Questões de Concurso Comentadas sobre teoria literária em literatura

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Q3566303 Literatura
Em “Formação da Literatura Brasileira” (2006), Antonio Candido define “sistema literário” como a articulação entre autores, obras e público, sustentada por continuidade histórica e autonomia estética. Considerando essa perspectiva, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3566302 Literatura
A partir da crítica literária brasileira e da produção ficcional moderna e contemporânea, é possível reconhecer o debate sobre a identidade nacional como eixo estruturante de diversas obras e interpretações. Autores como Sérgio Buarque de Holanda e Darcy Ribeiro também contribuíram para essa reflexão em obras de interpretação do Brasil, que repercutem na crítica e na literatura de ficção. Sobre o tema, analise as assertivas abaixo, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas. 

( ) O romance “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, expressa a identidade nacional por meio da linguagem híbrida, do sertão como espaço simbólico e da articulação entre o erudito e o popular.
( ) Para Sérgio Buarque de Holanda, a formação do Brasil se deu de forma equilibrada e harmônica entre heranças ibéricas, indígenas e africanas, sem conflitos estruturais.
( ) Darcy Ribeiro defende que a identidade nacional brasileira é resultado da fusão de matrizes culturais diversas, mas reconhece as tensões históricas e sociais nesse processo.
( ) Em “O Auto da Compadecida”, Ariano Suassuna articula elementos da tradição oral nordestina com influências do teatro popular e da religiosidade, compondo um painel cultural que contribui para a representação da identidade nacional.


A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Alternativas
Q3566301 Literatura
Segundo Antonio Candido em “Formação da Literatura Brasileira” (2006), a constituição de um sistema literário nacional pressupõe a articulação entre autores, obras e público, de modo a permitir continuidade histórica e autonomia estética. Esse processo envolve a assimilação crítica de influências externas e a incorporação das formas culturais e linguísticas do país, resultando em uma literatura capaz de expressar artisticamente a experiência histórica e social brasileira. Com base nessa concepção, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q3566298 Literatura
Analise as seguintes asserções e a relação proposta entre elas:

I. A prosa introspectiva de Clarice Lispector, especialmente em obras como “A paixão segundo G.H.” (1964), representa uma inflexão no projeto modernista ao deslocar o foco do social para a interioridade subjetiva.
PORQUE

II. Segundo Alfredo Bosi (2015), a prosa de Clarice apresenta uma radicalização do experimentalismo modernista, marcada pela ruptura da narrativa linear, pela densidade filosófica e pela linguagem autorreflexiva.


A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3536840 Literatura
Leia as afirmações seguintes sobre o texto literário, antes de julgar o que se pede:

I. É importante que o trabalho com o texto literário esteja incorporado às práticas cotidianas da sala de aula.
II. Trata-se de uma forma específica de conhecimento.
III. Pensar sobre a literatura implica dizer que se está diante de um inusitado tipo de diálogo regido por jogos de aproximações e afastamentos.
IV. É possível utilizá-los como expedientes para servir ao ensino das boas maneiras, dos hábitos de higiene, dos deveres do cidadão, dos tópicos gramaticais, das receitas desgastadas do “prazer do texto”, etc.

A partir da concepção sobre a especificidade do Texto Literário no âmbito educacional, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) defendem o que se afirma sobre tal ferramenta de apoio no que se diz corretamente em:
Alternativas
Q3535322 Literatura
Retratando-se aos gêneros literários, marque (V) verdadeiro ou (F) falso e assinale a alternativa correta.

