Questões de Concurso
Sobre análise sintática em português
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Qual das alternativas apresenta erro na configuração da regência:
O Bicho
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
BANDEIRA, Manuel. Poesia Completa e Prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1993.
Na terceira estrofe, os versos possuem estrutura sintática semelhante. Assim sendo, podemos classificar a função dos vocábulos “cão”, “gato” e “rato” como:
O Bicho
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
BANDEIRA, Manuel. Poesia Completa e Prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1993.
Analisando a sintaxe no texto acima, os verbos “examinava”, “cheirava”, “achava” e “engolia” têm como sujeito o termo:
Assinale a sentença que apresenta erro quanto à regência verbal.
O exemplo do Brasil
O aquecimento global está alterando de forma rigorosa o clima em determinadas partes do mundo. É cada vez mais frequente a ocorrência de eventos climáticos extremos, tais como grandes inundações, secas severas, tufões devastadores e chuvas mais concentradas em um breve espaço de tempo. Outras consequências ocasionadas pelas mudanças climáticas, como elevação no nível do mar e derretimento das geleiras, também estão previstas.
A energia, porém, não sofrerá tanto com o aquecimento.
Essencial para a manutenção do nível de conforto de bilhões de pessoas em todo o planeta, mais de 80% da matriz global é proveniente de combustíveis fósseis: carvão, petróleo e gás natural. Outra fonte importante é a energia nuclear.
Porém, as reservas fósseis, formadas há milhões de anos, são finitas. Estima-se que o petróleo, se extraído à velocidade atual, será extinto dentro de, no máximo, 50 anos. E, além do esgotamento físico desse recurso, o acesso às reservas mundiais é desigual. Hoje, metade do petróleo produzido no planeta provém de países com regimes políticos complexos no Oriente Médio, responsáveis pelas flutuações no preço do barril. [...]
No planeta, as energias renováveis representam menos de 10% das matrizes. O Brasil é, curiosamente, um dos países com exemplos interessantes de solução. Aqui, quase a metade da matriz energética é proveniente de fontes renováveis, uma condição bastante favorável em relação ao resto do mundo. Tal posição se dá pela alta porcentagem da energia produzida por usinas hidrelétricas e fontes alternativas, como a biomassa. Sob o ponto de vista de geração de eletricidade, somos referência global. [...]
Embora nosso potencial hidrelétrico seja enorme — mais de 260 mil megawatts de capacidade total —, apenas um terço está instalado, ou seja, em operação. Grande parte do restante, porém, situa-se na bacia Amazônica, palco de controvérsias devido a problemas socioambientais gerados pela construção de grandes barragens. Além disso, a região fica distante dos grandes centros consumidores do Sul e do Sudeste.
A usina de Belo Monte, no Pará, é o exemplo que melhor reúne esse choque de visões. Mesmo com manifestações de ambientalistas contrários a sua construção — cujo projeto promete acrescentar quase 12 mil megawatts de capacidade instalada à matriz energética nacional —, o governo adotou como questão de honra tocar adiante a construção da usina. Com isso, infelizmente, criou-se no âmbito governamental uma falsa dicotomia de que a proteção tal como desejam os ambientalistas é caracterizada como inimiga do desenvolvimento.
Fonte: GOLDEMBERG, José. NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL. 2012.
Disponível em: http://viajeaqui.abril.com.br/materias/o-exemplo-do-brasil
Pode ser classificado como sujeito da oração “É cada vez mais frequente”:
Instrução: As questões de números 01 a 15 referem-se ao texto abaixo.
Saúde e bem-estar dependem de relações íntimas de qualidade
Por Amanda Mont'Alvão Veloso
- asdTer dinheiro ou fama comumente é associado .... conquista de felicidade, e tais desejos já
- foram apontados como o objetivo de vida mais importante de norte-americanos nascidos nos
- anos 1980 e 1990. A dedicação e esforço no trabalho seriam o caminho para se _______ mais resultados.
- Mas uma pesquisa realizada durante 75 anos nos Estados Unidos mostrou que os ingredientes
- fundamentais para uma vida saudável e cheia de bem-estar são relações íntimas e de qualidade
- com a família, com os amigos e com a comunidade.
- asdAs conclusões do Estudo do Desenvolvimento Adulto, promovido pela Universidade de
- Harvard, foram abordadas por seu diretor, o psiquiatra e psicanalista americano Robert Waldinger,
- em uma conferência no TED 2015. “E se pudéssemos observar uma vida inteira à medida que ela
- decorre no tempo? E se pudéssemos estudar as pessoas desde a altura em que eram adolescentes
- até chegarem .... velhice para vermos o que mantém as pessoas felizes e saudáveis?”. Durante 75
- anos, a pesquisa acompanhou a vida de 724 homens, ano após ano, abordando o trabalho, a vida
- doméstica e a saúde, além de realizar exames médicos. Cerca de 60% dos pesquisados, a maioria
- já com 90 anos, ainda estão vivos e participam no estudo. Há cerca de 10 anos, o estudo passou a
- integrar também as esposas desses homens.
- asdO próximo passo, segundo Waldinger, é estudar os mais de 2000 filhos dos homens
- pesquisados. A população pesquisada foi dividida em dois grupos desde o começo, em 1938. No
- primeiro, homens que estudaram em Harvard e que, em sua maioria, lutaram na Segunda Guerra
- Mundial. Já o segundo era composto por adolescentes dos bairros mais pobres de Boston, vindos
- de algumas das famílias mais problemáticas e mais desfavorecidas da região. Os destinos desses
- homens foram variados: se tornaram operários fabris e advogados, assentadores de tijolos e
- médicos, e um deles foi presidente dos EUA.
