Questões de Concurso Sobre análise sintática em português

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Q3937137 Português
Mato Grosso possui um dos melhores sistemas de bibliotecas públicas do país, avalia CFB

        O Sistema de Bibliotecas Públicas de Mato Grosso está em primeiro lugar em políticas públicas voltadas para o livro e a leitura na região Centro‑Oeste do Brasil, segundo o Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB). “Somos o único setor que trabalha gestão pública para bibliotecas no Estado. Coordenamos 167 bibliotecas municipais, comunitárias e também as implantadas por meio de recursos do poder privado em parceria com o poder público. A Biblioteca Pública Estadual Estevão de Mendonça é o nosso laboratório, onde todos os testes são feitos para serem disseminados para o interior”, afirma a bibliotecária Waldineia Ribeiro de Almeida, coordenadora do sistema, ligada à secretaria estadual de Cultura, Esporte e Lazer.

        A instituição, que tem importância literária e social dentro do Estado, está sediada no Palácio de Instrução, prédio histórico e imponente, construído entre os anos de 1911 e 1914, e inicialmente arquitetado para abrigar a sede da Escola Normal e a Escola Modelo, funcionando mais tarde também a Escola Liceu Cuiabano, quadrilátero do Largo da Matriz, região significativa no período colonial e próximo ao quartel da Força Nacional. O prédio que abriga a Biblioteca Estevão de Mendonça surgiu quando a arquitetura cuiabana sofreu grande influência dos italianos. “No final do século XIX trouxeram uma nova maneira de construir para Cuiabá. A estética mudou e as obras passaram a incluir ornamentos ecléticos e plantas neoclássicas”, explica o arquiteto da Secel, Robinson Araújo.

        A coordenadora também menciona que, por ser um patrimônio e ponto turístico da capital, a visitação no Palácio da Instrução é um dos maiores serviços registrados no local. “Em datas comemorativas, como aniversário da cidade e do Estado, chegamos a receber 1.000 pessoas por dia para visitas orientadas e direcionadas. Já diariamente cerca de 100 pessoas passam por aqui. A nossa sala de acervo geral tem catalogado mais de 30 mil exemplares de livros, e a sala Mato Grosso é a mais procurada. Nela temos todas as referências de literatura mato‑grossense”, destaca.

        A informação é da secretaria estadual de Comunicação.

Internet:<sonoticias.com.br>  (com adaptações).

Com base nas ideias e nos aspectos gramaticais do texto, julgue o item a seguir.


A enumeração presente no trecho “bibliotecas municipais, comunitárias e também as implantadas por meio de recursos do poder privado em parceria com o poder público” apresenta organização sintática adequada, pois todos os termos coordenados mantêm relação de dependência com o mesmo núcleo nominal “bibliotecas” e desempenham função adjetiva equivalente, ainda que expressa por estruturas morfossintáticas distintas.

Alternativas
Q3932478 Português
        A maior planície alagável do mundo está secando e ficando mais quente a um ritmo acelerado. Em quatro décadas, o pantanal, o menor bioma brasileiro, foi o que mais aqueceu e teve a maior redução na quantidade de chuvas. Essa dupla tendência, de mais calor e de menos pluviosidade, é visível em todos os ecossistemas nacionais — da amazônia, no Norte, que engloba quase metade da área do país, ao pampa, no Rio Grande do Sul, ainda que nesse bioma de forma bem menos perceptível.

        Entre 1985 e 2024, a temperatura média no bioma subiu 0,47 °C por década. Em quatro décadas, o aumento acumulado no pantanal chega a quase 1,9 °C. O ritmo de crescimento do aquecimento no pantanal é 60% superior ao calculado no mesmo período para o Brasil como um todo e para os biomas amazônia e cerrado, que abrangem quase três quartos da área nacional. A velocidade de subida dos termômetros no pantanal é ainda cerca do dobro da apresentada na caatinga e na mata atlântica e mais que o triplo da do pampa nos 40 anos analisados.

Marcos Pivetta. Um pantanal mais quente e seco.
In: Revista Pesquisa FAPESP, 2026, v. 360, p. 45 (com adaptações).

Julgue o próximo item, referente ao texto precedente.


O termo “brasileiro” (segundo período do primeiro parágrafo) desempenha a mesma função sintática dos termos “amazônia” e “cerrado” (terceiro período do segundo parágrafo): o primeiro modifica o nome “bioma”, e os dois últimos, “biomas”.

Alternativas
Q3932475 Português
        Linguagem Simples é o nome dado no Brasil a um conjunto de técnicas de redação e de design da informação usadas para produzir textos claros para o público-alvo das comunicações oficiais.

        Quando falamos em “público-alvo”, estamos tratando especificamente da parcela da população a quem a informação se destina. Uma pessoa pode, por exemplo, redigir um texto para um site de câmara municipal com o objetivo de que seja compreendido por cidadãos com ensino médio completo; um folheto sobre malária para uma população ribeirinha de baixa escolaridade; ou, ainda, um estudo legislativo para embasar o trabalho de um deputado. Em qualquer dessas situações, tanto o público como a instituição vão se beneficiar do uso da Linguagem Simples.

        Embora no Brasil o termo “Linguagem Simples” tenha prevalecido, o mote da técnica não é exatamente “quanto mais simples, melhor”, mas “quanto mais claro, melhor”. Tendo-se em mente que a clareza, e não a simplicidade, é a meta última da técnica, é possível e desejável usá-la até mesmo para redigir um texto técnico para o público especialista em determinado assunto. Em casos como esse, trocar palavras difíceis por outras mais fáceis não será a primeira preocupação.

         A Linguagem Simples vai muito além da escolha de palavras. A técnica engloba diretrizes relacionadas à arquitetura da informação, à estrutura das frases e ao design, com o objetivo de reduzir o tempo e a dificuldade para o cérebro processar informações.

Patrícia Roedel. Manual de linguagem simples: como planejar, desenvolver e testar textos que funcionam. Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2024, p. 13-14 (com adaptações)

Com base nas ideias e nos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item seguinte.


No segundo parágrafo, os termos preposicionados “por cidadãos com ensino médio completo” (segundo período) e “do uso da Linguagem Simples” (último período) desempenham a mesma função sintática nas orações em que ocorrem — ambas na voz passiva.

