Questões de Concurso
Sobre análise sintática em português
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Leia o texto para responder à questão.
Dados mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que a diferença na carga de trabalho entre homens e mulheres não só é bastante díspar como aumentou nos últimos anos.
Em 2005, as mulheres trabalhavam 6,9 horas a mais por semana que os homens; em 2015, essa diferença subiu para 7,5 horas, somando-se o trabalho formal e o doméstico, a chamada dupla jornada.
Isso ocorre ainda que o tempo de dedicação das mulheres aos afazeres domésticos tenha diminuído (algo que pode ser atribuído ao acesso a eletrodomésticos) porque o tempo de dedicação dos homens a atividades profissionais foi reduzido em 3 horas.
(Folha de S.Paulo, 15.03.2017. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão.
A moléstia conservou durante muitos dias – dias angustiosos e terríveis – um caráter de excessiva gravidade; durante longo tempo, Fadinha, que estava com todo o corpo cruelmente invadido pela medonha erupção, teve a existência por um fio. Entretanto, os cuidados da ciência e a ciência dos cuidados triunfaram do mal, e Fadinha ficou boa, completamente boa, depois de ter estado suspensa entre a vida e a morte.
Ficou boa, mas desfigurada: a moça mais bonita do Rio de Janeiro transformara-se num monstro. Aquele rosto intumescido e esburacado não conservara nada, absolutamente nada da beleza célebre de outrora. Ela, porém, consolou-se vendo que o amor de Remígio, longe de enfraquecer, crescera, fortificado pelo espetáculo do seu martírio.
A mãe, conquanto insensível às boas ações, não pôde disfarçar a admiração e o prazer que o moço lhe causou no dia em que lhe pediu a filha em casamento, dizendo:
– Só havia um obstáculo à minha felicidade: era a formosura – de Fadinha. Agora que esse obstáculo desapareceu, espero que a senhora não se oponha a um enlace que era o desejo de seu marido.
Realizou-se o casamento. D. Firmina, desprovida sempre de todo o senso moral, entendeu que devia ser aproveitado o rico enxoval oferecido pelo primeiro noivo; Remígio, porém, teve o cuidado de fazer com que o restituíssem ao barão. A cerimônia efetuou-se com toda a simplicidade, na matriz do Engenho Novo.
Um ano depois do casamento, Fadinha estava outra vez bonita, não da boniteza irradiante e espetaculosa de outrora, mas, enfim, com um semblante agradável, o quanto bastava para regalo dos olhos enamorados do esposo. Remígio dizia, sinceramente, quem sabe? que a achava assim mais simpática, e os sinais das bexigas lhe davam até um “não sei quê”, que lhe faltava dantes.
– Não é bela que me inquiete, nem feia que me repugne. Era assim que eu a desejava.
O caso é que ambos foram muito felizes. Ainda vivem. Remígio é atualmente um alto funcionário, pai de cinco filhos perfeitamente educados.
(Arthur Azevedo, “A moça mais bonita do Rio de Janeiro”.
Em: Seleção de Contos, 2014. Adaptado)
Como superar o fim de um relacionamento? A ciência explica
Ter o “coração partido” é uma das experiências mais traumáticas da vida. No entanto, de acordo com um estudo da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, acreditar que está fazendo algo para superar o término de um relacionamento, independente como, pode ajudar a aliviar o sofrimento. Esse efeito placebo, segundo os cientistas, influencia regiões do cérebro associadas às emoções, liberando dopamina – um dos neurotransmissores responsáveis pelo sentimento de felicidade.
Durante décadas, pesquisas mostraram que as expectativas positivas, mesmo em tratamentos com pílulas sem ingredientes ativos na composição, podem aliviar mensuravelmente a dor. Neste estudo, os especialistas procuraram identificar o impacto do efeito placebo nas dores emocionais de uma rejeição romântica, por exemplo. "O término de um relacionamento é uma das piores experiências emocionais que uma pessoa pode ter ao longo da vida e pode ser um gatilho para problemas psicológicos", explicou ao Daily Mail Leonie Koban, um dos autores da pesquisa publicada no Journal of Neuroscience.
