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Questões de Concurso Sobre análise sintática em português

Foram encontradas 8.927 questões

Q1695076 Português

Instrução: A questão de número refere-se ao texto abaixo. 



(Disponível em: https://www.contioutra.com/quando-a-cegueira-e-voluntaria/ – Texto adaptado especialmente para esta prova.)

No excerto “É, companheiros e companheiras, conviver é mesmo coisa complicada”, o conteúdo sublinhado representa sintaticamente um: 
Alternativas
Q1694531 Português

Leia o texto abaixo e responda ao que se pede.

RETRATO

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?


             Cecília Meireles 

Na frase “Eu adquiria aquela amargura à medida em que envelhecia.”, o período é:
Alternativas
Q1694526 Português

Leia o texto abaixo e responda ao que se pede.

RETRATO

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?


             Cecília Meireles 

Nos versos “eu não tinha este coração que nem se mostra.”, a palavra grifada tem a sua análise morfossintática descrita, com acerto, em:
Alternativas
Q1693933 Português
Privacidade das crianças na internet: quem deixou você postar isso? 



O bebê sentou sozinho. Click. Aprendeu a segurar o pé. Click. Se lambuzou inteiro de papinha. Click. Caiu um dente de leite. Click. Se antes os registros da infância eram guardados como preciosidades em empoeirados álbuns de família, no mundo frenético e digital da pósmodernidade eles encontraram uma nova plataforma: as redes sociais. E nem é preciso esperar por uma ocasião especial para publicar fotos e vídeos. O café da manhã, o caminho para a escola, a hora do almoço e até o banho... Tudo é pretexto para um novo post.

É fato que misturar a vida real com a digital é um caminho sem volta. “No passado, havia uma separação muito clara entre a vida presencial e a digital. Hoje, isso não existe mais”, explica a pesquisadora de tendências Clotilde Perez, pós-doutora em Design Thinking pela Stanford University (EUA). “Se as pessoas estão presentes nas redes sociais, é natural que as crianças também estejam. Afinal, elas são parte da sociedade”, completa.

Nem por isso é menos importante parar para refletir sobre o que a exposição precoce de crianças pode provocar. Elas ainda não têm discernimento para escolher como (e se) querem estar presentes no mundo virtual, mas sofrerão os efeitos do que está nas redes no futuro. Essa é uma situação à qual toda a sociedade está sujeita. “Tenho a impressão que virou um diário coletivo. O que fazíamos na intimidade, para guardar e mostrar aos filhos quando crescessem, agora é público”, explica a neuropsicóloga Deborah Moss, mestre em Psicologia do Desenvolvimento pela Universidade de São Paulo.

Mesmo que, hoje, as imagens que você posta do seu filho não reverberem de forma negativa, no futuro, dependendo do teor, elas podem se tornar fonte de mal-estar, embaraço ou matéria para bullying. Sim, aquela foto fofinha do seu filho com bumbum de fora na praia ou mostrando o sorriso banguela podem não ser interpretadas por estranhos do jeito que você gostaria. Por isso, para Rodrigo Nejim, diretor de educação da ONG SaferNet, os pais precisam ter em mente que a esfera pública da internet vai além do círculo de familiares e amigos. “Dizemos que expor na rede cenas comuns no contexto familiar, como um primeiro banho, acabam colocando seu filho na maior praça pública do planeta”, alerta.

Outro ponto fundamental é que a postagem dessas fotos pode ferir a autonomia das crianças. Muitas não são nem consultadas pelos pais. “É um equívoco menosprezar a opinião da criança. A partir dos 3 ou 4 anos, ela já pode dizer se gosta ou não de uma imagem e se quer que seja compartilhada”, completa Nejim.

Naíma Saleh. Disponibilizado em https://revistacrescer.globo.com/Criancas/Com portamento/noticia/2018/06/quem-deixou-voce-postar-isso.html. Acesso em: 24/05/2020 (fragmento adaptado)
Observando a imagem e o enunciado verbal que formam o meme e relacionando-o ao assunto do texto, marque a alternativa correta:
Alternativas
Q1693932 Português
Privacidade das crianças na internet: quem deixou você postar isso? 



O bebê sentou sozinho. Click. Aprendeu a segurar o pé. Click. Se lambuzou inteiro de papinha. Click. Caiu um dente de leite. Click. Se antes os registros da infância eram guardados como preciosidades em empoeirados álbuns de família, no mundo frenético e digital da pósmodernidade eles encontraram uma nova plataforma: as redes sociais. E nem é preciso esperar por uma ocasião especial para publicar fotos e vídeos. O café da manhã, o caminho para a escola, a hora do almoço e até o banho... Tudo é pretexto para um novo post.

É fato que misturar a vida real com a digital é um caminho sem volta. “No passado, havia uma separação muito clara entre a vida presencial e a digital. Hoje, isso não existe mais”, explica a pesquisadora de tendências Clotilde Perez, pós-doutora em Design Thinking pela Stanford University (EUA). “Se as pessoas estão presentes nas redes sociais, é natural que as crianças também estejam. Afinal, elas são parte da sociedade”, completa.

Nem por isso é menos importante parar para refletir sobre o que a exposição precoce de crianças pode provocar. Elas ainda não têm discernimento para escolher como (e se) querem estar presentes no mundo virtual, mas sofrerão os efeitos do que está nas redes no futuro. Essa é uma situação à qual toda a sociedade está sujeita. “Tenho a impressão que virou um diário coletivo. O que fazíamos na intimidade, para guardar e mostrar aos filhos quando crescessem, agora é público”, explica a neuropsicóloga Deborah Moss, mestre em Psicologia do Desenvolvimento pela Universidade de São Paulo.