( ) Narrador onisciente: quando conhece e revela o interior das personagens, seus pensamentos e emoções.
( ) Na obra lírica um sujeito que chamamos eu-lírico, sujeito lírico, voz lírica, voz poética, exprime suas emoções. (Por emoções entendemos todas as experiências psíquicas: sejam os mais profundos sentimentos e sensações, sejam ainda as mais variadas reflexões e concepções de mundo).
( ) Na obra dramática os fatos são apresentados diretamente ao espectador, sem intermediários. Não é necessária a voz de um narrador como na obra narrativa. Pertencem ao gênero dramático as obras escritas em versos ou em prosa para a representação teatral. Assim, embora o texto possa ser objeto de leitura, sua realização plena como obra de arte só pode ocorrer no palco, onde cada personagem é representada por um ator, que (re)vive o papel em cada novo espetáculo.
( ) Enquanto o tempo próprio da narrativa é o passado, o tempo da obra dramática é o presente. O discurso direto, (fala da personagem sem intermediação de narrador) e o diálogo, são as formas básicas da linguagem dramática. É através do diálogo que ocorre o entrechoque das personagens, realizando-se a característica essencial do gênero, que é o conflito. 
Alternativas
Q3534517 Literatura
    Eu prefiro começar com a consideração de um efeito. Mantendo sempre a originalidade em vista, pois é falso a si mesmo quem se arrisca a dispensar uma fonte de interesse tão evidente e tão facilmente alcançável, digo-me, em primeiro lugar: “Dentre os inúmeros efeitos, ou impressões a que são suscetíveis o coração, a inteligência ou, mais geralmente, a alma, qual irei eu, na ocasião atual escolher?”. Tendo escolhido primeiro um assunto novelesco e depois um efeito vivo, considero se seria melhor trabalhar com os incidentes ou com o tom — com os incidentes habituais e o tom especial ou com o contrário, ou com a especialidade tanto dos incidentes, quanto do tom — depois de procurar em torno de mim (ou melhor, dentro) aquelas combinações de tom e acontecimento que melhor me auxiliem na construção do efeito.

  Muitas vezes pensei quão interessantemente podia ser escrita uma revista, por um autor que quisesse, isto é, que pudesse, pormenorizar, passo a passo, os processos pelos quais qualquer uma de suas composições atingia seu ponto de acabamento. Por que uma publicação assim nunca foi dada ao mundo é coisa que eu não sei explicar, mas talvez a vaidade dos autores tenha mais responsabilidade por essa omissão do que qualquer outra causa. Muitos escritores, especialmente os poetas, preferem ter por entendido que compõem por meio de urna espécie de sutil frenesi, de intuição estática; e positivamente estremeceriam ante a ideia de deixar o público dar uma olhadela, por trás dos bastidores, para as rudezas vacilantes e trabalhosas do pensamento, para os verdadeiros propósitos só alcançados no último instante, para os inúmeros relances de ideias que não chegam à maturidade da visão completa, para as imaginações plenamente amadurecidas e repelidas em desespero como inaproveitáveis, para as cautelosas seleções e rejeições, as dolorosas emendas e interpolações; numa palavra, para as rodas e rodinhas, os apetrechos de mudança no cenário, as escadinhas e os alçapões do palco, as penas de galo, a tinta vermelha e os disfarces postiços que, em noventa e nove por cento dos casos, constituem a característica do histrião literário.

    Bem sei, de outra parte, que de modo algum é comum o caso em que um autor esteja absolutamente em condições de reconstituir os passos pelos quais suas conclusões foram atingidas. As sugestões, em geral tendo-se erguido em tumulto, são seguidas e esquecidas de maneira semelhante.

  Quanto a mim, nem simpatizo com a repugnância acima aludida nem em qualquer tempo, tive a menor dificuldade em relembrar os passos progressivos de qualquer de minhas composições; e, desde que o interesse de uma análise, ou reconstrução, tal como a que tenho considerado um desiderato, é inteiramente independente de qualquer interesse real ou imaginário na coisa analisada, não se deve encarar como falta de decoro de minha parte, mostrar o modus operandi pelo qual uma de minhas próprias obras se completou.


(Edgar Allan Poe – adaptado.)
A visão literária ousada e inovadora, sob a ótica do autor, está demarcada em várias passagens do texto. Qual a alternativa que está em desacordo com essa visão inovadora?
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Q3528440 Literatura
Leia os trechos da obra Macunaíma, de Mário de Andrade, para responder a questão:

Trecho 1
        No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói da nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo do Uraricoera que a índia tapanhumas pariu uma criança feia. Essa criança é que chamaram de Macunaíma.

Trecho 2
        Já na meninice fez coisas de sarapantar. De primeiro passou mais de seis anos não falando. Si o incitavam a falar, exclamava:
– ai! que preguiça!...
E não dizia mais nada.

