, o primeiro passo é a simplicidade. Palavras complicadas ou frases longas confundem. A linguagem objetiva facilita a compreensão e evita interpretações equivocadas. Falar o necessário, sem excesso, transmite profissionalismo. Aqui, aplica-se a máxima de Antoine de Saint-Exupéry: “A perfeição é alcançada não quando não há mais nada a acrescentar, mas quando não há mais nada a retirar”.

Outro aspecto fundamental é a escuta ativa. Comunicação não é apenas transmitir, mas também compreender. Escutar com atenção, sem interromper, garante que a mensagem seja assimilada corretamente e cria um ambiente de respeito. Um líder que escuta transmite segurança e reduz a necessidade de repetição.

Além disso, saber pedir é tão importante quanto saber responder. Solicitações vagas geram respostas vagas. Um pedido claro contém três elementos: o que deve ser feito, em qual prazo e com quais recursos. Responder com clareza exige confirmar o entendimento, apontar limites e, se necessário, negociar prazos. Essa troca transparente cria previsibilidade e confiança.

Ferramentas digitais também são aliadas nesse processo. Plataformas como Slack, Microsoft Teams ou Trello permitem registrar decisões e reduzir ambiguidades. E-mails bem estruturados, com tópicos e objetivos claros, evitam a dispersão de informações. Documentos compartilhados no Google Docs ou Notion centralizam dados e impedem que versões conflitantes circulem. A tecnologia, usada com disciplina, transforma-se em antídoto contra ruídos.

Outro ponto prático é o uso de feedback imediato. Quando uma mensagem não foi clara, a correção deve ser feita na hora, antes que a confusão se torne problema maior. Isso exige coragem para questionar e humildade para ajustar. Feedback não é confronto, é mecanismo de alinhamento.

Treinamentos também são estratégicos. Investir em workshops de comunicação não é custo, mas investimento em produtividade. Ao desenvolver habilidades de oratória, redação profissional e comunicação digital, empresas capacitam seus colaboradores para reduzir mal-entendidos e aumentar a eficiência.

Além disso, reuniões devem ser objetivas. Muitas empresas desperdiçam horas em encontros sem pauta clara. A prática correta envolve definir previamente os objetivos, registrar os principais pontos e distribuir responsabilidades ao final. Reuniões curtas e bem direcionadas são exemplos de comunicação eficiente.

Em conclusão, a comunicação clara e objetiva é alicerce de toda organização que busca eficiência. Reduz ruídos, acelera processos e fortalece a confiança. É prática que exige disciplina, ferramentas adequadas e disposição para ouvir e ajustar.

(Por: Gabriela Moraes Oliveira. Disponível em: https://www.folhavitoria.com.br/mundo-business/. Acesso em: janeiro de 2026)
Ao longo do texto, o autor estabelece uma relação de causa e consequência para fundamentar o seu argumento. Nesse contexto, assinale a alternativa em que essa relação é apresentada corretamente, de acordo com as informações textuais. 
Alternativas
Q3975409 Português

Texto 12A4-I


    Alguém me falou de um anúncio institucional que a UNESCO publicou há tempos para uma campanha pela alfabetização. Consistia em uma frase escrita de trás para a frente — ideia talvez tirada de Alice através do espelho (1871), o livro de Lewis Carroll em que, por estar “do lado de lá” do espelho, Alice vê tudo ao contrário, inclusive um poema num livro sobre a mesa. É como um analfabeto vê um texto — uma sequência de símbolos cuja ordem não lhe quer dizer nada. Alice resolve o problema botando o poema diante de um espelho. O mundo, no entanto, exige mais: a alfabetização em massa.


    No Brasil, 5,2% da população ainda continua analfabeta. Parece pouco, mas são mais de 10 milhões de pessoas, o equivalente à população de São Paulo. Some a isso os 29%, entre 15 e 64 anos, que são analfabetos funcionais (leem, mas não entendem uma notícia de jornal ou uma bula de remédio), e veja como o Brasil continua longe do século 21. Por sorte, alguns desses analfabetos sabem de sua condição e não querem que se estenda a seus filhos.


