Questões de Concurso Sobre adjetivos em português

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Q3207249 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

Acordou assustado. O sonho foi-se esfumando e ele viu apenas a tremura das estrelas no céu raso. O mundo estava parado. Nem uma folha mexia. O choro da criança esmoreceu e cessou. Fabiano respirou livremente. Sentia-se em casa. Era como se houvesse voltado à fazenda onde passara a meninice.

A noite avançava, e o silêncio era interrompido apenas pelo estalo seco da madeira ardendo nas brasas. Sinhá Vitória mexeu-se, inquieta, ajeitando os filhos sobre o pedaço de esteira que lhes servia de leito. O chão de terra batida, frio e áspero, contrastava com o calor do fogo que se espalhava pela pequena moradia de taipa. Lá fora, o vento levantava poeira e sussurrava entre as árvores secas do sertão.

Fabiano virou-se de lado, tentando ignorar o peso das preocupações que lhe atormentavam a mente. O gado estava magro, a seca persistia, e a incerteza dos dias seguintes o fazia resmungar baixinho. Sinhá Vitória percebeu sua inquietação, mas nada disse. O silêncio entre os dois era mais eloquente do que qualquer palavra. As dificuldades eram antigas e, de certa forma, já estavam entranhadas em suas vidas.

Fonte: Ramos, Graciliano. Vidas Secas. 1938. – Adaptado
No trecho: “O chão de terra batida, frio e áspero, contrastava com o calor do fogo que se espalhava pela pequena moradia de taipa.”, os adjetivos utilizados são importantes porque
Alternativas
Q3207135 Português

TEXTO


    Cientistas dos Estados Unidos mediram como assistir a um filme altera a capacidade de entender as emoções e suas posições morais sobre o sistema criminal de Justiça.

    O novo estudo, publicado dia 21 de outubro de 2024 na revista PNAS, constatou que assistir a um documentário sobre os esforços para libertar um homem condenado injustamente ao corredor da morte aumentou a empatia em relação aos encarcerados e o apoio às reformas do sistema de Justiça dos EUA. 

    O estudo sugere que “o filme tornou os participantes mais dispostos ou mais capazes de compreender outro ser humano, apesar dos estigmas sociais contra ele. É mais do que um sentimento passageiro, e sim uma habilidade”, diz Marianne Reddan, cientista cognitiva da Universidade de Stanford, nos EUA, que co-liderou o estudo.

    “Isso nos diz que expor alguém a experiências pessoais de quem vive vidas muito diferentes da sua é essencial para o desenvolvimento de comunidades saudáveis e estruturas políticas saudáveis.”

    Em 1986, Walter McMillian, um madeireiro negro de 45 anos que vivia no Alabama, foi preso por assassinato. Ele era inocente: quando o crime ocorreu, estava em outro lugar, numa reunião de família –, porém foi condenado com base no depoimento falso de uma testemunha ocular. Ele passou seis anos no corredor da morte, até que um tribunal anulasse sua condenação.

    Essa história real foi transformada no filme biográfico Luta por justiça, lançado em 2019 e estrelado pelo vencedor do Oscar Jamie Foxx como McMillan.

    Depois de assistirem ao longa, os participantes do estudo obtiveram maiores pontuações no teste de empatia em relação a homens que haviam estado na prisão. Esses efeitos foram encontrados tanto em participantes de esquerda quanto de direita.

    “Este estudo mediu mais do que o sentimento de empatia, mas também a capacidade dos participantes de entenderem as emoções de alguém que já esteve preso, e que eles nunca chegaram a conhecer”, sublinha Reddan. 

    Assistir ao filme também aumentou o apoio a reformas judiciais, como a ideia de usar dinheiro dos impostos para financiar programas educacionais nas prisões ou aumentar a oposição à pena de morte.

    Os pesquisadores também descobriram que aqueles que assistiram a Luta por justiça tinham 7,7% mais chances de assinar uma petição de apoio à reforma penal do que os participantes do grupo de controle.  

    “Esse estudo ressalta a influência do audiovisual na formação da opinião pública e na possível motivação de ações coletivas. Luta por justiça mudou a percepção das pessoas e também o seu comportamento”, afirma Jose Cañas Bajo, pesquisador de ciência cognitiva e estudos cinematográficos da Universidade de Jyvaskyla, na Finlândia, que não participou do estudo.