(Mário de Andrade, Macunaíma, em Alfredo Bosi, História concisa da literatura brasileira, 2015)
De acordo com Alfredo Bosi, na obra de Mário de Andrade, distinguem-se três estilos de narrar.
Em relação aos trechos transcritos, constatam-se, correta e respectivamente, estilo de
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Q3528409 Literatura
Leia os versos a seguir para responder a questão:

Amigo Doroteu, prezado amigo,
Abre os olhos, boceja, estende os braços
E limpa as pestanas carregadas
O pegajoso humor, que o sono ajunta.
Critilo, o teu Critilo, é quem te chama;
Ergue a cabeça da engomada fronha,
Acorda, se ouvir queres cousas raras.
(Tomás Antônio Gonzaga, Cartas chilenas,
em Alfredo Bosi, História concisa da literatura brasileira, 2015)
De acordo com Alfredo Bosi (História concisa da literatura brasileira, 2015), nos versos, atribuídos a Tomás Antônio Gonzaga, identifica-se o tom 
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Q3526764 Literatura
De acordo com o Currículo Paulista: ensino fundamental (2019), “o trabalho com textos da literatura [está] voltado à formação do leitor literário”.
Nesse sentido, a formação desse sujeito leitor 
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Q3526750 Literatura
As Estrelas

Lá, nas celestes regiões distantes,
No fundo melancólico da Esfera,
Nos caminhos da eterna Primavera
Do amor, eis as estrelas palpitantes.

Quantos mistérios andarão errantes,
Quantas almas em busca da Quimera,
Lá, das estrelas nessa paz austera
Soluçarão, nos altos céus radiantes.

Finas flores de pérolas e pratas,
Das estrelas serenas se desata
Toda a caudal das ilusões insanas.

Quem sabe, pelos tempos esquecidos,
Se as estrelas não são ais perdidos
Das primitivas legiões humanas?!

(Cruz e Sousa. Broquéis; Faróis; Últimos Sonetos, 2008)
De acordo com a análise da poética de Cruz e Souza feita por Alfredo Bosi (História concisa da literatura brasileira, 2015), a leitura de As Estrelas permite concluir corretamente que
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Q3525755 Literatura
Leia o texto para responder à questão.


Poema tirado de uma notícia de jornal


João Gostoso era carregador de feira-livre e morava no [morro da Babilônia num barracão sem número

Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro

Bebeu

Cantou

Dançou

Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu [afogado.

(Manuel Bandeira. As cidades e as musas. 2008)
De acordo com o Currículo Paulista (2019), fundamentado em Antonio Candido, justifica-se a circulação de textos literários na escola, como o poema de Manuel Bandeira, considerando-se seu potencial
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Q3525753 Literatura
Leia o texto para responder à questão.


Poema tirado de uma notícia de jornal


João Gostoso era carregador de feira-livre e morava no [morro da Babilônia num barracão sem número

Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro

Bebeu

Cantou

Dançou

Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu [afogado.

(Manuel Bandeira. As cidades e as musas. 2008)
Tendo como referência Alfredo Bosi (História concisa da literatura brasileira. 2015), é correto afirmar que o poema
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Q3525742 Literatura
Em relação ao plano da invenção ficcional e poética do Realismo brasileiro, Alfredo Bosi (História concisa da literatura brasileira. 2015) explica que os autores desse movimento se esforçam para
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Q3525732 Literatura
De acordo com Alfredo Bosi (História concisa da literatura brasileira. 2015), a lírica de Gonçalves Dias, no conjunto da poesia romântica brasileira, singulariza-se como a mais literária, pois
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Q3524947 Literatura
De acordo com Alfredo Bosi (História concisa da literatura brasileira. 2015), em Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, “a linguagem do mito rompia as amarras espácio-temporais”. Isso se comprova com a passagem: 
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Q3503725 Literatura
Sobre a literatura negra ou afro-brasileira, assinale a opção correta.
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Q3503708 Literatura
TEXTO 1


Educação Integral e ensino de Língua Portuguesa: diálogos necessários

Por Gina Vieira Ponte


A função social da escola é garantir a todas(os) que passam pelos seus portões o acesso ao conhecimento científico poderoso que nos conecta com o que a humanidade foi construindo como saber, como experiência, como conhecimento, como marco civilizatório, ao longo do seu processo evolutivo. Falar de uma educação que se comprometa em olhar para todas as dimensões que constituem as(os) estudantes, falar de uma educação que se ocupe de educá-las(os) para que construam o pensamento crítico e incidam na sociedade buscando transformá-la é, portanto, falar de uma educação que as(os) olhe por inteiro, as(os) perceba em sua inteireza, como sujeitos sócio-históricos que são.