Alternativas
Q3932316 Português

    O conhecimento geral sobre medicamentos é importante para a saúde pública, a prática clínica e a promoção da segurança do paciente. Frequentemente referido na literatura da área como alfabetização medicamentosa (medication literacy), esse conhecimento transcende a simples identificação de nomes farmacêuticos: envolve a capacidade de entender, interpretar, avaliar e aplicar corretamente informações referentes a medicamentos em contextos reais de uso, incluindo habilidades funcionais (como ler rótulos e bulas), comunicativas e críticas (como avaliar fontes de informação) e competências numéricas (para calcular dosagens ou horários).        
     Evidências científicas mostram que baixos níveis de literacia em medicamentos estão associados a resultados de saúde piores e a desfechos clínicos negativos, já que grande parte de pacientes desconhece os nomes genéricos ou a finalidade de seus medicamentos. Indivíduos com pouco conhecimento sobre seus tratamentos tendem a apresentar adesão terapêutica reduzida, maior risco de eventos adversos e menor controle de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e outras comorbidades comuns em populações envelhecidas. Esses efeitos negativos se dão porque o entendimento inadequado do regime medicamentoso compromete a capacidade de seguir orientações terapêuticas corretamente e de reconhecer sinais de alerta de complicações.     
     Quando os pacientes compreendem por que um medicamento foi prescrito, qual sua função e quais são os possíveis efeitos colaterais, eles adquirem maior autonomia e podem participar, de forma mais ativa, nas decisões de cuidado, dialogar com profissionais de saúde e evitar práticas de risco, como automedicação ou descontinuação irregular de tratamento.        
     A formação de médicos, farmacêuticos, enfermeiros e demais profissionais inclui, cada vez mais, competências relacionadas à adesão medicamentosa e comunicação efetiva acerca de tratamentos, uma vez que esses conhecimentos impactam diretamente a prática clínica e a promoção do uso racional de medicamentos. Nesse sentido, a presença de farmacêuticos e programas educativos nas unidades de saúde é uma estratégia comprovada para elevar o conhecimento medicamentoso da população, proporcionando não apenas informações precisas sobre medicamentos genéricos e prescritos, mas também orientações relativas ao uso racional e à prevenção de problemas como resistência antimicrobiana e interações medicamentosas.
    Em suma, o conhecimento sobre medicamentos é um componente essencial da saúde contemporânea, sustentado por evidências científicas que demonstram sua relação com melhores desfechos clínicos, maior segurança terapêutica e maior participação dos pacientes na gestão de sua própria saúde.


Internet: <rsdjournal.org> (com adaptações).

No que diz respeito à estruturação linguística do texto, julgue os itens seguintes.
No final do trecho “esse conhecimento transcende a simples identificação de nomes farmacêuticos: envolve a capacidade de entender, interpretar, avaliar e aplicar corretamente informações referentes a medicamentos em contextos reais de uso, incluindo habilidades funcionais (como ler rótulos e bulas), comunicativas e críticas (como avaliar fontes de informação) e competências numéricas (para calcular dosagens ou horários).”, a oração iniciada pela forma verbal “incluindo” constitui oração reduzida de gerúndio com valor explicativo.
Alternativas
Q3931031 Português

Texto para o item abaixo.


    Pessoas idosas são as que mais fazem uso simultâneo de muitos medicamentos, principalmente em razão de condições crônicas, como doenças cardiovasculares, diabetes, neoplasias e doenças respiratórias. Essas enfermidades exigem tratamentos contínuos, prolongados e complexos, e estão entre as principais causas de mortalidade nessa faixa etária.


    A adesão ao tratamento medicamentoso – entendida como a correspondência do indivíduo às recomendações de profissionais de saúde, incluindo o uso correto de medicamentos, a observância de dietas específicas e a execução de mudanças no estilo de vida – pode ser um desafio para idosos com condições crônicas. Fatores como o declínio cognitivo, a severidade do estado de saúde e o uso de múltiplos medicamentos aumentam a dificuldade que esses pacientes têm de seguir corretamente o tratamento prescrito.


    A baixa adesão compromete o sucesso terapêutico, e pode levar ao agravamento de doenças crônicas, ao aumento de internações hospitalares, à sobrecarga dos serviços de saúde e à elevação de custos, além de impactar negativamente a morbimortalidade nessa população. Pesquisas indicam que a adesão medicamentosa entre idosos varia entre 40% e 80%, valores considerados piores do que os da população em geral, estimada em aproximadamente 50%.


    Para alcançar boa adesão à medicação, é essencial que os idosos compreendam informações relacionadas à sua saúde e ao seu tratamento, como a leitura correta de rótulos de medicamentos, as prescrições e as orientações fornecidas por profissionais de saúde. Muitas vezes, limitações cognitivas, sensoriais ou educacionais dificultam essa compreensão, contribuindo para o uso inadequado ou o abandono do tratamento.


    Nesse contexto, o letramento funcional em saúde (LFS) – definido como o conjunto de conhecimentos, habilidades e motivação necessário para acessar, interpretar e aplicar informações de saúde, a fim de gerir cuidados próprios e manter ou melhorar a qualidade de vida – apresenta relação direta com a adesão medicamentosa. Conhecer essa relação, especialmente no contexto da Atenção Primária à Saúde (APS) e da Estratégia Saúde da Família (ESF), é fundamental para que enfermeiros e demais profissionais planejem intervenções direcionadas ao tratamento medicamentoso, considerando‑se o LFS do paciente, e, assim, promovam melhores resultados terapêuticos e maior qualidade de vida.


Internet: (com adaptações)


Quanto à estruturação linguístico‑gramatical do texto, julgue o item a seguir.