    Três pessoas que prestam serviços ao meu redor, incapazes de ler ou escrever, são inspiradores exemplos. Uma manicure fez de seus três filhos um advogado, uma psicóloga e uma assistente social. Um porteiro, homem humilde e boníssimo, fez da filha engenheira, e chorou de comoção na cerimônia de formatura dela. E um encanador, que não sabe dizer a chave do seu PIX (mostra um papelzinho com o número), também formou a filha em direito. Dois desses jovens se beneficiaram de bolsas integrais da PUC.


    Como pessoas que não sabem ler conseguem viver numa grande cidade, com sua desordem de cartazes, placas, luminosos, indicações, itinerários e manchetes? É um mundo de signos ocos, para elas sem significado. Que códigos não terão de criar para saber qual ônibus tomar? Como lidar com dinheiro ou cartão? Como receber uma mensagem por celular?


    Sempre achei que o momento em que se aprende a ler representa mais que um segundo parto. Talvez seja o verdadeiro ingresso no mundo. 


Ruy Castro. Signos sem significado. Internet: <www1.folha.uol.com.br>(com adaptações).

Assinale a opção em que o trecho destacado do texto 12A4-I é introduzido por elemento de coesão sequencial com o mesmo valor semântico da conjunção “e” em “e veja como o Brasil continua longe do século 21” (terceiro período do segundo parágrafo).
Alternativas
Q3972522 Português
Texto CG2A1


    A relação entre cientistas e jornalistas, por vezes, é marcada por certa tensão. De um lado, pesquisadores temerosos de que os resultados dos seus estudos, desenvolvidos com rigor durante anos, sejam simplificados demais ou distorcidos. De outro, comunicadores — que têm espaço e tempo limitados para a produção e veiculação das notícias — diante de novos conhecimentos e terminologias difíceis, buscando transmitir conceitos e informações corretas e em uma linguagem de fácil entendimento.

    “A linguagem da academia deve ser, por definição, universal. Entretanto, os artigos científicos são, muitas vezes, impenetráveis. Precisamos nos responsabilizar como atores desse processo de comunicação universal. É nosso dever como cientistas ter forte interlocução com jornalistas. Temos a responsabilidade de fazer uma parte do caminho para que a sociedade possa ter conhecimento da ciência produzida na academia”, enfatizou o pró-reitor de Pesquisa e Inovação da USP.

    O pró-reitor destacou também que a redação científica e a comunicação oral não precisam ser enfadonhas. Correlacionando como ciência e cultura se conectam e se realimentam, o professor assinalou que “apresentar um novo conhecimento usando referências culturais pode fazer a diferença para propagar e tornar memoráveis as ideias da ciência”. 

    Um exemplo mencionado por ele foi a comunicação dos resultados de pesquisas sobre resfriamento de átomos por luz laser por dois grupos distintos. O grupo dos Estados Unidos da América (EUA) utilizou um método matemático, enquanto o grupo francês apresentou uma imagem física que representava o movimento dos átomos subindo e descendo colinas de potencial. “Para denominar esse processo, o grupo francês fez referência a Sísifo, da mitologia grega, que foi condenado a rolar uma rocha montanha acima e, a cada vez que chegava ao topo, a rocha caía e ele precisava começar tudo de novo. Essa conexão de um mecanismo físico com uma imagem cultural levou a uma perenização do conhecimento, e hoje toda a comunidade se refere a esse mecanismo como resfriamento Sísifo”, ilustra.

    Para a diretora da Faculdade de Odontologia de Bauru da USP, a divulgação científica é uma responsabilidade essencial de todos aqueles que fazem pesquisa em uma universidade pública. “Produzimos conhecimento que só cumpre plenamente seu papel quando chega à sociedade de forma acessível, contextualizada e correta, e o diálogo com profissionais de comunicação bem-preparados e interessados em compreender o rigor científico nos ajuda a traduzir achados complexos em informações úteis para o público”, avalia a professora.


