Questões de Concurso
Comentadas sobre coesão e coerência em português
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Leia o texto a seguir para responder a questão.
Palavras gordas, ideias magras
Rodrigo Gurgel
“Você precisa florear o seu texto. Um texto precisa ter palavras bonitas.” Era o que eu ouvia na escola quando comecei a escrever o que antigamente chamávamos de “composições” — o que hoje todos conhecem como “redação”.
Quantos professores não continuam repetindo a mesmíssima coisa para seus alunos e perpetuando a ideia falsa de que todo texto precisa ser, principalmente, enfeitado? Eles, contudo, não o fazem por mal. Repetem esses lugares-comuns porque desconhecem o que é literatura e porque aprenderam que escrever é um exercício de adiposidade verbal: usar palavras gordas para ideias magras, como dizia Álvaro Lins. E é mais fácil repetir o que se aprendeu.
Sejam quais forem as razões que os levam a fazê-lo, o fato é que, ao repetir o aprendido, propagam uma retórica que poderíamos sem exagero chamar de venenosa. Essa retórica, difunde-a o escritor grandiloquente e os críticos que o incensam. Difunde-a a professora que escolhe textos palavrosos e cheios de uma adjetivação vazia, mostrando-os aos alunos como exemplos de boa literatura. Difunde-a o jornalista com seus chavões e frases de efeito em textos ocos e mal escritos. Difundem-na as escolas, os jornais, os portais de notícias da web, de modo que, em toda a parte, o que se encontra é só repetição.
Literários ou não, tais textos não refletem aquilo que o escritor ou autor realmente pensa: não passam de macaqueação. Revelam ainda o equívoco de conceber a escrita como o ato de reunir conceitos prontos e expressões lidas e/ou ouvidas em algum lugar — e enfiá-los todos num papel (ou numa tela). Mas não há escrita sem reflexão. As palavras precisam expressar o que o escritor realmente deseja expressar. Por isso, para se desenredar da retórica perniciosa, quem escreve tem de pensar de forma clara e adequar o seu pensamento às palavras.
Essa questão não nos apresenta somente um problema linguístico ou estético, senão também um problema ético. Pois no substrato da imprecisão no uso das palavras ou do excesso de palavras vazias, há duas coisas: incompetência e insinceridade. Males felizmente remediáveis.
A incompetência se revolve com o estudo, a leitura de bons autores e a produção consciente de textos. A insinceridade, por sua vez, resolve-se com uma mudança de comportamento. É preciso ser sincero consigo mesmo e fazer com que suas palavras digam aquilo que de fato você quer dizer. É preciso, enfim, deixar de ser um mero repetidor.
Disponível em: https://rodrigogurgel.com.br/palavras-gordas-ideias-magras/ Acesso em abril 2022.
( ) No 1º parágrafo, os verbos ser, ouvir e começar aparecem todos flexionados na 1ª pessoa do singular, no pretérito perfeito do indicativo.
( ) Os termos incensam (3º parágrafo) e perniciosa (4º parágrafo) poderiam ser substituídos por acendem e danosa, respectivamente, sem prejuízo ao sentido do texto.
( ) No 2º parágrafo, as formas nominais repetindo e perpetuando ajudam a reforçar a ideia de continuidade de uma ação, o que é característico do gerúndio.
( ) As palavras chamávamos, desconhecem, excesso e consciente apresentam diferentes tipos de dígrafos.
A sequência correta, de cima para baixo, está descrita na alternativa:
São mecanismos de coesão textual, segundo consta em Koch (2010):
I. Referência: pessoal, demonstrativa, comparativa.
II. Substituição: verbal, nominal, frasal.
III. Elipse: nominal, verbal, frasal.
IV. Conjunção: aditiva, adversativa, causal, temporal, continuativa.
V. Coesão lexical: repetição, sinonímia, hiperonímia, uso de nomes genéricos, colocação.
Quais estão corretos?
“Olhou o objeto por trás da cadeira que estava diante dele. Contornou-a e aproximou-se da mesa. Cuidadosamente, pegou o pequeno pássaro esculpido em madeira e, voltando para a cadeira, girou-o entre os dedos, examinando a pequena base pintada de azul”.
A técnica descritiva empregada nesse texto, é:

Os elementos de coesão destacados na frase acima têm valor lógico-semântico
Fragmento do texto “Discurso de ódio promove discriminação e até violência; entenda”, de Paula Rodrigues de Ecoa, publicado em 01/02/2022
Liberdade de expressão justifica o discurso de ódio?
Boa parte dos discursos de ódio nos dias atuais tem sido justificada pela liberdade de expressão, que é um direito constitucional de qualquer cidadão ou cidadã brasileira. Na Constituição está lá: “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.