Para os pesquisadores, as recentes descobertas são importantes, considerando que rompimentos estão relacionados a um risco 20 vezes maior de desenvolver depressão em um ano. "Em nosso estudo, descobrimos que esse efeito placebo pode ter um grande efeito na redução dessa dor social", disse Koban. "Só o fato de que você está se engajando em algo para benefício próprio, e que pode lhe dar esperanças, já pode ter um impacto", completou Tor Wager, coautor do estudo.
[...]
(Fonte:http://veja.abril.com.br/saude/como-superar-o-fim-de-um-relacionamento-a-ciencia-explica/. Adaptado.Acesso em: 14/05/2017)
Considerando os aspectos linguísticos do texto e as ideias nele expressas, julgue o item.
O segmento “para a saúde geral e qualidade de vida da
população” (linhas 14 e 15) está sintaticamente
subordinado ao termo “fundamental” (linha 14).
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. O destaque ao longo do texto está citado na questão.

Avalie as afirmativas a seguir:
I. Na frase “Há muito o que fazer nessas áreas.” (l. 22-23), as palavras sublinhadas têm a mesma classificação quanto à classe gramatical.
II. Nas linhas 06 e 09, o vocábulo mais tem a mesma função.
III. Em segurança dos alimentos (l. 07), a expressão sublinhada representa um adjunto adverbial.
Quais estão corretas?
Disponível em: <http://www.cartacapital.com.br/cultura>. Acesso em: 23 jan. 2017. [Adaptado]
GLOSSÁRIO:
Adamastor: figura mitológica grega citada na Odisseia, de Homero, na Eneida, de Virgílio, e em Os Lusíadas, de Camões.
Camões: poeta português do século XVI.
Tétis: deusa grega das águas, amada por Adamastor.
A questão refere-se ao 8º parágrafo, reproduzido a seguir.
Às vezes, o detentor de um direito torna-se arrogante. Ele não entende o espírito da lei nem imagina que o legal, muitas vezes, pode ser imoral.
No segundo período, há relação de
Cientista ensina como ter sucesso no trabalho ao controlar distração digital
Quem afirma isso é o americano Cal Newport, cientista que estuda o impacto da tecnologia no trabalho. Seguindo a tendência das chamadas filosofias “deep”, de tentar isolar as distrações da vida moderna, ele criou o “deep work” (trabalho profundo, em tradução livre). […]
Newport afirma que as redes sociais e a tendência geral à hiperconectividade estão prejudicando carreiras e impedindo o sucesso e a excelência profissional.
De modo geral, o cientista da computação diz que atividades superficiais na internet, como checar e-mails constantemente ou ver as atualizações na timeline de uma das inúmeras redes sociais existentes, tomam um tempo excessivamente grande em troca de muito pouco.
Segundo Newport, a tentativa de fazer muitas coisas ao mesmo tempo leva a um trabalho com menor valor agregado e facilmente replicável. Ele chama isso de “shallow work” (trabalho superficial).
Do outro lado, o “deep work” seria a realização de atividades profissionais em estado de concentração, o que levaria as capacidades cognitivas ao limite e, consequentemente, produziria conhecimento, valor e resultados dificilmente replicáveis.
Uma das bases do pensamento de Newport é a questão da atenção residual. Segundo ele, à medida que alternamos entre atividades, uma parcela de nossa atenção permanece na tarefa original.
A ideia é partilhada por Dora Góes, psicóloga do Programa de Dependências Tecnológicas do Hospital das Clínicas da USP. “Essa história de cérebro multitarefa não existe. Se estou fazendo várias coisas, haverá foco maior em uma delas e as outras ficarão deficitárias. Mas achamos que damos conta”.