Tiago Rodella. Colaboração entre pesquisadores e comunicadores fortalece a divulgação científica. In: Jornal da USP, 14/11/2025 (com adaptações).
De acordo com as relações de sentido e de coesão estabelecidas no texto CG2A1, assinale a opção correta.
Alternativas
Q3961790 Português

Texto 1A1

 

Nestes 500 anos de história, quais são as figuras que personificam o nosso país, que sintetizam, por suas qualidades e seus defeitos, suas grandezas e suas misérias, a trajetória do Brasil? Nomes não nos faltam: Tiradentes, o Aleijadinho, Pelé, Chiquinha Gonzaga, Lampião, Antônio Conselheiro, Oswaldo Cruz, Villa Lobos, Gilberto Freyre, Monteiro Lobato, Getúlio Vargas, Henfil… A vida de cada um deles contém, em miniatura, aqueles traços que, no dizer do antropólogo Roberto da Matta, fazem do Brasil o Brasil: o talento, a astúcia, a violência, a ternura, o humor, a imaginação, a vocação trágica. Mas eu, particularmente, quando penso em Brasil, penso numa outra pessoa. Uma mulher de quem nem sei o nome e que vi uma única vez.

Eu era responsável pelo posto de saúde da prefeitura na Lomba do Pinheiro numa época em que aquela era uma região isolada da cidade, de difícil acesso. Uma tarde, eu já estava saindo, quando de repente me surge essa mulher, moça ainda, mas de face devastada pela miséria, pelo sofrimento. Trazia nos braços o filho, para consultar. E, para trazer este filho, ela tinha caminhado doze quilômetros. Doze quilômetros com uma criança nos braços.

O que faz do Brasil o Brasil? Pernas como as daquela mulher, pernas que caminham incansáveis. Braços como os daquela mulher, que seguram, sem se fatigar, um filho, dois filhos, muitos filhos. O que faz do Brasil o Brasil é a coragem, a determinação, a resignação. Cada vez que alguém (em geral uma pessoa de classe média, a quem nada falta) me diz que o Brasil não tem jeito, que o Brasil é uma esculhambação, eu penso naquela mulher. E penso nela com profundo respeito. O que ela carrega nos braços é, ao fim e ao cabo, o Brasil. E vem fazendo isso há 500 anos.

 

Moacyr Scliar. A imagem viva do Brasil. In: Zero Hora, 16 de abril de 2000. Internet: <www.moacyrscliar.com> (com adaptações).

A respeito das relações coesivas estabelecidas no texto 1A1, assinale a opção correta. 
Alternativas
Q3959790 Português
Leia o texto II e responda à questão.

Texto II


O Bicho

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.


O bicho, meu Deus, era um homem.
Bandeira, Manuel. Disponível em: https://www.culturagenial.com/poema-o-bicho-manuel-bandeira/
O efeito de sentido predominante na repetição anafórica de “Não era um…” é:
Alternativas
Q3955654 Português

Pesquisas afirmam que, até o momento, não há evidências sólidas de que mudanças hormonais ao longo do ciclo mensal afetem a frequência do choro, dada a diferença entre os sexos e fatores como gravidez e envelhecimento.


(Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c74wxnw1gxeo. adaptado.adaptado)



Considerando os mecanismos de coesão textual empregados no período, assinale a alternativa CORRETA

Alternativas
Q3955014 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.

 

O que é ser feliz?

 

Se você pensa que serei capaz de dar essa resposta, não se iluda. Mas, deve estar se perguntando: por que o título, então? Simples! Acordei e encontrei a crônica da Danuza Leão na Folha de S. Paulo falando sobre o tema. Fiquei alguns minutos pensando sobre isso e decidi me jogar no assunto, mesmo que ninguém, muito menos eu, seja capaz de esgotar tal questão.

