Questões de Concurso
Comentadas sobre teoria literária em literatura
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Texto VII
Canção do exílio
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Coimbra, julho, 1843.
DIAS, Gonçalves. Canção do exílio. In: DIAS, Gonçalves. Poesias completas. São Paulo: Martin Claret, 2001. p. 53-54.
Texto VIII
O navio negreiro
Existe um povo que a bandeira empresta
P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio, Musa... Chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto!...
Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança,
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...
ALVES, Castro. O navio negreiro e outros poemas. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 16.
Os textos VII e VIII constituem expressão do mesmo projeto estético, o Romantismo.
Entre um e outro, porém, diverge a perspectiva da identidade nacional, uma vez que o primeiro texto
Texto II
Kehinde
A borboleta que esbarra em espinhos rasga as próprias asas.
Provérbio africano
Eu nasci em Savalu, reino de Daomé, África, no ano de um mil oitocentos e dez. Portanto, tinha seis anos, quase sete, quando esta história começou. O que aconteceu antes disso não tem importância, pois a vida corria paralela ao destino. O meu nome é Kehinde porque sou uma ibêji e nasci por último. Minha irmã nasceu primeiro e por isso se chamava Taiwo. Antes tinha nascido o meu irmão Kokumo, e o nome dele significava “não morrerás mais, os deuses te segurarão”. O Kokumo era um abiku, como minha mãe. O nome dela, Dúróoríìke, era o mesmo que “fica, tu serás mimada”. A minha avó Dúrójaiyé tinha esse nome porque também era uma abiku, e o nome dela pedia “fica para gozar a vida, nós imploramos”. Assim são os abikus, espíritos amigos há mais tempo do que qualquer um de nós pode contar, e que, antes de nascer, combinam entre si que logo voltarão a morrer para se encontrarem novamente no mundo dos espíritos. Alguns abikus tentam nascer na mesma família para permanecerem juntos, embora não se lembrem disto quando estão aqui, no ayê, na terra, a não ser quando sabem que são abikus. Eles têm nomes especiais que tentam segurá-los vivos por mais tempo, o que às vezes funciona. Mas ninguém foge ao destino, a não ser que Ele queira, porque, quando Ele quer, até água fria é remédio.
GONÇALVES, Ana Maria. Um defeito de cor. Rio de Janeiro: Record, 2020. p. 19.
Vocabulário
Ibêji: os gêmeos entre os povos iorubá.
Abiku: “criança nascida para morrer”.
No texto literário, nenhuma escolha linguística ocorre impunemente, já que uma obra não se esgota em sua temática, carecendo também da forma como categoria fundante da literariedade.
Nesse sentido, num ensino de literatura consequente, mostra-se relevante, no Texto II, a reflexão sobre o uso do pronome pessoal Ele com maiúscula, a fim de levar o estudante-leitor a
Nesse cenário, é correto afirmar que:
Nesse sentido, é correto afirmar que a relação entre literatura e história:
Com base nas características das escolas literárias, relacione corretamente as colunas abaixo, de acordo com a escola e seus contextos históricos.
1.Parnasianismo
2.Realismo
3.Modernismo
4.Naturalismo
(__)Ao contrário do Romantismo, que fazia uso exagerado da subjetividade, esta escola caracteriza-se pela linguagem direta e objetiva. Seus temas centrais incluem críticas à sociedade da época, especialmente à burguesia, e a representação de cenários urbanos.
(__)Trata-se de uma das escolas da literatura brasileira, iniciada em 1882, caracterizada pelo preciosismo, ou seja, pelo "culto à forma". As poesias desse período são descritivas e detalhadas, evidenciando uma valorização da estrutura estética.
(__)Surgiu no Brasil no final do século XIX e tinha como principal preocupação expressar a realidade e os problemas sociais da época. Suas características incluem linguagem coloquial e determinismo, ou seja, a ideia de que o homem é produto do meio em que vive. Publicada em 1881, a obra "O Cortiço", de Aloísio de Azevedo, é considerada um clássico e a obra-chave dessa escola.
(__)Constitui um dos momentos mais importantes da história da literatura brasileira, caracterizando-se pelo rompimento com as escolas tradicionais e pela busca de liberdade estética. Esse movimento teve grande impulso a partir da Semana de Arte Moderna, em 1922, um evento dedicado à apresentação artístico-cultural.
A sequência numérica que relaciona adequadamente as colunas é:
Em linhas gerais, é correto afirmar que a obra pode ser caracterizada como
Nesse sentido, é correto afirmar que a literatura indígena contemporânea
Relacione principais autores brasileiros (Coluna 1) com suas obras (Coluna 2).
Coluna 1
(1) Machado de Assis
(2) José de Alencar
(3) Gregório de Matos
(4) Clarice Lispector
(5) Mário de Andrade
Coluna 2
(__) - Macunaíma
(__) - Dom Casmurro
(__) - O Guarani
(__) - Carta ao Rei D. Manuel
(__) - A Hora da Estrela
Qual alternativa preenche, CORRETAMENTE, de cima para baixo, os parênteses?
SE EU MORRESSE AMANHÃ!
Se eu morresse amanhã, viria ao menos Fechar meus olhos minha triste irmã; Minha mãe de saudades morreria Se eu morresse amanhã!
Quanta glória pressinto em meu futuro! Que aurora de porvir e que manhã! Eu pendera chorando essas coroas Se eu morresse amanhã!
Que sol! que céu azul! que doce n´alva Acorda a natureza mais louçã! Não me batera tanto amor no peito, Se eu morresse amanhã!
Mas essa dor da vida que devora A ânsia de glória, o dolorido afã... A dor no peito emudecera ao menos Se eu morresse amanhã!
AZEVEDO, Manuel Antônio Álvares de. Se eu morresse amanhã! In: BANDEIRA, Manuel (Org.). Antologia dos poetas brasileiros: poesia da fase romântica. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996.
No poema, a insistência na ideia da morte e a exploração dramática das emoções estabelecem diálogo com discursos característicos do Romantismo, revelando
Apesar de nascida na África e de ascendência italiana, foi no Rio de Janeiro que a escritora e artista plástica _______________ cresceu e ganhou notoriedade. Com trajetória marcante na revista Manchete, sua escrita a levou aos livros. Tornou-se amplamente reconhecida na literatura brasileira, com publicações como “Uma Ideia Toda Azul” e “A Menina Arco-Íris”, além de ser laureada em diferentes prêmios como o Jabuti e o Machado de Assis. Ela faleceu em janeiro de 2025, deixando importante legado para a cultura brasileira.
Portanto, complementa-se essas informações considerando que:
Leia o texto abaixo para responder à próxima questão:
Pneumotórax
Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três.
— Trinta e três… trinta e três… trinta e três…
— Respire.
……………………………………………………………………….
— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
— Não.
A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
Manuel Bandeira
Leia o texto abaixo para responder à próxima questão:
A um poeta
Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha e teima, e lima, e sofre, e sua!
Mas que na forma se disfarce o emprego
Do esforço: e trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua
Rica mas sóbria, como um templo grego
Não se mostre na fábrica o suplicio
Do mestre. E natural, o efeito agrade
Sem lembrar os andaimes do edifício:
Porque a Beleza, gêmea da Verdade
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade
Olavo Bilac