Questões de Concurso
Sobre acentuação gráfica: proparoxítonas, paroxítonas, oxítonas e hiatos em português
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I. Em "públicos", "políticas" e "número" (implícito em "8 em cada 10"), a acentuação é obrigatória por serem proparoxítonas, categoria que não admite exceção à regra.
II. A palavra "está" (forma verbal presente no texto) é acentuada por ser oxítona terminada em "-á", regra que também justifica o acento de palavras oxítonas terminadas em "a" tônica, como "cará" e "sofá".
III. Em "é" e "são", o acento reflete a tonicidade de monossílabos terminados, respectivamente, em "-e" aberto e em ditongo nasal "-ão", ambos casos contemplados pela regra dos monossílabos tônicos.
IV. A palavra "século" — hipotética variação do texto — seguiria a mesma regra de "público", por ser proparoxítona, com acento obrigatório na antepenúltima sílaba.
V. Em "à" (Movimento Pessoas à Frente), o acento indica crase, fenômeno sintático de fusão entre preposição e artigo, e não guarda relação com a tonicidade da sílaba, diferentemente do que ocorre em "é", "são" e "está".
Estão corretas as afirmações:
() A palavra público recebe acento por ser proparoxítona.
() O termo país é acentuado por conter um hiato em que o i tônico está isolado na sílaba.
() Rondônia é acentuada pela mesma regra que determina o acento em monossílabos tônicos.
Qual alternativa preenche, CORRETAMENTE, de cima para baixo, os parênteses acima?
( ) Não se acentuam “i” e “u” quando formam hiato com um ditongo anterior. Exceção: as vogais tônicas “i” e “u”, em posição final, das palavras oxítonas precedidas de ditongo levam acento.
( ) Os paroxítonos terminados em ditongo levam acento.
( ) Todas as palavras proparoxítonas são acentuadas.
( ) Ter, vir e derivados na 3ª pessoa do plural do presente do indicativo, levam acento: eles têm, eles vêm.
Leia o texto abaixo e responda à questão
Algofobia
Trecho do livro “Sociedade paliativa” de autoria de Byung-Chul Han
“Dize tua relação com a dor, e te direi quem és!” Este ditado de Ernst Jünger pode ser extrapolado para a sociedade como um todo. A nossa relação com a dor mostra em que sociedade vivemos. Dores são cifras. Elas contêm a chave para o entendimento de toda a sociedade. Assim, cada crítica da sociedade tem de levar a cabo uma hermenêutica da dor. Caso se deixe a dor apenas a cargo da medicina, deixamos escapar o seu caráter de signo [Zeichencharakter].
Hoje impera por todo lugar uma algofobia, uma angústia generalizada diante da dor. Também a tolerância à dor diminui rapidamente. A algofobia tem por consequência uma anestesia permanente. Toda condição dolorosa é evitada. Tornam-se suspeitas, entrementes, também as dores de amor. A algofobia se prolonga no social. Conflitos e controvérsias que poderiam levar a confrontações dolorosas têm cada vez menos espaço. A algofobia se estende também à política. A coação à conformidade e a pressão por consenso crescem. A política se orienta em uma zona paliativa e perde toda vitalidade. A “falta de alternativa” é um analgésico político. O “centro” difuso atua paliativamente. Em vez de debater e lutar pelos melhores argumentos, entregamo-nos à compulsão por sistema [Systemzwang]. Uma pós-democracia se anuncia. Ela é uma democracia paliativa. Por isso, Chantal Mouffe demanda uma “política agonística”, que não evita confrontações dolorosas. A política paliativa não é capaz de visões ou de reformas penetrantes. Ela prefere tomar analgésicos de curto efeito, que apenas aceleram disfunções e rejeições. A política paliativa não tem nenhuma coragem para a dor. Desse modo, o igual [das Gleiche] avança.