No trecho “Fatores como o declínio cognitivo, a severidade do estado de saúde e o uso de múltiplos medicamentos aumentam a dificuldade que esses pacientes têm de seguir corretamente o tratamento prescrito.”, a oração “que esses pacientes têm de seguir corretamente o tratamento prescrito” é coordenada explicativa em relação ao termo “dificuldade”.
Alternativas
Q3925854 Português
TEXTO I

RAÍZES PROFUNDAS DA CULTURA BRASILEIRA: UMA TRAMA DE IDENTIDADES

cultura brasileira é um mosaico vibrante, forjado pela confluência de povos e tradições que se entrelaçaram ao longo dos séculos. Desde os povos indígenas, guardiões ancestrais de saberes e lendas, passando pela riqueza mística e sonora trazida pelos africanos, até a influência europeia com suas festas, culinária e literatura, cada elemento deixou uma marca indelével na construção da nossa identidade. A música popular brasileira (MPB), por exemplo, é um espelho dessa miscigenação, absorvendo ritmos como o samba, o baião, o maracatu e a bossa nova, e recriando-os em melodias e letras que contam a história de um povo. O cinema nacional, embora com desafios constantes, tem se esforçado para projetar essa pluralidade, retratando o cotidiano das nossas comunidades, as belezas naturais e as complexidades sociais que nos definem. O patrimônio histórico, espalhado por cidades como Ouro Preto, Salvador e Paraty, narra visualmente a saga colonial e imperial, com suas igrejas barrocas, casarões e ruas de pedra que resistem ao tempo. As festas juninas, com suas quadrilhas, fogueiras e comidas típicas, são um exemplo perfeito de como a religiosidade popular se mescla com tradições agrícolas ancestrais, celebrando a fartura e a união comunitária em todo o país. Além disso, a literatura de cordel, expressa em folhetos ilustrados, persiste como uma forma genuína de contar histórias, noticiar fatos e criticar a sociedade, com sua poesia rimada e acessível, profundamente enraizada no Nordeste, mas que ecoa por todo o Brasil. Essa riqueza cultural não é estática; ela se reinventa a cada geração, adaptando-se e incorporando novas influências, enquanto mantém viva a memória de suas origens, tornando o Brasil um país de incontáveis faces e infinitas narrativas. É nessa diversidade que reside a verdadeira força e beleza da nossa nação.

(Adaptado de Jornal do Brasil, nov. 2024)

base no texto acima, julgue o item a seguir.


A oração 'que nos definem' (segundo parágrafo), referindo-se a 'complexidades sociais', possui a função de restringir o sentido do termo antecedente, ou seja, as complexidades sociais são as únicas que definem o Brasil, conforme a interpretação do texto.

Alternativas
Q3906449 Português
        Suposta esta primeira verdade, certa e infalível; a segunda cousa que suponho com a mesma certeza é que a restituição do alheio sob pena da salvação não só obriga aos súditos e particulares, senão também aos cetros e às coroas. Cuidam, ou devem cuidar alguns príncipes que, assim como são superiores a todos, assim são senhores de tudo, e é engano. A lei da restituição é lei natural e lei divina. Enquanto lei natural, obriga aos reis, porque a natureza fez iguais a todos; e enquanto lei divina, também os obriga, porque Deus, que os fez maiores que os outros, é maior que eles. Esta verdade só tem contra si a prática e o uso. Mas por parte deste mesmo uso argumenta assim São Tomás, o qual é hoje o meu doutor, e nestas matérias o de maior autoridade: a rapina, ou roubo, é tomar o alheio violentamente contra vontade de seu dono: “os príncipes tomam muitas cousas a seus vassalos violentamente, e contra sua vontade; logo, parece que o roubo é lícito em alguns casos, porque se dissermos que os príncipes pecam nisto, todos eles, ou quase todos se condenariam”. Oh que terrível e temerosa consequência e quão digna de que a considerem profundamente os príncipes, e os que têm parte em suas resoluções e conselhos! Responde ao seu argumento o mesmo Doutor angélico (...). Respondo (diz S. Tomás) que, se os príncipes tiram dos súbditos o que segundo justiça lhes é devido para conservação do bem comum, ainda que o executem com violência, não é rapina ou roubo. Porém, se os príncipes tomarem por violência o que se lhes não deve, é rapina e latrocínio. Donde se segue que estão obrigados à restituição como os ladrões, e que pecam tanto mais gravemente que os mesmos ladrões, quanto mais perigoso e mais comum o dano com que ofendem a justiça pública, de que eles estão postos por defensores.

Padre António Vieira. Sermão do bom ladrão. Pregado na Igreja da Misericórdia de
Lisboa, no ano de 1655. Internet: <dominiopublico.com.br>  (com adaptações). 

Julgue o item a seguir, referente a ideias e aspectos gramaticais do texto precedente.


No primeiro período, o segmento “do alheio” funciona como adjunto adnominal, entendendo-se do texto que ao “alheio”, ou seja, ao outro, ao estranho, cabe a ação de restituição para a própria salvação.

Alternativas
Q3878077 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Estudo citado por vinte e cinco anos para defender agrotóxico mais usado no Brasil foi invalidado


Um estudo publicado há cerca de vinte e cinco anos, que afirmava que o agrotóxico glifosato não oferecia riscos à saúde humana nem causava câncer, foi excluído em dezembro da revista científica que o havia divulgado. O artigo, produzido no fim da década de 1990, tornou-se por décadas uma das principais referências para embasar decisões regulatórias favoráveis ao uso do produto.


O glifosato é um dos agrotóxicos mais utilizados no mundo, especialmente no Brasil e nos Estados Unidos. Amplamente associado ao cultivo de soja transgênica, o herbicida teve papel decisivo na expansão da produção agrícola brasileira e na consolidação do país como maior produtor mundial do grão.


Segundo comunicado da revista, a exclusão ocorreu devido a problemas considerados graves o suficiente para comprometer a integridade acadêmica do trabalho e a confiabilidade de suas conclusões. Entre as falhas apontadas estão a participação de funcionários da Monsanto na elaboração do artigo e o fato de ele se apoiar essencialmente em um único estudo produzido pela própria empresa, historicamente a principal fabricante do glifosato, comercializado sob a marca Roundup e hoje pertencente à Bayer.


A publicação reconheceu que o artigo exerceu influência significativa em decisões regulatórias relacionadas ao glifosato por décadas. A retratação foi justificada pela falta de transparência sobre a autoria de trechos do texto e pela incerteza quanto à independência das conclusões, especialmente na afirmação de que o glifosato não apresenta potencial cancerígeno. Também foram mencionadas decisões judiciais que indicam a possibilidade de compensação financeira aos autores, informação que não constava no artigo original.


No Brasil, em 2019, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária concluiu sua reavaliação toxicológica do glifosato e decidiu manter sua autorização de uso, alegando inexistência de evidências científicas conclusivas de que cause câncer, mutações genéticas ou má-formação fetal. Nos Estados Unidos, o produto segue considerado seguro pelas autoridades ambientais, com nova reavaliação prevista para 2026 após ações judiciais de entidades ambientais e de defesa de trabalhadores. Na União Europeia, a aprovação do glifosato foi renovada por mais dez anos em 2023.