Danuza defende que ser feliz é um verbo a ser julgado no passado, nunca saberemos se somos felizes no momento presente. Sempre o saberemos depois de algumas horas, meses ou anos. Quando estamos em “o momento de felicidade” nossa preocupação é viver e ao voltarmos os olhos para trás pensamos ou concluímos: como fomos felizes ou infelizes ali. Naquele amor correspondido, no nascimento do filho, na brincadeira da infância, no livro lido, no sorriso dado...

Hoje, por exemplo, estou com aquela sensação de felicidade. Acordei, folheei o jornal – um dos maiores prazeres que tenho aos domingos –, li de cabo a rabo, em seguida tomei um ótimo café da manhã preparado às escondidas, com carinho, e com pão de queijo quente. E para tudo ficar mais perfeito, deu aquela preguiça e cochilei antes que pensasse no almoço. Foi o dia de descanso perfeito. Foi: terceira pessoa do pretérito perfeito.

Por outro lado, alguns autores afirmam que não existe a felicidade e sim momentos de alegria. Logo, não discordando de Danuza, é uma outra forma de vê-la. Mesmo que seja no passado, é feita de início, meio e fim. Acaba! Não é um estado de espírito. Ninguém é feliz o tempo todo, apenas existem momentos assim.

Daí fico pensando, enquanto escrevo aqui, não estou feliz? Após tantos momentos anteriores de prazer? Talvez, daqui a meia hora conclua: sim, enquanto escrevia eu era! Já que ninguém é feliz, foi! (...)

 

FARIA, Celso. O que é ser feliz? Blog e-urbanidade. Disponível em <https://eurbanidade.com.br/o-que-e-ser-feliz-cronica-blog-e-urbanidade/>.

“Danuza defende que ser feliz é um verbo a ser julgado no passado, nunca saberemos se somos felizes no momento presente. Sempre o saberemos depois de algumas horas, meses ou anos.”
No trecho acima, a palavra destacada substitui corretamente o termo:
Alternativas
Q3945736 Português
Para a questão, leia o texto a seguir. 
Campanha brasileira visa conscientizar sobre início de doenças raras
Muitas manifestações de doenças raras ocorrem na infância, porém em outros casos elas podem ser tardias e surgir na fase adulta
Para ser considerada rara, a condição deve afetar um número restrito de pessoas em comparação com a população geral. Além de crônico, progressivo e degenerativo, o quadro normalmente tem origem genética. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 300 milhões no mundo vivem com alguma doença rara.
Devido à alta porcentagem de diagnósticos em crianças, muitos nem imaginam, mas as condições também podem ter início apenas na fase adulta. Sem investigação ou detecção errônea, o tratamento pode ser prejudicado.
(...)
(Fonte: https://www.metropoles.com/saude/campanha-brasileira-doencas-raras).
O tema apresentado na notícia tem sua coesão garantida por mecanismos de referenciação textual, tais como a anáfora (que recupera o referente) e a catáfora (que aponta para o referente). Qual das alternativas a seguir descreve corretamente o uso desses mecanismos no texto?
Alternativas
Q3937390 Português
        A atuação do Conselho Regional de Farmácia do Distrito Federal envolve não apenas a fiscalização do exercício profissional, mas também a produção contínua de atos administrativos, pareceres técnicos, comunicações oficiais e documentos normativos destinados a profissionais, instituições e à sociedade em geral. Nesse contexto, a linguagem escrita assume papel central, pois é por meio dela que se materializam decisões, orientações e informações de interesse público.

        A clareza textual, a correção gramatical e a precisão vocabular são requisitos indispensáveis para a segurança jurídica e para a transparência administrativa. Textos mal redigidos, ambíguos ou em desacordo com a norma‑padrão podem gerar interpretações equivocadas, comprometer a eficácia dos atos administrativos e fragilizar a credibilidade institucional do Conselho. Assim, o domínio da língua portuguesa não se restringe a uma exigência formal, mas configura instrumento essencial de trabalho do servidor público.