Há uma mudança de paradigma no fundamento da algofobia atual. Vivemos em uma sociedade da positividade, que busca se desonerar de toda forma de negatividade. A dor é a negatividade pura e simplesmente. Também a psicologia segue essa mudança de paradigma e passa, da psicologia negativa como “psicologia do sofrimento”, para a “psicologia positiva”, que se ocupa com o bem-estar, a felicidade e o otimismo. Pensamentos negativos devem ser evitados. Eles devem ser substituídos imediatamente por pensamentos positivos. A psicologia positiva submete a própria dor a uma lógica do desempenho. A ideologia neoliberal da resiliência transforma experiências traumáticas em catalisadores para o aumento do desempenho. Fala-se até mesmo de crescimento pós traumático. O treino de resiliência como treino de resistência espiritual tem de formar, a partir do ser humano, um sujeito de desempenho permanentemente feliz, o mais insensível à dor possível.
A missão de felicidade da psicologia positiva e a promessa de um oásis de bem-estar medicamente produzível são irmanadas. A crise de opioides estadunidense tem [um] caráter paradigmático. Dela toma parte não apenas a cobiça material de uma empresa farmacológica. Antes há, em seu fundamento, uma suposição fatal para a existência humana. Só uma ideologia do bem-estar permanente pode levar a que medicamentos que eram originariamente usados na medicina paliativa sejam usados com grande pompa também nos saudáveis. Não por acaso o especialista em dor estadunidense David B. Morris já notava, décadas atrás: “Os americanos de hoje pertencem, provavelmente, à primeira geração da Terra que veem uma existência livre de dor como um direito constitucional. Dores são um escândalo”.
A sociedade paliativa coincide com a sociedade do desempenho. A dor é vista como um sinal de fraqueza. Ela é algo que deve ser ocultado ou ser eliminado por meio da otimização [wegzuoptimieren]. Ela não é compatível com o desempenho. A passividade do sofrer não tem lugar na sociedade ativa dominada pelo poder [Können]. Hoje se remove à dor qualquer possibilidade de expressão. Ela é, além disso, condenada a calar-se. A sociedade paliativa não permite avivar, verbalizar a dor em uma paixão.
A sociedade paliativa é, ademais, uma sociedade do curtir [Gefällt-mir]. Ela degenera em uma mania de curtição [Gefälligkeitswahn]. Tudo é alisado até que provoque bem-estar. O like é o signo, sim, o analgésico do presente. Ele domina não apenas as mídias sociais, mas todas as esferas da cultura. Nada deve provocar dor. Não apenas a arte, mas também a própria vida tem de ser instagramável, ou seja, livre de ângulos e cantos, de conflitos e contradições que poderiam provocar dor. Esquece-se que a dor purifica. Falta, à cultura da curtição, a possibilidade da catarse. Assim, sufocamo-la com os resíduos [Schlacken] da positividade, que se acumulam sob a superfície da cultura de curtição.
Fonte: Han, Byung-Chul. Sociedade paliativa: a dor hoje. 1.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2021.
Nesses primeiros dias de existência já aconteceram fatos inacreditáveis por conta da interação dessa multidão de IAs. Chame-os de “comportamentos emergentes”. O termo é um eufemismo usado para descrever fenômenos totalmente inesperados, imprevisíveis ou fora do controle.
I. “...Juiz de Fora e Ubá...” – palavra oxítona terminada em “a”.
II. “A Cemig, companhia energética do estado...” – paroxítona terminada em “a”.
III. “Além disso, o vice-governador Mateus...” – possui a mesma regra de “armazém”.
V. “Já em Ubá, município vizinho...” – oxítona terminada em “a”.
Marque a alternativa correta.
Sobre a acentuação gráfica de palavras retiradas do texto, analise as assertivas abaixo e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) A palavra “fenômeno” segue a mesma regra de acentuação de “válvulas”.
( ) A palavra “também” é acentuada por ser uma paroxítona terminada em -em.
( ) A palavra “saúde” recebe acento gráfico devido à presença de um hiato.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