Essas posições contrastam com a conclusão da Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer, vinculada à Organização Mundial da Saúde, que em 2015 classificou o glifosato como "provavelmente cancerígeno" com base em ampla revisão de estudos científicos.


Em 2018, a Monsanto foi condenada pela Justiça dos Estados Unidos a indenizar um trabalhador que atribuiu o desenvolvimento de câncer ao uso de produtos à base de glifosato. Desde então, a Bayer firmou acordos bilionários para encerrar milhares de processos relacionados ao Roundup, sem admissão de culpa, e manteve a comercialização do herbicida.


O glifosato é o princípio ativo de diversos herbicidas. Introduzido no mercado na década de 1970, teve sua patente expirada em 2000 e passou a ser fabricado por diferentes empresas. É utilizado na agricultura, na silvicultura, em áreas industriais e em jardins, embora alguns países e cidades tenham restringido ou proibido seu uso em espaços públicos. Por ser não seletivo, elimina a maioria das plantas, o que levou ao desenvolvimento de culturas geneticamente modificadas para resistir à substância, como a soja. Sua aplicação costuma ocorrer antes do plantio, para reduzir a competição com plantas daninhas.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/clymlk6ge1ko.adaptado.

Amplamente associado ao cultivo de soja transgênica, o herbicida "teve" papel decisivo na expansão da produção agrícola brasileira e na consolidação do país como maior produtor mundial do grão.
Considerando a regência verbal do verbo destacado e a função sintática das expressões preposicionadas no período, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q3864685 Português

Leia o Texto IV e responda a questão.



Texto IV



O QUE É UM RIO?  


Rio é um curso natural de água, geralmente doce, que flui sobre a superfície da terra, em direção a um corpo de água maior, como um oceano, mar, lago ou outro rio. Os rios são fundamentais para os ecossistemas e para as atividades humanas, fornecendo água potável, irrigação, transporte e energia hidrelétrica. 


Os rios nascem, quase sempre, em áreas elevadas, como montanhas, seguindo um curso em direção a áreas mais baixas. 


Além de sua função vital para a vida, os rios desempenham um papel crucial na modelagem da paisagem, no transporte de sedimentos e na manutenção do ciclo hidrológico. Essenciais para o ecossistema, além de fornecerem água para consumo humano, são habitats para diversas espécies de animais.


Existem rios perenes, que nunca secam, e rios intermitentes, que secam em determinadas épocas do ano, especialmente em áreas áridas.


Um rio pode ser dividido nestas em três partes: o curso superior (nascente), o curso médio (transporte de sedimentos) e o curso inferior (foz)


A área de drenagem de um rio, incluindo seus afluentes, é chamada de bacia hidrográfica.


Os rios são fontes de água doce para consumo humano e animal, bem como para atividades agrícolas e industriais.


A força da água dos rios pode ser aproveitada para gerar energia hidrelétrica.


Em muitas regiões, os rios são importantes vias de transporte para pessoas e mercadorias. 


Além disso, oferecem oportunidades para atividades de lazer, como pesca, natação e passeios de barco. Os rios têm um papel significativo na cultura e história de muitas comunidades, sendo, muitas vezes, considerados sagrados.


(Adaptado do site Brasil Escola)  

Na linguagem técnica, é imprescindível evitar enunciados ambíguos. Qual destas alternativas NÃO apresenta ambiguidade semântica e sintática? 
Alternativas
Q3824444 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão. 


Ordem na Casa


Você é uma pessoa boa. Do tipo que se esforça para agradar todo mundo, releva deslizes alheios, se culpa quando comete os próprios deslizes, elogia, consola, dá conselhos. Tem autocontrole e engole sapos. Como boa menina, aprendeu que não é legítimo sentir raiva e, de tanto reprimi-la, vive com a barriga estufada e o intestino preso.


Você não percebe, mas quem te comanda é um gigante, um Supergigante. Um tirano que te olha de cima, aponta o dedo, não aceita notas baixas.


Ele te faz de refém, te mantém em cativeiro, e você se submete a isso.


Permite que ele dê as cartas porque tem medo. Medo de ser excluída, ser alvo de críticas e de desamor.


Mas chega uma hora em que é preciso pôr ordem na casa. Pois, por trás de toda docilidade e condescendência, também existe uma fera.


Uma fera que não quer acatar as ordens do Gigante e deseja mostrar sua autenticidade, seus gostos, seus acertos e desacertos.


Uma fera que deseja revelar que não é perfeita, que não tem que provar nada a ninguém, que quer ser amada mesmo que fuja do combinado; que é capaz de falar alto, de impor limites, de se proteger.


A fera é seu lado mais irreverente, transgressor, autêntico. E, às vezes, você precisa escutá-la. Às vezes, tem que abrir a jaula e deixá-la sair.


Porque ninguém é de ferro.


E você tem que aprender a se aceitar.


A entender que a culpa te paralisa e não permite que você seja quem é. Simplesmente quem é.


Mas quem te faz se sentir culpada? Quem aponta o dedo para você?


Seus fantasmas, seu passado, sua educação rígida?


Ou você mesma? O Super que há em você?


Coloque ordem na casa.


Não seja a primeira a se esconder por trás de um véu de justificativas quando o que você quer é assumir que não sabe cozinhar, que se apavora quando tem que dirigir, que está cansada para ir à balada, estressada com as visitas em casa, que prefere recusar um convite “irrecusável”, que não dá para quebrar um galho para o seu irmão hoje, que não pode emprestar uma grana, que não consegue gostar do perfume que ganhou do namorado, que tem medo de expor um deslize do passado.


Nem tudo são imperfeições. E, se for, faz parte também.


Você também erra, também se atrasa, também se irrita, também tem vontade de mandar tudo para aquele lugar. E nem por isso será menos digna.


Nem por isso terá menos amor.


Só por isso será mais feliz. Só por isso será mais leve. Por dentro e por fora.


(Fabiola Simões — A Soma de Todos os Afetos)

Há presença de locução prepositiva na estrutura em: 
Alternativas
Q4390281 Português

Considere o seguinte trecho retirado de um diálogo cotidiano, no qual se observa o uso de diferentes classes gramaticais desempenhando funções específicas na estrutura da frase: 


“Disse que queria um salgado quando a vimos bem cedo.”