O mesmo diz a Declaração Universal dos Direitos Humanos: “Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras”.
Só que existem outros artigos nos dois documentos que também garantem a liberdade de cada um exercer sua religião, ou que nenhum ser humano deve ser discriminado pela cor da pele, por exemplo. Na prática, isso significa que certos discursos e ações não podem ferir esses outros direitos.
“Tem até um slogan importante que diz: liberdade de expressão não significa liberdade de ódio. A pessoa pode até odiar, mas não pode expressar esse ódio. No momento em que ela expressa o ódio, ela está assumindo uma responsabilidade inclusive legal de responder por isso, porque nós temos uma Constituição que diz que todos somos iguais perante a Lei”, diz Jaqueline.
Fonte: www.uol.com.br
Texto para o item.

No que se refere à correção gramatical e à coerência da proposta de reescrita para o trecho destacado do texto, julgue o item.
“apesar de haver um nível alto de descrença na
ciência” (linhas 18 e 19): a despeito do alto nível de
descrença na ciência
Texto para o item.

Considerando a correção gramatical e a coerência textual, julgue o item , quanto às substituições propostas para vocábulos e trechos destacados do texto.
“e tampouco” (linha 15) por nem
Texto para o item.

A respeito de aspectos linguísticos do texto, julgue o item.
Dadas as relações de coesão do texto, conclui-se que, no
segmento “quem as produz” (linhas 14 e 15), o vocábulo
“as” está empregado em referência a “pesquisas
científicas” (linha 14).
A autora, ao citar outro texto, exemplifica uma marca característica da textualidade.
Assinale a opção que a indica:
Os voluntários foram selecionados para o estudo porque já haviam se submetido a exames de ressonância magnética antes de ter Covid. Só que esses exames eram bem antigos: haviam sido realizados há 3 anos, em média. De lá para cá, o cérebro pode ter encolhido naturalmente, por causa do envelhecimento – os voluntários tinham entre 51 e 81 anos – e não devido ao coronavírus. Além disso, os voluntários foram testados apenas 4 meses após a Covid, ou seja, ainda podiam estar com sintomas temporários.
Uma prova de concurso público trazia o seguinte segmento, sobre o qual se deveria fazer uma redação de tipo argumentativo: “Nós não nos educamos ao mesmo tempo que nos divertimos” era a opinião de um famoso filósofo francês. Tendo por base a sua experiência, você concorda ou discorda dessa opinião?
O segmento abaixo que NÃO mostra ligação coerente ou lógica com o tema abordado é:
Veja agora dois segmentos que abordam a temática dos jogos eletrônicos:
Texto 1 – Os jogos eletrônicos são hoje muito variados. Certamente eles não contribuem para o desenvolvimento motor da criança, mas eles a familiarizam, sob um modo lúdico, com a tecnologia moderna.
Texto 2 – Os jogos eletrônicos familiarizam a criança com a tecnologia moderna. Certamente, os tipos de jogos são variados. Entretanto existem outros jogos que exercitam o corpo.
Sobre a construção desses segmentos, a afirmação correta é:
Leia o texto.
Despedida
E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perde da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação.
Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.
E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?
Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro* inábil.
Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus.
A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.
* Pessoa que movimenta bonecos articulados com fios.
(Rubem Braga)
Indique o mecanismo que NÃO contribui para a coesão e coerência do texto.
Leia o Texto 01 a seguir e responda à questão.
Texto 01: A filosofia da assertividade
Assertividade é filosofia de vida; é mais do que um comportamento, pois engloba valores, atitudes, pensamentos e sentimentos frente à vida. O comportamento é a forma de expressar essa filosofia de vida. Assertividade é uma filosofia de relacionamento humano, que busca soluções ganha-ganha.
Assertividade é o “ingrediente” dos relacionamentos saudáveis que não negam nem temem o conflito, mas que veem o conflito como uma possibilidade de crescimento.
Quando conseguimos expressar nossos pensamentos, sentimentos e vontades sem agredir o outro, sentimo-nos leves e satisfeitos. Esse bem-estar é o resultado da comunicação assertiva, constituída por pensamentos, sentimentos e ações que afirmam nosso eu.
Isto significa que nós podemos ocupar o espaço a que temos direito sem invadir o espaço do outro. Podemos atingir nossos objetivos e metas profissionais e pessoais com persistência, adotando, porém, uma postura ética.
Viver de forma assertiva é manter-se em equilíbrio no justo meio-termo entre dois extremos inadequados, um por excesso (agressão), outro por falta (submissão). A assertividade clarifica as relações, propiciando uma comunicação ética entre as pessoas. A linguagem assertiva, verbal e não verbal, utiliza signos que exprimem a verdade, autorrespeito e respeito pelos outros, buscando uma solução para os conflitos que satisfaça aos interesses das partes envolvidas. A técnica assertiva “aposta” na mudança do comportamento passivo ou agressivo para um comportamento maduro e honesto, adaptado a todos os tipos de personalidade com os quais nos relacionamos.