- asdOs 75 anos de acompanhamento mostraram .... Waldinger três lições, e nenhuma delas diz
- respeito a riqueza, fama, ou a trabalhar cada vez mais. A primeira delas é que as relações sociais
- são boas para nós, e a solidão mata: “As pessoas que têm mais ligações sociais com a família, com
- amigos e com a comunidade são mais felizes, fisicamente mais saudáveis e vivem mais tempo do
- que as pessoas que têm menos relações. A experiência da solidão acaba por ser __________. As
- pessoas que são mais isoladas do que gostariam descobrem que são menos felizes, a sua saúde
- piora mais depressa na meia idade, o seu funcionamento cerebral diminui mais cedo e vivem menos
- tempo do que as pessoas que não se sentem sozinhas.”
- asdA segunda lição mostrou que o que importa é a qualidade de nossas relações íntimas: "Viver
- no meio de conflitos é muito prejudicial para a saúde. Os casamentos altamente conflituosos, por
- exemplo, sem grande _________, revelam-se muito maus para a saúde, pior talvez do que um
- divórcio. Viver no meio de relações boas, calorosas, é protetor.” O estudo mostrou que o grau de
- satisfação que os homens sentiam nas suas relações foi decisivo para um envelhecimento mais feliz
- e saudável. “As pessoas que se sentiam mais satisfeitas com as suas relações, aos 50 anos, foram
- as mais felizes aos 80 anos”. “Os nossos homens e mulheres mais felizes disseram, aos 80 anos,
- que nos dias em que tinham mais dores físicas a sua disposição continuava feliz. Mas .... pessoas
- que tinham relações infelizes, nos dias em que tinham mais dores físicas, elas eram reforçadas pelo
- sofrimento emocional”.
- asdA terceira e última lição é que as boas relações protegem não só o corpo, como também o
- cérebro: “Uma relação bem estabelecida com outra pessoa, aos 80 anos, é protetora. As pessoas
- que têm relações em que sentem que podem contar com outra pessoa em alturas de necessidade
- mantêm uma memória mais viva durante mais tempo. As pessoas com relações em que sentem
- que não podem contar com o outro são as que experimentam um declínio de memória mais precoce.
- As boas relações não têm que ser sempre fáceis. Alguns dos nossos octogenários podem discutir
- dia sim, dia não. Mas enquanto sentirem que podem contar um com o outro, quando as coisas
- aquecem, essas discussões não se fixam na memória.”
- asdPelas lições aprendidas, a tal felicidade parece fácil, não? Waldinger tem uma resposta para
- isso: somos seres humanos e lidar com a família e com os amigos é algo complicado, que dura a
- vida toda. “O que gostaríamos mesmo é de uma receita rápida, qualquer coisa que possamos
- arranjar que nos dê uma via boa e a mantenha dessa forma. As relações são conturbadas e
- complicadas.”
- asdPara se apoiar em boas relações, ele sugere atitudes cotidianas e acessíveis, como substituir
- a TV por tempo com as pessoas, fazer passeios, animar uma relação amorosa adormecida e falar
- com algum familiar com quem não se fala há anos. “Essas contendas familiares têm um efeito
- terrível na pessoa que guarda rancores”.
Texto adaptado para esta prova: http://super.abril.com.br/comportamento/saude-e-bem-estar-dependem-de-relacoes-
intimas-de-qualidade
Em ‘Mas enquanto sentirem que podem contar um com o outro, quando as coisas aquecem, essas discussões não se fixam na memória’ (l. 47-48), desconsiderando as alterações sintáticas, a conjunção sublinhada NÃO poderia ser substituída por:
LEIA O TEXTO A SEGUIR PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES DE 6 A 10.
Em busca da resiliência
Roberto D’arte
1 Vivemos tempos difíceis em que os problemas de fundo emocional parecem
2 não poupar ninguém. Se deixar abater e fazer da própria existência um muro de
3 lamentações é uma ideia que me desagrada profundamente. Assim, prefiro acreditar
4 que os obstáculos existem não para barrar a nossa caminhada, mas para nos
5 lembrar que vencer significa estar também preparado para certos sacrifícios e para
6 muitos testes de resistência e determinação.
7 Não é nada fácil ser um resiliente, mas os especialistas dão algumas dicas
8 que podem ser um ponto de partida. Uma delas diz respeito à primeira reação que
9 se deve ter no instante em que surge a crise. É importante formular uma explicação
10 para o que está ocorrendo, analisar as circunstâncias, a sequência dos fatos e as
11 razões da adversidade. Paralelo a isso, tentar entender os próprios sentimentos em
12 relação ao processo como um todo.
13 O passo seguinte é pensar nas possíveis estratégias do que fazer ao sair da
14 crise. Afinal, projetar-se no futuro é sempre uma boa saída para suportar a dor do
15 momento. Mas é fundamental ter em mente que é no presente que a mudança
16 acontece. Assim como é essencial não depositar nos outros a tarefa de salvador da
17 pátria. Estabelecer laços com pessoas que podem representar coragem e estímulo é
18 uma coisa, mas deve ser de cada um a responsabilidade de se resgatar do fundo do
19 poço.
20 Vale a pena ainda valorizar as pequenas vitórias, pois isso traz
21 autoconfiança e serve de impulso para se tentar chegar a outras. Por fim, o
22 verdadeiro resiliente não pensa apenas em si, mas nos que vão se beneficiar com
23 as suas conquistas ou tomá-las como exemplo. No mais, é pagar para ver.