Entendendo que a concepção de Educação Integral deve orientar a organização do trabalho pedagógico em todas as etapas e modalidades e no ensino de todos os componentes curriculares, como incorporar às aulas de Língua Portuguesa os princípios, os pressupostos teóricos e as concepções da Educação Integral? Antes de tudo, é necessário destacar que a base histórica do ensino de Língua Portuguesa no Brasil apoia-se na ideia de transformar as diferenças em deficiências. Por muitos anos, o país construiu uma proposta pedagógica de ensino de Língua Portuguesa muito mais sustentada na ideia de confirmar às(aos) estudantes das camadas populares a sua suposta incompetência em relação a falar e utilizar a própria língua de forma escrita do que para fortalecer, de fato, os seus saberes e conhecimentos sobre ela (Soares, 2002).

A concepção de sociedade, a partir da qual esse ensino de língua foi proposto, anunciava a condição de subordinação das classes populares às classes dominantes. Parte desta proposta pedagógica envolvia estigmatizar as(os) estudantes das camadas mais populares, desqualificando os seus dialetos, os seus registros linguísticos, e apresentando o Português como uma língua dominada apenas por um grupo seleto. Também é importante relacionar essa concepção de ensino de língua com a nossa herança colonial. Sendo o Brasil um país de base histórica escravocrata e racista, muitas das teorias produzidas para pensar a educação brasileira, bem como o ensino de línguas, eram reproduções de ideias europeias que partiam da compreensão de que os grupos sociais miscigenados eram considerados incapazes (Patto, 2015).

A nossa riqueza cultural, a nossa diversidade como país está, em grande medida, materializada na diversidade linguística que nos constitui. Uma vez que a linguagem é o principal produto da cultura e o principal elemento para a sua transmissão, ignorar a diversidade linguística que nos constitui é restringir e aligeirar o trabalho realizado no ensino de línguas [...].

Uma postura de genuíno respeito ao saber linguístico da(o) aluna(o) deve estar intrinsecamente ligada ao compromisso ético de garantir que a(o) estudante compreenda a diversidade linguística que nos constitui, e tenha a oportunidade de ter um ensino de língua de qualidade teórica, pedagógica e humana. Isso significa criar as condições adequadas para que ela(ele) possa pensar, de forma sistematizada, a gramática da própria língua, os gêneros textuais/discursivos, as suas convenções e regras de funcionamento, e possa conhecer, apropriar-se e fazer uso do que alguns autores convencionaram chamar de dialeto-padrão, não como um dialeto superior ao seu, mas como o dialeto necessário ao exercício da cidadania, necessário para que essa(esse) estudante conquiste melhores e mais amplas condições de participação social, política e cultural. Este é um imperativo ético de uma Educação Integral que estabelece um compromisso inegociável com a garantia das aprendizagens (Guedes, 1997; Soares, 2002).

Para garantir esse direito, as(os) profissionais da educação precisam ainda se compreender como intelectuais orgânicas(os) (Giroux, 1997), precisam ter a sua autoria e autonomia respeitadas, devem ter, como elemento norteador do seu fazer pedagógico, a premissa de que “a aula de Português não faz sentido se não for dada para leitoras(es). Só a(o) leitora(or) pode ser chamada(o) a ler melhor o que leu e a escrever melhor o que escreveu” (Guedes, 1997, p.7). O sentido de ler, aqui, precisa também ser reconfigurado, porque não se restringe à concepção de leitura muitas vezes cristalizada na escola, em que se espera que a(o) aluna(o) leia apenas para aceitar ou descobrir os sentidos já constituídos como tradicionais nos textos. O que se deve buscar nessa leitura, como nos adverte o grande mestre Paulo Freire, é “uma compreensão crítica do ato de ler, que não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo” (Freire, 1989, p. 23).

Quanto à leitura, merece destaque também o trabalho com a literatura, a literatura brasileira como este “esforço histórico que construiu uma cultura de resistência ao colonialismo” (Guedes, 1997, p.11), a literatura como espaço de reflexão crítica sobre a realidade, sobre nós mesmos, a literatura como alimento para a imaginação. Em uma escola que se ocupa da Educação Integral, o trabalho com a literatura tem centralidade, porque ela é um dos elementos culturais mais importantes para a formação humana, ética, artística e para o desenvolvimento da capacidade de pensar de forma inteligente e profunda a realidade [...].