        Além disso, a comunicação institucional deve observar princípios como impessoalidade, objetividade e padronização, especialmente em ambientes digitais, nos quais a informação circula com rapidez e amplo alcance. Dessa forma, espera‑se que o servidor do CRF‑DF seja capaz de interpretar textos oficiais, redigir documentos administrativos adequados ao contexto e reconhecer os efeitos de sentido produzidos por escolhas linguísticas, sintáticas e semânticas.

BRASIL. Manual de Redação da Presidência da República. Brasília, 2018 (com adaptações).

Acerca da norma‑padrão da língua portuguesa, julgue o item seguinte.


O texto apresenta inadequação linguística para o contexto da comunicação institucional.

Alternativas
Q3936770 Português
É a manifestação linguística da coerência. Provém da forma como as relações lógico-semânticas do texto são expressas na superfície textual. Assim, a coesão de um texto é verificada mediante a análise de seus mecanismos lexicais e gramaticais de construção.
No contexto dos diferentes mecanismos de coesão, entre outros, analise o texto a seguir:
São os que não podem ser interpretados por si próprios, mas têm que ser relacionados a outros elementos no discurso para serem compreendidos. Há dois tipos: a situacional (exofórica ) feita a algum elemento da situação e a textual (endofórica).
O texto faz referência ao mecanismo de coesão: 
Alternativas
Q3936734 Português
É a manifestação linguística da coerência. Provém da forma como as relações lógico-semânticas do texto são expressas na superfície textual. Assim, a coesão de um texto é verificada mediante a análise de seus mecanismos lexicais e gramaticais de construção.
No contexto dos diferentes mecanismos de coesão, entre outros, analise o texto a seguir:
São os que não podem ser interpretados por si próprios, mas têm que ser relacionados a outros elementos no discurso para serem compreendidos. Há dois tipos:a situacional (exofórica ) feita a algum elemento da situação e a textual (endofórica).
O texto faz referência ao mecanismo de coesão: 
Alternativas
Q3933621 Português
Texto CB2A1-I
    É claro que a gramática tem uma função sociocognitiva relevante, desde que entendida como uma ferramenta que permite uma melhor atuação comunicativa. O problema é fazer de uma metalinguagem técnica e de uma análise formal o centro do trabalho com a língua. Também não se deve reduzir a língua à ortografia e às regras gramaticais. E nesse sentido, temos a ver com uma correta identificação do que seja a gramática. O falante deve saber flexionar os verbos e usar os tempos e os modos verbais para obter os efeitos desejados; deve saber usar os artigos e os pronomes para não confundir seu ouvinte; deve seguir a concordância verbo-nominal naquilo que for necessário à boa comunicação; e assim por diante. Mas ele não precisa justificar com algum argumento por que faz isso ou aquilo nessas escolhas. O falante de uma língua deve fazer-se entender e não explicar o que está fazendo com a língua, ponto.
Luiz Antônio Marcuschi. Produção textual: análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008, p. 57.
No que diz respeito aos mecanismos de coesão empregados no texto CB2A1-I, assinale a opção correta. 
Alternativas
Q3925119 Português
A Teoria da Enunciação e a Análise do Discurso, fundamentadas em Bakhtin e Ducrot, rompem com a visão de unicidade do sujeito falante. A propriedade constitutiva da linguagem que reconhece a presença simultânea e o entrecruzamento de diversas vozes, perspectivas ou discursos no interior de um único enunciado, revelando a natureza dialógica da construção do sentido, é a: 
Alternativas
Q3913803 Português

ATENÇÃO: o texto a seguir refere-se à questão.