As palavras destacadas no período (cada uma pertencente a uma classe gramatical distinta e exercendo papel próprio na construção do sentido) devem ser analisadas de acordo com sua função morfossintática e sua classificação na gramática normativa da língua portuguesa.

Com base nessa análise, assinale a alternativa que apresenta, na ordem correta, a classificação das palavras destacadas

Alternativas
Q4390259 Português

Uma revolução educacionista para completar a Abolição


"O novo livro de Cristovam Buarque, A última trincheira da escravidão, inscreve-se na melhor tradição de pensadores que souberam projetar o Brasil para além do imediato. Diante da nossa imoral desigualdade social, todos ficam tentados a discutir políticas sociais de efeito imediato. Trata-se de aliviar o sofrimento de milhões de brasileiros. O quanto antes. Mas isso não nos deveria eximir de pensar o médio e o longo prazos. E imaginar mudanças para que o nosso desenvolvimento corrija o atraso, a pobreza e a exclusão. Só assim teremos um projeto de país.(...)

Quem tem o privilégio de ler esse seu livro, logo se convence da importância da cruzada de Cristovam por uma revolução educacionista. Imaginar um Brasil desenvolvido e socialmente justo depende de uma condição essencial: uma educação básica de qualidade com acesso equitativo para ricos e pobres. Nesse livro, Cristovam mostra que o acesso equitativo à escola de qualidade é o principal vetor do desenvolvimento. Mais do que um mero investimento ou política social. E apresenta uma proposta consistente de um Sistema Único Nacional Público para a educação de base.

O mapa para alguém ser livre é a escola quem dá. Sem a educação de qualidade, ninguém pode saber o caminho para viver livremente na contemporaneidade. Somente no século 21, o Brasil começou a matricular todos na escola. Mas em escolas desiguais. Aí surge a última trincheira da escravidão: a dualidade da escola-senzala e da escola-casa-grande.(...)

Os descendentes sociais dos escravizados estão nas escolas de baixa qualidade. Sem acesso ao aparato básico para exercer uma cidadania plena no novo mundo digital. Eles são a vasta maioria do povo brasileiro. Já para os descendentes sociais dos escravocratas, este triste país garante escolas de nível internacional e lhes proporciona uma formação com todas as ferramentas do conhecimento necessárias para trabalhar e empreender no novo ambiente tecnológico."


(Trecho de artigo de opinião escrito por Maurício Rands, Advogado formado pela FDR da UFPE, Ph.D. pela Universidade Oxford.) 

Leia o trecho adaptado do livro A Última Trincheira da Escravidão, de Cristovam Buarque:


"Sem a educação de qualidade, ninguém pode saber o caminho para viver livremente na contemporaneidade.”


Nesse trecho, observa-se o emprego de uma vírgula logo após a expressão inicial. A pontuação utilizada não é aleatória: ela cumpre uma função sintática específica dentro da estrutura da oração, separando elementos para organizar e esclarecer o sentido da frase. Considerando as regras de uso da vírgula na língua portuguesa, a vírgula usada nesse trecho tem a função de:

Alternativas
Q4390218 Português
A colocação pronominal constitui um dos aspectos mais complexos e sensíveis da sintaxe normativa da língua portuguesa, envolvendo regras específicas que determinam a posição adequada dos pronomes átonos em relação ao verbo. Considerando esse conteúdo, observe atentamente as orações apresentadas a seguir e classifique-as quanto ao tipo de colocação pronominal que apresentam (próclise, mesóclise ou ênclise):
I. Jamais me esquecerei daquele dia. II.Orgulhar-me-ei das conquistas alcançadas. III.Entregou-se completamente ao trabalho. IV.Quando te disseram isso, acreditaste?
Assinale a alternativa correta, que indica a correspondência entre os tipos de colocação pronominal e as orações apresentadas. 
Alternativas
Q4390216 Português

Leia o poema “ Aproximação do terror”, de Murilo Mendes, escrito entre 1943 e 1945, mas publicado originalmente em 1947 no livro Poesia Liberdade.


1

Dos braços do poeta

Pende a ópera do mundo

(Tempo, cirurgião do mundo): —

O abismo bate palmas,

A noite aponta o revólver.

Ouço a multidão, o coro do universo,

O trote das estrelas

Já nos subúrbios da caneta:

As rosas perderam a fala.

Entrega-se a morte a domicílio.

Dos braços…

Pende a ópera do mundo.

2

Tenho que dar de comer ao poema.

Novas perturbações me alimentam:

Nem tudo o que penso agora

Posso dizer por papel e tinta.

O poeta já nasce conscrito,

Atento às fascinantes inclinações do erro,

Já nasce com as cicatrizes da liberdade.

O ouvido soprando sua trompa

Percebe a galope

A marcha do número 666.

Palpo¹ a Quimera².

O tremor

E os jasmins da palavra “jamais”.

3

Dos telhados abstratos

Vejo os limites da pele,

Assisto crescerem os cabelos dos minutos

No instante da eternidade.

Vejo ouvindo, ouço vendo.

Considero as tatuagens dos peixes,

O astro monossecular.

Os rochedos colocam-se máscaras contra

[pássaros asfixiantes.

A grande Babilônia ergue o corpo de dólares.

Ruído surdo, o tempo oco a tombar…

A espiral das gerações cresce.


(Murilo Mendes. Antologia poética, 2014.)


¹ palpar: apalpar.

² Quimera: monstro mitológico com cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de serpente. 

Um dos trechos apresentados a seguir pode ser reescrito na voz passiva, mantendo o sentido geral da construção poética, embora haja alteração na estrutura sintática da frase. Assim, considere o fragmento do poema e identifique qual deles pode ser corretamente transformado para a voz passiva: 
Alternativas
Q4389471 Português

Leia o poema “ Aproximação do terror”, de Murilo Mendes, escrito entre 1943 e 1945, mas publicado originalmente em 1947 no livro Poesia Liberdade.


1

Dos braços do poeta

Pende a ópera do mundo

(Tempo, cirurgião do mundo): —

O abismo bate palmas,

A noite aponta o revólver.

Ouço a multidão, o coro do universo,

O trote das estrelas

Já nos subúrbios da caneta:

As rosas perderam a fala.

Entrega-se a morte a domicílio.