Disponível em:< http://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/literatura/em-busca-resiliencia-1.htm >.
Acesso em 18 abr. 2016.
Há um desvio quanto às regras de regência verbal em
A bomba atômica e os jogos olímpicos
No exato momento em que no dia 6 de agosto de 2016 às 20 horas se inaugurarão os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, há 71 anos, no mesmo dia 6 de agosto de 1945 e na mesma hora correspondendo às 8h15 da manhã, será recordada, em Hiroshima no Japão, a nefasta data do lançamento da bomba atômica sobre a cidade. Vitimou 242.437 pessoas entre as que morreram na hora e as que posteriormente vieram a falecer em consequência da radiação nuclear.
O imperador Hirohito reconheceu, no texto de rendição no dia 14 de agosto, que se “tratava de uma arma que levaria à total extinção da civilização humana”. Dias após, ao aduzir, numa declaração ao povo, as razões da rendição, a principal delas era que a bomba atômica “provocaria a morte de todo o povo japonês”. Em sua sabedoria ancestral tinha razão.
A humanidade estremeceu. De repente deu-se conta de que, segundo o cosmólogo Carl Sagan, criamos para nós próprios o princípio de autodestruição. Não disse outra coisa Jean-Paul Sartre: “os seres humanos se apropriaram dos instrumentos de sua própria exterminação”. O grande historiador inglês, Arnold Toynbee, o último a escrever 12 tomos sobre a história das civilizações, aterrado, deixou escrito em suas memórias (Experiências 1969): “Vivi para ver o fim da história humana tornar-se uma possibilidade intra-histórica, capaz de ser traduzida em fato, não por um ato de Deus mas do homem”. O grande naturalista francês Thódore Monod disse enfaticamente: “somos capazes de uma conduta insensata e demente; pode-se a partir de agora temer tudo, tudo mesmo, inclusive a aniquilação da raça humana” (E se a aventura humana vier a falhar, 2000).
Com efeito, de pouco valeu o estarrecimento, pois continuaram a desenvolver armas nucleares mais potentes ainda, capazes de erradicar toda a vida do planeta e pôr um fim à espécie humana.
Atualmente há nove países detentores de armas nucleares que, conjuntamente, somam mais ou menos 17.000. E sabemos que nenhuma segurança é total. Os desastres de Tree Islands nos USA, de Chernobyl na Ucrânia e de Fukushima no Japão nos dão uma amostra convincente.
Pela primeira vez um Presidente norte-americano, Obama, visitou há dias, Hiroshima. Apenas lamentou o fato e disse: “a morte caiu do céu e o mundo mudou... começou o nosso despertar moral”. Mas não teve a coragem de pedir perdão ao povo japonês pelas cenas apocalípticas que lá ocorreram.
Vigora uma vasta discussão mundial sobre como avaliar tal gesto bélico. Muitos pragmaticamente afirmam que foi a forma encontrada de levar o Japão à rendição e poupar milhares de vidas de ambos os lados. Outros consideram o uso desta arma letal, na versão oficial japonesa, como “um ato ilegal de hostilidade consoante as regras do direito internacional”. Outros vão mais longe e afirmam tratar-se de um “crime de guerra” e até de “um terrorismo de Estado”.
Hoje estamos inclinados a dizer que foi um ato criminoso anti-vida, de nenhuma forma justificável, pois, pensando em termos ecológicos, a bomba matou muito mais do que pessoas, mas todas as formas de vida vegetal, animal e orgânica, além da destruição total dos bens culturais. Geralmente as guerras são feitas de exércitos contra exércitos, de aviões contra aviões, de navios contra navios. Aqui não. Tratou-se de uma “totaler Krieg” (guerra total) no estilo nazista de matar tudo o que se move, envenenar águas, poluir os ares e dizimar as bases físico-químicas que sustentam a vida. Porque Albert Einstein tinha consciência desta barbaridade se negou a participar no projeto da bomba atômica e a condenou, veementemente, junto com Bertrand Russel.
Ao lado de outras ameaças letais que pesam sobre o sistema-vida e o sistema-Terra, este nuclear continua sendo uma dos mais amedrontadores, verdadeira espada de Dâmocles colocada sobre a cabeça da humanidade. Quem poderá conter a irracionalidade da Coréia do Norte de deslanchar um ataque nuclear avassaladora?
Há uma proposta profundamente humanitária que nos vem de São Paulo, da Associação dos Sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki (chamados de hibakusha, presume-se que haja uns 118 no Brasil), animada pelo militante contra a energia nuclear Chico Whitaker que no dia 6 de agosto, no momento da abertura dos Jogos Olímpicos, faça-se um minuto de silêncio pensando nas vítimas de Hiroshima. Mas não só. Também voltando nossas mentes para a violência contra as mulheres, os refugiados, os negros e pobres que são sistematicamente dizimados (só no Brasil em 2015 60 mil jovens negros), os indígenas, os quilombolas e os sem-terra e sem-teto, em fim, todas as vítimas da voracidade de nosso sistema de acumulação.
O prefeito de Hiroshima, nesse sentido, já encaminhou carta ao Comité Organizador dos Jogos no Rio de Janeiro. Esperamos que ele se sensibilize e promova esse grito silencioso contra as guerras de todo tipo e pela paz entre todos os povos.
(Leonardo Boff. Disponível em: http://www.jb.com.br/leonardo-boff/noticias/2016/06/11/a-bomba-atomica-e-os-jogos-olimpicos/.)