Maria  


     Maria estava parada há mais de meia hora no ponto de ônibus. Estava cansada de esperar. Se a distância fosse menor, teria ido a pé. Era preciso mesmo ir se acostumando com a caminhada. Os ônibus estavam aumentando tanto! Além do cansaço, a sacola estava pesada. No dia anterior, no domingo, havia tido festa na casa da patroa. Ela levava para casa os restos. O osso do pernil e as frutas que tinham enfeitado a mesa. Ganhara as frutas e uma gorjeta. O osso a patroa ia jogar fora. Estava feliz, apesar do cansaço. A gorjeta chegara numa hora boa. Os dois filhos menores estavam muito gripados. Precisava comprar xarope e aquele remedinho de desentupir o nariz. Daria para comprar também uma lata de Toddy. As frutas estavam ótimas e havia melão. As crianças nunca tinham comido melão. Será que os meninos gostavam de melão?


     A palma de uma de suas mãos doía. Tinha sofrido um corte, bem no meio, enquanto cortava o pernil para a patroa. Que coisa! Faca-laser corta até a vida! 


     Quando o ônibus apontou lá na esquina, Maria abaixou o corpo, pegando a sacola que estava no chão entre as suas pernas. O ônibus não estava cheio, havia lugares. Ela poderia descansar um pouco, cochilar até a hora da descida. Ao entrar, um homem levantou lá de trás, do último banco, fazendo um sinal para o trocador. Passou em silêncio, pagando a passagem dele e de Maria. Ela reconheceu o homem. Quanto tempo, que saudades! Como era difícil continuar a vida sem ele. Maria sentou-se na frente. O homem assentou-se ao lado dela. Ela se lembrou do passado. Do homem deitado com ela. Da vida dos dois no barraco. Dos primeiros enjoos. Da barriga enorme que todos diziam gêmeos, e da alegria dele. Que bom! Nasceu! Era um menino! E haveria de se tornar um homem. Maria viu, sem olhar, que era o pai do seu filho. Ele continuava o mesmo. Bonito, grande, o olhar assustado não se fixando em nada e em ninguém. Sentiu uma mágoa imensa. Por que não podia ser de outra forma? Por que não podiam ser felizes? E o menino, Maria? Como vai o menino? Cochichou o homem. Sabe que sinto falta de vocês? Tenho um buraco no peito, tamanha a saudade! Tou sozinho! Não arrumei, não quis mais ninguém. Você já teve outros... outros filhos? A mulher baixou os olhos como que pedindo perdão. É. Ela teve mais dois filhos, mas não tinha ninguém também! Homens também? Eles haveriam de ter outra vida. Com eles tudo haveria de ser diferente. Maria, não te esqueci! Tá tudo aqui no buraco do peito...


EVARISTO, Conceição. Olhos D’água (adaptado). Rio de Janeiro: Pallas/Fundação Biblioteca Nacional, 2016. 

Leia o fragmento a seguir.



“As crianças nunca tinham comido melão. Será que os meninos gostavam de melão?”  



Assinale a opção que indica a relação estabelecida pelos elementos em destaque. 

Alternativas
Q3906455 Português
        Suposta esta primeira verdade, certa e infalível; a segunda cousa que suponho com a mesma certeza é que a restituição do alheio sob pena da salvação não só obriga aos súditos e particulares, senão também aos cetros e às coroas. Cuidam, ou devem cuidar alguns príncipes que, assim como são superiores a todos, assim são senhores de tudo, e é engano. A lei da restituição é lei natural e lei divina. Enquanto lei natural, obriga aos reis, porque a natureza fez iguais a todos; e enquanto lei divina, também os obriga, porque Deus, que os fez maiores que os outros, é maior que eles. Esta verdade só tem contra si a prática e o uso. Mas por parte deste mesmo uso argumenta assim São Tomás, o qual é hoje o meu doutor, e nestas matérias o de maior autoridade: a rapina, ou roubo, é tomar o alheio violentamente contra vontade de seu dono: “os príncipes tomam muitas cousas a seus vassalos violentamente, e contra sua vontade; logo, parece que o roubo é lícito em alguns casos, porque se dissermos que os príncipes pecam nisto, todos eles, ou quase todos se condenariam”. Oh que terrível e temerosa consequência e quão digna de que a considerem profundamente os príncipes, e os que têm parte em suas resoluções e conselhos! Responde ao seu argumento o mesmo Doutor angélico (...). Respondo (diz S. Tomás) que, se os príncipes tiram dos súbditos o que segundo justiça lhes é devido para conservação do bem comum, ainda que o executem com violência, não é rapina ou roubo. Porém, se os príncipes tomarem por violência o que se lhes não deve, é rapina e latrocínio. Donde se segue que estão obrigados à restituição como os ladrões, e que pecam tanto mais gravemente que os mesmos ladrões, quanto mais perigoso e mais comum o dano com que ofendem a justiça pública, de que eles estão postos por defensores.