Dos braços…

Pende a ópera do mundo.

2

Tenho que dar de comer ao poema.

Novas perturbações me alimentam:

Nem tudo o que penso agora

Posso dizer por papel e tinta.

O poeta já nasce conscrito,

Atento às fascinantes inclinações do erro,

Já nasce com as cicatrizes da liberdade.

O ouvido soprando sua trompa

Percebe a galope

A marcha do número 666.

Palpo¹ a Quimera².

O tremor

E os jasmins da palavra “jamais”.

3

Dos telhados abstratos

Vejo os limites da pele,

Assisto crescerem os cabelos dos minutos

No instante da eternidade.

Vejo ouvindo, ouço vendo.

Considero as tatuagens dos peixes,

O astro monossecular.

Os rochedos colocam-se máscaras contra

[pássaros asfixiantes.

A grande Babilônia ergue o corpo de dólares.

Ruído surdo, o tempo oco a tombar…

A espiral das gerações cresce.


(Murilo Mendes. Antologia poética, 2014.)


¹ palpar: apalpar.

² Quimera: monstro mitológico com cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de serpente. 


 

No poema de Murilo Mendes, as ações são expressas por meio de construções que, na maioria das vezes, exploram recursos figurativos e imagens simbólicas. Do ponto de vista da gramática normativa, nem todas as orações podem ser convertidas para a voz passiva, pois isso depende da estrutura do verbo, da transitividade e da possibilidade de o complemento direto tornar-se sujeito paciente. Entre os trechos selecionados do poema, apenas alguns permitem, com adequação gramatical, a transformação da voz ativa para a voz passiva, mantendo o sentido essencial, mesmo que haja alteração da estrutura frasal.

Considerando essas características da voz passiva e analisando as construções verbais presentes nos trechos a seguir, identifique qual deles pode ser corretamente reescrito na voz passiva, preservando o sentido poético geral.

Alternativas
Q4383399 Português
Leia atentamente o trecho de uma entrevista abaixo para responder à questão.

Auditora Fiscal do Ministério do Trabalho desde 2007, Luciana Veloso Baruki vem se destacando por seu pioneirismo nas fiscalizações relacionadas aos riscos psicossociais no trabalho, em especial o assédio em suas diversas formas. Foi ela quem coordenou um caso emblemático de fiscalização no Banco do Brasil que levou a justiça a equiparar o assédio moral apurado no operativo a um acidente de trabalho. “Foi a primeira vez que isso aconteceu na história da inspeção do trabalho brasileira. O caso levou o banco a ser condenado em março deste ano ao valor de R$ 8 milhões em uma Ação Civil Pública movida pelo MPT”, conta. Na entrevista a AFT explica em detalhes quais comportamentos caracterizam o assédio no ambiente de trabalho, que consequências podem advir desta prática, as mudanças recentes previstas na legislação trabalhista (NR 1 e NR 5) em relação ao tema, como as empresas estão lidando (ou não) com a questão e a importância de se perceber o assédio de forma mais ampla, com um olhar para os riscos psicossociais no âmbito dos processos de trabalho das organizações. Luciana é bacharel em Administração de Empresas, especialista em Direito Público, mestre e doutora em Direito Político e Econômico e graduou-se recentemente em Medicina pela Faculdade Santa Marcelina/SP.

Pergunta: O assédio moral na empresa vem se tornando cada vez mais conhecido e comentado. Quais são as principais características desta prática?

Resposta: O assédio moral no ambiente de trabalho é uma prática que, infelizmente, tem sido recorrente em diversas empresas ao redor do mundo. A palavra assédio tem origem no latim obsidium, que significa “cerco ou sítio”. Originalmente, o termo estava relacionado a situações de cerco militar, onde um exército cercava uma fortificação ou cidade, impedindo a entrada e saída de pessoas e recursos, com o objetivo de forçar a rendição do inimigo. No contexto moderno, o termo violência e assédio tem sido frequentemente usado para descrever um conjunto de comportamentos e práticas inaceitáveis, indesejadas, intrusivas, invasivas na esfera íntima de segurança psicológica dos indivíduos. Essas condutas podem ocorrer em diversos ambientes: no trabalho, nos ambientes educacionais, nas ruas, e até nas relações interpessoais. Os atos que caracterizam o assédio moral são geralmente repetitivos, mas a recorrência não é uma condição para a sua configuração. Nesse sentido, existe inclusive uma referência para empresas, que é a Convenção nº 190 da OIT, que trata da eliminação da violência e do assédio no mundo do trabalho (artigo 1º, alínea a). Esse artigo define claramente que a violência e o assédio no mundo do trabalho podem ser oriundos de atos repetidos ou isolados, o que significa que um único ato pode ser suficiente para configurar uma situação de assédio ou violência. Mesmo que o Brasil não tenha ratificado ainda esta Convenção, ela é, sem dúvida alguma, um marco internacional muito importante a respeito do tema. Assim, a etimologia da palavra reflete a ideia de pressão e cerco, que é coerente com a forma como entendemos o assédio hoje: uma forma de pressionar, perseguir, constranger, humilhar, coagir, discriminar ou importunar alguém de maneira isolada e pontual ou prolongada no tempo. De forma mais específica, o que se vê no mundo corporativo é um conjunto de seis comportamentos principais, que podem ser individualizados e descritos como o modus operandi do assédio no trabalho.

BOSSLE, Daniela. Entrevista | Luciana Veloso Baruki – O assédio é apenas um sintoma – Ed. 383. Disponível em: https://www.protecao.com.br/destaques-darevista-protecao/entrevista-luciana-velosobaruki-o-assedio-e-apenas-um-sintoma-ed383/ (adaptado). Acesso em: 10 jan. 2024
Sobre as relações sintáticas no período abaixo, assinale a alternativa incorreta:
“Essas condutas podem ocorrer em diversos ambientes: no trabalho, nos ambientes educacionais, nas ruas, e até nas relações interpessoais.”
Alternativas
Q4382546 Português
LEIA:

    Ziraldo, o criador do Menino Maluquinho, tem muita história pra contar e encantar. Mudou a arte dos quadrinhos no Brasil, foi preso na ditadura militar e, como cartunista, ganhou o Nobel da Literatura Infanto-Juvenil. Ziraldo começou a trabalhar no jornal Folha da Manhã (atual Folha de S.Paulo), em 1954, com uma coluna dedicada ao humor. Ganhou notoriedade nacional ao se estabelecer na revista O Cruzeiro em 1957 e, posteriormente, no Jornal do Brasil, em 1963. Seus personagens (entre eles Jeremias, o Bom; a Supermãe e o Mirinho) conquistaram os leitores. Em 1960 lançou a primeira revista em quadrinhos brasileira feita por um só autor, Turma do Pererê, que também foi a primeira história em quadrinhos a cores totalmente produzida no Brasil. Embora tenha alcançado uma das maiores tiragens da época, Turma do Pererê foi cancelada em 1964, logo após o início do regime militar no Brasil. Nos anos 70, a Editora Abril relançou a revista, desta vez, porém, sem o sucesso inicial. A revista da Turma do Pererê teve outras passagens pelas bancas numa edição encadernada pela Editora Primor no ano de 1986 e em formato de almanaque pela Editora Abril na década de 1990. Em 1960 recebeu o “Nobel” Internacional de Humor no 32º Salão Internacional de Caricaturas de Bruxelas e também o prêmio Merghantealler, principal premiação da imprensa livre da América Latina.

https://jornalnota.com.br/2023/10/24/91-%20anos-de-ziraldo-as-10-melhores-tirinhas-do-cartunista/. Adaptado
Em: “Ziraldo, o criador do Menino Maluquinho, tem muita história…” O termo destacado é:
Alternativas
Q4361063 Português
TEXTO I


Anestesia geral


A promiscuidade no Poder Judiciário é conhecida, com palestras para eventuais réus, caronas em jatinhos ou escritórios de cônjuges atuando nos tribunais de seus parceiros sem qualquer constrangimento ou suspeição

Rodrigo Constantino.


   São R$ 129 milhões! R$ 3,6 milhões mensais. Eis o contrato entre o Banco Master e o escritório da família de Alexandre de Moraes a que a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, teve acesso. Isso tudo para defender Daniel Vorcaro em uma única causa, aparentemente, em que ele foi derrotado em duas instâncias. Talvez o valor “advocatício” do escritório esteja somente em causas no Supremo...

   Malu voltou ao tema em outra coluna: “A atuação da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em defesa do Banco Master, não é desconhecida apenas no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). No Banco Central, também não há registros de acesso da advogada, apesar de o contrato milionário firmado com o Master prever expressamente a atuação dela perante a instituição”.

   Também de O Globo, Lauro Jardim comentou sobre o silêncio geral acerca do assunto explosivo: “Faz uma semana hoje que foi revelado, por Malu Gaspar, o valor do contrato que Viviane, mulher de Alexandre de Moraes, tinha com o Banco Master. Um total de R$ 129 milhões em três anos ou R$ 3,6 milhões mensais, sendo que R$ 79 milhões foram efetivamente recebidos para atuar no Judiciário, MPF, PF, BC, Receita Federal, PGFN e Cade. Até agora, nem o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados nem o ministro se manifestaram sobre o tema”.

   Em qualquer país normal, essas informações seriam suficientes para uma hecatombe política! A promiscuidade no Poder Judiciário é conhecida, com palestras para eventuais réus, caronas em jatinhos ou escritórios de cônjuges atuando nos tribunais de seus parceiros sem qualquer constrangimento ou suspeição. Mas R$ 3,6 milhões não é promiscuidade; é corrupção, e das grandes!

    Nada disso parece importar. No lançamento do SBT News, lá estava Alexandre de Moraes como convidado de honra, com direito a discurso em que agradeceu ao presidente Lula pelo empenho em derrubar a Lei Magnitsky. O ministro celebrou a sua revogação numa festa com ícones dos três Poderes. Novamente, promiscuidade é pouco para descrever tanta indecência.

    Na mesma semana, Moraes condenava Filipe Martins a mais de 20 anos de prisão, mesmo sem qualquer prova do crime. Ao contrário, a defesa apresentou fartas evidências de que o exassessor de Bolsonaro desejava aceitar o resultado das eleições, não saiu do país, não participou de qualquer reunião com os militares etc. Nada disso valeu qualquer coisa. Era um julgamento de cartas marcadas para punir um “ideólogo” brilhante do bolsonarismo.

    Flávio Dino, o comunista, afirmou que foi um julgamento técnico, sem qualquer vingança, e Moraes endossou o mesmo discurso. Mas todos viram que foi um teatro soviético que instalou de vez no Brasil o “crime de opinião”. As trevas odeiam a luz, e Filipe foi perseguido justamente por incomodar a patota suprema com sua inteligência e sua firmeza moral. Ele não aceitou inventar delação contra um inocente e pagou por isso.

  Enquanto Alexandre de Moraes segue praticando o mal, abusando dos direitos humanos, atropelando os demais poderes, perseguindo conservadores e ignorando o maior escândalo de corrupção do STF de que se tem notícia, o país se mostra sob anestesia geral. Uns fingem que há normalidade institucional no Brasil, outros até aplaudem Moraes, pois não gostam dos bolsonaristas. E o arbítrio avança a todo vapor e sem qualquer pudor.

    Ninguém sabe como Moraes será parado. O que parece é que ele continua mais forte do que nunca, ainda mais com o recuo da cavalaria do Norte, num acordo em que provavelmente Lula rifou a soberania nacional em troca de favores do ministro todopoderoso, de olho na eleição de 2026. Quem, nesse cenário, acredita em eleição limpa, ainda mais com Flávio Bolsonaro disputando contra o sistema, demonstra muita ingenuidade.

    Nada parece abalar o regime que tem em Moraes seu principal ícone. Se nem a Lei Magnitsky ou os R$ 129 milhões de contrato com um banqueiro fraudador foram capazes de enfraquecer o apoio que Moraes recebe dos monstros do pântano, então, pelo visto, nada mais será capaz de derrotá-lo. Ao menos não no curto prazo. Só mesmo um milagre pode retirar as elites dessa anestesia geral. O risco é ser tarde demais...


Fonte: CONSTANTINO, Rodrigo. Anestesia geral. https://revistaoeste.com/revista/edicao301/anestesia-geral/ (adaptado) 
Assinale a alternativa cuja indicação sintática entre parênteses esteja incorreta para o termo destacado.
Alternativas
Q4360981 Português

Leia o fragmento abaixo antes de analisar o que se pede. 