Mesmo que, hoje, as imagens que você posta do seu filho não reverberem de forma negativa, no futuro, dependendo do teor, elas podem se tornar fonte de mal-estar, embaraço ou matéria para bullying. Sim, aquela foto fofinha do seu filho com bumbum de fora na praia ou mostrando o sorriso banguela podem não ser interpretadas por estranhos do jeito que você gostaria. Por isso, para Rodrigo Nejim, diretor de educação da ONG SaferNet, os pais precisam ter em mente que a esfera pública da internet vai além do círculo de familiares e amigos. “Dizemos que expor na rede cenas comuns no contexto familiar, como um primeiro banho, acabam colocando seu filho na maior praça pública do planeta”, alerta.

Outro ponto fundamental é que a postagem dessas fotos pode ferir a autonomia das crianças. Muitas não são nem consultadas pelos pais. “É um equívoco menosprezar a opinião da criança. A partir dos 3 ou 4 anos, ela já pode dizer se gosta ou não de uma imagem e se quer que seja compartilhada”, completa Nejim.

Naíma Saleh. Disponibilizado em https://revistacrescer.globo.com/Criancas/Com portamento/noticia/2018/06/quem-deixou-voce-postar-isso.html. Acesso em: 24/05/2020 (fragmento adaptado)
A organização do texto deve ser feita com nexos lógicos adequados, encadeando-se coerentemente as ideias e evitando-se frases e períodos desconexos. Assim, sobre o primeiro parágrafo do texto é incorreto afirmar:
Alternativas
Q1693631 Português
Texto

Entrevista concedida ao jornalista Júlio Lerner, em 1 de fevereiro de 1977, para o programa “Panorama”, da TV Cultura, de São Paulo.

De minha sala até o saguão dos estúdios tenho que percorrer cerca de 150 metros. Estou tão aturdido com a possibilidade de entrevistá-la que mal consigo me organizar naquela curta caminhada. Talvez falar sobre “A Paixão Segundo G.H”… Ou quem sabe sobre “A Maçã no Escuro” e “Perto do Coração Selvagem”… Vou recordando o que Clarice escreveu. Será que li tudo? Em apenas cinco minutos consegui um estúdio para entrevistá-la.
São quatro e quinze da tarde e disponho de apenas meia hora. Às cinco entra ao vivo o programa infantil e quinze minutos antes terei de desocupar o estúdio. Estou correndo e antes mesmo de vê-la a pressão do tempo começa a me massacrar. Não terei condições de preparar nada antes, nem mesmo conversar um pouco. Não poderei sequer tentar criar um clima adequado para a entrevista. Eu odeio a TV brasileira! Só meia hora para ouvir Clarice. O pessoal da técnica foi novamente generoso e se empenhou para conseguir essa brecha. Olho o relógio, não consigo me organizar, estou correndo, olho novamente o relógio. Estou desconcertado, atinjo o saguão dos estúdios e a vejo ali, dez metros adiante, Clarice de pé ao lado de uma amiga, perdida no meio do vaivém dos cenários desmontados, de diversos equipamentos e de técnicos que falam alto, no meio de um grande alvoroço.
Paro diante dela, estou um pouco ofegante, estendo-lhe a mão e sou atravessado pelo olhar mais desprotegido que um ser humano pode lançar a semelhante. Ela é frágil, ela é tímida, e eu não tenho condições para explicar que o problema do tempo elevou meus níveis de ansiedade. Clarice me apresenta Olga Borelli, entramos e a conduzo ao centro do pequeno estúdio. Peço para que ela sente numa poltrona de couro de tonalidade café-com-leite. Clarice segura apenas um maço de Hollywood e uma caixa de fósforos, providencio um cinzeiro, os refletores malditos são ligados. Clarice me olha. O olhar de Clarice me interroga, só disponho de uma única câmera, o olhar de Clarice suplica, Olga se ajeita numa lateral escurecida, chega Miriam, a estagiária do programa e fica encolhida e calada, o calor está ficando insuportável e o ar-condicionado não está ajustado, são apenas quatro e vinte, Clarice tenta me dizer alguma coisa, mas não falo com ela, preocupado em ajustar uma questão de iluminação, o hálito da fornalha já nos atinge a todos, devemos ter agora no estúdio uns 50 ou 60 graus, maldita TV, bendita TV do terceiro mundo que me possibilita estar agora frente a frente com ela, Clarice me olha melindrosa, assustada e seu olhar me pede para que a tranquilize.
“OK, Júlio, tudo pronto”, a voz metálica vem da caixa dos alto-falantes. Peço a toda equipe para sair, cabo man, iluminador, assistente de estúdio, agradeço. Clarice percebe que caiu numa arapuca e já não há como voltar atrás. Peço silêncio e depois de uns dez segundos ecoa um “gravando”.
Não conversamos antes e disponho apenas de 23 minutos. Estou completamente desconcertado, fico um minuto em silêncio fitando Clarice. Estou oco, vazio, não sei o que dizer. Clarice me olha curiosa, mas vigilante, defendida. Sou o senhor do castelo e — prepotente — guardo comigo a chave desta prisão. Ninguém pode entrar ou sair sem meu expresso consentimento. Todos devem se submeter à minha autoritária vontade.
A fornalha arde, meu coração dispara, minha boca está seca e debaixo destes tirânicos mil sóis sou o maior dos tiranos. Começa a entrevista. A entrevista avança. Seus olhos azuis-oceânicos revelam solidão e tristeza. Clarice está nua, não há perdão, Clarice agora está encapotada, ela se deixa agarrar, mas logo escapa, e volta, e me pega, e me sugere o longe, o não dizível, depois se cala. E quando nada mais espero, ela volta a falar. Faço uma antientrevista, pausas, silêncios, Clarice agora está fugindo para uma galáxia inabitada e inatingível, mas volta em seguida e, tolerante, suporta toda a minha limitação.
Acho que ela vai se levantar a qualquer instante e me dizer: “Chega!”. Clarice pressente que por trás de meu sorriso aparentemente compreensivo e de minha fala suave esconde-se um ser diabólico autodenominado “repórter” e que quer possuir sua intimidade. Seu corpo exprime receios, ela me afasta, mas de novo me atrai, suas pernas se cruzam e se descruzam sem parar e telegrafam que de repente ela poderá se levantar e partir.