O resultado disso, tanto para a psicóloga quanto para Newport, é uma menor capacidade para aprender novas coisas. “Isso interfere na nossa memória a longo prazo, na nossa concentração”, afirma Góes. “A mente que está agitada entre um aplicativo e outro é muito diferente de uma que está concentrada lendo um texto mais profundo”. […]
(Folha de S. Paulo, 10 jan. 2017. Adaptado)
Considere a seguinte passagem retirada do texto:
De modo geral, o cientista da computação diz que atividades superficiais na internet, como checar e-mails constantemente ou ver as atualizações na timeline de uma das inúmeras redes sociais existentes, tomam um tempo excessivamente grande em troca de muito pouco. […] Uma das bases do pensamento de Newport é a questão da atenção residual. Segundo ele, à medida que alternamos entre atividades, uma parcela de nossa atenção permanece na tarefa original.
A respeito dos marcadores do discurso destacados nessa passagem, assinale a alternativa que apresenta as respectivas relações que eles estabelecem.
Leia o texto abaixo para responder a questão.

Leia o texto abaixo para responder a questão.


Dadas as afirmativas sobre os aspectos morfossintáticos dos quadrinhos,
I. O pronome demonstrativo ESTA, 1º quadrinho, foi corretamente empregado, já que expressa proximidade de quem se manifesta com o objeto referente.
II. A linguagem verbal do 2º quadrinho foi constituída por apenas um período simples.
III. A vírgula, que aparece no 2º quadrinho, está de acordo com as orientações gramaticais, uma vez que aparece isolando um termo explicativo.
IV. O termo TODA A PROVA, presente no 3º quadrinho, apresenta idêntica classificação sintática que AS QUESTÕES, no 3º quadrinho.
verifica-se que está(ão) correta(s)
O segundo período, do quarto parágrafo do texto, contém:
Analise as afirmativas abaixo em relação ao vocábulo “Ela” (linha 12).
I - Na análise sintática, é classificado como complemento nominal do verbo “afirmar”.
II - Como elemento de coesão, retoma Marileia Souza.
III - Na análise morfológica, é classificado como pronome pessoal do caso reto.
Das afirmações acima, qual(is) está(ão) correta(s)?
Moradores fixam placas em ruas no RS para avisar sobre furtos e assaltos
01 Moradores de duas das principais cidades do Rio Grande do Sul fixaram placas
02 para denunciar o perigo em regiões onde acontecem crimes. A iniciativa, registrada
03 em Porto Alegre e em Caxias do Sul, na Serra, tem como objetivo alertar quem passa
04 por locais onde já ocorreram furtos e assaltos.
05 Uma placa amarela fixada na parede de um prédio na Travessa Cauduro no
06 Bairro Bom Fim, Região Central de Porto Alegre, alerta que os carros estacionados na
07 região costumam ser arrombados. A professora Mariú Jardim concorda com o aviso.
08 "Quase todos os dias, sempre há assalto. E o pior,____mão armada", diz a moradora.
09 O DJ Jonathan Trevisan conta que um colega teve o carro roubado em frente ao
10 prédio onde mora. "O cara estava com a arma no peito dele. O outro percebeu que eu
11 estava na janela, apontou a arma para mim e me mandou entrar e ficar quieto", conta.
12 No Centro da capital, a Rua Chaves Barcellos também virou alvo dos bandidos,
13 de acordo com o relato de quem vive ou trabalha na região. "Não____para deixar
14 dinheiro na bolsa, celular também, _______ eles sempre estão pegando", conta a
15 atendente Natália Cristiane dos Santos.
16 Escrito à mão em um pedaço de papelão fixado em um poste, um pedido
17 deixado por um comerciante mostra que a situação chegou ao limite: "Prezados
18 ladrões, peço a gentileza de respeitar esta rua".
19 A Brigada Militar diz que planeja aperfeiçoar o uso de um aplicativo de celular
20 para receber informações da comunidade, segundo o comandante interino do 9o
21 Batalhão, major Macarthur Vilanova. "A comunidade que está no terreno, que está
22 vivenciando o dia a dia da sua área, do seu bairro, nos informa coisas que a polícia às
23 vezes não enxerga, pontos em que os delinquentes estão se concentrando, locais mais
24 vulneráveis e horários", explica.