“Era dia de jogo na várzea em uma cidade do interior baiano. Torneio local em campinho de terra. Porém, para mim, era final de Copa do Mundo. Campo apinhado, umas trezentas pessoas ou mais. Impossível não sentir o peso da atmosfera!” 



(_) A palavra “apinhado” tem por sentido “deteriorado”, “estragado”.


(_) A palavra “local” é um Adjetivo que expressa uma característica do Substantivo “torneio”.


(_) A Conjunção “Porém” foi utilizada para marcar uma ideia de oposição entre os períodos.


(_) No fragmento “em uma cidade do interior baiano”, a palavra “uma” é um Artigo indefinido enquanto “trezentas”, na parte “trezentas pessoas” é um Numeral cardinal.



Considerando-se V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas, pela ordem, a sequência correta é:

Alternativas
Q4360878 Português
TEXTO I

Pés juntos

Assim como é evidente a burrice dos que fizeram o texto da propaganda do chinelo, é evidente, por si próprio, sem necessidade de adjetivos, o significado gigantesco do contrato de Vorcaro com a família Moraes


Alexandre Garcia


    Na semana do fiasco científico que foi o segundo fracasso consecutivo de lançamento em Alcântara, caminhamos também no nível do chinelo no debate político. Explodiu como o foguete espacial a fala publicitária de Fernanda Torres, de que não devemos entrar em 2026 com o pé direito. “O que eu desejo é que você comece o ano com os dois pés”. Antes de ser uma proclamação ideológica, a frase é uma tremenda burrice. Ora, quem entra com os dois pés ou está numa maca, ou numa cadeira de rodas ou num caixão. As pessoas que não estão nesses casos avançam, alternando as pernas, para caminhar ou usar escadas. Ninguém consegue fazer isso com os dois pés à frente a menos que esteja sobre patins. E chinelos não têm rodas.

    O texto dado a Fernanda ressalva: “Não é nada contra a sorte”. Pois tampouco é uma questão de superstição. É cultural. Na nossa língua de origem, esquerda é sinistra. No Credo, Cristo está à direita de Deus-Pai. Está em Eclesiastes, 10-2: “O coração do sábio se inclina para a direita, mas o coração do tolo, para a esquerda”. “Senta-te à minha direita” está na literatura. Usa-se a mão direita para cumprimentar. E o pé direito para entrar. Ou, no ano eleitoral, estando em campanha, aconselha-se evitar o uso da direita. Como reação, o boicote contra as Havaianas não deu certo, pelo menos no shopping que eu frequentei: a loja estava lotada.

    Não deu certo? Deu sim. As notícias sobre o caso MoraesMaster ficaram em segundo plano, enquanto corre solto com os dois pés o debate altamente grego no nível chinelar. Assim como é evidente a burrice dos que fizeram o texto da propaganda do chinelo, é evidente, por si próprio, sem necessidade de adjetivos, o significado gigantesco do contrato de Vorcaro com a família Moraes. Mas poucos vão além do chinelo. Quanto mais Moraes emite notas para explicar o que já se explicou sozinho, mais Moraes mete os dois pés na jaca, como aconselha Fernanda Torres.

    O senador Alessandro Vieira (MDB Sergipe), delegado de polícia, quer comissão parlamentar para investigar. Mas já começaram as férias legislativas, e só 2026 pode descobrir, por exemplo, quem Toffoli acha que deve ser protegido pelo sigilo no caso Master – e por quê? Não sei com que pé devemos entrar no ano novo para ter garantia de transparência no que parece ser advocacia administrativa pressionando o Banco Central ou o Governador de Brasília, que defendeu a compra do falido Master pelo banco estatal do Distrito Federal. O governador Ibaneis, destituído provisoriamente por Moraes, retornou ao posto e depois defendeu o negócio com o Master, conseguindo aprovação da operação no legislativo local. E ninguém mais incomodou o governador pelo 8 de janeiro.

    Uma CPI esclarece essas coisas, assim como a atuação de ministros do Supremo através de suas esposas, advogados de sucesso. Advocacias anexas podem ser soluções, mas logo serão sérios problemas, se o país for além dos chinelos. É a sina das mulheres dos césares; se advogassem na comarca de Boa Vista ou Rio Branco, estariam acima de suspeitas. Mas em Brasília, e tendo clientes como J&F Master, as tentações são grandes e as suspeitas do mesmo tamanho – a menos que houvesse uma decisão ética dos parentes e afins de, por razões éticas, manterem distância sanitária entre as bancas de advocacia e o tribunal. Evitaria contaminação e seria moralmente saudável.

    Com os dois pés na jaca, o Ministro Moraes emitiu uma segunda nota no mesmo dia, o que, por si, é revelador. O meio é a mensagem – descobriu McLuhan. A segunda explicação veio depois que o distinto público entendeu a resposta do Banco Central apenas confirmando que em reuniões com Moraes tratou-se, sim, de efeitos da Magnitsky – sem negar que tivessem tratado do Master. O Ministro, então, fez uma nova nota, afirmando que o escritório de Viviane e filhos jamais tratou de interesses do Master no Banco Central. Daí se deduz que ele já fala pelo escritório, e que lhe é literalmente familiar e, não menos revelador, que Vorcaro pagou R$ 3,6 milhões por mês, mas o escritório não o defendeu da liquidação pelo Banco Central. Pagou por que serviço?

    Parafraseando o Barão de Itararé: Ou restaure-se a moralidade, ou nos afundamos como civilização. Fachin quer código de conduta porque os supremos estão acima do Conselho Nacional de Justiça e da Lei Orgânica da Magistratura. Gilmar tem boas razões para alegar que não precisa. Também acho, mas tenho razões diferentes: código de conduta é forjado na medula desde criança, em casa. Tem que ser da natureza das pessoas. A civilização brasileira voltará à selvageria se a ética entrar em 2026 com os dois pés – pés juntos, como num caixão.


Fonte: GARCIA, Alexandre. Pés juntos. https://revistaoeste.com/revista/edicao-302/pesjuntos/ (adaptado)
Assinale a alternativa que contenha informação incorreta a respeito de um elemento constitutivo do texto I.
Alternativas
Respostas
961: C
962: E
963: E
964: C
965: E
966: E
967: E
968: A
969: C
970: D
971: A
972: C
973: D
974: B
975: B
976: C
977: C
978: E
979: D
980: D