Fonte: https://www.revistabula.com/503-a-ultima-entrevista-de-claricelispector, acesso em fevereiro de 2020
No período “Clarice tenta me dizer alguma coisa, mas não falo com ela,...” a segunda oração exprime em relação à primeira o sentido de:
Alternativas
Q1693622 Português
Texto 

Licença poética

De acordo com o dicionário Houaiss, o termo “Licença Poética” é definido como a “liberdade de o escritor utilizar construções, prosódias, ortografias, sintaxes não conformes às regras, ao uso habitual, para atingir seus objetivos de expressão”. Está presente na literatura, música e também nas propagandas.
Por meio da licença poética, o artista ganha liberdade de expressão e se desprende da normatividade das regras gramaticais e/ou métricas, utilizando, entre outros recursos, versos irregulares, erros ortográficos e/ou gramaticais e rimas falsas. Assim, observa-se uma espécie de erro proposital, empregado para destacar determinado ponto da obra.
Entre os exemplos de uso de licença poética, podemos destacar o poema Indivisíveis, de Mário Quintana, que apresenta a seguinte frase: “Meu primeiro amor sentávamos…”.
Segundo a norma culta da língua portuguesa, observa-se um erro de concordância verbal, uma vez que o verbo (sentar) deve concordar com o sujeito (Meu primeiro amor). Assim, a forma correta da flexão do verbo deveria ser “sentava” em vez de “sentávamos”, no entanto, o poeta optou em utilizar a primeira pessoa do plural para demarcar simbolicamente a fusão entre o casal de amantes.
O poeta Manoel de Barros também utiliza o recurso no trecho: “Gostaria agora de escrever um livro. Usaria o idioma das larvas incendiadas […]”. Nesse caso, ele utiliza a licença poética para criticar a forma como as pessoas costumam usar a linguagem, comparando-a às larvas. 
Na letra da música Socorro, de Arnaldo Antunes, percebe-se a presença da licença poética no trecho a seguir: “Meu coração já não bate, só apanha…”. Sabe-se que o coração não é capaz de bater ou apanhar, no entanto, com a utilização do recurso, o autor reforça que em sua vida afetiva está mais acostumado a sofrer do que a ter alegrias.
Também encontramos a licença poética em romances, roteiros de novela, textos publicitários, jornalísticos, assim como em todas as outras áreas que envolvam um trabalho direto com a língua. 
Além de ser utilizada como recurso estético, a licença poética pode ser utilizada para objetivos mais práticos. Por exemplo, quando há uma novela ambientada ou com núcleo formado por personagens estrangeiros, como ocorreu em Caminho da Índias (Rede Globo, 2009), de Glória Perez, surpreendentemente, observa-se que os mesmos falam português perfeitamente. Isso ocorre devido ao pacto ficcional estabelecido entre o público e o autor da obra. Pelo fato dos telespectadores serem muito variados, seria difícil que todos conseguissem acompanhar o ritmo da trama, caso a mesma fosse legendada, o que resultaria, consequentemente, em uma perda de público. Uma vez que as telenovelas visam, em primeiro lugar, a obtenção da audiência, não seria um bom negócio em termos econômicos. Sem falar do tempo, esforço e investimento que devem ser aplicados para ensinar uma língua estrangeira aos atores, que, no momento da veiculação da obra, precisariam apresentar fluência na mesma.
Assim, pode-se considerar a licença poética como uma manobra linguística válida para diversos gêneros textuais, que permite aos autores expressarem o que desejam do modo que considerem mais adequado.

Fonte: https://www.infoescola.com/literatura/licenca-poetica, acesso em fevereiro de 2020

A partir do modo de classificação gramatical, que considera ‘sujeito’ e ‘verbo’ estruturas essenciais, é possível reconhecer que, dentre os períodos a seguir, está indevidamente construído abaixo, expressando somente sujeito o:
Alternativas
Q1691749 Português

Leia o texto abaixo e responda ao que se pede.


De volta pra casa


Nos aeroportos, o cenário já me parecera realidade paralela de ficção científica. Estaria eu personagem de um filme ou de um livro? Todo mundo de máscara, alguns de luvas. Pessoas quietas, silenciosas, tentando manter espaço entre si. Cenário fantasmagórico. Estranhamento total.

Primeiro, paraliso-me concentrando apenas em estar ali, me dou uns momentos para sentir que estou em casa. Do ângulo em que me encontro observo a sala e a cozinha. Há algumas horas atrás saíra do hotel com o motorista da empresa, para o aeroporto. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão.

Segundo, observo mala, mochila e bolsa na porta, levo para a área de serviço, esvazio e coloco quase tudo na máquina de lavar. Passo álcool em gel, água sanitária. Papéis, computador, na bancada de pedra na cozinha; descalço os tênis também na área. Limpo as solas. Estão lá até hoje, abertas, higienizadas e não tenho coragem de guardá-las. Idem os tênis. Não toquei mais, até parece trauma.

Terceiro, olho a geladeira, o freezer, bem abastecido. Na véspera, meu filho cozinhara, levara mantimentos e me dissera ao telefone: “quando chegares, tu não sais mais!” Frango ao catupiry, carne assada ao molho, arroz, lentilha, lasanha, vários potes. Frutas, legumes, ovos, leite, massa, mel. Produtos de limpeza. Filho de ouro! Começo a me conscientizar sobre o que poderia significar uma quarentena. E vou descansar, que o primeiro voo saíra às 3 da manhã e estou insone.