Assinale a alternativa em que o trecho sublinhado apresenta função sintática DIFERENTE das demais.
Leia o texto 4 para responder às questões de 12 a 18.
Texto 4
Aquela velha carta de A B C dava arrepios. Três faixas verticais borravam a capa, duras,
antipáticas; e, fugindo a elas, encontrávamos num papel de embrulho o alfabeto, sílabas,
frases soltas e afinal máximas sisudas.
Suportávamos esses horrores como um castigo e inutilizávamos as folhas percorridas,
05 esperando sempre que as coisas melhorassem. Engano: as letras eram pequeninas e
feias; o exercício da soletração, cantado, embrutecia a gente; os provérbios, os graves
conselhos morais ficavam impenetráveis, apesar dos esforços dos mestres arreliados,
dos puxavantes de orelhas e da palmatória.
“A preguiça é a chave da pobreza”, afirmava-se ali. Que espécie de chave seria aquela?
10 Aos seis anos, eu e os meus companheiros de infelicidade escolar, quase todos pobres,
não conhecíamos a pobreza pelo nome e tínhamos poucas chaves, de gavetas, de
armários e de portas. Chave de pobreza para uma criança de seis anos é terrível.
Nessa medonha carta, que rasgávamos com prazer, salvam-se algumas linhas. “Paulina
mastigou pimenta.” Bem. Conhecíamos pimenta e achávamos natural que a língua de
15 Paulina estivesse ardendo. Mas que teria acontecido depois? Essa história contada em
três palavras não nos satisfazia, precisávamos saber mais alguma coisa a respeito da
aventura de Paulina.
O que ofereciam, porém, à nossa curiosidade infantil eram conceitos idiotas: “Fala pouco
e bem: ter-te-ão por alguém”. Ter-te-ão! Esse Terteão para mim era um homem, e nunca
20 pude compreender o que ele fazia na última página do odioso folheto. Éramos realmente
uns pirralhos bastante desgraçados.
Marques Rebelo enviou-me há dias um A B C novo. Recebendo-o, lembrei-me com
amargura da chave da pobreza e do Terteão, que ainda circulam no interior.
A capa da brochura que hoje me aparece tem uns balões — e logo aí o futuro cidadão
25 aprende algumas letras. Na primeira folha, em tabuleiros de xadrez de casas brancas e
vermelhas, procurou-se a melhor maneira de impingir aos inocentes essa coisa
desagradável que é o alfabeto. O resto do livro encerra pedaços de vida de um casal de
crianças. João e Maria regam flores, bebem leite, brincam na praia, jogam bola,
passeiam em bicicleta, nadam, apanham legumes, vão ao Jardim Zoológico.
30 Tudo isso é dito em poucas palavras, como na história de Paulina, que mastigava
pimentas na velha carta de A B C. Mas enquanto ali o caso se narrava com letras miúdas
e safadas, em papel de embrulho, aqui as brincadeiras e as ocupações das personagens
se contam em bonitas legendas e principalmente em desenhos cheios de pormenores
que a narração curta não poderia conter.
35 As legendas são de Marques Rebêlo, as ilustrações, de Santa rosa, dois artistas que há
tempo tiveram livros premiados no concurso de literatura infantil realizado pelo Ministério
da Educação. Onde andam esses livros? Premiados e inéditos, exatamente como se não
tivessem sido premiados.
Marques Rebêlo e Santa Rosa fizeram agora um pequeno álbum e a Companhia Nestlé
40 editou-o, espalhou quinhentos mil volumes entre os garotos do Brasil. Está certo. A
Companhia Nestlê não se dedica a negócios de livros, mas isto não tem importância:
parece que a melhor edição de obra portuguesa foi feita por um negociante de vinhos.
Graciliano Ramos. Linhas tortas. Obra póstuma.13. ed., Rio de Janeiro: Record,1986. p.174-175 (Adaptado).
“O que ofereciam, porém, à nossa curiosidade infantil eram conceitos idiotas: “Fala pouco e bem: ter-te-ão por alguém”. Ter-te-ão! Esse Terteão para mim era um homem, e nunca pude compreender o que ele fazia na última página do odioso folheto. Éramos realmente uns pirralhos bastante desgraçados.” (linhas 18-21)
Sobre os aspectos morfossintáticos do trecho acima, analise as assertivas e identifique com V as verdadeiras e com F as falsas.
( ) a nossa curiosidade infantil exerce função sintática de objeto direto.
( ) O vocábulo porém pode ser substituído, sem prejuízo de sentido, por “conforme”.
( ) A forma verbal ter- te- ão é um exemplo de mesóclise, justificada por estar no Futuro do Presente.
( ) conceitos idiotas e pirralhos [...] desgraçados constituem exemplos de concordância nominal.
A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é
Em “Investigue uma única coisa: onde ele trabalha.”, a função sintática desempenhada pela expressão destacada é:
Texto para as questões de 25 a 27
“[...]
Na semana passada, o vírus B também foi associado à morte súbita de uma menina de oito anos em São Paulo. Houve um teste positivo, mas ainda não se sabe se foi ele o responsável pela parada cardíaca que a levou à morte.
[...]”.