25 Em Caxias do Sul, na Serra gaúcha, uma placa próxima ____ uma das
26 principais universidades da cidade diz que lá há um alto índice de arrombamento de
27 veículos. O empresário Mateus Pasquali conta ter idealizado ____ iniciativa após
28 encontrar pelo chão material que, segundo ele acredita, foi furtado dos carros
29 estacionados.
30 "Já recolhi jaleco de funcionário e de estagiário do hospital geral. Muitas vezes,
31 alguma capa de câmera fotográfica, porque acho que a câmera acabaram furtando. E
32 como isso se repete há alguns meses, desde dezembro eu venho acompanhando, eu e
33 um funcionário que trabalha comigo tomamos a atitude de produzir essa placa e
34 colocarmos aí para tentar evitar que o pessoal estacione nesse ponto", conta.
35 A Brigada Militar pede que as vítimas registrem as ocorrências. "Não temos
36 nenhum registro do ano passado e até agora, em janeiro de 2017, também não temos
37 registro, então é importante que as pessoas registrem os furtos e roubos de veículos
38 porque ________ disso que a Brigada Militar faz seu planejamento", diz o
39 subcomandante do 12° Batalhão da cidade gaúcha, major Emerson Ubirajara.
Disponível em <http://g1.globo.eom/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2017/02/moradores-fixam-placas-em-ruas-no-rs-para-avisar-sobre-furtose-assaltos.html> (adaptado). Acesso em 11 fev. 2017.
A seguir, apresenta-se um trecho do artigo “Sociedade, violência e políticas de segurança pública: da intolerância à construção do ato violento”, (Texto 01), escrito pela psicóloga e pesquisadora Márcia Mathias de Miranda, Coordenadora do Espaço de Estudos e Pesquisas das Violências e Criminalidade – EepViC – Machado Sobrinho.
Texto 01
(...)
Para o cientista, a violência é parte intrínseca da vida social e resultante das relações, da comunicação e dos conflitos de poder. O fato que reforça este argumento é o de nunca ter existido uma sociedade sem violência. A violência, conceitualmente, é um processo social diferente do crime (...). Ela é anterior ao crime e não é codificada no Código Penal.
Trata-se de um fenômeno que não pode ser separado da condição humana e nem tratado fora da sociedade - a sociedade produz a violência em sua especificidade e em sua particularidade histórica. Há, na sociedade e no processo dinâmico que ela envolve, modificações na construção dos objetos sociais que são, muitas vezes, expressos como um problema social. Bater nos filhos, como um bom exemplo a ser citado, já foi uma estratégia para educá-los.
A violência se presentifica até entre as expectativas do processo civilizatório que são, por sua vez, as de criação de indivíduos socialmente “adestrados” a partir do controle e da repressão dos impulsos internos a favor de uma convivência coletiva possível. O entendimento do processo de civilização deixa claro o quanto este processo é, em si, um processo violento. Segundo Freud o processo de civilização é o que responde pela “condição humana” (com o indivíduo deixando de necessitar e passando a desejar) e, segundo este autor, não é possível acabar com os conflitos violentos, uma vez que eles são intrínsecos ao homem – participam de sua constituição. Há, segundo esta compreensão, uma impossibilidade de normatização para se incidir sobre a condição psicológica e acabar com a violência – a violência é tida como o epifenômeno da condição humana.
A violência para Freud circula no campo do sujeito (e não no campo do outro). O que nos interessa tomar como contribuição deste autor, entretanto, é o fato discutido por ele de que a violência estará sempre presente no campo social e histórico (por fazer parte da constituição humana). Este pressuposto tira-nos a ingenuidade de que é possível exterminar a violência das relações sociais e nos remete a uma racionalidade com relação a esta problemática. A compreensão da violência por meio desta perspectiva se opõe ao pânico e ao horror de uma “nova” condição existencial – a de pertencimento a uma sociedade atual completamente perdida, agressiva e perigosa.