    Cañas Bajo avalia que a novidade desse estudo está no método de quantificar como os filmes podem mudar a percepção e o comportamento dos espectadores, especialmente como “um filme como Luta por justiça pode funcionar como um chamado à ação”.

    Mas a ideia de que uma obra de ficção pode mudar mentes não é nova. “Os cineastas são como mágicos. Eles vêm pesquisando como influenciar as percepções e emoções dos espectadores com truques de edição desde os primórdios do cinema”, ressalta.

    Alfred Hitchcock demonstrou esse efeito ao filmar uma cena de uma mulher com uma criança, que depois corta para um homem sorrindo, aparentemente expressando ternura. Mas se a cena de uma mulher e seu filho for substituída por uma mulher de biquíni, segundo Hitchcock, o sorriso do homem parecerá lascivo. É o “efeito Kuleshov”, técnica de montagem desenvolvida no início do século 20 pelo cineasta e teórico russo Lev Kuleshov. 

    O pesquisador explica que os cineastas muitas vezes jogam com o conhecimento de que um filme é um espaço seguro onde os espectadores podem experimentar emoções que normalmente não sentem. “Por esse motivo, os cineastas têm responsabilidades para com seus espectadores ao contar histórias.”

   Os realizadores de Luta por justiça usaram suas habilidades para influenciar a empatia dos espectadores em relação a um homem preso por um assassinato que nunca cometeu. O filme foi usado como uma ferramenta para a mudança social progressiva no sistema penal.

    No entanto, cineastas podem usar os mesmos truques para criar antipatia em relação a quem retratam de forma negativa. Há muito tempo, filmes de propaganda são usados para desumanizar e justificar a violência ou a guerra, ou para promover narrativas falsas ou pseudociência.

    “Alguns documentários sobre crimes provocam antipatia em relação aos criminosos, o que pode alimentar as demandas por medidas mais punitivas, inclusive pela pena capital”, afirma Cañas Bajo.

    Uma pergunta em aberto desse estudo é quanto tempo duram os sentimentos de empatia: assistir a um filme basta para criar mudanças duradouras em opiniões políticas ou morais? A equipe de Reddan está realizando atualmente um novo estudo sobre a durabilidade desses efeitos num período de três meses.

    “Indícios preliminares sugerem que alguns desses efeitos persistem por pelo menos três meses. No momento, também estamos coletando dados de neuroimagem desse paradigma para entender como o filme influencia o processamento empático no nível cerebral”, afirma a cientista cognitiva. 

    Mas a dificuldade é desvendar o efeito de um filme por si só, ressalta Cañas Bajo. Pois o espectador está sempre comparando-o com nossas próprias lembranças e com outros filmes já vistos. Eles não precisam ser feitos pelo mesmo autor para ser emocionalmente interligados: isso acontece na cabeça dos espectadores.

    Segundo Reddan, por isso se deve estar atento ao tipo de mídia consumida, a qual, apesar de ser “em grande parte para entretenimento, tem um impacto significativo sobre como nos relacionamos uns com os outros”. 


Fonte: Schwaller, Fred. Como filmes podem influenciar opiniões políticas. Artigo publicado na página da Deutsche Welle Brasil. Disponível em: . Último acesso no dia 26 de outubro de 2024. (Texto adaptado).

No trecho “Esse estudo ressalta a influência do audiovisual na formação da opinião pública e na possível motivação de ações coletivas.”, os termos destacados devem ser classificados, respectivamente, por: 
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Q3205783 Português

Novo radar de velocidade média


Por Vagner Aquino





(Disponível em www.jornaldocarro.estadao.com.br/servicos/novo-radar-mede-velocidade-por-trecho-naoadianta-frear-antes/– texto adaptado especialmente para esta prova).