Começo a trabalhar online, o que já costumo fazer. Revisões e orientações, álcool em gel, lavar as mãos com sabão, relato do trabalho que realizara em março, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Telefonemas e mensagens de Whatzapp. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão, noticiários na TV, séries e filmes na Netflix, sarau literário por google meet, como é bom rever o grupo! Mais disciplinado do que nunca por conta do encontro virtual, ninguém fala ao mesmo tempo. Que vírus danado!

Que mexida na ordem, que caos instalado! No 4º dia senti tontura, caminho meio torta pela casa, chequei se seria sintoma do corona, mas não. Qualquer arranhadinho na garganta lá ia eu para o termômetro. E vá gargarejo com água morna e sal. Litros de chá e água. Como tenho rinite alérgica e tosse de refluxo, às vezes pensava, “será o corona”? E dê-lhe desinfecção, álcool, água sanitária, desinfetante. E não deixar louça suja, meu pior pesadelo: o tempo de cozinha, de máquina de lavar, de limpar a casa, de lavar gêneros alimentícios. Essa higienização diária vai me deixar maluca!

Inicia uma reconstrução do dia a dia, novo cotidiano, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Enclausurada, sem liberdade de ir e vir, em contrapartida outras liberdades a serem exercidas. Não me abato. Mas reconheço que me sinto controlada, sem saber que novo mecanismo é esse. Gosto de estar em casa sozinha. Sempre tenho mil coisas para fazer: pensar, imaginar, arrumar, organizar, ler. Porém esse jeito compulsório e com esse vírus lá fora ameaçando, não é nada confortável.

O cara da fruteira se despediu após me entregar as sacolas no portão do edifício, e depois do ritual do pagamento com a maquininha envolta em papel filme (será que adianta?), ia saindo com meu cartão enfiado na máquina. Gritei, ei, meu cartão! Ele se voltou pedindo desculpas. Todo o mundo atrapalhado, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Uso máscara e luvas quando desço pra colocar o lixo e buscar a correspondência e o jornal. O novo mundo com Corona vírus. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão. A vida em suspenso. A rua antes tão disputada para estacionamento, agora vazia, desfigurada.

Finalmente os 14 dias!! para ter certeza de que não retornei da viagem infectada. Mas não consigo me sentir aliviada. “O mundo, como o conhecemos, não existe mais”, ouço na TV. Frase forte. Meu sistema imunológico fraco.

Aglomerações, não uso de máscara, quebra do isolamento social. O ser humano se mostra mais onipotente, ignorante e alienado como nunca. Mecanismo maciço de negação. Mais do que medo! Um viruzinho que nem vivo é, uma proteína revestida, um microrganismo invisível, tão letal e perigoso, colocando o mundo de joelhos. Às vezes ainda perpassa uma sensação de irrealidade. Pandemia.

Zanzo pela casa durante o dia, passando por diversos estados de espírito: indignada, perplexa, compassiva, alarmada, vulnerável, repugnada, assustada, raivosa, envergonhada, fragilizada, impotente, raramente tranquila, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Respira a terra, gorjeiam as águas, limpa-se o ar. E morrem as pessoas.

Minhas mãos nunca estiveram tão cheirosas nas 24 horas do dia. Mesmo cortando cebola, elas rescendem a perfume. Mordo a cenoura crua, cansada de lavar panelas. Meus dentes hão de aguentar.


Berenice S. Lamas (Texto adaptado) 

No trecho “Pessoas quietas, silenciosas, tentando manter espaço entre si. Cenário fantasmagórico. Estranhamento total.”, as orações se classificam como:
Alternativas
Q1691746 Português

Leia o texto abaixo e responda ao que se pede.


De volta pra casa


Nos aeroportos, o cenário já me parecera realidade paralela de ficção científica. Estaria eu personagem de um filme ou de um livro? Todo mundo de máscara, alguns de luvas. Pessoas quietas, silenciosas, tentando manter espaço entre si. Cenário fantasmagórico. Estranhamento total.

Primeiro, paraliso-me concentrando apenas em estar ali, me dou uns momentos para sentir que estou em casa. Do ângulo em que me encontro observo a sala e a cozinha. Há algumas horas atrás saíra do hotel com o motorista da empresa, para o aeroporto. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão.

Segundo, observo mala, mochila e bolsa na porta, levo para a área de serviço, esvazio e coloco quase tudo na máquina de lavar. Passo álcool em gel, água sanitária. Papéis, computador, na bancada de pedra na cozinha; descalço os tênis também na área. Limpo as solas. Estão lá até hoje, abertas, higienizadas e não tenho coragem de guardá-las. Idem os tênis. Não toquei mais, até parece trauma.

Terceiro, olho a geladeira, o freezer, bem abastecido. Na véspera, meu filho cozinhara, levara mantimentos e me dissera ao telefone: “quando chegares, tu não sais mais!” Frango ao catupiry, carne assada ao molho, arroz, lentilha, lasanha, vários potes. Frutas, legumes, ovos, leite, massa, mel. Produtos de limpeza. Filho de ouro! Começo a me conscientizar sobre o que poderia significar uma quarentena. E vou descansar, que o primeiro voo saíra às 3 da manhã e estou insone.

Começo a trabalhar online, o que já costumo fazer. Revisões e orientações, álcool em gel, lavar as mãos com sabão, relato do trabalho que realizara em março, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Telefonemas e mensagens de Whatzapp. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão, noticiários na TV, séries e filmes na Netflix, sarau literário por google meet, como é bom rever o grupo! Mais disciplinado do que nunca por conta do encontro virtual, ninguém fala ao mesmo tempo. Que vírus danado!