(Folha de S.Paulo, 6/4/16 – B1)
Em “Houve um teste positivo”, o termo destacado exerce a função de:
Texto para as questões de 21 a 24
“Em 1975, o Generalíssimo Franco, 82, ditador da Espanha, estava em seu leito de morte em Madri, com uma antologia de mazelas – infarto, broncopneumonia, tromboflebite, falência renal, úlceras hemorrágicas e um Parkinson avançado. O desfecho era esperado para qualquer momento, mas Franco insistia em prolongar a agonia. Certa noite, do fundo de sua cama, escutou um rumor que entrava pela janela. Perguntou o que era ao enfermeiro. Este respondeu: ‘É o povo espanhol, Excelência. Ele veio se despedir’. E Franco: ‘Ué! O povo vai viajar?’
Franco morreu no fim daquele ano, e as multidões que faziam a vigília nas proximidades de sua casa acharam que ele tinha ido tarde.
[...]”.
(Folha de S.Paulo, 6/4/16 – opinião A2)
Com relação ao fragmento “Ele veio se despedir”, analise as afirmações e coloque (V) para as verdadeiras e (F) para as falsas.
( ) Não aparece palavra atrativa antes da locução verbal, logo o pronome oblíquo pode ficar preso por hífen a qualquer dos verbos da locução.
( ) Aparece palavra atrativa antes da locução verbal, logo o pronome oblíquo pode ser colocado antes da locução verbal ou vir ligado por hífen ao último verbo.
( ) Não aparece palavra atrativa antes da locução verbal, logo o pronome oblíquo não pode ficar preso por hífen a qualquer dos verbos da locução.
( ) Aparece palavra atrativa antes da locução verbal, logo o pronome oblíquo não pode ser colocado antes da locução verbal ou vir ligado por hífen ao último verbo.
A sequência correta é:
Texto para as questões de 21 a 24
“Em 1975, o Generalíssimo Franco, 82, ditador da Espanha, estava em seu leito de morte em Madri, com uma antologia de mazelas – infarto, broncopneumonia, tromboflebite, falência renal, úlceras hemorrágicas e um Parkinson avançado. O desfecho era esperado para qualquer momento, mas Franco insistia em prolongar a agonia. Certa noite, do fundo de sua cama, escutou um rumor que entrava pela janela. Perguntou o que era ao enfermeiro. Este respondeu: ‘É o povo espanhol, Excelência. Ele veio se despedir’. E Franco: ‘Ué! O povo vai viajar?’
Franco morreu no fim daquele ano, e as multidões que faziam a vigília nas proximidades de sua casa acharam que ele tinha ido tarde.
[...]”.
(Folha de S.Paulo, 6/4/16 – opinião A2)
“Em 1975, o Generalíssimo Franco, 82, ditador da Espanha, estava em seu leito de morte em Madri, (...)”.
Atente para as seguintes afirmações sobre o uso das vírgulas.
I. A primeira vírgula separa um adjunto adverbial de tempo.
II. A retirada da virgula colocada imediatamente depois de “Espanha” redundaria em prejuízo para a correção e o sentido original.
III. A inserção de vírgula logo depois do termo “Franco” acarretaria prejuízo sintático e semântico ao texto.
É correto o que se afirma em:
Texto para as questões de 21 a 24
“Em 1975, o Generalíssimo Franco, 82, ditador da Espanha, estava em seu leito de morte em Madri, com uma antologia de mazelas – infarto, broncopneumonia, tromboflebite, falência renal, úlceras hemorrágicas e um Parkinson avançado. O desfecho era esperado para qualquer momento, mas Franco insistia em prolongar a agonia. Certa noite, do fundo de sua cama, escutou um rumor que entrava pela janela. Perguntou o que era ao enfermeiro. Este respondeu: ‘É o povo espanhol, Excelência. Ele veio se despedir’. E Franco: ‘Ué! O povo vai viajar?’
Franco morreu no fim daquele ano, e as multidões que faziam a vigília nas proximidades de sua casa acharam que ele tinha ido tarde.
[...]”.
(Folha de S.Paulo, 6/4/16 – opinião A2)
“(...) Franco morreu no fim daquele ano, e as multidões que faziam a vigília nas proximidades de sua casa acharam que ele tinha ido tarde”.
A propósito desse período, analise as assertivas.
I. Há cinco orações.
II. “... que faziam a vigília nas proximidades de sua casa...” classifica-se como oração subordinada substantiva subjetiva.
III. “... que ele tinha ido tarde” classifica-se como oração subordinada adjetiva restritiva.
IV. O período é composto por coordenação e subordinação.
É correto o que se afirma apenas em:
TEXTO II
A árvore e a árvore
Por vezes, caminhando pelas ruas da cidade, tenho a impressão de que as árvores conversam entre si. O diálogo das árvores nem sempre é ouvido pelos ouvidos, por causa do bulício das ruas, do rumor dos veículos e da zoeira das pessoas. E de madrugada, quando os últimos bêbados se recolhem trôpegos fugindo da aurora, e a brisa matinal leva o sono do rosto das operárias que marcham em direção às fábricas; é nesse momento fluido e tênue que pode ser captado o sussurro das árvores, em meio aos pipilos dos pardais alvoroçados.
E lá estavam as duas árvores a conversar:
— Bom dia, dona Magnólia!
— Bom dia, dona Cássia!
— Dormiu bem?
— Mais ou menos. Esta noite o bem-te-vi, meu inquilino, cismou de acordar e ficou discutindo com a bem- te-vi, no meu galho lá em cima.
— Não diga! Discutindo o quê?
— O papo de sempre, ora essa. Estavam reclamando do custo de vida.
— Ué, mas passarinho também tem esse problema? Pensei que essa preocupação fosse apenas manha dos empregados da Prefeitura que vêm cortar nossa copa todos os anos.