Em “radares inteligentes”, a palavra sublinhada é um(a):
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Q3205277 Português
Nas orações a seguir, substitua as locuções adjetivas pelos adjetivos equivalentes:

I. Alimento sem sabor. Alimento____________.
II. Artéria do braço. Artéria _______________.
III. Dor na virilha. Dor_________________.
IV. Veneno de rato. Veneno_____________
V. Direitos da esposa. Direitos __________. 
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Q3204521 Português
Em qual grau o adjetivo “quente” foi empregado no excerto “O ano de 2023 foi confirmado como o mais quente já registrado, impulsionado pelas mudanças climáticas causadas pelo homem e pelo fenômeno natural El Niño.” (BBC Brasil, 09/01/24)?
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Q3202145 Português
Assinale a alternativa em que todas as palavras se referem a qualidades de pessoas:
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Q3198377 Português
 Dentista é presa tentando entrar em penitenciária
com celulares escondidos no jaleco em MT


Internet: <www.g1.globo.com> (com adaptações).


De acordo com o texto, julgue o item a seguir.


Na linha 30, o vocábulo “individualmente” é um adjetivo empregado como um advérbio.

Alternativas
Q3195747 Português
Audiência Pública – Elaboração LDO – 2025

O Município de Cravinhos, através do seu representante legal, comunica e convida os munícipes em geral para a Audiência Pública, nos termos do Artigo 48, Parágrafo Único da Lei de Responsabilidade Fiscal, que será realizada no dia 24 de abril de 2024, às 18:00 horas, na Rua Cerqueira César, 186 (sede da Secretaria Municipal de Educação), o processo de elaboração do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias do Município de Cravinhos para o exercício de 2025 e dá outras providências quando poderão ser apresentadas sugestões.


<Disponível em
https://cravinhos.sp.gov.br/?menu=noticia_detalhe&i
d=10570 . Acesso em 20/01/2025. Com adaptações>

Quanto ao emprego de substantivos e adjetivos, observe o par “Parágrafo Único”, a alteração na ordem das palavras:
Alternativas
Q3195745 Português
Audiência Pública – Elaboração LDO – 2025

O Município de Cravinhos, através do seu representante legal, comunica e convida os munícipes em geral para a Audiência Pública, nos termos do Artigo 48, Parágrafo Único da Lei de Responsabilidade Fiscal, que será realizada no dia 24 de abril de 2024, às 18:00 horas, na Rua Cerqueira César, 186 (sede da Secretaria Municipal de Educação), o processo de elaboração do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias do Município de Cravinhos para o exercício de 2025 e dá outras providências quando poderão ser apresentadas sugestões.


<Disponível em
https://cravinhos.sp.gov.br/?menu=noticia_detalhe&i
d=10570 . Acesso em 20/01/2025. Com adaptações>

Das opções abaixo, a única que representa um adjetivo retirado do texto é:
Alternativas
Q3195250 Português
Para responder à questão, considere a frase “Apesar da birra recente, o milho está há tempos na vida da cerveja” retirada do texto-base.
Qual das palavras é um adjetivo?
Alternativas
Q3195018 Português
Minha terra tão formosa,
Cheia de tantos encantos.
Onde a infância descuidosa
Vive sem dores nem prantos!

Cravinhos! Linda terra,
De pujantes cafezais,
Que se perdem no horizonte
como imensos matagais!

As manhãs de minha terra,
Fartas de luz, de perfume,
Como nenhuma outra encerra,
Bem podem cantar os numes!

E as noites enluaradas
De um céu coalhado de estrelas
Tais como contos de fadas
Nunca mais hei de esquecê-las!

Oh! Meu Cravinhos tão querido!
Tão meigo e belo torrão!
Oh! Recanto estremecido
Que guardo em meu coração!


<Disponível em
https://cravinhos.sp.gov.br/?menu=noticia_detalhe&id=1
0302. Acesso em 20/01/2025>
Quanto ao emprego de substantivos e adjetivos, observe o par “Linda terra”, no primeiro verso da segunda estrofe. A alteração na ordem das palavras (para “terra linda”):
Alternativas
Q3193509 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


O croquete


      No botequim, o homem de camiseta olha o compartimento reservado aos croquetes. É um homem maltratado, com os fundos das calças muito sujos. Deve trabalhar sentado no chão. Ou não trabalhar. Mas é um desses homens que se sentam no chão. Seus cabelos não devem ter sido lavados nesses últimos cinco anos. Lavou-os, quem sabe, na inauguração de Brasília. Seus sapatos dão a impressão de que os pés já foram maiores. Em cada um quase há lugar para mais um pé. Enfim, um homem de camiseta, calça suja e sapatos velhos, bem grandes.