Que mexida na ordem, que caos instalado! No 4º dia senti tontura, caminho meio torta pela casa, chequei se seria sintoma do corona, mas não. Qualquer arranhadinho na garganta lá ia eu para o termômetro. E vá gargarejo com água morna e sal. Litros de chá e água. Como tenho rinite alérgica e tosse de refluxo, às vezes pensava, “será o corona”? E dê-lhe desinfecção, álcool, água sanitária, desinfetante. E não deixar louça suja, meu pior pesadelo: o tempo de cozinha, de máquina de lavar, de limpar a casa, de lavar gêneros alimentícios. Essa higienização diária vai me deixar maluca!

Inicia uma reconstrução do dia a dia, novo cotidiano, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Enclausurada, sem liberdade de ir e vir, em contrapartida outras liberdades a serem exercidas. Não me abato. Mas reconheço que me sinto controlada, sem saber que novo mecanismo é esse. Gosto de estar em casa sozinha. Sempre tenho mil coisas para fazer: pensar, imaginar, arrumar, organizar, ler. Porém esse jeito compulsório e com esse vírus lá fora ameaçando, não é nada confortável.

O cara da fruteira se despediu após me entregar as sacolas no portão do edifício, e depois do ritual do pagamento com a maquininha envolta em papel filme (será que adianta?), ia saindo com meu cartão enfiado na máquina. Gritei, ei, meu cartão! Ele se voltou pedindo desculpas. Todo o mundo atrapalhado, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Uso máscara e luvas quando desço pra colocar o lixo e buscar a correspondência e o jornal. O novo mundo com Corona vírus. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão. A vida em suspenso. A rua antes tão disputada para estacionamento, agora vazia, desfigurada.

Finalmente os 14 dias!! para ter certeza de que não retornei da viagem infectada. Mas não consigo me sentir aliviada. “O mundo, como o conhecemos, não existe mais”, ouço na TV. Frase forte. Meu sistema imunológico fraco.

Aglomerações, não uso de máscara, quebra do isolamento social. O ser humano se mostra mais onipotente, ignorante e alienado como nunca. Mecanismo maciço de negação. Mais do que medo! Um viruzinho que nem vivo é, uma proteína revestida, um microrganismo invisível, tão letal e perigoso, colocando o mundo de joelhos. Às vezes ainda perpassa uma sensação de irrealidade. Pandemia.

Zanzo pela casa durante o dia, passando por diversos estados de espírito: indignada, perplexa, compassiva, alarmada, vulnerável, repugnada, assustada, raivosa, envergonhada, fragilizada, impotente, raramente tranquila, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Respira a terra, gorjeiam as águas, limpa-se o ar. E morrem as pessoas.

Minhas mãos nunca estiveram tão cheirosas nas 24 horas do dia. Mesmo cortando cebola, elas rescendem a perfume. Mordo a cenoura crua, cansada de lavar panelas. Meus dentes hão de aguentar.


Berenice S. Lamas (Texto adaptado) 

No período “Como tenho rinite alérgica e tosse de refluxo, às vezes pensava, “será o corona”?, a oração grifada tem o mesmo valor semântico-sintático que o da oração que aparece na opção:
Alternativas
Q1691592 Português

Analise o texto a seguir, depois responda a questão.


Imagem associada para resolução da questão 

Fonte: https://www.pinterest.com.mx/pin/662381057665314978/


Neste período composto temos:

Alternativas
Q1690232 Português

Leia o artigo de Maurício Moraes publicado no site da Agência Lupa em janeiro de 2020 e responda à questão.


#Verificamos: É falso que polícia prendeu cerca de 200 pessoas por causarem incêndios na Austrália

Circula pelas redes sociais um post com a informação de que quase 200 pessoas foram presas na Austrália por causarem deliberadamente incêndios florestais. Segundo o texto, isso provaria que o fogo não está ligado à mudança climática do planeta. Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

(...)

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Em um balanço divulgado na segunda-feira (6), a polícia do estado australiano de New South Wales afirmou que 24 pessoas foram acusadas de provocar incêndios desde o dia 8 de novembro. A área tem sido uma das mais afetadas pelo fogo, que começou a atingir o país em setembro. A onda de incêndios devastou 63 mil metros quadrados e já matou mais de 20 pessoas.

Embora a polícia informe que tomou ações legais contra 183 pessoas por causa dos incêndios, apenas 13% delas foram acusadas de provocar o fogo intencionalmente. Outras 53 responderão por não obedecerem a proibição de acender fogo em áreas abertas. Além disso, 47 moradores acenderam cigarros ou fósforos e os descartaram no solo. A pena por incendiar a vegetação pode chegar a 21 anos de prisão.

Além disso, a existência de alguns focos de incêndio causados intencionalmente não significa que as mudanças climáticas não tiveram influência na crise ambiental vivida no país. O próprio Bureau de Meteorologia do Governo Australiano admite que as mudanças climáticas têm influenciado a frequência e a gravidade dos incêndios.

Segundo o Bureau, estão sendo observadas “condições mais extremas” durante o verão, além de um início prematuro da temporada de queimadas. “Essas tendências em direção a condições mais perigosas para incêndios florestais são, pelo menos parcialmente, atribuíveis a mudança climática causada por humanos, incluindo o aumento nas temperaturas”, diz texto publicado pela instituição.

De acordo com o Serviço Rural de Incêndios de New South Wales, às 7 horas desta quarta-feira (8) – horário local – havia 121 focos de incêndio no estado, dos quais 59 não estavam controlados.

Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/lupa/2020/01/08/verificamos-policia-prendeu-200-pessoas-incendios-australia/

Considere o uso de vírgulas no trecho abaixo e assinale a alternativa correta.


“Segundo o Bureau, (1) estão sendo observadas “condições mais extremas” durante o verão, (2) além de um início prematuro da temporada de queimadas. “Essas tendências em direção a condições mais perigosas para incêndios florestais são, (3) pelo menos parcialmente, (4) atribuíveis a mudança climática causada por humanos, (5) incluindo o aumento nas temperaturas”, diz texto publicado pela instituição.”