— Qual nada! Passarinho voa azucrinado. A própria bem-te-vi se lastima de que o galho onde eles moram quase não tem folhas; de noite ela molha a cabecinha no sereno. Ficou resfriada, a pobrezinha.
— Então por que eles não se mudam?
— Mudar para onde?
— Ali adiante há um ipê-amarelo com vagas para passarinhos.
— Pois sim. A senhora não viu a placa no tronco? Só há um galhinho vago, muito do mixuruco, e mesmo assim só se aceitam casais de passarinhos sem filhotes.
— Sem filhotes?
— Sem filhotes.
— Mas isso é um absurdo!
— Concordo, mas vai- se fazer o quê? Se até casas de tijolo são alugadas apenas para casais sem filhos. Fazem isso com as pessoas, vão ter consideração para com passarinho?
— Escute, e ali na quaresmeira do outro quarteirão?
— Ah, lá o aluguel é caríssimo. Só mora sabiá-de-papo-amarelo e periquito verde.
— Cruz-credo! — Falou bem. Está tudo pela hora da morte pros passarinhos.
— Mas ouvi dizer que alguns têm boa mordomia...
— Ah, os canários-da-terra... Grande vantagem! Têm alpiste importado, ovo cozido, verdurinha fresca todos os dias, mas, em compensação, vivem presos na gaiola.
— Perderam a liberdade.
— Desaprenderam até de voar!
— Não é à toa que o bairro está cheio de chupim.
— Claro, dona Magnólia. Chupim sempre se ajeita. Quem manda tico- tico ser bobo?
— Reparou que ninguém acaba com chupim? Eles estão em tucum, paineira, sibipiruna.
— Tem chupim até no pau-ferro.
— Se adaptam a qualquer lugar. Bichinho aproveitador está ali. Sabe quando vão acabar com os chupins aqui na zona? .
— Quando, dona Magnólia?
— Dia de São Nunca. E enquanto isso, os bem-te- vis que se danem.
— Ainda mais agora, com o aumento dos impostos.
— Vai ser um horror.
— Horror mesmo.
— Não sei como eles não se revoltam.
— Revoltam nada. Bem-te-vi só sabe dizer: "Bem te vi! Bem te vi!". Viu, e daí? Que adianta ver? As árvores também vêem cada uma, mas não adianta reclamar.
— Houve o caso daquela andorinha, está esquecendo?
— A tolinha. Só porque morava em beiral, achava que podia modificar a situação. Uma andorinha só não muda coisa alguma. Bastou chegar aqui o tucano, deitou falação, disse que fazia e aprontava, tudo se amoitou.
— Aquele tucano foi demais. Verde-amarelo, e bom de bico!
— É, dona Magnólia, mas qualquer dia a árvore cai, não cai?
— Sei lá. Ainda bem que a Prefeitura vai mandar plantar mais cem mil árvores na cidade. Só assim para resolver o problema da moradia dos passarinhos.
— Tomara mesmo. Avise o bem-te-vi para ele aguentar a barra mais um pouco. Quem sabe, um dia, a bem-te-vi possa botar os ovinhos em paz.
— Deus a ouça, dona Cássia.
— Amém, dona Magnólia...
(DIAFÉRIA.Lourenço.Em A morte sem colete. 4a ed. São Paulo:
Moderna, 1983.)
Marque a alternativa que apresenta a análise INCORRETA das orações destacadas.
A desigualdade começa nos primeiros anos de
vida
Pesquisas em diversos campos confirmam que a primeira infância é uma etapa fundamental para o desenvolvimento do potencial das pessoas, conforme estabelecido na Convenção sobre os Direitos da Criança de 1989, da qual o Brasil é signatário. Há vasta bibliografia em diferentes áreas do conhecimento que mostram que os indivíduos aprendem com seu entorno desde o primeiro dia de vida – e por isso é fundamental garantir a infraestrutura adequada para uma educação atenta à qualidade das interações entre adultos e crianças, de tal forma que as oportunidades de aprendizagem estejam sempre presentes, e não apenas na escola. As neurociências mostram que o desenvolvimento do cérebro alcança sua maior velocidade nessa fase. A economia mostra que a primeira infância é um investimento com um retorno de até US$17 por dólar investido. É indiscutível que a aprendizagem na primeira infância determina o futuro dos indivíduos, e não apenas em termos de desempenho escolar ao longo da vida, mas também em uma série de indicadores de bem-estar e redução de envolvimento em atividades de risco – como criminalidade e uso de drogas.
No entanto, a brecha entre as crianças mais e menos vulneráveis se abre muito cedo, tanto na escola quanto em casa. Enquanto 51% da população de 0 a 3 anos das famílias no quartil mais alto de renda frequentam a escola, apenas 22% das crianças das famílias no quartil mais baixo têm acesso à educação. E em casa o acesso a oportunidades de aprendizagem também se distribui de forma desigual: aos 4 anos, as crianças mais pobres terão escutado até 30 milhões de palavras a menos do que as que se encontram em situação menos vulnerável. As pesquisas mostram que o papel das famílias na educação e as suas expectativas em relação aos benefícios que ela proporciona são determinantes na trajetória escolar dos filhos – e, novamente, essa expectativa costuma ser maior entre as famílias com maior nível socioeconômico. Torna-se evidente que o desenho das políticas públicas deverá prever ações que envolvam as famílias e elevem a educação na primeira infância ao mais alto nível de prioridade na sociedade.