Padre António Vieira. Sermão do bom ladrão. Pregado na Igreja da Misericórdia de
Lisboa, no ano de 1655. Internet: <dominiopublico.com.br>  (com adaptações). 

Julgue o item a seguir, referente a ideias e aspectos gramaticais do texto precedente.


Pela construção dos sentidos do trecho “Respondo (diz S. Tomás) que, se os príncipes tiram dos súbditos o que segundo justiça lhes é devido para conservação do bem comum, ainda que o executem com violência, não é rapina ou roubo” (antepenúltimo período), é correto concluir que o termo “lhes” remete a “príncipes”.

Alternativas
Q3906450 Português
        Suposta esta primeira verdade, certa e infalível; a segunda cousa que suponho com a mesma certeza é que a restituição do alheio sob pena da salvação não só obriga aos súditos e particulares, senão também aos cetros e às coroas. Cuidam, ou devem cuidar alguns príncipes que, assim como são superiores a todos, assim são senhores de tudo, e é engano. A lei da restituição é lei natural e lei divina. Enquanto lei natural, obriga aos reis, porque a natureza fez iguais a todos; e enquanto lei divina, também os obriga, porque Deus, que os fez maiores que os outros, é maior que eles. Esta verdade só tem contra si a prática e o uso. Mas por parte deste mesmo uso argumenta assim São Tomás, o qual é hoje o meu doutor, e nestas matérias o de maior autoridade: a rapina, ou roubo, é tomar o alheio violentamente contra vontade de seu dono: “os príncipes tomam muitas cousas a seus vassalos violentamente, e contra sua vontade; logo, parece que o roubo é lícito em alguns casos, porque se dissermos que os príncipes pecam nisto, todos eles, ou quase todos se condenariam”. Oh que terrível e temerosa consequência e quão digna de que a considerem profundamente os príncipes, e os que têm parte em suas resoluções e conselhos! Responde ao seu argumento o mesmo Doutor angélico (...). Respondo (diz S. Tomás) que, se os príncipes tiram dos súbditos o que segundo justiça lhes é devido para conservação do bem comum, ainda que o executem com violência, não é rapina ou roubo. Porém, se os príncipes tomarem por violência o que se lhes não deve, é rapina e latrocínio. Donde se segue que estão obrigados à restituição como os ladrões, e que pecam tanto mais gravemente que os mesmos ladrões, quanto mais perigoso e mais comum o dano com que ofendem a justiça pública, de que eles estão postos por defensores.

Padre António Vieira. Sermão do bom ladrão. Pregado na Igreja da Misericórdia de
Lisboa, no ano de 1655. Internet: <dominiopublico.com.br>  (com adaptações). 

Julgue o item a seguir, referente a ideias e aspectos gramaticais do texto precedente.


No quarto período, a supressão das vírgulas que isolam a oração “que os fez maiores que os outros” prejudicaria a coerência das ideias que sustentam o texto, baseadas na fé católica. 