Alternativas
Q1688690 Português

TEXTO IV


Conhecimento prévio


Entenda por que aquilo cada um já sabe é a ponte para saber mais


Elisângela Fernandes


    Virou quase uma obrigação. Não há (ou pelo menos não deveria haver) professor que inicie a abordagem de um conteúdo sem antes identificar o que sua turma efetivamente conhece sobre o que será tratado. Apesar de corriqueira nos dias de hoje, a prática estava ausente da rotina escolar até o início do século passado. Foi Jean Piaget (1896-1980) quem primeiro chamou a atenção para a importância daquilo que, no atual jargão da área, convencionou chamar-se de conhecimento prévio.

    As investigações do cientista suíço foram feitas sob a perspectiva do desenvolvimento intelectual. Para entender como a criança passa de um conhecimento mais simples a outro mais complexo, Piaget conduziu um trabalho que durou décadas no Instituto Jean-Jacques Rousseau e no Centro Internacional de Epistemologia Genética, ambos em Genebra, Suíça. Ao observar exaustivamente como os pequenos comparavam, classificavam, ordenavam e relacionavam diferentes objetos, ele compreendeu que a inteligência se desenvolve por um processo de sucessivas fases. Dependendo da qualidade das interações de cada sujeito com o meio, as estruturas mentais - condições prévias para o aprendizado, conforme descreve o suíço em sua obra - vão se tornando mais complexas até o fim da vida. Em cada fase do desenvolvimento, elas determinam os limites do que os indivíduos podem compreender.

    Dessa perspectiva, fica claro que o cerne de sua investigação relaciona-se à capacidade de raciocínio. Por não estudar o processo do ponto de vista da Educação formal, Piaget não se interessava tanto pelo conhecimento como conteúdo de ensino. Na década de 1960, esse tema mereceu a atenção de outro célebre pensador da Psicologia da Educação, o americano David Ausubel (1918-2008). "Ele foi possivelmente um dos primeiros a usar a expressão conhecimento prévio, hoje consagrada entre os professores", diz Evelyse dos Santos Lemos, pesquisadora do ensino de Ciências e Biologia do Instituto Oswaldo Cruz.

    De acordo com Ausubel, o que o aluno já sabe - a ideia-âncora, na sua denominação - é a ponte para a construção de um novo conhecimento por meio da reconfiguração das estruturas mentais existentes ou da elaboração de outras novas. Quando a criança reflete sobre um conteúdo novo, ele ganha significado e torna mais complexo o conhecimento prévio. Para o americano, o conjunto de saberes que a pessoa traz como contribuição ao aprendizado é tão essencial que mereceu uma citação contundente, no livro Psicologia Educacional: "O fator isolado mais importante influenciando a aprendizagem é aquilo que o aprendiz já sabe. Descubra isso e ensine-o de acordo".

    Ao enfatizarem aspectos distintos do conhecimento prévio, as visões de Piaget e Ausubel se complementam. "Para aprender algo são necessárias estruturas mentais que deem conta de novas complexidades e também conteúdos anteriores que ajudam a assimilar saberes", diz Fernando Becker, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). (...)


Disponível em https://novaescola.org.br/conteudo/1510/conhecimento-previo. Acesso em 12/09/2020. (com adaptações) 


Ao observar exaustivamente como os pequenos comparavam, classificavam, ordenavam e relacionavam diferentes objetos, ele compreendeu que a inteligência se desenvolve por um processo de sucessivas fases ...”. As orações sublinhadas formam
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Q1688675 Português

TEXTO I


O que será de nós, os maus alunos?


Por Beatriz Vargas Dorneles* 


   O livro de Álvaro Marchesi é instigador em vários sentidos, a começar pelo título. Trata-se de uma obra que retoma os problemas de aprendizagem em suas múltiplas perspectivas, mostrando que é possível estabelecer políticas efetivas para enfrentar o fracasso escolar. O autor descreve as diferentes funções cognitivas que os alunos precisam desenvolver para aprender bem; as formas de ensinar que têm sido eficazes; as constituições familiares que, em sua diversidade, facilitam ou dificultam o acompanhamento escolar; as evidências de que a responsabilidade pelo fracasso escolar é multidimensional.

   Trabalhando com as compensações entre os vários níveis de fatores que interferem na aprendizagem (social, cultural, familiar, escolar e individual), Marchesi destaca que as políticas educacionais que realmente queiram evitar o fracasso escolar devem atuar em todas as dimensões concomitantemente. Seus reflexos são baseados em autores contemporâneos de diferentes áreas, que servem como suporte para a ideia central do livro: considerando a multidimensionalidade do fenômeno, é preciso encontrar soluções multifacetadas. Essas soluções passam por uma melhor qualificação e atualização de saberes, pela construção

      de uma rede de apoio aos alunos, formada pela família e pela escola, e por uma reorganização interna da escola a partir de suas formas de ensino até suas possibilidades de avaliação.

   É sempre instigador pensarmos que, apesar de haver uma enorme quantidade de pesquisas sobre o tema fracasso escolar, tão pouco tenha mudado nas últimas décadas. Álvaro Marchesi ajuda-nos a entender a razão desse fato. As políticas de atendimento às crianças que não aprendem tendem a valorizar um só nível de intervenção, deixando os outros níveis de lado. O autor insiste na ideia de que, considerando que este é um fenômeno multidimensional, somente políticas de intervenção que englobem vários níveis e que tenham continuidade poderão efetivamente diminuir o fracasso escolar em nossa sociedade.

   Unindo pesquisa na área com possibilidades de intervenção objetiva, o autor oferece-nos uma radiografia do fracasso escolar, com todas as suas nuances, mas também com uma possibilidade de enfrentamento do problema em toda a sua complexidade, o que o torna único no tratamento do tema.


(*) Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRGS.