      Olha, há já alguns minutos, para a vitrine de croquetes. Como uma mulher olharia para uma vitrine de joias. Há croquetes de variados formatos, mas de conteúdos imprevisíveis. Aquele ali deverá ser de camarão (penso eu, ou deve estar pensando o homem). São muitos, todos antigos, ainda da inauguração do botequim. Mudo de lugar para ver mais os olhos do homem e menos os croquetes. São antigos, também, os olhos do homem. Tanto quanto os croquetes. Minto. Mais antigos que os croquetes. Olhos embevecidos, como os de quem vai matar. Estariam estragados, os olhos do homem?

      A que tempo está esse homem, olhando esses croquetes? A que tempo estou eu, a olhar o homem e os croquetes? Certamente, nem ele, nem eu, nem os croquetes temos o que fazer. Não temos passado, nem futuro… Só temos aquele presente resolutivo, eu, o homem e os croquetes. Não é importante pensar se a insurreição virá da esquerda ou da direita. Nem quais seriam as consequências — funestas ou gloriosas?

      O homem tosse, o dono do botequim lhe entende a tosse, como se fosse uma ordem. Trazlhe meio copo de cachaça. O homem fala, afinal, mas continuando, como se antes houvesse dito alguma coisa:

      — … Já que é assim, me dá aquele croquete ali.

      — Aquele qual? — pergunta o dono.

      — Aquele azul, que está com uma mosca em cima.

    O homem comeu a metade do croquete, olhou vitorioso em sua volta e bebeu a cachaça quase toda. Depois, comeu a outra metade, mastigando feliz, como se acabasse de descobrir os primeiros encantos gustativos. Pagou. Foi saindo.

    Eu tinha um dever para comigo e para com os leitores deste jornal. O homem pedira o croquete azul, que estava com a mosca em cima. Quanto ao azul, estava bem, eu vira o azul. Azul de antiguidade. Mas, por que, especialmente, “a mosca em cima”? Sem jeito, andei até o homem e perguntei, com humildade, por que tinha pedido, com tanta decisão, “o da mosca em cima”.

      — Porque mosca conhece croquete. Só pousa no que está melhor.


MARIA, A. O croquete. In: TAUIL, G. (Org.) Vento vadio: as crônicas de Antônio Maria. Todavia, 2021, p. 467-468. Disponível em <https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/16318/ocroquete>. 
O excerto em que ocorre um adjetivo com valor de substantivo é:
Alternativas
Q3193473 Português
A palavra em destaque é um adjetivo gentílico apenas em:
Alternativas
Q3189074 Português

    Dados do Painel de Monitoramento das Arboviroses indicam que o país contabiliza 6.590.575 casos prováveis de dengue ao longo de 2024. Pelo menos 5.872 mortes pela doença foram confirmadas e 1.136 seguem em investigação. O coeficiente de incidência brasileiro é de 3.245 casos de dengue para cada 100 mil habitantes.

    O Ministério da Saúde informou ter intensificado ações de vigilância e controle de arboviroses em estados onde há aumento expressivo de casos. Depois de Mato Grosso, chegou a vez de a pasta visitar Minas Gerais, e a previsão é que o trabalho chegue ao Espírito Santo na próxima semana, estado onde doenças como febre amarela e oropouche preocupam as autoridades sanitárias.

    Em nota, o Ministério destacou que o objetivo das ações é atualizar informações epidemiológicas, revisar estratégias de prevenção e controle e alinhar esforços com estados e municípios numa tentativa de conter a expansão das arboviroses.

    Além do levantamento epidemiológico, a previsão é que as equipes técnicas atualizem dados sobre coberturas vacinais, estoques de vacinas e insumos laboratoriais, além de revisar métodos de análise de risco e identificar áreas prioritárias para ações de prevenção e controle.


Fonte: Correio do Povo. Adaptado.