Na tarefa de construir a(o) leitora(or), nós, professoras e professores, precisamos estar atentas(os) também ao fato de que a curadoria que fazemos dos textos que trabalhamos em nossas aulas, no nosso compromisso de promover uma Educação Integral, não pode repercutir as exclusões históricas que deixaram fora do currículo oficial as produções de mulheres, de escritoras e escritores negras(os), indígenas, quilombolas, bem como das(os) escritoras(es) locais, aquelas(es) que escrevem sobre a realidade daquele território e daquela comunidade onde a escola está inserida [...].

Falar da interface entre ensino de Língua Portuguesa e Educação Integral é falar da promoção de uma educação genuinamente transformadora. Se a língua é o nosso instrumento mais importante de significação, representação e relação com o mundo, a forma como a escola ensina essa língua será decisiva, não só quanto a garantir ou não o direito de a(o) estudante aprender, mas ela será decisiva na maneira como essa(esse) estudante construirá relações consigo, com a sua comunidade e com o seu país [...].


PONTE, Gina Vieira. Educação Integral e ensino de Língua Portuguesa: diálogos necessários. Na Ponta do Lápis, São Paulo, ed. 41, p. 7-15, set. 2024. Disponível em: https://www.cenpec.org.br/pesquisa/na-ponta-do-lapis/. Acesso em: 28 mai. 2025. [Texto adaptado]
Na Educação Integral, o ensino do texto literário deve estar focado na literatura como
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Q3503573 Literatura
A VINGANÇA DA PORTA



Era um hábito antigo que ele tinha:
Entrar dando com a porta nos batentes.
— Que te fez essa porta? a mulher vinha
E interrogava. Ele cerrando os dentes:


— Nada! traze o jantar! — Mas à noitinha
Calmava-se; feliz, os inocentes
Olhos revê da filha, a cabecinha
Lhe afaga, a rir, com as rudes mãos trementes.


Uma vez, ao tornar a casa, quando
Erguia a aldraba, o coração lhe fala:
Entra mais devagar... — Para, hesitando...


Nisto nos gonzos range a velha porta,
Ri-se, escancara-se. E ele vê na sala,
A mulher como doida e a filha morta.


Disponível em: https://www.escritas.org/pt/t/4685/a-vinganca-da-porta. Acesso em: 11.abr.2025.

O soneto é uma forma fixa que foi criada no século XIII, na Itália, tendo sido suporte de várias correntes literárias. Desse modo, analise o poema A vingança da porta e aponte a alternativa correta.
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Q3503571 Literatura
A Draga


A gente não sabia se aquela draga tinha nascido ali, no Porto, como um pé de árvore ou uma duna.
- E que fosse uma casa de peixes?
Meia dúzia de loucos e bêbados moravam dentro dela, enraizados em suas ferragens.
Dos viventes da draga era um o meu amigo Mário-pega-sapo.
Ele de noite se arrastava pela beira das casas como um caranguejo trôpego.
À procura de velórios.
Os bolsos de seu casaco andavam estufados de jias.
Ele esfregava no rosto as suas barriguinhas frias.
Geleia de sapos!
Quando Mário morreu, um literato oficial, em necrológio caprichado, chamou-o de Mário-Captura-Sapo!
Ai que dor!
Ao literato cujo fazia-lhe nojo a forma coloquial.
Queria captura em vez de pega para não macular (sic) a língua nacional lá dele...
O literato cujo, se não engano, é hoje senador pelo Estado.
Se não é, merecia.
A vida tem suas descompensações.
Da velha draga,
Abrigo de vagabundos e de bêbados, restaram as expressões: estar na draga, viver na draga por estar sem dinheiro, viver na
miséria
Que ofereço ao filólogo Aurélio Buarque de Holanda
Para que as registre em seus léxicos
Pois o povo já as registrou.



BARROS, M. Gramática expositiva do chão: poesia quase toda. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1990 (fragmento Adaptado).
Por meio da intencionalidade discursiva do poema A Draga, a poética de Manoel de Barros pode ser caracterizada como 
Alternativas
Respostas
141: B
142: E
143: C
144: A
145: A
146: C
147: B
148: B
149: D
150: D
151: B
152: E
153: A
154: E
155: D
156: C
157: C
158: D
159: E
160: B