Referência: COELHO, Nazilda. Comunicação Assertiva. Governo do Estado de
Pernambuco, Secretaria de Administração, Centro de Formação dos Servidores e
Empregados Públicos do Poder Executivo Estadual. Recife: Cefospe, 2020. p. 15.
A organização das ideias em um texto se dá pela coesão no sentido gramatical e no semântico.
No Texto 01, a autora emprega, de modo mais frequente, um mecanismo de coesão semântica. Indique qual é esse fenômeno.
Texto 01
PERSISTÊNCIA
A maioria das pessoas está pronta para jogar fora objetivos e propósitos e desistir ao primeiro sinal de oposição ou infortúnio. Algumas continuam, apesar de toda oposição, até atingirem o objetivo. Pode não haver uma conotação heroica na palavra “persistência”, mas ela faz por seu caráter o que o carbono faz pelo ferro – o endurece e transforma em aço.
Aqueles que cultivaram o hábito da persistência parecem protegidos contra o fracasso. Não importa quantas vezes sejam derrotados, no fim alcançam o objetivo. E mais ainda – o conhecimento de que todo fracasso traz nele a semente de uma vantagem equivalente.
As pessoas que aprendem pela experiência a importância da persistência não aceitam a derrota como algo mais que temporário. Vemos que essas pessoas transformam o castigo da derrota em impulso para se esforçarem mais. Mas o que não vemos, o que a maioria nem suspeita, é o poder silencioso, que socorre os que lutam contra o desânimo.
HILL, Napoleon. Quem pensa, enriquece. O Legado. Fundação Napoleon Hill. 2020. p.69-70.
Observe o fragmento de texto abaixo:
“...não aceitam a derrota como algo mais que temporário.”
Sobre ele, está CORRETO afirmar que
TEXTO 3
HOME OFFICE
A grande mudança trazida pela Covid-19 foi a implantação do home office pelas empresas. Com o isolamento para conter a propagação da doença, o trabalho remoto foi a saída encontrada para continuar as atividades, pelo menos para aqueles profissionais cujo emprego não exige presença física em um local específico. Essa medida adiantou uma prática que vinha sendo implantada de forma gradual antes da pandemia por algumas empresas, limitada a alguns dias da semana.
O Twitter, por exemplo, informou em maio que os funcionários poderiam trabalhar em casa para sempre, caso preferissem. A exceção ficaria por conta daqueles profissionais que não conseguem desempenhar o trabalho a distância, como a equipe de manutenção nos servidores.
No entanto, essa mudança na forma de trabalhar traz desafios como continuar produtivo sem a supervisão direta do chefe ou perto dele, mantendo o mesmo número de horas trabalhadas; aumento de gastos com água, luz, internet e mobiliário adequado em casa; capacidade de manter a comunicação de forma virtual com o distanciamento físico de chefes e colegas; além do equilíbrio do trabalho em casa com a vida pessoal.
O economista Thomas Coutrot, cujas pesquisas são focadas no impacto da globalização no mercado de trabalho, é cético quanto ao futuro do trabalho a distância. “Talvez as pessoas se deem conta de que o trabalho remoto não tem nada a ver com o paraíso com que elas sonhavam, de conciliação entre a vida profissional e a pessoal. Trabalho remoto é difícil: é uma pressão, um isolamento, uma dificuldade de comunicação e cooperação com os colegas. É uma situação bastante precária”, opina.
Ele observa que, em poucas semanas, as empresas já constatam o aparecimento de problemas de saúde física e mental dos funcionários que estão em casa devido à pandemia – um problema que só tende a aumentar.
“O controle do empregador é ainda mais acirrado quando os empregados estão a distância. O trabalhador fica conectado em tempo integral, no sistema da empresa. Os chefes podem saber o que cada um está fazendo em tempo real”, frisa.
“Além disso, é uma situação que limita a autonomia, a criatividade, a possibilidade de tomar um tempo para conversar com os colegas sobre assuntos não diretamente ligados ao trabalho, mas que propiciam novas ideias e soluções.”
https://g1.globo.com/economia/concursos-e-emprego/noticia/2020/06/19/pandemia-, adiantou-mudancas-no-mundo-do-trabalho. Acesso em 28/04/2022.
Observe o fragmento de texto abaixo:
“...cujo emprego não exige presença física em um local específico.”
Se os termos “presença” e “local” fossem substituídos, respectivamente, por “contatos” e “localidades”, a construção CORRETA estaria indicada na alternativa