No último parágrafo do texto, as palavras sublinhadas são classificadas como: 
Alternativas
Q3187568 Português
A expressão em destaque é um adjetivo apenas em:
Alternativas
Q3183396 Português

Hábito simples ajuda a reduzir dor na lombar, segundo estudo

Por André Nicolau

(Disponível em: catracalivre.com.br/saude-bem-estar/habito-dor-na-lombar/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Qual das palavras abaixo é um adjetivo?
Alternativas
Q3183147 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Com licença poética

Quando nasci um anjo esbelto,

desses que tocam trombeta, anunciou:

vai carregar bandeira.

Cargo muito pesado pra mulher,

esta espécie ainda envergonhada.

Aceito os subterfúgios que me cabem,

sem precisar mentir.

Não sou feia que não possa casar,

acho o Rio de Janeiro uma beleza e

ora sim, ora não, creio em parto sem dor.

Mas, o que sinto escrevo. Cumpro a sina.

Inauguro linhagens, fundo reinos

– dor não é amargura.

Minha tristeza não tem pedigree,

já a minha vontade de alegria,

sua raiz vai ao meu mil avô.

Vai ser coxo na vida, é maldição pra homem.

Mulher é desdobrável. Eu sou.


(PRADO, Adélia. Poesia reunida. São Paulo: Siciliano, 1995, p.11.)
O vocábulo “desdobrável” (L18) é classificado como:
Alternativas
Q3179782 Português
Primeira paixão


      O amor, nas crianças, é um estado de alma absorvente, pastoso e imenso que, embora não seja uma coisa muito definida, leva o menino apaixonado a uma série de sonhos, de medos, de renúncias, de tramas secretas e, principalmente, de ânsia heroica – quando a gente tem vontade que a amada comece a morrer afogada para a gente salvar.

       Eu me lembro de que o meu primeiro e grande amor aconteceu aos seis anos de idade. Apaixonei-me perdidamente por uma moça de 30, por quem me cortaria, me queimaria, me desonraria e morreria, se preciso fosse. Só eu e eu sabíamos daquele caso de bem-querer, embora todo mundo houvesse descoberto nos meus olhos e na minha carinha de crime secreto. Ela era linda – achava eu que a amava – e tudo era perfeito. E só muitos anos mais tarde fui ver que aquilo que os outros diziam era verdade: ela era horrível.

       Hoje ela vive ainda, vejo-a de vez em quando, velhinha gasta em tudo, muito mais feia do que quando era horrível; mas sinto pela sua fealdade uma especial ternura, uma imensa gratidão. Foi ela – e isto é importante – a chave que abriu meu coração para o amor e, pelos caminhos do amor, andei o mais que pude, sem queixas e sem arrependimentos.

      Hoje, minha filha entrou na sala onde escrevo e veio andando de olhos baixos. Quis pedir que me deixasse em paz, mas seu jeito era tão solene e, ao mesmo tempo, tão humilde, tão vitorioso e tão vencido, que senti solidariedade. Abracei-a antes que começasse a falar. Abraçamo-nos. E ela começou a dizer: “Meu pai, estou noiva”. Perguntei de quem e ela disse o nome de um dos meninos da vizinhança.

     Olhei para sua carinha de oito anos, deu vontade de rir, mas seria estragar a festa, quebrar a alegria de um dia de noivado. E falei, com o jeito mais sério que pude: “Meus parabéns, minha filha, espero que vocês sejam muito felizes... E, em 1965, quero entrar com você, de braços dados, na Candelária ou no Outeiro da Glória”. Olhei bem para ela e, em seus olhos da cor de abacate maduro, havia acordes da “Marcha nupcial”, do alemão Felix Mendelssohn.



MARIA, A. Primeira paixão. In: TAUIL, G. (Org.) Vento vadio: as crônicas de Antônio Maria, 2021, p. 277- 278. (Adaptado).
No excerto “Ela era linda – achava eu que a amava – e tudo era perfeito”, pertence(m) à classe gramatical de adjetivo apenas a(s) palavra(s):
Alternativas
Q3178593 Português
Considerando o fragmento retirado do texto “Recebo muitos comentários desagradáveis”, assinale a alternativa que apresenta a correta classificação do termo sublinhado. 
Alternativas
Respostas
381: B
382: A
383: A
384: A
385: C
386: D
387: A
388: E
389: D
390: B
391: A
392: B
393: B
394: E
395: C
396: C
397: B
398: D
399: D
400: B