Disponível em http://www.ead.uepb.edu.br/ava/arquivos/cursos/geografia/leitura_inter pretacao_e_producao_de_textos/Le_PT_A14_J_1_.pdf. Acesso em

14/09/2020.

Em “É sempre instigador pensarmos que, apesar de haver uma enorme quantidade de pesquisas sobre o tema do fracasso escolar, tão pouco tenha mudado nas últimas décadas”, a oração destacada está estabelecendo no período uma ideia de
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TEXTO II


Disponível em https://br.pinterest.com/ppdcasper2018/governamentais/

Em “Mais de 49 mil pessoas são atropeladas¹ por ano² no Brasil”, os termos grifados exercem as funções sintáticas de
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Q1687893 Português

Ler a vida

(Marina Colasanti)


Quinta-Feira, 20 de agosto de 2020


Faço, toda manhã, exercícios respiratórios diante da janela aberta. E tenho o privilégio de ver o mar. Pois, manhã destas estava eu inspirando e expirando, quando reparei num barco de pesca parado em meio ao azul. Olhei para cima. Cormorões em bando revoluteavam. Pensei que os pescadores haviam lido aquelas asas e sabido através delas que um cardume nadava naquele exato ponto.

Toda manhã, tendo cumprido o dever dos exercícios, rego as plantas do terracinho do quarto e deixo o olhar escorrer sobre os prédios. Pois já fazem algumas manhãs que meus olhos encontram uma jovem mulher, de biquíni e grávida, andando em marcha apertada na laje do seu edifício. Calça tênis. Leio no seu andar o começo de uma devoção que nunca terminará, devoção ao filho que ainda nem nasceu. É por ele, para que nasça sadio apesar dela estar trancada em casa, que toda manhã toma o elevador e caminha, empenhada, sob o sol.


Tudo na vida é leitura, para quem tem olhos.


Num esforço de sobrevivência, os bebês precisam aprender a ler o mundo muito antes de identificar as letras. É preciso distinguir os objetos, identificar sua função e saber como essa função se encaixa no cotidiano. Interpretar o rosto dos outros humanos é imprescindível, sem o que corre-se o risco de confundir uma reprimenda com um carinho — e a reprimenda pode ser protetiva. É importante ler chama e gelo, chuva e vento, mar e floresta.

Sabemos que bebês que têm mais estímulos desenvolvem-se mais plenamente. O que são estímulos? São aulas de leitura da vida.

Pergunto-me como meu amigo Yllen Kerr, se vivo estivesse, leria o medonho incêndio do Pantanal. Foi premiado por uma série de reportagens sobre aquela imensa planície, inundada na maior parte do ano, seca somente durante quatro meses. Fotografou onças e aves, serpentes e jacarés para ilustrar as reportagens. Hoje choraria, tenho certeza, vendo os restos queimados de tantos animais. Não sei se leria nas chamas o aquecimento global, a alteração do regime de chuvas devido ao desmatamento, ou a pouca água dos rios permitindo a maior seca dos últimos 30 anos. Talvez, arguto que era, lesse esses três fatores juntos.


Cada um lê de acordo com os olhos que tem. 


Vi em uma revista que Dior acabou de lançar novo modelo de bolsa. O modelo, dizia a legenda da foto, tem preços “a partir de 19 mil reais”. A revista listava o nome de três ou quatro proprietárias brasileiras desta joia. Certamente, elas leram a chegada da nova bolsa como um apelo de elegância desejável. Eu, ao contrário, li como extrema deselegância exibir bolsa deste preço em país tão miserável. Não importa quanto a pessoa ganha, importa quanto os outros não ganham. Não importa se a usuária já colabora de alguma maneira com obras beneficentes, o que mais importa é que 19 mil reais correspondem a 33 auxílios emergenciais.


(...)


Mas a leitura da vida não se faz só com os próprios olhos, entram na receita a sensibilidade e os conhecimentos que se têm.

FONTE: https://www.marinacolasanti.com/2020/08/ler-vida.html

Em “É por ele, para que nasça sadio apesar dela estar trancada em casa, que toda manhã toma o elevador e caminha, empenhada, sob o sol”, o termo em destaque, em relação à oração anterior, estabelece ideia de:
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Q1687861 Português

Texto para a questão.


Em “Tome, pensei em ficar com o troco da padaria para comprar bala, mas não consegui”, os termos em destaque estabelecem ideia de, respectivamente:
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Q1687712 Português
Em “Agora, vamos cortar essas árvores¹, transformar em celulose e papel pra imprimir o novo código florestal²!”, os termos grifados exercem as funções sintáticas de
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Q1687704 Português

TEXTO I 


Desumano é quem perdeu a capacidade de ver o outro como ser humano


Por Élio Gasda*


   A desumanização é um processo que reduz a essência humana no indivíduo até eliminá-la. Desumanizar é eliminar restrições morais à crueldade. Agressões a animais despertam mais comoção e revolta do que a violência e a morte de crianças. Pessoas tratam seus bichos de estimação como filhos e apoiam linchamentos, chacinas e tortura. Desumano é quem perdeu a capacidade de ver o outro como ser humano. Uma sociedade desumanizada é aquela que define um grupo humano como não-humano, e que permite que esse grupo seja eliminado ou tenha negado seus direitos. Descartar pessoas tornou-se um fenômeno. 

   Sociedade desumana trata atos desumanos com banalidade. Um ato mau torna-se banal quando é vivenciado como se fosse comum. Monstruosidades tornam-se fatos corriqueiros por meio da superficialidade do agente e da descartabilidade da vítima. Quanto mais superficial alguém for, mais provável será que ceda ao mal. (...) 

   O servilismo também ajuda a entender a desumanização. O adesismo de parcelas da sociedade, mesmo aquelas formadas nos princípios morais, é um fato. Um povo torna-se cúmplice da loucura do sistema na medida em que partilha das suas mentiras. Além de ser enganado, se recusar em saber a verdade. Ao formatar os seres humanos, o sistema os desumaniza para apenas encaixá-los na sua engrenagem. Os efetivamente responsáveis que se sentem culpados pelos tempos sombrios (Hannah Arendt) são poucos. 