A violência é, de fato, algo indelével da experiência humana; o que não significa banalizá-la e favorecer uma “naturalização” deste ato, mas sim questionar todo exagero e intolerância destinados a ela, sustentados pelo quadro de medo da violência no qual a sociedade atualmente se encontra.
(...)
(MIRANDA, Márcia Mathias de. SOCIEDADE, VIOLÊNCIA E POLÍTICAS DE SEGURANÇA PÚBLICA: DA INTOLERÂNCIA À CONSTRUÇÃO DO
ATO VIOLENTO. http://www.machadosobrinho.com.br. Acesso: 15.2.2017).
A representação da “realidade” na imprensa
Parece ser um fato assentado, para muitos, que um jornal ou um telejornal expresse a “realidade”. Folhear os cadernos de papel de ponta a ponta ou seguir pacientemente todas as imagens do grande noticiário televisivo seriam operações que atualizariam a cada dia nossa “compreensão do mundo”. Mas esse pensamento, tão disseminado quanto ingênuo, não leva em conta a questão da perspectiva pela qual se interpretam todas e quaisquer situações focalizadas. Submetermo-nos à visada do jornalista que compôs a notícia, ou mesmo à do câmera que flagra uma situação (e que, aliás, tem suas tomadas sob o controle de um editor de imagens), é desfazermo-nos da nossa própria capacidade de análise, é renunciarmos à perspectiva de sujeitos da nossa interpretação.
Tanto quanto os propalados e indiscutíveis “fatos”, as notícias em si mesmas, com a forma acabada pela qual se veiculam, são parte do mundo: convém averiguar a quem interessa o contorno de uma análise política, o perfil criado de uma personalidade, o sentido de um levante popular ou o alcance de uma medida econômica. O leitor e o espectador atentos ao que leem ou veem não têm o direito de colocar de lado seu senso crítico e tomar a notícia como espelho fiel da “realidade”. Antes de julgarmos “real” o “fato” que já está interpretado diante de nossos olhos, convém reconhecermos o ângulo pelo qual o fato se apresenta como indiscutível e como se compõe, por palavras ou imagens, a perspectiva pela qual uma bem particular “realidade” quer se impor para nós, dispensando-nos de discutir o ponto de vista pelo qual se construiu uma informação.
(Tibério Gaspar, inédito)
Atenção: Nesta prova, considera-se uso correto da Língua Portuguesa o que está de acordo com a norma padrão escrita.
Leia o texto a seguir para responder as questões sobre seu conteúdo.
A VIDA DA LÍNGUA
Por: Leandro Karnal. Adaptado de:
http://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,a-vida-dalingua,70001665676
16 fev 2017.
A língua é um fenômeno vivo. Pertence aos seus usuários e muda constantemente. Esperneiam gramáticos, exasperam-se puristas, descabelam-se professores: ela ignora molduras e flui orgânica nas ruas e famílias.
Há um uso regido pela gramática normativa que estabelece regras. Às vezes, elas são divertidas. Por exemplo: existe uma parte da gramática que trata da produção oral das palavras, ou seja, como pronunciar ou onde cairia a sílaba tônica de cada termo. Você tem dúvida, por exemplo, deve-se dizer rubrica ou rúbrica? Esse setor da gramática resolve. O correto seria pronunciar o “e” fechado na palavra obeso ou aberto? Por que eu falei que era um setor divertido? Porque a parte da gramática que trata das dúvidas sobre sílabas tônicas e outras é ortoepia ou ortoépia, ou seja, admite duas formas de pronúncia. Quem deveria me dizer qual a forma correta admite duas formas.