Alternativas
Q3906445 Português
        De acordo com o humanismo, as experiências ocorrem dentro de nós e devemos encontrar em nosso interior o sentido de tudo o que acontece, impregnando desse modo o universo de significado. Os dataístas acreditam que experiências não têm valor se não forem compartilhadas e que não precisamos — na verdade não podemos — encontrar significado em nosso interior. Só precisamos gravar e conectar nossa experiência ao grande fluxo de dados, e os algoritmos vão descobrir seu significado e nos dizer o que fazer.

        À pergunta “o que faz os humanos serem superiores aos outros animais?” o dataísmo apresenta uma resposta inédita e simples. Em si mesmas, as experiências humanas não são superiores às dos lobos ou elefantes. Cada bit de dados é tão bom num caso como no outro. Contudo, um humano pode escrever um poema sobre sua experiência e postá-lo online, enriquecendo com isso o sistema global de processamento de dados. Isso confere valor aos seus bits. Um lobo não é capaz de fazer isso. Daí que todas as experiências do lobo — por mais profundas e complexas que possam ser — resultam inúteis. Não é de admirar que nos ocupemos tanto em converter nossas experiências em dados. Não é uma questão de tendência ou moda. É uma questão de sobrevivência. Temos de provar a nós mesmos e ao sistema que ainda temos valor. E o valor reside não em ter tido experiências, e sim em fazer delas um fluxo livre de dados.

Yuval Noah Harari. Homo Deus: uma breve história do amanhã. Paulo Geiger (Trad.).
1.ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 389 (com adaptações)

Em relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o seguinte item.


Estariam mantidas as relações sintático-semânticas estabelecidas no último período do texto, bem como a coerência de suas ideias, caso se deslocasse, no trecho “E o valor reside não em ter tido experiências”, o vocábulo “não" para imediatamente depois da preposição “em”.

Alternativas
Q3906438 Português
        De acordo com o humanismo, as experiências ocorrem dentro de nós e devemos encontrar em nosso interior o sentido de tudo o que acontece, impregnando desse modo o universo de significado. Os dataístas acreditam que experiências não têm valor se não forem compartilhadas e que não precisamos — na verdade não podemos — encontrar significado em nosso interior. Só precisamos gravar e conectar nossa experiência ao grande fluxo de dados, e os algoritmos vão descobrir seu significado e nos dizer o que fazer.

        À pergunta “o que faz os humanos serem superiores aos outros animais?” o dataísmo apresenta uma resposta inédita e simples. Em si mesmas, as experiências humanas não são superiores às dos lobos ou elefantes. Cada bit de dados é tão bom num caso como no outro. Contudo, um humano pode escrever um poema sobre sua experiência e postá-lo online, enriquecendo com isso o sistema global de processamento de dados. Isso confere valor aos seus bits. Um lobo não é capaz de fazer isso. Daí que todas as experiências do lobo — por mais profundas e complexas que possam ser — resultam inúteis. Não é de admirar que nos ocupemos tanto em converter nossas experiências em dados. Não é uma questão de tendência ou moda. É uma questão de sobrevivência. Temos de provar a nós mesmos e ao sistema que ainda temos valor. E o valor reside não em ter tido experiências, e sim em fazer delas um fluxo livre de dados.

Yuval Noah Harari. Homo Deus: uma breve história do amanhã. Paulo Geiger (Trad.).
1.ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 389 (com adaptações)

Em relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o seguinte item.


Das relações coesivas do quarto período do segundo parágrafo conclui-se que a forma pronominal “lo”, em “postá-lo”, retoma não um vocábulo específico, mas a ideia expressa na primeira oração do período, motivo por que “lo” se classifica, na oração em que ocorre, como um pronome demonstrativo.

Alternativas
Respostas
1: E
2: E
3: C
4: B
5: E
6: D
7: A
8: A
9: A
10: D
11: E
12: D
13: D
14: E
15: E
16: B
17: C
18: C
19: E
20: E