   A voz da consciência nos interpela sobre a responsabilidade de nossos atos. Podemos ouvir essa voz? Ainda temos acesso ao acervo de princípios éticos que nos alerta sobre o processo de desumanização em curso? Não precisamos mais fechar os ouvidos para a voz de uma consciência que incorporou o discurso da sociedade respeitável, a voz das “pessoas de bem”. São “humanos direitos” que não têm remorso. A desumanização não se origina do desconhecimento, mas da irreflexão. Entre todas as características, a mais determinante da desumanização é a incapacidade de pensar, de distinguir o certo do errado, a verdade da mentira. A superficialidade dos discursos medíocres avaliza a maldade. Acreditar é mais fácil do que pensar. É difícil pensar por si mesmo. A maioria repete o que lhes é dito. Conformistas, não aprenderam a duvidar. Resignados à ignorância dos lugares comuns. 

   Ubi dubium ibi libertas (onde há dúvida, há liberdade). Pensar é sair da mesquinhez do cotidiano, é refletir sobre os acontecimentos e dar significados. É buscar a verdade dos fatos por vias racionais. São muitas as informações, mas não se pensa sobre elas. O pensamento é diálogo silencioso consigo mesmo. Não é passividade, mas ação revolucionária. A desumanização impõe o desafio de educar para o pensamento imune aos clichês. Transmitir conhecimentos é imprescindível, mas educar para o pensamento é uma urgência. 

   O ódio desumaniza. No livro 1984 de George Orwell, os agentes do Grande Irmão assistiam sessões de ódio coletivo. Aparecia na tela a figura humana a odiar, e todos se sentiam transtornados por ela. A mídia parece servir-se dos mesmos procedimentos. Como definir aqueles que celebram a barbárie em um país que trata pessoas pior do que animais? Quem os ensinou a odiar? O ódio afeta o cérebro, emburrece. Quem odeia não tolera divergências. Não existem adversários, todos são inimigos. O ódio não faz parte da essência humana. Aprende-se a odiar (Mandela). (...) 

   Para você, quanto vale a vida dos ninguéns? “Menos do que a bala que os mata?” (Eduardo Galeano). Se eu não me importo com ninguém, alguém se importará comigo? Ninguém se humaniza desumanizando o outro. Somente psicopatas torcem para que pessoas morram ou sofram. Quem te deu o salvo-conduto para desejar a morte de alguém? Porque Jesus não foi. “É amando que o humano dá o melhor de si” (Nietzsche). Nada acima do ser humano. Nenhum ser humano abaixo de outro. 


Disponível em https://domtotal.com/noticia/1166208/2017/06/desumanizacao-em-tempos-sombrios/. Acesso em 28/09/2020. 


Em “Sociedade desumana trata atos desumanos com banalidade, o termo destacado exerce, na oração, função sintática de
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Q1687622 Português
Erupções de água: como os gêiseres se formam?

    Um gêiser é uma fonte termal que ________ água periodicamente, lançando uma coluna de água quente e vapor para o ar. Ele costuma aparecer em regiões próximas aos locais onde existem vulcões ativos ou onde há muito calor subterrâneo. O nome gêiser é derivado de Geysir, o nome de uma fonte localizada na Islândia. Em islandês, geysir significa jorrar.
    O gêiser surge quando a água da superfície (chuva ou neve derretida) penetra no subsolo e entra em contato com rochas vulcânicas muito quentes. Aí, a água vai aquecendo aos poucos. Quando atinge 100 graus Celsius, a pressão aumenta e parte da água é transformada rapidamente em vapor. No estado gasoso, a água ocupa um volume até 1.500 vezes maior – por isso, tende a escapar para fora dos reservatórios. Depois, a pressão alivia e o sistema subterrâneo volta a encher de água, que vaporiza e ganha força para uma nova erupção!
    As erupções da maioria dos gêiseres ocorrem com espaçamentos irregulares. As pausas podem durar minutos e até anos. O período de duração da erupção também é diferente: pode variar de segundos a horas. A altura da coluna ________ entre um metro e 100 metros, e a quantidade de água que é jorrada varia de poucos litros até dezenas de milhares de litros. Tudo isso depende da temperatura, da quantidade e da velocidade das correntes de água subterrânea e do tamanho do gêiser.
    O surgimento do gêiser depende de vários fatores naturais, como quantidade, temperatura, distribuição e movimento das águas infiltradas e das rochas que abrigam a água. Assim, o regime periódico de um gêiser só se mantém se as erupções não destruírem as condições para que as próximas ocorram. Poucos lugares reúnem as características necessárias.
    Em todo o planeta, existem menos de mil gêiseres. O Parque Nacional de Yellowstone, em Wyoming (Estados Unidos), abriga mais de 300 deles. A maioria dos gêiseres conhecidos está localizada na Nova Zelândia, Islândia, Japão, Chile, Rússia e Estados Unidos. Também há gêiseres no Peru, Açores, Quênia, Bolívia e México.

https://recreio.uol.com.br/natureza/... - adaptado
Em “Quando atinge 100 graus Celsius, a pressão aumenta e parte da água é transformada rapidamente em vapor.”, a oração sublinhada expressa ideia de:
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Q1687402 Português
O trecho “que nos enchem de ansiedade e medo." (linhas 12 e 13) exerce função sintática, no contexto em que está inserido, de:
Alternativas
Respostas
3761: E
3762: B
3763: E
3764: E
3765: D
3766: D
3767: B
3768: A
3769: D
3770: C
3771: C
3772: D
3773: C
3774: A
3775: C
3776: A
3777: A
3778: D
3779: B
3780: B