As políticas para o desenvolvimento infantil são um importante motor para a promoção da equidade, especialmente diante da constatação de que a população infantil está desproporcionalmente representada na pobreza. No Brasil, onde a situação é particularmente alarmante, para cada pessoa maior de 65 anos vivendo na pobreza, há cerca de 7 crianças e jovens nessa situação, segundo estudo promovido pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).
Com o objetivo de elaborar uma agenda da América Latina para o Desenvolvimento na Primeira Infância, por iniciativa do Todos Pela Educação, do Diálogo Interamericano e da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, um grupo de gestores públicos, especialistas e membros de organizações da sociedade civil de onze países se reuniu no Brasil para elaborar um diagnóstico das políticas públicas e apontar caminhos para garantir os direitos e o desenvolvimento na primeira infância.
O diagnóstico mostra que nos últimos quinze anos houve importantes conquistas na região: alguns países apresentaram avanços pontuais nos programas de atendimento à primeira infância, porém ainda sem a necessária integração das políticas públicas; outros normativamente já apontam para essa integração; e por último estão os que conseguiram integrar na prática as políticas públicas de atendimento à primeira infância, como é o caso de Chile, Colômbia, Cuba e Equador. O Brasil, embora aponte para a integração das políticas públicas no programa Brasil Carinhoso, não executa de forma articulada as políticas para a primeira infância que são responsabilidade da assistência e do desenvolvimento social, da saúde e da educação, por exemplo, nas três esferas de governo. Isto é, a articulação da escola com o posto de saúde depende da iniciativa e da capacidade de articulação local dos gestores escolares, pois não há nenhum registro do desenvolvimento da criança compartilhado por pediatras e professores, nem se prevê a formação necessária para que esses profissionais articulem seus saberes.
Com esses desafios em perspectiva, a Agenda Regional para o Desenvolvimento Integral na Primeira Infância sistematiza o que entendemos serem os cinco principais avanços necessários para consolidar o atendimento de qualidade às crianças dessa faixa etária na América Latina: a definição de métricas que permitam monitorar o desenvolvimento infantil e identificar as situações de desigualdade; a criação de uma instância nacional com autoridade orçamentária e política para realizar as articulações necessárias entre as políticas públicas; a definição de mecanismos de articulação das políticas no território; a ampliação e o fortalecimento da gestão do conhecimento sobre o tema; e o estabelecimento de uma coalizão regional visando consolidar as políticas de desenvolvimento infantil como prioridade de todos os países.
Diante da constatação de que a primeira infância é determinante para o desenvolvimento do indivíduo, não podemos mais negligenciar a importância estratégica dessa agenda para garantir uma educação de qualidade para todos e promover o desenvolvimento social e econômico do país. O desafio da universalização da pré-escola e da ampliação do acesso à creche no Brasil abre para o país a oportunidade de fazer avançar de forma vigorosa o desenvolvimento infantil.
*Alejandra Meraz Velasco é superintendente do movimento Todos Pela Educação (Època, 20/04/2016)
Em ''Há vasta bibliografia em diferentes áreas do conhecimento que mostram que os indivíduos aprendem com seu entorno desde o primeiro dia de vida – e por isso é fundamental garantir a infraestrutura adequada para uma educação atenta à qualidade das interações entre adultos e crianças,...''
Que relação o termo destacado exerce sobre a oração anterior a ele?
(Texto 01)
1 No modelo atual de sociedade digital os bens já
não representam a extrema medida da riqueza.
Com efeito, em tempos de um admirável mundo
cibernético, ainda de todo não conhecido, a
5 informação e o conhecimento são as principais
fontes de poder. O direito fundamental ao acesso
a informação decorre da ampla abertura inerente
às cartas constitucionais democráticas,
revelando-se, nesse sentido, como relevante
10 instrumento de participação popular e efetivo
controle dos poderes representativos, além de
determinar singulares desdobramentos de ordem
comercial e civil no âmbito do Direito Privado.
Umbilicalmente relacionados, o direito
15 fundamental à liberdade de expressão oxigena e
impulsiona o exercício do direito à informação. A
relação entre essas duas cláusulas pétreas do
direito constitucional brasileiro é, em absoluto,
indissociável, e deriva de dispositivos expressos
20 no texto da Lei Maior, que, inicialmente, declara
ser "livre a manifestação do pensamento" e, em
seguida, garante ser "assegurado a todos o
acesso à informação".
Conforme salientam Gilmar Ferreiras Mendes e
25 Paulo Gustavo Gonet a liberdade de expressão
constitui "um dos mais relevantes e preciosos
direitos fundamentais, correspondendo a uma das
mais antigas reivindicações dos homens de todos
os tempos". Nesse sentido, tem-se, pois, que a
30 liberdade de expressão representa uma relevante
conquista da civilização, que acompanha a
própria evolução da humanidade.
(Adaptado de Jusbrasil, 28/11/2016)
“O direito fundamental ao acesso a informação decorre da ampla abertura inerente às cartas constitucionais democráticas, revelando-se, nesse sentido, como relevante instrumento de participação popular e efetivo controle dos poderes representativos, além de determinar singulares desdobramentos de ordem comercial e civil no âmbito do Direito Privado.”(linhas 6 a 13). No trecho acima, pode-se afirmar que há um erro gramatical de:
Em relação à frase “Fitei-o surpreso”, é correto o que se afirma em:
De acordo com Marcuschi (2008, p. 59): “Quando vista como entidade abstrata, enquanto forma, a língua é estudada em suas propriedades estruturais autônomas. Neste caso, é tomada como código ou sistema de signos e sua análise desenvolve-se na imanência do objeto. [...] Tratada assim, a língua é tida como um sistema homogêneo composto de vários níveis hierarquicamente distribuídos. Nesta perspectiva, costuma-se distinguir níveis de análise formal. E geral, os estudos linguísticos nesta linha dedicamse [...] a quatro (grifo nosso) níveis estruturais.” Diante da noção de língua exposto acima por Marcuschi (2008), assinale a única alternativa correta que indique a ordem hierárquica e conceitual de ensino da língua:
O texto a seguir servirá de base para as questões 09 e 10.
