Questões de Concurso Comentadas sobre literatura
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Leia os poemas reproduzidos a seguir.
Canção do exílio
(Gonçalves Dias)
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar – sozinho, à noite –
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
DIAS, Gonçalves. Poesia. Coleção "Nossos Clássicos". São Paulo: Agir, 1969.
Canção do exílio
(Murilo Mendes)
Minha terra tem macieiras da Califórnia
onde cantam gaturamos de Veneza.
Os poetas da minha terra
são pretos que vivem em torres de ametista,
os sargentos do exército são monistas, cubistas,
os filósofos são polacos vendendo a prestações.
A gente não pode dormir
com os oradores e os pernilongos.
Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda.
Eu morro sufocado
em terra estrangeira.
Nossas flores são mais bonitas
nossas frutas mais gostosas
mas custam cem mil réis a dúzia.
Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade
e ouvir um sabiá com certidão de idade!
MENDES, Murilo. Poesia completa e prosa. org. por l. Stegagno Picchio. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.
Assinale, entre as alternativas abaixo, a que apresenta (X) o nome de duas famosas obras dele como escritor; (Y) o nome do seu pai, outro famoso escritor; e (Z) os títulos de duas obras escritas pelo pai de Luís Fernando Verissimo.
“Napoleão observou de longe as pirâmides egípcias e refletiu sobre seu valor cultural e religioso; ao mesmo tempo pensava nos problemas políticos que devia enfrentar na sua volta para a França.”
Pelo segmento, o tipo de romance de onde foi copiado o trecho, é
I- Versificação é a arte de fazer versos.
II- Verso é cada linha do poema, é uma unidade rítmica.
III- Ritmo é a cadência de sons produzida pela sucessão de sons fortes, (sílabas tônicas) e sons fracos, (sílabas átonas).
IV- Metro é a medida do verso, é a quantidade de sílabas poéticas.
( ) Podemos considerar Memorial de Aires um romance porque não são narrados só os pensamentos do autor do diário, nem casos meramente episódicos, circunstanciais, há uma unidade narrativa, um enredo coerente que se desenvolve no tempo, num espaço determinado, com personagens definidas.
( ) O tipo de narração que se verifica no Memorial de Aires é a objetiva.
( ) No nível de ação do romance há uma vitória da vida, visto que as personagens jovens Fidélia e Tristão, desprendem-se do mundo dos velhos para realizarem a sua própria vida.
( ) No nível das personagens, há uma vitória da morte, visto que a maioria dos velhos, domina esmagadoramente. É assim que se explica a ausência de nascimentos e de crianças no Memorial.
( ) Com relação ao ponto de vista, há uma vitória da morte, visto que todo romance é contado segundo a perspectiva do Conselheiro Aires, que, como ele próprio confessa, está mais próximo da morte. No nível da temática domina a morte, visto que os motivos relacionados a ela, são mais constantes.
( ) Amâncio pensa conseguir no Rio de Janeiro, em oposição à vida que levava no Maranhão, a liberdade que nunca teve para, então, realizar suas fantasias de aventuras amorosas e diversão.
( ) Quando Amâncio vai visitar João Coqueiro pela primeira vez, já não apresenta o mesmo aspecto provinciano. Essa modificação se deve ao novo ambiente em que ele está vivendo, a influência dos costumes da Metrópole.
( ) O meio, no qual Amâncio foi criado e as relações mantidas durante sua infância e adolescência são importantes para caracterizá-lo posteriormente. Ele recebeu influências do pai, da mãe, do Professor Pires e da avó.
( ) A transformação do personagem em objeto fica bem clara, quando aparecem as bengalas e chapéus a Amâncio, isto é, quando a moda passa a consumir o novo “ídolo.”
( ) O mundo de O Cortiço corresponde a um mundo idealizado, que só existe na imaginação do autor.
( ) O mundo de O Cortiço é a recriação de uma coletividade, através de uma observação objetiva da realidade.
( ) O autor limita-se apenas a fotografar a realidade ambiental física e não se preocupa com o ambiente social ou moral.
( ) Estas são algumas características da obra O Cortiço: Linguagem objetiva e descritiva; narração em terceira pessoa, com narrador onisciente; tempo linear, com princípio, meio e fim; crítica social e denúncia das condições de vida dos pobres; exploração do trabalho, miséria e luta de classes; animalização das personagens, com ações baseadas em instintos naturais; visão racista e homofóbica.