Existe o campo da linguística, que irritava o solene gramático Napoleão Mendes de Almeida. Ela é ampla e abrange, inclusive, a gramática normativa. Porém, antes de indicar o certo e o errado, analisa a apropriação/construção/ produção de sentidos de comunicação para uma pessoa ou para um grupo. Assim, ir “de a pé” ou ser “de menor” não seriam, do ponto de vista linguístico, erros, mas usos com explicação racional para o porquê do desvio da norma culta. Por vezes, é uma tentativa de hipercorreção, como é o caso do emprego de “menas”. Figura ser mais correto concordar o gênero e muita gente lasca um “menas pessoas” porque parece contraditório dizer menos. Em outras ocasiões, nossa resistência lusófona ao excesso de consoantes provoca a introdução de uma vogal onde não caberia na ortoepia ortodoxa. Surgem “adevogados”, trocam-se “pineus” e o monstro verde irritadiço é o incrível “Hulki”. O uso recebe um nome complexo: suarabácti (ou anaptixe), a criação de uma vogal de apoio. A pronúncia “pissicologia” causa-lhe horror, ó meu parnasiano leitor? Como eu afirmei, a língua é viva. [...]
Nós sintetizamos (vossa mercê vira você e daí surge o internético vc), colocamos vogais, adaptamos, decompomos e refazemos. O império de Napoleão (o gramático) dá origem a muitas pequenas repúblicas, vivas, pulsantes e indiferentes às vestais oficiais e oficiosas do tabernáculo das regras. No sentido empregado por Noam Chomski, eu preciso de uma gramaticalidade para minha expressão, e nem sempre é a prevista no código napoleônico.
Língua é história. Em 1912, um navio britânico a caminho dos EUA naufragou de forma trágica. A elite brasileira leu sobre o evento e pronunciou o nome do navio como se fosse francês: Titanic, enfatizando a sílaba final e produzindo o gracioso biquinho da francofonia. Ninguém pronunciou com sonoridade inglesa ou traduziu para Titânico. Mais de um século, ainda falamos como se o navio tivesse zarpado de Marselha e sido confeccionado em um porto gaulês. Por quê? A elite brasileira era usuária da língua de Paris.
[...] Criamos muito. Deletar, por exemplo: não é inglês e não é português. Na origem, uma palavra latina que chegou ao francês e ultrapassou o canal da Mancha. É a nossa tradicional antropofagia, analisada pelos Andrades, Oswald e Mário. Pedem-me budget e eu penso na antiga, sólida e útil palavra orçamento. A reunião flui assim: “O senhor será keynote speaker e a escolha é em função do seu know-how sobre o modelo ted para CEOs. [...]
Não adianta solidificar uma armadura que defenda
o português. O ataque não é externo, é opção dos cidadãos
de dentro. Podemos insistir que ludopédio seria mais
correto, futebol está consagrado e ponto. O chá da
academia será acompanhado de cookies e de cupcakes. A
língua pode até morrer um dia, mas nós, seus usuários,
partiremos antes. Isto assusta ou consola? Good luck!
Releia o segundo parágrafo:
Há um uso regido pela gramática normativa que estabelece regras. Às vezes, elas são divertidas. Por exemplo: existe uma parte da gramática que trata da produção oral das palavras, ou seja, como pronunciar ou onde cairia a sílaba tônica de cada termo. Você tem dúvida, por exemplo, deve-se dizer rubrica ou rúbrica? Esse setor da gramática resolve.
Sobre os recursos de construção desse parágrafo, analise com atenção as proposições a seguir. Depois, assinale a alternativa que contenha conclusão correta sobre as mesmas.
I. A forma “há” do verbo haver é impessoal, pois não tem sujeito claro no período em que aparece.
II. A crase presente em “às vezes” justifica-se pelo fato de haver a presença de artigo mais preposição, exigida pela regência do verbo, diante de palavra feminina.
III. A palavra “rubrica” tem apenas uma forma correta para ser escrita, que é a paroxítona.
IV. Em: ”você tem dúvida, por exemplo, deve-se dizer rubrica ou rúbrica” o autor utilizou corretamente pela colocação do pronome em próclise, pois a vírgula obriga que essa seja a forma correta de acordo com a norma padrão.
“A Literatura amplia os horizontes, já que possibilita ao leitor experimentar, de um modo seguro, situações que ele provavelmente jamais viveria. A boa literatura estimula a reflexão e desperta o senso crítico”, complementa Lenio Streck, procurador de Justiça do Rio Grande do Sul e professor de Pós-Graduação em Direito na Unisinos-RS.