CARLOS CHEGA AO CÉU
E olhando aquele nuvenzal todo, comenta: Gente, não é que virei mesmo eterno?
Lá no céu, Cecília Meireles acorda cedinho. Mais cedo ainda do que de costume, que ela gosta de espiar os querubins tontinhos de sono. Mas hoje é dia especial. Cecília prende os cabelos, depois toma sua homeopatia (será Dulcamara? Daqui não dá pra ver - pode até ser Stramonium) e lava devagar o rosto na água do arco-íris. Bebe seu chazinho de pétalas de rosa branca - amarela não, que dá azia. Escova devagar as asas, pluma por pluma. Só depois de bem bonita é que bate de leve na porta da nuvem ao lado. Dentro, um resmungo mal-humorado.
É Vinícius de Moraes, que virou a noite com o arcanjo Gabriel, conhecendo as bocas da zona da Ursa Maior, aquela louca pirada. Mesmo de ressaca, o Poetinha acorda. "É hoje" - sussurra Cecília na janela que Vinícius se espreguiça: "Ô xará, não é que é mesmo hoje" E vai correndo se aprontar.
De braços dados, os dois vão bater à porta da nuvem de Manuel Bandeira. Mas nem era preciso. Manuel já está aceso, debruçado na janela, o nariz um pouco vermelho, fungando e tomando café quente que Irene acabou de preparar. "É hoje" - dizem Cecília e Vinícius. Manuel funga: "E eu não sei, gente? Daqui a pouquinho". Os três ficam em silêncio, o coração deles começa a bater no mesmo compasso (dodecassílabo? Daqui não dá para ouvir direito) então eles olham para baixo, em direção ao planeta Terra, que gira e gira, meio bobo de tão azul.
Aí uma nuvem dourada lá embaixo começa a ficar cada vez mais dourada, a chegar cada vez mais perto. Brilha tanto que os três quase se assustam, até reconheceram São Pedro na direção. Que pena, não dá mais tempo de chamar Pedro Nava. A nuvem aterrissa, São Pedro abre a porta. Um pouco encabulado, atrapalhado com as asas, cabeça baixa. Carlos Drummond de Andrade desce e põe os pés no céu. "Não é que virei mesmo eterno?" - comenta, olhando aquele nuvenzal todo. Então vê os três. Tanto tempo, pois é, tanto tempo, pensei que nem vinha mais. Cecília, você não mudou nada, e essa barriga, Poetinha? Não toma jeito, curou a tosse, Bandeira? Tá mais magro, Carlos, e a Dolores? Vai bem, mandou lembranças, qualquer dia chega por aqui. Irene traz mais café, bem preto, bem forte. Vinícius dá um jeitinho de virar no café uma talagada de uísque da garrafinha que carrega sempre, disfarçada sob a asa esquerda. Os quatro brindam, olhos molhados de saudade satisfeita.
Depois olham pro mundo aqui de baixo, que gira e gira, todo azul, assim de longe, e esperam um pouquinho, enquanto bebem o café, até conseguirem localizar, entre nuvens, a América do Sul. Custa um pouco para encontrarem, quase no extremo sul dessa América, um pontinho luminoso chamado Porto Alegre e, bem no centro do coração dessa cidade, um velhinho de cara sapeca, parado em frente a um porta-retratos com a foto da Bruna Lombardi. É o Mário Quintana - eles sabem - ou será o Anjo Malaquias? (isso nunca ninguém soube). Cecília, Vinícius, Manuel e Carlos sorriem mansinho, espiando Mário lá do céu, lá de cima.
Mas a Terra - tão azul assim, vista de longe, vista de cima - eles olham com pena. Sabem que pelo menos metade desse azul todo, depois que eles se foram, brota dali, do quartinho do Mário. Aí suspiram, tadinho, que barra! Um anjo torto vem pedir autógrafo de Carlos. "desguia" - avisa Vinícius. - "Um chato, maior aluguel". Carlos pergunta de Maria Julieta, Manuel diz que leva ele até lá. Cecília tem um almoço com Clarice e Ana Cristina. Vinícius não sabe se dorme mais um pouco ou se pega o Leon Eliachar para irem até a casa de Elis - será que já acordou, a diaba? - tá com samba novo na cabeça, precisa cruzar com a Clementina.
Cá embaixo, no centro do coração gelado do pontinho luminoso chamado Porto Alegre, pleno agosto, Mário Quintana abre a janela, olha para cima e dá uma piscadinha.
Danados, pensa, que danadinhos. O dia parece tão cinzento que não resiste à tentação de escrever um poema. Bem curtinho, bem feliz. Entre lá e cá, girando e girando sem parar, feito louca. A Terra também não resiste. De puro gosto, fica ainda mais azul - você viu?
(O Estado de São Paulo, 26/8/1987)
Caio Fernando de Abreu – Pequenas Epifanias
Considerado o excerto: “...que gira e gira, meio bobo de tão azul”, é correto afirmar que